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Processos educativos populares na/da alimentação: a prática do saber e o saber da prática

PID: S2178-46122022000100306 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Simon Moretti Ploia
Resumo O presente artigo tem por objetivo compreender os processos educativos que emergem na/da relação entre trabalho e alimentação. Metodologicamente, resulta da análise qualitativa de dados produzidos em entrevistas semiestruturadas, anotações em diários de campo e narrativas com mulheres da região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Desse modo, selecionamos onze registros de mulheres de diferentes municípios da região, analisados a partir da codificação e da decodificação das narrativas de memória, valorizando a perspectiva crítica que é própria da Educação Popular na/da leitura de mundo. A categoria conceitual de memória é relevante para a compreensão da relação trabalho-educação-alimentação. A memória, como objeto de estudo epistemológico, torna-se vetor de uma vivência de pertencimento coletivo e popular, revela tradições, costumes e experiências dos grupos sociais bem como manifesta a organização das comunidades por seu trabalho, saberes e processos educativos que emergem no tempo e no espaço vividos. Em um primeiro momento identificamos como processos educativos emergentes: a relação entre comida e saberes; a produção e a manifestação de memórias partilhadas entre as mulheres; e o fortalecimento e a (re)existência de práticas alimentares. Destacamos, por conseguinte, o desvelar de práticas e saberes que se diferem em: 1) conservas, salgadas e aciduladas; 2) doces cremosos, compotas cristalizadas ou secas; e 3) derivados dos laticínios. Portanto, neste artigo, foi possível observar que experiências, saberes e práticas de alimentação estão relacionados ao trabalho. Consequentemente, entendemos que as mulheres ressignificam suas memórias. Logo, “ser mulher” implica partilha e reciprocidade bem como pertencimento pela consciência de saberes e práticas populares.

Professores(as) formadores(as) e suas concepções sobre o papel do(a) professor(a): uma análise a partir de Giroux, Freire e Gur-Ze’ev

PID: S2178-46122022000100112 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Poziomyck Guilherme
Resumo Este artigo discute o papel do(a) professor(a) na Educação a partir da produção teórica dos autores Henry A. Giroux, Paulo Freire e Ilan Gur-Ze'ev e de uma pesquisa de campo aplicada a professores(as) formadores(as) no Brasil. Para tanto, aborda alguns conceitos propostos por cada um dos três autores, como o conceito de intelectual transformativo proposto por Giroux, a perspectiva do(a) professor(a) como um(a) libertador(a) político(a) desenvolvida por Freire e o conceito de professor-improvisador descrito por Gur-Ze’ev na sua teorização sobre a contraeducação. Na segunda parte as contribuições teóricas desses autores servem como referência para interpretar os dados obtidos em uma pesquisa qualitativa aplicada a professores(as) de disciplinas pedagógicas de cursos de Licenciatura de uma universidade pública federal no estado do Rio Grande do Sul sobre o papel do(a) professor(a) na Educação contemporânea. Na análise de dados, retoma-se a questão do emprego do termo “papel” apresentada na introdução bem como do emprego da expressão “papel do(a) professor(a)” como categoria de análise da pesquisa em relação à qual os entrevistados demonstraram, em sua maioria, identidade conceitual. Dentre as falas dos entrevistados, destacam-se as temáticas da intencionalidade da ação docente, da neutralidade e da politicidade da ação docente, as quais têm grande relevância na obra dos autores estudados e repercussão no debate social brasileiro, vide os mais variados projetos de lei apresentados nas casas legislativas brasileiras que intentam, à sua visão, despolitizar a Educação no país.

Sobre a filosofia como pedagógica do sagrado: uma abordagem decolonial

PID: S2178-46122022000100114 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Alexandre
Resumo Trata-se, neste artigo, de investigar as noções de filosofia, pedagogia e sagrado à luz do chamado giro decolonial. Assim, a partir de um diálogo que procuro estabelecer com Enrique Dussel, Catherine Walsh e M. Jacqui Alexander, desenvolvo duas hipóteses. Em primeiro lugar, pretendo defender que para esses autores haverá uma noção de pedagogia que não se confunde unicamente com um instrumento, meio ou termo acessório para a filosofia. O importante é que, para esses intérpretes, isso pretende enunciar que haverá uma dimensão de pedagogia que está na base da constituição da própria ideia de filosofia. Em segundo lugar, e com mais importância, argumento que essa concepção de filosofia precisará ser ainda entendida de um duplo modo: (i) como uma epistemológica /pedagógica indispensável para a abordagem, o conhecimento e o tratamento da realidade; e (ii) como o prolongamento do encontro com uma realidade, ao mesmo tempo, indeterminada e sagrada. A relação entre essas duas dimensões filosóficas poderá ser assim sumarizada: mediante o aprender e o ensinar alternadamente (como práxis, atitude e método filosófico por excelência) é que se permitirá que a realidade apareça, ou seja, que o Outro possível apareça (para que fale, conheça e seja). Tal realidade sempre Outra – que não se pode localizar em qualquer lugar ou tempo, na mesma medida em que se faz presente em todos os lugares e momentos – é o que se poderá caracterizar como o sagrado. E é o que fará do sagrado, por conseguinte, agência de resistência e perturbação a todo esforço epistemológico, tanto quanto (e por isso mesmo) a atitude notadamente epistemológico-pedagógica como instância de revelação de um mundo prenhe de sentidos possíveis.

Um lugar para a leitura literária em bibliotecas universitárias

PID: S2178-46122022000100202 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Sanches
Resumo O presente estudo tem como objetivo, por um lado, refletir sobre as práticas de leitura no seio da biblioteca universitária, descrevendo e explicando as diversas possibilidades e a sua ligação com o propósito da formação universitária, e por outro demonstrar como uma atividade de leitura extraletiva na academia – um grupo de leitura – pode proporcionar experiências de leitura significativas para os envolvidos. Para tal, o estudo desenvolve uma reflexão teórica, baseada numa revisão de literatura, que evidencia os contributos da leitura literária e dos grupos de leitura em contexto académico para a dinâmica da aprendizagem ao longo da vida. Seguidamente, analisam-se entrevistas a participantes de um grupo de leitura, levado a cabo numa biblioteca universitária, procurando explorar o impacto das experiências declaradas neste âmbito no seu quotidiano. Conclui-se que os grupos de leitura se assumem como uma estratégia essencial de promoção da leitura literária e de aprendizagem de competências transversais, designadamente competências académicas assentes na reflexão crítica, na oralidade e na interação relacional, revelando-se, a par, o entrelaçamento da leitura partilhada com o quotidiano de cada um dos participantes, que vai para além da vida na academia. O estudo deixa pistas para um campo extenso de reflexão e ação.

Um olhar histórico sobre a educação popular na América Latina

PID: S2178-46122022000100301 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Adams
Resumo O presente ensaio brotou das reflexões decorrentes da leitura de Adriana Puiggrós em diálogo com outros autores. Busca, assim, valorizar a sua contribuição na perspectiva histórica para melhor compreender a caminhada da Educação Popular na América Latina. Este estudo bibliográfico com uma abordagem crítica tem por objetivos aprofundar a compreensão das características das expressões da Educação Popular nos seus variados contextos e indicar algumas influências significativas sobre a forma de ser e o seu desenvolvimento nas diferentes realidades. Entre os principais resultados está a reunião de elementos compreensivos de fontes pedagógicas, tendências e características da Educação Popular no decorrer da história. Evidenciam-se as contribuições de Simón Rodríguez, José Martí, Elizardo Pérez, José Carlos Mariátegui e Paulo Freire, que reconhecidamente são referências identificadas com a história e a prática social da Educação Popular na América Latina. Conclui-se que, em que pese a diversidade dos modos de ser, a mirada histórica mostra que há potencial e sentidos reais para a sua recriação para resistir e produzir mediações pedagógicas que contribuam na transformação social de nossas sociedades mergulhadas na desigualdade social. O campo de atuação da Educação Popular se amplia na sociedade, podendo abranger a Educação escolar e os espaços múltiplos da sociedade, na compreensão de que a Educação não é o único meio para transformar a sociedade, porém, igualmente, não se constitui um mero aparelho ideológico do Estado unicamente voltado à reprodução da ideologia dominante. Na visão dialética não há lugar para concepções essencialistas ou idealistas nem mecanicistas.

Vigotski e Freire: tecendo caminhos para uma educação inclusiva e emancipatória de pessoas com deficiência

PID: S2178-46122022000100310 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Silveira Moreira
Resumo O texto consiste em um diálogo entre a Psicologia Históricocultural de Lev Vigotski e a Pedagogia de Paulo Freire no que se refere às possibilidades da Educação Inclusiva das pessoas com deficiência. Vigotski entende a deficiência como um fenômeno construído e mediado socialmente. A forma como a pessoa encara as suas limitações está condicionada ao meio social, que está construído em função de um padrão de normalidade, o qual comumente cria barreiras físicas, educacionais e atitudinais para a participação social da pessoa com deficiência. Assim, não é o biológico que determina a deficiência de uma pessoa, mas as mediações que ela encontra no contexto social. Freire defende uma Pedagogia para a libertação dos oprimidos, o que requer que a prática educativa seja possibilitadora da realização da condição ontológica de “ser mais” de todos os seres humanos. Entendemos que as pessoas com deficiência inseridas em um meio social que enxerga a deficiência como defeito e como limitadora do sujeito se inserem na categoria freiriana de oprimidos. Uma Educação Libertadora implica ouvir a voz de todos, procurar a pronúncia do mundo de todos, sem homogeneizações, sem padrões de normalidade, vendo todas as pessoas como sujeitos históricos e trabalhando para a sua conscientização. Os legados de Vigotski e Freire podem nos ajudar a construir uma Educação mais inclusiva de fato, sobretudo pela sua aposta no ser humano como ser potente e na sua capacidade de superação, apesar das condições adversas conferidas pela deficiência no meio social.

É possível eliminarmos a transferência no ensino?

PID: S2178-46122022000100108 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Manzi
Resumo Este artigo visa contribuir no modo como pensamos a relação da psicanálise freudiana e a educação. Dentre os vários clássicos que lidam com essa questão, voltamo-nos ao livro de Catherine Millot, Freud anti-pédagogue, por este proporcionar uma visão ampla sobre nosso tema e ter uma conclusão polêmica: uma antinomia entre educar e analisar. Se isso for verdade, há como pensarmos em uma relação entre pedagogia e psicanálise? Millot nos diz que não pode haver uma pedagogia analítica no sentido de uma ciência da educação, considerando a referida ciência tal como se emprega o saber adquirido pela experiência psicanalítica sobre o inconsciente. Esse discurso bem articulado de Millot nos levou a crer (no meio acadêmico) que há um afastamento definitivo entre esses campos. Nossa questão aqui é: podemos pensar de outra forma? Para a presente reflexão, acompanhamos a posição de um pensador contemporâneo brasileiro: Rinaldo Voltolini, o qual argumenta que o problema da posição da psicanálise no campo educativo está voltado a um discurso de mestria. Pensaremos então sobre a impossibilidade do educar e o papel do ideal do eu na educação. Voltolini afirma que uma mestria é impossível. Em sua argumentação, mestria é entendida como uma maximização do efeito da educação sobre a criança em uma direção desejada. Em outras palavras: um direcionar-se a um ideal. Nesse sentido, podemos nos questionar: é possível, afinal, eliminarmos a transferência no ensino? Ou podemos nos utilizar da transferência no saber? Nossa conclusão se volta à ideia de que o educador trabalharia a partir de seu poder sugestivo; sabendo disso, ele pode se servir de tal poder na educação.

Ética, liberación y filosofía política en el legado freiriano: un análisis transmetódico

PID: S2178-46122022000100401 | Periódico: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Ano: 2022
Autores: Rodríguez
Resumen En el proyecto decolonial planetario como objetivo complejo sustentamos la ética, liberación y filosofía política en el legado freiriano desde un análisis transmetódico. Bajo la deconstrucción rizomática. En la que develamos aristas importantes para el análisis de dichas categorías. La indagación lleva estudios continuados en la línea de investigación titulada: Paulo Freire: el andariego de la utopía en las transmetodologías. En la reconstrucción, más allá de conclusiones acabadas develamos esencias de la utopía en la praxis freiriana en el campo de acción de la opresión, más allá de las letras muertas de los currículos y las políticas soslayadoras del momento disfrazadas de decoloniales. En el legado freiriano es digno reconocer el ser y hacer como conjunción irrevocablemente convocativo a la liberación, una filosofía política de servicio y fe en el ser humano, empantanado de su dolor y develando su potencial de grandeza de creación. Urgente la concientización-concienciación de que no hay educación popular, liberadora sin la ética, es inclaudicable para Paulo Freire la ética, guía de accionar, antropoética en la responsabilidad en el accionar y acción política hacia el oprimido. La esperanza para el oprimido y el amor por los seres humanos; esa talla del pedagogo debe ser llevada en los análisis considerando que llevó la lucha del oprimido y que le enseño como empoderarse en su lucha, que era el de su coterráneo, que es la de cada oprimido que grita en el mundo; pero también del que calla. Mucho del que calla, del conformista e indefenso.

(A)NORMALIDADES CORPORAIS E AS (IN)VISIBILIDADES ESPORTIVAS

PID: S1984-71142022000100117 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Camargo
Resumo: O esporte moderno já tem um percurso estabelecido que permite compreender seu modus operandi, particularmente no tocante à visibilidade da normalidade, à sincronia proposital entre corpos, gêneros e sexualidades e ao estabelecimento do rendimento esportivo, por meio do emprego de técnicas 'precisas' e ‘corretas’. A proposta deste texto é trazer casos de atletas que apareceram na história do esporte durante o século XX, a fim de edificar três problematizações trazidas por tais corpos, sendo elas: a) dissonâncias de gênero não visibilizadas tendem a apagar existências de registros oficiais; b) é nas modalidades esportivas mais conhecidas e valorizadas pela cultura ocidental que mais se identifica tal invisibilidade em comparação com esportes desconhecidos; e c) o nível de performance esportiva contribui para manter os ‘casos de exceção’ escondidos: quanto melhor a performance, mais um corpo tende a ser normalizado. A partir de uma analítica das variáveis ‘gênero’, ‘visibilidade’ e ‘nível de performance’ conclui-se que o próprio sistema se encarrega de estabelecer as (a)normalidades corporais e manter as invisibilidades esportivas para a manutenção do status quo.

A DOCÊNCIA COM BEBÊS E CRIANÇAS BEM PEQUENAS: REGISTROS DA AÇÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

PID: S1984-71142022000200031 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Conceição
Resumo: O presente artigo teve por objetivo analisar a docência com bebês e crianças bem pequenas, enfatizando as especificidades da ação pedagógica na educação infantil com esse grupo etário. A docência é compreendida como prática social interativa que se estabelece pela ação social de crianças e professores no contexto da instituição de educação infantil. Este texto resulta de processo analítico, envolvendo pesquisa e extensão na realização de um curso de formação continuada para professoras de educação infantil, com o propósito de refletir sobre as especificidades da docência nesta etapa educacional. Apresenta como material de análise os registros de observação que integram o memorial de formação produzido pelos participantes do projeto. O memorial de formação é o recurso metodológico utilizado para o registro de trajetórias formativas, experiências profissionais, ação pedagógica e observações sobre as crianças que possibilita, o estabelecimento de um processo de formação e autoformação permanente e o conhecimento do cotidiano pedagógico. Os saberes e práticas profissionais das professoras de bebês e crianças bem pequenas constituem um importante campo de investigação tendo em vista que se trata de uma categoria profissional ainda em constituição. As conclusões apontam que pensar sobre a docência com bebês e crianças bem pequenas passa pela percepção e reconhecimento das singularidades de seus modos de comunicação em que o corpo se coloca como componente essencial da sua ação social.

A INTERNET DOS CORPOS, AS REALIDADES EMERGENTES E A CONSTITUIÇÃO DE ARQUITETURAS DIGITAIS DE INTERAÇÃO

PID: S1984-71142022000100175 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Bassani
Resumo: A Internet dos Corpos (IoB) é a rede que se constitui entre os diferentes dispositivos associados de forma direta ao corpo físico. Esse estudo, de natureza qualitativa e exploratória, se apoia na revisão narrativa de literatura para mapear realidades emergentes que exploram a relação corpo-tecnologia em contexto híbrido, a fim de propor um modelo teórico para analisar as arquiteturas digitais de interação que se constituem a partir dessa inter-relação, para balizar a proposição de metodologias e práticas pedagógicas na perspectiva de uma Educação Digital onLife. A partir do tensionamento entre os conceitos, destacamos quatro categorias que podem balizar a análise de arquiteturas digitais de interação considerando o entrelaçamento entre as tecnologias IoB e as realidades digitais emergentes: espaço-rede; actantes; processo sociocomunicacional; movimento das associações.

A MEDIDA CERTA: CORPO, CONFISSÃO E TECNOLOGIAS DO SELF EM TEMPOS DE GOVERNAMENTALIDADE NEOLIBERAL

PID: S1984-71142022000100149 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Pich Manske
Resumo: No presente artigo, tem-se como objetivo problematizar as formas de constituição do eu contemporâneo por meio de práticas de confissão e modos de espetacularização do corpo e da saúde, apresentados no livro “Medida Certa - como chegamos lá: com Márcio Atalla”. Para tanto, leituras e ferramentas conceituais foucaultianas foram válidas para este fim. Num primeiro momento, registrou-se a inspiração analítica, baseada na análise do discurso. Em seguida, utilizaram-se as análises realizadas por Foucault sobre práticas de confissão e de direção do eu para discutir os elementos presentes na obra analisada, em especial, aquelas tocantes às práticas de saúde e emagrecimento. Entende-se, neste artigo, que as formas de publicização do eu privado se valem de tecnologias de confissão não mais baseadas em um confessionário privado para um único diretor de almas, mas sim, na contemporaneidade, se apoiam de espetacularizações públicas e coletivas que têm os espectadores como aqueles a quem se dirige e se deve satisfação. Tais processos compõem um emaranhado discursivo que valora as práticas de si e as transforma em bens de consumo, dirigindo, concomitantemente, tanto aqueles que se expõem, como aqueles que observam e participam ativamente da direção do outro. Essas ações são, aqui, consideradas como modos de regulação e governo do eu contemporâneo.

A PRESENÇA DE INDÍGENAS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UMA ESTRATÉGIA DE AFIRMAÇÃO DE IDENTIDADES

PID: S1984-71142022000200020 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Backes
Resumo: Na primeira década e meia do século XXI, houve uma democratização do acesso à educação superior, em parte, em função das políticas de ações afirmativas, incluindo de forma mais significativa sujeitos não hegemônicos, com destaque para os indígenas. O artigo tem como objetivo mostrar como os indígenas fazem do espaço da universidade um espaço de afirmação de suas identidades. Para tanto foram entrevistados acadêmicos indígenas de diferentes cursos de licenciatura de uma universidade, situada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A análise mostrou que os indígenas na universidade, negociam, ressignificam, traduzem os conhecimentos, interculturalizando-os, de modo a fazer da universidade uma estratégia de afirmação de suas identidades.

A REPRESENTAÇÃO DO CORPO MASCULINO COMO DISPOSITIVO DE PROPAGAÇÃO DE UM IDEAL

PID: S1984-71142022000100082 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Pujadas Raichs
Resumo: O artigo aborda a representação da formação do gênero masculino como estereótipo, por meio da análise de documentários e noticiários oficiais do regime de Franco (1939-1975), contrastados com imagens e discursos veiculados em revistas e manuais. Com uma abordagem de análise de conteúdo visual, são apresentados três dos eixos que condicionaram a normalidade de aprender a ser homem: obediência vigorosa, hipermasculinidade como utopia física para alcançar e autocontrole e cuidado vigilante da parceira como único comportamento. Visualizando como esses eixos foram mostrados, delineia-se um projeto formativo vital que permaneceu como o alicerce estrutural da temática espanhola.

AS DIMENSÕES FORMATIVA, PRESCRITIVA E PLANIFICADA NO CADERNO MEMÓRIAS LITERÁRIAS DA OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA

PID: S1984-71142022000200066 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Garcia-Reis Costa
Resumo: O presente artigo tem como propósito apresentar uma análise de excertos do Caderno Virtual “Memórias literárias - Se bem me lembro”, material elaborado pela Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, 6ª edição, sob três dimensões do trabalho docente: a formativa, a prescritiva e a planificada. Por meio da análise, buscaremos identificar o que é proposto e como se configuram essas três dimensões que circundam o trabalho do professor. A presente pesquisa inscreve-se no campo teórico-metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), cujos pressupostos contribuem para a compreensão da relação entre a linguagem e o trabalho docente. Os resultados apontam que a proposta do material perpassa pelas três dimensões do trabalho e tem como objetivo primeiro o ensino de língua numa dimensão discursiva, na perspectiva dos gêneros textuais. Foi observado ainda que as sequências utilizadas pelo caderno ‘Memórias Literárias Se bem me lembro...’ apresentaram-se como uma ferramenta importante para o desenvolvimento da linguagem e do trabalho docente.

CONFIGURAÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE PROFESSORES RURAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

PID: S1984-71142022000200047 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Acevedo Felicetti
Resumo: A educação do campo é considerada uma forma de educação para pessoas distantes das áreas urbanas, para a qual o governo desenhou e implementou diversas estratégias que possibilitam essa dinâmica educacional, embora esta hoje seja considerada precária e carente de qualidade devido às condições e características de como ela é fornecida. O artigo apresenta algumas situações vivenciadas por três professores iniciantes em seus três primeiros anos de atuação no setor rural e, como têm sido os processos de adaptação a esses contextos e comunidades, evidenciando as deficiências e lacunas significativas que estão sendo fomentadas na prática educativa. Da mesma forma, por meio da metodologia da análise textual discursiva, levanta-se uma discussão sobre como a experiência docente no meio rural configura as práticas docentes desses professores que enfrentam diferentes condições, oferecendo uma perspectiva do trabalho docente da educação do campo.

CONSELHOS IMUNIZANTES PARA O INDIVÍDUO SAUDÁVEL: O CASO DE UM NÚCLEO DE PESQUISA

PID: S1984-71142022000100134 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Gomes
Resumo: O presente texto apresenta um núcleo de pesquisa que tem como foco o tema da atividade física relacionada à saúde, destacando suas propostas para a formação do indivíduo saudável, a partir das elaborações textuais de integrantes desse grupo de pesquisa. Para tanto, opta-se, aqui, por privilegiar as dissertações de mestrado produzidas pelos integrantes deste núcleo no Programa de Pós-Graduação em Educação Física da universidade ao qual está alocado. Destacam-se, então, os conselhos - vinculados à ideia de ponderação e que serão descritos e analisados a partir de uma categoria denominada “vida equilibrada” - elaborados pelo núcleo, interpretando-os à luz da lógica imunitária desenvolvida pelo filósofo Roberto Esposito.

CORPO HUMANO - CORPO ANIMAL OU “O QUE A IMPORTÂNCIA DADA AOS ANIMAIS NOS REVELA SOBRE AS PESSOAS?”

PID: S1984-71142022000100045 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Santos Dorneles
Resumo: Este ensaio discorre acerca da aproximação de dois biólogos, atuantes como professores no âmbito do ensino de ciências e biologia, ao campo de estudos da animalidade, aqui compreendido, não apenas no sentido de se problematizar a centralidade dos animais nas relações conosco - animais humanos -, mas, sobretudo, no sentido de se enfatizar que a forma como tratamos os animais expõe múltiplas camadas de problematização acerca da forma como tratamos outros humanos. Neste sentido, uma parte das discussões propostas por esse campo de estudos se preocupa, precisamente, com isso, com o outro na relação de animais humanos entre si e, especialmente, desses com os animais não-humanos, procurando tensionar as diferentes hierarquizações aí constituídas. Nessa primeira aproximação, fazemos mais perguntas e justaposições com o campo da biologia, do ensino de ciências e de biologia, com o corpo (humano e animal) e, também, com a biopolítica e a necropolítica do que oferecemos respostas, mesmo que provisórias. Isso, no sentido de traçarmos um possível percurso teórico-metodológico que nos permita, nos próximos passos, incorporar o tema animalidade à formação de professores de ciências e biologia e, quiçá, mapearmos alguns de seus efeitos. O texto Uma aglomeração inquieta: prisioneiros, animais, crianças requerentes de asilo e empacotamento pós-humano, de Jane Bone e Mindy Blaise (2015) é apresentado de modo mais extenso no sentido de estabelecermos alguns pontos possíveis para tal aproximação. Baseados nisso, traçamos alguns possíveis tensionamentos do contexto sócio-político brasileiro atual.

EDUCAÇÃO DO CORPO, DOPING E ESPORTE NO FILME “O PROGRAMA: A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ARMSTRONG”

PID: S1984-71142022000100097 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Zoboli Correia Dantas Junior
Resumo: O presente escrito tem como objetivo interpelar a educação do corpo, na obra cinematográfica “O programa: a verdadeira história de Lance Armstrong” (2015), a fim de reflexionar os usos do corpo no esporte moderno, sob a política do doping. A crítica que se quer sustentar, com esta análise, é que a técnica é o meio pelo qual o humano reingressa no devir da própria natureza, de tal modo que o humano é uma expressão de tal atividade. Isso implica considerar que os limites do doping não podem ficar presos a uma ontologia, na qual o corpo é dado como algo puro e que sua natureza é oposta ao que se entende por artificial. No entanto, isso não significa dizer, necessariamente, que se é favorável ao doping no esporte. Conclui-se que o esporte está tão imerso a códigos morais, a juízos preexistentes, que é pouco sensível e capaz de perceber que, na prática, as performances dos corpos dos atletas na sua estreita relação com tecnologias, expressam a natureza e sua lógica da mútua inclusão.

EU, HUMANO? PENSANDO A CONSTITUIÇÃO HUMANA A PARTIR DA FICÇÃO CIENTÍFICA COM ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO DE UMA ESCOLA ESTADUAL DE TEMPO INTEGRAL DE CAMPINAS, SP

PID: S1984-71142022000100061 | Periódico: Contrapontos (1984-7114) | Ano: 2022
Autores: Belo Arnt
Resumo: Neste artigo, analisou-se como estudantes de Ensino Médio, de uma Escola Estadual de Tempo Integral do município de Campinas, definem características humanas a partir de um conjunto de atividades da disciplina eletiva nomeada Eu, humano? Ciência e Ficção Científica. Ao longo da disciplina, foi proposta uma construção de um conto de ficção científica futurista interativo, inspirado em um conto de Bruce Sterling, em que os estudantes eram personagens da história. Dentre as interações, eles deveriam construir um clone e falar sobre as suas características. Durante esta atividade, os estudantes apontaram características semelhantes ou diferentes entre eles e seus clones. Além disso, os estudantes conceituaram os clones como humanos ou não humanos. Apesar de a maioria dos estudantes compreender que os clones são seres humanos, não houve unanimidade acerca do que define o clone como humano, variando entre delimitações anatômicas e fisiológicas (possuir pele, olhos cabelos, comer, dormir), cognitivas (capacidade de aprendizado e de pensar), até personalidade (desejo de dançar, cantar, ser bravo, extrovertido). Considera-se importante haver espaços escolares que consigam inserir debates acerca de novas tecnologias científicas, a fim de proporcionar aos estudantes aprofundamento e compreensão sobre como a ciência se faz presente no cotidiano e alguns efeitos quanto às definições de ser humano para além das delimitações orgânicas.
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