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A educação moral no jovem Piaget: posição ativa do educando e mediação formativa do educador

PID: S2178-46122023000100114 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Dalbosco Cezar Rizzi
Resumo O ensaio procura investigar a ideia de educação moral defendida por Jean Piaget em sua conferência intitulada Os procedimentos de educação moral, proferida em Paris, no ano de 1930. Concentra-se em reconstruir o núcleo central apresentado pelo autor, ou seja, a tensão entre a dupla moralidade e a ambiguidade entre heteronomia e autonomia, que constitui a moralidade infantil e que se alicerça em sentimentos de respeito opostos, de unilateralidade e de reciprocidade. Ocupa-se também em confrontar os procedimentos típicos da educação tradicional com os procedimentos próprios da educação progressiva, que impulsionam a posição ativa do educando para a construção dos aspectos da internalização da lei e da possibilidade das relações de cooperação e respeito pelo outro nos grupos de convivência, especialmente no período da infância. Destaca a necessária presença do adulto, como aquele que exerce o papel de mediação na relação entre ele, a criança e o mundo, principalmente do professor na educação infantil pela compreensão do domínio psicológico da infância, para pensarmos por que a criança age, como ela age e de que forma age. Por fim, conclui procurando mostrar a atualidade desta reflexão do jovem Piaget para os nossos dias, mesmo se passando quase um século, revelando a importância da releitura dos clássicos para a reflexão, a compreensão e a intervenção em problemáticas educacionais atuais. Sua crítica ao autoritarismo inerente à determinada concepção de educação moral serve ainda como resistência ao conservadorismo autoritário atual e, ao mesmo tempo, para reestabelecer os laços cooperativos e solidários proporcionados pela ampla tradição da educação moral autônoma, oferecendo as condições intelectuais e psicológicas necessárias para o desenvolvimento saudável e o ingresso autônomo na sociedade adulta.

A educação no contemporâneo frente às emoções e aos sentimentos

PID: S2178-46122023000100302 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Souza Trevisan
Resumo Este estudo busca investigar o movimento constitutivo das articulações entre razão e emoção e a sua influência na Educação contemporânea. Para tanto, busca situar novas contribuições a partir das pesquisas de Antonio Damásio, para quem as emoções e os sentimentos são considerados indispensáveis para a vida racional, diferenciando-nos uns dos outros, tornando-nos únicos e capacitando-nos a um repertório de respostas emocionais criadas a partir da interação entre o corpo e a mente. Também são utilizadas as reflexões do filósofo seiscentista Baruch Espinosa, cuja contribuição para este estudo reside nos seus conceitos de afeto, liberdade e servidão. Assim, propõe-se uma movimentação no sentido de contextualizar o entendimento dos conceitos de emoção e sentimentos, culminando no desvelamento das suas reais influências no agir humano e na transcendência da visão construída a partir do paradigma epistemológico moderno. Para tanto, pontuam se as perspectivas filosóficas entre a razão e a emoção que foram sendo produzidas ao longo do tempo e, no segundo momento, procura-se compreender as articulações entre emoções, sentimentos e consciência. Esses apontamentos resultarão nos elementos em favor da dignidade, da reverência pela vida e da liberdade de pensamento como valores a serem assegurados e defendidos na Educação. E, dessa forma, provocam os seus atores a rediscutir o papel das emoções e sentimentos, reavaliando a pauta das suas ações.

A pesquisa científica na educação e a imersão de novos paradigmas: possibilidades para metodologias significativas

PID: S2178-46122023000100102 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Jung Altmann Neves
Resumo O objetivo do presente artigo consiste em apresentar uma reflexão sobre os paradigmas existentes e emergentes frente a um contexto teórico-científico bem como a necessidade de mudança devido aos desafios enfrentados em determinados momentos. Assim, o texto, de abordagem qualitativa e caracterizado como uma revisão bibliográfica, contextualiza esse braço da filosofia que trata da natureza da pesquisa científica, do conhecimento no campo educacional – não somente do âmbito da epistemologia, mas também no da fundamentação dos paradigmas das ciências e da educação – e do conhecimento científico. As questões metodológicas estão diretamente relacionadas com essa reflexão sobre os resultados significativos e o que precisa ser modificado a partir de uma análise sobre o contexto social em que se está inserido. Para fundamentar este artigo, apresentam-se as contextualizações que dialogam em torno de autores como Alda Judith Alves-Mazzotti, Pierre Bourdieu, Boaventura de Sousa Santos, Bernard Charlot, Edgar Morin, Thomas Kuhn e Mario Osório Marques. Portanto, o artigo expõe, no seu panorama científico, uma resposta às imposições das ciências na contemporaneidade sem o rompimento com o passado e as suas tradições, mas apresentando um olhar voltado para o futuro. A partir dessa perspectiva, precisamos ter clareza do campo científico em que estamos inseridos, conhecendo, de fato, suas peculiaridades para optarmos por um método que contemple as necessidades apresentadas e tendo segurança do que estamos fazendo. Enfim, pode-se concluir que os profissionais da educação precisam de uma base de pesquisa científica sólida para terem subsídios necessários ao experimentarem novas metodologias em suas práticas pedagógicas, para que estas sejam significativas para os estudantes.

Alfabetização matemática nos anos iniciais: perspectivas subjacentes à Base Nacional Comum Curricular

PID: S2178-46122023000100106 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Richit Stein Melo
Resumo Neste estudo nos referimos à Educação Matemática como perspectiva para uma abordagem coerente, crítica e reflexiva da Matemática, concebida como uma dimensão do conhecimento comprometida com a formação de pessoas questionadoras e participantes no processo de mudança da realidade, ou seja, matematicamente letradas. Baseado nesse entendimento, o artigo aborda as perspectivas subjacentes à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental na direção da concretização da alfabetização e do letramento matemático. A análise, de natureza qualitativa, consistiu em um estudo documental sobre as orientações da BNCC para o ensino da Matemática, tomando por base teórica os princípios da alfabetização e letramento pelo viés da Educação Matemática, a partir da qual foram evidenciadas três perspectiva associadas ao ensino da Matemática na Educação Básica: pragmática, emancipatória e intrínseca à própria Matemática. A perspectiva pragmática propõe o ensino voltado para o desenvolvimento de habilidades e competências requeridas por uma educação mercantilista e bancária, podendo sua concretização não produzir mudanças qualitativas no ensino da Matemática. A perspectiva emancipatória ocupa-se em promover uma abordagem de cunho reflexivo e emancipatório, a qual se mostra como uma possibilidade de superação da tradição curricular conteudista. A perspectiva intrínseca à Matemática está voltada para a própria Matemática na medida em que a BNCC traz orientações que tencionam o ensino da Matemática para ela mesma. Em face dessas perspectivas, o estudo aponta a necessidade de maior coerência entre as diretrizes curriculares instituídas e os resultados de pesquisa, pois a BNCC contempla parcialmente aspectos teóricos e metodológicos da Educação Matemática, especialmente no que diz respeito à efetivação da alfabetização e do letramento em Matemática, evidenciados em pesquisas na área.

As críticas heideggerianas à categorização do ser na Vorhandenheit grega e no racionalismo cartesiano: possíveis relações com a educação

PID: S2178-46122023000100112 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Kraemer Oechsler Tormena
Resumo Esta pesquisa analisa as motivações de Heidegger para colocar em questão o sentido do ser, conforme seu projeto em Ser e Tempo, publicado em 1927, no qual analisa a metafísica tradicional e chega à conclusão de que a história da filosofia se deteve a refletir apenas sobre os entes, esquecendo-se do ser. No §6 de Ser e Tempo, Heidegger assume como tarefa a destruição da história da ontologia. Para isso, tece profundas críticas à categorização do ser na Vorhandenheit grega – em Platão e Aristóteles – e desarticula o racionalismo de René Descartes. Para os gregos, o ser consistia em uma essência previamente estabelecida, e caracterizava-se pela universalidade, infinitude e imutabilidade. Em Descartes, com a elaboração da res cogitans e res extensa, assujeitou-se o Dasein e a dualidade entre sujeito e objeto foi fortificada. Heidegger, por seu turno, objetivou o desenvolvimento de uma filosofia que desarticulasse a metafísica proposta pela tradição (incluindo-se a corrente racionalista), e aludiu que o Dasein, isto é, o ente humano, pelo seu caráter ontológico, não possui essência prévia – é um ente existencial – e não é um sujeito dual – pois é um ser-no-mundo. Logo, não há, na natureza humana, elementos que caracterizam o ser do ente humano antes da sua existência propriamente dita, porque é apenas na existência e nos horizontes de temporalidade que o Dasein se constitui e se percebe como ente aberto às possibilidades mundanas. A filosofia heideggeriana, nesse sentido, pode ser relacionada com a educação, já que os diferentes saberes são construídos coletivamente, na relação ser-com (mitsein). Partindo da ontologia de Heidegger, a educação é uma ferramenta que possibilita o direcionamento do ser do estudante à autenticidade existencial.

As demandas do capital e a formação de novas subjetividades no neoliberalismo: o caso do ensino integral e do programa “Projeto de Vida” em Pernambuco

PID: S2178-46122023000100107 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Valerio Abreu
Resumo A escola de ensino de tempo integral tem assumido paulatinamente o lugar de referência para um novo modelo de educação pública nacional. Ancorada no desenvolvimento de competências, habilidades, conhecimentos específicos, atitudes e qualidades pessoais e elementos constitutivos do capital humano, tem fornecido aos estudantes uma formação cuja centralidade está no Projeto de Vida e na empresa de si mesmo, a fim de responder as demandas de economias virtualizadas, que, por sua vez, estão baseadas na competitividade e na concorrência, condicionadas pelo forte processo de financeirização do neoliberalismo. Partindo da análise de leis e documentos oficiais, este artigo buscou conhecer e problematizar a operacionalização de novos dispositivos pela racionalidade neoliberal na formação de subjetividades no modelo de política pública educacional implantado em Pernambuco por meio do Programa de Educação Integral (PEI) nas Escolas de Referência em Ensino Médio (EREMs), avaliando sua contribuição para formação de capital humano instrumentalizado pela lógica concorrencial e pela mão de obra precarizada. Utilizando-se dos conceitos da racionalidade neoliberal de Pierre Dardot e Christian Laval e da biopolítica de Michel Foucault, constatou-se que a implementação e a execução do PEI operou uma ressignificação do Ensino Médio com o objetivo de formação de uma subjetividade específica, adaptada à flexibilidade produtiva da economia do conhecimento. Compreendeu-se que o Programa de Educação Integral produz uma escola utilitarista por essência, moldada conforme as diretrizes de padronização de sistemas de ensinos para países emergentes, determinadas por organizações internacionais como Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Banco Mundial, atendendo à ordem global que diferencia países ricos e pobres. Conclui-se que, apesar do discurso de inovação e modernidade, o novo modelo de escola pública de Ensino Médio de tempo integral é um dispositivo biopolítico para forjar subjetividades dóceis. Ela é uma tecnologia de controle da governamentalidade neoliberal para formação de um capital humano precarizado e cidadanias fragilizadas.

As determinações exercidas pelo eu idêntico, as propriedades da vida subjetiva e o corpo somático em Husserl

PID: S2178-46122023000100203 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Tourinho
Resumo O presente artigo procura mostrar que a teoria Husserliana sobre as determinações exercidas pelo eu idêntico revela, gradativamente, conforme avança a investigação fenomenológica, novas propriedades da vida subjetiva, fazendo com que o “eu polo” das vivências intencionais seja também “substrato do habitus”, determinando ainda o eu como “pessoa”. O artigo mostra que tais determinações permitem descrever, na esfera transcendental, o fenômeno objetivo “eu, como este homem”, destacando a especificidade do corpo somático face aos demais corpos e mostrando que é por intermédio desse corpo que a vida subjetiva se conecta ao mundo na forma da espacialidade.

Avaliação educacional e a representação conceitual do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)

PID: S2178-46122023000100115 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Rodrigues
Resumo Este ensaio busca analisar a representação conceitual do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para além do senso comum. Assim, o nosso objetivo geral é discutir a interface da avaliação educacional e as políticas públicas. Para tanto, busca-se compreender os determinantes impostos na representação conceitual do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como modelo de gestão do espaço escolar. Isso se apresenta como forma de romper com a hegemonia que se encontra presente no senso comum do ENEM apenas como avaliação de ingresso no Ensino Superior. A metodologia utilizada encontra-se no campo da teoria crítica, no sentido de apropriação do conceito de avaliação educacional. O estudo se justifica ao constituir aspectos interpretativos referentes aos sistemas de avaliação educacional que possam, efetivamente, direcionar para proposições de melhoria da qualidade da educação. Concluímos que se torna importante que os educadores, em sua atividade educativa, tenham a compreensão política do papel que desempenham em democratizar o acesso à cultura escolar e rejeitem a compreensão tecnicista de curso preparatório para o vestibular quando o ENEM ficar associado, exclusivamente, a um mecanismo de ingresso ao Ensino Superior. Isso implica compreender que a Educação Básica, como um todo, é um lugar de formação e que o ingresso no Ensino Superior é decorrência desse processo formativo. Nesse contexto, a formação profissional do sujeito, numa sociedade democrática em todas as instâncias, seria a posição do saber fazer como elemento de acesso a todos que participam e usufruem da ciência e tecnologia como instrumento do pensamento crítico e efetiva melhoria da qualidade de vida de toda a população.

Biologia-cultural – o Amor como fundamento epistemológico do educar em Humberto Maturana

PID: S2178-46122023000100300 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Barcelos Azzolin
Resumo Este texto é a síntese de alguns anos de estudos e de pesquisas em que as proposições da Biologia-cultural, da Biologia do Amor e da Biologia do Conhecimento, do pensador chileno Humberto Maturana Romesín (1928-2021) serão tomadas como a principal referência epistemológica. Nosso objetivo principal é fazer uma reflexão sobre o entendimento do processo de aprendizagem como um devir Biológico-cultural e que se realiza num contexto ecológico de aprendizagem. A ênfase de nossa reflexão neste momento será no sentido de contribuir para a construção de um processo de aprendizagem humana, que tenha como ponto de partida alguns fundamentos, tais como: a cooperação, o respeito mútuo, a colaboração, a aceitação mútua, reconhecimento da legitimidade e dignidade do outro(a), o deixar aparecer, enfim, uma educação na qual a aprendizagem tenha como orientação o amar (Maturana; Dávila, 1997; 2009; 2005; 2016; 2019; 2021). Neste texto refletiremos a proposição de Maturana do amor como o princípio epistemológico para a construção de uma aprendizagem que privilegie a cooperação entre os seres humanos e não a competição. Nosso argumento principal provém da proposição de que a competição pressupõe, via de regra, a negação, o aniquilamento, a anulação do outro. Nossa proposta está ancorada na proposição apresentada por Maturana de que nos construímos humanos não pela competição, mas, sim, pela cooperação. Para concluir, e como forma de viabilizar essa aprendizagem, apresentamos o que denominamos dos três momentos da aprendizagem, a saber: o conhecer, o entender e o compreender, em que (1) Conhecer é conseguir descrever o fenômeno (problema/conflito) que se apresenta no contexto do cotidiano vivido; (2) Entender – é perceber, as relações sistêmicas/ecológicas relacionais no contexto local onde os fenômenos acontecem e (3) Compreender – é perceber a trama sistêmica relacional em que o fenômeno ocorre para darse conta das suas possíveis consequências. Compreender é dar-se conta de onde, como e quando deveremos atuar no sentido de evitar e/ou resolver um determinado problema que surja no local e com a particularidade com a qual acontece.

Constituindo e evidenciando alguns fundamentos filosóficos para a atuação em psicologia clínica na orientação fenomenológica husserliana

PID: S2178-46122023000100202 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Borba
Resumo O artigo tem a intenção central de sistematizar alguns dos fundamentos fenomenológicos husserlianos necessários ao psicólogo clínico que atua sob a orientação fenomenológica, preferencialmente em psicoterapia. Evidencio os principais conceitos e fenômenos estudados por Edmund Husserl ao longo de sua trajetória para constituir a Fenomenologia enquanto ciência de rigor na evidenciação de fenômenos. A atitude e o método fenomenológico husserlianos foram utilizados na constituição e na evidenciação dos fundamentos fenomenológicos husserlianos, destacando seu rigor e sua importância para a Psicologia. Em vias de considerações finais, clarifico os quês e os comos a atuação fenomenológica de orientação husserliana se presentifica na ação clínica.

Convivência entre uma professora e seus estudantes do ensino fundamental: uma narrativa cartográfica

PID: S2178-46122023000100301 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Giron Soares Valentini
Resumo Apresentamos uma experiência de convivência entre uma professora e seus estudantes atuando em parceria e legitimidade, na qual a aprendizagem emerge a partir de um fluir de coordenações de ações recursivas. O texto se constitui como uma narrativa cartográfica que “mapeia” o fluir das ações e dos movimentos relacionados à convivência. Para explicar as experiências vivenciadas foi feito o uso da Teoria da Biologia do Conhecer, proposta por Humberto Maturana e por Francisco Varela, em especial os conceitos de convivência, de coordenações de ações recursivas, de acoplamento estrutural e de autopoiese. Nessa perspectiva teórica, a aprendizagem é um processo intersubjetivo que acontece na experiência, em acoplamento com a estrutura do sujeito e do meio. A abertura ao fluir das ações, a parceria entre professora e estudantes, em legitimidade, são aspectos que permitiram a emergência de experiências com potencial de desencadear movimentos autopoiéticos relacionados aos processos de ensinar e de aprender. Dentre elas, destacam-se a meditação, aqui pensada a partir do conceito de Enação, e o Conversar Liberador, que oferece princípios para desencadear movimentos de observação de si e de autotransformação. Por fim, por meio da narrativa cartográfica, apresentamos algumas pistas para práticas pedagógicas articuladas aos princípios apresentados. Entendemos que a missão de educar, sob esse ponto de vista, constitui-se em uma incumbência grandiosa, que implica em ter fé e amor pela vida nas suas diferentes dimensões, atitude que poderá contribuir com a emergência de uma nova consciência planetária, que sustente o viver e o conhecer alicerçado em uma outra forma de ser e de estar na experiência humana.

De Jano a sankofa: o que a escola que temos pode aprender com a escola que queremos? As múltiplas faces da escola no GT6

PID: S2178-46122023000100109 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Eckhardt Bernar Moreira
Resumo Recuperamos, na esteira de trabalhos apresentados e publicados nos anais das edições 38, 39 e 40 das Reuniões Anuais da Anped, textos que abordam a escola, a Educação Popular, com seus cenários e personagens, na periferia e no campo. Textos que observam a escola que temos e enunciam pesquisas e propostas para a aquisição e a partilha de conhecimentos de forma mais horizontalizada e dialógica. São olhos e olhares para o passado com vistas ao futuro, os quais, na presente proposta de texto, somos levados a pensar em paralelo às figuras mitológicas de Jano e Sankofa. Partindo do diálogo, passando pela compreensão da não neutralidade das práticas, pela formação docente permanente, pelo trabalho constante com a diferença, e chegando à reflexão decolonial e contra-hegemônica, os debates presentes nos textos em questão pensam e abordam limites e possibilidades atravessados pela escola, na tentativa de erigir uma escola mais democrática, humana e afeita à vida. O presente artigo partiu da revisão bibliográfica das publicações do GT6 nos três últimos encontros anuais (2017, 2019 e 2021), aplicando-se sobre eles filtros relativos à escola pública e à Educação Popular. Buscaram-se confluências, similaridades ou mesmo divergências que apontassem a emergência de um novo paradigma de educação, destoante do modelo hegemônico, vinculado às virtudes de uma civilização orientada para o neoliberalismo, para a competitividade e para as necessidades do mercado. Indícios sugestivos nos levam a crer que assuntos caros à Educação Popular, como questões de gênero e localidade, ganharam mais protagonismo, em momentos de forte ataque à escola pública e à Educação progressista.

Dualidad y Didáctica General Radical

PID: S2178-46122023000100303 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Gascón
Resumen La Didáctica General es la disciplina pedagógica que estudia la enseñanza para el conocimiento y la formación, a través de la comunicación educativa. Los manuales y textos de referencia de la disciplina no suelen reparar en temáticas radicales, esto es, esenciales para la educación y no demandadas. Una de ellas es la dualidad en marcos didácticos, entendida en nuestro contexto como un hábito de la razón humana que, bien perjudica, bien dificulta la evolución personal, social y educativa. El objetivo es triple: por un lado, avanzar en la definición de la dualidad como un problema formativo que incide directamente en la enseñanza, el aprendizaje y la formación o deformación relativa. Por otro, es indagar en fundamentos aplicables, prácticos, de una enseñanza educadora que lo afronte en el proceso evolutivo del ego a la conciencia. El tercero es contribuir al salto en el reconocimiento epistemológico de un problema desatendido o ignorado a un asunto de primera magnitud pedagógica. La metodología es el ensayo pedagógico, realizado desde el enfoque radical e inclusivo aplicado, en esta ocasión, a constructos claves de la Didáctica General. Los resultados se desprenden desde el principio y durante todo el proceso, desde contenidos organizados en epígrafes sucesivos que pueden ser centros de interés didácticos y educativos. La conclusión más importante es que la superación de dualidades puede ser un camino válido para una enseñanza orientada a una formación con base en la conciencia, en cualquier contexto didáctico, informal o formal. En un plano más amplio y aplicable, se constata que la Didáctica General con orientación radical se puede fortalecer epistemológica, investigativa y profesionalmente.

Educação do Campo: a efetivação das políticas públicas educacionais no Assentamento Roça do Povo, município de Itabuna-BA

PID: S2178-46122023000100113 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Lucena Santos Pereira
Resumo Este artigo aborda de maneira preliminar aspectos sobre a efetivação das políticas públicas relacionadas a Educação do Campo na escola municipal do Assentamento Roça do Povo, localizado na zona rural da cidade de Itabuna-BA. Para isso, foi analisada a legislação vigente, pontuando direitos conquistados pelas populações rurais e principalmente pelos campesinos por meio das suas lutas e reivindicações por meio dos movimentos sociais. Para tanto, por meio de questionário e entrevistas semi-estruturadas com assentados entre 15 e 65 anos, foram analisadas as dificuldades, os desafios, os progressos, a importância da formação continuada de professores e a necessidade de qualidade na Educação do Campo disponibilizada aos campesinos. Abordamos a importância de conhecer e estudar as leis que regulamentam a Educação do Campo, pois, a prática educacional deve ser condizente com a realidade cotidiana, buscando valorizar a identidade e a cultura do campesinato baiano. Este estudo tem por finalidade valorizar e defender a importância da Educação do Campo, assim como, difundir as informações coletadas no Assentamento Roça do Povo objetivando provocar inquietação na sociedade e em órgãos públicos, para que possam olhar com maior atenção para essa modalidade de educação, a fim de enaltecer a importância dela para os campesinos no Brasil, em especial na Bahia.

En el mundo de la vida con los otros en comunidad

PID: S2178-46122023000100200 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Cadena
Resumen Husserl propone una teoría sobre la intersubjetividad que parte de la conciencia trascendental como inserta en el mundo de la vida donde están los otros y donde la comunidad se construye bajo una estructura de esencias que garantiza la comunalidad. El mundo de la vida es dado y compartido por todas las conciencias intencionales y trascendentales, es condición para intuiciones empíricas y eidéticas, la epoché y las reducciones eidética y trascendental. Cada momento del método fenomenológico se basa en la existencia de un mundo de la vida independiente de la subjetividad. En este mundo, hay objetos reales y, entre estos, los otros, reconocidos por analogía a través de la empatía. Desde una perspectiva metodológica y epistemológica, el yo es anterior al mundo y a los otros yos. El yo constituye, en sentido fenomenológico, la realidad. La conciencia es el lugar de evidenciación de la realidad. No obstante, en la perspectiva de la ontológica, es lo contrario. El mundo de la vida es anterior a la conciencia individual. El mundo de la vida está ahí, disponible, existente, independiente del sujeto, funcionando con su propio orden, con sus leyes y reglas. Es el yo el que esta insertado en el mundo de la vida y que se esfuerza por desvendarlo. La realidad se impone y el yo es, sobre todo, miembro de una comunidad de otros yos. Aun así, ¿cómo compartir las experiencias? Las vivencias pueden ser diferentes, pero hay un límite en las variaciones, un límite dado por la esencia del objeto vivido y por las leyes que rigen las relaciones de tal objeto. Así, la constitución del mundo y de sus objetos está permanentemente en progreso. Es posible donarles nuevos sentidos, en los límites de su esencia. Para Husserl, la constitución comunal del mundo es la condición de posibilidad para la existencia de sujetos separados unos de los otros, y este entendimiento recíproco solo es posible a través de la constitución trascendental de la objetividad. Así, no hay una separación entre la intersubjetividad y la constitución del mundo, es la comunidad de yos la que dona sentidos a las objetividades.

Evolução das perspectivas bioéticas sobre a antecipação do fim da vida

PID: S2178-46122023000100120 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Biasoli Fontoura
Resumo A antecipação do fim da vida sempre foi um tema debatido na história da medicina e da filosofia, ultimamente, outrossim, da bioética. Dado que, hodiernamente, vive-se uma grande evolução no tratamento clínico dos pacientes com diagnóstico de estado vegetativo, decorrente do enorme avanço tecnológico nas áreas da saúde ou médico hospitalares que possibilitaram, cada vez mais, preservar melhor e prolongar mais a vida humana, este artigo objetiva, à luz dos princípios da bioética – autonomia, beneficência, não-maleficência –, estudar os possíveis impactos nas mudanças de classificação na literatura médica dos distúrbios crônicos de consciência. Primeiramente, far-se-á uma análise seguindo o método histórico-crítico dos seguintes conceitos: pacientes em estado vegetativo ou síndrome da vigília sem resposta e estado minimamente consciente. Os casos emblemáticos das pacientes Terri Schiavo e Nancy Cruzan são paradigmáticos, para ilustrar como a comunidade médica, por meio de uma reflexão bioética madura e responsável, e usando dos avanços recentes nos diagnósticos clínicos neurológicos, pode ter uma melhor adequação nas decisões e nos juízos ético-morais atinentes à antecipação do fim da vida com respostas mais balizadas na razão e equânimes. Conclui-se, ciente dos limites do artigo, que o progresso da ciência, aliado à tecnologia contemporânea, permite um novo olhar sobre o futuro dos pacientes em estado crítico, sem niilismos obscurantistas. Sabe-se que os princípios da bioética, sem desconsiderar outras fontes, subsidiam, cada vez mais, a reflexão séria e sistemática sobre a antecipação do fim da vida e, sobremaneira, com os avanços das conquistas médicas do século XXI.

Existencialidade camusiana e identidade em Two And A Half Men

PID: S2178-46122023000100105 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Amorim Pires
Resumo Em tom ensaístico, o texto aborda a questão da identidade (HALL, 2015, 2019) associada ao tema do absurdo, tal como elaborado por Albert Camus (2007), a partir da análise da série Two And A Half Man, especificamente o episódio 10 da sexta temporada da sitcom. A fluidez e a complexidade que perpassam a constituição da identidade foram discutidas com base no reconhecimento da absurdidade da existência humana. Com base em elementos teóricos do campo da sociologia, da filosofia e da dramaturgia, a discussão oferece aportes reflexivos capazes de alargar o horizonte compreensivo acerca das noções de sujeito no cenário globalizado que marca a contemporaneidade.

Filosofia e visão de mundo: contribuições de mestre Eckhart para a formação humana

PID: S2178-46122023000100121 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Moura Silva
Resumo Neste artigo, tomamos como referência as reflexões de Mestre Eckhart acerca da Mística, suas visões de mundo sobre o Ser humano e modos de enfrentamentos dos fundamentalismos e radicalismos sociais, educacionais e religiosos, a partir de uma determinada época. Eckhart foi um religioso da Ordem dos Pregadores, popularmente conhecida como Dominicanos, que expressou sua relação profunda com as questões comuns da vida a partir de sua experiência pessoal com o divino. Essas suas reflexões foram alvos de diversas incompreensões fundamentalistas, o que resultou em um processo inquisitório que, mesmo após a sua morte, condenou parte de seus escritos. Nosso objetivo é antes pedagógico, isto é, partimos dos desafios educacionais, e a partir deles, questionarmos: o que a Educação pode aprender dos estímulos da mística? No aspecto específico, pretendemos tematizar uma certa noção de integralidade humana à luz de uma sociedade que se mostra, cada vez mais, intolerante, desumana, superficial e alienadora da própria condição humana. Segundo, pontuar algumas vias e possibilidades dos caminhos da formação humana e, por fim, tecer um diálogo entre Educação e Espiritualidade. Do ponto de vista metodológico, propomos uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e de caráter hermenêutico, por entendermos que seus pressupostos apontam para a relação entre o autor e a realidade e seu caminho de ressignificação pedagógica. Enfim, chamar atenção para outros possíveis modos de se pensar os nexos entre Visão de Mundo e Formação humana, buscando ressaltar a importância da Filosofia como prática reflexiva sobre e na Educação. Com isso, buscaremos apresentala como um processo possível de ressignificar os processos educacionais que negligenciam a integralidade da pessoa humana, pois ela é capaz de inserir o humano em um profundo processo de autoconhecimento.

Foucault e o Aufklärung: duas interpretações sobre Kant

PID: S2178-46122023000100111 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Veiga
Resumo Este artigo analisa a interpretação de Foucault sobre Kant com o foco na complexidade das relações entre o trabalho filosófico, em geral, e o mundo concreto. O escopo do artigo é delimitado por esta análise de Foucault, especialmente, sobre dois textos de Kant: O que é o esclarecimento? e Antropologia de um ponto de vista pragmático. Investiga-se a possibilidade de um acesso a um espaço anterior a qualquer orientação ética específica. Deste modo, este espaço prévio difere do conjunto de elaborações éticas da tradição filosófica. Primeiramente, destacam-se os diferentes posicionamentos possíveis assumidos pelos filósofos em seu trabalho perante o mundo concreto. A seguir mostra-se a existência de uma ambiguidade latente no trabalho filosófico, a qual permite concluir que existe a possibilidade de um espaço prévio de compreensão do filósofo perante a história. Todos estes elementos são expostos mediante o acompanhamento da análise realizada por Foucault.

Husserl e Dostoiévski: uma aproximação fenomenológica de Memórias do subsolo

PID: S2178-46122023000100206 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Fontana
Resumo É possível pensar uma relação entre a obra Memórias do subsolo de Dostoiévski e a fenomenologia de Edmund Husserl? A intenção deste artigo é pensar essa obra de Dostoiévski por via da fenomenologia de Husserl, por meio de uma abordagem fenomenológico-existencial voltada ao conceito de consciência. Supera-se a relação com a filosofia de Nietzsche, para mostrar novas perspectivas de interpretação, que garanta um trampolim para uma possível aproximação filosófica contemporânea. Dentro dessa linha de pensar evocam-se alguns temas de análise que perpassam os dois autores, o existencialismo, a consciência, a razão e a psicologia. A metodologia de pesquisa é uma revisão e análise bibliográfica dos temas da consciência e existencialismo dentro de uma perspectiva fenomenológica, que amplie o conhecimento racional da fenomenologia e, ao mesmo tempo, faça pensar os limites da razão dentro do escrito do literato. A ordem de nossa exposição resgata o aspecto existencial presente em ambos intelectuais, mostra-se que Husserl não deixa de lado um pensamento existencial acerca da vida, e que se aproxima muito de Dostoiévski. Num segundo momento apresenta-se uma reflexão sobre a consciência e sua importante e limites nessa perspectiva fenomenológica e existencial, e para finalizar as críticas a razão do lado da literatura e a possibilidade de uma racionalidade pensada sem a dicotomia moderna. Como conclusão deste artigo encaminha-se ao pensamento inicial de uma superação da racionalidade lógica, para uma racionalidade existencial-fenomenológica, que se aproxima do tema das emoções do russo através do conceito de uma consciência intencional somada aos conteúdos materiais que acrescem as vivências da consciência.
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