PID: S1984-01872025000100400 |
Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) |
Ano: 2025
Autores: Silva Fumes
Resumo A presente pesquisa discutiu as vivências construídas no Programa Residência Pedagógica (PRP), na perspectiva da pesquisa crítica de colaboração e da Educação Inclusiva, durante o período de isolamento social provocado pela pandemia (Covid-19). Intenta-se analisar como as experiências vivenciadas no PRP contribuíram na formação inicial das licenciandas em Pedagogia de uma universidade pública estadual, no tocante à Educação Inclusiva. Constituem os objetivos específicos: (1) apreender as significações acerca da inclusão apresentadas no PRP; (2) investigar como as práticas propostas no âmbito do PRP, a partir da pesquisa crítica de colaboração, podem suscitar o desenvolvimento de experiências inclusivas; e, por fim, (3) apreender os limites e as possibilidades das experiências inclusivas vivenciadas no PRP, com base na colaboração crítica, na formação inicial das residentes. As discussões foram pautadas pela psicologia sócio-histórica e por outros referenciais fundamentais para a temática. A pesquisa realizada foi do tipo crítica de colaboração, com 14 participantes vinculadas ao curso de Licenciatura em Pedagogia de uma instituição estadual do Nordeste. A produção de dados se deu a partir de entrevistas, sessões reflexivas (individuais e coletivas), gravadas em áudio e vídeo, via Meet, além da análise documental do projeto institucional, relatórios finais e cartas produzidas pelas participantes. O corpus empírico foi construído entre os meses de dezembro de 2021 e abril de 2022, e a análise utilizou os núcleos de significação e a de conteúdo temática, organizados em cinco manuscritos, sendo quarto artigos e um capítulo de livro. No primeiro manuscrito, evidencia-se que as participantes possuem significações que focalizam a perspectiva clínica da pessoa com deficiência. O segundo aponta para as significações que focalizam os processos de exclusão vivenciados por muitos estudantes Público-Alvo da Educação Especial (PAEE). O terceiro aborda as diferentes práticas desenvolvidas na escola campo do PRP, com e sem adaptações específicas, bem como o trabalho solo e a responsabilização do docente e das estudantes nas vivências na PRP. Já o quarto manuscrito, apresenta o reconhecimento da exclusão vivenciada pelos estudantes PAEE nas escolas campo do PRP e, além de reconhecer a importância da pesquisa, aponta que não foi suficiente para o desenvolvimento de práticas inclusivas no PRP. Por fim, o último manuscrito, destaca os limites e as possibilidades no sentido do estudo da inclusão ao longo do PRP e, ainda, remete ao silenciamento, em algumas cartas e relatórios, acerca das práticas, inclusão e exclusão do PAEE na escola campo do PRP. Em síntese, apreende-se que as experiências vivenciadas no PRP foram importantes para o contato e o desenvolvimento de práticas com os estudantes do PAEE, para a maioria das participantes da pesquisa. Entretanto, as experiências no PRP e na pesquisa crítica de colaboração não foram suficientes para transformar a realidade imposta pelo distanciamento social e alcançar de forma efetiva uma prática inclusiva no espaço da escola campo do PRP durante a pandemia (Covid-19).