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La didáctica del terrorismo mediante el enfoque radical e inclusivo y la pedagogía de la muerte

PID: S2178-46122023000100307 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Yubero
Resumen La amenaza del terrorismo y la radicalización son desafíos que trascienden las fronteras internacionales, por sus consecuencias negativas para nuestra sociedad. España fue uno de los países europeos más afectados por los atentados terroristas. Ejemplo de ello fueron los firmados años de liderazgo de la banda terrorista ETA (1961-2010); el 11M (2005), que sacudió no solo a Madrid, sino a toda Europa; y los atentados de Barcelona y Cambrills (2017), todos los cuales dieron la voz de alarma sobre la necesidad de detectar y prevenir la radicalización, ya que aparentemente se trataba de jóvenes integrados en la sociedad. El sufrimiento, el dolor y la muerte tangible del terrorismo hacen de la pedagogía de la muerte la mejor manera de abordar la educación del terrorismo desde un enfoque radical e inclusivo holístico, un estudio de la educación que la ve como antesala de una formación profunda por interiorización. Se basa en varios enfoques didácticos y formativos: (1) enfoque de acompañamiento educativo, desde el que se ofrecen respuestas eficaces a situaciones de duelo vivenciadas por algún miembro de la comunidad educativa; (2) un enfoque curricular centrado en promover la conciencia de la finitud en la educación y su tratamiento normalizado; (3) Un enfoque evolutivo fenomenológico entendido a partir de la teoría evolutiva desde la conciencia donde el nacimiento y la muerte no definen claramente el antes y el después. (4) Un enfoque meditativo vacío de la inexistencia. A partir de ahí, se hace referencia a la meditación para alcanzar la plena conciencia. Pues bien, en esta contribución científica se propone cómo trabajar con aplicar cada uno de estos enfoques en una Didáctica del Terrorismo que tenga un cuenta un enfoque radical e inclusivo.

La inclusión del amor en los currículums de educación en España

PID: S2178-46122023000100304 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Megolla Sampaio Henríquez
Resumen El presente trabajo parte del planteamiento del enfoque radical e inclusivo en el que, entre otros aspectos, se señala que hay determinados temas, denominados radicales, que no son socialmente demandados, pese a que su inclusión en educación es clave para la formación. Este es el caso del “amor”, un tema que no se suele tener en cuenta, aunque se puede intuir su impacto significativo en nuestra educación. Desde este enfoque, se entiende el amor como opuesto al egocentrismo, y considera la importancia de incluir estos temas como forma de alcanzar una educación plena. Por ello, nuestro trabajo se centra en comprobar la presencia de este tema radical (el amor) en la legislación educativa vigente en España. El estudio se realiza a través de una metodología de análisis documental, considerando la normativa referente al desarrollo curricular de la Ley Orgánica 3/2020 (LOMLOE), así como sus concreciones a nivel autonómico, utilizando como unidades de análisis la palabra amor y derivadas. El análisis se realiza a través de técnicas cuantitativas, registrando la frecuencia de la presencia del concepto en los Reales Decretos por los que se establecen la ordenación y las enseñanzas mínimas, así como en los documentos derivados del desarrollo posterior que realizan de estas normas las comunidades autónomas en las diferentes etapas educativas (Infantil, Primaria, Secundaria Obligatoria y Bachillerato), asimismo se atendió a los ámbitos de conocimiento donde está este término presente. Los resultados obtenidos indican que el marco normativo curricular estatal y autonómico apenas incluye el concepto amor. Por este motivo, este estudio detecta que los temas relacionados con el amor no son prioritarios en los documentos analizados, por lo que se plantea la necesidad de que desde el ámbito educativo se incluya en los currículos de las diferentes etapas educativas, el tema del amor que es primordial para la formación.

Meditações Pascalianas e Meditações Cartesianas

PID: S2178-46122023000100209 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Ferraguto
Resumo O artigo apresenta uma investigação sobre o conceito de habitus em Bourdieu e Husserl, partindo da oposição de dois estilos filosóficos diferentes, sendo um (o cartesiano) baseado na afirmação da autotransparência da razão e outro (o pascaliano) que coloca em seu centro uma individualidade aberta ao infinito, exposta à imprevisibilidade da concretude e vinculada a uma "ordem" que marca sua existência e determina sua consistência. Além de uma possível oposição, o próprio Bourdieu defende uma possível integração entre essas duas abordagens. Neste artigo, tentarei tornar explícito o sentido dessa integração, mostrando como a reflexão husserliana sobre o habitus confirme a conclusão de Bourdieu. Em primeiro lugar, descreverei as meditações cartesianas e pascalianas como dois estilos opostos (§§ 2-3). Em seguida, analisarei algumas passagens relevantes da reflexão husserliana sobre o habitus, desenvolvida em Experiência e juízo (§4), com o objetivo de destacar a relação entre habitus e motivação racional, e em Ideias 2, com o objetivo de mostrar como a formação de tais motivações nos permite esclarecer a relação entre ego puro, indivíduo e sujeito empírico (§5). Por fim, mostrarei como a oposição entre as meditações pascalianas e as meditações cartesianas é, na verdade, resolvida em uma meditação leibniziana, que de fato Husserl e Bourdieu compartilham (§6).

Nietzsche na pesquisa brasileira em educação: relativista conservador ou perspectivista crítico?

PID: S2178-46122023000100101 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Loureiro Oleare
Resumo Era Nietzsche um relativista conservador ou, pelo contrário, seria possível alocar o filósofo no sítio teórico do pensamento crítico? Tal pergunta-problema delimita o presente artigo. Ela se refere a uma conhecida querela entre modelos interpretativos (SEBOLD, [20-?]) pós-modernos e naturalistas e, especificamente, deriva da revisão de literatura de uma pesquisa em andamento, realizada no âmbito do curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo, a partir da qual observamos uma ausência, talvez um esquecimento em relação à contribuição de Nietzsche para a filosofia crítica no campo da Educação, espaço acadêmico no qual as pesquisas, em grande medida, alinham-se à recepção relativista de seu pensamento. A hipótese central, comprovada pela análise de posições filosóficas de Nietzsche (1979; 1992a; 1992b; 1998; 2000; 2003; 2004) e de alguns de seus comentadores, considera que o filósofo é um pensador crítico (HEIT, 2018; HEIT; PICHLER, 2015), não relativista (AZEVEDO, 2012; MARTON, 2011; MARTON, 2020), perspectivista (CORBANEZI, 2013; MATTOS, 2013) e adepto a um tipo perspectivístico de naturalismo (CARVALHO, 2018; HEIT, 2016; HEIT, 2015; ITAPARICA, 2018), traços que de certa forma tendem a impactar a cosmovisão, quase hegemônica, no que diz respeito à recepção nietzschiana no campo da educação. O objetivo central do artigo é destacar que a discussão destes aspectos pode levar a um reposicionamento da filosofia de Nietzsche no universo do pensamento contemporâneo, incluindo-se aí a pesquisa em educação, bem como compreender em que medida a perspectiva crítica se choca com a perspectiva relativista no que diz respeito à teorização de uma formação de caráter emancipatório. Em termos metodológicos, a análise da revisão de literatura recorre à hermenêutica crítica.

O antinaturalismo de Edmund Husserl e a impossibilidade de uma fenomenologia naturalizada

PID: S2178-46122023000100208 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Castro
Resumo O programa da naturalização da fenomenologia consiste em adaptar a fenomenologia transcendental husserliana a um modelo naturalizado. No entanto, seria a fenomenologia naturalizada ainda uma fenomenologia, no sentido pensado por Husserl? Com o objetivo de oferecer uma resposta a essa pergunta, o artigo propõe uma investigação sobre o contexto de surgimento da ideia e do interesse por uma fenomenologia naturalizada, com a teoria da enação (VARELA et al., 1991). Esse contexto nos coloca em contato com o programa da naturalização da fenomenologia (ROY et al., 1999), baseado na possibilidade da sua formalização matemática. Como demonstrou recentemente Watchel (2022), tanto os defensores quanto os críticos ao programa da naturalização negligenciaram importantes argumentos de Husserl, por exemplo, sobre a fenomenologia estática e genética. Por fim, propõe-se uma análise do antinaturalismo de Husserl, com base em três críticas fundamentais: (1) a ausência de fundamentação do modelo naturalista, (2) o reducionismo científico naturalista e a orientação natural ingênua (3) os efeitos da matematização da natureza sobre a técnica, capaz de encobrir a dimensão existencial do ser humano. Com base nessas três críticas, conclui-se que, para Husserl, a fenomenologia naturalizada seria uma contradição.

O brincar como mecanismo de controle do espaço, tempo e do corpo em Friedrich Fröebel

PID: S2178-46122023000100110 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Habowski Ratto
Resumo O ensaio se ocupa em mostrar como se manifestaram os ideais educacionais em relação às brincadeiras na modernidade, identificando Fröebel como o principal referente teórico nesse âmbito. Veremos, em Fröebel, como as ideias do brincar são importantes para a sociedade e para as escolas modernas, e como podem funcionar nos modos de subjetivação infantil. Fröebel enfatiza a necessidade de organizar o cotidiano de forma estruturada, que envolve todas as atividades das crianças na instituição escolar, o que revela uma preocupação com o tempo. Quanto mais estrita a programação, mais controle se tem sobre os corpos. Dessa forma, o espaço e o tempo se constituem em modos de controle do brincar. Quanto mais o espaço é definido, mais podemos vigiá-los e observar como brincam, manifestam-se e reagem. Nesse movimento, o espaço, o tempo e o corpo precisam ser aproveitados ao máximo para que as atividades sejam eficientes e realizadas de forma otimizada. Essas operações ritualizadas e mecanicamente executadas para ordenar a vida cotidiana por meio de rotinas buscam imprimir práticas programáticas de normalização. Assim, podemos entender a rotina da infância como um processo de racionalização, utilizado por sujeitos e instituições para estruturar e controlar a vida, passa a fazer parte do cotidiano. Ao finalizar o ensaio, realizamos uma tentativa de pensar o brincar como modo de resistência a formas disciplinadoras, mostrando que, onde há poder (modos de conduzir o brincar como algo que tem finalidade pedagogizante) há resistência (o brincar como ato de fruição, sem utilidade), apontando acerca da despedagogização do ato de brincar.

O mistério do ser: Gabriel Marcel nos marcos de uma ontologia indireta

PID: S2178-46122023000100204 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo Desde o início de seu programa filosófico, Gabriel Marcel demarca uma questão decisivamente norteadora: o estatuto do ser. Ao radicalizar tal projeto nos termos de uma hiperfenomenologia, o filósofo se interroga se o ser é mesmo uma substância ou essência ou, se quiser, algo que se possa identificar ou apreender logico-intuitivamente. Frente a esse questionamento, ele diagnostica um ponto nevrálgico no qual incorre a tradição metafísica: o ser é reduzido a um simples objeto cujo acesso é absolutamente positivo, direto. Ora, pode-se reconduzir a investigação ontológica no intuito de descrever fenomenologicamente outra compreensão do ser? Marcel acredita que sim no momento em que vislumbra outro horizonte possível de se recolocar a referida questão de situar o ser como um “mistério” que, de maneira íntima e integral, me circunda, me envolve, me nutre como fonte inesgotável. Para tanto, Marcel ensaia, em seus escritos, sucessivas tentativas de dar conta dessa demanda. Dentre elas, a de que o acesso ao ser se experiencia indiretamente numa espécie de “aproximação concreta”, haja vista que nossa relação com ele não é frontal, objetiva, mas lateral, alusiva, oblíqua. É, enfim, nos marcos de uma ontologia indireta que esse nível de experiência se perspectiva cujo sentido e alcance o movimento reflexivo do texto busca mensurar, em suas linhas gerais.

O olhar freireano e benincaniano sobre a prática pedagógica: o diálogo como princípio ético dos docentes na Escola X

PID: S2178-46122023000100108 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Fávero Agostini Faria
Resumo Ao pesquisar a realidade educacional contemporânea, é preciso conceber que os desafios que atingem a práxis pedagógica em sala de aula apresentam-se de forma multifacetada e complexa. Pensar a atuação docente mostra-se cada vez mais desafiadora e necessita de problematizações que auxiliem no enfrentamento das dificuldades. Dessa forma, a presente pesquisa trata da temática acerca do diálogo como um princípio ético na prática pedagógica em sala de aula, com ênfase na concepção dos docentes da Escola X. Trata-se de uma pesquisa de cunho analítico-hermenêutico. A metodologia adotada é de observação participante, realizada a partir de observação estruturada junto ao corpo docente nas suas atividades cotidianas, na escola indicada, nas quais se buscou evidenciar o conceito de diálogo de Paulo Freire (1981) e de sua função primordial na relação professor/aluno. O problema de pesquisa baseou-se na seguinte questão: é possível exercer o diálogo como um princípio ético na concepção dos docentes da Escola X? Assim, com justificativa no fomento ao debate acerca de princípios éticos na prática pedagógica, presentes nos escritos de Elli Benincá (2010), que devem ser assumidos pelos docentes em seu fazer diário, podemos observar que, embora desejável na teoria, o diálogo nem sempre é exercido na prática cotidiana em sala de aula. No entanto, entendemos que sua compreensão conceitual e seu efetivo exercício por parte dos docentes, de forma a preservar princípios éticos, pode propiciar um sentimento de esperança ao crer no diálogo como possibilidade de superar o modelo “bancário” de educação, transformando a sala de aula em um lugar de troca de saberes e de emancipação individual e coletiva.

O primado da doação dos fatos: em torno do problema do apriorismo em Max Scheler

PID: S2178-46122023000100205 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Ramos
Resumo A discussão gira em torno da tese que “em caso algum, o apriorismo conduz ao idealismo”, tomada como um fulcro em torno do qual são feitos dois movimentos. No primeiro, explicitam-se razões para pensar o sentido de apriorismo desde a imanência da experiência fenomenológica, relacionando o problema discutido com a intuição eidética e imediata dos dados do conhecimento. Consequentemente, o sentido primeiro de a priori se determina a partir da correlação eidética entre o que se doa de modo absoluto e evidente, na esfera dos fatos, e a visão intuitiva. Com isso, é explicitado o significado do caráter material da autodoação dos fatos, sem identificar ingenuamente a materialidade ao mero conteúdo sensível das observações empíricas. No segundo movimento, a partir da indicação do sentido e da essência do saber como (amoroso) tomar parte no objeto do conhecimento, discute-se o significado da aprioridade nas ciências, remontando o surgimento do formalismo a certa modalidade de redução que constrói artificialmente o objeto. Nesse procedimento, operaria o preconceito contra o sensível ao rebaixá-lo a dados privados de formas originárias, justificando a necessidade de plasmá-los mediante formas exclusivas ao entendimento. Assim, evidencia-se a intenção de Scheler de remover o problema do apriorismo do horizonte hermenêutico da modernidade, porque sua tendência, enraizada no “ódio ao mundo” e na hostilidade ao “caos” do sensível, consiste em funcionalizar as formas de pensamento e de intuição do espírito ao admiti-las como uma atividade formadora e de força sintética típicas da razão.

O trabalho colaborativo na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural

PID: S2178-46122023000100306 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Szymanski Iacono Teixeira
Resumo Na perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, o trabalho, exigência para que o homem sobreviva, lhe possibilita desenvolver-se, apropriar-se da cultura humana histórica e coletivamente elaborada, para atender às demandas que suas tarefas lhe impõem. Em um processo coletivo, por meio de sua inserção nas relações produtivas, ao aprender o que lhe é necessário para executar suas atividades, o homem se humaniza, e vai criando o que necessita e pode, para atender suas necessidades, o que permite afirmá-lo enquanto produto e produtor da cultura, da ciência e da tecnologia. E essa é a função básica da escola, preparar o aluno para, na medida em que se humaniza, assumir um lugar, uma posição reconhecida socialmente. Nesse processo, o Trabalho Colaborativo/Ombreado entre os professores da Educação Especial, do ensino comum e da equipe pedagógica escolar, envolvendo confiança e credibilidade entre os pares, é essencial ao desenvolvimento psicointelectual dos estudantes com deficiência/necessidades educativas especiais. Para melhor caracterizar o Trabalho Colaborativo, apresenta-se o resultado de uma pesquisa efetuada na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações na qual se buscou identificar suas características, limites e desafios. A essência do Trabalho Colaborativo entre os professores está numa relação de apoio, na qual todos assumem a responsabilidade no processo de aprendizagem dos conteúdos escolares, o que exige espaço e tempo para sua consecução, além de uma fundamentação teórica que articulada a uma prática pedagógica lhe dê consistência. Se executado dessa forma, o Trabalho Colaborativo/ Ombreado caracteriza-se como essencial à inclusão escolar. Conclui-se que, para efetivá-lo, torna-se imperiosa a definição clara e consciente dos objetivos para a escolarização, pois há muita diversidade entre as especificidades da deficiência ou das necessidades educacionais especiais. No entanto, essa forma de atuação articulada encontra diferentes entraves que se constituem em seus limites e desafios exigindo vontade política para minimizá-los, permitindo sua organização adequada. Discutemse esses desafios e apresenta-se um exemplo no qual, pelo trabalho colaborativo pôde-se estabelecer condições para que uma aluna que, pelo vestibular conquistou uma vaga no curso de Medicina, mas adquiriu uma tetraplegia no decorrer do curso, pudesse terminar sua graduação.

Os serviços de assistência escolar à criança pobre no Acre (décadas de 1930 e 1940)

PID: S2178-46122023000100119 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Grotti Anjos
Resumo Este artigo, de cunho historiográfico, tem por objetivo analisar os serviços de assistência escolar voltados à criança pobre no Território Federal do Acre entre as décadas de 1930 e 1940. Toma-se por fonte privilegiada o jornal O Acre, editado em Rio Branco, capital do território, e com circulação em todo o estado. Dialogando com o ideário nacionalista e assistencialista em circulação na Era Vargas – e mesmo nos primeiros anos pós-Estado Novo – foram identificados, nas páginas do jornal O Acre, dois tipos de serviços voltados à assistência da criança pobre na escola acreana: a Caixa Escolar e a Sociedade Pestalozzi do Acre. No que diz respeito à Caixa Escolar, pudemos observar que, embora seja um modelo de assistência anterior ao período em tela, foi apropriada no território do Acre como uma inovação, havendo investimento na arrecadação de recursos a serem destinados aos estudantes pobres ao longo de toda a década de 1930, ainda que nem sempre tenhamos podido obter maiores detalhes sobre seu funcionamento, em função de limitações empíricas, próprias da fonte consultada. No que toca à Sociedade Pestalozzi do Acre, tivemos oportunidade de notar que, diferentemente de suas congêneres, esta não se dedicou ao atendimento da criança com deficiência, mas, antes, do escolar pobre, promovendo o provimento material do estudante carente e obtendo, inclusive, resultados significativos nos anos finais da década de 1940, conforme evidenciado pelo jornal O Acre. Ainda que essa instituição tenha sido criada já no período de redemocratização, ela, sem dúvida, partilhava dos mesmos ideais assistencialistas da Era Vargas.

Os transcendentais e Nietzsche na aurora da cosmologia de Eugen Fink

PID: S2178-46122023000100207 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Weber
Resumo O objetivo deste artigo é mostrar que a interpretação que Eugen Fink faz do pensamento de Nietzsche está profundamente marcada pela sua compreensão da filosofia a partir do problema dos transcendentais. Em um primeiro momento, é discutida a possibilidade de apropriação da filosofia de Nietzsche pela fenomenologia; posteriormente são apontados os distintos momentos de apropriação de Nietzsche por Fink; na sequência são apresentadas considerações gerais sobre os transcendentais em Fink; e, num último momento, é exposta a tese de Fink, de acordo com a qual a crítica nietzscheana à metafísica repousa em uma compreensão metafísica de ser.

Pedagogia Radical Inclusiva nas provocações da Educação Estética em museus de ciência

PID: S2178-46122023000100305 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo Apresentamos como tema a Pedagogia Radical Inclusiva nas provocações da Educação Estética em museus de ciência. Objetivamos discutir como o museu de ciências pode ser também espaço de suscitar níveis mais elevados de consciência provocados pela Educação Estética. Museus de arte são indiscutivelmente lugares de Educação Estética, e os museus de ciências geralmente são relacionados a espaços de conhecimento, com foco no inteligível e não no sensível. O aporte teórico de sustentação contou com Franklin (2019), Gascón (2014, 2018), Kant (2003, 2012, 2013a, 2013b), Neitzel (2012), Schiller (2013, 2002a, 2002b) e Searle (2015), entre outros. Como resultados, foi possível evidenciar que o Museu de Ciências Naturais possui espaços esteticamente planejados para sensibilizar o público e possibilita experiências estéticas que promovem maiores níveis de consciência do sujeito.

Revisão sistemática de literatura sobre virtudes intelectuais na educação

PID: S2178-46122023000100117 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Machado Silva
Resumo O objetivo deste estudo é apresentar uma revisão sistemática da literatura acerca da aplicação de virtudes intelectuais no contexto da prática educacional. Para o levantamento dos artigos científicos foram consultadas oito bases de dados consideradas as mais relevantes devido ao rigor científico e reconhecimento da qualidade de produção. A partir dos critérios de inclusão e exclusão foram selecionados cinco artigos científicos para serem avaliados. Nos resultados obtidos foi possível verificar a escassez de produção científica na temática, especialmente no Brasil, visto que as produções, em sua maioria, são internacionais. As discussões acerca do ensino de virtudes intelectuais ainda possuem muitas divergências e lacunas, o que é normal, considerando seu pouco tempo de existência.

Solipsismo e epoché temática na Quinta Meditação Cartesiana de Husserl

PID: S2178-46122023000100210 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Taddei
Resumo Na Quinta Meditação Cartesiana, Husserl notoriamente tenta dissipar a ilusão do “solipsismo transcendental”. Entre as muitas dificuldades que este texto apresenta, pretendo reconstruir duas delas: a vagueza acerca da noção de solipsismo e a ambiguidade relativa ao procedimento da epoché temática e à sua dimensão fenomenológica. Ao analisar ambos os problemas, almejo oferecer esclarecimentos que são necessários para qualquer avaliação do sucesso de Husserl na Quinta Meditação. Seguindo uma linha de interpretação existente na literatura secundária a que chamo de Interpretação de Dupla Tarefa, sustento que existem dois métodos diferentes que recebem o nome de “epoché temática” bem como duas tarefas diferentes sendo perseguidas por Husserl: uma estática e uma genética. Procedo da seguinte forma: primeiramente (seção I), contextualizo o objetivo de Husserl na Quinta Meditação vis-à-vis algumas posições clássicas na literatura secundária; posteriormente (seção 2), reconstruo a vagueza que afeta a noção de solipsismo, em e para além de Husserl; depois disso (seção 3), apresento como a epoché temática, tal como oferecida na Quinta Meditação, é ambígua, uma ambiguidade que também se relaciona com a imprecisão da noção de solipsismo; analisando uma breve passagem textual de Intersubjektivität III, esboço então (Seção 4) a Interpretação da Dupla Tarefa para a Quinta Meditação, mostrando suas vantagens e os seus desafios gerais; concluo, finalmente (Seção 5) considerando as vantagens da Interpretação de Dupla Tarefa para a avaliação do sucesso de Husserl na Quinta Meditação.

Tempo, governamentalidade e autorresponsabilização na docência

PID: S2178-46122023000100116 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Azeredo Mascia Silveira
Resumo No contexto neoliberal, no qual imperam a cultura da auditoria e da meritocracia, a lógica do empreender a si mesmo e a visão de educação como mercadoria, convivemos com o mal-estar dentro e fora da docência. Nesse panorama, este artigo objetiva problematizar a racionalidade neoliberal vigente dentro e fora das salas de aula. Trata-se de uma análise discursiva de depoimentos de três professores de Ensino Superior sobre o cuidado (de si), a partir de ferramentas teórico-analíticas de Foucault, com o intuito de apontar em que medida os efeitos de sentido da responsabilização do sujeito por suas escolhas emergem em seus depoimentos. A análise remete-nos à presença dos modos de objetivação, por exemplo, às técnicas (pós-)modernas de gestão do tempo, qualidade muito apreciada no contexto neoliberal, na incessante busca da produtividade, da eficácia/eficiência e do empreendedorismo de si. Porém, a análise também sinalizou o desejo de cuidar(-se) mais e melhor, sendo a boa gestão do tempo vista pelos professores como uma das formas de realizá-lo. Embora tais estratégias estejam permeadas de/por técnicas neoliberais de governamentalidade, visando, de diversas maneiras, a conduzir nossas condutas, não objetivamos criticá-las, apenas descortinar de que maneira o uso de técnicas de gestão do tempo, paradoxalmente necessárias para (con/sobre)viver no mundo contemporâneo, nos conduzem de forma sub-reptícia. Nesse contexto, o cuidado de si, como entendido por Michel Foucault, no sentido de invenção de novas formas de vida poderia emergir como possibilidade de produzir contracondutas, apostando na relação consigo como uma alternativa, uma forma de resistência diante do poder, cuidado este, por vezes, sufocado pela competitividade generalizada que nos governa.

Vygotsky e a teoria do reconhecimento

PID: S2178-46122023000100104 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Passini Benjamin
Resumo Este artigo tem como objetivo apontar algumas relações entre a teoria do reconhecimento de Hegel e a teoria psicológica de Vygotsky. Aqui serão apresentadas duas hipóteses. A primeira é que Vygotsky foi profundamente influenciado por Hegel. Uma segunda hipótese: a estrutura teórica desenvolvida por Vygotsky está vinculada ao quadro teórico do reconhecimento elaborado por Hegel. Analisaremos algumas passagens das obras dos dois teóricos que evidenciam as hipóteses levantadas.

“Arma de dois gumes”: Panofsky, MerleauPonty e a perspectiva como dispositivo projetivo de visão

PID: S2178-46122023000100201 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2023
Autores: Verissimo
Resumo O presente estudo foi elaborado com o intuito de colaborar para uma história crítica da percepção, especialmente dos dispositivos projetivos de visão, em meio aos quais se destaca um regime escópico de mira. Tomamos a técnica perspectiva por objeto específico de análise, tendo como ponto de partida a discussão que sobre ela fazem o historiador da arte Erwin Panofsky e o filósofo Maurice Merleau-Ponty. Assinala-se, desde um prisma histórico, que, no devir dos dispositivos modernos de projeção, sobressai o equipamento técnico da perspectiva renascentista. Ao tratarmos da historicidade da perspectiva planimétrica, esperamos, pois, identificar nesta última propriedades que possam ser referidas como sedimentos presentes na constituição da atitude de projeção. Iniciamos o texto por situar nossa discussão em meio às ideias de projeção, de regimes atencionais e de mira. Em seguida, passamos a analisar a perspectiva planimétrica segundo as linhas de leitura desenvolvidas por Merleau-Ponty a propósito das teorias de Panofsky. As contribuições de Merleau-Ponty em torno da noção de instituição auxiliam-nos a tratar da sedimentação cultural e social da racionalização da percepção, em seus vínculos com o conhecimento e a subjugação da espacialidade. A argumentação prossegue amparada em trabalhos do filósofo nos quais fica estabelecido o papel paradigmático da perspectiva como forma racionalizadora do espaço ligada a uma atitude de dominação, atributo maior do sujeito moderno. Pode-se afirmar que o espaço sistemático, ou geométrico, dos modernos vai além do âmbito das artes visuais: ele demonstra uma sensibilidade nova, guiada pela objetivação e pelo ideal de dominação daquilo que pode ser racionalizado.

AVALIAÇÕES EXTERNAS DAS APRENDIZAGENS COMO ELEMENTO DE PLANEJAMENTO DAS AÇÕES DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL

PID: S1984-71142023000100106 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2023
Autores: Casagrande Bittencourt
Resumo: O artigo apresenta um estudo teórico acerca das avaliações externas como elemento propositivo de avaliação diagnóstica do trabalho do professor, da rede de ensino e do contexto educacional. Além disso, são apontadas algumas concepções da ampliação da avaliação externa que contrariam a retórica de que, sob uma perspectiva empresarial, a escola poderia gerar resultados melhores do que sob a lógica da educação pública. O texto está estruturado em três partes. Na primeira parte, analisa-se a avaliação externa da aprendizagem escolar e os seus aspectos legais. Na sequência da análise, foi mostrado o discurso enraizado nos preceitos estáticos e classificatórios, bem como nos preceitos excludentes da educação na perspectiva única de resultado. Para finalizar, o esforço de análise e de argumentação consistiu-se em identificar a avaliação como elemento diagnóstico da prática pedagógica na educação pública, podendo tornar-se uma alternativa para a busca de um resultado de desempenho escolar de melhor qualidade.

BEBER DE OUTRAS FONTES: METODOLOGIAS DESCOLONIAIS PARA CONTINUAR CONHECENDO

PID: S1984-71142023000100224 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo: Este texto nasce da incômoda função de produzir conhecimento amparado totalmente em um modo ocidental. A questão que se coloca é das possibilidades de se beber de outras fontes ou até mesmo trocar de fonte, deslocando-se propositadamente da “fonte” hegemônica, procurando espaços geoepistêmicos que permitam a hidratação de um modo de pensamento outro. Isso significa partir em busca de um “banhar-se”, não somente no sentido metafórico, mas um permitir-se ser tomado por estas outras possibilidades. Neste trabalho procuramos produzir um percurso que toma elementos, historicamente silenciados, apagados ou ocultados, convidando-os para o diálogo. Nesse esforço “arqueológico” procura-se potencializar o que se deu neste apagamento, explorando a potência, enquanto condição, para a produção e valorização de conhecimentos outros. Se anuncia, em primeira mão, o quanto os saberes, ancorados em ancestralidades de povos e grupos humanos que foram deslocados para a margem da história, ganham um lugar de destaque nesta construção.
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