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FORMAÇÃO INICIAL E PLANEJAMENTO DE PROFESSORES EM CLASSES MULTISSERIADAS

PID: S1982-03052023000100386 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Tomàs
Resumo Este artigo reflete a importância e a necessidade de aprender a planejar a sala de aula multisseriada, desde a formação inicial de professores. A formação inicial de professores não contempla, ou pouco, a escola do campo e a sala multisseriada. Consequentemente, os futuros professores não conhecem o processo de ensino-aprendizagem na sala de aula do campo, nem, claro a importância e necessidade de um planejamento multisseriado para dar uma resposta adequada à diversidade e heterogeneidade característica desta sala de aula e, como instrumento chave para conceber e implementar inovações educativas que facilitem a melhoria da qualidade da educação no meio rural e tornem a escola rural visível no quadro das políticas e práticas educativas.

GESTÃO DEMOCRÁTICA E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: uma análise discursiva do Plano Municipal de Educação de João Pessoa/PB

PID: S1982-03052023000400224 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Alcantara Rodrigues
Resumo Objetivamos analisar as correlações enunciativas entre gestão democrática e educação de jovens e adultos no Plano Municipal de Educação de João Pessoa. Dialogamos com produções teóricas sobre a temática, apresentamos e operamos com as noções metodológicas de discurso e enunciado a partir da tradição foucaultiana. analisamos documentos circunscritos ao plano que estão relacionados ao objeto da pesquisa. Os resultados evidenciam que o conhecimento, o campo político-pedagógico e os sujeitos da escola pública caracterizam correlatos enunciativos entre gestão democrática e educação de jovens e adultos, tecidos em uma rede discursiva que afirma a educação como direito universal, pressuposto para construção da cidadania.

GRAFITES DA DISCÓRDIA: o conservadorismo em ação na escola

PID: S1982-03052023000300262 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Moura Souza Witeze Junior
Resumo No final de 2017, como parte das atividades pedagógicas de artes visuais orientadas por docentes, estudantes do ensino médio realizaram grafites nas paredes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) em Formosa. O esforço analítico neste artigo centrou-se, então, no discurso contrário aos grafites como expressão do conservadorismo no campo educacional, que possuía forte presença em debate na sociedade brasileira naquele momento. No caso em estudo, foi possível perceber que o conservadorismo se coloca em ação no âmbito escolar por meio das seguintes ações: negação do conhecimento acadêmico, crítica às instituições, vigilância à atividade docente, desqualificação do trabalho educativo e disseminação de pânico moral. Para o presente estudo, foram reunidos documentos oficiais com reclamações ou elogios à ação educativa, as respectivas respostas institucionais à ouvidoria e ao Ministério Público, bem como atas de reunião e diversas cartas públicas de apoio elaboradas por ocasião dos fatos. A alteração no padrão visual do campus gerou disputas que explicitaram as divergências ideológicas latentes, trazendo à tona diversos entendimentos sobre o que é arte e como ela deve ser desenvolvida no espaço da escola pública.

HABITAR A DOCÊNCIA NO ESPAÇO SIGNIFICADO DA ESCOLA: ressonâncias coletivas em formação continuada

PID: S1982-03052023000400176 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Figueira
Resumo Neste texto interrogamos uma ação de formação continuada realizada com professores dos anos iniciais do ensino fundamental, em um município do Noroeste fluminense sobre a dimensão da experiência no espaço escolar e os enredos provocados. Assume-se que a espacialidade das escolas ressoa escrituras didáticas e confluências pedagógicas promotoras de justiça social e cognitiva quando vivificadas em unidade, isto é, quando se supera o reducionismo destes espaços, enquanto cenário neutro e prescritivo de atuação. Apoiamo-nos teoricamente em estudos que reconhecem que o espaço não se constitui separadamente da experiência (Passegi, 2010; Delory-Momberger, 2012) buscando compreender: de que maneira a dimensão espacial escolar (re)configura a experiência docente? Assim, por meio do caminhar metodológico qualitativo ancorado na tematização (Fontoura, 2011) visamos acessar e problematizar percepções múltiplas descortinadas no/com o espaço cotidiano de feitura das escolas, na relação com os docentes e com suas práticas pedagógicas que levem à compreensão contextualizada da escola, tendo em vista a superação de normativas curriculares que funcionalizam a docência às demandas do mercado.

INDICADORES EDUCACIONAIS E ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA NA BAIXADA FLUMINENSE

PID: S1982-03052023000200098 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Antonioli Pletsch Eisenberg
Resumo Este artigo discute a escolarização de alunos com deficiência múltipla decorrente da Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZV) na Baixada Fluminense/Rio de Janeiro (RJ). Inicialmente, foi realizado levantamento de dados estatísticos do censo escolar do período de 2018 até 2022. Em seguida, entrevistamos seis profissionais da educação de uma escola pública de educação infantil de uma rede municipal de educação da Baixada Fluminense/RJ. Por fim, foram também observadas 2 crianças de cinco anos diagnosticadas com SCZV. Os dados apontam para um aumento anual de matrículas de alunos com deficiência múltipla em classes comuns em escolas desta região. Igualmente, evidencia que estes números poderiam ser mais expressivos, considerando que existem crianças com SCZV que residem nesta região e que ainda não estão nas escolas, apesar da idade. No que se refere à inclusão educacional dessas crianças, o artigo foca na chegada delas à escola, a relação com os colegas e a participação nas atividades escolares. Por fim, apresenta argumentos sobre a relevância de ações intersetoriais entre educação, saúde e assistência social para a promoção do atendimento integral dessas crianças focando na escolarização, melhora da condição de saúde e bem-estar.

INFÂNCIA, EDUCAÇÃO E APRENDIZAGEM: reflexões a partir da obra Como estrelas na terra: toda criança é especial

PID: S1982-03052023000100154 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Sachet Jesus Carola
Resumo Este artigo se propõe a dialogar a respeito do filme Como estrelas na terra: toda criança é especial, de Aamir Khan, com vistas a refletir sobre as concepções de infância, educação e aprendizagem representadas pelos sujeitos da sociedade retratada na obra. Observou-se, por meio da análise, que Ishaan, personagem principal do filme, vive a infância com entusiasmo, protagonismo e criatividade, aspectos inerentes ao ser criança. O garoto observa e admira o mundo, tanto quanto é surpreendido, indaga, estranha e cria. No entanto, vive em uma sociedade dotada de valores burgueses sob uma lógica da engrenagem capitalista mundial. Desse modo, não há tempo para ser criança como Ishaan, porque é preciso adequar-se ao tempo e aos padrões pré-estabelecidos. A análise permite compreender, pois, que a concepção idealizada pela sociedade na qual o menino vive é contrária àquela vivenciada por ele. Na escola, é retratada uma organização tradicional não apenas a partir da figura do docente, mas também na organização curricular e estrutural das salas de aulas. Isso acaba fazendo com que aqueles que diferem do proposto sejam excluídos, como Ishaan, que, por ser disléxico e não conseguir acompanhar o ritmo das atividades, é inferiorizado.

INFÂNCIAS QUEERS IMPORTAM?! Precariedade, subjetivação e dissidências didático-curriculares

PID: S1982-03052023000400349 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silva
Resumo Este ensaio abraça o intuito de problematizar as infâncias queers, entrevendo em suas superfícies corporais, efeitos político-performativos e dissidências didático-curriculares. Querendo, com isso, tanto debater a noção de infância queer e as formas difusas de precariedade que vivenciam como ação normativa em suas superfícies corporais; quanto evidenciar as fissuras constitutivas engendradas pela força performativa de seus corpos em contraposição à ação governamentalizada da política da aparência. Inicialmente retoma a problematização do surgimento da infância e sua relação com a emergência da modernidade e da instituição escolar, para, em seguida, tensionar a constituição de variadas práticas de produção de vidas intensamente precarizadas e o engendramento de uma aparência normativa para as infâncias queers que circunscrevem termos inteligíveis para o reconhecimento, desumanização e vulnerabilização de seus corpos. Dessa forma, tece algumas provocações sobre o cenário contemporâneo, apontando certas práticas conservadoras atuais e suas reiterações em torno de um regime normativo das infâncias, e entrevendo, como devir, as infâncias queers articulando, através do aparecimento, a proliferação potente de formas dissidentes de estar no mundo no urdimento de afetações didático-curriculares fortemente queerizadas.

INVESTIGAÇÕES-VIDA EM EDUCAÇÃO: escutar, conversar e constelar

PID: S1982-03052023000500303 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Lenz Ramallo Ribeiro
Resumo O presente ensaio parte das experiências acadêmicas e indagações referentes às investigações-vidas em educação desenvolvidas por três pesquisadorxs, em diferentes contextos geográficos e culturais (Argentina, Brasil e Chile). De distintos e singulares processos investigativos com sujeitxs vivxs, o texto reúne inquietudes, princípios e aprendizagens tecidas ao longo da vida mesma. Sublinhar as investigaçõesvidas como possibilidades de experimentar deslocamentos das margens da ciência tradicional e convida a vivenciar desmarcações na trama da investigação, enquanto aventura (auto)biográfica e narrativa, corporal, encarnada e vital. A partir de conversas e teceduras entre seus autorxs no marco de uma Rede de Investigação no cone sul da América do Sul, finalmente são compartilhados alguns princípios/dispositivos privilegiados nas e a partir das trajetórias investigativas envolvidas nessa narração. Destaca-se a escuta como uma maneira de reconhecer a experiência sentipensante de quem investiga. Conectada à escuta, a conversa é outro dispositivo na busca de modos de pesquisar com, e não simplesmente sobre as pessoas. A conversa torna possível o encontro das diferentes linguagens de quem compartilha em comun-unidade a investigação. Finalmente, o constelar é uma experiência de construção comunitária e de aprendizagem em unidade plural, a qual mostra a construção vinculante desintegradora, transformadora e integradora, espiral de investigação-vida.

LER COM BEBÊS: narrativas sobre docência e as interações das crianças com o livro na creche

PID: S1982-03052023000400306 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Margotti Pandini-Simiano
Resumo O texto tem por foco analisar o que contam as documentações pedagógicas sobre a ação docente e as interações das crianças bem pequenas, desde bebês, com o objeto livro na creche. A pesquisa, desenvolvida em uma perspectiva qualitativa, foi realizada no âmbito do mestrado em educação em uma universidade do sul do estado de Santa Catarina. Teve como sujeitos quatro professoras e uma gestora que atuam na educação infantil. A observação participante, registros escritos, audiovisuais, as cartas, as documentações, e, sobretudo, o estar junto e com as professoras foram os instrumentos de pesquisa. A partir do diálogo entre diferentes autores, Benjamin, Rinaldi, Debus e Gonçalves, Pandini-Simiano, destaca-se nas documentações que no encontro dos bebês com os livros, eles fazem suas leituras com o corpo por meio de todos os sentidos. Embora haja um esforço das professoras em possibilitar o acesso das crianças aos livros, ainda se evidenciam traços de uma ação docente diretiva, mais centrada no adulto. O gesto de documentar, revisitar e narrar permite à professora reconhecer, valorar e redimensionar a ação docente, construindo um outro olhar sobre os bebês, os livros e a especificidade da docência na educação infantil.

LUGAR DE FALA INFANTIL? Possíveis (re)leituras da infância no âmbito de uma prática artístico-pedagógica

PID: S1982-03052023000500244 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Gomes Munhoz
Resumo A presente pesquisa objetivou investigar a noção de lugar de fala infantil a partir da proposição de uma ação artístico-pedagógica com crianças estudantes dos primeiros anos do ensino fundamental da rede pública de ensino da cidade de Maringá - Paraná. Teve-se como intuito trabalhar não só as práticas teatrais, mas seus desdobramentos pedagógicos e artísticos nas rotinas dessas crianças e de seus pares. Como inspiração teórica e temática, buscou-se referências no campo da antropologia da criança e da sociologia da infância. Já no que tange às inspirações metodológicas, foi pensada uma poética de trabalho calcada em jogos teatrais, contação de histórias, brincadeiras tradicionais e as linguagens da autobiografia e do relato pessoal. Ao estarem muito ocupadas brincando, as crianças falaram a partir dos lugares sociais que ocupam, trazendo à tona discursos, ações, desejos e pontos de vista sobre o mundo, legitimadores de seus lugares de fala e, consequentemente, dos lugares de escuta adulta, além de se afirmarem não apenas como objetos, mas também sujeitos da cultura.

LUTERANISMO, TRANSNACIONALISMO E SURDEZ: a Escola Especial Concórdia por entre as memórias de um professor

PID: S1982-03052023000500259 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Kuster Weiduschadt
Resumo O presente artigo objetiva explorar aspectos referentes à fundação e atuação da Escola Especial Concórdia, instituição educativa localizada na cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, por meio das memórias de um dos seus professores. Tal instituição foi criada para atender alunos com surdez, através de um viés luterano que buscava fortalecer o campo religioso em detrimento de outras esferas, como a familiar e a social. Para tanto, utilizou-se da metodologia da História Oral, baseada nos estudos de Portelli (1997; 2010) e Thompson (1998), do conceito de Identidade, a partir de Bauman (2005) e Hall (2006), além do conceito de Memória, explorado por meio dos estudos de Halbwachs (1990). A análise evidenciou que por mais que a Escola Especial Concórdia buscasse o firmamento dos cânones da fé luterana em primeira instância, acabou por promover uma integração dos sujeitos com surdez em um mesmo ambiente e, a partir desse aspecto firmado em sua cultura escolar, possibilitou a ideia de pertencimento e de identificação social, em outras palavras, de comunidade surda.

LUZ, CÂMERA, QUILOMBO: A projeção da imagem antirracista em sala de aula

PID: S1982-03052023000500196 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Eiras Soares
Resumo Este artigo reflete sobre a projeção cinematográfica em sala de aula através de uma proposta antirracista e decolonial. Ele parte da vivência de um dos autores com a sua turma do ensino fundamental público do Rio de Janeiro (SME/RJ), ao exibir o filme Quilombo (1984) do diretor Cacá Diegues. Uma análise que parte da hipótese de que o uso das práticas cinematográficas no ensino público pode ativar uma percepção plural da criança, em que todas as instâncias da cultura podem ser vistas como pedagógicas. Propondo, desta forma, diferentes perspectivas teóricas na busca por outros olhares que relacionem o cinema com a escola. Assim, o trajeto metodológico proposto entende que a análise e a prática cinematográfica sempre vão andar juntas, pois articulam diversas potencialidades estéticas, como som, diálogo, enquadramento, que precisam ser agenciados pelos próprios alunos. no cotidiano das escolas. Uma proposta teórico-metodológica da pesquisa-ação que privilegie um processo de interação entre a pesquisa e o pesquisador na elaboração de novas práticas.

LÁPIS COR DE PELE: entre “riscos” e rabiscos das infâncias negras nos cotidianos escolares

PID: S1982-03052023000500113 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Rodrigues Euclides Herneck
Resumo Neste artigo, a interseccionalidade e os marcadores de identidade e a diferença nas infâncias negras nos auxiliam na problematização do termo lápis cor de pele e suas implicações sobre a produção de subjetividade de crianças negras. Para isso, o presente texto se subdivide em duas seções: na primeira, trataremos sobre a infância enquanto tática de combate ao racismo, conforme propõem Renato Noguera e Luciana Alves (2019), e a outras opressões nos cotidianos escolares; e, na segunda seção, abordaremos os agenciamentos que sustentam o termo lápis cor de pele, a fim de questionarmos os marcadores que elegem a branquitude como identidade macro, de modo a discutir o compromisso na produção da subjetividade de crianças negras. Consideramos que as infâncias compõem táticas para o combate às opressões que atravessam os sujeitos negros e que o termo lápis cor de pele provoca afetações sobre a subjetividade que demanda a decolonialidade.

MACRO E MICRORREGULAÇÃO: avaliação em larga escala e alguns efeitos sobre o currículo

PID: S1982-03052023000100375 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Lucchesi Conti
Resumo As políticas públicas educacionais têm se configurado como um novo modelo de regulação do Estado, expresso de maneira vigorosa na avaliação em larga escala e na organização curricular. Há, desse modo, uma forma de macrorregulação que atinge especialmente as escolas, onde se observam também microrregulações, caracterizadas pela ação dos agentes escolares. Nessa perspectiva, por meio de estudos teóricos e pesquisa de campo realizada em uma escola pública municipal de educação básica, em município do interior do estado de São Paulo, no Brasil, este trabalho de investigação tem como objetivo analisar, em face da avaliação em larga escala denominada Prova Brasil, as microrregulações presentes no interior da referida unidade escolar a fim de identificar em que ações dos gestores escolares e de alguns professores elas estão presentes, como elas ocorrem, em que âmbitos de atividades e, por fim, seus motivos e suas lógicas próprias. A análise dos dados, obtidos por meio de entrevistas com professoras e gestoras e por meio de grupo focal com as professoras, permitiu identificar estratégias de ação das professoras e gestoras, nos planos formal e informal, bem como os interesses que impulsionam essas estratégias, gerando, a longo prazo, lógicas de ação, no cotidiano escolar, que orientam a conduta na escola, em especial em relação às práticas curriculares.

MANEIRAS DE TRATAR O CORPO, MODOS DE CRIAR O MUNDO: um olhar foucaultiano sobre o cinema no filme Eu, Pierre Rivière

PID: S1982-03052023000100066 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Almansa
Resumo O artigo lança mão de algumas das entrevistas que constituem o corpus cinematográfico dos Ditos e Escritos de Michel Foucault, e de alguns filmes, especialmente o filme Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão, dirigido por René Allio, cujo roteiro foi adaptado da obra homônima publicada sob a direção do filósofo. Apoiado na mirada arqueo-genealógica de Foucault sobre os filmes o texto problematiza, em um viés estético-político e mediante um recorte específico, aquele que teria consistido em seu interesse maior pelo cinema: como uma maneira de tratar o corpo. Mediante o encontro entre o corpo e o cinema o artigo discute questões concernentes às relações entre imagens, discurso, história e memória, por entre as quais se coloca de um lado a outro para a educação a questão do espectador, e dos processos subjetivos que encontram no cinema ferramentas de criação, de transformação e de luta.

MASCULINIDADE DO BANDIDO: juventudes socioeducativo, entre hegemonia e subalternidade

PID: S1982-03052023000500083 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Miranda Cardoso Alcântara
Resumo Este texto é resultado de uma pesquisa realizada com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas de internação, em uma cidade do estado de Minas Gerais. Tem por objetivo apresentar reflexões sobre essas juventudes, a masculinidade do bandido, seus contextos e dinâmicas que oscilam entre hegemonia e subalternidade. A partir de uma perspectiva feminista, foi realizada uma etnografia com quatro meses de trabalho de campo e 22 entrevistas individuais semiestruturadas com adolescentes. O argumento central é o de que a adesão à criminalidade faz parte de um processo de valorização de um modelo de hegemonia local, por homens subalternizados pelas dinâmicas de hegemonia regional e global. A pesquisa fez uso dos conceitos de masculinidade hegemônica e de masculinidade subalternizada para descrever e analisar as dinâmicas das relações de poder que ocorrem entre homens, atendendo principalmente as demandas do capitalismo global. Entre patrões e trabalhadores e diversos outros modelos de masculinidades são construídas as masculinidades de cada bandido.

MULTILETRAMENTOS COM TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: por uma educação inclusiva e autônoma

PID: S1982-03052023000300181 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Carvalho Linhares
Resumo Este trabalho tem como objetivo refletir sobre como as práticas da pedagogia dos multiletramentos com base no New London Group podem contribuir para novas práticas no espaço escolar que se relacionem com nossas habilidades em ler o mundo mediado pelas mídias. Compreender como tais processos podem possibilitar a autonomia e liberação do sujeito para uma posição crítica frente às lógicas dominantes. Para esta reflexão buscamos a contribuição de autores como: Bifo (2003), Lipovetsky (2011), Freire (2014), Hall (2013), Martin-Barbeiro (1997; 2000; 2007) e Cope e Kalantzis (2009) e Buckingham (2010) que auxiliam na reflexão sobre uma sociedade em redes digitalizada na qual os sujeitos participam ativamente de transformações cognitivas que desterritorializam as práticas socioculturais e modificam as relações com a sociedade, os dispositivos comunicativos e, por conseguinte os processos de aprender, dentro e fora da escola. Ao final e ao cabo, inferimos que é preciso remodelar as relações de comunicação e as estratégias de aprendizagem, considerando as fissuras causadas pela dinâmica da sociedade digital, e que, novas práticas envolvendo multiletramentos podem contribuir para a renegociação de uma pedagógica da comunicação/educação que considere os espaços que os sujeitos ocupam na sociedade, na cultura, na escola e, nos mais diversos espaços/praticas de aprender, transformando a educação num processo autónomo e num instrumento de libertação.

NARRATIVAS DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA SOBRE SUAS VIVÊNCIAS ESCOLARES

PID: S1982-03052023000200057 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Barbuio Freitas
Resumo O estudo focaliza a temática da inclusão escolar a partir da visão de alunos com deficiência inseridos nos anos finais do ensino fundamental. Trata-se de uma pesquisa orientada pelos pressupostos teórico-metodológicos da perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento humano, em articulação com a pesquisa narrativa. Apoiada na indagação sobre o modo como alunos com deficiência têm vivenciado a escola comum, a investigação teve como objetivo compreender os sentidos que eles atribuem a suas vivências escolares. O trabalho de campo ocorreu em uma escola pública de um município paulista junto a três alunos com deficiência. O instrumento principal de construção de dados foi a narrativa oral produzida pelos participantes do estudo em interação com o pesquisador. As falas foram audiogravadas, transcritas e analisadas à luz do referencial teórico. Os resultados indicam que os alunos, em seu relato, revelam os sentidos que a escola e as práticas escolares têm para eles: sentimentos como frustração, incompreensão, solidão e silenciamento são expostos. Os achados contribuem para reflexões acerca de caminhos possíveis para a efetivação de práticas pedagógicas mais inclusivas.

NÃO COMUNICAR NÃO É UMA ALTERNATIVA: o uso do dispositivo gerador de fala para alunos com autismo

PID: S1982-03052023000200129 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Nascimento Cruz Silva
Resumo O dispositivo gerador de fala (DGF) tem sido apresentado como uma ferramenta promissora para favorecer a comunicação de pessoas que apresentam necessidades complexas de comunicação. O foco desta pesquisa foi apresentar uma introdução sobre o uso desse dispositivo e seus efeitos para uma criança com diagnóstico de transtorno do espectro autista no ambiente escolar. Seu objetivo foi discutir as potencialidades do DGF e evidenciar, através do uso da matriz de comunicação, a evolução do perfil comunicativo do aluno após os procedimentos de intervenção. O artigo apresenta recorte de uma investigação de doutorado que utilizou como método um delineamento quase experimental do tipo A-B. Os resultados apontaram para o uso exponencial, pelo aluno, da comunicação alternativa como forma de expressar desejos e sentimentos.

NÃO HÁ RACISMO SEM ADULTOCENTRISMO: notas sobre uma pátria pai hostil

PID: S1982-03052023000400189 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Souza Caputo
Resumo O ensaio apresenta uma discussão acerca dos conceitos de interseccionalidade, descolonização e infância, por meio da lógica exúlica, destacando a concepção de infância como uma categoria de estado, portanto, de trânsito. Assim, traça algumas analogias para a discussão do conceito de pátria pai hostil com aportes de Mário de Andrade e Altay Veloso. Para tanto, denuncia que mesmo com a banalização das mortes das crianças negras, as pesquisas acadêmicas ainda não reconhecem a infância como um descritor indispensável para a compreensão da sociedade brasileira e fundamental na construção de políticas públicas para uma sociedade que se queira justa, equânime e igualitária. Destaca que na última década os estudos com crianças de Terreiro vêm contrariando a colonialidade do poder ao afirmar a centralidade da infância e apresentando outros devires para as crianças, em especial para as crianças negras, bem como caminhos para a descolonização em função de um giro epistemológico que vai em sentido anti-horário e em favor da vida.
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