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Diálogos possíveis entre a Pedagogia da Autonomia e interdisciplinaridade: reflexões sobre a formação inicial de pedagogos

PID: S1984-01872025000100303 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Gomes Silva Carvalho
Resumo A Pedagogia da autonomia é uma obra que discute a essência do educador progressista e, ao nosso ver, de forma interdisciplinar, pois nela, é refletido sobre saberes docentes indispensáveis à formação do pedagogo, que revelam a composição de atitudes guiadas pelo espírito emancipatório para a construção da autonomia e do conhecimento crítico-reflexivo, ações que se assemelham ao exercício da interdisciplinaridade. Assim, objetivamos refletir, sobre as reflexões freirianas contidas na Pedagogia da autonomia, sobre as relações existentes entre os saberes docentes e a interdisciplinaridade, para entendermos as implicações dessas relações no processo de formação inicial do pedagogo, por meio de um estudo qualitativo de cunho bibliográfico e documental. Desse modo, evidenciamos, que o pensamento freiriano é reverberado por múltiplas ações interdisciplinares como: a contextualização, a humildade, a reflexão, o amor, a identidade, a ponte, a atitude, a mudança dentre outras, as quais contribuem para a realização de um quefazer didático-pedagógico-metodológico equitativo-justo-emancipador-transformador-autônomo.

Invenção, política e afetos: um ensaio sobre a obra de Gui Teixeira e suas relações com o brincar e o jogar

PID: S1984-01872025000100206 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Albuquerque
Resumo São muitos os trabalhos de Gui Teixeira que se apresentam como jogos ou brincadeiras - e que são particularmente envolventes para crianças. Como se fossem feitos para elas. Ou para a infância que resiste em cada um. Trata-se de propostas que tomam a forma de objetos interativos, instalações, intervenções, exposições enquanto processo e também oficinas. Obras como Social Board (2010), um skate circular coletivo, Parede Suprematista (2011), um paredão de escalada que é também uma instalação pictórica, ou as chamadas Splashcletas (2016), com as quais se pinta enquanto se pedala, são alguns exemplos. Em todos eles, o corpo é chamado à ação, a envolver-se afetiva, divertida e atentamente. Trata-se de convites a imaginar e a vivenciar, muitas vezes de forma colaborativa, possibilidades de se colocar no mundo em que a invenção, a política e os afetos são experimentados por meio de desafios, riscos, escolhas, construções e proposições.

Literatura infantil e Relações Raciais: estudo sobre pesquisas com crianças

PID: S1984-01872025000100300 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Oliveira Camilo
Resumo O objetivo desta reflexão é analisar o uso da literatura infantil como instrumento metodológico em pesquisas realizadas com crianças, mais especificamente, estudos envolvendo crianças e relações raciais. Realizou- se uma pesquisa qualitativa, de base bibliográfica, a partir da análise de teses e dissertações da BDTD/ibict. O referencial adotado envolve campos da Sociologia da Infância e das Relações Raciais. A partir das investigações analisadas, as quais produziram pesquisas com crianças, tendo a literatura infantil como instrumento mediador de oficinas e das intervenções realizadas, pudemos perceber o quão importante é a realização de estudos que visam alcançar as crianças, ouvi-las, considerar suas perspectivas e emoções relacionadas à temática das relações raciais.

O jogo de pintar de Arno Stern no Ateliê Pintante do Instituto da Primeira Infância (IPREDE/CE)

PID: S1984-01872025000100207 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Goldberg
Resumo Este artigo apresenta os princípios teóricos e práticos do “Jogo de Pintar” de Arno Stern (Stern, [19--], 1974, 1978, 2011, 2016) e as reverberações dessa prática no Projeto de Extensão “Ateliê Pintante”, parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Instituto da Primeira Infância (IPREDE/CE), com crianças em extrema vulnerabilidade social, por meio de pesquisa empírica. O “Jogo de Pintar” acontece em um ateliê diferenciado, o “Closlieu” (do francês “lugar abrigado”), e proporciona a livre expressão e o desenvolvimento da imaginação das crianças, as quais “jogam” com gestos, formas e cores em suas criações espontâneas. Concluiu- se que o “Jogo de Pintar” contribui significativamente para a criação de um espaço de autoconfiança, autonomia e liberdade, essenciais para o processo criativo das crianças, que encontram nesse jogo a oportunidade e as condições adequadas para sua autoexpressão e constituição de si por meio da pintura.

O jogo do invisível: arte, educação e consciência social

PID: S1984-01872025000100200 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Torres-Carceller Castell-Villanueva
Resumo O projeto Creative Art Interchange visa promover o desenvolvimento de propostas criativas em centros educacionais de ensino fundamental e médio, promovendo a Educação Artística não apenas como um meio plástico, estético e expressivo, mas também como um ponto de encontro cultural para aluno e professores. Com uma vocação internacional, inclui centros de diversas realidades globais, fomentando um diálogo intercultural que enriquece a compreensão artística e social. Por meio da troca e do conhecimento de diferentes contextos, culturas e realidades, estimula-se uma troca ativa que permite ao aluno ampliar sua visão do mundo. Esta abordagem considera a arte como um mediador cultural que facilita um diálogo mais profundo e significativo. A cada ano letivo, propõe-se um tema que serve de gatilho, para que cada equipe, normalmente composta por dois centros educativos, desenvolva um projeto de forma colaborativa, compartilhando progressos e experiências. O projeto culmina com uma exposição que atua como um espaço para troca e reflexão.

O patrimônio imaterial abre-se ao presente: testemunho vivo que constrói tradição e futuro - um estudo de caso

PID: S1984-01872025000100210 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Pastor Alvarez
Resumo Todos os meninos e meninas precisam se relacionar, criar um grupo de iguais para compartilhar conhecimentos e explorar o desconhecido. Esta contribuição se enquadra em uma cidade da chamada Espanha esvaziada, Villafrades de Campos. Pequena vila castelhana de Leão que guarda cuidadosamente a sua tradição, transmitindo-a todos os verões aos meninos e meninas que a visitam. Com “La escuelita” da Associação Cultural El Cordón, os pequenos aprendem a dançar com baquetas e a cantar os versos anteriores. A brincadeira de quem hoje é avô e avó, que com o tempo se tornou folclore, tradição. O resultado configura uma narrativa com depoimentos de diferentes pessoas do local entrelaçados com o uso da imagem para mostrar parte desse patrimônio imaterial e como se dá sua transmissão entre gerações.

O presente é a gentileza: a imaginação na leitura e produção de imagens na Educação Infantil

PID: S1984-01872025000100201 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Souza Sousa Pontes
Resumo Este artigo examina um relato de experiência sobre as vivências de crianças de 4 e 5 anos com as linguagens das artes visuais em uma instituição de Educação Infantil, mediadas por um professor e uma professora. O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise do modo como a apreciação de obras de Arte Contemporânea e a produção de imagens por crianças se inter-relacionam, considerando a mediação docente e o protagonismo infantil. A metodologia se estrutura em torno de um relato de experiência, fundamentado na observação de demandas relacionais de crianças, na apreciação do audiovisual Cuerdas, concebido como produção de Arte Contemporânea, e na proposição de outras vivências com a arte. Os resultados demonstram que as crianças, ao apreciarem o vídeo, atribuíram sentidos espontaneamente a ele, relacionando-o à temática da gentileza. A partir dessa experiência, os docentes propuseram uma nova vivência, na qual as crianças construíram imagens por meio de desenhos, pinturas e colagens, como forma de presentearem uns aos outros. As conclusões sugerem que tais experiências favorecem o desenvolvimento de interfaces significativas entre Arte Contemporânea, leitura/produção de imagens e infâncias, além de promoverem o protagonismo e a imaginação como aspectos essenciais para a edificação de sentidos e saberes na vida das crianças.

O que uma artista contemporânea pode aportar a uma sala de aula da Educação Infantil. A cor de Jessica Stockholder

PID: S1984-01872025000100205 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Alonso-Garrido Rigo
Resumo Este artigo apresenta uma reflexão pessoal sobre o possível diálogo entre propostas de arte contemporânea e a infância. A título de ilustração, se descreve uma prática artística realizada com crianças da Educação Infantil baseada na artista Jessica Stockholder. A metodologia adotada é qualitativa e inclui observação direta em sala de aula, análise dos trabalhos criados pelas crianças e registros orais por meio de gravações de áudio.

Passeio pela proposta original das Instalações de Jogo: espaços de criação simbólica desde e com a infância

PID: S1984-01872025000100202 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Molina Gálvez
Resumo Através do enquadramento de uma história textual e visual, este estudo baseia-se nas contribuições de autores como Aucouturier (2004), Winnicott (2006) e Tomasello (2007) para descrever a origem e o desenvolvimento, até aos dias de hoje, a partir da proposta original das Instalações de Jogo no contexto da creche de 0-6 anos. Esses “lugares simbólicos” (Ruiz de Velasco e Abad, 2019) ou espaços intersubjetivos como metáfora da vida relacional, configuram-se para favorecer a expressão do imaginário e a criação simbólica de infâncias acompanhadas de suas referências adultas. As Instalações de Jogo propõem objetos específicos oferecidos por meio de tríades em um “espaço total”, inspirado na estética da arte contemporânea, que se configura para se transformar como um espaço privilegiado que acolhe as manifestações da cultura infantil e a interpretação significativa dos processos compartilhados de desenvolvimento socioemocional, cognitivo e afetivo.

Pensar a educação como direito constitucional no Brasil à luz da conscientização proposta por Paulo Freire: um contraponto à visão neoliberal de educação

PID: S1984-01872025000100306 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Gabriel Gabriel Moreira
Resumo Neste artigo, discute-se o direito à educação, de acordo com a Constituição Brasileira de 1988, como garantia à efetivação da ordem democrática. Para tanto, parte-se de visões de Paulo Freire com relação à educação, a saber: educação como ato emancipador, como ato político, como conscientização. Em seguida, debate-se o desafio de superar uma educação bancária no contexto reinante do neoliberalismo que reduz a educação à condição de mercadoria. Busca-se estabelecer um paralelo entre a obra Conscientização, de Paulo Freire, e A escola não é uma empresa, de Christian Laval, relacionando o desafio de efetivar a formação para o mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, a formação para a cidadania. Diante disso, faz-se necessário conhecer os direitos previstos na Constituição Federal, inclusive aqueles relacionados à educação e a repensar uma educação humanizadora, emancipadora e que supere a lógica da opressão e da mercantilização da educação.

Práticas educativas com Tecnologias Educacionais na educação básica: programação, brinquedos robóticos e processos criativos

PID: S1984-01872025000100311 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Ferreira Candian
Resumo Este artigo busca discutir sobre as Tecnologias Educacionais, de programação e robótica, em relação com as práticas pedagógicas na educação básica. Ao utilizar situações-limites e temas geradores freireanos como metodologia, a discussão é permeada por três cenas que dialogam entre si para argumentar como as tecnologias, vistas como molduras (frameworks) (Feenberg, 2003), delimitam e orientam a prática pedagógica. Questiona-se como a inserção dessas tecnologias pode ocorrer por meio de um diálogo crítico com os educadores e comunidade escolar, a fim de evitar que essas ferramentas se tornem um ônus para os professores e limitem a prática pedagógica ao simples cumprimento de aulas prontas. Conclui-se que as Tecnologias Educacionais se entrelaçam às práticas pedagógicas transformando-as. Ainda que haja uma tendência a funcionarem como metodologias e fechadas, com pouca conexão com as realidades e necessidades dos alunos, é possível criar molduras próprias para superar o simples cumprimento de aulas pré-formatadas.

Reflexão sobre as desigualdades sociais entre crianças: revendo as metodologias de pesquisa sobre/com crianças

PID: S1984-01872025000100308 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Garnier
Resumo O objetivo deste artigo é resgatar a questão das desigualdades sociais entre as crianças - consideradas como um objeto ao mesmo tempo construído e real -, através de um olhar crítico sobre as metodologias de pesquisa qualitativas que as colocam em evidência. Por um lado, ao atribuir às crianças, a priori, as propriedades sociais de seus pais, tais metodologias envolvem um raciocínio emprestado do trabalho de objetivação e de totalização estatística. Por outro lado, fazer as crianças “falarem” não é evidente e redobra a sua provação durante essa situação social de entrevista, seja ela coletiva ou individual. Em suma, a natureza preestabelecida da confrontação das crianças e seu caráter desde o início discriminatório condena a pesquisa a encontrar, ao final, as desigualdades sociais que ela mesma previu. Realizar pesquisa “com” crianças demanda outras metodologias, preocupadas em dar recursos para estimular que a sua expressão alcance o nível da dos adultos do seu entorno. Esse tipo de pesquisa exige uma grande reflexividade crítica e uma concepção híbrida, distribuída e situada da agency das crianças. A escolha das provas às quais as metodologias submetem as crianças, bem como as formas de qualificá-las, revelam-se decisivas, assim, na construção das desigualdades entre elas.

Resumo de Tese: A inclusão e o Programa Residência Pedagógica: reflexões e vivências de licenciandas em Pedagogia em tempos de pandemia (COVID-19)

PID: S1984-01872025000100400 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Silva Fumes
Resumo A presente pesquisa discutiu as vivências construídas no Programa Residência Pedagógica (PRP), na perspectiva da pesquisa crítica de colaboração e da Educação Inclusiva, durante o período de isolamento social provocado pela pandemia (Covid-19). Intenta-se analisar como as experiências vivenciadas no PRP contribuíram na formação inicial das licenciandas em Pedagogia de uma universidade pública estadual, no tocante à Educação Inclusiva. Constituem os objetivos específicos: (1) apreender as significações acerca da inclusão apresentadas no PRP; (2) investigar como as práticas propostas no âmbito do PRP, a partir da pesquisa crítica de colaboração, podem suscitar o desenvolvimento de experiências inclusivas; e, por fim, (3) apreender os limites e as possibilidades das experiências inclusivas vivenciadas no PRP, com base na colaboração crítica, na formação inicial das residentes. As discussões foram pautadas pela psicologia sócio-histórica e por outros referenciais fundamentais para a temática. A pesquisa realizada foi do tipo crítica de colaboração, com 14 participantes vinculadas ao curso de Licenciatura em Pedagogia de uma instituição estadual do Nordeste. A produção de dados se deu a partir de entrevistas, sessões reflexivas (individuais e coletivas), gravadas em áudio e vídeo, via Meet, além da análise documental do projeto institucional, relatórios finais e cartas produzidas pelas participantes. O corpus empírico foi construído entre os meses de dezembro de 2021 e abril de 2022, e a análise utilizou os núcleos de significação e a de conteúdo temática, organizados em cinco manuscritos, sendo quarto artigos e um capítulo de livro. No primeiro manuscrito, evidencia-se que as participantes possuem significações que focalizam a perspectiva clínica da pessoa com deficiência. O segundo aponta para as significações que focalizam os processos de exclusão vivenciados por muitos estudantes Público-Alvo da Educação Especial (PAEE). O terceiro aborda as diferentes práticas desenvolvidas na escola campo do PRP, com e sem adaptações específicas, bem como o trabalho solo e a responsabilização do docente e das estudantes nas vivências na PRP. Já o quarto manuscrito, apresenta o reconhecimento da exclusão vivenciada pelos estudantes PAEE nas escolas campo do PRP e, além de reconhecer a importância da pesquisa, aponta que não foi suficiente para o desenvolvimento de práticas inclusivas no PRP. Por fim, o último manuscrito, destaca os limites e as possibilidades no sentido do estudo da inclusão ao longo do PRP e, ainda, remete ao silenciamento, em algumas cartas e relatórios, acerca das práticas, inclusão e exclusão do PAEE na escola campo do PRP. Em síntese, apreende-se que as experiências vivenciadas no PRP foram importantes para o contato e o desenvolvimento de práticas com os estudantes do PAEE, para a maioria das participantes da pesquisa. Entretanto, as experiências no PRP e na pesquisa crítica de colaboração não foram suficientes para transformar a realidade imposta pelo distanciamento social e alcançar de forma efetiva uma prática inclusiva no espaço da escola campo do PRP durante a pandemia (Covid-19).

Resumo de Tese: Educação para a democracia - Interfaces teóricas entre Jean-Jacques Rousseau e Paulo Freire

PID: S1984-01872025000100401 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Ferreira
Resumo A pesquisa desta tese de doutorado, desenvolvida em cotutela internacional entre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Brasil) e a Université Catholique de l’Ouest (França), teve por interesse anunciar a educação democrática fundamentada nos elementos teórico-práticos encontrados no fenômeno das propostas educativas de Jean-Jacques Rousseau e Paulo Freire. A análise crítico-interpretativa desenvolvida foi problematizada pela pergunta: Quais são as aproximações e os distanciamentos dos pensamentos pedagógicos de Jean-Jacques Rousseau e Paulo Freire em relação a educação democrática, considerando suas obras e as realidades sociais vividas por ambos, a partir dos conceitos de liberdade, autonomia, construção do conhecimento e conscientização? Para respondê-la, buscamos desvelar os distanciamentos e as aproximações do pensamento pedagógico de Rousseau e da práxis pedagógica de Freire para denunciar, por meio destes, a constituição da educação falsamente democrática e anunciar os fundamentos da educação autenticamente democrática. Por isso, partimos tanto da crítica como da dialogicidade hermenêutica, a partir da interpretação de Gadamer (2007) de movimento dialógico, porque realizamos uma interpretação profunda do fenômeno, pelo que optamos por usar a denominação hermenêutica crítica dialógica para o método utilizado; e ainda, nos apoiamos na metodologia da educação comparada, como apresentada nos trabalhos de Groux (1997), para realizar uma análise que permite multiplicar os pontos de vista. Constatamos que o ensinar-se/educar-se e o instruir-se são atos conscientes pela e para a democracia, pois revelam-se como compromisso com a libertação dos homens - eis o inédito viável/possível não experimentado na educação discutido por Paulo Freire, bem como o compromisso com a humanidade pelo contrato e pelo amor, pautado na liberdade da vida natural/real, apresentado por Jean-Jacques Rousseau. Nossa tese é que o ideal social democrático rousseauneano e a práxis pedagógica amorosa e enérgica freiriana são potências teórico-práticas que fundamentam uma teoria capaz de subsidiar a construção de uma educação autenticamente democrática e viabilizar o aperfeiçoamento de uma sociedade democrática por meio desta educação. No entanto, nós consideramos que esta educação não pode ocorrer subordinada ao Estado em sua configuração atual, pois nele não existem verdadeiras liberdade, autonomia, construção do conhecimento e conscientização (porque isso comprometeria a existência do seu sistema organizacional) e, em decorrência, nele não subsiste a autêntica democracia. Nesta tese defendemos, portanto, que uma educação democrática baseada nos pensamentos pedagógicos de Rousseau e Freire só será possível de ser integralmente empregada em uma nova cultura educacional de ordem intelectual e social que, por sua vez, implica na organização de uma sociedade igualmente nova, pois defendemos a cultura educacional democrática (de ordem intelectual, social e política) factível nas instituições educativas pela evolução dos espaços educativos fechados ou alienados para espaços em transição - por isso passamos a denominar a teoria da educação democrática nesta tese construída de contrato social da educação democrática.

Singularidades no ofício de ensinar: Experiências de uma professora

PID: S1984-01872025000100304 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Trotte Leite
Resumo Neste texto, buscamos compreender o ofício da docência sob a narrativa de Valesca, uma professora dos anos iniciais, que narra sobre si, sua vida, profissão e experiências significativas. Optamos pela pesquisa (auto)biográfica narrativa, porque nos possibilita penetrar nas dimensões cognitivas, afetivas e de ação, que o sujeito/narrador seleciona, organiza de sua história de vida e da profissão para compartilhar com outras professoras. Dialogamos com os autores do campo da pesquisa (auto)biográfica narrativa, principalmente, Bolívar (1995, 1999, 2002, 2012, 2016); Ricoeur (1995); Bruner (1988). Percebemos várias políticas educativas que cerceiam a prática pedagógica das professoras no Brasil, mas que Valesca não acata totalmente em sua docência. Ela procura atender as especificidades de seus alunos, fazendo ajustes na sua atuação docente, de acordo com as condições materiais, do contexto da sua escola, da sua experiência pessoal e profissional. Tais escolhas podem reverberar positivamente para uma autonomia pedagógica, inovação na prática docente, envolvimento colaborativo e resistência a pressões ideológicas. De modo contrário, pode ocorrer um desalinhamento curricular, desigualdade educacional, falta de acompanhamento e avaliação como isolamento e fragmentação dos conhecimentos. Esse posicionamento de ensinar docência fora das diretrizes oficiais, apesar de criar espaço para práticas mais inclusivas e contextuais, também pode gerar um desequilíbrio no acesso à Educação de qualidade e dificultar a construção de uma base sólida para os alunos em um sistema nacional coeso.

Teatro para/com bebês e corporeidade em jogos performáticos na peça Linhas

PID: S1984-01872025000100203 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Silva Prado
Resumo Este artigo apresenta análises de pesquisa de mestrado em Educação sobre as relações intercorpóreas entre bebês, crianças pequenas, artistas e materialidades cênicas, focando nas experiências da Cia Zin, de São Paulo, na peça Linhas. De inspiração fenomenológica, a partir dos Estudos da infância na interface com o Teatro, a investigação questiona como o mesmo pode ser feito para e com bebês, reconhecendo-os/as como cocriadores/as que desafiam as concepções tradicionais de Teatro, observando suas formas de linguagens e corporeidades em jogos performáticos, criando distintas experiências públicas e compartilhadas que transformam o significado do papel de espectador e promovem compreensões ampliadas de Arte, Educação e infância.

Um olhar sobre a perspectiva das teorias de van Hiele e Registros de Representação Semiótica em tópicos de Geometria plana e espacial em livros didáticos para os anos finais do ensino fundamental

PID: S1984-01872025000100302 | Periódico: Olhar de Professor (1984-0187) | Ano: 2025
Autores: Barros Barros Bisconcim
Resumo Esta pesquisa tem por objetivo analisar como são apresentadas as relações entre figuras geométricas planas e espaciais na coleção “A Conquista da Matemática” (FTD). De natureza qualitativa com delineamento documental, a organização dos dados foi norteada por uma adaptação da Análise de Conteúdo de Bardin. As análises foram orientadas pela Teoria de van Hiele e pela Teoria dos Registros de Representação Semiótica de Duval, o que traz originalidade à pesquisa realizada. Os resultados revelaram que as atividades propostas que envolviam conceitos geométricos planos e espaciais são apresentadas de maneira sucinta nos volumes seis e nove da coleção, fator que implica, segundo os níveis do modelo de van Hiele, na interrupção no desenvolvimento do pensamento geométrico do aluno. Este estudo também identificou que os tratamentos discursivos e figurais nem sempre são apresentados de modo simultâneo e de forma interativa, o que pode interferir na compreensão e, portanto, na aprendizagem do aluno.

30 anos de PPGE-UEPG (1994-2024): espaço de experiência e horizonte de expectativa

PID: S1809-43092025000100106 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2025
Autores: Campos
Resumo Os 30 anos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PPGE-UEPG) são retratados a partir de dois objetivos. De uma parte, busca-se explicitar essa história por meio da designação de atos de fundação (1993-1994), refundação (2001-2002), reformulação (2003-2004), consolidação (2010-2011) e expansão (2011-2024). De outra parte, visa-se discutir sobre os desafios atuais do PPGE, sob a denominação de ato de projeção. Apoia-se em atas e documentos do PPGE, entrevista com ex-coordenadores e com a coordenadora atual do PPGE (2019), documentário 30 anos PPGE-UEPG (2024), Planos Nacionais de Pós-Graduação, Regulamento da Política Docente da UEPG (2013), Minuta do Regulamento da Política Docente da UEPG (2023), Minuta do Regulamento dos Programas de Pós-Graduação stricto sensu da UEPG (2024), Lei Geral das Universidades (2021), assim como em Helenice Rodrigues da Silva (2002), Pierre Bourdieu (2013), François Dosse (2013), Reinhart Koselleck (2006, 2014) e Gilles Deleuze e Félix Guattari (2015) para abordar tanto o espaço de experiência quanto problematizar o horizonte de expectativa do PPGE-UEPG.

A autoavaliação como ferramenta formativa e participativa no Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores da Universidade Estadual da Paraíba

PID: S1809-43092025000100317 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2025
Autores: Siqueira Macêdo Gonçalves Nóbrega Bueno
Resumo Este estudo analisa dados da autoavaliação realizada no Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores da Universidade Estadual da Paraíba, destacando seu papel como ferramenta formativa e participativa para a melhoria da qualidade do curso. Por meio da aplicação de questionários via Google Forms, analisaram-se as percepções de estudantes sobre as dimensões da qualidade do programa. Como resultados, destacam-se desafios socioeconômicos, como a falta de bolsas e a sobrecarga de trabalho, além da ausência de políticas institucionais, como licenças remuneradas para qualificação, o que dificulta a dedicação integral ao Mestrado. Como percepções positivas, sobressaem-se as respostas referentes à infraestrutura e à organização curricular, como a adequação das ementas e a interdisciplinaridade. Conclui-se que a autoavaliação participativa pode impulsionar melhorias no programa, desde que articulada com políticas de financiamento, revisão curricular e mais diálogo com as redes de Educação Básica, visando a uma pós-graduação profissional mais inclusiva e alinhada às demandas reais dos professores.

A autoavaliação como prática de governança na pós-graduação: percepções discentes e referências comparadas

PID: S1809-43092025000100303 | Periódico: Práxis Educativa (1809-4309) | Ano: 2025
Autores: Wandercil Silva Aparício Rosa
Resumo A autoavaliação na pós-graduação ocupa um papel estratégico para o aprimoramento dos programas acadêmicos e profissionais, permitindo identificar desafios e propor ações corretivas. Este estudo analisa o processo de autoavaliação na Pós-Graduação em Educação sob a óptica discente, comparando essas percepções com modelos de autoavaliação aplicados em outras instituições nacionais e internacionais. Foram utilizados questionários com questões objetivas e abertas, cujos dados foram tratados por meio de estatísticas descritivas e análise de conteúdo. Os resultados evidenciam avaliações positivas quanto às disciplinas e ao suporte acadêmico, mas apontam desafios na estrutura curricular, na carga horária e na infraestrutura física e tecnológica. A análise comparativa sugere a incorporação de práticas mais participativas e qualitativas. Conclui-se que é fundamental fortalecer a governança acadêmica com foco no protagonismo discente e na autoavaliação como ferramenta contínua de inovação e desenvolvimento institucional.
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