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Infâncias pomeranas, educação infantil e interseccionalidades: desafios nas legislações brasileiras

PID: S1984-64442022000100273 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Siller Drago
RESUMO Este artigo analisa legislações que orientam as diretrizes nacionais das políticas de Educação Infantil, respondendo às seguintes questões: até que ponto as discussões sobre diversidade étnica e linguístico-cultural têm sido ou não consideradas nas legislações brasileiras? Especificamente, em que medida as leis representam abrigo ou elemento estabilizador de proteção às crianças pomeranas? Que garantias concedem a estas de que sua língua, cultura e modos de vida possam ser respeitados? De que forma os marcadores de diferenciação das crianças pomeranas (etnia, língua materna, cultura) emergem nas legislações? Até que ponto as leis reforçam ou não as hierarquizações culturais e aprofundam as desigualdades étnicas, linguístico-culturais que mais afetam as crianças pomeranas? Com inspiração na visão arendtiana sobre lei e na perspectiva da interseccionalidade, problematizam-se os modos pelos quais os marcadores que diferenciam as crianças pomeranas e, contraditoriamente, colocam-nas em condição de desigualdade, são ou não considerados em fontes documentais, tendo como marco temporal a Constituição Federal de 1988. A análise permite inferir a falta do reconhecimento de particularidades distintivas das crianças pomeranas e de tantas outras, o que pode contribuir para reforçar as discriminações e subalternizações a que estão submetidas no Brasil. Conclui-se que, formalmente, a “igualdade de direitos” já é uma conquista, pelo intuito de reduzir as desigualdades sociais. Porém, não se pode ater-se apenas à letra da lei. Logo, é legítimo criar distinções legais pela elaboração de legislações complementares, infraconstitucionais, estatutos, para a concretização da isonomia em sua feição substancial, dando oportunidades iguais para essas crianças.

Ir à escola noutra cultura: uma leitura hermenêutica do filme “E Buda desabou de vergonha”

PID: S1984-64442022000100302 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Bittencourt
RESUMO O objetivo do texto é apresentar uma leitura hermenêutica do filme E Buda desabou de vergonha para, numa perspectiva antropológica, abordar o brincar e a construção da autonomia da criança. O cinema, abordado aqui como itinerário de formação, apresenta-se como uma importante ferramenta teórico-metodológica para trazer à tona elementos de formação humana. Num contexto em que estudantes do sexo feminino são excluídas de quase todas as oportunidades educacionais no Afeganistão até 2001, com instalação do regime talibã, Bakhtai, uma garotinha afegã de etnia hazara, de seis anos de idade, fica determinada em ir para escola ao ver seu vizinho Abbas ler em voz alta. É enfrentando uma trajetória com diversas barreiras presente em sua cultura que Bahktai busca aprender histórias divertidas. Conclui-se que a leitura do filme, enquanto texto de outra cultura, é um importante aliado para a formação de professores por evidenciar elementos para uma reflexão sobre limites e possibilidades do protagonismo infantil na cultura onde a criança vive.

Jefferson Thadeu Canfield (*23/10/1942 +29/9/2019): um dos precursores do CEFD/UFSM

PID: S1984-64442022000100602 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Mazo Oliveira Begossi
RESUMO Esta entrevista realizada com o professor Jefferson Thadeu Canfield foi coletada pela professora Janice Zarpellon Mazo,visando registrar informações para a construção de sua dissertação de mestrado, no ano de 1993. A narrativa trata do percurso acadêmico do professor Jefferson, iniciado na Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde realizou sua formação inicial, no período de 1963 a 1966. De tal modo, o depoimento ora apresentado traz, frequentemente, rememorações com relação às experiências vividas nesta instituição. Inclusive, são estabelecidas relações e/ou comparações com o Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da Universidade Federal de Santa Maria, onde ingressou como docente no ano de 1971, no segundo concurso público para docentes do curso de Licenciatura em Educação Física da referida universidade. Seu depoimento registra representações advindas com a fundação do CEFD, além de anotar aspectos sobre seu ingresso junto aos outros seis professores pioneiros, os quais já se encontravam em atuação na instituição e sobre os engendramentos decorridos das composições do CEFD.

Leitura e escrita na cultura digital

PID: S1984-64442022000100225 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Conte Kobolt Habowski
RESUMO O ensaio visa repensar o impacto que a cultura digital causa nos processos de leitura e escrita na educação, à luz dos novos dispositivos tecnológicos que são estratégicos à reprodução dos sistemas simbólicos. O debate imerso na teoria crítica da sociedade se soma ao itinerário hermenêutico para esboçar os sentidos desses mecanismos digitais no diálogo com a cultura contemporânea. Na cultura digital lidamos com bens não escassos que vão do lápis à tecla e do impresso à tela. O problema encontrado aqui gira em torno da intensa estimulação das tecnologias digitais, vistas como uma obrigação ou necessidade do uso das telas de computador ou celular para estudar, ler, escrever e atuar na vida cotidiana. Enfrentamos uma espécie de disputa de atenção entre o impresso e o digital. Entretanto, o que nos inquieta não é o uso dos instrumentos culturais em si, mas o processo de recepção do texto digital e impresso pelos sujeitos. Concluímos que a inclusão digital abre horizontes compreensivos do texto, com o ressurgimento de mundos ampliados pela abertura intersubjetiva, possibilitando à educação reconstruir o elo vital com as tradições culturais para recontextualizar as práticas educativas. Os textos digitais ou impressos só recebem significados na inter-relação crítica com as diferentes linguagens em metamorfose, na tensão linguístico-expressiva e social da escrita que só se realiza no projetar-se do encontro pedagógico com o outro.

Letramento memeático:extrapolando os espaços formais de educação e prática política

PID: S1984-64442022000100272 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Benicio
RESUMO Muito se fala sobre letramento digital em um mundo cada vez mais estruturado segundo a lógica de rede. Mas quais devem ser os objetivos de um tal letramento e como é possívelorientá-lo no sentido da emancipação?Conduzindo-se por tais questionamentos, o presente artigo propõe uma reflexão sobre esferas que extrapolamas instituições formaisde educação e prática política, compreendendo que algumas delas sejam decisivas para a deliberação democrática. Partindo do conceito de conversação cotidiana, a análise terá como foco temático os efeitos políticos do humor, em especial dos memes, na percepção dos brasileiros sobre pautas relevantes no cenário nacional e no modo como compreendem e exercem sua cidadania.O objetivo da pesquisa éponderar sobre quando e como a participação, de fato, fortalece o exercício da cidadania, já que o fim de qualquer letramento é possibilitar que o cidadão possa incidir em sua própria sociedade. A metodologia empregada foi a revisão bibliográfica na construção do referencial teórico e o estudo de caso do projeto Da piada à política, executado pelo Laboratório de Cultura Digital (IFRJ-CNIT) na análise de resultados. Essa seçãoexaminará iniciativas concretas de letramento memeático, com vistas ao seu escrutínio. A conclusão alcançada é de que a memealização pode ser uma prática bastante efetiva de letramento digital, já que abrange processos individuais e coletivos. Esse duplo movimento é indispensável num contexto em que o aqui forma-se na convergência de múltiplas conexões.

Literatura na Educação Infantil: um direito da criança

PID: S1984-64442022000100297 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Lima Santos
RESUMO O presente artigo propõe reflexões no que diz respeito à relação da literatura infantil com a cultura das infâncias. A fim de conduzir as discussões elenca-se como objetivo compreender a literatura infantil enquanto um direito da criança no contexto da Educação Infantil. Por meio de levantamentos de pesquisa bibliográfica com autores da área filosófica e educacional como Abbagnano (2003), Bajour (2012; 2017), Bértolo (2017), Candido (2011), Chartier (1999), Manguel (2017), Salles e Faria (2012) eSilva e Martins (2010) é possível afirmar que na contemporaneidade há a defesa da literatura como favorável ao desenvolvimento da dimensão estética, possibilidade para a formação da criticidade do leitor, para a liberdade dos pensamentos, desenvolvimento do protagonismo, aprimoramento do repertório linguístico dentre outras. Como problemáticas que atravessam a experiência de leitura, buscou-se discutir sobre os conceitos relacionados aoentretenimento, as culturas de infâncias, ao leitor infantil e a relação destes sujeitos frente a postura do adulto.Nesta conjuntura, defende-se que é preciso pensar se a literatura está sendo proposta como o cumprimento de um protocolo educacional ou na perspectiva da edificação de uma sociedade mais humanizada. Deste modo, propor atividades relacionadas à literatura implica em refletir acerca da qualidade das narrativas e das finalidades com que se propõe a literatura.

Literatura sufocada: a leitura literária nas versões da Base Nacional Comum Curricular para os anos iniciais do Ensino Fundamental

PID: S1984-64442022000100240 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Oliveira Fraguas
RESUMO Este artigo objetiva analisar concepções sobre a escolarização da leitura literária nos anos iniciais do Ensino Fundamental presentes nas quatro versões da Base Nacional Comum Curricular, da primeira Versão, em 2015, ao documento homologado em 2017. Desenvolveu-se uma análise de conteúdo temática (BARDIN, 2006) dos documentos, baseada em três categorias - literatura; formação do leitor literário e ensino/aprendizagem da leitura literária. O levantamento dosconceitos fundamentaisnos documentos- Letramento, Letramento Literário, Educação Literária e Formação Literária - revelou disputas teórico-metodológicas que atravessaram sua redação. Observou-se na estrutura das diferentes versões da BNCC oscilações da posição atribuída à formação do leitor literário, que, tendo sido parte do eixo leitura nas duas primeiras versões, tornou-se um eixo na terceira Versão, mas voltou a ser diluída no documento em vigor. Na versão homologada, o aprendizado da leitura é concebido como desenvolvimento de habilidades organizado em demandas cognitivas progressivas. Considera-se que essa perspectiva sufoca diferentes dimensões da literatura discutidas no campo dos estudos literários e impede a fruição estética. Constataram-se, ainda, nesse documento, inconsistências conceituais e contradições que obscurecem a proposta de formação do leitor literário apresentada.

Mediação da atividade pedagógica na apropriação e na objetivação dos conteúdos escolares

PID: S1984-64442022000100261 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Sousa Marques
RESUMO Com base no entendimento de que a atividade pedagógica desenvolvida na escola é mediação indispensável para formação de novas funções psicológicas superiores dos estudantes, este artigo analisa significações produzidas por professores acerca do potencial da atividade pedagógica como mediação no processo de apropriação e objetivação dos conteúdos escolares no Ensino Médio. Ancorada na Psicologia Histórico-Cultural e na Pedagogia Histórico-Crítica, é resultado de pesquisa-formação realizada em estudos de mestrado, envolvendo professores e alunos de uma escola filantrópica da cidade de Teresina-PI, que participam de projeto de extensão universitária. Os instrumentos utilizados na produção das informações que serviram como corpus empírico foram sessões de estudo e reflexão crítica, com base em textos previamente selecionados e entrevista reflexiva. Como procedimento de análise, adota a análise textual discursiva. As significações produzidas pelo participante da pesquisa revelam que a atividade pedagógica ganha outra qualidade quando favorece aos estudantes (singularidades) apropriação dos conteúdos científicos mediada pela dimensão afetivo-cognitiva, ou seja, pelo que sentem e pensam a respeito da sua realidade, objetivando novos modos de ser e de existir, sobretudo quando conseguem realizar inferências analógicas entre conhecimento científico e vida cotidiana. A apropriação e a objetivação dos conteúdos científicos na escola medeiam o desenvolvimento dos estudantes à medida que os levam à produção de novos questionamentos que se traduzem em novas relações com a realidade social e histórica.

Meninas no recreio escolar: dos conflitos ao aprender a negociar e a construir consensos para participar socialmente

PID: S1984-64442022000100303 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Alves Ferreira
RESUMO A visão adultocêntrica dos conflitos infantis nos recreios escolares, pautada pela negatividade, tem negligenciado a sua análise a partir das crianças, desconsiderando a sua processualidade e o facto de, frequentemente, terminarem sem recurso à intervenção adulta. Recorrendo aos contributos dos Estudos Sociais da Infância e das Ciências da Educação, este artigo aborda as crianças como atores sociais, produtoras de culturas infantis e organizadas como grupo social, propondo-se repensar os conflitos como inerentes às relações e sociabilidades infantis, atravessados por poderes e emoções, e em cujos processos também aprendema negociar e construir consensos essenciais à participação social. A análise socioeducativa de conflitos entre meninas de 10 anos de idade, observados durante o recreio de uma escola do 1º ciclo, urbana e privada, procura dar conta i) da ocupação genderizada dos espaços formais do recreio; ii) da conflitualidade como processo e da compreensão das condições sociais da sua génese, desdobramentos e desfechos; iii) da sua interpretação no âmbito das relações de sociabilidade e seus poderes, atravessados por estatutos, prestígio e afinidades eletivas; iv) da aprendizagem de competências sociais relevantes para a participação social. Os conflitos femininos habitualmente surgidos quando iniciavam brincadeiras mostraram no seu desenvolvimento, geralmente em escalada verbal e emotiva, práticas em que estatutos, prestígio e afinidades eletivas eram usados para (re)construir e/ou reforçar alianças com fins de fechamento/exclusão, afirmar lideranças, confirmar princípios e valores. A sua resolução, decorrente de mediações, negociações e construção de consensos mostra-se relevante para o desenvolvimento da participação social e de competências políticas.

Mestrado em Educação: contribuição da formação continuada para docentes de Institutos Federais Brasileiros e da Demanda Social

PID: S1984-64442022000100224 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Sampaio Souza Vita
RESUMO O objetivo desta pesquisa foi caracterizar o perfil dos egressos da área de Educação e Gestão do Programa de Pós-Graduação em Educação Agrícola, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, docentes de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia do Brasil (IFECT) e da Demanda Social, e ratificar a contribuição do Programa na qualificação desses profissionais. Tratou-se de uma pesquisa aplicada, qualitativa e quantitativa, com levantamento de dados sobre os sujeitos participantes e aplicação de questionário. Os resultados demonstraram maioria do sexo feminino (62,75%), formados em Pedagogia (21,57%) e Letras (15,69%), idade na titulação entre 35 a 45 anos (49,02%) e provenientes da região Sudeste (47,06%). Verificou-se que após a conclusão do mestrado grande parte permaneceu na atividade docente (74,51%) na sua instituição de origem (78,43%). Ficou estabelecido ainda que o Programa tem contribuído para a qualificação dos docentes, seja em aprimoramento técnico científico, satisfação pessoal e/ou ascensão profissional, apontado por 98,04% dos informantes.

Modelos Pedagógicos baseados em Sistema de Recomendação: um foco no desenvolvimento de competências a partir de objetos de aprendizagem

PID: S1984-64442022000100252 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Guizzo Silva Wildt Torrezzan Behar
RESUMO Este artigo apresenta a proposta de um Modelo Pedagógico, baseado no recomendador de objetos de aprendizagem RecOAComp. O objetivo do sistema é indicar objetos de aprendizagem, com base nas competências que o aluno precisa desenvolver. A metodologia teve como base a abordagem qualitativa, e apresenta dois estudos de caso, desenvolvidos em três etapas: construção de um Modelo Pedagógico inicial e aplicação, análise dos resultados para inferir alterações no mesmo, e por fim, construção e aplicação de um novo modelo. Neste sentido, foi possível propor uma Arquitetura Pedagógica e estratégias para a aplicação de um Sistema de Recomendação Educacional em uma disciplina da graduação. As conclusões sobre a aplicação do modelo apontam para melhorias no processo de ensino e aprendizagem, por meio da personalização do ambiente a partir da indicação de materiais educacionais digitais, de acordo com o perfil dos alunos. Além disso, a organização e o planejamento da disciplina colaboraram para a autonomia dos estudantes, que se sentiram seguros quanto aos materiais disponibilizados e recursos do AVA. Por fim, o artigo reflete acerca do tema e colabora com a aplicação desses sistemas na educação, tendo em vista sua utilização como ferramenta para a recomendação pedagógica.

Mulheres, mães, educadoras: notas sobre (im)possibilidades na transmissão do cuidado

PID: S1984-64442022000100246 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Arrosi Ferrari Silva
RESUMO Este artigo parte de uma experiência de acompanhamento em Escolas de Educação Infantil com a Metodologia IRDI, tendo como orientação teórica a psicanálise. Além do olhar direcionado aos bebês no contexto da pesquisa-intervenção, voltou-se a atenção, por meio da escuta e de observações, para as educadoras. Propõe-se, neste escrito, trazer à tona questões perpassadas por aspectos sócio-histórico-culturais que parecem refletir no fazer cotidiano dessas mulheres e nas suas possibilidades de transmissão do cuidado às crianças. Para a composição do trabalho, foram utilizadas vinhetas retiradas dos diários clínicos de duas pesquisadoras que acompanharam semanalmente uma turma de berçário 1 durante 7 meses. Na análise dos dados, fez-se presente uma dificuldade das educadoras em entregarem-se corporalmente aos cuidados dos bebês. A partir de trabalhos que apontam para um apagamento histórico da relevância das amas-de-leite e das babás na formação subjetiva da sociedade brasileira, propõe-se uma transposição dessa situação às profissionais da educação infantil, também encarregadas do cuidado primordial de crianças das quais não são mães. Tal apagamento funcionaria como um barramento realizado pelas famílias e pela cultura diante da possibilidade da construção de intimidade entre o bebê e a educadora e das trocas corporais entre a dupla. Além disso, são analisados efeitos de intervenções que promoveram um reconhecimento da função e da importância das profissionais. Dessa maneira, reflete-se sobre a função do reconhecimento como forma de cuidado no âmbito do trabalho na educação infantil e em um aspecto macro, levando em conta marcadores sociais, como aqueles de gênero e de raça.

Narrativas de crianças do/no recreio escolar: quais as expectativas infantis sobre esse território educativo?

PID: S1984-64442022000100275 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Sommerhalder Massimo Alves
RESUMO Resulta de pesquisa ampla com financiamento do CNPq e contempla as infâncias em recreio escolar, nos anos iniciais de ensino fundamental. Identifica e examina, a partir de narrativas infantis, expectativas de crianças sobre o recreio no que tange lugares, possibilidades para brincar, brinquedos e alimentação. Confirma, por levantamento bibliográfico, que o recreio ocupa um lugar de ‘silenciamento’ na produção científica atual, problematizando-o como contexto educativo e com pouca valorização no campo escolar, sem diálogo com as aprendizagens de sala de aula. De natureza qualitativa realizou-se a entrevista semiestruturada, com quatorze crianças dos três primeiros anos do ensino fundamental, no momento do recreio escolar em uma escola estadual de ensino fundamental. As entrevistas, na proposta de narrativas orais, contaram com um roteiro e foram subsidiadas ainda por desenhos infantis. Realizou-se transcrição de gravações de voz e a análise ocorreu na perspectiva da Análise de Conteúdo. Coloca-se em destaque os lugares, o que comer, brinquedos e brincadeiras. Em lugares, a expectativa foi pelo uso quadra poliesportiva e do jardim. No entanto, em prevalência o parquinho foi o espaço de maior interesse. Sobre brinquedos e brincadeiras, os resultados revelaram o pula-pula, a piscina de água e de bolinhas, a boneca, a corda, o balanço e os jogos, com prevalência pelo pula-pula e pela corda. O estudo apontou uma expectativa sobre a alimentação no recreio, prevalecendo expectativas sobre sobremesas em forma de doces. Anuncia a necessidade de produção de outros estudos que contemplem essa temática evidenciando contributos do recreio escolar no viver a vida nas infâncias e na materialização do direito de brincar.

O (des)governo da velhice: cartogenealogias de/em uma pandemia

PID: S1984-64442022000100268 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Pocahy
RESUMO Este trabalho acompanha a emergência de redes enunciativas em torno do “governo da velhice” no contexto da pandemia provocada pela Covid-19. O lócus central de análise parte de pedagogias e artefatos culturais associados à interpelação da população idosa como grupo de/em risco. Através de um estudo cartogenealógico investigamos algo da emergência de pedagogias e representações que reforçam a autorresponsabilização dos/as idosos/as por supostos riscos auto-infligidos, reforçados por tutela parental e social. As evidências empíricas (memese cards) que apoiam nossas problematizações sugerem a correlação entre elementos de cultura idadista associada ao recrudescimento de vulnerabilidade social dos/as idosos/as. Ponderamos ainda que esta correlação de forças é, neste momento, mais fortemente balizada por racionalidade biopolítica neoliberal, ademais de (im)posturas ultraconservadoras e negacionistas que passam a redefinir os termos da governamentalidade contemporânea local.

O Coordenador Pedagógico e a construção da escola democrática: reflexões à luz dos princípios do pensamento freireano

PID: S1984-64442022000100296 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Nogaro Moll Nogaro Baldissera
RESUMO O artigo em pauta resulta de pesquisa teórica, de natureza qualitativa, realizada para problematizar e compreender a respeito do trabalho do Coordenador Pedagógico (CP), no intuito da construção de uma escola democrática, orientada pelos princípios do pensamento freiriano. Acredita-se ser oportuna a discussão, não só pela relevância e escassez de escritos com esta especificidade, mas sobretudo, por neste ano comemorar-se o centenário de nascimento deste importante pensador autóctone, reconhecido mundialmente. O CP atua na gestão escolar, em espaços sociais e institucionais muito referidos por Paulo Freire. O texto emerge a partir da explicitação e articulação de categorias presentes no pensamento de Freire e estudiosos de sua obra. Definiu-se cinco grandes temas que sobre os quais Paulo Freire reflete e escreve:democracia, diálogo, respeito aos educandos, autonomia docente e humanização. Acredita-se que estas podem sustentar a compreensão do trabalho do CP rumo a uma escola democrática, humanizadora e focada no desenvolvimento integral dos estudantes.

O Curso de Dança na Educação e a Escolinha de Arte do Brasil (Rio de Janeiro, 1970 -1975).

PID: S1984-64442022000100216 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Silva Damasceno
RESUMO Este trabalho dançante/educativo tem como objetivo compreender o Curso de Dança na Educação organizado pela Escolinha de Arte do Brasil (EAB), no Rio de Janeiro, entre os anos de 1970 a 1975. Inicialmente, tentamos construir um diálogo teórico a respeito das correntes sócio filosóficas que fundamentam os estudos acerca do Ensino de Dança escolar brasileiro, tomando como base as pesquisas desenvolvidas pelas professoras Adriana Gehres (2008) e Ana Paula Abrahamian Souza (2010). Posteriormente, apresentaremos as duas sequências de movimentos educativos intitulados: (1) Um diálogo a respeito da Dança e seu ensino na Escolinha de Arte do Brasil - EAB e no Movimento Escolinhas de Arte - MEA, e (2) O Curso de Dança na Educação - CDE. Na primeira sequência, apresentaremos um pequeno recorte sobre a história da EAB e do MEA, abordando como o Ensino de Dança é contemplado nesse movimento, na segunda sequência, descrevemos os ideais do Curso de Dança na Educação, sua organização e o período na qual foi realizado. Neste período, a artista-docente da dança Maria Fux foi a responsável por mediar os processos de ensino-aprendizagem dessa linguagem artística no curso. Em virtude da pesquisa realizada, percebemos aproximações entre as práticas artísticas/dançantes desenvolvidas pelo CDE e os pressupostos empiristas em Dança. Assim expomos reflexões, assinalando ainda, um diálogo direto com as propostas indicadas pela dançarina norte-americana Isadora Duncan (1877-1927).

O Processo de Alfabetização e as Práticas Pedagógicas

PID: S1984-64442022000100284 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Penteado Gomboeff
RESUMO O objetivo deste artigo é apresentar e analisar as práticas pedagógicas de duas docentes acerca do processo de alfabetização de crianças do 1º e 2º Ano do ensino fundamental. Essas duas professoras redigiram dois registros nos quais narraram suas práticas pedagógicas de alfabetização. Esses registros foram tomados como material de análise. O procedimento denominado Núcleo de Significação (NS), proposto por Aguiar e Ozella (2013), orientou a análise dos dados. A base teórica ancora-se no método Materialista Histórico e Dialético, preconizado por Friedrich Engels (1820-1878) e Karl Marx (1818-1883), que fundamenta a Psicologia Sócio-Histórica, pautada nos estudos de LevVigotski (1896-1934). Fundamenta-se, ainda, nos estudos de Volochinov (1995), Freitas (2002) e Faraco (2009) que estudaram diferentes vertentes dentro do campo da linguagem. Os resultados indicam a importância da formação continuada docente, do trabalho coletivo e do acompanhamento pela coordenação pedagógica da prática pedagógica das professoras alfabetizadoras.

O Sujeito e a Educação sob a Perspectiva da Complexidade

PID: S1984-64442022000100287 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Vieiras Pessoa
RESUMO Este texto problematiza algumas questões relacionadas ao sujeito e suas conexões com a complexidade e a educação. Aproxima-se teoricamente de Morin, Hall e Stengers. O diálogo com os autores e a autora, dentre outros que vão aparecendo, potencializa a narrativa em torno da educação/escola e as singularidades que lá ensinam, aprendem e criam. Nessa narrativa, algumas pistas encontradas nas obras de Morin, nos lança a pensar em uma perspectiva da complexidade, uma vez que o sujeito em questão não se trata de algo fechado e imutável, mas múltiplo, plural e multidimensional, assim como os conhecimentos/pensamentos que permeiam os espaçostempos escolares/acadêmicos. É nesse terreno fluido e impreciso que é tecido este texto, entre esboços inacabados de um sujeito e suas conexões com uma educação/escola, que pode escapar das tentativas de representação ou padronização, convidando a todos e a todas a acreditar na capacidade de imaginar juntos, com os outros e graças aos outros, a criação de saídas e/ou alternativas ao que aprisiona, caminhando, assim,para as novas/outras possibilidades.

O aumento da violência intrafamiliar na França durante a pandemia. Do que estamos falando?

PID: S1984-64442022000100403 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Stettinger
RESUMO Vários dados estatísticos atestam um aumento da violência doméstica após o primeiro confinamento na França. Para melhor compreender esses dados, este artigo discutirá a violência que existia nas famílias pobres antes da pandemia, seja uma violencia enraizada num “habitus” de classe, consequência dos efeitos da pobreza ou do sofrimento experimentado pelos indivíduos. Consequentemente, tendo a pandemia enfraquecido as populações mais pobres, é provável que a violência ligada ao contexto social tenha aumentado mais do que outras formas de violencia desde a pandemia.

O brinquedo e o brincar na era digital

PID: S1984-64442022000100239 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Farias Wortmann
RESUMO Focalizando o atual cenário de aceleradas transformações tecnológicas ocorridas nos processos comunicacionais, este estudo tem como propósito central refletir sobre os efeitos que as chamadas novas mídias e tecnologias têm produzido sobre os modos de configuração dos brinquedos e doato de brincar nos dias atuais. O artigo está organizado em três seções: primeiramente destaca-se a vinculação da cultura infantil às mídias; na segunda seção examina-se a trajetória de uma marca de brinquedos; e, por último, registram-se “outros modos” de brincar e de pensar sobre as infâncias emergentes no contexto sociocultural contemporâneo. Compreende-se que as modificações ocorridas relativamente às interações com os aparatos tecnológicos estenderam-se aos “modos de brincar”, pois as crianças, frequentemente, estão “conectadas” às diferentes mídias, intercalando em suas brincadeiras o “real” e o “virtual”. Entende-se, também, queos significados atribuídos ao brincar foram expandidos nas novas formas de brincar, estando essas cada vez mais associadas a ações de consumo.
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