CONSIDERAÇÕES SOBRE A EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA A COMUNIDADE SURDA NO URUGUAI
PID: S1676-25922022000400848 |
Periódico: ETD Educação Temática Digital (1676-2592) |
Ano: 2022
Autores: Peluso
RESUMO Neste artigo apresento algumas das discussões teóricas desenvolvidas em duas investigações realizadas no Uruguai na Área dos Estudos Surdos-Tuilsu, na Universidad de la República. Nestas investigações revisamos o modelo atual de educação bilíngue LSU-Espanhol e propomos migrar para uma educação plurilíngue, pluriletrada e intercultural. As principais considerações feitas para propor essa migração são as seguintes. O modelo bilíngue continua a ver o espanhol como língua de maior prestígio e de cultura acadêmica, o que representa o risco de reconstruir as relações de opressão da língua oral sobre a língua de sinais no contexto escolar. Da mesma forma, o bilinguismo tende a considerar a LSU como um dispositivo didático e não como uma língua em si, o que pode ter como consequência a assimilação da perspectiva clínica no contexto educacional (dispositivo didático = artefato para compensar uma deficiência). A proposta bilíngue mantém uma postura escriturocéntrica segundo a qual, a única forma da cultura letrada, é por meio do espanhol escrito, ignorando o papel desempenhado pelas video-gravações em LSU no desenvolvimento da cultura surda pluriletrada. Tampouco o bilinguismo reconhece o espanhol surdo como uma variedade possível do espanhol, persistindo a opressão do espanhol estândar sob a forma de modelo normo-oyente (normo-ouvinte). Por fim, a proposta bilíngue ignora que a comunidade surda está inserida em um mundo globalizado, que requer uma educação da qual participem, além das línguas nacionais, línguas globais e línguas regionais, tanto línguas de sinais com as línguas orais.