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PROJEÇÕES CURRICULARES DE FORMAÇÃO DOCENTE NO CONTEXTO IBERO-AMERICANO: algumas fagulhas made in Paraíba

PID: S1982-03052023000300095 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Albino Rodrigues
Resumo O estudo apresenta uma análise das diferentes prioridades formativas elencadas por docentes da rede estadual da Paraíba (PB), por meio de ação planejada pelo projeto formação continuada na educação básica: as práticas curriculares como eixos de desenvolvimento profissional. Destaca-se, de forma breve, o contexto político em que se propõe bases de formação inicial e continuada e tensiona as considerações dos docentes sobre sua formação frente ao documento Metas educativas para a educação que queremos no Bicentenário 2021, formulado pela Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). As tensões verificadas entre a agenda de metas para o Bicentenário (OEI, 2010) e o recorte de pesquisa indicaram a valorização profissional como requisito fundamental para encaminhar um processo de formação continuada. Foi identificado também um cenário de construção de múltiplas identidades locais e a construção dos compromissos com os processos de aprendizagem e ensino. Tal encaminhamento não condiz com um currículo único e nem barato em termos de financiamento engendrado por agências multilaterais, mas uma conexão entre saberes locais, coletivos e individuais dos envolvidos.

QUEBRANDO O ESPELHO DO RACISMO: um estudo de caso sobre a construção identitária de meninas negras em uma escola pública municipal de Belo Horizonte

PID: S1982-03052023000500138 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Modesto Cardoso Alcântara
Resumo O artigo analisa as influências do racismo sobre a construção da identidade e da imagem de seis meninas negras com idades entre 12 e 15 anos, matriculadas em uma escola pública municipal de Belo horizonte. A pesquisa se baseou em um estudo de caso, apoiado em entrevistas individuais semiestruturadas com as participantes, e desenvolvido a partir de uma metodologia específica, do tipo oficina pedagógica, nomeada O meu reflexo no espelho. O trabalho fez uso de conceitos dos campos da sociologia da educação e dos estudos étnico-raciais. Foi identificado que eixos interseccionais atravessam os corpos dessas meninas, oprimindo-as por sua raça, classe e gênero. Em contrapartida, argumenta-se que, apesar de o racismo ser estruturante na sociedade brasileira, possibilidades de quebras nessa estrutura podem contribuir para a construção positiva da identidade e da imagem dessas meninas negras. Baseadas em uma construção histórica, posturas políticas como as identificadas na pesquisa vêm mudando a forma pela qual o/a negro/a brasileiro se vê e se mostra para o mundo.

QUEM NOS OLHA PELOS ESPELHOS? A educação das relações étnico-raciais e o regime de visualidades

PID: S1982-03052023000100020 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Valter Filé Macambira Aguiar
Resumo Como nós negros e negras temos sido representados historicamente nas mídias, nos livros didáticos, nas propagandas e em outras narrativas que sustentam o racismo? Seriam tais representações os espelhos com os quais temos aprendido a ver o mundo e a nós mesmos? Estas e outras questões nos impulsionam a problematizar como os chamados regimes de visualidades presentes em nossa sociedade influem na educação do preconceito. Este texto, portanto, nasce na encruzilhada em que três pesquisas se encontram para refletir sobre o racismo, os projetos de embranquecimento e as consequentes dificuldades de pessoas negras identificarem-se como negras. Neste sentido, trabalhamos com autoras e autores como Gonzalo Curto, Stuart Hall para entendermos os conceitos de regime de visualidades e representação do povo negro. Buscamos também, a partir de leituras de Carlos Skliar e Grada Kilomba, compreender melhor como se dá a invenção do outro, os diferentes que deverão ser excluídos, bem como as produções de Patrícia Collins a fim de nos ajudar com seu conceito de imagens de controle para a manutenção da matriz de dominação. Com estes autores e autoras, dentre outros, articulamos narrativas fílmicas, dispositivos e recursos orais e imagéticos a fim de refletir sobre as imagens que permeiam o imaginário social e que atuam na produção, manutenção e atualização do racismo em nossa sociedade.

REDE COLABORATIVA VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: conectando docentes

PID: S1982-03052023000100278 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Cargnelutti Pavão
Resumo O presente trabalho se ocupou de questões relativas à aprendizagem colaborativa entre professores em formação contribuindo para a criação de redes colaborativas virtuais de aprendizagem como potencial reflexivo para a formação continuada de professores. Trata-se de um estudo qualitativo de caráter exploratório, sendo que a produção de dados aconteceu por meio de questionários elaborados pelo Google Forms e respondido pelos pesquisados totalmente a distância e por meio digital. Os sujeitos desta pesquisa foram professores da rede municipal participantes do programa de formação Letramento e Alfabetização (PROMLA) de Santa Maria, no período de abril a dezembro de 2020. A análise dos dados foi organizada de maneira teórico reflexiva. De posse dos dados analisados foi possível entender que os benefícios da aprendizagem colaborativa estão na interação, na troca, na disposição para colaborar, na comunicação com o outro, na horizontalidade. Como resultado desse trabalho pode-se entender que para se criar uma rede é preciso estar conectado, ou seja, estabelecer uma conexão com seus pares. Para haver colaboração é preciso estar disposto a colaborar, partilhar, apoiar, debater, contribuir, construir algo novo de forma compartilhada, cada um com sua responsabilidade de cooperar.

SOBRE NÃO SEGUIR RECEITAS, CRIAR OUTRAS NARRATIVAS E INVENTAR ROTEIROS: o que ensina o currículo de dois filmes infantis sobre gênero?

PID: S1982-03052023000400084 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Caitano Oliveira
Resumo Este artigo analisa dois filmes infantis Moana - um mar de aventuras e Valente. A partir de aportes das teorias pós-críticas, esses filmes se constituem como um currículo. Para as análises, inspiramo-nos na análise de discurso foucaultiana e mobilizamos gênero como categoria analítica. O argumento desenvolvido aqui é de que, no currículo dos filmes infantis analisados, demanda-se uma subjetividade feminina que resiste às normas de gênero, ensinando as meninas a serem corajosas, determinadas, empoderadas, aventureiras, guerreiras, livres, posicionadas, questionadoras e a lutarem por sua dignidade, independência e visibilidade, nos mais diversos campos que permeiam a sociedade, desde o seio familiar até os espaços considerados mais improváveis. Para além disso, que elas se reconheçam como sábias e capazes de reinventar e subverter os caminhos de seus próprios destinos.

TEACHERS´ NARRATIVES: the experience of the neoliberal curriculum by teachers in Brazil and Chile

PID: S1982-03052023000300278 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Terra Fajardo Castro
Resumo O texto pretende mostrar, por meio das narrativas de professores/as, como algumas políticas curriculares nacionais no Brasil e no Chile são marcadas por entidades e organizações como o Banco Mundial (BM), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI). O objetivo foi sinalizar como alguns elementos dessas políticas, todavia, se manifestam na experiência brasileira e chilena em certos documentos de políticas curriculares para a educação básica, a formação e a prática de professores/as. A metodologia do estudo se baseia na indagação narrativa, pela qual construímos e analisamos os relatos docentes que permitem entrelaçar experiências profissionais e pedagógicas de um grupo de professores e professoras no Brasil e no Chile. Apostamos que o diálogo com as duas experiências (Brasil e Chile) demarca reflexões de como as políticas curriculares nacionais continuam pondo em prática um currículo que busca silenciar as vozes dos/as professores/as. Ainda que as narrativas sejam frágeis, revelam que professores/as sabem o que as políticas pretendem e que aqueles/as que encontram espaço para trabalho coletivo tentam transcendê-las, de alguma forma, buscando a qualidade de ensino relevante para os/as estudantes.

TEMPO(S) DE AVÓS E NETOS memória, presença e infância

PID: S1982-03052023000500229 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Castro
Resumo Este artigo tem como objetivo analisar concepções de tempo e infância em narrativas de avós e netos ouvidas em uma pesquisa de doutorado em educação. A filosofia de Walter Benjamin e a antropologia filosófica de Martin Buber foram as principais referências teóricas do estudo, que entrevistou dez adultos, entre cinquenta e um e setenta e um anos de idade, e seis de seus netos, de cinco a doze anos de idade. Como estratégia metodológica, foram realizadas entrevistas individuais com os adultos e uma entrevista coletiva com as crianças. Devido ao contexto de pandemia, o trabalho de campo foi realizado por meios digitais (plataforma Zoom e aplicativo WhatsApp). Nas narrativas das/os participantes da investigação, o tempo aparece com lugar de destaque: envelhecimento, histórias de outros tempos, preocupações com o futuro, tempo de brincar. O texto entrecruza vozes de crianças e adultos, e delas emergem reflexões filosóficas e antropológicas sobre infância, tempo e nossos modos de viver.

TEMPORALIDADES DA DOCÊNCIA NA CRECHE

PID: S1982-03052023000400278 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Spat Carvalho
Resumo O presente artigo, baseado nas contribuições dos estudos sobre docência na educação infantil e nas discussões contemporâneas sobre o tempo enquanto marcador social, é decorrente de uma investigação que teve como objetivo compreender os modos como professoras vivenciam as temporalidades da docência na creche a partir da gestão do tempo institucional. Em tal direção, as temporalidades são entendidas, com base em Oliveira (2012), como as experiências no e com o tempo. Metodologicamente, foi realizado um estudo de caso etnográfico em uma instituição pública de educação infantil, com três professoras responsáveis por um grupo de crianças de 2 anos de idade. As estratégias de geração de dados foram a observação, o registro em diário de campo e a realização de entrevistas com as professoras. Após as análises, foram definidas duas unidades de discussão: 1) o tempo institucional e as temporalidades na creche; e 2) a reinvenção do cotidiano e as temporalidades da docência. Foi então possível inferir que as professoras, para além do tempo cronológico - dos horários institucionais -, vivenciam as temporalidades da docência na creche em uma perspectiva que reconhece os tempos das crianças, acolhendo suas demandas e singularidades. Os modos como as professoras lidam com os tempos na creche centram-se no cotidiano e são sustentados por formação docente, planejamento, grupo de estudos e reflexões decorrentes da documentação pedagógica. Assim, a organização institucional incide em um modo qualificado e respeitoso de atendimento a crianças na creche.

TESSITURAS DAS REDES EDUCATIVAS NOS CURRÍCULOS DOS POVOS ORIGINÁRIOS

PID: S1982-03052023000100251 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Reis Morais Caldas
Resumo O presente ensaio nos remete às origens de nosso país e a força de uma nação que foi dizimada e invisibilizada por centenas de anos. Cremos que as redes educativas são um dos meios de grande potência para nos fazer sentirfazerpensar os modos de vida dos povos originários em constante alinhamento à natureza, porque, como eles afirmam: Nós não cuidamos da natureza, somos a natureza. Daremos ênfase ao movimento ecce femina, pensando na força da mãe Terra, nos rizomas de Deleuze e Guatarri, que eclodem mundos de criações educativas. Em busca de diálogo com os personagens conceituais (DELEUZE, 1992; ALVES, 2012), especialmente com a compreensão dos usos que os praticantes sentemfazempensam com os múltiplos artefatos, com a noção de acontecimento e com a ideia de virtualidade, decidimos evidenciar o movimento ecce femina. Dessa forma, com autores como Alves, Deleuze, Guattari, Foucault, Biesta, Guajajara e outros, estabelecemos uma conversa, através da metodologia de pesquisa assumida por nós, para compreender os movimentos nas redes educativas em suas variadas facetas e conversar acerca deles, nos processos formativos e curriculares dos sentiresfazerespensares que atravessam e criam os cotidianos.

TESSITURAS ENTRE ALTERIDADE E EDUCAÇÃO: oito abordagens contemporâneas para a educação sexual na escola e a (des) aparição das dimensões da sexualidade humana na BNCC

PID: S1982-03052023000400098 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Silveira
Resumo Situando-se nos estudos do currículo, este texto busca explicitar as oito abordagens contemporâneas para a educação sexual na escola, a fim de analisar como aspectos relacionados a dimensões da sexualidade humana estão presentes (ou não) na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Considera-se, portanto, a problemática das relações de gênero, de orientação sexual e de igualdade étnico-racial a partir de perspectiva que se articula a estudos do currículo na contemporaneidade. Afirma-se que o discurso conservador ganha adeptos com frequência no mundo todo e que, no Brasil, não é diferente. Por conseguinte, tal abordagem retrógrada pode ser associada à elaboração e à reprodução da narrativa de que questões ligadas a gênero e sexualidade são inimigas a serem combatidas pelas famílias, para que não sejam implementadas nas escolas nacionais. Conclui-se que os desafios enfrentados pelas escolas, cotidianamente, no que diz respeito ao tema, se negligenciados podem levar à ampliação das desigualdades sociais, sobretudo quanto a vivências e dificuldades de sujeitos ininteligíveis, cuja generificação não resulta de coerência entre sexo, gênero e desejo, por ser regulada por pressupostos heteronormativos.

TRAJETÓRIAS FEMININAS NO COMPLEXO DA MARÉ: contribuições da juventude

PID: S1982-03052023000500124 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Sant’Anna Silva Oliveira
Resumo O presente texto, que é fruto de três pesquisas em educação, busca compreender como jovens de uma região periférica de uma grande metrópole se entendem como mulheres e se relacionam socialmente. Investigamos, assim, suas percepções do seu lugar de moradia e/ou pertencimento e o modo como as jovens lidam com questões sexistas que atravessam essas regiões. Para tal empreitada, lançamos mão de um breve olhar para as favelas em sua relação construída historicamente de exclusão com a cidade. Optamos por utilizar um referencial teórico feminista negro (hooks, 2019; LORDE, 2019) para melhor compreender as narrativas das jovens, além do referencial etnográficos clássico. Utilizamos, além dos dados das três pesquisas supracitadas, entrevistas com jovens mulheres moradoras do Complexo da Maré com faixa etária entre 20 e 21 anos.

UM FENÔMENO NA PERMANÊNCIA ESTUDANTIL: não deixar nenhum para trás e o Ensaio sobre a dádiva

PID: S1982-03052023000500330 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Carmo Souza Josuel
Resumo Este trabalho, inspirado na tríade dar-receber-retribuir do Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss, oportuniza a compreensão dos envolvimentos socioacadêmicos que ocorrem com estudantes na sala de aula. Internacionalmente, tais envolvimentos (ou engajamentos) já são considerados indutores de permanência estudantil. No Brasil, por sua vez, o Núcleo de Estudos sobre Acesso e Permanência na Educação (Nucleape) configura o envolvimento estudantil como fato inerente ao fenômeno proximidade espontânea socioacadêmica (PROESA). Tal fenômeno, quando submetido à pesquisa com (e não sobre) estudantes, gera investimentos de forma, noção desenvolvida por Laurent Thévenot, que possibilita aos estudantes coordenarem interesses e saberes situados e entrelaçados por desempenhos cognitivos, comportamentais e emotivos. A partir de um dispositivo provocador-reflexivo de auto-observações e observações mútuas, na sala de aula, intuímos a emersão de alunos reinventados que tangenciam perspectivas do aluno como invenção, noção elaborada por José Sacristán.

UMA PROFESSORA QUE CONTA HISTÓRIAS SOBRE INFÂNCIAS: gêneros e sexualidades dissidentes na escola

PID: S1982-03052023000400028 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ávila Mesquita
Resumo O artigo propõe discutir os impactos do dispositivo curricular na constituição das infâncias dissidentes da norma de gêneros e sexualidades. Para tanto, lança mão dos registros feitos em um caderno, o qual nomeamos de diário de memórias do cotidiano escolar. Tais registros representam as cenas que tratam dos modos de resistência das infâncias em dissidência à norma, e estão relacionados às observações de uma professora a partir dos tempos e espaços de uma escola da etapa do ensino fundamental, ao longo de um ano letivo. Como objetivo visamos discutir o currículo a partir da presença das infâncias dissidentes da norma de gêneros e sexualidades. Trata-se de uma discussão pautada nas teorizações e metodologias pós-críticas em educação e currículo, as quais concebem a constituição dos corpos como efeito das práticas discursivas e das relações de poder. O estudo observou que, frente às estratégias forjadas pelo poder, estas infâncias criam brechas de fuga em prol de paisagens curriculares de liberdade, agindo em defesa do direito à vida como modo de sobreviver às tramas que constituem este dispositivo. Além disso, observou também que apesar de nos últimos anos a escola ter sido alvo de ataques ultraconservadores, esta instituição tem se politizado, expandindo-se para novas experiências na perspectiva de gêneros e sexualidades.

UTILIZAÇÃO DO ALFABETO MÓVEL ORGANIZADO POR CRIANÇAS COM TEA: percepções de profissionais

PID: S1982-03052023000100181 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Paiva Santos
Resumo Este artigo aborda as percepções dos profissionais envolvidos na escolarização de crianças com Transtorno do Espectro Autista em fase de transição da educação infantil ao ensino fundamental e sua construção da linguagem escrita a partir da usabilidade do Alfabeto Móvel Organizado, em oficinas sobre o funcionamento alfabético do sistema de escrita. Tratou-se de uma pesquisa participante de cunho descritiva com abordagem qualitativa, realizada em uma creche escola municipal de educação infantil de um pequeno município do centro-oeste paulista e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos. Participaram três professoras do ensino comum, uma professora de educação especial, dois auxiliares de desenvolvimento infantil e cinquenta crianças matriculadas em três turmas de etapa II, na idade entre quatro anos e seis meses e cinco anos e onze meses, sendo que quatro delas eram diagnosticadas com TEA. Utilizou-se como instrumentos para coleta de dados questionários, registros de filmagem, fotografias e diário de campo. Os resultados revelaram, por meio da percepção dos profissionais, que o uso do AMO permitiu às quatro crianças com TEA mostrar seus saberes; apresentouse como material pedagógico enriquecedor à escolarização ao explorar as peculiaridades do transtorno e, maximizá-las em prol de uma aprendizagem efetiva. Concluiu-se que o AMO teve papel importante para a inclusão dessas crianças, favorecendo seu sentimento de pertencimento no contexto educacional comum.

VOCÊS SÃO IMPORTANTES…”: questões de alteridade e diferença nas políticas curriculares

PID: S1982-03052023000400003 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Ranniery Oliveira Rocha
Resumo A apresentação desta Seção Temática, organizada em parceria com a Associação Brasileira de Currículo (ABdC), é um convite à leitura dos artigos aprovados para dialogar com a fala do ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Prof. Silvio Almeida: “Vocês existem e são valiosos para nós...”. Reiteradamente repetido durante o ato de posse, o enunciado serviu de disparador para condensar e aprofundar as conversas sobre diferença e alteridade nas pesquisas, nas teorias e nas políticas curriculares. Neste contexto, a própria composição da apresentação busca performar o emaranhado denso e complexo que constitui o campo do currículo. Cada um dos organizadores, de três regiões diferentes do país com trajetórias intelectuais também diferentes, explorou, em uma das seções, sua leitura do ato de fala e suas conexões com as pesquisas em currículo, diferença e alteridade. Na escrita, este exercício busca expor ressonâncias que povoam o campo do currículo antes que movimentos ou conceitos em comum. Lendo de forma difrativa os artigos, esta seção temática pretende expor como a diferença e alteridade vem se constituindo como objeto de investigação, as perspectivas teóricas e as metodologias usadas, as inflexões éticas, políticas e estéticas que provocam, bem como os sonhos, os limites e as promessas políticas que nos envolvem.

‘SE FOSSE UM PASSARINHO, TAMBÉM IRIA VOAR’: a escola e a educação das crianças em situação de acolhimento institucional

PID: S1982-03052023000500046 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Moura Silva
Resumo Em defesa de uma escola pública pertencente ao povo, em uma perspectiva inclusiva, a pesquisa aqui relatada objetivou compreender como vem sendo construído o fazer pedagógico no cotidiano da escola com crianças sob tutela do Estado, segundo a percepção de seus professores e professoras. Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, baseada nos seguintes procedimentos metodológicos: análise dos relatórios e dos levantamentos acerca dos dados nacionais e municipais que caracterizam a institucionalização infantil e sua estruturação, bem como entrevistas semiestruturadas com seis docentes que atuam ou atuaram com crianças em situação de acolhimento institucional na região do Grande ABC Paulista, identificados(as) por meio da técnica bola de neve (snowball). O referencial teórico dialoga com a epistemologia freiriana, a sociologia da infância e com os estudos sobre interseccionalidade e interculturalidade. Os resultados revelam a escola como mantenedora de processos excludentes, balizados por um currículo escolar, muitas vezes, reducionista e engessado, dada a existência de preconceitos e preconcepções estereotipadas, bem como de uma visão da criança sob tutela pública como sujeito da falta, carente, violento e triste. Os(as) docentes evidenciam a carência de formações acerca do trato com essas crianças e o caráter homogeneizador de cunho eurocêntrico da própria escola no que tange ao acolhimento desses(as) meninos e meninas. Em contrapartida, relataram-se possibilidades e estruturaram-se vivências com vistas a uma pedagogia amorosa, emancipadora e humanizada, sendo a escola um ambiente de possibilidades libertadoras e de combate a toda tentativa de reducionismo e segregação.

“COLEGA, SENTA QUE O BABADO É BOM!”: escolas, currículos e fuxicos

PID: S1982-03052023000500006 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Roseiro Gonçalves Rodrigues
Resumo O artigo se propõe a enunciar e problematizar as forças dos fuxicos, mexericos e fofocas enquanto modos de sociabilidades, ressaltando sua importância para fazer circular narrativas que enfraquecem as intenções de controle da vida. O texto, desdobrando-se em perguntas e convites à arte da fofoca, faz da brincadeira do telefone sem fio não algo que nos aprisione a uma moral punitiva diante de nossas invencionices, mas que afirma nessa prática uma política formativa disforme. O fuxico aparece como força do vivo e exercício de coragem, potencializando os processos criativos. No fuxico, os currículos são dessacralizados. A santidade é borrada e o oficial é tornado provisório. Em práticas de liberdade, se valendo das ocasiões dos que se afetam, um currículo fuxiqueiro cresce e se desloca. Aposta nas fofocas e nos fuxicos justamente como essas forças que, espalhando-se sem rostos e sem nomes, enfraquecem todo o discurso de verdade que as forças controladoras se armam para ditar. O fuxico e os currículos fuxiqueiros insurgem para romper com a norma e com as intenções de verdade absolutas dos currículos que negam as invenções dos praticantes.

“POR UMA ESCOLA GORDA!”: difrações a partir do ativismo e estudos do corpo gordo

PID: S1982-03052023000400150 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2023
Autores: Paranhos Jimenez-Jimenez
Resumo O presente artigo objetiva propor um exercício difrativo que parte das experiências des autories enquanto corpas gordas em período escolar, e emaranha-se com os estudos do corpo gordo e com o ativismo gordo, a fim de pensarmos em possibilidades de teorização que instrumentalizem o estar-fazer na/a/com a escola. Identifica-se, em um primeiro momento, vários aspectos que levam a pensar como a gordofobia é uma violência estruturada na sociedade e, em decorrência, institucionalizada na educação. Posteriormente, propõe-se uma análise difrativa em torno do bullying, fenômeno complexo que indica a violência no contexto escolar, mas que, em face de suas fragilidades e de um uso indiscriminado, inscrito em uma lógica universalista, acaba por apagar formas de violência que necessitam ser nomeadas, assegurando suas especificidades. Por fim, numa espécie de manifesto, criam-se conexões a partir dos estudos do corpo gordo, do ativismo gordo, dos feminismos negro, gordo e cuir, além de outras perspectivas ontoepistemológicas, pensando em possibilidades que visem orientar na construção de uma prática educacional voltada à alteridade e à(s) diferença(s).

(RE)VENDO A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORAS E O PENSAMENTO ALGÉBRICO NOS ANOS INICIAIS

PID: S0104-70432023000300255 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2023
Autores: Silva Passos
RESUMO Este Educação e aprendizagem da docência objetiva compreender que aprendizagens docentes ocorrem no movimento reflexivo de (re)ver tarefas ligadas à unidade temática Álgebra nos primeiros anos de escolarização, especificamente em turmas de 1º, 2º e 3º ano, com professoras que ensinam Matemática. O referencial teórico discute a inclusão do pensamento algébrico nos anos iniciais, como também a formação continuada de professores. Para tanto, valemo-nos de um estudo de natureza qualitativa, com vista ao trabalho colaborativo, no contexto de uma escola pública paulista cujos instrumentos de produção de dados decorrem de interações propiciadas a partir de reuniões virtuais síncronas (Google Meet) no horário de Atividade de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC). Os resultados apontam a necessidade de trabalhos investigativos que sinalizem para “como” pensar tarefas que contribuam para o desenvolvimento do pensamento algébrico, ampliando o conhecimento especializado do professor.

(TRANS)VIVÊNCIAS E EXPERIÊNCIAS DE ESCOLARIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

PID: S0104-70432023000400204 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2023
Autores: Silva Laffin Vigano
RESUMO Apresenta-se um estudo de doutoramento na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em articulação com as questões de gênero e sexualidade vivenciadas por estudantes travestis e transexuais. Tem como objetivo compreender os significados na vida cotidiana de travestis e transexuais com base em suas experiências na EJA. Os estudos de Arroyo (2014, 2017), Bento (2011), Freire (1996, 2001, 2018), Hooks (2017, 2019), Oliveira (2017, 2020), e outros/ as, contribuíram para a investigação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que ressalta a produção de (trans)pesquisadoras e analisa as escrevivências (Evaristo, 2020) das cartas-corpo escritas por autoras-participantes. Os principais resultados permitem apontar que as reflexões transpõem as relações de gênero, que se fundam em uma matriz colonial de poder, tendo na produção do saber, viver, sentir e existir a reprodução da lógica binária homem/mulher como um instrumento de dominação. Além disso, as experiências vividas e as vozes insurgentes constroem suas “cosmopercepções” de gênero e de educação, evidenciando o que enfrentaram na escola e na vida, com estratégias de transgressão e resistência.
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