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Identificação de estudantes precoces com indicadores de Altas Habilidades/Superdotação no Pantanal Sul-Mato-Grossense

PID: S0104-40602023000100137 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Martins Chacon
RESUMO Estudantes que demonstram precocidade e indicadores de altas habilidades/superdotação (AH/SD) precisam ser educacionalmente incentivados a desenvolver o potencial que possuem sob o risco de desperdiçá-lo. Reconhecendo a importância do processo de identificação para o estímulo ao desenvolvimento máximo de cada um, esse estudo teve por objetivo identificar estudantes precoces com indicadores de AH/SD nas áreas da linguagem e da matemática, matriculados no Ensino Fundamental I. Contou-se com a participação de 245 estudantes do 1º ao 5º de uma escola pública estadual do interior do estado do Mato Grosso do Sul. A partir da articulação entre instrumentos subjetivos (checklist para indicação de professores, questionários de autonomeação e nomeação por colegas) e objetivos (testes de desempenho escolar e inteligência), 12 estudantes foram identificados e seus pais e professores foram orientados sobre o trabalho junto a esse alunado.

Imigração, criminalidade e instituição correcional: o caso de menores portugueses na Amazônia paraense (1880-1925)

PID: S0104-40602023000100403 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Araújo
RESUMO O estudo objetiva analisar o processo imigratório de portugueses para a capital do Pará, tendo em vista os menores portugueses envolvidos com a criminalidade, bem como procura trazer uma reflexão localizada e temporal da realidade microssocial desses menores no que se refere à nacionalidade, à atividade laboral e à tipologia criminal. A metodologia consiste em análise documental a partir do uso de fontes como autos crime, Rol dos Culpados e Livro de Registro dos Menores recolhidos na Colônia Correcional Santo Antônio do Prata, abrangendo o período de 1880 a 1925. O artigo busca não apenas circunscrever a realidade social-criminal desses menores, mas também por em evidência os mecanismos correcionais nos quais foram submetidos ao serem inseridos na Colônia Correcional Santo Antônio do Prata.

Infância isolada: política pública para a profilaxia da lepra no Maranhão (1930-1950)

PID: S0104-40602023000100407 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Dutra Giglio
RESUMO O artigo objetiva divulgar resultados parciais de investigação desenvolvida no âmbito do curso do doutorado em educação, sobre políticas públicas para a infância no Maranhão, com recorte no período do Estado Novo onde a preocupação com as epidemias que se alastravam pelo estado desencadeou práticas profiláticas para controle dos indivíduos enfermos pela Lepra. No caso das crianças, foram isoladas em preventório, denominado Educandário Santo Antonio, após os pais serem diagnosticados com a doença e institucionalizados na Colônia do Bonfim, leprosário localizado em região distante da cidade de São Luís. Com base na análise de literatura como os relatórios, decretos estaduais e bibliografia produzida por intelectuais sobre o período do governo de Paulo Martins de Souza Ramos no Maranhão, evidenciamos práticas políticas de subordinação das crianças aos anseios de uma sociedade que queria se ver livre do incômodo que elas geravam, apesar de serem filhos sadios. As interlocuções com a teoria de Erving Goffman (2008) elucidaram a institucionalização da infância como estratégia de controle, vigilância e estigmatização dos indivíduos marcados pelo sofrimento da doença sob o discurso de uma política para a profilaxia. Os resultados da pesquisa permitem constatar a construção de uma política de segregação voltada à população desvalida no Maranhão, com foco nas crianças, filhos sadios dos enfermos de Lepra, as qual foram submetidas ao trabalho e a uma educação higienista e moralizante que deixou marcas nessa geração.

Inserção profissional de professores/as na carreira: a prática como política da verdade

PID: S0104-40602023000100142 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Araújo
RESUMO Este artigo é um recorte de uma pesquisa de doutorado e objetiva analisar como a prática tem se posicionado como uma política da verdade na inserção profissional de professores/as na carreira. O aporte teórico-metodológico apoia-se nas noções de verdade e prática de Michel Foucault. Para a produção das informações acerca do objeto, a pesquisa seguiu por dois itinerários: o primeiro consistiu no mapeamento de documentos oficiais que regulamentam as políticas públicas destinadas à formação e ao desenvolvimento profissional de professores/as, e o segundo itinerário buscou reunir, por meio da realização de grupos de discussão, um composto de falas de professores/as iniciantes e coordenadores/as pedagógicos da Rede Municipal de Educação de Caetité, no Estado da Bahia, que atuam em escolas que ofertam os anos finais do Ensino Fundamental. Os achados da pesquisa permitem concluir que a prática constitui a política geral da verdade na inserção profissional de professores/as na carreira, mediante a produção de um conjunto de princípios-verdades que fazem funcionar normas, regras, valores e atitudes como manifestação do verdadeiro na condução e produção de professores/as iniciantes, visando ao exercício da docência na contemporaneidade.

Intercâmbio pedagógico e estratégias educativas nos deslocamentos de um educador brasileiro às regiões do sul do Brasil e do Rio da Prata (1923-1927)

PID: S0104-40602023000100121 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Amorim Pires Nascimento
RESUMO Compreender o intercâmbio pedagógico e a constituição de estratégias educativas a partir da experiência de viagem de Nestor dos Santos Lima é o objetivo deste artigo. No ano de 1923, o educador norte-rio-grandense foi comissionado pelo governo do seu estado para observar organizações escolares nas localidades pertencentes ao então sul do país: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Por decisão própria, modificou o itinerário, ampliando os roteiros de destino e dirigindo-se rumo à região do Rio da Prata, onde visitou instituições de ensino primário, normal e profissional na Argentina e no Uruguai. Após seu retorno, elaborou um relatório onde compartilhou as iniciativas que considerou proveitosas e que seriam passíveis de realização no Rio Grande do Norte. Para a compreensão desse movimento de circulação de saberes, práticas e da produção da educação após a travessia, operamos com a perspectiva transnacional no campo da História da Educação, dialogando com autores como Vidal (2020), Roldán Vera e Fuchs (2021), além de estudos que versam sobre experiências educativas de sujeitos viajantes em suas possibilidades investigativas e historiográficas, tais como os escritos de Mignot e Gondra (2007) e Cardoso e Moraes (2014). No trato teórico-metodológico, dedicamo-nos não só ao conhecimento das vivências e experimentações, mas também aos critérios para a elaboração das ações que empreendeu na educação potiguar após sua volta ao solo pátrio.

Interdisciplinaridade como desafio para educar na contemporaneidade

PID: S0104-40602023000100202 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Infante-Malachias Araya-Crisóstomo
RESUMO Os problemas globais como crises humanitárias, políticas, econômicas e ambientais que vivemos no momento não atingem a educação escolar. O conhecimento gerado pelo homem através das artes, ciências e humanidades é ensinado de forma fragmentada aos estudantes. Para os jovens, os conteúdos do currículo escolar têm pouca relação com os conteúdos do mundo real e, em geral, nenhum vínculo com suas próprias vidas. A fragmentação do conteúdo escolar impede que professores e alunos reflitam criticamente sobre os problemas desde uma perspectiva global. A complexa realidade pós pandêmica exige que os problemas humanos e os fenômenos naturais sejam estudados na educação escolar a partir de uma perspectiva interdisciplinar como possibilidade epistemológica e ontológica para a formação de crianças e jovens na contemporaneidade. Nesse contexto, o artigo oferece uma abordagem que apresenta primeiramente antecedentes sobre algumas rupturas no conhecimento, em seguida, sobre o conceito de interdisciplinaridade e, finalmente, propõe algumas reflexões para pensar a sua relevância como perspectiva para a educação na atualidade.

Literatura no currículo de Pedagogia: um território em disputa?

PID: S0104-40602023000100120 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Saldanha Amarilha
RESUMO Este artigo discute e analisa o ensino de literatura nos cursos de Pedagogia de 27 universidades federais brasileiras. Adota a abordagem descritiva-analítica. A leitura de literatura permanece um tema recorrente em discussões de âmbito educacional. É uma prática que permite a interação entre os sujeitos das diversas sociedades e colabora na constituição do ser humano. Partindo dessa assertiva, o ensino de literatura deve estar inserido nos currículos dos pedagogos, que são os primeiros professores de crianças. Os dados revelam que a maioria das universidades oferta a disciplina em caráter optativo, demonstrando a frágil presença da literatura na formação de professores e ratificando a ideia de currículo como território de poder e disputa. A oferta da disciplina como optativa não garante sua efetivação, pois depende de uma série de circunstâncias relacionadas à dinâmica das instituições, tornando-se um atalho. A análise de instituições das regiões Nordeste e Sudeste, delimitação deste artigo, demonstrou um número significativo de graduandos que deixam de cursar a disciplina, quando há a oferta como optativa. De fato, algumas universidades não têm condições de assegurar essa oferta e de proporcionar esse conhecimento teórico-metodológico aos graduandos. A lacuna deixada na formação repercutirá na atuação do futuro pedagogo. É preciso uma mudança de proposta curricular para legitimar e garantir um conhecimento que é fundamental na formação dos primeiros professores, mas tem percorrido atalhos para se efetivar.

Magistério imigrante: professores e professoras nas Colônias Eslavas e Italianas no Paraná (1878-1938)

PID: S0104-40602023000100308 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Renk Maschio
RESUMO Este artigo versa sobre os diferentes perfis dos professores das escolas étnicas italianas e eslavas no Paraná, do final do século XIX a 1938, período que abrange o início das experiências de escolarização até a nacionalização compulsória. Objetiva-se discutir quem eram estes docentes e quais foram as perspectivas dos Governos e da Igreja com relação a sua atuação profissional e tensões estabelecidas ao ofício do magistério na incorporação dos preceitos legais. A questão de pesquisa consiste em compreender quem eram os professores das escolas de imigrantes, como o Estado os representou e buscou controlar suas ações, e como esses professores se mobilizaram em relação a difícil tarefa de ensinar. O lastro empírico é composto por documentos oficiais como: os Relatório de Governo, a legislação educacional, documentos institucionais das escolas étnicas e das congregações religiosas. Os resultados indicam que existiram diferentes perfis docentes: desde membros eleitos pela comunidade sem formação pedagógica até aqueles com qualquer formação profissional como os padres, as religiosas e os intelectuais. Nos anos de 1920, o governo do Paraná intensificou o processo de nacionalização das crianças por meio da escola, e isso mobilizou as associações escolares étnicas, a lançar táticas que buscassem enfrentar as ações estatais e qualificar os professores.

Mestrado Profissional em Educação da UFPR: teoria e prática como um desafio para o futuro da formação de professores da Educação Básica

PID: S0104-40602023000100700 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Pooli Baiersdorf
RESUMO Esse artigo faz uma reflexão sobre os dez anos do Mestrado Profissional em Educação: Teoria e Prática de Ensino da UFPR, principalmente em relação aos seus objetivos e as suas perspectivas formativas centralizadas nas práticas educativas na Educação Básica. Sustentamos a compreensão de que fazer é pensar, reivindicando a abertura para práticas de pesquisa em educação, implicadas para pensar a atividade pedagógica em profundidade para interferir no modo de fazer educação. Utilizando filósofos como Friedrich Nietzsche e Michael Foucault, argumentamos que é necessário pensar de outra maneira, encontrar outros meios de interpretação e orientação que se distanciem consideravelmente de teorias como expressões da verdade e de práticas como simples aplicação de técnicas. Metodologicamente problematizamos a relação teoria e prática analisando as perspectivas já consolidadas, mas também propondo outras maneiras de construir essa relação. Como conclusão avaliamos que as discussões sobre os fins e meios de um Mestrado Profissional em Educação ainda dependem muito da demarcação de um estatuto científico, que sistematize alguma capacidade de orientação efetiva para as atividades de ensino e aprendizagem nas escolas, e a inclusão de novas perspectivas, principalmente argumentando sobre a necessidade de incluir além da formação de práticas da docência, também a gestão da educação.

Mudanças nos planos de carreira do magistério paulista e a desvalorização docente

PID: S0104-40602023000100207 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Barbosa
RESUMO A legislação brasileira e a literatura vinculam a valorização e a atratividade da docência à criação de planos de carreira para o magistério público da educação básica. É possível, no entanto, observar uma mudança significativa na forma de se conceber a carreira docente nos documentos oficiais e de organismos internacionais. Os documentos orientadores da carreira do magistério paulista refletem essas mudanças de forma exemplar. Tendo isso em vista, este artigo busca discutir essas alterações, em particular, as que dizem respeito às formas de movimentação na carreira docente, por meio da análise dos documentos orientadores da carreira, sobretudo do Estatuto do Magistério Paulista, aprovado pela Lei Complementar n. 444 de 1985, do Plano de Carreira, Vencimentos e Salários para os integrantes do Quadro do Magistério, instituído pela Lei Complementar n. 836 de 1997 e da recente Lei Complementar n. 1.374 de 2022, que instituiu novos Planos de Carreira e Remuneração para os Professores de Ensino Fundamental e Médio, para os Diretores Escolares e para os Supervisores Educacionais da Secretaria da Educação. A análise aqui empreendida evidenciou que, na maior rede de ensino pública do país, a carreira do magistério tem sido alterada de forma a se aproximar cada vez mais de uma perspectiva gerencialista, da qual a mudança aprovada em 2022 é exemplar, posto que enfatiza o desempenho e o mérito e desconsidera o tempo de experiência docente.

Na contramão da BNCC: do emparedamento colonizador ao livre brincar

PID: S0104-40602023000100147 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Tiriba Santos Schaefer
RESUMO Este ensaio traz reflexões sobre a Base Nacional Comum Curricular/BNCC, etapa da Educação Infantil, especialmente, no que diz respeito às relações divorciadas entre seres humanos e natureza. Esta questão ganhou visibilidade no contexto da pandemia do COVID-19, decorrente do modelo de desenvolvimento econômico capitalista-colonialista devastador. Os referenciais teóricos são buscados em personagens conceituais que se situam em filosofias ocidentais não hegemônicas e na neurobiologia, a partir de análise do discurso baseada na arqueologia do saber, de Michel Foucault. Essas perspectivas confluem com epistemologias nativas que concebem o humano como ser orgânico-cultural cuja existência é entrelaçada com outros seres, entes e fenômenos viventes, e, que, portanto, se potencializa neste estado de entrelaçamento. As análises revelam que a desatenção da BNCC à condição biofílica dos infantes humanos está relacionada a concepções filosóficas e proposições teórico-práticas marcadas pela visão de mundo moderna, profundamente cosmofóbica, antropocêntrica, racionalista, individualista, adultocêntrica e colonialista. Em contraposição, as análises também desafiam à formulação de pedagogias atentas à emergência planetária, confluentes com os saberes/ciências de nossos povos brasileiros originários e tradicionais no cuidado da biodiversidade; e convidam à proposição de pedagogias nativas comprometidas com as causas das crianças, no que se refere à liberdade de circulação e de escolha, ao convívio e ao livre brincar com a natureza, condições para a integridade dos humanos e, simultaneamente, para a integridade da Terra.

Negociação das políticas/práticas curriculares: o desenvolvimento profissional de professores(as) orientado para a decisão curricular

PID: S0104-40602023000100203 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Melo Almeida Leite
RESUMO Este artigo tem por objetivo evidenciar as possibilidades e as impossibilidades de processos de negociação das políticas/dos programas contribuírem para o desenvolvimento profissional de professores(as) orientado para a decisão curricular. Recorrendo à defesa da autonomia do exercício da atuação docente, considera-se que o desenvolvimento profissional perpassa a ideia dos(as) professores(as) se constituírem como decisores curriculares, entendida como capacidade de ação que se desenvolve a partir da articulação entre os esforços individuais do sujeito, os recursos disponíveis e os fatores contextuais. A orientação teórico-metodológica seguida tem por base a relação instável e indecidível entre particularidade e universalidade. A recolha de dados de políticas/práticas curriculares teve por lócus o município de Caruaru, Pernambuco, com o material disponível na Plataforma Instituto Qualidade no Ensino (IQE) Caruaru e o site oficial do IQE. A análise desses materiais evidencia disputas em torno da significação das políticas/práticas curriculares no município construídas a partir dos discursos das reformas educacionais globais e das políticas nacionais que vêm propondo, por meio da padronização curricular, a tentativa de fechamento da produção de respostas curriculares contextuais. No entanto, mesmo diante dessas limitações, acredita-se que existe a possibilidade de os(as) professores(as) agirem nas brechas da estrutura para disputar, com as políticas, outros sentidos de atuação docente que estimulem o desenvolvimento profissional baseado na autonomia e na consideração dos saberes docentes.

Notas introdutórias sobre a educação não escolar em pesquisas educacionais

PID: S0104-40602023000100506 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Sousa Borges
RESUMO O texto tem como objetivo analisar experiências em pesquisas educacionais que se inscrevem em critérios da prática educativa e no exercício de tradução de processos educativos de natureza não escolar produzidas por pesquisadores e membros do Grupo de pesquisa História da Educação na Amazônia, albergado na Linha de pesquisa Saberes Culturais e Educação na Amazônia do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Pará - UEPA. Organiza-se metodologicamente como um texto de natureza qualitativa consubstanciado por revisão bibliográfica e documental, teoricamente assentado numa concepção alargada de educação, vista como cultura, a partir do qual identificamos a educação não escolar na literatura pedagógica, na constituição de um campo e de produção do conhecimento epistemologicamente gestado no intercâmbio interdisciplinar que mobiliza diferentes espaços, sujeitos, temporalidades, engendrando possibilidades de constituição de conhecimentos necessários ao campo educacional.

O Celular Na Aula Universitária: Possibilidade Ou Desafio?

PID: S0104-40602023000100145 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Lopes Fürkotter
RESUMO Fundamentadas em pressupostos teóricos sobre cultura digital, Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) na Educação, formação e trabalho docente em cursos superiores, investigamos como o professor que leciona em cursos de licenciatura, trata o uso do celular pelo aluno na aula, o que pensa sobre aula com tecnologias e sobre m-learning. Realizamos uma pesquisa de cunho qualitativo, com aplicação de questionário, respondido por 48 professores de cursos de licenciatura de uma universidade pública paulista. Utilizando o método de análise de conteúdo, discutimos os resultados nos eixos: o celular na aula e seus desdobramentos; a docência universitária em tempos de TDIC; a formação para o uso das TDIC propiciada aos estudantes. Constatamos que o uso do celular em aula presencial é liberado por 68,8% dos professores e proibido por 31,2% e aqueles que não proíbem, intervêm, buscando conscientizar o aluno quanto ao uso, que incomoda o professor quando não faz parte do planejamento ou atrapalha a aula. Prevalece a compreensão de que a decisão diante das situações envolvendo o uso do celular na aula é do professor. O PowerPoint é o que os professores informaram utilizar mais em suas aulas e nenhuma menção foi feita ao m-learning ou aspectos a ele relacionados. Quanto à formação para o uso das TDIC, predomina o entendimento de que os cursos de licenciatura não promovem essa formação, embora tenham disciplina obrigatória voltada a propiciá-la.

O Instituto Jean Jacques Rousseau e o Brasil: vestígios de uma história conectada

PID: S0104-40602023000100148 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Azevedo Neta
RESUMO O Instituto Jean Jacques Rousseau (IJJR) foi criado no ano de 1912, em Genebra - Suíça, com o objetivo de promover novos horizontes e práticas para a educação. A defesa pela difusão de uma ciência pedagógica, pautada nos estudos da Psicologia experimental e da infância, nortearam as ações do Instituto que atuava, principalmente, por meio da formação de professores. Seus cursos receberam estudantes e visitantes de diversos países, inclusive brasileiros. Nesse estudo, buscamos investigar os vestígios das redes construídas entre o Instituto e os intelectuais da educação brasileira, desde a sua criação até meados da década de 1930. Adotamos como fontes principais os jornais e as revistas disponibilizados na Hemeroteca Digital Brasileira. Nosso aporte teórico e metodológico constitui-se a partir das contribuições de Ginzburg (2007), Mignot e Gondra (2007), Houssaye (2007), Fuchs (2007), Roldán Vera e Fuchs (2021), Vidal e Rabelo (2020) e Rabelo e Vidal (2021). Destacamos que a atuação do Instituto buscava a construção de uma rede de educadores de vários países no intuito da disseminação de um movimento internacional de transformação da educação, associado ao movimento da Escola Nova. Nosso estudo demonstrou indícios da conexão entre o Instituto, intelectuais e instituições brasileiras, apontando para que as perspectivas educacionais defendidas no Instituto circularam no Brasil por meio de professores que não apenas visitaram, mas atuaram no país no período investigado na divulgação de ideais expressos em cursos de formação pelo IJJR.

O Programa de Educação Tutorial (PET) e a relação de estudantes com o saber referente à escrita acadêmica

PID: S0104-40602023000100143 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Dieb
RESUMO O artigo discute tendências dominantes na relação de estudantes dos Programas de Educação Tutorial (PET) de uma universidade federal brasileira com o saber escrever, a fim de conhecer os móbeis e sentidos que configuram tal relação e os guiam na apropriação das práticas de letramento acadêmico. Apoia-se na abordagem da relação com o saber de Bernard Charlot e da relação com a escrita de Barré-de-Miniac, bem como no modelo dos letramentos acadêmicos discutido por Lea e Street. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 26 estudantes de graduação e bolsistas do referido programa, sendo 12 do grupo de PET de Pedagogia e os outros 14 de vários cursos da mesma universidade. Três tipos ideais de relação com o saber escrever, formulados a partir dos posicionamentos dos estudantes sobre o aprender a escrever, permitiram identificar e analisar as tendências dominantes e, por conseguinte, os móbeis e sentidos que perpassam a referida relação: base para o futuro, suprimento de necessidades e marca de participação.

O campo acadêmico e a regulação métrica: autonomia, heteronomia e democracia - a ingerência economicista

PID: S0104-40602023000100115 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Azevedo
RESUMO Este artigo tem por objetivo analisar a governança baseada em indicadores e manuais de “boas práticas”, a chamada administração por benchmarking. Em tempos de “sociedade métrica” (MAU, 2019; SANTOS, 2019; MULLER, 2019), esse tipo de regulação, caracteristicamente economicista, vem afetando, inclusive, os campos acadêmico e da educação (BOURDIEU, 1996; LAVAL, 2020). Nesse sentido, argumenta-se que a regulação economicista, característica da administração por benchmarking, interfere na democracia (ROSANVALLON, 2007) e na autonomia dos campos sociais específicos. Dessa forma, para cumprir esses objetivos, metodologicamente, utiliza-se a teoria dos campos de Pierre Bourdieu.

O cotidiano escolar na história de Vilhena-RO durante o processo de colonização da Amazônia no século XX

PID: S0104-40602023000100503 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Martins Brolo Zoia
RESUMO Este trabalho discute sobre o cotidiano escolar da Escola Wilson Camargo, localizada na região Norte do Brasil, no município de Vilhena, Rondônia, tendo como delimitação temporal os anos de 1960 a 1980. Trata-se de uma pesquisa historiográfica cujo recorte temporal refere-se ao processo inicial de colonização na região amazônica, ocasionado pelas estratégias políticas no Brasil, durante a Ditadura Militar, no século XX. Para tal, foram analisadas fontes encontradas na Escola investigada, assim como foram entrevistados ex-alunos e professores. Propõe-se uma interpretação da história da educação e da cultura escolar produzida no cotidiano da escola com vistas a historicizar as práticas fabricadas pelos sujeitos que compunham o espaço escolar.

O método de Castilho nas páginas da “Revista da Instrução Pública para Portugal e Brasil” (1857-1858)

PID: S0104-40602023000100305 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Castro Boto
RESUMO Este texto analisa o método Castilho na Revista da Instrução Pública para Portugal e Brasil, publicada nos anos de 1857 e 1858, com o objetivo de estreitar as relações pedagógicas entre os dois países. Aborda-se e a importância desta materialidade para a escrita da História da Educação. Discorre-se sobre as suas características gráficas e os processos de circulação. Toma-se como referência as correspondências entre os redatores, António Feliciano de Castilho e Luiz Filipe Leite com os professores brasileiros, onde nas quais este método foi implantado. Conclui-se que esta fonte possibilita compreendermos as relações entre os educadores portugueses e brasileiros no Oitocentos.

O pioneiro da educação de cegos e surdocegos nos Estados Unidos: Samuel Gridley Howe (1801-1876)

PID: S0104-40602023000100401 | Periódico: Educar em Revista (0104-4060) | Ano: 2023
Autores: Fulas
RESUMO Samuel Gridley Howe é um dos intelectuais mais influentes da história da educação de cegos e surdocegos dos Estados Unidos. Responsável pela direção do primeiro instituto estadunidense, fundado em 1829, atual Perkins School for the Blind, Howe criou uma tipografia para impressão de livros com letras em relevo, editou materiais didáticos para a educação de cegos e desenvolveu o método de alfabetização de surdocegos. Jovem médico, engajou-se na filantropia e na política em defesa da educação, das pessoas com deficiência e dos escravizados. A partir das contribuições teórico-metodológicas de Jean-François Sirinelli para o estudo dos intelectuais, são utilizadas como fontes correspondências pessoais, jornais, periódicos e relatórios do instituto. Neste artigo, apresentamos uma análise da trajetória e das ideias educativas desse intelectual, cuja atuação permitiu a criação de um novo ideário sobre a educação de cegos e surdocegos no século XIX.
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