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Ensaio sobre o tempo em Paulo Freire e Edgar Morin: caminhantes em diálogo com a educação

PID: S2178-46122022000100408 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Gusmão Jesus Pinto
Resumo O que da importância de uma obra filosófica para o pensamento planetário? Cremos que pelo valor que ela agrega a cada novo presente, possibilitando outras formas de sentir, pensar e habitar as diversas experiências da vida, entre elas a da Educação. Neste artigo, nosso objetivo é trazer à tona as potencialidades das obras de Paulo Freire e Edgar Morin no tocante à relação entre temporalidades e Educação. Nossa abordagem metodológica é a pesquisa bibliográfica, utilizada para mapearmos a concepção de tempo nas obras de Freire e Morin. O pensamento do patrono da Educação brasileira dá ênfase ao devir das temporalidades vividas pelos sujeitos e ao tempo da História, ambos entendidos enquanto inacabamentos que possibilitam o engendramento de inéditos viáveis. Por sua vez, o pensamento do filósofo francês busca, a partir da crítica do pensamento cartesiano, propor a complexidade enquanto aquilo que é tecido junto, entrelaçando, assim, vida e conhecimento. O excesso da vivência do tempo cronológico nas relações sociais vem se materializando na busca insaciável do ter e na exploração de si, as quais levam a Educação a se inclinar apenas para a repetição de um currículo atento às demandas mercadológicas. Chegamos à conclusão de que existe um elo filosófico entre as concepções de tempo construídas nas obras de Paulo Freire e Edgar Morin que nos dão a pensar que outras formas de experienciar a temporalidade são urgentes na e para a Educação atual. Inspirando-nos nas ideias de Freire (1982, 2007, 2014, 2015, 2016, 2019) e Morin (2003, 2008, 2010, 2014), sinalizamos possibilidades de ressignificação do tempo na contemporaneidade, pensando-o não como futuro esvaziado de presente que se coloca a serviço da produção, mas como atenção ao presente enquanto potência que permite esperançar na Educação.

Filosofia afro-brasileira como contribuição formativa para o ensino de filosofia

PID: S2178-46122022000100103 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Paula Junior
Resumo Neste artigo apresentamos uma perspectiva de compreensão da história da filosofia, na qual é possível acessar outros modos de como essa história pode ser interpretada. Nessa perspectiva ocorre a desconstrução epistêmica eurocentrada de legitimação da ideia de um “milagre” grego que permite o surgimento da filosofia nessa região em detrimento a outros lugares. O pressuposto indicado é o da pluriversalidade de Mogobe Ramose (2011), que apresenta a ideia de pensamento reflexivo e crítico como condição humana, independente de local. Em relação ao continente africano, trazemos a crítica de que a escravidão moderna promovida pela Europa desumaniza africanos e indígenas e, com isso, lhes nega a capacidade de pensamento. Após essa análise, apresentamos a filosofia afro-brasileira como um desdobramento da filosofia africana em seu deslocamento do continente africano para as Américas no período da escravidão e colonização. Apresentamos as bases epistêmicas dessa filosofia mantidas nas culturas afro-brasileiras. Destacamos, também, os seus subsídios corporais, salientando a sua dimensão ética e estética ao propor outros modos de se relacionar, em que o coletivo é a alternativa ao individualismo, no qual se destaca uma ética comunitária e solidária. As narrativas constituídas no processo colonizador da modernidade são revistas em seus pressupostos de supremacia para dar lugar a uma filosofia que alcance o outro, que se estabeleça na alteridade. Tal proposta nos parece relevante para o ensino formal de filosofia, pois dialoga diretamente com a realidade de mundo existencial formativa do país e aponta outras possibilidades de organização da vida em distintos aspectos, mas todos perpassados pela educação; nesse caso, uma educação para ser e estar com o outro, o que solicita a revisão curricular na grade da filosofia, tanto da formação de professores quanto da disciplina destinada ao Ensino Médio.

Interfaces da bioética global de Potter com a teoria da complexidade de Edgar Morin com vistas a novos saberes para a educação do futuro

PID: S2178-46122022000100107 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Renk Sganzerla Pessuro
Resumo As constantes mudanças da sociedade contemporânea, principalmente relacionadas ao desenvolvimento do progresso tecnocientífico, têm exigido uma contínua reinvenção da sociedade para acompanhar essas mudanças. Essas transformações têm impactado a totalidade da vida humana e da biosfera. Se o futuro da natureza humana e da vida da biosfera eram considerados certos, não exigindo a prática de princípios específicos para que isso pudesse continuar a existir, Van Rensselaer Potter (1911-2001), com sua proposta de uma bioética global, e Edgar Morin (1921-atual), com sua teoria da complexidade, alertam-nos de que é preciso buscar novos saberes à educação para garantir a existência futura. Diante dessa realidade marcada pelo acelerado progresso da ciência e da tecnologia, que por estar dissociada do mundo do mundo dos valores tem ameaçado a existência da vida em geral no futuro, esta pesquisa quer investigar como a bioética global de Potter faz interface com a teoria da complexidade de Edgar Morin, com vistas a novos saberes para a educação do futuro, de maneira a possibilitar a sobrevivência futura da vida humana e da biosfera. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter teórico-conceitual, a partir das principais obras dos autores em foco e de seus comentadores. Embora o cientista e o sociólogo tenham problematizado em realidades distintas, ambos apresentam um núcleo de preocupações em comum que ameaçam a vida humana e da biosfera no futuro. Por isso, propõem novos saberes à educação, saberes de um novo tipo que vão além de uma simples disciplina dentro de um modelo de pensar, novos saberes que privilegiem a construção de pontes entre as ciências e as humanidades, o diálogo interdisciplinar bem como a aproximação das questões ético-políticas com vistas a uma antropoética (Morin) e uma educação bioético-política comprometida com a sobrevivência futura da humanidade (Potter).

La persona. I presupposti imprescindibili dell’etica personalistica: imperativita’, obbligazione, liberazione.

PID: S2178-46122022000100100 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Bosio
Resumo O presente estudo pretende refutar e superar definitivamente o relativismo, o utilitarismo e o ceticismo fundamental das éticas contemporâneas, fudamentadas na absolutização dos fatos, do costume, das tendências culturais historicamente e socialmente dominantes na época presente. Tal atitude é tolerante e pluralista somente na aparência, porque na realidade é hipocritamente intolerante a qualquer outra ética que não seja a do hedonismo ordinário, do consumismo e da aquiescência às demandas da técnica e aos imperativos da pesquisa científica dirigida unicamente aos fins da utilidade e da conquista do bem-estar e de facilitações para o gênero humano. A ética que pretendemos propor está centrada na ideia de pessoa. Na nossa opinião, a pessoa é abertura absoluta para o todo do ser e é eminentemente atualidade espiritual. Não é, portanto, unicamente uma atividade racional universal, mas envolve fundamentalmente também a emotividade, a vontade e o desejo. A exigência fundamental da pessoa espiritual é a busca da felicidade. E tal busca se impõe com a força de um verdadeiro e próprio “imperativo ético”. E a sua função é a de nos libertar das constrições do hábito, da falsa e artificial moral ordinária que se submete somente aos fatos e à busca do útil e do conveniente. Libertação e imperatividade são os elementos essenciais para a busca da felicidade e esta, por sua vez, consiste na promoção de um crescente acordo e de uma harmonia sólida de cada pessoa consigo mesma. A imperatividade da obrigação com a qual nos ligamos fielmente ao compromisso espiritual de afirmar a nossa libertade da escravidão dos fatos e do apego àquilo que é somente provisório e pobre de autêntica satisfação interior confirma e promove a libertação espiritual de cada pessoa.

Leitura e singularidade biográfica: o caso do editor português Vitor Silva Tavares

PID: S2178-46122022000100203 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Cameira
Resumo O presente artigo parte de uma relevante premissa de Paulo Freire, a de que “a compreensão crítica do ato de ler […] não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele” (FREIRE, 1981, p. 9). Procura-se, então, analisar os primeiros anos (até a adolescência) do processo de construção social de um indivíduo-leitor, a saber, Vitor Silva Tavares (1937-2015), timoneiro, a partir de 1974, da histórica casa editora &etc. Com uma infância vivida num meio nada culto ou diletante (em sua casa o objeto livro não era algo que abundasse), e tendo abandonado precocemente os estudos liceais, Vitor Silva Tavares acabou por tornar-se, contra toda a probabilidade, numa figura marcante do campo da edição literária em Portugal na segunda metade do século XX. Ganhando ele espessura de caso, trata-se aqui de refletir, a partir de elementos obtidos através do recurso à história de vida do referido editor, como, sob a colagem de diversos efeitos, socializações e acasos, se foi produzindo um perfil singular de indivíduo, perfil esse onde a atividade da leitura ocupou um papel determinante, gerando predisposições mentais, desafios, condicionando a própria vida que Vitor Silva Tavares quis levar, dedicada à prescrição editorial, à mediação da leitura, transferindo para outros impressões (sobre vários mundos) que foram primeiramente suas.

Leituras e travessias pelas memórias afetivas e musicais: experiências subjetivas

PID: S2178-46122022000100206 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Carvalho
Resumo O presente artigo trata sobre experiências leitoras motivadas por canções, memórias autobiográficas e comentários publicados em plataformas digitais. Partindo-se do princípio de que a leitura é mais que uma simples atividade de decodificação, defende-se que, ao se deixar ler pelas canções e pela arte, o sujeito, involuntariamente, arma-se para produzir sentidos às marcas inscritas e reinscritas na sua própria história, reinventando-se e gerando novos processos de subjetivação. Os objetivos deste trabalho são: (1) construir uma compreensão sobre o lugar da canção no cenário artístico brasileiro, bem como sobre a sua capacidade de produzir efeitos nos sujeitos leitores; (2) narrar uma experiência de leitura, em que a canção atua como desveladora de demandas afetivas pessoais, que inspirou a série de vídeos Histórias de Maria; e (3) analisar leituras sobre as Histórias de Maria, imersas em comentários sobre essa série publicados nas plataformas digitais. Autores como Wisnik (2004; 1989), Rossi (2003), Neder (2008), Lima (2013), Agamben (2009), Martins (1986) e Jouve (2002) contribuem para a compreensão do lugar da canção no cenário artístico brasileiro, sua qualidade de objeto biográfico e dispositivo, sua potência em levar o corpo a produzir sentidos para marcas inscritas e reinscritas, através de diversos níveis de leitura, bem como para a análise das possíveis leituras imersas nos comentários recolhidos para este trabalho. Por fim, conclui-se que toda forma de ler vale a pena.

Letramento literário dentro e fora da escola: a recepção de O olho de vidro do meu avô, de Bartolomeu Campos de Queirós

PID: S2178-46122022000100204 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Corrêa Magalhães
Resumo Este artigo apresenta reflexões sobre o letramento literário a partir da recepção da obra O olho de vidro do meu avô, de Bartolomeu Campos de Queirós (2004), por meio da análise de depoimentos de leitores comuns (a literatura no cotidiano dos indivíduos) – e de trechos de artigos científicos sobre a obra (a literatura no campo acadêmico). Apresentamos também uma sequência didática desenvolvida com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de Itabirito, interior de Minas Gerais, a partir da recepção do livro. Para a realização da prática pedagógica, usamos a proposta sugerida e experienciada por Rildo Cosson (2012) para o letramento literário, denominada pelo pesquisador como sequência básica, composta por quatro etapas: motivação, introdução, leitura e interpretação. Dessa forma, procuramos compreender a literatura, a leitura literária e o letramento literário na vida social e na escola, pois cabe a essa instituição proporcionar aos alunos experiências que desenvolvam essa competência para o letramento literário, a se perpetuar pela vida adulta. O principal objetivo desse processo no contexto escolar é formar um leitor que aprecie significações estéticas, capaz de se inserir em uma comunidade que faça suas próprias escolhas literárias, que saiba manipular seus instrumentos culturais e possa construir com eles um sentido para si e para o mundo em que vive. Dessa forma, é necessário reconhecer a importância de atividades que abarquem diferentes tipos de materiais escritos, mas que não sejam negligenciados os textos literários, multiplicando, dessa forma, os espaços de leitura e constituindo comunidades de leitores na escola e fora dela.

Literatura e seus modos de leitura: a mediação literária para estudantes do ensino médio

PID: S2178-46122022000100200 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Pinheiro Oliveira
Resumo Este artigo analisa oficinas de leitura efetuadas com alunos do primeiro ano do Ensino Médio de uma escola pública e de uma escola particular da cidade de Dourados/MS (Brasil). Tais oficinas foram constituídas por textos que reconfiguravam a personagem Chapeuzinho Vermelho ao longo do tempo, e a mediação de leitura visava a buscar, nas interpretações dos estudantes, novas leituras acerca dos textos Chapeuzinho Vermelho, nas versões de Charles Perrault e dos irmãos Grimm; além do conto Fita Verde no Cabelo: nova velha estória, de Guimarães Rosa. A expectativa era perceber como o público das distintas realidades tem interpretado textos, tomando como base os Modos de Leitura defendidos pelo teórico Rildo Cosson (2014) como mecanismos para interpretar textos literários em suas indagações durante as atividades. Portanto, apresentamos aqui a análise das transcrições de áudios gravados durante as Oficinas de Leitura. A metodologia adotada está baseada nos estudos de Alves e Silva (1992) para análises qualitativas. Ao final, concluímos que os estudantes da escola pública e da escola particular se valem dos Modos de Leitura para interpretações de textos literários, entretanto, os primeiros se mostram mais apegados às temáticas dos textos por identificação de suas realidades, tornando assim a leitura mais pessoal, sem recorrer a teorias literárias para suas interpretações, enquanto os outros, mais conhecedores de teorias e conceitos de literatura, tornam suas interpretações menos pessoais e mais práticas. Como referencial teórico, dialogamos com Cosson (2014) e com o Referencial Curricular da Educação Básica da Rede de Estadual de Ensino/MS – Ensino Médio (2012), dentre outros.

Modos e práticas leitoras, desafios do digital

PID: S2178-46122022000100208 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Magalhães
Resumo Cultura escrita, alfabetização e escolarização assinalam a longa Modernidade de mais de quatro séculos na História do Mundo Ocidental. A cultura escrita congrega informação, conhecimento, pensamento, acção. A aculturação escrita constituiu condição e factor de conhecimento, cidadania e humanitude. Desde finais da Idade Média, com a difusão do papel e a mecanização da tipografia, o mundo da leitura alterou-se, em reflexo da maior divulgação do livro impresso. Na transição do Antigo Regime, a leitura e a escrita eram práticas usuais na esfera do Estado e da administração pública, e tornavam-se condição de cidadania. A escola tornou a leitura obrigatória. No decurso de Oitocentos, a progressiva universalização da alfabetização escolar e a constituição da esfera pública beneficiaram de avanços técnicos no mundo editorial, na vulgarização do livro, na disseminação de periódicos, na criação de bibliotecas. No século XX, a cultura de massas através do livro, do áudio e do cinema trouxe a omnipresença da leitura, cujos índices cresceram até final do século. Mas desde a década de oitenta que o digital e os novos modos de ler só em parte vêm suprindo a desvalorização das formas tradicionais de cultura e leitura. Combinando a evolução da cultura escrita, do livro e dos modos de ler, estrutura-se uma sequência de quadros históricos: i) ciclo centrado no impresso e no livro, que se acentuou com a Ilustração – ordem do livro, falar como um livro, aprender pelo livro; ii) ciclo caracterizado por novos modos de ler e novos leitores – o leitor escolar e “nações a ler”; iii) ciclo que se acentuou na segunda metade de Oitocentos, de aculturação de massas centrada no impresso, no livro, no periódico e nas bibliotecas; iv) ciclo que se prolongou até à viragem do século XX, de universalização de leitura do impresso e do audiovisual, com relevo para a rádio, o cinema e a televisão – esta em espaços domésticos, caracterizado pela cultura de massas e pela globalização; v) o ciclo actual, de universalização do digital com novos modos de aculturação e comunicação. Traçarei uma panorâmica histórica da aculturação e sociabilidade pela leitura e pela escrita, tendo como referência estes ciclos.

Narrativas de uma educadora popular: a luta e a resistência propositiva de mulheres em diálogo com a história da Educação Popular

PID: S2178-46122022000100307 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Souza Novais
Resumo Este artigo tem por tema a história da Educação Popular em diálogo com as narrativas de uma educadora popular. Objetiva, por isso, resgatar, nessas narrativas, a historicidade da Educação Popular evidenciada na luta de mulheres e nos movimentos de resistência propositiva popular por elas empreendidos para, consecutivamente, refletirmos sobre a continuidade dessa luta e dessa resistência que vêm fortalecendo os pressupostos da Educação Popular em sua história, face ao quadro desencadeado pela pandemia de Covid-19, especialmente com relação às práticas de cuidado e solidariedade. Por meio de um processo investigativo de natureza qualitativa, as narrativas que se vinculam às Histórias de Vida de uma educadora popular foram gravadas, transcritas, lidas e analisadas como tentativa de compreender e interpretar suas experiências. Assim, foi possível compreender que a trajetória histórica da Educação Popular é também protagonizada por mulheres que lutaram e resistiram de forma propositiva ao longo do tempo, inserindo-se junto aos movimentos eclesiais de base, às pastorais, aos movimentos sociais e aos partidos políticos de esquerda, contribuindo para a transformação da realidade que se fazia opressora e excludente. Com a pandemia de Covid-19, revela-se ainda mais tal protagonismo, especialmente por meio das práticas de cuidado por elas experimentadas, o que fortalece as premissas que sustentam a Educação Popular enquanto projeto libertador e de fortalecimento da dignidade humana.

Notas sobre a masculinidade no pensamento pedagógico de Johann Friedrich Herbart

PID: S2178-46122022000100104 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Silva Conti
Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar as ideias pedagógicas de Johann Friedrich Herbart (1776-1841) e as suas possíveis contribuições para a construção da masculinidade moderna a partir de pesquisa bibliográfica desenvolvida no âmbito do Doutorado em Educação. Herbart é um dos precursores da pedagogia enquanto ciência, associando diretamente os conhecimentos da filosofia, da educação e da psicologia para formular um aparato teórico que respondesse às transformações dos séculos XVII e XVIII, notadamente o Iluminismo Francês, por isso consideramos que o autor marca profundamente a Modernidade. Para melhor compreender a temática que propomos neste trabalho, dividimos o artigo em três seções, além da Introdução: (a) na primeira expomos o percurso metodológico bibliográfico baseado no desenho circular de aproximações sucessivas às fontes; (b) em seguida, analisamos o contexto histórico das formulações de Herbart, a organização sintética de suas ideias e sua proposta pedagógica; (c) por fim, na terceira seção, estabelecemos relações entre o projeto educacional do autor e as suas possíveis contribuições para a masculinidade moderna.

O discurso fotográfico entre a doxa e o paradoxo

PID: S2178-46122022000100201 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Serén
Resumo Surgindo em 1839 como um processo técnico de representação da imagem, em meio amador e iluminista, a fotografia irá produzir um discurso popular que será exclusivo durante quase três décadas: a imagem fotográfica é bela como perfeita quando exata na imitação da realidade, clara e com informação formal do seu espaço e tempo. Este discurso popular pode incluir uma breve informação histórica sobre a autoria das invenções técnicas decisivas na fixação e reprodução da imagem. No último quartel desse século, vai-se definindo nas imagens dos amadores fotográficos uma aspiração artística, em vista da crescente industrialização dos seus meios, e surge uma teoria, o Pictorialismo, que sobrevaloriza o sujeito criativo do fotógrafo, coincidindo com novas formas do pensamento e da arte. Esgotada no geral a teoria após o fim da Primeira Guerra e, a partir de um novo olhar que incluiu a capacidade de a câmara imitar efeitos plásticos do cinema, o olhar subjetivo não mais abandonará a prática fotográfica, enquanto se multiplica a literatura fotográfica, suscitando o interesse de filósofos, pensadores, cineastas, psicólogos e psiquiatras desde o desenvolvimento da sociedade de massas. No último quartel do século XX, com inspiração pós-moderna, surge o padrão de uma história da fotografia como uma história de arte, com estilos e artistas-autores, que se tornará internacional com a difusão do ensino oficial da fotografia e com o seu discurso erudito. O objetivo deste trabalho é distinguir a leitura popular da erudita da imagem até o período da atual crise conjuntural e de passagem das técnicas da fotografia analógica para a digital (numérica), sem que fosse criada uma aprendizagem coincidente com essa alteração que exige a produção de algoritmos criativos.

O diálogo que aproxima e a complexidade que abraça: Paulo Freire e Edgar Morin na educação

PID: S2178-46122022000100409 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Silva Rodrigues
Resumo Este artigo tem por objetivo analisar os pressupostos freirianos e morinianos, identificando interfaces, aproximações, diferenças e complementaridades, com olhar especial para a Teoria Dialógica e a Teoria da Complexidade, a fim de compreender as principais contribuições dos autores, não só para a Educação, mas para a organização e a constituição da vida. A metodologia norteadora do trabalho é de abordagem qualitativa, embasada em uma pesquisa de caráter bibliográfico. A fundamentação teórica está alicerçada principalmente nas literaturas dos autores referidos (Paulo Freire e Edgar Morin). Assim, o movimento de análise em relação à hipótese que construímos indica que as ideias em estudo apresentam conexões e similaridades, alargando as instâncias do saber para os que se empenham na busca por possibilidades tangíveis diante dos percalços sociais e consequentemente educacionais. Concluímos que em Freire é possível pensar o mundo e o humano por meio de ação dialógica imbricada em dois elementos determinantes: a reflexão e a ação que resultarão em práxis transformadora. Ele sugere a superação da Educação bancária e propõe uma Educação problematizadora. A proposta de Morin sugere “tecer junto”, um com o outro, ponto a ponto; sejam eles antagônicos, concorrentes ou complementares, a trama não pode ser simplificada; defende o pensamento integral, capaz de interligar as multidimensionalidades do saber. Um propõe a luta, outro se preocupa em ensinar a viver nessa luta. Pensam a pluralidade, as ideias interdisciplinares, pensam a Educação, o mundo e, assim, transcendem as paredes da escola com propostas pedagógicas humanizadoras, que garantem não só saberes epistemológicos, mas também a dignidade da vida humana. Transitam pelos campos da esperança, passeiam entre o diálogo que aproxima para transformar e a complexidade que abraça para ensinar.

O ensino de filosofia na educação básica: possibilidades de resistência

PID: S2178-46122022000100117 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Castaman Magarinus
Resumo O presente artigo aborda a situação do ensino da Filosofia na conjuntura histórica da Educação brasileira. Por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental propõe-se a investigar reflexivamente as condições que o ensino da Filosofia tem de se (a)firmar como condição à promoção do pensamento autônomo no Ensino Básico, dentro do espaço que lhe é reservado no atual contexto educacional brasileiro, marcado por reformas de cunho neoliberal voltadas aos interesses do mercado. Partindo da concepção de Filosofia como criação de conceitos, compreende-se como sua principal função em sala de aula, entre outras, apresentar-se como um ambiente livre das demandas externas estabelecidas pelos programas oficiais de ensino no qual os estudantes tenham possibilidades de desenvolver o pensamento autônomo e construir sua subjetividade de forma desprendida. Essa atribuição requer determinados requisitos, como a presença da Filosofia enquanto disciplina, professores especializados na área e tempo livre e de qualidade o suficiente para o exercício do pensar autônomo, os quais se encontram ausentes, em sua maioria, no modelo de ensino que está sendo implementado. No atual cenário, marcado por reformas guiadas por tendências neoliberais que submetem a Educação aos interesses da Economia, o espaço da Filosofia no Ensino Básico encontra-se reduzido e ameaçado. Tais mudanças reforçam o dualismo presente na Educação brasileira, o qual atribui uma formação geral à classe privilegiada e outra de cunho laboral à trabalhadora, impedindo a implantação de uma formação humana integral para todos(as), na qual a Filosofia ocupa papel fundamental. Compreende-se, por fim, que, apesar do cenário desfavorável, resta à Filosofia criar formas de resistência, dentro e fora da escola, para poder se (a)firmar.

Paulo Freire e o oprimido na educação popular

PID: S2178-46122022000100402 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Teixeira Oliveira
Resumo O objetivo deste artigo é analisar como a Educação Popular de Paulo Freire foi marcada pelo outro oprimido e como essa relação com o oprimido foi construída na sua trajetória de vida, desde a infância. Trata-se do recorte de uma Dissertação de Mestrado, na qual foi realizado o levantamento bibliográfico das produções de Freire e utilizada a análise de conteúdo com ênfase na categorização. Os resultados apontam que a categoria “oprimido” é basilar ao pensamento de Freire para além do título de um livro, sendo uma luta presente em sua produção por toda e qualquer pessoa negada de ser mais. Resultados apontam também que toda a vida de Paulo Freire foi de encontros com o outro, com a diversidade e com o oprimido, capacitando-o, assim, a traçar formas de, juntamente com esses sujeitos, mudar suas realidades. O pensamento revolucionário e transformador de Paulo Freire em favor do oprimido não foi construído somente por meio de leituras e alguns anos de formação acadêmica, foi construído na sua mente, no seu corpo, na sua fome no Nordeste, no seu frio e no frio de seus filhos durante o exílio e no seu reaprender o Brasil com homens; mulheres; trabalhadoras e trabalhadores; educadoras e educadores; militantes dos movimentos sociais; e diversos outros que constituem a Educação Popular. Desde a infância, as dificuldades vivenciadas ensinaram Freire a não se acomodar e a urgência em transformar. Na juventude percebeu que só era possível ser educador se fosse em diálogo. Na vida adulta, com andarilhagens pelo mundo e retorno ao Brasil, notou que a Educação Popular tem que ser reinventada em cada contexto. Ao longo da pesquisa foi possível concluir que a Educação com o outro e não para o outro caracteriza-se como uma premissa da Educação Popular freiriana.

Paulo Freire en la liberación de la educación municipalizada en Venezuela

PID: S2178-46122022000100403 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Rodríguez
Resumen En la indagación realizada como objetivo complejo se sustenta la liberación de la Educación Municipalizada desde el legado de Paulo Freire, se concibe bajo el transmétodo la hermenéutica comprensiva, ecosófica y diatópica. Pasando por los momentos analíticos, empíricos y propositivos. En el momento analítico – empírico: se explica la crisis con los viejos vicios de la educación tradicional impuesta en la Educación Municipalizada, nos llevó a romper paradigmas, en un aren de contradicciones y topoi, más marcado en un pensamiento abismal donde los saberes de las comunidades olvidadas siguen desmitificados de los conocimientos fijos impuestos en las universidades. Se investiga con la línea de investigación titulada: educabilidad – formación universitaria municipalizada – imaginarios sociales complejos, en el marco del Doctorado en Ciencias de la Educación realizado en la Universidad Latinoamericana y el Caribe, Venezuela. El legado de Freire está presente en toda la indagación, se trata de ir al rescate y liberación de la Educación Municipalizada, que defienda la esencia de municipalidad, educación popular, masificación de la educación. Implica explorar nuevos conocimientos, producto de un aprendizaje constante se combinan los aspectos culturales, políticos y económicos se visualizan nuevos escenarios de vida que coadyuvan en el proceso enseñanza aprendizaje. El ser humano por naturaleza posee muchas fortalezas que le resultan viables en su proceso de formación continua. Y ello resulta propicio para que desde la academia se concrete su tarea formativa, se prepare para la vida.

Paulo Freire: ensayo fotográfico de soledades

PID: S2178-46122022000100405 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Parody
Resumen Se tejen vínculos entre el ensayo, las fotografías y el art poética para dar paso a una etnografía artística que no tiene más remedio que ser transversal. Escritura fragmentaria que da cuenta de la soledad de los páramos venezolanos. Aunque el mundo no nos dirige la palabra insistimos en su lectura. Pasar a palabras lo vivido. La retórica fotográfica para cumplir con exigencias de la persuasión, verosimilitud y dialogo con la subjetividad humana. Y detrás de todo, están los postulados de búsqueda de Paulo Freire. Su pedagogía de la ironía nos da la oportunidad de narrar las diferencias. Conclusiones azarosas entre la brevedad fotográfica y la intensidad de las palabras.

Pensar a raça: Educação como prática da liberdade para superação do racismo

PID: S2178-46122022000100105 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Ketzer Rocha
Resumo O presente artigo consiste em uma pesquisa bibliográfica que propõe a educação como prática da liberdade para superação do racismo. O trabalho está dividido em três partes: na primeira, abordaremos o racismo como uma construção social baseada na ideia de raça, que a partir da racialização produz lugares sociais de submissão e tende a se agravar com o esvaziamento da educação; num segundo momento, destaca-se o papel do Movimento Negro na luta pela educação e na valorização de outros tipos de saberes; por fim, a partir de bell hooks, argumentamos que uma educação como prática da liberdade, baseada em uma pedagogia engajada, pode contribuir para a diminuição do racismo.

Percepções de professores de filosofia sobre a especificidade da disciplina de filosofia

PID: S2178-46122022000100113 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Gabriel Pereira
Resumo Este artigo, um recorte de pesquisa de Doutorado, objetiva desvelar as percepções de 208 professores de Filosofia do Paraná no sentido de buscar evidenciar quais seriam as especificidades dessa disciplina em relação a outras do currículo. Inicialmente, disserta-se sobre a intermitência da disciplina de Filosofia no currículo da Educação Básica, com base em Deleuze e Guattari (2010), os quais demarcam o entendimento da Filosofia como criação de conceitos. Em seguida, fundamentando-se em Rodrigues e Gelamo (2019), entre outros autores, reflete-se sobre o modo de compreender a Filosofia, que pode oscilar entre uma compreensão enciclopédica com base na memorização dos sistemas filosóficos e a experiência filosófica. Por fim, por meio da análise de conteúdo de Bardin (2016), a seguinte questão de um questionário que envolvia outras dez foi analisada: “Você acredita que a Filosofia proporciona espaços ou momentos diferenciados em relação aos das outras disciplinas? Se sim, no que ela se diferencia?”. Das respostas dos 208 docentes, emergiram as seguintes categorias: criação de conceitos, espaço para debate/reflexão de ideias, possibilidade da experiência filosófica e superação do senso comum. Os resultados apontam, assim, um sentido de que a disciplina de Filosofia não deve limitar-se a um conhecimento enciclopédico, mas tratar-se de um conhecimento que se relaciona com o cotidiano de seus interlocutores. Faz-se necessário, porém, saber valorizar adequadamente a história da Filosofia, pois, ao valorizá-la demais, pode-se incorrer a um ensino meramente descritivista; contudo, ao não a valorizar, pode-se debruçar em discussões sem conteúdo filosófico.

Pesquisa: três dimensões formativas

PID: S2178-46122022000100110 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Boufleuer Cossetin Johann
Resumo Este artigo apresenta a pesquisa como princípio formativo e destaca a sua relevância para a dimensão do conhecimento e da aprendizagem, trazendo evidências de que ela é o modo humano de conhecer e compreender. Objetiva-se chamar a atenção para diferentes dimensões formativas da pesquisa que, em certo sentido, podem ser situadas como pressupostas ou anteriores a quaisquer modalidades, métodos, tipos ou estratégias de sua realização específica. Nessa direção, a pesquisa pode ser compreendida, em termos gerais, como constituidora do modo de ser humano e, em termos específicos, do modo de ser estudantil e docente. Para tanto, argumenta-se que a linguagem é um traço distintivo dos humanos que lhes permite simbolizar, interpretar, compreender e transformar; tais aspectos permitem dizer que a constituição do mundo humano é uma autocriação. Por fim, destaca-se a pesquisa como esforço para compreender as situações práticas mediante o recurso a categorias teóricas e/ou interpretativas e como uma atividade humana de fundamental importância, que tem nas instituições educativas um lugar privilegiado para a sua otimização, na medida em que inter-relaciona o ensino, a pesquisa e a experiência prática da vida.
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