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Desafios, adversidades e lições para o ensino de Física para alunos surdos em tempos de pandemia de Covid-19

PID: S1984-686X2023000100306 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Teixeira Picanço Serrano de Andrade Neto Geller
RESUMO A pandemia de Covid-19 afetou bilhões de pessoas e ceifou a vida de milhões em todo o mundo, causando transformações profundas e dolorosas. Essa pandemia tem impactado vários setores da atividade humana, expondo inúmeras fragilidades e agravando problemas sociais e econômicos cronicamente negligenciados. Entre essas atividades, a educação foi uma das mais afetadas. Assim, neste artigo, é abordada a educação Especial, e mais especificamente a educação de surdos neste período de pandemia, a partir do relato de um professor de física de uma escola especial da rede estadual da cidade de Porto Alegre - RS. A análise dos dados foi realizada na perspectiva da Pesquisa Social Interpretativa e é apresentado neste artigo como esse professor tem vivenciado essa mudança inesperada no ensino,bem como o que ele vivenciou até agora, segundo as suas próprias perspectivas e o que considera mais relevante neste contexto. É traçado um paralelo entre essa realidade local e outros contextos educacionais disponíveis na literatura, tanto no país como no exterior. Apresentam-se também relatos sobre os desafios e adversidades encontradas, as soluções implementadas e as perspectivas desses profissionais, pais e alunos, sobre o ensino a distância de surdos. As melhores práticas, lições importantes sobre resiliência, adaptação e superação desses obstáculos e as perspectivas futuras para o ensino a distância desses alunos também são destacadas. Com este artigo, pretende-se auxiliar alunos e professores neste momento desafiador de distanciamento físico, ensino remoto e/ou híbrido.

Desenho Universal para Aprendizagem e a inclusão de estudantes com deficiência intelectual: uma revisão sistemática

PID: S1984-686X2023000100212 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Pieczarka Valdivieso
RESUMO Esta pesquisa discute aspectos para acessibilidade curricular para estudantes público-alvo da Educação Especial, e objetivainvestigar a utilização do Desenho Universal para Aprendizagem(DUA) como estratégia de diferenciação curricular para inclusão escolar daqueles com deficiência intelectual (DI). Para isso, foi realizada uma revisão sistemática da literatura dos últimos cinco anos, nas bases ERIC, Redalyc, Dialnet, Portal de Periódicos da Capes e Scielo, utilizando como descritores: “universal design for learning” e “intellectualdisability” em inglês, espanhol e português. Abusca se deteve a estudos empíricos na educação formal e com incidência no currículo do ensino fundamental e médio que apresentam conexão entre DUA e DI. Foram identificados 128 estudos que, após triagem, resultaram em quatro artigos científicos, que foram analisados em seu desenho metodológico, temático e na correlação com a teoria do DUA. Dois estudos apresentaram apenas menção ao desenho universal para aprendizagem, um deles descreveu sua utilização dentro de um modelo estruturado de avaliação baseada em evidências, e outro estudo aplicou as diretrizes do DUA na prática curricular com o público-alvo. Foi possível notar contribuições do DUA para as estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso ao currículo de estudantes com DI,principalmente com o uso da tecnologia e a possibilidade que ela traz das múltiplas linguagens e autorregulação. No entanto se mantém um número reduzido de pesquisas empíricas com o uso de DUA. Considera-se a necessidade de pesquisas futuras com o DUA no planejamento docente e na totalidade do desenho do currículo comum considerando a diversidade escolar.

Desenvolvimento de Audiogames acessíveis às pessoas com deficiência visual: uma revisão sistemática da literatura

PID: S1984-686X2023000100244 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Piloti Silva Silva
RESUMO Frente aos avanços na área dos jogos digitais, os audiogames, conhecidos por utilizarem o áudio como principal interface com o jogador, têm ganhado notoriedade não só por pessoas com deficiência visual, mas também pelo público em geral. Este nicho de mercado tem-se mostrado promissor diante ao cenário atual de desenvolvimento de jogos digitais tradicionais. Deste modo, este trabalho buscou analisar com maior profundidade, por meio de uma revisão sistemática da literatura, técnicas, modelos, métodos e/ou diretrizes que contribuíssem no processo de design e desenvolvimento de jogos digitais às pessoas com deficiência visual. Com base no método adaptado da Design Science Research e o PRISMA, esta revisão sistemática elegeu a partir de 4 bases de dados, um portfólio de 12 artigos em língua inglesa diretamente relacionados ao tema. Os relatos levantados demonstraram a concentração de estudos por grupos de pesquisa, com foco na área de jogos digitais acessíveis, especificamente o tipo abordado por essa revisão: “audiogames”. Por fim, esta revisão permitiu, além das contribuições para o referencial teórico deste trabalho, a compilação de 8 considerações de design e desenvolvimento com recorrência entre os autores investigados, um levantamento de técnicas de navegação e modelos de mecânicas utilizados em jogos digitais acessíveis.

Discricionariedade e políticas de difusão da Libras no ensino superior federal

PID: S1984-686X2023000100222 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Correia Azevedo
RESUMO A decisão do agente de linha de frente sobre quando se adequar às regras do Estado ou quando rompê-las em função de percepções sobre os indivíduos atendidos, pode ser compreendida como uma prática discricionária que influencia os resultados da política pública, indicando a importância de investigar tal fenômeno em ações realizadas na prestação de serviços públicos. No presente artigo, buscamos analisar percepções e julgamentos desses agentes ao fixar as identidades dos usuários, as identidades profissionais entre os agentes e as formas de atendimento na implementação da política de utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em uma instituição federal de ensino superior, com base no referencial teórico sobre agentes de linha de frente (Street-level bureaucracy). Por meio da análise de documentos, observação participante e entrevistas individuais, identificamos categorias e atributos que caracterizam o atendimento aos usuários, percebendo que a discricionariedade dos agentes tende a tornar a política mais inclusiva frente aos regulamentos sobre acessibilidade linguística.

Elaboração de Unidade Didática no Ensino da Língua Portuguesa como L2 para Educandos Surdos

PID: S1984-686X2023000100258 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Morais Muniz
RESUMO O ensino da Língua Portuguesa (LP) como segunda língua (L2) para educandos surdos tem sido um desafio para os docentes que atuam na educação de surdos, a falta de materiais didáticos para o ensino dessa língua como L2 têm causado entraves e fracassos nessa modalidade de ensino.Há materiais didáticos comercializados nos mercados editoriais, entretanto, não contemplam estratégias de ensino voltadas para o uso da LP como L2, ficando seu uso apropriado para um nativo da língua. Nessa perspectiva, o objetivo desse artigo é enfatizar a importância da produção e elaboração de uma Unidade Didática (UD) feita pelo próprio professor, sendo destinada às especificidades, características e necessidades linguísticasdoseducandos surdos. Em contrapartida, elaborar uma UD não é uma atividade simples, é essencial um conhecimento não somente pedagógico e didático, sobretudo, que atenda as necessidades de uso da língua pelos seus discentes. Toda ação docente precisa ser planejada, por isso nosso trabalho traz a UD acompanhada de um Plano de Aula (PA), para conduzir e guiar o trabalho do professor na aplicação da unidade. Esse artigo acadêmico busca orientar e incentivar professor na produção do seu próprio material didático, destacando o protagonismo docente na elaboração. As escolhas atentas, o planejamento e concretização da Unidade Didática fazem parte do caminho para surgimento do material. Assim, a proposta é mostrar a elaboração de UD e PA voltada para educandos surdos, trazendo em forma de exemplificação, um Plano de Atividades e uma Unidade didática voltada ao 5º ano do ensino fundamental, com base no gênero textual da Tirinha e o tema Tecnologia/comunicação.

Entre Portas Fechadas: frestas e brechas para pensar processos inclusivos na Educação

PID: S1984-686X2023000100203 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Rodrigues da Silva Callaide Souza Goretti Andrade Rodrigues
RESUMO Neste trabalho é tensionado o direito à educação para as crianças com deficiências, garantido nos documentos legais, com as narrativas das mães de crianças com diagnóstico do espectro autista e suas lutas para matricular as crianças na escola. Foi percebido que as interpretações que existem na lei, como “preferencialmente na rede regular de ensino”, deixam a responsabilidade também para outras instituições educativas, que muitas vezes, criam barreiras para matricular as crianças. Nas narrativas das mães, são recorrentes as portas fechadas, mas elas insistem, encontram frestas e brechas para habitar a escola. Mães que tem suas histórias de vida invisibilizadas, enfrentam lutas (a) morosas por uma educação inclusiva. Narrativas são utilizadas como recurso metodológico, inspiradas em Benjamin, Portelli e Certeau, e a dimensão do acontecimento a partir de Deleuze, para a produção de novas maquinações. A Educação Especial no Brasil é marcada pela medicalização, e os efeitos mais devastadores dessa cultura medicalizante são percebidos nos discursos de docentes que se apresentam como incapazes de ensinar crianças com deficiência. Urge que a escola desse tempo de agora considere as diferenças como condição de existência de cada um.

Formação de professores de creche e Transtorno do Espectro Autista: resultados de um curso presencial e a distância

PID: S1984-686X2023000100208 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Vilas Boas Garcia Denari
RESUMO As leis brasileiras ao longo da história educacional apresentam a inclusão de pessoas com deficiências como desafio a ser superado na educação de qualidade para todos. No entanto, apontamentos na literatura indicam que a formação dos professores e as condições existentes nas práticas escolares não estão adequadas para tal movimento, especialmente em Creches. Sendo assim, essa pesquisa teve como objetivo elaborar, desenvolver e avaliar os resultados de um curso de formação para professores de creche voltado para alunos com Transtorno do Espectro Autista nas modalidades presencial e a Distância. Apresenta-se como hipótese que um modelo didático individualizado, que incorpore aspectos fundamentais para formação de professores para educação inclusiva seja possível de replicação em modelos educacionais diferenciados e eficazes para uso por/para professores. Para tal, foi conduzida uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza aplicada e com objetivos exploratórios presencialmente e, em seguida, em modelo EaD. Em ambas formações foi utilizado o Sistema Personalizado de Instrução (PSI) como modelo didático. Os resultados indicaram que o modelo se mostrou eficaz para formação de professores de creches nas duas modalidades. Portanto, a elaboração de um curso que tem como base o conhecimento da demanda dos professores, o uso de recursos multimídias, a divisão dos conteúdos em pequenas etapas e avaliações progressivas do repertório dos alunos-professores representa um recurso importante para formação de professores para inclusão de crianças com TEA, tanto no curso presencial, quanto no modelo EaD.

Formação docente sobre inclusão escolar de alunos público da Educação Especial no Brasil: uma revisão integrativa

PID: S1984-686X2023000100240 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Lopes Cunha Brasil Nina Silva
RESUMO A pesquisa analisou a produção científica a respeito da formação docente sobre inclusão escolar de alunos público da Educação Especial, no contexto brasileiro. Para tanto, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, no Portal de Periódicos da Capes, com os cruzamentos: Educação Inclusiva (ou Inclusão Escolar ou Inclusão Educacional ou Educação Especial) e Formação de Professores (ou Formação Docente). Obteve-se 29 artigos que compuseram este trabalho. Identificou-se um aumento de publicações na área de formação docente referente à inclusão escolar, no período de 2016 a 2020, em periódicos QUALIS A2. A maioria dos estudos foi realizada na Educação Básica, com professores de sala comum, principalmente, na Região Sudeste. Verificou-se que atuais e futuros profissionais da educação não tinham formação ou não se sentiam preparados e que as formações recebidas variavam bastante. A colaboração entre professores e demais profissionais da Educação foi apresentada como uma das possíveis soluções diante das dificuldades da inclusão escolar. Concluiu-se que há necessidade de a legislação estabelecer conteúdos e carga horária para formação docente na área de inclusão escolar do público da Educação Especial, bem como há necessidade de ampliação desses estudos na Educação Superior e de investimentos em pesquisas na Região Norte, a fim de melhorar a qualidade das formações dos professores e, consequentemente, do ensino dos alunos público da Educação Especial.

Gestão escolar na educação inclusiva: a produção acadêmica stricto sensu paulista e uma realidade escolar

PID: S1984-686X2023000100209 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Lopes de Carvalho Matteussi Lino
RESUMO A inclusão escolar de alunos com deficiência condiz com o processo de reconstrução da gestão enquanto atuação democrática, participativa e reflexiva. Os gestores vivenciam as mudanças em vigor e são exigidos de atuar auxiliando na construção de uma comunidade inclusiva. Isto posto, esse estudo objetivou identificar o estado da arte do tema da gestão escolar com foco no viés inclusivo, associando a produção acadêmica sobre essa questão à atuação do gestor escolar. Para isso, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa em duas fases. Na Fase 1, realizou-se uma revisão sistemática com a análise das produções acadêmicas dos programas de pós-graduação stricto sensu paulistas públicos sobre o tema da gestão escolar em interface com a inclusão educacional. Na Fase 2, delineou-se um estudo de caso aplicando questionário a um gestor de uma escola particular de uma cidade de São Paulo, Brasil, com acompanhamento de sua rotina durante 2 dias semanais, por 1 mês, para observação de aspectos referentes à atuação no processo de inclusão escolar. A análise dos dados ocorreu por categorização associada ao software Iramutec. As pesquisas acadêmicas mostraram-se uma área de recente investigação, focada predominantemente em avaliar qualitativamente entrevistas por análise de conteúdo. Já as ações gestoriais permaneceram direcionadas para a solução de conflitos e ações burocráticas, com fragilidades na formação inicial e continuada, não acessando pesquisas acadêmicas sobre o tema e apresentando ações insuficientes. Imprescinde a continuidade de estudos que orientem a intervenção gestorial, bem como uma autonomia docente para a busca dos mesmos.

Grupo de apoio a pais como um recurso de apoio social na Intervenção Precoce na zona norte de Portugal

PID: S1984-686X2023000100229 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Pereira Ribeiro Soares Silva
RESUMO Na intervenção precoce, as práticas centradas na família são preponderantes, realçando-se o impacto positivo das redes sociais de apoio na capacitação, bem-estar, melhoria da coesão da família e dos padrões de interação criança - família. Destacam-se, assim, os grupos de apoio a pais como um recurso essencial de apoio social que permitem desenvolver relações de suporte positivas com outros pais e possibilitam o apoio mútuo com grande influência na competência social e emocional da criança e sua família. Com este estudo pretende-se conhecer, compreender e explorar: 1) As expectativas dos pais, quando da entrada, no grupo de apoio a pais; 2) Os benefícios que os pais consideraram obter pelo fato de participarem no grupo de apoio a pais; 3) As barreiras que identificam, no funcionamento do grupo de apoio a pais; 4) As recomendações de melhoria identificadas pelos pais, na dinâmica de funcionamento do grupo de apoio a pais. Este é um estudo qualitativo, com recurso a entrevistas semiestruturadas realizadas com 7 pais (5 mães e 2 pais) que recebem apoio numa Equipe Local de Intervenção da Zona Norte de Portugal. A análise e tratamento dos dados baseou-se na análise de conteúdo. A participação no Grupo de Apoio a Pais contribuiu para uma maior tranquilidade e empoderamento das famílias envolvidas, conduzindo a uma maior capacitação através de um aumento de informação e normalização das suas emoções.

Inclusão Educacional no estado do Piauí: um olhar a partir da Teoria Histórico Cultural

PID: S1984-686X2023000100277 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Mota
RESUMO A produção na área da educação especial Brasil vem sendo ampliada de maneira significativa nas últimas três décadas em virtudes dos avanços nas políticas educacionais e no reconhecimento ao direito a educação das pessoas com deficiência contrastando com os avanços das reformas neoliberais e as políticas privatistas que ameaçam a educação brasileira. Desse modo, o presente estudo se caracteriza como sendo de natureza qualitativa por meio de uma pesquisa documental e bibliográfica das produções realizadas no estado do Piauí sobre as temáticas da educação especial e inclusiva e que referenciem a Teoria Histórico Cultural, tanto na relação com a Pedagogia Histórico Crítica quanto com relação à Psicologia Histórico Cultural com foco nos estudos da Defectologia de Vigotski como matriz teórica, epistemológica e metodológica. Os resultados indicam que apesar de um número considerável de trabalhos na área estudada fazendo uso dos referenciais Vigotskianos nenhum deles fazem referência aos textos da defectologia que exploram os aspectos do desenvolvimento e da escolarização das pessoas com deficiência de maneira mais específica.

Inclusão de alunos público-alvo da Educação Especial em uma escola multisseriada do campo

PID: S1984-686X2023000100256 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Pereira Vieira Simões Medeiros
RESUMO O estudo objetiva problematizar questões que atravessam as práticas pedagógicas e os processos de inclusão de estudantes público-alvo da Educação Especial em uma escola multisseriada do campo, localizada no distrito de Aracê, município de Domingos Martins, estado do Espírito Santo. Busca fundamentação teórica em autores dedicados a constituir conhecimentos sobre a Educação do Campo e sobre Educação Especial. Adota a abordagem metodológica da pesquisa qualitativa e do estudo de caso, realizando a coleta por meio de grupos focais, com a autorização da municipalidade e da escola. Seleciona, como participantes, três professores em atuação na escola do campo analisada, que possui estudantes com deficiências matriculados em classes multisseriadas. Produz os dados no segundo semestre de 2019 e os registra em diário de campo e em gravadores. Os resultados apontam que as práticas pedagógicas de escolas do campo com classes multisseriadas sofrem atravessamentos da própria dinâmica/organização dessas classes, assim como dos modos como os currículos são planejados e praticados, da existência (ou não) de projetos político-pedagógicos e da implementação de redes de apoio à escolarização de alunos público-alvo da Educação Especial.

Infância medicalizada: o que a escola tem a dizer?

PID: S1984-686X2023000100252 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Christofari Freitas
RESUMO O que a escola tem a dizer sobre a infância medicalizada? A inflação diagnóstica nesse espaço fortalece classificações patologizantes de crianças ejovens que resistem enquadrar-se a um padrão que deslegitima suas singularidades. A “necessidade do diagnóstico médico” indica uma fragilidade do campo pedagógico em analisar e resolver os desafios do cotidiano escolar a partir de seu campo de saber. Considerando esse contexto, este artigo objetiva analisar a produção científica sobre a maneira como o processo de medicalização da vida escolar se atualiza e se fortalece no Brasil. Para tanto, deu-se uma pesquisa em busca de revisão Integrativa da Literatura sobre tema em foco entre os anos de 2015 a 2021 tomando como referência a plataforma SCIELO. O recorte temporal justifica-se por considerar a publicação do DSM-5 no Brasil um marco no processo de inflação diagnóstica de escolares. Há uma dinâmica comum entre as escolas seguindo certa ordem: queixa escolar, encaminhamento do estudante aos serviços da saúde, retorno dos especialistas - geralmente com diagnóstico, prescrição de fármacos e silenciamento da escola em relação ao debate pedagógico de solução dos desafios cotidianos. Criança medicada, via de regra, é criança esquecida, expropriada de sua infância, invisibilizada na sua potência de ser. Há uma tendência em buscar soluções na área da saúde para o que se apresenta como problema no ambiente escolar, seja referente às questões comportamentais, seja em relação aos processos de aprendizagem. As pesquisas denunciam uma prática escolar que busca apoio nos recursos medicamentosos com a perspectiva de uma solução rápida para os desafios apresentados.

Interações do aluno surdo no processo de inclusão

PID: S1984-686X2023000100217 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Nicioli Pereira Ribeiro Nascimento de Oliveira Martins
RESUMO Este artigo analisa o processo de inclusão de alunos surdos em escolas públicas e suas interações com outros alunos, intérpretes e professores. A metodologia utilizada na pesquisa foi o estudo de caso com a observação de campo de 4 estudantes surdos dentro de suas salas de aula e também nos momentos de intervalo em duas escolas públicas de Campinas. A partir da observação foi realizada uma análise quantitativa das interações destes alunos com as demais pessoas do contexto escolar. A pesquisa concluiu que, por ser único aluno surdo em sua sala de aula, o número de interações deste estudante é nitidamente maior com o intérprete, seguido das interações com alunos ouvintes, em terceiro lugar com os professores. Por fim, as interações em menor número foram realizadas com outros colegas surdos da escola, fora da sala de aula. Os resultados revelaram que o processo de inclusão dos alunos surdos nas escolas observadas restringe as possibilidades de interação no contexto escolar, o que pode dificultar a constituição de uma autoimagem positiva destes estudantes.

Justiça curricular e Educação Especial no Currículo Base da Educação Infantil e do Ensino Fundamental do Território Catarinense (2019)

PID: S1984-686X2023000100264 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Bonin Wuo Ferri
RESUMO A Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva orienta o desenvolvimento de políticas educacionais desde a primeira década dos anos 2000 no Brasil. No Estado de Santa Catarina, o Currículo Base do Território Catarinense da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, publicado em 2019, reafirma o caráter inclusivo da Educação Especial e destaca a justiça curricular como um de seus princípios. Este artigo tem por objetivo discutir a noção de justiça curricular e sua interlocução com a Educação Especial, no âmbito do Currículo Base do Território Catarinense (2019). A pesquisa, de abordagem qualitativa, teve como instrumento de produção de dados a pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados mostram que a justiça curricular é um tema recente, havendo poucas pesquisas na área da educação, sobretudo da Educação Especial. A análise do Currículo Base do Território Catarinense evidenciou que a justiça curricular, mencionada apenas na seção voltada à Educação Especial do documento, aborda, para além da ideia de flexibilização curricular, uma perspectiva de currículo que se assenta em pressupostos de equidade, democracia e justiça social que podem contribuir para novas formas de pensar a Educação Especial.

Matemática Inclusiva no Ciclo de Alfabetização: revisão sistemática de artigos empíricos

PID: S1984-686X2023000100236 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Cruz Abreu
RESUMO O objetivo desta pesquisa foi investigar, na literatura científica nacionalentre os anos de 2016 a 2020, o conteúdo matemático dos estudos empíricos, bem como estratégias bem-sucedidas de inclusão de estudantes com deficiência em turmas do Ciclo de Alfabetização. Considerou-se, como fonte de dados, pesquisas empíricas selecionadas junto à base de dados eletrônicos do Portal dos Periódicos CAPES do The Scientific Electronic Library Online (SciELO), do Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC) e do Index Psi Revistas Técnico-científicas (IndexPsi), acessados em setembro de 2020. Os estudos foram agrupados em três categorias de análise, sendo: utilização de tecnologias para o ensino de matemática para estudantes com deficiência; currículo e possíveis adaptações para o ensino de matemática para estudantes com deficiênciae práticas de ensino de matemática na perspectiva inclusiva em turmas do Ciclo de Alfabetização. Os resultados apontam a escassez de pesquisas com essa abordagem para turmas do Ciclo de Alfabetização. Estudos que discutem acessibilidade curricular foram a maioria e estão, ainda, ocupados na busca de um currículo adaptado ou mesmo de metodologias inovadoras, em contextos isolados, distante da realidade da sala de aula. Os estudos analisados evidenciam resultados satisfatórios quando na vivência de situações de ensino cooperativas e colaborativas, onde os estudantes tenham oportunidade de compartilhar das mesmas experiências que os demais colegas. A adequação dos desafios, as adaptações de ferramentas, bem como as intervenções intencionais do professor, foram determinantes para garantir a equidade das práticas e a vivência de uma educação inclusiva de qualidade social.

Necessidades de Apoio de Famílias de crianças e adolescentes com deficiência de um Centro Especializado em Reabilitação de Alagoas

PID: S1984-686X2023000100233 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Silva Nunes Silva Santos Barba
RESUMO Torna-se imperativo para os serviços que prestam assistência a família de pessoas com deficiência compreender as suas necessidades de apoio familiar. O objetivo deste trabalho foi analisar as necessidades de apoio dirigido a famílias de crianças e adolescentes com deficiência de um centro especializado em reabilitação do estado de Alagoas. Trata-se de um estudo transversal, descritivo, com abordagem quantitativa. Foram recrutadas 40 famílias de usuários com idade entre 0 e 17 anos, 11 meses e 29 dias. Para a coleta de dados foi utilizado o Protocolo da Escala de Avaliação das Necessidades da Família (ANF). Os dados foram tabulados em planilha eletrônica e analisados estatisticamente utilizando o Software R versão 3.6.1. Dentre os familiares participantes observou-se que a figura da mãe no cuidado era recorrente, sendo 92,5% cuidadores principais. A maioria das famílias apresentou necessidade de apoio intermediário no desempenho de tarefas básicas. Sobre o tipo de apoio que seria mais útil para as famílias os resultados mencionaram o apoio informativo como o que mais atenderia as necessidades da família. Em relação à classificação por fator da ANF, obteve-se que o maior número de itens indicando alta necessidade encontra-se entre a variável vida familiar, tempo livre e aquisição e gestão de produtos e serviços, tal como necessidade muito alta na área de educação. Os dados demonstram a necessidade de proposição de estratégias voltadas para desenvolvimento de redes de suporte para apoio as famílias das crianças e adolescentes com deficiência, na resolutividade de suas necessidades.

O Educador de Infância: Perceções e Práticas de Inclusão

PID: S1984-686X2023000100253 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Martins Pereira
RESUMO Estudos recentes alertam para o período que antecede a escolarização formal por ser um tempo crítico em termos de desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Por este motivo, a qualidade da educação pré-escolar tem sido uma prioridade para muitas organizações internacionais. Pesquisas sobre o assunto consideram que a qualidade da educação pré-escolar está diretamente dependente das conceções que os educadores de infância têm das suas práticas. Os estudos que avaliam as conceções dos educadores de infância sobre práticas inclusivas em idade pré-escolar são escassos e destes, a sua maioria enfoca a inclusão de crianças com NEE. Neste trabalho pretendemos avaliar as conceções dos educadores de infância sobre a educação pré-escolar inclusiva, à luz do novo paradigma de educação inclusiva, proclamado pela Declaração de Salamanca. Através de uma metodologia qualitativa,procurou-se dar ênfase aos pontos de vista dos educadores de infância e ao significado que têm sobre o assunto. Participaram no estudo 4 educadores de Infância de Jardins de Infância da rede pública do norte de Portugal.Foi utilizada a entrevista e o seu guiãobaseou-se no instrumento desenvolvido pela European Agency for Special Needs and Inclusive Education, no âmbito do projeto Inclusive Early Chilhood Education. Os dados permitem-nos refletir sobre as atitudes favoráveis à inclusão em idade pré-escolar. Permanecem, contudo, desafios à criação de ambientes inclusivos que não sejam obstáculos à educação pré-escolar de qualidade.

O que nos mostra a produção científica sobre as mulheres com deficiência no Ensino Superior?

PID: S1984-686X2023000100249 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Clér Estivalete Beche Mendes
RESUMO Este artigo apresenta os resultados do primeiro estudo realizado no âmbito do projeto de pesquisa em desenvolvimento no curso de Doutorado em Educação, no PPGE/Faed/Udesc, que objetiva “Compreender pela perspectiva de mulheres com deficiência, como são representados os princípios da ética do cuidado no enfrentamento ao capacitismo no Ensino Superior”. Como aporte teórico pautou-se nos Estudos Emancipatórios da Deficiência que contemplam, em toda a sua amplitude, os princípios anticapacitistas, partindo do princípio de investigar COM as mulheres com deficiência, não SOBRE elas. Este estudo de cunho qualitativo, caracterizou-se como uma revisão integrativa da literatura e objetivou analisar as produções científicas que tenham, como foco de pesquisa, as mulheres com deficiência nas Instituições de Ensino Superior, no período de 2016 a 2020. Utilizou-secomo base de dados, o Portal da Capes, a Revista de Educação Especial/UFSM e a Plataforma Google Acadêmico e, definiu-se,após aplicação dos critérios de inclusão, o total de 10 produções analisadas. Os resultados obtidos revelaram: a) baixa produção científica e de artigos sobre o grupo foco deste estudo; b) predominância do “capacitismo” na produção científica, ainda que não valorizado na maioria dos artigos analisados; e c) presença da interseccionalidade como epistemologia de base em algumas produções. Esses achados atestam o desafio político e ético envolvido nas pesquisas sobre e com as mulheres com deficiência nas Instituições de Ensino Superior e a necessidade de mobilizar e articular uma rede de pesquisadores para convergir esforços em favor desse grupo oprimido de forma sobreposta, tanto pelo gênero quanto pela deficiência.

O que revelam as políticas e os indicadores sobre a escolarização de alunos com deficiência múltipla no Brasil (1974-2021)?

PID: S1984-686X2023000100205 | Periódico: Revista Educação Especial (Online) (1984-686X) | Ano: 2023
Autores: Santos Rebelo Pletsch
RESUMO A escolarização da população com deficiência múltipla ainda enfrenta inúmeros desafios no contexto brasileiro. Nesse sentido, este artigo analisa os indicadores de matrículas de alunos com deficiência múltipla entre 1974 e 2021 e as orientações políticas para a educação dessa parcela da população. Em termos metodológicos, foram analisados documentos normativos e orientadores sobre o público da Educação Especial e levantamentos estatísticos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As análises mostraram, entre outros aspectos, aumento das matrículas de pessoas com deficiência múltipla em escolas comuns de ensino, falta de consenso sobre quem e quantos seriam esses alunos nos documentos oficiais, fragilidades nas diretrizes políticas sobre ações intersetoriais e estratégias educativas, sobretudo daqueles que demandam intervenções pedagógicas mais específicas, como o uso da comunicação alternativa, por exemplo, o caso das crianças acometidas pela Síndrome Congênita do Zika Vírus.
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