DIGITAIS: NOTAS SOBRE O AMOR, O CARÁTER E A DOCÊNCIA
PID: S0102-46982025000100225 |
Periódico: Educação em Revista (0102-4698) |
Ano: 2025
Autores: COPPI CARVALHO
RESUMO: Este artigo surge de uma afirmação e de uma narração. A primeira, postada pelo CEO da OpenAI, uma empresa estadunidense de tecnologia, responsável pela criação do ChatGPT, é a de que os professores logo se tornarão obsoletos devido aos avanços das inteligências artificiais (Altman, 2021). A segunda, apresentada por Mia Couto (2017), põe em cena uma lembrança do autor moçambicano: quando era criança, um de seus professores pediu à classe uma determinada tarefa e sentou-se em meio às crianças para ele mesmo também a realizar. Os dois eventos contrastam os sentidos da docência: de um lado, uma percepção atrelada à eficiência e à produtividade; do outro, um fazer docente que se justifica pelo compartilhamento da experiência de um ser humano com o mundo. Uma experiência amorosa e forjadora do caráter do professor em questão, que oferece aos estudantes a possibilidade de testemunharem um sujeito que, na relação com o universo da sua disciplina, faz a si mesmo. Nesse sentido, este artigo procurou sair da primeira percepção e, a partir do reconhecimento de que ela talvez não se afaste tanto do que outras linhas tecnicistas da pedagogia já propuseram, chegar ao relato de Mia Couto como um caso exemplar de uma docência pautada no amor, conforme concebido por Masschlein e Simons (2014a; 2014b), e no caráter, como o entende Jorge Larrosa (2018; 2014). Nosso intuito foi advogar por uma prática docente ciosa de si mesma e, assim, insubstituível.