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DISCURSO EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO: nota sobre um inventário analógico de Julio Groppa Aquino

PID: S1982-03052023000200372 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Costa
Resumo Discurso educacional contemporâneo: inventário analógico, de Julio Groppa Aquino, reúne 5.000 excertos de 1.165 entrevistas concedidas por 896 expoentes do campo pedagógico brasileiro nas últimas quatro décadas. O corpus documental é composto de 10 revistas de referência na imprensa periódica educacional. Trata-se de um amplo quadro diacrônico, que diz respeito tanto à história das narrativas pedagógicas em curso no país quanto à da intrincada mecânica de governamento docente apregoado pela expertise educacional em destaque. Nesta resenha, destaca-se à apropriação e a montagem como estratégias de pesquisa com o arquivo, noção que o autor mobiliza desde Michel Foucault e seus interlocutores. Longe de se configurar como um trabalho de reposição e interpretação dos textos selecionados, a obra instaura um movimento de hibridação e transcriação discursiva, cujos efeitos sugerem novos estilos de presença para as práticas educativas na atualidade.

DOCÊNCIA, FAMÍLIA E CURRÍCULO: o vazio de sentidos para a docência na política curricular familista

PID: S1982-03052023000300023 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo O artigo discute o esvaziamento de sentidos docentes a partir do fortalecimento de políticas curriculares familistas no Brasil, as quais endereçando-se prioritariamente à família tradicional, como instância de ensinoaprendizagem, invertem a prioridade do interesse público para investir na ordem privada. Com o objetivo de analisar o esvaziamento discursivo da formação docente como um desdobramento da onda reacionárioconservadora da última década, realiza-se uma análise discursiva ancorada na pesquisa qualitativa documental, a partir de materiais do Programa Conta pra Mim que integra a Política Nacional de Alfabetização (PNA). Para tanto, este texto adota a perspectiva pós-estrutural da teoria do discurso de Laclau e Mouffe (2015) como arcabouço teórico-analítico, junto a considerações amparadas na filosofia da diferença de Derrida (2016) e no conceito de lógicas fantasmáticas de Glynos e Howarth (2007). Ante a isto, os achados permitem significar o Conta pra Mim como uma proposição de currículo embebida no familismo contemporâneo, afeita a sedimentação de sentidos neoconservadores e neoliberais e aliada aos interesses daqueles que intentam fragilizar os espaços-tempos da docência nas disputas por hegemonia educacional.

EDUCAR PARA A CRÍTICA, PLURALIDADE E MUDANÇA SOCIAL: notas desde a educação em direitos humanos

PID: S1982-03052023000500327 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Cardoso
Resumo Argumento neste ensaio que as aprendizagens ética, política e social em direitos humanos precisam ser tratadas como interdependentes, dialógicas e não estanques. Para tanto, questiono sobre a complexa - e ininterrupta - tarefa de pensar os fundamentos que dimensionam e orientam o ato de educar em direitos humanos. Ainda, problematizo algumas premissas como forma de ressaltar elementos que podem ser considerados como o núcleo ético que interliga a educação em direitos humanos e os processos de luta por direitos. Problematizo algumas condições que decorrem da formação de um amplo olhar sobre a dinâmica da vida social, que pode - e precisa - ser gestado no cotidiano de luta por direitos, na práxis que movimenta as novas subjetividades e a resistência política e educacional contra o autoritarismo. Por fim, amplio os pressupostos apresentados ao sugerir algumas intersecções entre o campo da educação em direitos humanos e os ideais de Paulo Freire, sobretudo acerca da problematização crítica do cotidiano.

EDUCAÇÃO E SURDEZ: a língua escrita como instrumento de exclusão social

PID: S1982-03052023000200148 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Lima
Resumo Este artigo é parte de uma pesquisa enveredada no campo da educação de surdos, cujo objetivo foi refletir sobre a importância de se pensar no ensino da língua escrita para esses estudantes. Por meio de um estudo teórico-conceitual, com caráter exploratório, pautado em autores como Senna (2010), Auroux (1992), Delacampagne (1997) e outros, a investigação se justifica pela necessidade de análise da predominância da língua portuguesa como instrumento de poder e canal único de conhecimento, questão que ultrapassa e se contrapõe às determinações legais que fortalecem o reconhecimento da língua de sinais em âmbito nacional. Os resultados alcançados sinalizam que, embora existam trabalhos que defendem o ensino bilingue para surdos no contexto escolar, muitos desses estudantes ainda são prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, socioafetivo, linguístico e político-cultural, o que reflete perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem. Diante dessas constatações, destaca-se a necessidade de se (re)pensar os métodos e/ou estratégias mais adequadas ao ensino da gramática da língua portuguesa para surdos, levando em conta os desafios e possiblidades de cada aprendiz.

EFEITOS INTERSECCIONAIS DAS VIOLAÇÕES DE DIREITOS: Territórios da pobreza infantil

PID: S1982-03052023000500058 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Eyng Pacheco Padilha
Resumo As infâncias e juventudes em situação de pobreza infantil multidimensional se encontram enredadas pelos efeitos interseccionais das violações de seus direitos. Essas problemáticas ficam evidentes em uma pesquisa empírica realizada no âmbito latino-americano que retrata essas violências cotidianas sobre os corpos e as vidas de meninas e meninos nas periferias do saber/poder. Tais vidas, ameaçadas, ignoradas e frequentemente descartadas (dados do Mapa da Violência), interseccionam as possibilidades identitárias juvenis. Cenas do cotidiano, captadas pelos dados de pesquisa que promoveu a escuta das falas de 504 crianças e adolescentes, situam traços identitários interseccionados pelas violências econômicas, políticas, sociais e culturais. A interseccionalidade dos efeitos das violências nas condições de vida das infâncias requer políticas e programas que concebam e efetivem o conjunto de direitos de modo indissociável, na perspectiva intersetorial. Assim, a garantia interseccional de direitos nos permite esperançar a superação dos riscos e ameaças das violências interseccionais que incidem sobre a infância.

EM RODAS DE MEMÓRIAS: as africanidades em infâncias

PID: S1982-03052023000500152 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pereira Lopes
Resumo Este artigo é o resultado de uma das muitas rodas de conversa que compõem a dissertação de mestrado: Rodas e fogueiras aos pés das grandes rochas - onde a escuta precede a fala: um exercício de escuta de múltiplas tradições orais do Oeste africano. Rodas de conversas que reuniram diversas vozes ao redor de fogueiras ancestrais e rochas milenares, e que aos poucos, nos levaram a compreender como a oralidade e o papel dos mestres das tradições orais se presentificam na constituição do ser humano e das sociedades. Aceitaram o nosso convite, vozes da velha e da jovem África, vozes de algumas das civilizações negras tradicionais do oeste africano, mais especificamente, da região sudano-saheliana. A dissertação dialogou com algumas obras do filósofo africano Amadou Hampâté Bâ e outros autores e autoras africanos, assim como com o djeli Sotigui Kouyaté e outros djeli e contadores de histórias da tradição do Manden. Por fim, encontros com africanos da região sudano-saheliana - estudantes, professores e contadores de histórias - acabaram por delinear a relevância da transmissão oral, dos mestres tradicionais e dos espaços formativos tradicionais nos dias atuais. Fruto de uma escuta ampliada pautada no protagonismo africano, o presente artigo configura-se num grande encontro - uma roda de conversa que se desdobra a partir de outras rodas - e pauta-se nas narrativas dos meus interlocutores africanos contemporâneos.

EMPRETECER O CURRÍCULO: por uma comunidade escolar [e não escolar] antirracista

PID: S1982-03052023000300055 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Rosa
Resumo O entendimento da escola como uma comunidade amorosa nos provoca a imaginar e produzir um currículo antirracista. Empretecer o currículo significa quebrar estereótipos e produzir outros imaginários sobre a população negra, seja brasileira ou afrodiaspórica. Se a representação negra no currículo tradicional é marcada pela vitimização, submissão, subalternização ou pela exotização dessa população, reforçadas pelas datas comemorativas, a Lei n. 10.639/2003 possibilita forjar outras representações emancipatórias. Por ocasião dos 20 anos de promulgação dessa Lei, pretende-se discutir a possibilidade de empretecer o currículo para construir uma comunidade escolar [e não escolar] antirracista. Desde uma perspectiva epistêmica decolonial, o texto explora e se ancora nas proposições de bell hooks, inspiradas nas ideias freirianas, para pensar um currículo antirracista.

ENCRUZILHANDO ESPAÇOS-TEMPOS ATRA-VERSADOS E(M) COTIDIANOS, JUVENTUDES, NEGRITUDES E QUILOMBO

PID: S1982-03052023000500166 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Andrade
Resumo O presente trabalho visa refletir acerca das questões que envolvem pensar sobre as juventudes quilombolas. Como parte de uma investigação ainda em andamento, objetiva-se no texto abordar aspectos e escolhas teóricas sobre a temática, bem como apontar caminhos e abordagens que vem sendo utilizadas, de forma a perceber as pluralidades que envolvem pensar cotidianos, juventudes e negritudes e quilombo. Parte-se principalmente dos conceitos de encruzilhada, encantamento e cotidianos. Entende-se e defende-se que, lançar os sentidos sobre esses jovens, é entendê-los como sujeitos plurais, não fixos ou determinados por uma ou outra categorização - o quilombola, o rural, o jovem - mas, forjando-se e rasurando-se nas invenções cotidianas, além disso, afirma-se que o cotidiano enquanto espaçotempo de resistência e potência, permite refletir sobre os sentidos ligados a ideia de juventude quilombola. Percebe-se que, no fazer cotidiano, seja nas lutas pelos direitos da comunidade, nos eventos organizados, na relação com os mais velhos, essas juventudes se constroem e dão sentidos próprios ao ser quilombola.

ENRIQUECIMENTO CURRICULAR COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA PARA ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: uma possibilidade de inclusão escolar

PID: S1982-03052023000100125 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Rech Negrini Santos
Resumo Tendo em conta o atual contexto da educação inclusiva, é fundamental que seja discutido a respeito de práticas pedagógicas para alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD), de modo a dar visibilidade para estes alunos que se encontram no espaço escolar já que, em alguns casos, eles não recebem o atendimento educacional especializado ao qual têm direito. Nesse contexto, este texto tem por finalidade debater sobre a importância da implementação de práticas pedagógicas inclusivas, focalizando no enriquecimento curricular como estratégia que visa proporcionar a suplementação curricular para os alunos com AH/SD. Para tanto, este estudo foi ancorado em uma abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso, apresentando os resultados da parceria realizada entre educação superior e educação básica, durante a qual foi realizado o enriquecimento para alunos com AH/SD, ao longo do ano de 2019. Os resultados apontam para a relevância da aproximação das duas instâncias educacionais, no intuito de viabilizar o diálogo e a construção de um trabalho conjunto com o objetivo de promover a inclusão escolar dos alunos com AH/SD. Além disso, verificou-se que o enriquecimento ofertado tanto de forma extracurricular (pela universidade) quanto intracurricular, na sala de recursos multifuncionais (pela escola), complementaram-se e foram relevantes para que esses alunos pudessem construir e/ou fortalecer sua identidade enquanto sujeitos com AH/SD, assim como terem garantido o desenvolvimento de suas habilidades e potenciais. Por outro lado, constatou-se que é necessário ampliar a prática pedagógica, buscando também o enriquecimento intracurricular para a sala de aula comum, envolvendo, desse modo, o professor regente.

ENSINO DAS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E A CONTEXTUALIZAÇÃO DE SABERES: uma análise do currículo de formação docente

PID: S1982-03052023000100291 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva Ramos
Resumo O presente trabalho teve como objetivo analisar os componentes curriculares do curso de licenciatura em ciências biológicas de uma universidade pública no estado de Pernambuco para assim descrever se estes contribuem para a sensibilização dos professores e valorização de conhecimentos culturas locais em aulas de ciências e biologia e atuar no desenvolvimento de estratégias que promovam um ensino de ciências/biologia contextualizado. Para isso foi feita uma análise ao currículo do curso, através de leitura das ementas, conteúdos programáticos, objetivos e competências contidos nos componentes curriculares, a partir de algumas abordagens, posteriormente foram feitas categorizações e análise de conteúdo das informações contidas nesses componentes. No geral, foram analisadas nove disciplinas por se relacionarem com as abordagens selecionadas e atenderem a proposta de investigação desse trabalho. As análises indicam que os componentes curriculares trazem abordagens vinculadas com a diversidade cultural, o que pode contribuir para uma formação que promova a sensibilização dos futuros professores para o diálogo intercultural nas salas de aula de ciências/biologia e metodologias que relacionem os conteúdos científicos às realidades locais escolares no que tange à diversidade cultural escolar, possibilitando assim um ensino contextualizado. Todavia, é preciso pontuar que nem sempre os elementos propostos são de fato vivencializados nos cursos de formação, necessitando assim de pesquisas mais pontuais que acompanhem o desenvolver das disciplinas cotidianamente.

ENTRELAÇANDO LINGUAGENS E HISTÓRIA: Práticas de tortura contemporânea a partir da visão do letramento crítico

PID: S1982-03052023000300230 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Aguiar Milea
Resumo O presente trabalho pretende conectar, de forma transdisciplinar, o ensino de linguagens e história, por meio da discussão e elaboração de uma proposta didática, orientada pelos preceitos filosóficos-educacionaisculturais do letramento crítico (DUBOC, 2014, AGUIAR, 2021, 2022, SHOR, 1999, BISHOP, 2014; CARBONIERI, 2016;,LEWISON, FLINT, VAN SLUYS, 2002,GONZÁLEZ-MILEA, GARCÍA-RUIZ, 2021). A ideia é refletir sobre as práticas de tortura institucionalizadas, sobretudo na época da ditadura militar brasileira (1964-1985), e entender suas heranças na contemporaneidade por meio de métodos de torturas veladas, cada vez mais sofisticadas. O importante aqui é nomear o que está ocultado, e construir com os estudantes caminhos alternativos para entender a história que a história não conta.

EU BRINCO, TU BRINCAS, NÓS BRINCAMOS: o corpo e o movimento na formação de professores para a educação infantil

PID: S1982-03052023000200309 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Camargo Dornelles
Resumo Tomamos como ponto de partida as inquietações acerca do brincar no cotidiano da educação infantil, considerando que a formação do professor é um importante elemento para a valorização e o redimensionamento do brincar. Nesta perspectiva, nos propusemos a investigar e discutir o brincar na formação de professores para a EI, permeado por uma compreensão das crianças, de suas infâncias e das instituições de ensino a elas destinadas. Trazemos uma discussão teórica sobre a temática, apresentando abordagens de estudiosos do brincar, do corpo em movimento e da formação de professores, articuladas a algumas falas de acadêmicos de pedagogia sobre brincar, o corpo e o movimento na sua formação, no curso superior. Neste emaranhado de falas, referências e análises, tratamos do brincar, do corpo e da acrobacia cotidiana que é educar e aprender com as crianças, considerando que a formação de professores de EI precisa estar vinculada ao movimento, à vivência estética e à compreensão da arte e das culturas infantis.

EXERCÍCIOS DE LIVROS DIDÁTICOS E AVALIAÇÃO DEMOCRÁTICA DAS APRENDIZAGENS

PID: S1982-03052023000100394 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Bomfim
Resumo Considerando o acúmulo de discussões desenvolvidas no campo dos estudos e pesquisas em/sobre avaliação educacional, a proposta desse ensaio é problematizar os exercícios e atividades propostos em livros didáticos como instrumentos de avaliação da aprendizagem. A partir de uma abordagem discursiva inscrita na pauta pós-fundacional (MARCHART, 2009) - que questiona os essencialismos transcendentais que assumem condição de fundamento último nos processos de significação do social - os argumentos mobilizados neste texto produzem deslocamentos de sentidos hegemonizados sobre significantes como aprendizagem - a partir das contribuições de Biesta (2017) e Gabriel (2016); e avaliação - a partir dos estudos de Álvarez Méndez (2001, 2017) e Fernandes (2009), reverberando na proposição de uma avaliação democrática das aprendizagens (MARTINS, 2020), na qual os exercícios de livros didáticos assumem a condição de ser um de seus instrumentos por consistirem em espaços privilegiados para feedback e regulação.

EXERCÍCIOS PARA UMA FORMAÇÃO DOCENTE INVENTIVA COM O CINEMA E A PSICOLOGIA

PID: S1982-03052023000300154 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Omelczuk
Resumo O artigo apresenta proposições e resultados de pesquisas para o campo da formação docente inventiva (Barbosa, Dias e Peluso, 2013; Dias, 2009, 2011, 2012; Kastrup, 2005) desenvolvidos com o cinema (Bergala, 2008; Fresquet, 2013; Migliorin, 2015) junto à disciplina de Psicologia da Educação, a qual é oferecida para diferentes cursos de licenciaturas. Para tanto, são definidos os fundamentos epistemológicos que sustentam a proposta de uma formação inventiva, além de referências e pesquisas sobre o ensino de psicologia e conteúdos que integram a ementa dessa disciplina nas licenciaturas, destacando modos de relação com esses saberes e suas políticas cognitivas. Em seguida, são apresentados os filmes O garoto selvagem (1969), de François Truffaut, e Jonas e o circo sem lona (2015), de Paula Gomes, que intensificam temas clássicos do campo psicológico para a formação de professores. Posteriormente, são expostos dois exercícios de criação cinematográfica realizados com esses filmes e as contribuições dessas atividades para uma formação docente inventiva com o cinema e a psicologia.

EXPANSÃO E EVASÃO: as ambivalências do ensino superior no Brasil

PID: S1982-03052023000400200 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pfeiffer Prestes Santos
Resumo Nas sociedades modernas, a educação ocupa uma função estratégica, tanto para o desenvolvimento econômico, cultural e social, como na construção de identidades individuais e suas chances na vida. A educação superior é, nas sociedades atuais, a principal responsável pela formação pessoal e profissional de indivíduos para o desenvolvimento científico-tecnológico, cuja expansão se tornou um fenômeno global que abrange todos os países do mundo. O Brasil, nas últimas décadas, impulsado por uma política educacional expansionista, apresentou um crescimento extraordinário de matrículas e instituições conduzido, sobretudo, pelo setor privado. No entanto, se observou, um forte crescimento das taxas de evasão em todos os setores do ensino superior. Frente a essa situação, o presente estudo objetivou analisar, adotando os procedimentos metodológicos da pesquisa de natureza quantitativa, a relação entre expansão e evasão universitária no Brasil até o ano 2019, bem como desenvolver hipóteses no tocante às causas subjacentes desse fenômeno. Foi feito um levantamento, por ano, dos registros censitários de evasão existentes na base de dados do INEP/MEC, no período de 2000-2020, posteriormente agregados ao nível do sistema do ensino superior para ser analisado o comportamento da evasão nesse Sistema. Se utilizou o software SPSS que, em sincronia com os estudos e cálculos propiciados pelo próprio INEP, permitiu, mediante um modelo longitudinal dinâmico, as análises estatísticas observando-se as variáveis e indicadores referentes a ingresso, conclusão e abandono por ano, diferenciando-os em setor público e privado. Como hipóteses, atribui-se que o despreparo do alunado para acompanhar as aulas; a falta de identificação com o curso ou desinformação na opção por uma carreira profissional; a falta de condições financeiras ou insegurança de obter um trabalho ao término do curso, contribuem para provocar a evasão. Que sempre haverá jovens que não conhecem ainda sua própria vocação; que entram na faculdade por pressão de familiares e amigos ou por falta de alternativas; que têm uma imagem dos conteúdos e exigências de um curso fora do real ou que não é considerado atrativo para o mercado de trabalho. Conclui-se que o desafio de reverter a tendência de declínio da produtividade concomitante com o aumento da taxa de evasão continua sendo para todos os atores e stakeholders a prioridade absoluta nos próximos anos.

EXPERIÊNCIA ESTÉTICA DESCOLONIZADORA: desenvolvimento da consciência de si e do outro

PID: S1982-03052023000500019 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pissinatti Mori
Resumo O trabalho com o texto literário na sala de aula constitui uma ferramenta para o desenvolvimento de um sujeito reflexivo e crítico. A experiência estética descolonizadora se apresenta como um dos caminhos possíveis nesse processo. A pesquisa teve por objetivo identificar os contrastes nas produções de surdos e ouvintes e o desenvolvimento da consciência de si, a partir da intervenção pedagógica com a literatura. Para tanto, foram utilizados os pressupostos de Lev S. Vigotski, em diálogo com autores dos estudos póscoloniais. A pesquisa foi realizada com alunos surdos e ouvintes de uma escola estadual de ensino fundamental II. A metodologia pautou-se nos pressupostos de Yves Lenoir para a intervenção pedagógica e de Rildo Cosson, no que concerne às etapas da sequência básica. A análise aprofundou os dados obtidos na etapa da interpretação vivenciada na sequência básica. Os resultados indicam o texto literário como espaço de desenvolvimento da consciência de si e do outro, descolonizando o preconceito em relação ao diferente e oportunizando, assim, uma experiência estética descolonizadora de práticas excludentes.

FECHAMENTO DAS ESCOLAS DO CAMPO: entre os territórios de articulação, resistência e luta

PID: S1982-03052023000100330 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Oliveira Silva Silva
Resumo Neste artigo, busca-se promover uma reflexão a partir da análise do papel organizacional da sociedade civil na luta contra o fechamento das escolas do campo, com o objetivo de traçar um panorama sobre as articulações em defesa da educação do campo e apresentar um estudo de caso, referente ao processo de resistência e luta relacionada à reabertura da Escola Municipal Maria Emília Maracajá, localizada no sítio São José do Bonfim, no munícipio de Areia, Paraíba. Os pressupostos teóricos que fundamentam esta pesquisa ancoram-se nos estudos de Arroyo (2008, 2014), Caldart (2008), Molina (2008), e outros estudiosos que se debruçam e contribuem nos territórios da educação do campo. A base metodológica utilizada orienta-se por meio da abordagem qualitativa e da pesquisa participante, a partir dos estudos de Brandão (2006) e Yin (2001). Os dados observados no censo deixam explícita a opção pela negação ao direito à escola nos territórios camponeses, à medida que há uma crescente no fechamento das escolas do campo, com destaque para a região Nordeste. Apesar disso, a sociedade tem-se organizado em rede e empenhado esforços para alterar essa realidade e alcançar conquistas a partir da luta contra o fechamento dessas escolas. A reabertura da Escola Maria Emília Maracajá é reflexo dessa organização e demonstra o poder da articulação dos sujeitos em defesa de seus direitos.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO: notas para pensar o educar na tensão da diferença

PID: S1982-03052023000300305 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Pilan
Resumo O objetivo deste ensaio é pensar a formação de professores(as) com a filosofia da diferença, disparando alguns sentidos possíveis que este atravessamento pode fazer surgir. Há um esforço neste trabalho em pensar outras expressões de vida docente, mais atentas aos desatinos da diferença, e que precisam ser disparadas: estes modos outros de vida educadora só podem ser ousados, subversivos, clandestinos e provocadores da formação de professores(as) em seu formato hegemônico, constituído pela tríade religiãociência-lei (CORAZZA, 1999). A filosofia da diferença rasga os tecidos e modelos hegemônicos de enquadramento social, fazendo ver os fluxos inventivos e criadores da vida em diferenciação, que pede passagem. Tal provocação ecoa também na educação escolar, na formação de professores(as). A fluidez da vida, dos corpos em seus fluxos vitais, se vista para além dos modelos, pode deslocar uma vida docente ao interesse mais pelo encontro com o outro, do que pelo julgamento do outro. Assim, dar atenção à diferença por parte de uma vida docente é uma disposição exigente e inventiva, em que a produção de subjetividade do(a) professor(a) torna-se sua mais notável tarefa formativa: escavar-se a si, resistir àquilo que se é para criar outro(a) de si mesmo. Dispor-se a constante escavação de si envolve fluxos desviantes dos modelos que habitam uma vida educadora, implica a constante preocupação em escapar por linhas de fuga que criem fendas e cesuras na uniformidade e homogeneização curricular dos processos educacionais escolares. Pensar a formação de professores(as) na tensão da diferença faz fluir outros sentidos possíveis em que a formaação se desloca pela via da alteridade, e não apenas se molda pela via da identidade oferecida pelos modelos. São possíveis formações outras: inventivas e criadoras, em que se duvida do educador(a) que se é, inventase outro(a) de si mesmo(a), por meio de um cuidado com sua presença ética-estética-política no mundo e nos territórios escolares. Por fim, são expostas algumas divagações sobre possíveis técnicas existenciais que podem ser potentes, subversivas e inventivas na vida docente que se arrisca a educar em meio à vida e à diferença, e não apenas submete-se aos modelos.

FORMAÇÃO DOCENTE A DISTÂNCIA: um movimento histórico sob a perspectiva das teses e dissertações

PID: S1982-03052023000200360 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Diniz Baptista
Resumo O fenômeno problematizado a seguir tem sido alvo das reflexões de diversos pesquisadores, como atestam as teses e dissertações ora discutidas. A formação de professores a distância caminha a passos largos e o objetivo deste artigo é evidenciar o movimento histórico, portanto, contraditório, que marca o processo em curso, sob a perspectiva das produções acadêmicas desenvolvidas em universidades brasileiras, durante as duas primeiras décadas do século XXI. Foram analisados 21 desses trabalhos desenvolvidos entre os anos de 2006 e 2021, tendo como amparo metodológico o materialismo históricodialético, a partir do qual o pesquisador é capaz de identificar as contradições do fenômeno abordado. Os resultados indicam, entre outros aspectos, a vertente democratizante da modalidade em questão sem negar, entretanto, as ações consideradas danosas à formação docente, a exemplo da massificação muitas vezes inerente aos cursos desenvolvidos nesses moldes. Acredita-se que as análises apresentadas contribuem para o planejamento de cursos a distância voltados à formação docente, uma vez que as experiências relatadas pelos pesquisadores foram desenvolvidas em diversos estados brasileiros e sob a orientação das mais variadas propostas, com destaque para a Universidade Aberta do Brasil (UAB).

FORMAÇÃO DOCENTE PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO POR MEIO DA PESQUISA-AÇÃO

PID: S1982-03052023000200198 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Mascaro Estef
Resumo O artigo se insere na temática sobre práticas pedagógicas com estudantes jovens e adultos com deficiência intelectual mediadas por tecnologias. Tem como objetivo apresentar um relato de experiência sobre uma formação docente pelo viés da pesquisa-ação para atuação docente no Atendimento Educacional Especializado (AEE) remoto. A proposta formativa tem como foco a aplicação do Plano Educacional Individualizado (PEI) com ênfase na alfabetização e letramento. Tendo como base a tríade do pilar universitário: ensino, pesquisa e extensão foi elaborada uma formação teórica e prática coadunando pesquisas sobre o PEI, o AEE, alfabetização e letramento do alunado jovem e adultos com deficiência. A opção metodológica foi a pesquisa-ação que permitiu o planejamento, desenvolvimento e avaliação da proposta com os participantes (professores, estudantes com deficiência intelectual e agentes de apoio domiciliares). O estudo aconteceu em todas as suas etapas em ambiente virtual, mediado por tecnologias. Como resultados relevantes, aponta-se o ineditismo de uma modalidade AEE remoto para atuação com esse alunado, além da estruturação de um trabalho pedagógico personalizado para o ensino de leitura, escrita e letramento. Quanto aos professores cursistas, o protocolo para aplicação do PEI foi fundamental para estruturar o PEI dos estudantes, com o planejamento de atividades específicas para cada um deles. A personalização dos processos durante a aplicação do PEI permitiu resultados significativos para cada um dos estudantes na área acadêmica, social e laboral. Concluiu-se que o caminho metodológico da pesquisa-ação torna possível os processos formativos emergentes na escola contemporânea.
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