☰ Menu
Educ@

Busca por Índice

Filtro por título, resumo, autor, periódico e ano

Total: 41435 | Página 311 de 2072
0 resultados selecionados

Crianças e adolescentes com deficiência: desafios na formação médica

PID: S1981-52712023000200203 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Ambrosio Pedroso Puccini Souza
Resumo: Introdução: Amparar os direitos constitucionais das pessoas com deficiência inclui atender aos novos direcionamentos curriculares e exige um ensino superior que considere a diversidade em diversos contextos. Assim, os currículos de graduação de profissionais de saúde devem atender às necessidades multifacetadas das pessoas com deficiência de modo que transcendam o modelo biomédico e perpassem pela promoção da cultura inclusiva. As atitudes e os valores sobre a deficiência frequentemente influenciam o comportamento das pessoas, tornando imperativa a introdução desta temática. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever a abordagem nos currículos e as concepções de professores sobre crianças e adolescentes com deficiência em cursos de Medicina. Método: Trata-se de um estudo exploratório, transversal e de abordagem qualitativa que incluiu a análise documental de documentos oficiais dos cursos e páginas oficiais das universidades publicados até o primeiro semestre de 2021, e entrevistas de professores participantes do curso. A análise de conteúdo foi a técnica utilizada para o material das entrevistas. Resultado: A análise documental apontou nos tópicos gerais um direcionamento para uma formação humanística, com respeito às diferenças. Entretanto, quando a temática é a deficiência, o enfoque foi centrado nas questões biológicas. Nas entrevistas, identificaram-se os seguintes eixos temáticos: 1. a importância do Sistema Único de Saúde como espaço de formação médica; 2. a contribuição das Diretrizes Curriculares Nacionais na orientação das atividades dos docentes e destaque a pontos relevantes; 3. desenvolvimento de atividades de ensino voltadas à criança e ao adolescente com deficiência, com base nas experiências dos docentes; 4. concepção sobre a pessoa com deficiência e formação docente; 5. formação docente para o desenvolvimento de atividades de ensino sobre a criança e o adolescente com deficiência e conhecimento sobre as políticas públicas da área. Conclusão: Foi identificada uma fragilidade na abordagem da temática, com inserções pontuais sobre o tema, geralmente na perspectiva da doença e a partir de oportunidades surgidas. Entre os docentes, identificaram-se a predominância do olhar biomédico, a ausência de formação para a temática e a frágil inserção desta na prática acadêmica. Entretanto, houve reconhecimento da importância do tema e seu potencial em integrar a matriz curricular de forma transversal.

Desenvolvimento de um aplicativo para ensino de ultrassonografia pulmonar em emergência

PID: S1981-52712023000100218 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Macedo Silva Marçal Rolim Terra
Resumo: Introdução: A utilização de protocolos de ultrassonografia revolucionou o atendimento na medicina de emergência e pode auxiliar no diagnóstico de insuficiência respiratória no pronto atendimento. Assim, torna-se importante o treinamento médico para a utilização desses protocolos. Já foi demonstrado também que os aplicativos de smartphone médico têm resultados positivos na prática diária, além de serem uma ferramenta educacional potencialmente valiosa. Objetivo: Dessa forma, o objetivo deste estudo foi desenvolver um aplicativo em ultrassonografia pulmonar de emergência. O BLUE SIM é um aplicativo de celular que simula atendimentos de casos clínicos utilizando o protocolo Bedside Lung Ultrasound in Emergency, o qual pode auxiliar alunos e profissionais da área da saúde a usar a ultrassonografia pulmonar no atendimento da insuficiência respiratória aguda. A hipótese é que o BLUE SIM será um aplicativo usável e aceitável entre os usuários. Método: Após desenvolvido, avaliou-se o aplicativo com 36 voluntários: 18 fisioterapeutas, um médico, sete enfermeiros e dez acadêmicos de Medicina. Analisaram-se a usabilidade e a utilidade de uma aplicação móvel para o sistema iOS, utilizando como referências a escala de usabilidade System Utility Score (SUS) e o modelo de aceitação Technology Acceptance Model (TAM). Os dados obtidos foram tabulados e analisados pelo teste exato de Fisher ou Mann-Whitney. Resultado: Pela aplicação do questionário SUS (usabilidade), o aplicativo obteve um escore de 76,8%. Exclusivamente entre os fisioterapeutas, obteve-se um escore de 75%, não havendo diferença estatística entre o grupo geral de todos os profissionais emergencistas e o grupo somente de fisioterapeutas (p = 0,239). Segundo a análise de percepção de utilidade, 93,9% dos profissionais emergencistas responderam positivamente, enquanto, entre os fisioterapeutas, obteve-se um escore de 88,9% (p = 0,04). Conclusão: O aplicativo desenvolvido foi classificado de utilidade na aprendizagem do diagnóstico de insuficiência respiratória entre os profissionais, contudo eles consideraram que é necessário um treinamento para o uso da ferramenta.

Diretivas antecipadas de vontade na percepção de estudantes de Medicina

PID: S1981-52712023000200205 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Nakagawa Rodrigues Villegas Gurtat Castro Almeida
Resumo: Introdução: A autonomia do paciente na tomada de decisões a respeito da sua vida e das condutas diagnósticas e terapêuticas na sua saúde tem sido objeto de valorização social crescente. As diretivas antecipadas de vontade surgem, então, como um meio de o paciente expressar sua última vontade, salvaguardando o princípio da autonomia. No processo de aprendizagem acadêmica, na maioria das escolas médicas, o acadêmico se compromete com a vida, e toda a sua capacitação é fundamentada em aspectos técnicos, e apenas uma pequena parte do currículo, quando presente, abrange conteúdo específico voltado para a terminalidade da vida. A medicina evoluiu com importantes avanços tecnológicos que resultaram em melhorias na qualidade de vida, porém também trouxeram um prolongamento questionável da vida, com tratamentos muitas vezes injustificáveis e com a obstinação terapêutica de manter a vida a qualquer custo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a percepção de estudantes de Medicina sobre as diretivas antecipadas de vontade. Método: O instrumento de pesquisa foi elaborado com uma entrevista individual e semiestruturada, aplicada pela plataforma de pesquisa Google Forms. Por causa do período de pandemia pelo Sars-CoV-2, a pesquisa foi realizada de forma não presencial em conformidade com a legislação vigente nacional. Após fechamento da amostra por exaustão, analisaram-se as respostas de 13 estudantes. Resultado: Em conformidade aos elementos, passos e critérios metodológicos, as informações obtidas foram classificadas e dispostas em duas categorias: dignidade da pessoa humana e autonomia do paciente; e conhecimento sobre diretivas antecipadas de vontade. Conclusão: Essa análise qualitativa trouxe à tona importantes temas, como a regulamentação que norteia as diretivas antecipadas de vontade e os princípios que envolvem a bioética, a fim de consolidar o respeito, a autonomia e a dignidade do paciente que está, ou estará, passando pela terminalidade da vida.

Diretrizes curriculares do curso médico: o “GPS” precisa ser reprogramado?

PID: S1981-52712023000200802 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Nobre Leal Marinho Diniz Júnior Ferreira Pinto Júnior
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) constituem as direções para formação do currículo de um curso. As DCN do curso médico atual foram instituídas há quase uma década. Nesse período, o mundo passou por mudanças sem precedentes, e a educação médica não pode ficar para trás. Desenvolvimento: O ensino médico no Brasil teve nos últimos 100 anos três principais modelos de ensino: desde o flexneriano, passando pela Problem-Based Learning (PBL), até o atual ensino baseado em competências. O entendimento de que o aluno é o centro do processo ensino aprendizagem já está enfatizado nas DCN de 2014, mas será que esse conceito está sendo implementado na prática das instituições de ensino superior? Como as DCN podem ajudar a guiar de forma mais clara e efetiva uma formação médica que vá além do conhecimento técnico e lapidar um profissional humanizado, ético e com olhar para o indivíduo e para a comunidade? Será que precisaremos “reprogramar” o Global Positioning System (GPS), a rota, das DCN depois de enfrentarmos tantas mudanças decorrentes da pandemia da Covid-19? Conclusão: Apesar dos desafios, há crescente envolvimento do corpo docente das instituições de ensino superior nas melhorias necessárias para a formação médica atual.

Dispositivo com câmera para treinamento de intubação orotraqueal: possibilidade de ensino médico em período pandêmico

PID: S1981-52712023000300212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Cazanti Fontes Petta
Resumo: Introdução: A intubação orotraqueal é um procedimento importante no manejo da via aérea, principalmente quando realizada em situações de emergência. A videolaringoscopia é um artificio que facilita a visualização da glote ao auxiliar a intubação. Objetivo: Este estudo teve como objeto acoplar uma câmera de vídeo a um laringoscópio convencional do tipo Macintosh para possibilitar e orientar o treinamento da intubação orotraqueal. Método: O uso de uma câmera acoplada a um laringoscópio convencional permite a visibilização direta e indireta da glote. As imagens da câmera podem ser transmitidas por wi-fi e compartilhadas para dispositivos e plataformas eletrônicos, visando ao ensino presencial ou remoto da intubação orotraqueal. Resultado: A utilização do dispositivo artesanal como método de ensino de intubação orotraqueal permite ao docente ensinar a teoria do procedimento e orientar e corrigir a execução realizada pelo acadêmico. Esse feedback no treinamento prático pode ser realizado presencialmente ou por via remota. Conclusão: O uso do dispositivo artesanal de videolaringoscopia no ensino médico é uma ferramenta de baixo custo para aperfeiçoar o treinamento de intubação orotraqueal convencional.

ECG Tutor: desenvolvimento e avaliação de um sistema tutor inteligente gamificado para ensino de eletrocardiograma

PID: S1981-52712023000200210 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Pereira Leão Dermeval Coelho
Resumo: Introdução: Novas abordagens metodológicas têm sido sugeridas na tentativa de aprimorar a aquisição de habilidades em interpretação de eletrocardiograma (ECG), comprovadamente complexa e de difícil assimilação. Diante da expansão das metodologias ativas e do estímulo às inovações tecnológicas para o ensino médico, o uso de tecnologias de internet (e-learning) ganha força, destacando a utilização de plataformas com inteligência artificial, como os sistemas tutores inteligentes (STI), por sua capacidade de promover instrução adaptativa. Pesquisadores têm utilizado gamificação (técnicas de design de jogos) em conjunto com os STI, reportando maior engajamento. Objetivo: Buscando melhorar o desempenho de aprendizagem em ECG entre graduandos de Medicina por meio do desenvolvimento de novas metodologias e considerando os benefícios dos STI e do uso da gamificação na educação médica, o presente estudo objetivou explorar o interesse e a motivação dos acadêmicos de Medicina na utilização conjunta de tais tecnologias para estudar ECG. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratória e quantitativa, na qual protótipos do design gráfico de STI gamificado instrutor de ECG foram idealizados por professores do curso médico e avaliados por acadêmicos de Medicina de uma universidade pública e outra particular após aprimoramento para um formato interativo, com a contribuição de uma equipe interdisciplinar. Resultado: No primeiro momento, participaram da pesquisa 53 graduandos do quinto ao 11º período do curso. Reduziu-se esse número para 14 na segunda etapa. A análise mostrou aprovação nos aspectos relacionados à facilidade de uso percebida, à utilidade percebida, à atitude em direção ao uso e à intenção de uso. Evidenciou-se a premência de adaptação também para dispositivos móveis e aperfeiçoamento nos elementos de gamificação e estética. Conclusão: Os resultados obtidos permitem concluir que os alunos de Medicina demonstraram intenção de uso futuro do ECG Tutor, implicando a necessidade de desenvolvimento de uma solução computacional do sistema e mensuração do seu impacto no aprendizado dos estudantes.

Educação (remota) on-line e Covid-19: experiência de professores na educação médica mediada por metodologias ativas

PID: S1981-52712023000100216 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Dallabrida Oliveira Arruda
Resumo: Introdução: Em 2020, a fim de conter a progressão da pandemia do coronavírus, determinou-se o distanciamento social por redução da interação entre as pessoas. As instituições de ensino foram fechadas, e adotou-se o ensino-aprendizagem a distância aplicado por tecnologias digitais para a continuidade do estudo. O fechamento de uma universidade comunitária em Santa Catarina, no curso de Medicina, implicou uma situação disruptiva quanto ao formato de ensino, visto que se utilizam metodologias ativas que não haviam sido aplicadas digitalmente até o momento. Dessa circunstância, pergunta-se como o corpo docente percebe e vivencia essa nova realidade. Objetivo: Pretendeu-se conhecer a experiência de professores do primeiro ao quarto ano de graduação médica com metodologias ativas durante as atividades do ensino remoto no advento da pandemia do coronavírus para entender as repercussões na aprendizagem. Método: Trata-se de uma pesquisa de campo, com objetivo exploratório e abordagem quanti-qualitativa. O trabalho passou por apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa. Os participantes foram contatados eletronicamente para responder, na plataforma Google Forms, a um questionário dividido em duas etapas com perguntas objetivas e descritivas relativas à vivência deles no ensino remoto. A exploração de dados ocorreu por estatísticas, análise temática de conteúdo e análise de correlação, confrontando-se os resultados com o referencial teórico. Resultado: Responderam à pesquisa 29 professores. A maioria deles se sentiu ao menos parcialmente preparada para atuar no ensino remoto, e orientações e busca por auxílio não se correlacionaram com o preparo. Facilidades e fragilidades relacionadas à tecnologia foram observadas. Computador, celular e Google Meet foram os recursos mais utilizados. Materiais do presencial necessitaram de adaptações, não sendo satisfatórias em alguns casos. As atividades pedagógicas foram cumpridas dentro do proposto, entretanto, para dois terços dos docentes, houve prejuízo na qualidade do ensino, e metade deles mudou de conduta para mediação de aulas virtuais. Conclusão: A passagem para o ensino digital foi um desafio para professores. A aprendizagem foi comprometida, porém observaram-se benefícios e potencialidades. Como há um processo de mudança na sociedade com o propósito de consolidar a educação digital, são essenciais as devidas capacitações para apoiar esse processo em metodologias ativas.

Educação permanente em saúde para médicos da Estratégia Saúde da Família: percepções e necessidades

PID: S1981-52712023000400201 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Wheberth Farah
Resumo: Introdução: Este artigo baseia-se na dissertação de mestrado do Programa Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde/MPSF) em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, realizada pela primeira autora, intitulada Educação permanente para médicos da Estratégia de Saúde da Família de um município polo de Minas Gerais, cuja aprovação deu-se em junho de 2021. O artigo evidencia os resultados da pesquisa, cujo método é descrito a seguir. A educação permanente em saúde (EPS) propõe a inserção da aprendizagem no cotidiano e ambiente do trabalho, promovendo a qualificação daqueles que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). Apresenta-se como uma proposta de aprendizagem no trabalho, em que o aprender e o ensinar incorporam-se às práticas diárias das organizações. Objetivo: Este estudo teve como objetivo geral analisar as percepções dos médicos da Estratégia Saúde da Família (ESF), de um município-polo de Minas Gerais, sobre a EPS e suas necessidades. Método: Descritivo e exploratório com abordagem quanti-qualitativa. Participaram 52 médicos da ESF. A coleta de dados foi realizada em duas etapas: na primeira (quantitativa), aplicou-se um questionário com perguntas fechadas e abertas, e, na segunda, realizou-se entrevista semiestruturada. Na etapa quantitativa, os dados foram processados por análise descritiva e, na qualitativa, por meio da análise de conteúdo, do tipo análise temática, utilizando-se do software IRAMUTEQ, e emergiram duas categorias. Resultado: Verificou-se que o perfil médico necessário coaduna com o currículo baseado em competências da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. De acordo com os participantes, a EPS tem sua origem nas necessidades do trabalho, e há a expectativa de que ela, depois de devidamente desenvolvida, promova as transformações pertinentes. Conclusão: Na realização deste estudo, verificou-se que há prementes necessidades de EPS e que um importante percurso deve ser desenvolvido para que efetivamente o dispositivo seja utilizado, de modo a modificar e qualificar as práticas na ESF.

Emprego de tecnologias computacionais (Weblab) como suporte às práticas laboratoriais em curso de Medicina

PID: S1981-52712023000200402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Euphrásio Hirata Fernandes Silva Matieli
Resumo: Introdução: As escolas de Medicina buscaram maneiras factíveis de introduzir melhorias no processo de ensino-aprendizagem, especificamente no ensino remoto, durante o período de isolamento social ocasionado pela pandemia do novo coronavírus Sars-Cov-2. Um dos maiores desafios encontrados foi a estruturação das aulas práticas laboratoriais, essenciais à formação médica, em face dessa nova realidade. O Weblab, um sistema de automação remota concebido, desenvolvido e instalado para substituir as aulas práticas presenciais, apresentou-se como uma possível alternativa para o cumprimento da carga horária estabelecida pelo MEC. Relato de experiência: A experiência ocorreu nas aulas práticas de Anatomia, nos primeiros semestres de 2020 e 2022. Em 2020, em virtude da necessidade de realizar atividades laboratoriais, respeitando as regras de distanciamento social, desenvolveu-se um sistema composto de hardwares e softwares que objetivava a realização a distância de observação e manipulação de peças anatômicas como alternativa às práticas laboratoriais presenciais. Nessa proposta, além da análise detalhada das peças, o discente conseguia armazenar as imagens e enviá-las para o seu e-mail, contribuindo para executar os exercícios específicos indicados pelo professor. Discussão: O projeto contribuiu para aumentar a motivação dos alunos, em face da dinâmica interação docente-discente estabelecida remotamente. Os resultados das avaliações qualitativas realizadas com dez alunos indicaram que a nova atividade remota era amigável e de fácil realização. Na perspectiva dos alunos, também houve melhoria no processo ensino-aprendizagem. No entanto, seria ainda necessário o emprego de métodos estatísticos de avaliações quantitativas, em uma população maior, utilizando grupos de controle, para comprovar os benefícios no processo ensino-aprendizagem. Conclusão: A plataforma Weblab Anatomia demonstrou que o emprego de tecnologias no ensino pode ajudar como um apoio às aulas práticas laboratoriais presenciais ou mesmo como modelo a ser operado a distância, em atenção às situações de pandemia, de acordo com as orientações sanitárias. Os resultados qualitativos apresentam aspectos importantes e positivos dessa experiência.

Ensino da anatomia: dissecção em associação com a tecnologia no curso de Medicina

PID: S1981-52712023000200801 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Vieira Akamatsu Jácomo
Resumo: Introdução: Um estudo de 2010 apontou as necessidades futuras da educação médica, com conteúdos e práticas integrados, fomentada pela tecnologia educacional virtual e pela prioridade na competência, não no tempo. A anatomia, indistinta de outros fundamentos da medicina, enfrenta restrições à dissecção de cadáveres. Objetivo: Ensaio sobre o ensino da anatomia em contextos clínicos e com emprego de tecnologias. Método: Utilizaram-se a plataforma PubMed da National Library of Medicine e os descritores ((anatomy [MeSH Terms]) AND (method, teaching [MeSH Terms])) AND (surgery [MeSH Terms]). Resultado: Há indicação de 316 artigos no período 2000-2022 (junho de 2022). A principal pergunta sobre o ensino de anatomia refere-se à substituição da técnica de dissecção e, por consequência, do uso do cadáver. Estudos sugerem a manutenção do uso da dissecção, da prossecção e de maior uso de meios digitais e modelares. Conclusão: O material cadavérico deve ser garantido com maior uso da prossecção, com a dissecção sendo dirigida ou eletiva. Realidade virtual e material de prossecção devem ser assimilados como instrumentais e supervisionados por anatomistas qualificados e enriquecidos pela interpretação e aplicabilidade clínica.

Ensino da pesquisa científica na graduação médica: há interesse e envolvimento dos estudantes?

PID: S1981-52712023000300209 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Santos Carvalho Freitas Junior Oliveira Cunha Avena
Resumo: Introdução: O conhecimento sobre pesquisa científica e a compreensão dela são habilidades que devem ser desenvolvidas por todos os profissionais de saúde. Especificamente na Medicina, essas habilidades compõem uma parcela importante da graduação e da educação médica continuada. Considerando que a formação médica possui estreita relação com a compreensão sobre evidências científicas, torna-se relevante analisar o envolvimento dos estudantes de Medicina com as atividades científicas durante o curso. Objetivo: Este estudo teve como objetivos verificar o interesse e o envolvimento em pesquisas científicas entre os estudantes de Medicina por meio da análise do perfil acadêmico e das atividades extracurriculares realizadas, avaliar a produção científica e identificar as motivações e dificuldades enfrentadas. Método: Trata-se de um estudo transversal, realizado com estudantes de Medicina de Salvador, na Bahia, maiores de 18 anos. Aplicou-se, por meio do Microsoft Forms, um questionário virtual, estruturado e anônimo contendo 21 perguntas acerca do perfil acadêmico e das atividades extracurriculares realizadas, além de dados sobre a produção científica e as motivações e dificuldades enfrentadas pelos estudantes. Resultado: Dos 460 estudantes participantes, houve predominância de mulheres (63,3%), com idade de 24,1+6,1 anos, cursando os ciclos básico (45,4%) e clínico (46,7%), que não possuem desejo prévio de trabalhar com pesquisa (54,8%). Dentre os participantes, 54,6% integraram ligas acadêmicas, 31,1% possuem envolvimento com grupos de pesquisa e 29,1% participaram de monitoria. Verificou-se que apenas 33,9% dos estudantes possuem resumos publicados em congressos, 12,2% são coautores de artigos científicos e 7,4% são autores principais. O interesse em trabalhar com pesquisa aumenta durante a graduação (p = 0,010), estando os estudantes motivados para produzir cientificamente (66,1%). A experiência em pesquisa (27,4%) e o interesse genuíno na descoberta científica (20,9%) foram os principais fatores motivadores. Entretanto, 81,1% dos discentes identificaram dificuldades para produzir conteúdo científico e apontaram como empecilhos a orientação inadequada (16,0%) e a falta de tempo (15,5%). Não foi observada relação entre a motivação e a dificuldade para produzir cientificamente e o ciclo acadêmico em curso. Conclusão: Os estudantes de Medicina demonstram interesse e participação em pesquisa científica, entretanto aqueles que, de fato, estão envolvidos com atividades científicas representam a minoria.

Ensino em psiquiatria cultural: rumo a uma atitude decolonial

PID: S1981-52712023000200803 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Seabra Vieira Carvalho Macedo
Resumo: Introdução: O presente ensaio é baseado na experiência de ensino do Programa de Psiquiatria Social e Cultural da Universidade de São Paulo (ProSol)e em fundamentações teóricas do campo da psiquiatria cultural. Desenvolvimento: Neste ensaio, destaca-se a importância do ensino em psiquiatria cultural para a formação de residentes na psiquiatria. A psiquiatria brasileira, ao longo de sua história, ficou marcada pela absorção dos conhecimentos advindos dos países desenvolvidos com pouca preocupação com a realidade brasileira. O ensino dos aspectos culturais, dentro da psiquiatria, possibilita reativar a importância da realidade e especificidade brasileiras para o ensino dos residentes. Conclusão: A tese central deste ensaio é que o ensino de psiquiatria cultural é uma forma de decolonização do ensino, na medida em que torna os psiquiatras mais aptos para enfrentar os vários cenários clínicos de um país diverso e cheio de contradições como o Brasil.

Ensino médico on-line durante a pandemia em diferentes países

PID: S1981-52712023000200301 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Menezes Junior Farinha Diniz
Resumo: Introdução: Ao final de 2019, um dos grandes desafios do século XXI veio à tona e atingiu o mundo todo. O longo período de isolamento levou as pessoas a se adaptar a uma nova forma de trabalho e estudo. A mesma medida foi adotada pelos cursos de Medicina, o que resultou em novas metodologias de aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa, dados referentes ao processo de adaptação da educação médica on-line durante a pandemia. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura em que se utilizaram os dados das seguintes plataformas: PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). A pesquisa teve início em julho de 2021. Resultado: Inicialmente, com a aplicação dos critérios de inclusão, obteve-se um total de 841 artigos oriundos das bases de dados selecionadas. Após a exclusão de artigos duplicados, esse número foi reduzido a 242 artigos. Após a aplicação dos critérios de exclusão, chegou-se a 22 artigos selecionados para o estudo. Conclusão: Como a Medicina é um curso prático em sua maioria, é fundamental o contato físico dos estudantes com os pacientes, de modo a desenvolver habilidades essenciais para um médico de qualidade, tanto em técnicas da semiologia médica como na desenvoltura da relação médico-paciente. Porém, a necessidade de um modo de aprendizagem surgiu com a pandemia, e o ensino não podia parar. Diante dos pontos levantados na literatura pesquisada, o senso comum seria a aplicação de um método de ensino híbrido - on-line e presencial - (visando à otimização de tempo e ao rompimento de barreiras geográficas, sem deixar de lado a importância da prática clínica), excepcionalmente on-line (quando houver situações extraordinárias, a exemplo da pandemia de Covid-19) ou somente presencial (em regiões onde é inviável a aplicação do e-learning).

Ensino remoto emergencial na Medicina: aspectos positivos e negativos no ensino e na aprendizagem em tempos de pandemia

PID: S1981-52712023000100219 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Paulino Freire Ribeiro Nascimento Cunha Fernandes
Resumo: Introdução: O ensino remoto surgiu como ferramenta emergencial no processo de educação superior durante a pandemia da Covid-19. Nesse cenário, amplia-se a possibilidade de ensinar e aprender por meio das tecnologias da informação e comunicação (TIC) nos cursos de Medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa que esclareça os principais aspectos positivos e negativos encontrados no exercício do ensino médico, nessas condições atípicas. Método: A busca dos artigos se deu nas seguintes bases: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Embase, Education Resources Information Center (ERIC), Medline (via PubMed), Scopus e Web of Science. Resultado: Ao final dos processos de triagem e seleção, incluíram-se 69 artigos, dos quais foram extraídas informações quanto às características dos aspectos positivos e negativos de cada experiência de ensino remoto médico ofertado nesse período pandêmico. Entre os principais aspectos positivos, destacam-se a avaliação positiva do componente curricular pelos estudantes, a maior autonomia do aluno, a maior participação e comunicação entre os alunos, e a ausência de déficit de aprendizado. Entre os principais pontos negativos, observam-se a suspensão das aulas práticas, as complicações decorrentes do uso das tecnologias (conectividade, capacitação e organização) e a ausência de contato social. Conclusão: Observa-se que a autonomia e a autodisciplina discentes são fatores cruciais para o aproveitamento pleno de abordagem de aprendizagem remotamente, e talvez o aluno presencial clássico não estivesse preparado para tal mudança brusca. Ainda, percebe-se que, pela urgência de implantação dessa nova forma de aprendizagem, o ensino remoto não tenha tido tempo e maturidade o suficiente para que fosse aperfeiçoado ao ponto de ser considerado uma estratégia de educação médica aplicável em longo prazo. O ensino remoto foi crucial para que a formação de novos médicos não fosse descontinuada por um período de tempo tão extenso. Porém, o ensino remoto precisa ser reavaliado e aperfeiçoado como estratégia pedagógica que utiliza TIC para o ensino médico.

Estilos de aprendizagem de estudantes de graduação de diferentes profissões da saúde de uma instituição

PID: S1981-52712023000100208 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Cognuck Flauzino Elias Troncon
Resumo: Introdução: O conceito de estilo de aprendizagem deriva de teorias que consideram que as pessoas aprendem de maneiras diversas e que esse processo é melhor quando as estratégias de ensino e aprendizagem adotadas no ambiente escolar são mais compatíveis com algumas das suas características. Objetivo: Este estudo teve como objetivos determinar, em estudantes ingressantes na mesma instituição de ensino superior, em vários cursos de graduação na área da saúde, a frequência dos diferentes estilos de aprendizagem, categorizados segundo as quatro dimensões do referencial de Felder e Soloman (FS), e detectar eventuais diferenças associadas ao tipo de curso e ao gênero. Método: A população de estudo (N = 283; 190 mulheres) foi composta por ingressantes dos cursos de Medicina, Ciências Biomédicas, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição e Metabolismo e Terapia Ocupacional, com 68,2% deles com idade entre 18 e 20 anos. Os estudantes responderam a um questionário de caracterização sociodemográfica e ao Inventário de Estilos de Aprendizagem (ILS) de FS, que permitiu determinar as frequências dos vários estilos de aprendizagem e as suas relações com o tipo de curso de graduação e o gênero. Resultado: No conjunto de estudantes, houve predomínio dos estilos de aprendizagem “sensorial”, “visual”, “reflexivo” e “sequencial” nas dimensões “percepção”, “entrada”, “processamento” e “compreensão” da informação, respectivamente. Não houve, em nenhuma das dimensões, diferença estatisticamente significativa quanto aos estilos de aprendizagem que pudesse ser associada ao tipo de curso e ao gênero, embora as mulheres tenham apresentado significativo predomínio do estilo “reflexivo” na dimensão do “processamento”. Conclusão: Não foi possível estabelecer diferenças significativas entre os vários cursos de graduação das profissões da saúde, nem entre homens e mulheres, quanto aos estilos de aprendizagem predominantes nos estudantes, embora as mulheres tenham apresentado frequência significativamente maior do estilo reflexivo. Esses achados devem ser levados em consideração no planejamento das atividades de aprendizagem e, principalmente, no apoio pedagógico, dando oportunidade aos estudantes de conhecer os seus estilos de aprendizagem e ajudando-os a se adaptar melhor às estratégias empregadas em cada instituição.

Estratégias de ensino do raciocínio clínico nos cursos de Medicina do Brasil - revisão integrativa

PID: S1981-52712023000100302 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Tureck Souza Faria
Resumo: Introdução: O raciocínio clínico é considerado uma das principais habilidades que devem ser desenvolvidas pelos estudantes de Medicina, porque permite a elaboração de hipóteses diagnósticas e orienta estratégias investigativas e diagnósticas de forma racional. Embora os educadores tradicionalmente foquem o ensino no modelo hipotético-dedutivo ou analítico, muitos professores de medicina enfrentam no seu dia a dia o desafio de encontrar novas estratégias para ajudar seus estudantes a desenvolver o raciocínio clínico. Objetivo: Este estudo realizou uma revisão integrativa da literatura para identificar as estratégias utilizadas no processo ensino-aprendizagem do raciocínio clínico, nas escolas médicas brasileiras. Método: A metodologia utilizada consistiu em seis etapas: 1. elaboração da pergunta da pesquisa; 2. definição dos critérios de inclusão e exclusão; 3. elenco das informações a serem extraídas; 4. avaliação dos estudos incluídos; 5. interpretação dos resultados; e 6. apresentação da revisão. Resultado: A maioria dos trabalhos apontam que o ensino do raciocínio clínico é realizado por meio de discussões de casos clínicos, de maneira incidental, em diversas disciplinas ou por meio do uso de metodologias ativas, como PBL, TBL e CBL. Apenas três trabalhos apresentados em congressos demonstraram experiências relacionadas à implantação de uma disciplina curricular obrigatória voltada especificamente ao ensino do raciocínio clínico. O ensino do raciocínio clínico é priorizado no internato em relação às fases clínicas e pré-clínicas. Conclusão: Poucos são os estudos que analisam a maneira como se dá o processo ensino-aprendizagem do raciocínio clínico nas escolas médicas brasileiras. Embora mais estudos sejam necessários, podemos verificar a falta de conhecimento teórico sobre raciocínio clínico como uma das principais causas de dificuldade para o desenvolvimento dessa competência pelos estudantes.

Estudantes do curso de Medicina na pandemia da Covid-19: experiências por meio de narrativas

PID: S1981-52712023000100215 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Souza Tonholo Kajiyama Leite Pio Bettini
Resumo: Introdução: A pandemia causada pelo Sars-CoV-2 tem provocado repercussões econômicas, sociais e na saúde mental dos indivíduos com a instauração do distanciamento social. Consequentemente, as escolas médicas suspenderam atividades e readaptaram a estrutura da formação acadêmica, atingindo com maior intensidade os estudantes do quinto e sexto anos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as repercussões emocionais, sociais e na formação acadêmica e profissional, a partir do distanciamento social decorrente da pandemia da Covid-19, na perspectiva do estudante de Medicina dos dois últimos anos de uma escola médica, após paralisação de atividades presenciais. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa realizada em uma faculdade do interior paulista, com estudantes dos dois últimos anos do curso de Medicina, por meio de narrativas e com posterior análise de conteúdo temática, conforme Bardin e Minayo. Resultado: Foram analisadas 11 narrativas, sendo sete escritas por acadêmicos do quinto ano e quatro do sexto. Nelas, evidenciaram-se medo da pandemia e de suas repercussões, descrença com a situação do país e crítica ao comportamento de conhecidos. No âmbito acadêmico, houve a preocupação com a paralisação das atividades práticas em um momento próximo do final da graduação e a reflexão sobre a condição de ser um estudante de Medicina no internato durante a pandemia. Além disso, emergiu um sentimento de incapacidade no auxílio ao enfrentamento da crise sanitária e receio do contágio de si próprio e de familiares. Todavia, também foram relatadas necessidades de descanso, de reforço de vínculos familiares e de oportunidade para novos aprendizados. Conclusão: Em suma, a pandemia gerou inquietações a respeito das incertezas nos campos social, econômico, político e científico, as quais, somadas ao momento da formação dos acadêmicos de Medicina, contribuíram para dificuldades em relação à saúde mental. Não obstante, houve também a avaliação do período como positivo, pois propiciou tempo livre para aumento no rendimento dos estudos, além de oportunidade para realizar atividades extracurriculares.

Experiência de reforma curricular com participação da comunidade acadêmica e ensino baseado em competências

PID: S1981-52712023000300401 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Munhoz Klautau Cury
Resumo: Introdução: Repensar os processos de ensino-aprendizagem é tarefa contínua dentro da escola médica, devendo haver aplicação das melhores evidências. Embora as necessidades de mudanças sejam amplamente conhecidas, os meios para realizá-las não o são. Por isso, este relato objetiva descrever a metodologia utilizada por uma faculdade tradicional do ensino em medicina durante seu processo de reforma curricular, o qual contou com a participação ativa da comunidade acadêmica. Relato de experiência: Para a reforma da matriz, foi nomeada uma comissão composta por alunos, docentes e funcionários. Seguindo os princípios do Design Thinking, organizaram-se os conhecimentos prévios e estruturaram-se os processos de escuta dos diferentes sujeitos. Optou-se por desenvolver uma matriz baseada em competências, com disciplinas integradas horizontalmente e priorização de atividades práticas, de modo a permitir uma redução da carga horária global do curso. As reformas implementadas exigiram alterações institucionais complexas para além da matriz, como a mudança da cultura avaliativa, a implementação do portfólio e outras questões de currículo oculto. Discussão: Superou-se o desafio de criar processos flexíveis e sustentáveis porque a comunidade foi capacitada para colaborar na gestão do ensino. Para além de coordenadores e diretores, todos os agentes do processo de aprendizagem devem ser reunidos de forma horizontal com participação ativa na proposição de mudanças. Barreiras e distanciamentos em relação à literatura podem ser enfrentados, devendo-se admitir as limitações para preservar identidades próprias e garantir projetos viáveis. Conclusão: A formação de profissionais competentes é o objetivo dos currículos em medicina, que devem ser revistos continuamente. A reforma descrita permitiu o fortalecimento de vínculos com a comunidade, entregando um projeto representativo e adequado à realidade específica.

Feira das Cartas: integrando promoção, regionalização e gestão em saúde em atividade lúdica e interativa

PID: S1981-52712023000400402 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Caetano Gonçalves Silva Raimondi Paulino
Resumo Introdução: A educação médica, por meio de metodologias ativas, proporciona o ensino e a aplicação integrada de conceitos da saúde coletiva, como regionalização, promoção e gestão em saúde. Durante a pandemia de Covid-19, ao considerar a necessidade de adaptações de ensino para a manutenção da qualidade do aprendizado, o módulo de Saúde Coletiva III do curso de graduação em Medicina implementou a atividade remota “Feira Virtual das Cartas de Promoção da Saúde”, a qual proporcionou o desenvolvimento de habilidades importantes. Dessa maneira, objetiva-se, neste relato, expor o ensino teórico e a aplicação prática integrada dos conceitos e princípios de promoção, regionalização e gestão da saúde, importantes no estudo da saúde coletiva, por meio dessa atividade no ensino remoto. Relato de experiência: A atividade “Feira Virtual das Cartas de Promoção da Saúde”, desenvolvida no terceiro período, contou com quatro etapas. A etapa 0 consistiu em um encontro síncrono para que os docentes explicassem aos discentes as demais etapas e o desenvolvimento da atividade. A primeira compreendeu a leitura das “Cartas de Promoção da Saúde” e a confecção de produto ou ação factível, executável e aplicável para apresentarem na feira. A segunda parte foi composta por gerenciamento de recursos fictícios por cada equipe, considerando a qualidade e as necessidades dos produtos ofertados na feira. A última etapa consistiu na avaliação, por meio de feedback, entre docentes e discentes. Discussão: Por meio dessa dinâmica, os discentes aprofundaram seus conhecimentos acerca das “Cartas de Promoção da Saúde” e puderam aplicar, a partir delas, as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) em um contexto mais amplo e globalizado. Os estudantes potencializaram suas habilidades de gestão e criatividade, embora algumas limitações tenham sido observadas, como a falta de um conhecimento mais abrangente sobre “gestão em saúde”, o qual poderia ter aprimorado o aproveitamento durante a atividade. Conclusão: Os discentes puderam atuar de forma ativa na construção do conhecimento ao longo do processo, desenvolvendo habilidades imprescindíveis para a prática profissional. A atividade, de forma lúdica, proporcionou a integração de diversos conceitos em saúde coletiva, representando um exemplo de como a educação médica pode atuar de maneira integrativa e prática.

Formação inicial do médico que atua na atenção primária à saúde mental

PID: S1981-52712023000100212 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Ano: 2023
Autores: Rocha Calheiros Wyszomirska
Resumo: Introdução: O caminhar das escolas médicas em direção à transformação do modelo formativo tradicional em uma perspectiva inovadora e avançada de formação, inclusive no âmbito da saúde mental, vem sendo observado desde a implantação da Estratégia Saúde da Família (ESF). Objetivo: O presente estudo buscou compreender a formação médica inicial em saúde mental, sob a perspectiva do médico atuante na atenção primária à saúde (APS). Método: Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, descritivo, na qual, por meio de entrevistas com médicos atuantes na APS de um município do Nordeste do Brasil, produziram-se dados, cujo corpus foi tratado com base na aplicação da análise temática de conteúdo. A coleta de dados do estudo ocorreu entre junho de 2020 e junho de 2021, quando os profissionais médicos atuantes na ESF municipal foram convidados a participar. Trata-se, portanto, de uma amostra intencional, não probabilística. Dos sete médicos atuantes na rede municipal de saúde em nível da ESF, cinco foram incluídos no estudo. Resultado: Os resultados do estudo apontam a formação médica em saúde mental ainda vinculada a uma visão biomédica, em que se valoriza o cenário hospitalar como espaço de práticas e se subutiliza a APS no desenvolvimento de competências e habilidades profissionais, produzindo lacunas que afetam a atuação médica no contexto do cuidado de saúde mental na APS. Os relatos evidenciam, ainda, deficiências na formação relacionadas à valorização de questões pertinentes à medicalização e à dificuldade em conceder autonomia no cuidado em saúde mental. Conclusão: A formação médica em saúde mental deve aproximar-se da realidade de atuação do médico generalista, a fim de prepará-lo para as demandas que enfrentará em seu cotidiano na APS.
Reportar erro A