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Worked example como método de ensino da ausculta cardíaca pediátrica para estudantes de Medicina

PID: S1981-52712023000300214 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Soares Ibiapina
Resumo: Introdução: A performance e a acurácia da ausculta cardíaca de médicos recém-formados estão aquém do esperado, o que resulta em excesso de encaminhamentos para o cardiologista, solicitação de exames desnecessários e atraso diagnóstico. O desenvolvimento de metodologias de ensino eficazes é necessário para melhorar a ausculta cardíaca e a capacidade diagnóstica dos médicos recém-graduados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar a eficácia do uso da metodologia do worked example, comparada ao ensino tradicional de aulas expositivas da semiologia do aparelho cardiovascular. Método: Participaram do estudo 56 alunos do quarto ano da Universidade Federal de Minas Gerais. Trata-se de um estudo experimental que comparou a eficácia do modelo de ensino baseado na metodologia do worked example com a metodologia tradicional de aula expositiva sobre ausculta cardíaca pediátrica. Os alunos foram randomizados em grupo experimental e grupo de controle, e avaliados em fases distintas - pré-teste, pós-teste imediato e pós-teste tardio. Resultado: A partir da Análise de Variância de Medidas Repetidas, houve efeito significativo em ambos os métodos de treinamento quando se considerou a fase do estudo (p < 0,001). Os dois grupos obtiveram desempenhos semelhantes independentemente do método de treinamento (p = 0,863). Conclusão: A metodologia ativa conhecida como worked example pode ser tão eficaz quanto uma metodologia tradicional no ensino e aprendizagem da ausculta cardíaca pediátrica.

A formação de estudantes de Medicina para o cuidado destinado à saúde de pessoas LGBTI+

PID: S1981-52712023000300215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Medeiros Oliveira Junior Leiria Moretti-Pires Mello
Resumo: Introdução: A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSILGBT) é formada por um agrupamento de diretrizes e planos, sendo um eixo importante para formação dos profissionais de saúde, por meio de ações e estratégias específicas, para minimizar os efeitos da discriminação de gênero e sexualidade de uma população historicamente marginalizada. Na literatura, encontram-se estudos que evidenciam a falta de carga horária específica para gênero e sexualidade, a falta de transversalidade da temática LGBTI+ ou ainda a ausência da abordagem de aspectos socioeconômicos, políticos e raciais da saúde LGBTI+ dentro dos currículos de Medicina no Brasil e no mundo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar a percepção entre discentes assumidamente LGBTI+ e discentes heterossexuais no que concerne à formação dos médicos sobre a saúde de minorias sexuais e de gênero. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, em profundidade, com análise de discurso de grupos focais, um com alunos LGBTI+ e outro com alunos não LGBTI+, em que se aplicou um questionário semiestruturado com base na análise de práticas discursivas de Spink. Resultado: A análise dos grupos identificou como questões mais pertinentes: pouca carga horária programática; falta de transversalidade; abordagem do tema com olhar pejorativo e preconceituoso; associação da população LGBTI+ com doenças infectocontagiosas ou psiquiátricas; ausência de abordagem dos aspectos socioeconômicos, culturais e raciais da temática; e atenção primária à saúde como espaço de maior abertura para discussões sobre gênero e sexualidade; Conclusão: Há uma percepção, em ambos os grupos, de que o ensino de saúde LGBTI+ é insuficiente e há um despreparo dos alunos para a abordagem da temática de gênero e sexualidade, o que gera impacto direto na assistência em saúde dessa população. Além disso, são necessários mais estudos sobre educação médica em saúde LGBTI+.

A linha tênue entre a promoção da saúde e a reprodução de discursos gordofóbicos pelos médicos

PID: S1981-52712023000300301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Atari Peixoto Soriani Oliveira Rossasi Maia
Resumo: Introdução: O controle do peso corporal é fundamental para o tratamento e a prevenção das principais comorbidades no mundo, tais como hipertensão, dislipidemia e obesidade. Entretanto, as orientações médicas referentes à perda de peso, muitas vezes, não são baseadas em evidências ou comunicadas de maneira clara, e também não consideram as condições psicológicas e sociais dos pacientes, como ditam os valores da promoção da saúde, mas são abordadas de maneira preconceituosa e rasa. Este estudo busca responder à seguinte questão: “A maneira como os médicos lidam com a obesidade dos seus pacientes é uma forma de promover saúde ou de propagar ainda mais desfechos clínicos desfavoráveis nessa população?”. Objetivo: Este estudo teve como objetivo revisar a literatura no que concerne à gordofobia médica e aos seus impactos para o paciente. Método: Trata-se de uma revisão de literatura integrativa, realizada em janeiro de 2022. A busca de dados se deu a partir do ano de 2007 até janeiro de 2022. Usaram-se as seguintes bases de dados: SciELO, Lilacs e PubMed. Utilizaram-se, na busca de artigos, os seguintes descritores: obesity, overweight, social stigma, social discrimination, bullying, fatphobia, weight bias, medication adherence, therapeutic alliance, health professionals, binge-eating disorder. Resultado: Os 16 artigos selecionados foram classificados segundo tipo de estudo, ano, local, público-alvo e resultados, e, em seguida, analisados de maneira crítica. Conclusão: Embora seja crucial os médicos alertarem seus pacientes sobre perda de peso, essas orientações, quando feitas de maneira preconceituosa, grosseira e sem metas bem definidas, fazem com que o paciente se desinteresse em cuidar da própria saúde ou ainda procure perder peso sem apoio profissional. Logo, em vez de combater a obesidade, o atual manejo é responsável por agravá-la e, inclusive, desenvolver outras comorbidades, como a depressão.

A preceptoria médica em medicina de família e comunidade: uma proposta dialógica com a andragogia

PID: S1981-52712023000100207 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Lawall Pereira Oliveira Gasque
Resumo: Introdução: O Brasil está em um amplo processo de fortalecimento das residências médicas nas áreas básicas, porém existe a necessidade de um currículo estruturado para qualificar a formação do preceptor. Objetivo: Este estudo teve como objetivo construir uma matriz dialógica para orientar a formação educacional da preceptoria em medicina de família e comunidade (MFC). Método: Por meio de um estudo qualitativo-analítico, analisaram-se três programas de preceptoria médica no Brasil: Associação Brasileira de Educação Médica, Hospital Sírio-Libanês e Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Em seguida, uma proposta formativa foi apresentada contendo macrodiretrizes que possibilitem mudanças nos processos de ensino e aprendizagem para qualificação da prática preceptora em diálogo com a andragogia. Resultado: A matriz construída norteia-se pela aprendizagem do adulto, enfatizando a autonomia do aprendiz, em detrimento do controle da aprendizagem pelo educador. Envolve cinco dimensões: direcionalidade da formação; conteúdo; estratégias pedagógicas; concepções e estrutura formativa; e relação entre saúde, educação e pesquisa. Cada uma delas agrega um conjunto de diretrizes que valorizam o contexto e os princípios da formação em serviço no SUS; o desenvolvimento de competências acerca de conteúdos da atenção, gestão e educação em saúde; concepções e estruturas pautadas pela construção de vínculos significativos entre os sujeitos envolvidos no ato educativo, respeitando seus saberes prévios e experiências; estratégias pedagógicas colaborativas, trabalho com grupos operativos e o uso de tecnologias da informação e comunicação; e o estímulo à pesquisa como princípio educativo. Conclusão: A matriz considerou as necessidades da formação em MFC, baseando-se em aspectos-chave da andragogia. Acredita-se que ela possa promover mudanças nos processos de ensino-aprendizagem dos preceptores, com o objetivo de qualificar sua prática.

Abordagem da morte na graduação médica: percepções de estudantes à luz de contribuições freudianas

PID: S1981-52712023000400205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Donadeli Ravasio Paula Coelho Maia Alkmim Melo Guimarães
Resumo Introdução: Na sociedade ocidental contemporânea, as tentativas de evitar a morte e o sofrimento impulsionam a formação de médicos voltados para lidar majoritariamente com aspectos biológicos do adoecimento e da morte, em detrimento dos aspectos psicossociais relacionados a essas questões. Objetivo: Buscou-se identificar a percepção de estudantes de Medicina sobre a abordagem da morte e do morrer na graduação à luz de estudos atuais sobre a formação médica no país e algumas contribuições da teoria freudiana sobre a morte. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa de caráter exploratório, desenvolvida a partir de seis grupos focais compostos por 55 estudantes de todos os períodos do curso de Medicina de uma universidade federal do interior de Minas Gerais. O material produzido foi analisado a partir do referencial de análise de conteúdo temática ou categorial, e emergiram categorias: 1. a morte na formação médica; 2. o médico diante da morte. Resultado: Discutir a morte e o morrer no processo formativo é falar da angústia diante da finitude. Os estudantes identificaram a abordagem da morte e do morrer na graduação, mas de forma limitada e insuficiente. Apontaram a necessidade de ampliar o contato com os temas no currículo, melhorar as metodologias utilizadas e inserir de forma obrigatória os conteúdos de cuidados paliativos. O papel do médico comporta tanto o cuidado com foco na cura quanto a assistência nas situações em que a cura não for possível. A preparação para lidar com a morte ao longo da graduação envolve concepções e experiências pessoais, experiências na graduação, acesso aos conteúdos teóricos, especificidades e aspectos subjetivos relacionados a cada situação. Os recursos mencionados para lidar com a morte, além dos estudos, foram a religiosidade e psicoterapias. Conclusão: Abordar a morte nos currículos de graduação em Medicina envolve grande complexidade e desafios. Do ponto de vista da realidade psíquica, os seres humanos tentam negar a morte e evitar os sofrimentos. Dessa forma, os desafios da formação e da prática médica consistem em assumir a articulação indissociável entre aspectos biológicos, culturais e psicossociais. Cuidar da vida é também cuidar da morte, e evitá-la pode desencadear maior sofrimento aos pacientes, familiares, estudantes e médicos.

Acreditação de cursos médicos no Brasil: explorando perspectivas globais para uma formação médica de excelência

PID: S1981-52712023000400209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Carvalhaes Manno Santos Souza
Resumo Introdução: Marcada por franca expansão, crescimento da oferta pelo setor privado e atuação de diferentes grupos de influência, a educação médica figura no centro dos debates sobre qualidade da educação superior. A criação e a atuação das agências de acreditação de cursos médicos crescem em todo o mundo, tendo chegado ao Brasil com a criação do Sistema de Acreditação de Cursos Médicos por iniciativa do Conselho Federal de Medicina. Marco importante na educação médica brasileira, a criação do sistema representa avanço e deve ser considerada, no entanto o fato não invalida a possibilidade e a importância de implantação de política pública nacional de acreditação de cursos médicos, dada a relevância social e a preocupação com a qualidade da formação médica ofertada no país. Objetivo: Este artigo apresenta um paralelo entre os procedimentos adotados pelas agências acreditadoras internacionais, pelo Saeme e nos procedimentos do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. Método: O paralelo foi traçado com base em análise documental, em que foram investigados artigos na temática de acreditação e qualidade da educação médica, bem como os documentos orientadores de agências acreditadoras internacionais. Resultado: A análise documental revela similaridades nos procedimentos adotados internacionalmente em comparação com as iniciativas nacionais no que concerne à estrutura básica de avaliação, à exigência de autoavaliação, à preocupação com a avaliação da aprendizagem, à previsão de monitoramento e alinhamento prévio, bem como à valorização do currículo baseado em competências. Conclusão: Os resultados apontam para um cenário favorável com vistas a demonstrar o potencial nacional para instauração de sistema público de acreditação.

Análise de lacunas e perspectivas sobre programas de doação de corpos: relato de experiência no Brasil

PID: S1981-52712023000300403 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Lucas Rocha
Resumo: Introdução: As recomendações internacionais reforçam o estímulo à prática da doação voluntária para a disponibilidade de corpos destinados à formação de profissionais de saúde, substituindo o sistema de corpos não reclamados nas instituições de ensino superior (IES). Relato de experiência: Este trabalho reuniu informações sobre programas de doação de corpos (PDC) brasileiros, analisou lacunas e fatores impeditivos à doação do corpo, e propôs estratégias para ampliar as informações sobre o cadastro de participantes em PDC e a efetivação da doação. Discussão: No Brasil existem 39 PDC em funcionamento - seis no Nordeste, quatro no Centro-Oeste, um no Norte, 11 no Sul e 17 no Sudeste - e duas comissões de distribuição de corpos para ensino. O cadastro como participante no PDC pode agilizar as providências documentais, mas não garante a doação na ocasião da morte. No geral, as IES recebem o corpo doado e a documentação necessária. Quando o óbito acontece no município da IES, é possível ter o translado do corpo providenciado por parcerias com funerárias e prefeitura. Conclusão: Embora a legislação tenha regulamentado desde 2002 a doação do próprio corpo em vida, é necessária a implementação de campanhas de esclarecimento à população geral sobre essa possibilidade, além de mecanismos que possam promover a celeridade nos prazos de para obtenção das documentações com a finalidade de doação de corpo para fins científicos, a isenção das taxas cartoriais e a viabilização do translado do corpo doado por carro de funerária das prefeituras, sem custo. O apoio da IES por meio do cadastro do PDC como atividade de extensão universitária colabora para assegurar aspectos éticos relacionados à participação dos doadores no programa em vida, no que se refere ao tratamento com respeito e dignidade dos doadores e de suas famílias.

Análise de variáveis com potencial discriminante para classificação de escolas médicas

PID: S1981-52712023000200212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Vaccarezza Montagna Barata Carneiro Junior
Resumo: Introdução: Este estudo metodológico pretendeu identificar em qual medida um conjunto de variáveis características de escolas médicas possui capacidade discriminante na classificação dos cursos por meio da análise de agrupamento. Nas últimas décadas, houve um aumento expressivo do número de vagas ofertadas para cursos médicos. Esse advento impôs desafios para os programas de avaliação, tanto pela necessidade de expandir o processo como pela necessidade de implantação de novos indicadores de qualidade. Objetivo: Esse estudo teve como objetivo propor técnicas de análise para aprimorar a capacidade discriminante na classificação de cursos médicos mediante variáveis objetivas relacionadas a aspectos estruturais e operacionais que possam ser incorporadas aos métodos já utilizados. Método: Trata-se de um estudo descritivo, analítico-metodológico e quantitativo que utilizou dados dos cursos médicos de São Paulo, em dezembro de 2020. Foi realizada análise por agrupamentos hierárquico e não hierárquico dos cursos para identificar variáveis com capacidade discriminante em busca de padrões que cooperem para a classificação das escolas médicas. As variáveis estudadas foram: início do curso, carga horária, regime letivo, metodologia, hospital universitário, categoria administrativa da instituição e gratuidade. Para a construção dos agrupamentos, adotaram-se o método de Ward e a distância euclidiana para estimar a discriminação entre os grupos. No agrupamento não hierárquico, a definição da quantidade de grupos foi determinada pela análise da diminuição da variância. Avaliou-se a correlação entre as variáveis por meio de mapas de calor. Resultado: As análises de agrupamento mostraram a existência de três grupos de escolas médicas por similaridade: um grupo composto por escolas mais antigas e com maior carga horária, e, nos outros dois, consideraram-se as escolas não gratuitas sem hospital universitário, diferenciando-se pela idade das escolas. Além disso, as correlações reforçaram que as variáveis adotadas cooperavam para a discriminabilidade entre grupos. Há reconhecida heterogeneidade entre os cursos de graduação no Brasil, e esse dado também se aplica aos cursos médicos que impõem desafios metodológicos para os processos de avaliação estabelecidos. Entretanto, a inclusão de variáveis requer métodos capazes de refinar a capacidade discriminante da análise. Conclusão: A análise aqui proposta mostrou-se capaz de identificar grupos de escolas médicas por meio de indicadores objetivos e pode auxiliar o processo de avaliação das escolas médicas.

Aplicabilidade da avaliação com consulta como estratégia de ensino em cursos de Medicina

PID: S1981-52712023000100301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Carvalho Esteves
Resumo: Introdução: Nas últimas décadas, as práticas pedagógicas e as metodologias de ensino têm experimentado mudanças radicais, culminando hoje com o crescimento exponencial de metodologias de ensino ativas. Apesar da crescente utilização dessas metodologias ativas nos cursos de Medicina, as formas de avaliação teórica foram pouco, ou nada, alteradas nas últimas décadas, o que não deveria ocorrer, pois os sistemas de avaliação precisam evoluir concomitantemente para garantir um processo de ensino-aprendizagem coeso e de qualidade. Objetivo: Este estudo evidencia como está inserida a avaliação com consulta em cursos de Medicina. Método: Foi desenvolvida uma revisão integrativa por meio de consulta de publicações indexadas no período dos últimos dez anos nas bases de dados da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), ScienceDirect e Education Resources Information Center (ERIC), em formato de artigos completos nas línguas portuguesa ou inglesa. Utilizaram-se os descritores a seguir de forma combinada, respectivamente em inglês e português: “medicine”, “assessment”, “open book examination”, “open book exam”, “open book test” e “open book assessment”; “medicina”, “avaliação”, “prova com consulta”, “avaliação com consulta” e “teste com consulta”. Resultado: Para a composição deste estudo, selecionaram-se 11 publicações que atenderam aos critérios de elegibilidade traçados, e, após a imersão teórica e análise delas, emergiram duas categorias principais: “A avaliação com consulta como recurso educacional para o ensino médico” e “A avaliação com consulta como alternativa pedagógica no cenário pandêmico”, as quais foram analisados à luz de uma revisão integrativa. Conclusão: Ainda que haja dúvidas e sejam necessários novos estudos, fica evidente que a avaliação com consulta é muito pertinente ao ensino médico, uma vez que contribui para a formação de profissionais com alta capacidade de questionamento e argumentação, preparados para rotinas de estudo e educação permanentes e que entendam que há constante evolução do conhecimento na área médica.

Aprendizagem Baseada em Equipes no ensino remoto da promoção e educação em saúde na medicina

PID: S1981-52712023000100401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Rodrigues Hernandes Marquez Raimondi Paulino
Resumo: Introdução: A Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) é um método muito utilizado no ensino da promoção de saúde, pois instiga o exercício de habilidades como a liderança, o trabalho em equipe e a tomada de decisões. Com a pandemia da Covid-19, houve a necessidade de adaptar o ensino médico para o âmbito remoto. Assim, o objetivo deste artigo é descrever a experiência de adaptação de um componente curricular de Saúde Coletiva ao ambiente on-line, mantendo a ABE como método de ensino-aprendizagem da promoção de saúde, mesmo em tempos de pandemia. Relato de experiência: A aplicação do método foi feita por meio de videoconferências e de uma plataforma com recursos para a aplicação dos testes conforme o formato da ABE. Com os encontros, os estudantes desenvolveram competências essenciais à promoção da saúde, como salutogênese, metáforas da enfermidade na experiência do adoecimento, prevenção de agravos e educação em saúde. Discussão: A ABE consegue desenvolver no estudante habilidades como o trabalho em equipe, a liderança e o diálogo. Essas competências são preconizadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais durante a formação médica, além de serem essenciais na prática da promoção da saúde. Além disso, nota-se que o componente curricular promoveu uma construção salutogênica das capacidades dos alunos, desenvolvendo habilidades a partir das potencialidades dos estudantes, tal como em um grupo operativo. Ademais, a aplicação da ABE permitiu a continuidade do ensino de qualidade da promoção de saúde, mesmo em ambiente remoto, tendo em vista que essa metodologia estimula a aprendizagem ativa e oferece a possibilidade de aplicar os conhecimentos obtidos em situações práticas. As principais limitações da experiência foram as dificuldades de acesso às plataformas de ensino remoto, as restrições à comunicação não verbal e o controle sobre o acesso a materiais de consulta durante a execução de cada etapa. Conclusão: A adaptação da ABE ao ambiente remoto estimulou a prática de habilidades comunicativas e de argumentação que são essenciais à facilitação de grupos operativos na comunidade e permitiu que os estudantes aplicassem os conceitos aprendidos em situações práticas, apesar do ambiente remoto de ensino.

As percepções de estudantes de Farmácia e de Medicina sobre o desenvolvimento de competências clínicas

PID: S1981-52712023000300211 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Souza Lulio Escala Mendonça Silvestre
Resumo: Introdução: A atuação ativa do profissional médico em conjunto com o farmacêutico pode auxiliar na garantia de uma efetiva, segura e conveniente farmacoterapia. Para que esses profissionais atuem de maneira colaborativa, é necessário que, durante o processo formativo, os estudantes de Farmácia e Medicina desenvolvam competências clínicas para assegurar um serviço clínico de qualidade, com respeito pela atuação e adequada convivência com outros profissionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivos descrever a autoavaliação dos discentes de Medicina e Farmácia em relação às suas competências clínicas, compreendendo suas diferenças e similaridades, e avaliar o desenvolvimento destas durante a graduação. Método: Trata-se de um estudo educacional realizado de maneira remota entre agosto de 2020 e agosto de 2021. Os participantes eram discentes de Farmácia e Medicina de uma instituição pública de ensino. Realizaram-se entrevistas individuais, e aplicaram-se instrumentos de autoavaliação de competências clínicas. Resultado: Participaram da pesquisa 39 discentes: 18 (46,2%) de Farmácia e 21 (53,8%) de Medicina. Os estudantes de Farmácia avaliaram-se positivamente quanto às atividades relacionadas às competências clínicas, salvo a implementação de um plano de cuidado e a identificação de pacientes em risco de doenças prevalentes. Quanto ao currículo, o curso avaliado possui três disciplinas que abordam o desenvolvimento de competências clínicas. Dessas, os discentes relataram ter desenvolvido conhecimento científico, atualização do conhecimento científico e comunicação efetiva. Os estudantes de Medicina avaliaram-se positivamente em relação às suas competências clínicas, com exceção daquelas relacionadas ao diagnostico diferencial, à discussão com equipe de saúde e à identificação de falhas no sistema de saúde. O currículo do curso apresenta 11 disciplinas voltadas para o cuidado, e os alunos associaram disciplinas de cunhos sociais ao cuidado centrado na pessoa. As competências desenvolvidas destacadas foram empatia, compaixão, integridade e respeito, comunicação efetiva e anamnese, e obtenção de informações socioculturais. Ademais, os estudantes de ambos os cursos relataram contato escasso com outros profissionais de saúde. Conclusão: Os discentes avaliados apresentam diversas inseguranças, principalmente relacionadas às habilidades clínicas que exigem prática. Apesar disso, os estudantes de Medicina demonstraram maior apreensão de soft skills, o que pode facilitar a criação de vínculos com os pacientes e resultar na qualidade do cuidado.

As potencialidades do uso da série Unidade básica para fortalecimento do ensino médico sobre a atenção primária à saúde

PID: S1981-52712023000300202 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Conciani Geraldo Souza Petta Santos Stefanello
Resumo: Introdução: Apesar de o ensino médico brasileiro ser pautado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), a atenção primária à saúde (APS), como cenário de prática, ainda é negligenciada nos currículos de muitas escolas. Objetivo: Neste estudo, buscamos compreender o uso da série Unidade básica como um recurso educacional de reflexão com o foco na APS. Método: Trata-se de um estudo qualitativo baseado na análise de entrevistas realizadas com docentes de diversas escolas médicas que utilizam a série em variadas disciplinas. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas segundo a fenomenologia hermenêutica de Ricoeur, gerando os resultados do estudo. Resultado: Realizaram-se 18 entrevistas com docentes da graduação em Medicina e preceptores e tutores de programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade. Os docentes mencionaram que utilizam os episódios da série como incentivo para o debate dos princípios teóricos e atributos da APS de maneira mais interativa e interessante para os alunos. Os entrevistados relataram uma ampla aceitação do material pelos discentes, aumentando a participação em sala de aula, inclusive em períodos de ensino a distância. A maior crítica feita ao material foi a falta de representatividade da equipe multiprofissional da APS na série. Conclusão: A série pode apresentar grande potencial para a reflexão sobre a APS como estratégia de atenção, além de aproximar, de maneira lúdica, os alunos do tema e aumentar o interesse na prática médica generalista.

Aspectos demográficos e acesso aos projetos pedagógicos dos cursos de Medicina no Brasil

PID: S1981-52712023000100205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Moraes Jacob-Filho Carvalho
Resumo: Introdução: A ampliação da educação superior no Brasil é recente. Na área médica, com o advento do Programa Mais Médicos, essa expansão tornou-se viável e culminou com a publicação de novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de graduação em Medicina. O projeto pedagógico do curso (PPC) traduz o que se realiza no curso e funciona como instrumento de comunicação entre a instituição e a sociedade. A análise dos PPC das instituições de ensino superior propicia a identificação de elementos que apontam para convergência ou se afastam do preconizado nas mudanças pretendidas pelas DCN de 2014. Objetivo: Este estudo descreve demograficamente no Brasil o número de cursos de Medicina públicos e privados por estado e região da Federação, o número de vagas disponíveis e o acesso aos PPC dessas escolas por meio de metodologia sistematizada. Método: Realizou-se um levantamento de todas as faculdades com curso de Medicina no Brasil, no ano de 2021. A procura dos PPC foi realizada no site institucional. Em caso de ausência da informação, encaminhamos mensagem eletrônica à coordenação do curso de Medicina. Na indisponibilidade de contato direto com a coordenação pelo site institucional, encaminhamos mensagem ao coordenador por meio do acesso ao seu Currículo Lattes. Resultado: Foram identificadas 336 escolas médicas, 115 (34,2%) públicas e 226 (65,8%) privadas. Observamos a maior concentração de cursos na Região Sudeste (41,3%), seguida da Região Nordeste (24,6%). Das instituições públicas, o Nordeste é a região que mais concentra as escolas (35,6%), seguida da Região Sudeste (26%). Quanto às instituições privadas, ocorre o inverso. Obteve-se um total de 134 PPC (39,8%), sendo 111 (83%) das escolas públicas e 23 (17%) das privadas. Conclusão: Embora a disponibilização do documento de informação pedagógica no site da instituição seja obrigatória, isso não foi verificado em realidade, o que corrobora a necessidade de políticas de valorização e fiscalização da disponibilidade do PPC para facilitar o seu acesso pelos maiores interessados: alunos, comunidade acadêmica e pesquisadores da área da educação médica.

Aspectos relacionados ao estudante na construção da identidade médica: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712023000100303 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Fernandes Taquette Souza
Resumo: Introdução: A construção da identidade médica (IM) é fenômeno dinâmico influenciado por fatores relacionados ao estudante, ao ambiente educacional e à sociedade. Objetivo: Este estudo teve como objetivo sintetizar o conhecimento produzido a respeito dos aspectos referentes ao estudante na construção da IM. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de estudos empíricos publicados em periódicos indexados na MEDLINE e LILACS, utilizando a expressão medical identity e os descritores identity crisis, social identification, physician’s role e professional role. Os critérios de inclusão foram: textos completos disponíveis em português, espanhol, francês ou inglês de estudos empíricos sobre fatores que influenciam na formação da IM com foco nos aspectos relacionados ao estudante e tendo médicos ou estudantes de graduação em Medicina como participantes. Resultado: Na primeira etapa, identificaram-se 1.365 artigos. Foram triados 194 artigos para leitura em profundidade. Destes, incluíram-se 18 para análise temática com classificação em categorias em diálogo com a literatura, tendo como base o conceito de IM saudável. A maioria dos artigos foi publicada na última década. Identificaram-se três categorias: expectativa versus realidade, referente ao que o estudante pensa sobre o que um médico é ou deveria ser; médico “super-herói”, relativa à percepção caricaturada da medicina criada pelos próprios alunos e oferecida pela sociedade por meio de programas, séries e filmes televisivos; e modelagem de papéis, que diz respeito à importância da experiência prática do estudante supervisionada por um preceptor ou docente. A IM construída ao longo do curso médico influencia na forma como a medicina é exercida e, quando ela não é congruente com a realidade que o recém-formado encontra, provoca sofrimento no médico e interfere na atuação profissional dele. Conclusão: Instituições de ensino, professores e preceptores devem estar atentos às expectativas e às idealizações de seus alunos sobre o que é ser um médico e o papel desse profissional na sociedade, de maneira a promover intervenções que auxiliem em uma construção identitária mais saudável e mais resiliente às intempéries peculiares à profissão médica.

Avaliação da saúde mental em estudantes de Medicina durante suspensão das atividades acadêmicas na pandemia

PID: S1981-52712023000300201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Camelier-Mascarenhas Jesuino Queirós Brito Fernandes Almeida
Resumo Introdução: Durante a pandemia de Sars-CoV-2, medidas de distanciamento social e vários outros fatores de estresse foram responsáveis por impactos na saúde mental dos estudantes de Medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivos descrever o estado de saúde mental de estudantes de Medicina de uma faculdade do Nordeste brasileiro, no contexto da pandemia de Covid-19, investigar sintomas de ansiedade e depressão, e avaliar a resiliência e fatores associados. Método: Utilizou-se um método qualitativo e quantitativo transversal. Coletaram-se os dados por meio de questionário on-line aplicado a alunos matriculados na Faculdade de Medicina. Em seguida, os dados foram processados separadamente por meio de análises estatísticas quantitativa e qualitativa. Adotaram-se os seguintes instrumentos: Generalized Anxiety Disorder Screener (GAD-7), Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) e Wagnild e Young’s Resilience Scale (RS-25). Resultado: Cerca de um terço dos estudantes convivia com sintomas moderados ou graves de ansiedade, quase metade apresentava sintomas depressives de moderados a graves, e mais da metade foi classificada como tendo resiliência baixa ou moderadamente baixa. Conclusão: Nossos achados destacaram que houve dificuldade em manter altos níveis de resiliência e que a presença de depressão ou ansiedade estaria relacionada a menores escores de resiliência em estudantes de Medicina durante o ensino a distância. Mais estudos são necessários para estabelecer um nexo de causalidade com a pandemia.

Avaliação de atitudes relacionadas ao atendimento humanizado pelos estudantes de Medicina

PID: S1981-52712023000300203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Cardoso Pereira Soares Soares Cardoso Rabahi
Resumo: Introdução: O atendimento médico usual tem sido caracterizado por atitudes centradas no profissional e na doença, pouco se preocupando em focar o contexto psicossocial e as expectativas do paciente. Entretanto, o atendimento médico que procura abranger mais globalmente a perspectiva do paciente tem se mostrado mais eficiente ao promover maiores benefícios. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar as atitudes de estudantes de Medicina a respeito da relação médico-paciente. Método: Trata-se de um estudo transversal que avaliou as atitudes de acadêmicos do quarto período de Medicina em relação à atenção aos pacientes a partir da aplicação da Escala de Orientação Médico-Paciente (EOMP) e de questionário com características sociodemográficas e curriculares. Os dados foram analisados no software Statistical Package for Social Science (SPSS), e utilizaram-se o teste de Mann-Whitney, o teste de Kruskall-Wallis com post hoc de Dunn e o teste de qui-quadrado. Resultado: Participaram do estudo 83 estudantes de Medicina, com prevalência maior de alunos do sexo feminino (74,7%) e que declararam renda familiar inferior a dez salários mínimos (43,0%), bem como a religião católica (53,0%). A maioria dos acadêmicos (85,5%) apresentou atitudes centradas no médico e na doença (média de escores da EOMP < 4,57), com escores do domínio cuidar superiores aos do domínio compartilhar. As variáveis sexo, renda familiar, bolsa de auxílio financeiro estudantil e religião apresentaram associação positiva (p ≤ 0,05) com os escores da EOMP relacionados às atitudes centradas no paciente. Não foram observadas associações estatisticamente significativas dos escores da EOMP entre as variáveis faixa etária, cidade de procedência, realização de atividades de iniciação científica, estágios extracurriculares, atividades artísticas, antecedentes pessoais e familiares de doença grave, e escolaridade dos pais. Conclusão: O presente estudo demonstrou que os acadêmicos de Medicina avaliados apresentaram atitudes centradas no médico e na doença, com média de escores da EOMP abaixo do intervalo relacionado às atitudes da medicina humanizada.

Avaliação do impacto de ensino teórico de anestesiologia à distância para estudantes de medicina

PID: S1981-52712023000100203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Antunes Silva Júnior Cavalcanti Lima Jesus Pereira Chagas
Resumo: Introdução: Devido à alta taxa de contaminação do SARS-Cov-2 e ao surgimento de um grande número de casos, autoridades locais decretaram o fechamento de universidades e escolas, demandando a implementação de soluções inovadoras para a continuidade das atividades acadêmicas. Objetivo: O objetivo do presente estudo é avaliar o impacto e nível de satisfação do modelo de ensino teórico à distância de anestesiologia em alunos de graduação como método alternativo ao ensino presencial em virtude das dificuldades impostas pela pandemia. Metodologia: O método utilizado consistiu na realização de aulas online ministradas por professor especialista através da plataforma Microsoft Teams. O nível de conhecimento dos participantes foi avaliado por meio da aplicação de questionários antes e após cada módulo do curso. Resultados: Um total de 812 questionários foram preenchidos, tendo sido constatado um aumento significativo de 41,61% na média de acertos geral (3,94 vs 5,57; p < 0,001). Conclusão: O presente estudo trouxe o ensino teórico em anestesiologia à distância como foco principal e os seus resultados mostraram ganho de conhecimento considerável por parte dos participantes. Além disso, foram observados maiores níveis de satisfação em detrimento dos de expectativa.

Avaliação formativa no internato de Medicina

PID: S1981-52712023000400219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Pontes Freitas
Resumo Introdução: A avaliação formativa é um processo multifacetado que visa contribuir para a formação de um profissional autônomo e reflexivo. É um recurso poderoso na educação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer o processo de avaliação formativa no internato do curso de graduação em Medicina do campus Natal da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Método: Trata-se de uma pesquisa observacional com abordagem quantitativa, por meio de aplicação de questionário aos docentes e discentes do internato em modos on-line e presencial, no período de julho a dezembro de 2021. Resultado: Responderam ao questionário 27 docentes e 79 discentes. Os docentes têm uma percepção mais positiva que seus alunos, pois 51,9% deles assumiram realizar avaliação formativa, enquanto apenas 41,7% dos discentes do quinto ano e 35,5% dos discentes do sexto ano reconhecem que a realizam. Em relação à definição dos objetivos de aprendizagem, 70,4% dos docentes afirmaram que os apresentam, enquanto apenas 25% e 16,1% dos discentes, respectivamente do quinto e sexto anos, reconheceram que são apresentados a eles. Os docentes e discentes também têm percepções diferentes em relação ao feedback e ao uso de TIC na avaliação formativa, pois, enquanto 70,4% dos docentes assumiram que realizam feedback, apenas 27,1% e 16,1% dos internos do quinto e sexto anos, respectivamente, reconheceram receber com frequência o feedback. Já o uso de TIC foi percebido como razoável por 44,4% dos docentes e muito utilizado pela maioria dos discentes. Discussão de casos foi o método de avaliação formativa mais reconhecido por ambos. Conclusão: Os docentes e discentes têm percepções distintas sobre a realização de avaliação formativa no internato de Medicina, e ambos concordam que a capacitação docente é imprescindível para melhorar o processo avaliativo. Percebe-se a necessidade de mais discussões sobre o tema para criar uma cultura de avaliação formativa que mobilize docentes e discentes.

Conhecimento, atitude e prática dos médicos residentes de ginecologia e obstetrícia de Pernambuco sobre anticoncepção

PID: S1981-52712023000400212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Nascimento Costa
Resumo Introdução: Anticoncepção corresponde ao uso de métodos e técnicas com a finalidade de impedir que o relacionamento sexual resulte em gravidez. O médico residente em ginecologia e obstetrícia deve estar intimamente familiarizado com as múltiplas opções contraceptivas existentes, o modo de uso, os efeitos colaterais e suas contraindicações. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar o nível de conhecimento, atitude e prática dos médicos residentes de ginecologia e obstetrícia do estado de Pernambuco sobre anticoncepção, determinar sua autopercepção em indicar e contraindicar os métodos contraceptivos, avaliar as melhores indicações clínicas, como prescrevê-los e orientar seu uso. Método: Foi realizado um estudo de inquérito, do tipo corte transversal, com componente analítico. Durante o período de maio a julho de 2022, aplicou-se um questionário à população-alvo, composta pelos médicos residentes de ginecologia e obstetrícia do estado de Pernambuco, e obteve-se um tamanho amostral de 157 respostas, que foram analisadas no programa estatístico Stata, versão 12.0. Resultado: Os métodos contraceptivos mais utilizados por eles foram o ACO, o DIU Mirena, a camisinha peniana e o DIU de cobre. Mais de 90% da amostra afirmou conhecer os critérios de elegibilidade e o índice de Pearl, e pouco mais da metade respondeu corretamente aos casos clínicos sobre contracepção; 52,9% relataram que não faziam uso da dupla proteção, e 40,1% da amostra mencionou que nunca usava camisinha. A maioria dos entrevistados atestou possuir uma boa prática com LARC e com esterilização cirúrgica; uma boa parcela dos residentes entrevistados considerou-se apta a orientar todos os métodos anticoncepcionais. Conclusão: O conhecimento das indicações e contraindicações pode ser considerado satisfatório, apesar de chamar a atenção a presença de uma disparidade entre a autopercepção do saber e os acertos das questões a respeito de casos clínicos específicos. Em relação à atitude, as respostas foram controversas. No âmbito da prática, obtiveram-se os melhores resultados de autopercepção de habilidade, com destaque para a prática com os LARC e a esterilização cirúrgica. As autoavaliações demonstraram que mais da metade da amostra considerou seus conhecimentos, suas atitudes e suas práticas muito satisfatórios e/ou adequados.

Construção de curso sobre Mini-CEX na modalidade de ensino a distância para preceptores de residência médica

PID: S1981-52712023000400216 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Figueirêdo Maciel Pereira Silva Júnior
Resumo Introdução: A avaliação é primordial no processo de ensino-aprendizagem do médico residente. O Mini-CEX é considerado um instrumento apropriado para realizar uma avaliação formativa, permitindo um feedback educacional estruturado. Nesse contexto, os preceptores de residência precisam estar em contínuo processo de capacitação para melhor direcionar os seus residentes, e uma forma viável de capacitação é por meio do ensino a distância (EaD). Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e validar um curso na modalidade de EaD sobre Mini-CEX para preceptores da residência em mastologia. Método: Trata-se de desenvolvimento e validação de um produto técnico-educacional no formato de curso de capacitação e na modalidade de EaD. No processo de validação de conteúdo do produto, utilizou-se a técnica de grupo de consenso. A validação semântica foi realizada através de questionário de validação aplicado aos preceptores envolvidos na residência em mastologia. Resultado: Foi elaborado e validado um curso autoinstrucional e sem mediação, com carga horária total de duas horas. O curso teve aprovação do público-alvo por apresentar um escore médio global de 98% de satisfação e um alfa de Cronbach igual a 0,8. Conclusão: O curso desenvolvido e validado sobre Mini-CEX apresenta-se como opção relevante para a formação de preceptores de residência médica em mastologia, podendo se estender para qualquer serviço de residência médica. Ressalta-se que o curso na modalidade de EaD favorece a adesão do público-alvo apresentando um formato acessível para fortalecer o conhecimento sobre o tema, além de incentivar os preceptores a utilizar a ferramenta de avaliação educacional.
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