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Raça, classe e morte: ensinando o contexto sociocultural da raça em Quito pós-metropolitana em Cuando me toque a mí, de Víctor Arreguí

PID: S1984-64442022000100504 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Medina
RESUMO Este artigo propõe que o filme equatoriano Cuando me toque a mí usa os ambientes urbanos como espaçosheterotópicos que permitemaodiretorVíctor Arregui captar as complexidades das relações humanas entre membros de diferentes raças, no contexto colonial e pós-colonial latino-americano. Todos os protagonistas, principais e secundários, enfrentam situações cotidianas e enfrentam o conflito mais básico: a vida contra a morte. Arregui usa a fotografia, a encenação e o som para adaptar a forma ao conteúdo e entregar Quito como uma cidade cheia de solidão e escuridão onde membros das classes populares, geralmente pertencentes a raças e etnias mistas, cholos e indígenas. Os personagens aparecem presos em suas circunstâncias e a câmera captura seus estados apresentando quadros intermediários que os encurralam, como se estivessem em celas de prisão. Eles emergem como prisioneiros dos espaços urbanos pelos quais perambulam e representam Quito como a cena suprema de solidão e morte.

Redução e retrocessos na política de tempo integral na escola brasileira: do Programa Mais Educação ao Programa Novo Mais Educação

PID: S1984-64442022000100200 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Cardoso Oliveira
RESUMO O estudo tem como objetivo analisar comparativamente os macrocampos temáticos do Programa Mais Educação (PME) e do Programa Novo Mais Educação (PNME), no que se refere à proposta de formação integral do sujeito. Adota metodologicamente uma abordagem qualitativa, por meio de revisão bibliográfica e estudo documental. Os dados revelam que o PME, criado em 2007, foi a primeira tentativa a nível nacional de uma política pública de indução da educação integral, mas, apresentou percalços durante sua implementação e permanência nas escolas, decorrentes de problemas estruturais na educação pública brasileira. Em 2016, o Programa foi substituído pelo PNME; neste, embora se tenha incorporado, da versão anterior, os macrocampos Esporte, Lazer, Arte e Cultura, estas atividades têm como objetivo impulsionar a melhoria da aprendizagem do Português e da Matemática, o que evidencia uma matriz formativa reduzida à dimensão cognitiva de conteúdos curriculares relativos apenas à leitura e ao cálculo matemático, para serem testados nas avaliações nacionais, distante, assim, do ideal de formação plena do indivíduo.

Relações raciais e amefricanas nas universidades ocidentalizadas: o recado está dado

PID: S1984-64442022000100305 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Fernandes Alves
RESUMO A sala de aula nas universidades ocidentalizadas ainda se apresenta como espaço social de privilégio branco, fazendo com que a escrita e a interpretação sobre a história afrodiaspórica sigam o caminho de uma história única. Deste modo, o presente artigo objetiva problematizar o estudo das relações raciais, das relações amefricanas e da história da África nas universidades ocidentalizadas a partir da enunciação de corpos-políticos pretos performados em narrativas ficcionais. Sobre o caminho metodológico, apostamos em uma escrevivência em oraliture performada em narrativas ficcionais marcando na cena acadêmica uma política de escrita engajada e encharcada pela afirmação de uma ciência cuja racionalidade não é linear, constituindo-se pela complementariedade entre razão e emoção. As narrativas foram construídas a partir de memórias inscritas no corpo-político de duas mulheres pretas e um homem preto que responderam ao questionário on-line da pesquisa Necropolítica e População Negra, vinculada ao Núcleo de Estudos e Pesquisas E’léékò. A história afrodiaspórica e ladioamefricana resiste ao esquecimento, silenciamento, invisibilidade, apagamento nas paredes brancas das universidades ocidentalizadas, na cena brasileira, por meio da presença intelectual e militante de homens e mulheres pretas. A escrevivência em oraliture performada em narrativas ficcionais neste estudo, marca o ser-sendo na produção do conhecimento de muitas mulheres e homens pretas e pretos na universidade; marca o porvir do conhecimento produzido a partir das experiências pretas.

Sala de aula invertida: Emancipação de mestres e aprendizes à luz das ideias de Freire e Ranciére

PID: S1984-64442022000100211 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Menezes Oliveira
RESUMO Os autores Jacques Rancière e Paulo Freire em suas obras asseveravam sobre a importância da educação como uma prática de liberdade, sem hierarquização, que conduza os alunos para uma emancipação intelectual. Nossa reflexão é sobre a presença destes ideais na adoção da metodologia da Sala de Aula Invertida para respondermos de que forma o uso dessa estratégia contempla os preceitos destes pensadores, na perspectiva da emancipação, da igualdade das inteligências de alunos e professores. O objetivo geral do estudo é refletir criticamente sobre como a Sala de Aula Invertida contribui para a emancipação de alunos e professores à luz das ideias de Freire e Rancière, bem como identificar os pilares que dão sustentação à metodologia de inversão da aprendizagem e extrapolar a concepção tradicional do ofício de ser professor como um mero explicador. Infere-se que o objeto escolhido para estudo poderá abalizar a adoção desta nova metodologia, contribuindo para práticas pedagógicas que colaborem para a construção de uma educação emancipadora, igualitária, pautada em valores éticos e alicerces sólidos que permitam ao indivíduo não só estar no mundo, mas ser parte integrante dele, problematizando, reconhecendo-se e intervindo. A pesquisa tem uma abordagem qualitativa e procedimento bibliográfico, compondo uma tessitura de reflexões e considerações para confirmação ou não da hipótese inicial. Sua relevância centra-se na possibilidade de identificar na Sala de Aula Invertida, além de uma estratégia do uso da tecnologia a favor da aprendizagem, também um potencial para o exercício emancipatório de professores e alunos, na prática da igualdade das inteligências. Neste viés, será destacado o poder do diálogo, a relevância da dúvida e da curiosidade como pontes para o conhecimento, apontando que as convicções de Freire e Rancière são possíveis de concretização e estão presentes no desenvolvimento desta estratégia tão contemporânea.

Saúde e adoecimento de professores universitários: uma revisão integrativa de teses e dissertações produzidas no Brasil

PID: S1984-64442022000100258 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Rebolo Urt
RESUMO A saúde dos professores universitários se tornou objeto de investigação nos últimos anos tendo em vista o aumento crescente do adoecimento dessa categoria profissional. Com o objetivo de mapear, analisar, sintetizar e integrar o conhecimento produzido sobre o processo de saúde-adoecimento, realizou-se um levantamento das dissertações e teses produzidas sobre a temática nos últimos 20 anos. Foram localizados 72 trabalhos (16 teses e 56 dissertações), no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CTD/CAPES), com as palavras-chave “saúde dos professores” e “adoecimento de professores”. Desses trabalhos foram selecionados para análise 19 estudos (10 dissertações e 9 teses) que tinham como sujeitos os professores universitários. Conclui-se que a temática da saúde e adoecimento dos professores universitários ainda é pouco investigada, que os estudos priorizam o adoecimento e não a saúde, e que as condições de trabalho são as principais causas apontadas para o adoecimento.

Surdez audível: narrativas docentes sobre o ingresso de um estudante na Universidade Federal do Rio de Janeiro

PID: S1984-64442022000100282 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Blasi Capelli Dutra Rumjanek
RESUMO A universidade brasileira foi composta historicamente por estudantes detentores de uma base sólida de conhecimento tanto em seu ambiente doméstico quanto escolar. Dessa forma, poucos brasileiros alcançaram o nível superior. Na década de 2010, observou-se a democratização do ensino superior por meio de políticas afirmativas, como a Lei de Cotas, que viabilizou o acesso de estudantes oriundos da educação pública, além de diferenciais de renda e distinções étnico-raciais. No ano de 2016, a política de cotas foi ampliada para as pessoas com deficiência. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2018, o ingresso de um estudante Surdo, por meio da Lei de Cotas, motivou inúmeras discussões, reflexões e ações de responsabilidade social, em prol de sua acessibilidade e inclusão, uma vez que ele tem a Língua Brasileira de Sinais como primeira língua e possui pouco conhecimento da língua portuguesa. Assim, o presente estudo analisou a centralidade das narrativas pela perspectiva docente acerca do ingresso do estudante Surdo. Realizou-se uma pesquisa de caráter qualitativo, por entrevista semiestruturada. Foram utilizados o método de Análise de Conteúdo sobre os resultados de processamento oriundos do software de análise textual Iramuteq. Os participantes da pesquisa foram dez docentes que estavam próximos ao estudante no primeiro semestre de 2018. Concluímos que a trajetória acadêmica do estudante, apesar de parecer mais justa quando assegurada por políticas redistributivas de acesso ao ensino superior, demonstra também, total falta de reconhecimento e atendimento individualizado para sua acessibilidade.

Tecnopolítica e educação: roubo, vigilância e modulação

PID: S1984-64442022000100283 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Aspis
RESUMO Este artigo tem como objetivo geral trazer algumas questões e conceitos, que não são especificamente do campo da educação, para problematizar a presente adesão das universidades públicas brasileiras às plataformas digitais pertencentes às grandes corporações norte americanas. O artigo percorre o caminho da análise e da crítica ao funcionamento dos mecanismos de roubo de dados, vigilância e manipulação das subjetividades dos usuários das tecnologias digitais de comunicação e informação em redes cibernéticas, explicitando-os e assim conduzindo às urgentes questões referentes à possibilidade de pensamento autônomo hoje. O pensamento é entendido não apenas como ações de análise e crítica, mas também, seguindo Deleuze, concebendo-o como criação. A conclusão é a da premente necessidade de que primeiramente se reconheça o problema de captura da vida, operada pelas grandes corporações de tecnologia digital do norte global. E em consequência disso, que se sinta a exigência de movimento de criação de formas de resistência à investida de destituição da soberania das universidades públicas brasileiras sobre a criação de conhecimento ali realizada, por meio do roubo e controle dos seus dados.

Tornando o invisível visível através do discurso literário: o exemplo de El espejo y la ventana (1967)

PID: S1984-64442022000100502 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Barres Sinardet
RESUMO Para a academia e a crítica, Adalberto Ortiz (1914-2003) contribuiu para “tornar visível o invisível”, ou seja, tornar visível o componente afro na sociedade equatoriana que, historicamente, no processo de construção de um imaginário nacional, foi encoberto pelo componente indígena, ainda mais quando no século XX se impôs o movimento indígena e a chamada ideologia da miscigenação cultural. No entanto, o romance El espejo y la ventana, escrito entre 1954 e 1956 e publicado em 1967, difere do romance ao qual Adalberto Ortiz deve sua fama de escritor negro, Juyungo (1942). Aliás, longe de narrar a luta viril de um protagonista negro orgulhoso de suas raízes africanas, El espejo y la ventana se constrói em torno de uma busca angustiada de identidade, vivida como uma série de fracassos, a de um jovem mulato, Mauro, que a descobre nada mais do que uma "tentenelaire". Este artigo analisará como a narrativa constrói e desdobra a figura do tentenelaire, nem preto nem branco, fora do universo cultural afro-equatoriano com o qual não se identifica por um lado, desprezado por uma elite que se define por seu componente brancopor outro lado, nunca consegue criar raízes e fica como um suspense "no ar". Será observado como e em que medida a figura do tentenelaire permite ao autor explorar a miscigenação a partir de uma perspectiva afrodescendente, buscando, por meio do literário e da lingüística, dar-lhemaior visibilidade.

Trajetórias formativas com pesquisas em gênero e sexualidade na educação

PID: S1984-64442022000100600 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Soares Paraíso
RESUMO A entrevista realizada com a docente e pesquisadora Dagmar Elisabeth Estermann Meyer teve como objetivo compreender suas trajetórias formativas com pesquisas em gênero e sexualidade no campo educacional e da saúde. Buscou oferecer elementos para problematizar os marcadores de gênero e de sexualidade e sua interface com as políticas públicas de inclusão social, com derivações que permitem pensar a transversalidade de gênero na formação inicial. Uma das perspectivas da pesquisadora no campo educacional é que a atividade de educar supõe processos de ensino e de aprendizagem: o que, quem e como ensinam e o que, quem e como se aprende, extrapolando, assim, as instituições de ensino e as salas de aula. A entrevista foi realizada no âmbito de uma atividade de pesquisa1 de Pós-Doutoramento, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.

Violência Simbólica e Práticas Escolares: um estudo com crianças indígenas

PID: S1984-64442022000100402 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Mubarac Sobrinho
RESUMO O objetivo deste artigo é apresentar uma reflexão acerca do trabalho de pesquisa etnográfica realizada em uma comunidade indígena na cidade de Manaus/Amazonas/Brasil, e em duas escolas públicas que atendem um grupo de 12 crianças da etnia Sateré-Mawé, residente na zona urbana da cidade. A pesquisa teve no cotidiano das crianças e na observação das práticas pedagógicas dos professores e do currículo escolar seus elementos principais de análise. Como base de fundamentação mais abrangente, procuramos trabalhar com o conceito de Violência Simbólica em Pierre Bourdieu, entrecruzando e relacionando-o com as vozes dos professores e das crianças “geradas” durante o processo da pesquisa de campo, tanto na comunidade indígena quanto na escola, o que nos possibilitou um olhar mais vigilante sobre esse grupo social da infância, e as práticas educativas destinadas a ele, em que a Violência Simbólica se faz bastante presente.

Vivências com a Natureza e os Limites Invisíveis: Contatos Primordiais entre Projetos Educativos no Brasil e em Portugal

PID: S1984-64442022000100291 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Damasceno Mazzarino Figueiredo
RESUMO Este artigo tem como objetivo descrever(A1) duas experiências de vivências com a natureza: um no município do Crato, estado do Ceará, Região Nordeste do Brasil, outro em Coimbra, na província da Beira Litoral, Região do Centro, Portugal. Os projetos têm suas singularidades, mas também convergências, o que possibilita a realização do estudo. Observaram-se as crianças participantes, registrando-se as ocorrências e analisando-se o que sucede em decorrência das atividades. As análises são compostas por três dimensões: ambientes, mediadores e métodos. Os dados empíricos apontam que, mesmo que de forma diferenciada, ambas as experiências favorecem o desenvolvimento infantil em seus diversos aspectos, conforme o foco dos métodos. Enquanto nas vivências com a natureza a interação com o contexto natural esteve focada em gerar experiências que exploravam os sentidos, no Limites Invisíveis buscava-se provocar experiências de aprendizagem. Em ambas as propostas o ambiente natural parece despertar nas crianças o que está latente, que não emerge, muitas vezes, por falta deste contato primordial com ambientes naturais.

“Lugar aprazível e salubre”, “Casa vasta e bem arejada”: localização e espaços de colégios-internatos na Corte Imperial do Rio de Janeiro (Século XIX)

PID: S1984-64442022000100223 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Conceição
RESUMO O artigo apresenta uma compreensão historiográfica de disposições de prédios de colégios-internatos e discursos em torno de condições higiênicas desses espaços, localizados na Corte Imperial do Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX. A pesquisa documental resultou no levantamento e cotejamento de informações em fontes diversas, especialmente em anúncios publicados no Almanak Laemmert e em teses médicas defendidas na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Os colégios-internatos estavam localizados em ruas do centro da cidade, consideradas insalubres, ou nos arrabaldes da cidade, como recomendado pelos facultativos. Quanto aos espaços, os colégios internatos estavam instalados em casas residenciais e sobrados com adaptações para os serviços do internato e em prédios originalmente planejados e construídos para funcionar como colégio-internato. Os edifícios de grandes internatos possuíam dormitórios, refeitório, pátios arborizados para recreio, enfermaria, capela e rouparia. Não obstante a crítica médico-higiênica, alguns desses edifícios possuíam água encanada, tanques para banho e lavagem de roupa, tanques de natação, iluminação a gás, instalações sanitárias.

“Vai que a universidade se Trans*Forma”: experiências e epistemologias trans*

PID: S1984-64442022000100222 | Periódico: Educação UFSM (1984-6444) | Ano: 2022
Autores: Rocha Brito Dias
RESUMO O artigo apresenta alguns dos resultados e reflexões produzidos a partir da pesquisa Escrevivências Trans* como potência, desenvolvida na Universidade Federal de Sergipe (UFS) entre agosto de 2019 e julho de 2020. A partir de relatos e entrevistas com estudantes trans* do ensino superior da UFS,procuramos discutir uma epistemologia sobre ser trans* na universidade e sobre como essas existências contribuem para ressignificar a dinâmica espacial e relacional daquele espaço. Os saberes que advém da presença de pessoas trans* na universidade se apresentam como potentes estratégias de subversão da epistemologia binária que a compõe. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa, que busca observar essas experiências sem a intenção de julgá-las, mas tomando forma de aprendizado com as diferenças. Embasamos nossas análises nos preceitos dos estudos de gênero, das teorias transfemistas e queer e procuramos apontar algumas das potencialidades das produções epistemológicas que emergem da presença desses sujeitEs, muitas vezes entendidEs como subalternEs, nas universidades e na sociedade. A ocupação das universidades pelas pessoas trans* nos oferece a oportunidade de avistarmos um cenário mais potente e, portanto, mais democrático.

A Relação entre a Filosofia Foucaultiana e o Jornalismo: possibilidades para pensar a “Atualidade”

PID: S1982-596x2022000100539 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Nascimento
Resumo Muitos filósofos utilizaram o jornalismo como meio para expressar suas ideias. Depois da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, Sartre, Adorno, Arendt, publicaram em jornais ou concederam entrevistas problematizando aquele evento: seus motivos, consequências e, sobretudo, as formas de evitar outras catástrofes. A partir de 1960, na França, Michel Foucault teve intensificada sua relação com jornais e jornalistas: concedeu entrevistas; participou de debates; publicou informativos e respostas a críticos; e, inclusive, atuou na criação do jornal Libération, em 1972. Quanto aos escritos do autor, conforme Deleuze (1991), as entrevistas de Foucault devem ser consideradas parte da obra do filósofo, destacando a importância do jornalismo para o pensamento do autor: várias delas foram compiladas e publicadas enquanto “formas de expressão” em livros como “Microfísica do Poder” (1977) e na Coleção “Ditos e Escritos” (1994), sendo decisivas para o conjunto da obra foucaultiana. Em sua perspectiva, Filosofia e jornalismo manifestam interesses semelhantes pela “atualidade”, entrecruzando suas práticas, motivo pelo qual se tornou importante dar a necessária atenção ao tema em seus escritos. Assim, este artigo tem como objetivo analisar a relação entre Foucault e o jornalismo de modo a responder como tal relação tem importância para o desenvolvimento e compreensão da filosofia foucaultiana.

A Universidade e o “homo sabius”. Crítica/Crítica

PID: S1982-596x2022000301389 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Cunha
Resumo O ensaio, em jeito de crítica/crítica, procura olhar para a Universidade na sua dimensão político-organizacional. Através de uma reflexão interpretativa, apoiada na constatação empírica e na literatura - uma metodologia que sai dos cânones de uma metodologia científica de investigação -, tenta “escavar” a Universidade e mostrar dois tipos de homo-politicus que nela existem: o “homo-violentus” (o homem - “violento”) e o “homo-sabius” (o homem - “sábio”). Esses dois tipos de homos (por certo, existem outros tipos) então “encarnados” nos decisores, gestores, professores, investigadores, estudantes etc. Desses dois tipos de homos vamos ter formas de intervenção política, cultural, científico/investigativa, educativo/pedagógico e humana diferenciadas - nas expressões informação, conhecimento, sabedoria - e, com elas, consequentes implicações na missão da própria Universidade.

A análise sobre adolescência e jovens delinquentes pelo pedagogista português Faria de Vasconcelos: relação entre a inteligência e tipos de delitos

PID: S1982-596x2022000301277 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Martins
Resumo Pretendemos abordar o pedagogo português Faria de Vasconcelos (1880-1939) no contexto da Escola Nova, norteando-nos por uma pesquisa de metodologia hermenêutica na análise aos seus pressupostos pedagógicos sobre os problemas escolares e, principalmente sua preocupação pela adolescência e jovens delinquentes, infratores e/ou indisciplinados. Recorremos conceitualmente aos seus textos (fontes primárias) e à sua obra compilada por J. Ferreira Marques, a fontes secundárias sobre Escola Nova e História da Educação em Portugal da época. O método hermenêutico permitiu-nos compreender os escritos daquele pedagogista na frágua da temática, quer pelo questionamento, quer pelo alicerçar dessa compreensão sobre (análise) o conteúdo a interpretar. Ou seja, a hermenêutica sendo a palavra, em que a correspondente interpretação vem sempre do texto, converteu-se em mediadora desse processo interpretativo. Os objetivos foram os seguintes: analisar os contributos de Vasconcelos ao estudo científico da criança/infância, em especial no seu desenvolvimento físico e mental, sob a influência da Escola Nova; compreender a sua análise à adolescência e delinquência juvenil, na relação que estabeleceu entre a inteligência (percentagens de deficiências mentais) e tipos de delitos/crimes cometidos. Pretendemos resgatar esse pedagogo para a História da Educação em Portugal, divulgando os seus contributos em prol do estudo da criança, da adolescência e do jovem delinquente.

A duração em Henri Bergson: fundamento da educação com as diferenças

PID: S1982-596x2022000200861 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Gusmão Marques
Resumo Tendo como contexto as mudanças paradigmáticas da Atualidade, o objetivo deste artigo é refletir sobre os fundamentos filosóficos de uma educação com as diferenças a partir do conceito de duração desenvolvido por Henri Bergson. A teoria bergsoniana da duração instaura uma visão radical das diferenças humanas, baseada nos seguintes aspectos: a dimensão viva e pulsante das temporalidades dos diversos sujeitos; a irredutibilidade das diferentes temporalidades humanas a signos matemáticos; a totalização da temporalidade no âmbito da memória; e, enfim, seu potencial de liberdade e criação. Partindo dos referidos fundamentos filosóficos, o artigo defende que uma educação com as diferenças precisa repensar a noção de sujeito ideal, as práticas de ensino e avaliação baseadas em quantificações e classificações, as lógicas fragmentadas e impessoais de produção de conhecimento e, finalmente, a ideia de formação para a liberdade e a responsabilidade ética.

A filosofia erva-daninha como uma proposta para a descolonização de saberes na educação e resistência aos desafios contemporâneos

PID: S1982-596x2022000200685 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Garcia
Resumo A educação brasileira está estruturada a partir da colonialidade do saber (QUIJANO, 2005) que permeia a história do nosso território, determinando uma monocultura da mente (SHIVA, 2003) por meio da qual entendemos o mundo. No entanto uma educação que tem em seu cerne currículos monoculturais e silencia de diferentes maneiras o pensamento próprio e local leva a uma relação subalterna com o conhecimento. Diante de enormes desafios que o mundo contemporâneo em crise tem imposto, é necessário que repensemos os currículos escolares a fim de promover uma educação mais significativa para o mundo que está por vir. Com este artigo, temos como objetivo apontar caminhos para lidar com as diferenças no contexto escolar, ressignificando o que de fato é “daninho” para o mundo de hoje. Analisaremos a relação entre a monocultura da mente e do solo e a colonialidade do saber, apontando o potencial dos saberes não hegemônicos para resistir à colonialidade e suas consequências. Traremos como proposta uma filosofia erva-daninha que procura aprender com aquilo que foi descartado e considerado “daninho” pelo saber hegemônico, e que apresenta saberes e estratégias que nos permitem resistir aos desafios contemporâneos de maneira humanizada.

A solidão em tempos sombrios: proposições pedagógico-educacionais para um mundo fora dos eixos

PID: S1982-596x2022000200977 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Petry Amorim
Resumo Trata-se de um estudo que apresenta uma interpretação sobre o livro de Carson McCullers, intitulado O coração é um caçador solitário, com base no argumento de que a referida obra traz consigo elementos literários e filosóficos. Com isto em mente, objetivou-se compreender a solidão para além de um dilema que a encerra em si mesma, mas, sobretudo, compreendê-la inserida no contexto dos tempos sombrios, fenômeno epocal em que se manifesta o ódio e a intolerância (a exemplo de manifestações machistas, racistas, xenófobas e homofóbicas) incentivados por uma espécie de obscurantismo anti-intelectual. O problema investigado se referiu às condições de possibilidade de enfrentar-se educacionalmente a solidão, fenômeno que afeta cada vez mais indivíduos. Em linhas gerais, percorre-se o campo dos conceitos filosóficos amparados pela materialidade da narrativa literária para a apresentação de proposições pedagógico-educacionais.

Anísio Teixeira e Richard Morse: Triangulações inversas entre Iberismo, Brasil e Anglo-Americanismo

PID: S1982-596x2022000100405 | Periódico: Educação e Filosofia (1982-596x) | Ano: 2022
Autores: Pedrosa Viana
Resumo O tema do artigo é referente à presença de iberismo e anglo-americanismo no Brasil e às expressões dessas heteronomias como obstáculos a uma identidade brasileira. A abordagem se alimenta das polêmicas desencadeadas por Richard Morse e sua tese sobre a Ibéria perdida, o Brasil à deriva e sua universidade descompromissada. A tese de Morse afirma a vitalidade da tradição ibérica original e sua capacidade de inspirar futuros para o Brasil, em inversão à referência anglo-americana, inconsistente e sem futuro. O artigo situa as triangulações entre Brasil, Ibéria e EUA e busca em Teixeira um contraponto à tese de Morse sobre a colonialidade e o descompromisso acadêmico brasileiro. O argumento tem ancoragem em pesquisa envolvendo textos de autoria dos dois intelectuais, biografias e estudos de trajetória. O primeiro movimento apresenta Morse, sua tese sobre a Ibéria e sobre a América Ibérica e sua crítica aos acadêmicos. O segundo movimento situa a trajetória e escrita de Teixeira e destaca sua posição sobre a “civilização americana” com a finalidade de evidenciar um intelectual inverso ao homo academic descompromissado de Morse. As considerações finais retomam pontos de “descomparação” para evidenciar a inspiração anglo-americana e o compromisso de Teixeira com o Brasil.
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