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DIGITAIS: NOTAS SOBRE O AMOR, O CARÁTER E A DOCÊNCIA

PID: S0102-46982025000100225 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: COPPI CARVALHO
RESUMO: Este artigo surge de uma afirmação e de uma narração. A primeira, postada pelo CEO da OpenAI, uma empresa estadunidense de tecnologia, responsável pela criação do ChatGPT, é a de que os professores logo se tornarão obsoletos devido aos avanços das inteligências artificiais (Altman, 2021). A segunda, apresentada por Mia Couto (2017), põe em cena uma lembrança do autor moçambicano: quando era criança, um de seus professores pediu à classe uma determinada tarefa e sentou-se em meio às crianças para ele mesmo também a realizar. Os dois eventos contrastam os sentidos da docência: de um lado, uma percepção atrelada à eficiência e à produtividade; do outro, um fazer docente que se justifica pelo compartilhamento da experiência de um ser humano com o mundo. Uma experiência amorosa e forjadora do caráter do professor em questão, que oferece aos estudantes a possibilidade de testemunharem um sujeito que, na relação com o universo da sua disciplina, faz a si mesmo. Nesse sentido, este artigo procurou sair da primeira percepção e, a partir do reconhecimento de que ela talvez não se afaste tanto do que outras linhas tecnicistas da pedagogia já propuseram, chegar ao relato de Mia Couto como um caso exemplar de uma docência pautada no amor, conforme concebido por Masschlein e Simons (2014a; 2014b), e no caráter, como o entende Jorge Larrosa (2018; 2014). Nosso intuito foi advogar por uma prática docente ciosa de si mesma e, assim, insubstituível.

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E IMAGEM CORPORAL: UMA ANÁLISE DOCUMENTAL A PARTIR DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

PID: S0102-46982025000100239 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: ALMEIDA HUGUENIN MORGADO
RESUMO: Este estudo objetiva analisar as interfaces entre a Educação Física Escolar, a imagem corporal e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a partir da análise crítica desse documento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória por análise documental, cuja análise de conteúdo categorial semântica fora utilizada para a análise de dados. Considerando a BNCC, destaca-se a ausência do termo “imagem corporal”, o que representa que o documento não demarca epistemologicamente o construto. Considerando somente as partes específicas relacionadas às etapas da Educação Básica e à Educação Física, foram encontrados 75 trechos no documento que, embora não citem diretamente o termo imagem corporal, têm relação com o construto. Esses excertos foram selecionados, analisados e agrupados em quatro categorias: (i) Apresentação, Introdução e Estrutura da BNCC; (ii) Educação Infantil; (iii) Ensino Fundamental; (iv) Ensino Médio. As categorias elencadas permitem a compreensão do “se” e “como” o documento apresenta possibilidades de subsídio para a inserção da temática da imagem corporal nas aulas de Educação Física. Os principais resultados evidenciam que há diferentes trechos nas principais seções de interesse da BNCC que dialogam com a imagem corporal no contexto da Educação Física Escolar; todavia, eles são apresentados de forma tímida e restrita, de modo ser possível afirmar que a BNCC é um documento limitado em relação a uma temática de tamanha complexidade na formação humana quanto a analisada neste estudo. Portanto, é de fundamental importância que professores(as), sobretudo, de Educação Física, estejam atentos à imagem corporal, suas implicações no ambiente escolar e sua importância no desenvolvimento do(a) aluno(a).

EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA: A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR PODE CONTRIBUIR?

PID: S0102-46982025000100210 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: BURGOS
RESUMO: Em tempos de ataques à democracia, a educação para a cidadania adquire renovada importância. Mas ela não é um produto espontâneo da escolarização, pressupondo o desenvolvimento de determinadas atitudes estudantis que, conforme argumentamos, exigem da escola uma articulação entre as dimensões pedagógica e organizacional. No Brasil, as políticas voltadas para esse fim ainda são incipientes, mas a partir de pesquisa nacional, recentemente realizada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, sobre a implementação da Base Nacional Comum Curricular na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, vislumbramos um potencial interessante nessa política, que precisa ser reconhecido e valorizado. Para melhor refletir sobre essa hipótese, formulamos um modelo de análise que permite uma abordagem mais sistemática das variáveis fundamentais para a educação para a cidadania. Com isso, voltamos aos dados da referida pesquisa e chegamos à conclusão de que a Base tem potencial para contribuir para o fortalecimento da educação para a cidadania, sobretudo se for concebida em um contexto de plena participação dos atores diretamente envolvidos com a educação e a comunidade escolar, o que não foi o caso da versão aprovada pelo Conselho Nacional de Educação no conturbado ambiente político de 2017.

ENGAJAMENTO ESTUDANTIL: UMA ANÁLISE DOS INDICADORES, FACILITADORES E MÉTODOS DE MENSURAÇÃO EM REVISÕES DE LITERATURA

PID: S0102-46982025000100221 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: CARNIEL ESPINOSA HEIDEMANN
RESUMO: O conceito de engajamento é polissêmico na literatura, frequentemente, empregado de maneira informal e sem definições precisas. Dada a sua ampla utilização no contexto educacional, é fundamental esclarecer os significados atribuídos a esse termo no campo investigativo. Esta revisão sistemática da literatura visa elucidar essa polissemia, identificando as concepções, os modelos, os indicadores, os facilitadores e os métodos de mensuração do engajamento estudantil. Metodologicamente, realizamos uma análise de revisões de literatura já publicadas sobre o tema. A busca foi conduzida nas bases de dados Scopus e Web of Science e, após processos de filtragem, selecionamos 52 artigos para compor o corpus. Como resultado, identificamos quatro perspectivas principais de engajamento estudantil na literatura: comportamental, psicológica, sociocultural e integrativa. Além disso, encontramos 18 facilitadores, que classificamos em quatro categorias: relações de apoio entre professor e aluno (o mais frequente), práticas docentes, elementos ambientais, e pessoais. Também identificamos seis métodos de mensuração, sendo que a observação é o mais recomendado e o questionário, o mais utilizado nas pesquisas. Além de proporcionar uma perspectiva abrangente sobre as formas como o conceito de engajamento estudantil é explorado em pesquisas educacionais, o que é de grande valor especialmente para pesquisadores recém-interessados na área, os resultados categorizados nesta revisão da literatura, igualmente, oferecem orientações para a implementação de práticas pedagógicas que fomentem o engajamento estudantil, que são fundamentais tanto para docentes como para a formação de professores.

FALANDO EM FORMAÇÃO DOCENTE: PERFIL DOS ESTUDANTES DE LICENCIATURAS EM MINAS GERAIS

PID: S0102-46982025000100222 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: REGO PREVITALI
RESUMO: O INEP realiza anualmente um censo que possibilita traçar um panorama do Ensino Superior no Brasil. Propõe-se identificar o perfil das/dos ingressantes nos cursos de licenciatura em Minas Gerais por meio de um estudo quali-quantitativo e documental que analisou os microdados do Censo da Educação Superior entre 2011 e 2021. Constatou-se que somente uma minoria dos ingressantes em cursos de graduação encontra-se nas licenciaturas. Os licenciandos, são, na maioria, oriundos da rede pública, estão na EAD, na rede particular e no turno noturno. O ingresso por meio de reserva de vagas, se dá, na maior parte, pela prerrogativa de serem de escolas públicas; declaram-se na sua maioria como pardos; do sexo feminino e com idade entre 18 e 24 anos.

FINANCEIRIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR: UMA ANÁLISE DAS IMPLICAÇÕES SOBRE O TRABALHO DOCENTE

PID: S0102-46982025000100227 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: LUCENA MAGALHÃES DIAS
RESUMO: Este artigo tem como objetivo discutir como as demandas e as lógicas próprias ao mercado financeiro refletem-se na atividade laboral de professores que atuam no ensino superior privado e financeirizado no Brasil, identificando elementos que contribuam com o debate acerca das implicações cotidianas da financeirização na atividade de professores. A partir de pesquisa exploratória com professoras e professores inseridos no contexto da financeirização do ensino superior e da posterior análise de conteúdo das respostas obtidas, mostrou-se que a financeirização aprofunda o processo de transformação do trabalho docente iniciado pela mercantilização da educação. A financeirização reconfigura o trabalho docente e de gestão da educação, aumentando a padronização, ampliando a distância entre a gestão e o trabalho docente e introduzindo novos papéis relacionados à gestão das aparências dentro dessas organizações e à consequente autocomercialização e autopromoção dos professores para além da precarização e da intensificação do trabalho, que são reflexos de elementos da própria financeirização, tais como a preferência pela liquidez e pela rentabilidade a curto prazo.

FORMAÇÃO 1+1+1 EM CURSOS DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA: UMA NOVA TENDÊNCIA?

PID: S0102-46982025000100237 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: SILVA FISCHER
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo apresentar um dos principais resultados obtidos em uma pesquisa em nível de mestrado (SILVA, 2020), ao lado de estudos recentes relacionados à temática. Nossa pesquisa teve como escopo o estudo de enunciados acerca da permanência e da não permanência de alunos no curso de Licenciatura em Matemática (LM) da UFRGS, com embasamento teórico e metodológico na Análise do Discurso de Michel Foucault (2013). Os dados da pesquisa foram construídos por meio de questionários e entrevistas junto a alunos e ex-alunos do referido curso. Ao investigar essas falas, percebemos a manifestação da existência de três linhas de formação promovidas por um mesmo curso de LM, que denominamos: formação teórica em matemática, formação teórica em educação/educação matemática, e formação prática; cada uma com seus próprios enunciados e discursos sobre educação (matemática), que poderiam até mesmo se excluir (SILVA, 2020). Apesar de referir a um contexto específico e de ter origem na aplicação da Análise do Discurso, este resultado conversa com uma das constatações do estudo de Zaidan e outros (2021), a partir da consulta a Projetos Pedagógicos de cursos de LM de várias instituições públicas de ensino superior do Brasil: a de que as Licenciaturas em Matemática parecem estar divididas entre formação matemática, formação didático-pedagógica e a prática profissional; e com as observações de Moreira (2012), quanto a aspectos que caracterizam ainda a presença da estrutura “3+1” em cursos de LM.

GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA: O QUE DIZEM AS PERCEPÇÕES DE PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DE SANTA CATARINA

PID: S0102-46982025000100201 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: ZARDO-MORESCHO ESQUINSANI ZILLI
RESUMO: O artigo tem como objetivo apresentar as percepções de professores pertencentes à rede estadual de ensino de Santa Catarina sobre a gestão escolar democrática. Corresponde a um excerto de pesquisa, cujo problema circundou as percepções de professores de educação básica da referida rede, sobre a gestão democrática, no cotidiano de suas escolas. A pesquisa se caracteriza como qualitativa e quantitativa, com a análise de dados obtidos a partir da aplicação de questionário online, aos docentes da rede estadual de ensino. Contempla também uma discussão das políticas de governo que regulamentam a gestão escolar na rede estadual, o Decreto nº 1.794/2013 (Santa Catarina, 2013) e o Decreto nº 194/2019 (Santa Catarina, 2019a). Dentre os referenciais teóricos que sustentam a análise, destaca-se Cury (2007), Vieira (2007), Souza (2009; 2012), Lima (2013), que discutem os conceitos atinentes à gestão democrática; Alves (2019), Palú e Petry (2020), problematizam a democracia liberal, que delimita a gestão democrática nas escolas; e consequentemente, compromete o reconhecimento e a paridade participativa (Fraser, 2002; 2006; 2007) dos docentes. Apesar de os resultados indicarem que a gestão democrática se materializa nas escolas estaduais, existem professores que não a reconhecem, o que pode estar associado às sucessivas políticas de governo, que limitam a participação e retardam a efetivação de uma gestão escolar democrática.

GINÁSTICA ARTÍSTICA NO ENSINO SUPERIOR: IMPLEMENTAÇÃO DO SPORT EDUCATION A PARTIR DA PERSPECTIVA FREIRIANA

PID: S0102-46982025000100224 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: LOPES LUGUETTI PRODÓCIMO
RESUMO: O objetivo da pesquisa foi compreender as estratégias pedagógicas mediadas por uma docente em um curso de graduação em Educação Física na implementação do Sport Education (SE) para desenvolver os conhecimentos sobre a Ginástica Artística (GA) a partir da proposta pedagógica freiriana. Foi utilizada, como método de pesquisa de cunho qualitativo, a pesquisa-ação, com a implementação do processo pedagógico desenvolvido em doze semanas, com a participação da docente pesquisadora e 17 estudantes. Os dados foram levantados semanalmente e incluíram: documentação pedagógica produzida durante a disciplina; diários de campo redigidos pela docente ao final de cada encontro; discussões com uma amiga crítica durante o desenvolvimento do processo educativo; realização de grupos focais após todo o processo. A Análise Temática foi utilizada para o tratamento dos dados. Os resultados indicaram que as três estratégias pedagógicas construídas foram fundamentais para a implementação do SE na GA: o Desempenho de diferentes funções, a Dinâmica do desenho e a Cocriação do código de pontuação. Esse conjunto de estratégias caracteriza uma mediação pedagógica condizente com a proposta pedagógica de Paulo Freire, ao evidenciar saberes fundamentais inerentes à natureza ética de uma prática educativa libertadora, quais sejam: Leitura de mundo, Espírito investigador, Estímulo à autonomia, Horizontalidade, Problematização e (Re)construção de (novos) conhecimentos.

IMPLEMENTAÇÃO DE UM MODELO DIDÁTICO PARA O ENSINO DO ATLETISMO NA ESCOLA

PID: S0102-46982025000100236 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: BRESSAN IMPOLCETTO
RESUMO: A presente pesquisa quali-quantitativa avaliou a implementação de um modelo para o ensino do atletismo denominado modelo sistêmico ecológico para o ensino do atletismo. Participaram da investigação três professoras de educação física e 26 escolares de três instituições, uma pública e duas privadas, que frequentavam o 2.º e o 7.º anos do ensino fundamental. Para a coleta de dados, utilizaram-se entrevistas semiestruturadas, relatórios e questionários. Os resultados e análises, estruturados em uma perspectiva indutiva, foram dispostos em dois momentos: i) codificação embasada no discurso do sujeito coletivo, e ii) exposição dos resultados em figuras e quadros. Foram evidenciados os desafios para a vivência do conteúdo atletismo em tempos de aulas remotas, a adequação do modelo à identidade e ao currículo escolar, a indispensabilidade do espaço cedido intramodelo para reflexões sobre a epistemologia da prática docente, e o seu potencial para o alcance dos objetivos de aprendizagem estipulados pelas docentes, chancelados pela significância estatística dos dados produzidos pelos estudantes.

INCLUSÃO DE ALUNOS COM AUTISMO NO ENSINO REGULAR: ANÁLISE EM UMA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL

PID: S0102-46982025000100241 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: SANTOS LEITE
RESUMO: O presente artigo consiste em uma pesquisa de abordagem quali-quantitativa, cujo objetivo é verificar como ocorre a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) no ensino comum em uma escola pública do município de Marabá (PA). O trabalho parte de um referencial teórico sobre a inclusão da criança autista, abordando o papel fundamental da escola e da família para o seu desenvolvimento. Além disso, discute os desafios e a necessidade de uma formação adequada dos professores para que a inclusão ocorra de forma efetiva. Metodologicamente, foi aplicado um formulário com perguntas mistas, por meio do Google Forms, direcionado a dez profissionais da educação - entre eles, professores, gestores e coordenadores - de uma escola de Ensino Fundamental do município de Marabá/PA. A escolha pelo uso do formulário via Google Forms deveu-se ao fasto de a pesquisa ter sido realizada durante a pandemia de Covid-19. Os participantes demonstraram conhecer a temática proposta, embora ainda necessitem de cursos de capacitação e formação específica no trato com alunos autistas. Independentemente desse fator, para que haja a inclusão desses alunos no ensino comum, é preciso que haja o respeito aos limites impostos pelo transtorno, associado à utilização de recursos e estratégias pedagógicas adequadas ao atendimento do aluno com TEA. Isso porque o diagnóstico precoce, aliado à ação conjunta de outros atores envolvidos no contexto - como a escola e a família - é fundamental para que esses estudantes se sintam parte integrante da sociedade em que vivem e sujeitos de direitos, tais como educação, atendimento prioritário, assistência social, cultura, esporte, dentre outros.

INSÓLITO POTIGUAR: ANDANÇAS DO SERTÃO MÍTICO À AULA DE LITERATURA NUMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO DOCENTE

PID: S0102-46982025000100230 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: CADÓ ANDRADE SULAIMAN
RESUMO: A operacionalização de elementos fantásticos em narrativas de ficção é recorrente em obras infantojuvenis, sendo o conto fantástico um gênero literário indicado na BNCC. Este artigo discute a inserção do conto fantástico como objeto de ensino-aprendizagem na sala de aula tanto para impulsionar o letramento literário, considerando a produção literária local, quanto para qualificar a prática do professor de Língua Portuguesa. Com base nessa perspectiva dialógica, este artigo aborda o conto fantástico enquanto categoria estética e objeto de ensino-aprendizagem para formação literária, a partir de Calvino (2004), Paes (1985), Roas (2014) e Todorov (2008), e discute a relevância na educação básica de se trabalhar autor/obra da realidade local da comunidade escolar. Em seguida, exemplifica esses aspectos com uma sequência didática para o sétimo ano do Ensino Fundamental, elaborada durante o período de estágio supervisionado docente. Para tanto, entende-se a etapa de formação inicial como local de experimentação didática, articulando a reflexão teórico-crítica à instrumentalização técnica com vistas ao fortalecimento da autonomia e da atuação pedagógica do professor. Como principais resultados, destacam-se: (i) a expectativa de recepção proveitosa, aliada ao engajamento dos alunos nas atividades; (ii) a possibilidade docente de explorar diferentes aspectos do conto em diálogo com narrativas orais partilhadas socialmente; (iii) a importância da valorização da literatura local no espaço escolar, entendendo-se a proximidade com o autor e o texto como vetor que pode contribuir para a formação ético-estética dos leitores e a prática docente em Língua Portuguesa.

LIDERANÇA DOCENTE: DESENVOLVIMENTO DE INSTRUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO DE DOCENTES-LÍDERES

PID: S0102-46982025000100216 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: PORTO PIMENTA
RESUMO: Nos dias de hoje, em função do contexto social e educacional, é preciso mais que o conhecimento objetivo das disciplinas, por parte dos professores. Novas habilidades relacionadas à comunicação e à liderança são demandadas. O objetivo dessa pesquisa foi adaptar e testar um instrumento para avaliar o perfil em relação à liderança do corpo docente de um curso de Medicina Veterinária, em uma universidade do estado de São Paulo. Para tanto, foi realizado um estudo de campo com aplicação de um questionário estruturado, composto por cinco domínios para avaliar diferentes habilidades de liderança. O construto foi considerado confiável após ser validado por seis especialistas multiprofissionais com experiência na área do tema da pesquisa. Com ele, foi possível identificar as características e as habilidades de liderança que estão mais presentes nos professores do curso, bem como pontos que devem ser trabalhados com maior foco. O referencial teórico apresenta estudos sobre formação de professores e liderança docente. Dentre os resultados, as maiores deficiências encontradas estão relacionadas aos domínios referentes ao relacionamento com os estudantes, ao processo de ensino aprendizagem e ao estímulo às competências humanísticas (não técnicas). Em contrapartida, os domínios que revelam características relacionados à preocupação do docente em ser o exemplo a ser seguido e aquele que identifica docentes, que procuram incentivar e motivar os estudantes, foram os pontos fortes. Conclui-se que o instrumento corresponde a uma ferramenta importante na identificação da liderança de professores e representa uma estratégia inicial para o programa de Desenvolvimento Profissional Docente.

LITERACIA CIENTÍFICA: UM OLHAR SOBRE AS SUAS DIFERENTES INTERPRETAÇÕES

PID: S0102-46982025000100208 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: COPPI FIALHO CID
RESUMO: O estudo teve por objetivo realizar uma abordagem crítica e histórica a respeito do conceito de literacia científica, da definição das palavras que compõem o termo, das suas traduções e da existência de instrumentos desenvolvidos para avaliá-la, mediante uma revisão narrativa da literatura. Observou-se que um dos motivos para as diversas perspectivas conceituais é o significado da palavra literate, que, no idioma inglês, pode significar ser detentor do conhecimento e, também, ser capaz de ler e escrever. Outra razão é a tradução da palavra literacy, a qual pode originar, no idioma português, as palavras alfabetização, literacia ou letramento, assumindo diferentes significados de acordo com a sua interpretação. Em paralelo, há fatores relacionados com a adesão teórica adotada pelos autores e com o campo de estudos da linguagem e do ensino de línguas. O conceito de literacia científica também se revela como uma das causas geradoras de imprecisões. O fato de haver uma pluralidade de significados faz com que, muitas vezes, a literacia científica seja confundida e limitada à compreensão da ciência. Por fim, a avaliação da literacia científica configura-se como fonte de debate entre os pesquisadores da área, uma vez que existem poucos instrumentos disponíveis na literatura, a maioria deles avalia aspectos e dimensões isolados da literacia científica e uma minoria demonstra os processos de validade na sua elaboração. Em síntese, o estudo evidencia as grandes polémicas na literatura que concernem a literacia científica, apresenta as principais razões de tais controvérsias e demonstra que, a despeito destes aspectos, a literacia científica é objeto de pesquisas de âmbito internacional e apresenta-se, de uma forma ampla, como o principal objetivo do ensino de ciências.

LITERATURA E COAPRENDIZAGEM NA DOCÊNCIA: UM CAMINHO PELA LEITURA DE METAFICÇÃO

PID: S0102-46982025000100217 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: FERNANDES AMARILHA FREITAS
RESUMO: Este artigo discorre sobre um estudo motivado pela necessidade de fomentar o debate acerca da mediação da formação leitora e escritora de crianças já alfabetizadas. Tem por objetivo analisar o potencial da literatura de metaficção para possibilitar a reflexão acerca das práticas de leitura e escrita literárias na escola. Fundamenta-se nos estudos sobre literatura, metaficção e ensino. Numa perspectiva qualitativa, apoia-se nos princípios da análise de conteúdo para o estudo de textos orais e escritos de crianças do 5º ano do ensino fundamental, de uma escola pública de Natal/RN (Brasil), durante uma intervenção pedagógica constituída por sessões de leitura literária, de escrita e reescrita de textos autorais. Os resultados revelaram que a mediação para a escrita via leitura de metaficção constitui-se em um processo de coaprendizagem: as crianças se experimentaram como escritoras e a mediadora como interlocutora aprendiz dos processos de ler e escrever literatura.

LITERATURA INFANTIL COMO RECURSO DOCENTE PARA O DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS NO COTIDIANO ESCOLAR

PID: S0102-46982025000100232 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: UHR SOARES
RESUMO: O presente estudo teve como objetivo identificar o conhecimento e a aderência de professores do ensino fundamental I à utilização de histórias infantis para ampliar o repertório de habilidades sociais. Participaram da investigação 12 professoras atuantes nos 2.º e 3.º anos de diferentes escolas públicas localizadas na cidade do Rio de Janeiro. Foi uma pesquisa de delineamento descritivo, transversal, qualitativo e quantitativo. A entrevista foi estruturada com perguntas abertas e fechadas, dividida em três seções: a primeira teve por objetivo obter dados sociodemográficos dos sujeitos pesquisados; a seção dois buscou investigar como os professores utilizavam os livros de literatura infantil em sala de aula e se reconheciam habilidades sociais nas relações interpessoais dos seus alunos; a seção três visou identificar se eles usavam algum material adicional, como fantoches, entre outros, para a contação de histórias. As entrevistas foram on-line, pela plataforma Zoom. A análise das informações foi realizada em duas etapas: primeiro procedeu-se à verificação quantitativa das respostas às perguntas fechadas e, em seguida, foi feita a investigação qualitativa das questões abertas utilizando o método de análise de conteúdo de Bardin (2011). Constatou-se que as professoras reconheceram o livro de literatura infantil como recurso favorável ao desenvolvimento socioemocional e cognitivo de seus alunos. Contudo, não conheciam a teoria das habilidades sociais, não reconheciam tais habilidades na vida cotidiana, não sabiam como desenvolvê-las e ficavam limitadas em sua capacidade de estimular comportamentos socialmente habilidosos nas relações interpessoais estabelecidas na escola.

MARIA HELENA NOVAES: REFLEXÕES SOBRE CRIATIVIDADE ENTRE PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO E ARTE (DÉCADA DE 1970)

PID: S0102-46982025000100238 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: OSINSKI SANTINI
RESUMO: Este artigo analisa a trajetória da psicóloga Maria Helena Novaes e suas relações com os projetos de educação em arte discutidos no contexto brasileiro da década de 1970. Dialogando com as reflexões de Levi (1996) e Bourdieu (1996), o foco incide sobre seu percurso biográfico e respectivos campos de atuação, bem como sobre as principais produções, especialmente aquelas que se relacionam à arte e à criatividade no contexto educacional, utilizando, como fontes privilegiadas, textos publicados no jornal Arte & Educação e seu livro Psicologia da Criatividade. Num momento em que a busca do desenvolvimento da psicologia era objeto de diversos campos do conhecimento, ela se engajou no debate e nas ações para o estabelecimento da psicologia escolar em prol da arte na educação e na defesa da criatividade como elemento essencial para a formação humana. Atuando em favor do desenvolvimento da criatividade na formação docente por meio de cursos, palestras e diversos escritos, num momento em que ainda não havia formação superior consolidada nas áreas de ensino de arte e de psicologia, a educadora inseriu-se nos projetos de educação em arte e assumiu o papel de intervenção no campo educacional brasileiro.

METODOLOGIA PARA USAR TECNOLOGIAS DIGITAIS, INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS DE ALUNOS

PID: S0102-46982025000100211 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: ANDRADE GASPAR LINS
RESUMO: Para mitigar os impactos da pandemia da COVID-19, as instituições de ensino brasileiras foram fechadas e encerraram as atividades presenciais em março de 2020, o que afetou quase 100% da população estudantil brasileira, acelerando a adoção de aulas virtuais no ensino fundamental. Isto forçou os alunos a mudarem de aulas presenciais para virtuais, resultando numa interrupção abrupta da interação social e do sentido de cooperação entre os alunos. Devido a este cenário, esta pesquisa investigou um método viável para melhorar aulas virtuais utilizando Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). Propôs quatro etapas metodológicas: análise das habilidades socioemocionais durante o uso das TDIC e o desenho de atividades digitais que potencializassem a interação social e a melhora do foco dos alunos na perspectiva dos professores de ensino primário. O método foi implantado e validado por meio dos resultados que demonstraram que o uso das TDIC em conjunto com atividades pedagógicas desenvolvidas conforme a realidade de acesso dos alunos à tecnologia auxiliou no desenvolvimento de competências socioemocionais já que, durante as aulas virtuais, foram reconhecidos impactos positivos no sentido de organização tanto nas dinâmicas de grupo em que os alunos demonstraram empatia e colaboração com colegas que tinham dificuldades na utilização das TDIC, quanto nas atividades individuais.

MILITARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA: REFLEXÕES SOCIOLÓGICAS EM ENUNCIADOS DO JORNAL O POPULAR

PID: S0102-46982025000100219 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: SANTOS ALVES REIS
RESUMO: Esta pesquisa, de caráter documental e bibliográfico, selecionou e categorizou todos os textos publicados entre 2015 e 2018, no periódico goiano O Popular sobre a temática “escola militar”. Em seguida, selecionou todos os enunciados que versam sobre a chancela da população goiana à militarização de escolas públicas da rede estadual. A partir de chaves teóricas apresentadas por Bourdieu (2008; 1984), este artigo descreve e analisa os posicionamentos que ali emergem acerca do processo de militarização das escolas da rede pública estadual de Goiás. Para isso, utiliza o conceito de enunciados, em Bakhtin (1997), como elemento que compõe o discurso da opinião pública, cujas características tangem o senso comum sobre a educação e a política de militarização. Em seguida, busca compreender como tais posicionamentos são engendrados e articulados enquanto alicerces de uma suposta “opinião pública”. Assim, além do “olhar sociológico” prescrito por Bourdieu, o estudo lança mão de Carvalho (2013) e Aquino (2014) para discorrer sobre dinâmicas próprias do ambiente escolar. O texto apresenta possibilidades de compreensão das bases socioculturais que dinamizam os posicionamentos que a “opinião pública” manifesta. Ademais, o estudo possibilita descrever o lugar social em que se operam os discursos que defendem a militarização da educação em Goiás.

O CORPO COMO DISCURSO ENTRE A CAPOEIRA E A EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS: GINGAS INTERCULTURAIS POSSÍVEIS

PID: S0102-46982025000100203 | Periódico: Educação em Revista (0102-4698) | Ano: 2025
Autores: SANTOS KATO
RESUMO: O presente artigo teve como objetivo, ao considerar os processos educativos que se expressam a partir do corpo, construir gingas interculturais entre o saber tradicional de matriz afro-brasileira e a Educação em Ciências. A ginga é uma representação corpórea que expressa negociação na capoeira. Desse modo, as gingas interculturais constituem-se em diálogos assentados nos marcos teóricos da interculturalidade crítica. Os resultados apresentados compõem uma dissertação de mestrado realizada em uma comunidade remanescente de ancestralidade africana. O objeto da análise foi o acompanhamento de uma intervenção do projeto extensonista Sala Verde, uma ação da Universidade Federal da Bahia no âmbito da Educação em Ciência. O território que vive o processo de certificação quilombola é São Francisco do Paraguaçu, Bahia, desde 2014 afetado por tal proposta ancorada nos pressupostos Ciência, Tecnologia e Sociedade. Os dados empíricos foram construídos mediante entrevistas semiestruturadas com mestres de capoeira da região, a partir de suas marcas discursivas remetentes aos saberes tradicionais afro-brasileiros; e literatura científica - lentes que possibilitaram o acompanhamento das mediações pedagógicas realizadas pelo Sala Verde com os moradores locais, no decurso de uma imersão etnográfica amparada em Restrepo. A interface dessa relação foi concebida sob o viés do corpo como discurso sócio-histórico nas concepções de Bakhtin, o que resultou nas gingas interculturais de dissenso que negam a diferença étnico-racial e a marcam em uma base de hierarquização inferior e gingas de consenso que tratam a diferença cultural com reciprocidade.
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