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O PERFIL DO PROFISSIONAL DE APOIO ESCOLAR (PAE): UMA ANÁLISE DOS EDITAIS DOS 14 MUNICÍPIOS DA AMVE (SC)

PID: S1413-65382025000100424 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: FERREIRA VIEIRA WUO
RESUMO O Profissional de Apoio Escolar (PAE), conforme a Lei Brasileira de Inclusão de 2015, é responsável por auxiliar estudantes com deficiência nas atividades de alimentação, higiene e locomoção. No entanto, as diretrizes para a atuação do PAE variam entre os níveis nacional, estadual e municipal. Este estudo analisa o perfil do PAE nos editais mais recentes (2019-2022) dos 14 municípios da Associação de Municípios do Vale Europeu (AMVE), em Santa Catarina, Brasil. Os objetivos incluem identificar os editais, organizar os dados sobre nome do cargo, requisitos mínimos, carga horária e remuneração e apontar as semelhanças e diferenças nas descrições do PAE. O método de pesquisa utilizado foi uma análise documental qualitativa dos editais, centrada na identificação e organização das informações sobre o cargo. Os resultados mostram uma falta de padronização nas descrições, dificultando a criação de um perfil unificado e a operacionalização nacional da profissão. As diferenças encontradas nos editais, como nomenclatura, requisitos e salários, refletem uma fragmentação que contribui para a precarização do trabalho do PAE e dificultam a implementação de uma política inclusiva eficaz no âmbito nacional.

O Público-Alvo da Educação Especial Confrontado pela Economia do Autismo

PID: S1413-65382025000101003 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: FREITAS
RESUMO: Este artigo analisa situações em que as matrículas de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Atendimento Educacional Especializado (AEE) ensejaram manifestações de familiares favoráveis à incorporação de pressupostos da análise comportamental às rotinas planejadas para o público-alvo da Educação Especial. O texto analisa a busca por argumentos em defesa do caráter pedagógico do AEE que docentes fizeram, acompanhando a produção do Parecer nº 50, de 5 de dezembro de 2023, do Conselho Nacional de Educação, com a expectativa de obter bases conceituais para fazer contraponto aos questionamentos. Metodologicamente, com pesquisa etnográfica, foram utilizados excertos de manifestações registradas em caderno de campo para demonstrar argumentos de ambas as partes. A pesquisa que fundamenta este artigo foi desenvolvida em escolas municipais da cidade de São Paulo e de cidade vizinha, pertencente à sua região metropolitana. Como base teórica, usa-se a categoria “economia do autismo”, de Grinker (2019), para explicar contradições no processo de questionamento que ora se multiplica, e a antropologia dos experts, de Boyer (2008), é utilizada para expor a dinâmica de troca de informações entre familiares e docentes. Na conclusão, o artigo indica que o AEE tem sido desestabilizado por essa economia do autismo, que confronta os princípios que organizam o público-alvo da Educação Especial, evocando a singularidade do TEA.

PERCEPÇÃO DE PAIS E RESPONSÁVEIS SOBRE A INCLUSÃO ESCOLAR E O ATENDIMENTO DA ESCOLA OFERECIDO AOS SEUS FILHOS

PID: S1413-65382025000100419 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: SANTOS RODRIGUES CAPELLINI
RESUMO O presente estudo pretendeu avaliar o efeito de uma intervenção em consultoria colaborativa com as professoras, baseada no Desenho Universal de Aprendizagem, sobre dois aspectos. O primeiro foi descrever e comparar como os pais de crianças, entre eles pais de crianças com deficiência, avaliavam o atendimento oferecido aos filhos. O segundo foi verificar o que eles conheciam sobre educação inclusiva. Participaram 26 pais e/ou responsáveis por alunos de duas classes comuns do terceiro ano do Ensino Fundamental. Nas duas turmas, havia alunos com deficiência. Eles responderam, inicialmente: a) Questionário de Identificação Inicial; b) Critério de Classificação Econômica Brasil; e c) Questionário sobre Inclusão na Escola. Após a intervenção, os pais responderam novamente ao Questionário sobre Inclusão na Escola. Os resultados indicaram que a maioria dos pais avaliou o atendimento ofertado pela escola como ótimo/muito bom. Em parte, esse resultado poderia ser atribuído à intervenção realizada com as professoras. Todavia, também relataram sentir-se impotentes para tecer avaliações sobre o ensino durante a pandemia. Observou-se o desconhecimento, tanto no pré como no pós-teste, dos pais de crianças típicas sobre o objetivo da educação inclusiva. Ainda que sem uma intervenção específica com os pais, o estudo contribuiu para sensibilizá-los, considerando suas colocações finais.

PLANO DE DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL E CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE EM ADULTOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL GRAVE

PID: S1413-65382025000100423 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: FERREIRA ROCHA SILVA SILVA
RESUMO O objetivo deste estudo foi analisar e comparar o conteúdo do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) aos componentes da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) no contexto de adultos com Deficiência Intelectual (DI) grave. Esse público é o enfoque dos Serviços de Atendimento Específico em Centros de Atendimento Educacional Especializado, onde o PDI direciona o processo educacional desses alunos. A pesquisa foi de abordagem quantiqualitativa, com base documental, que envolveu a Análise de Conteúdo (AC) de Bardin. A AC incluiu as etapas de pré-análise; exploração do material; categorização ou codificação; tratamento dos resultados, inferências, interpretação e comparação entre o PDI e a CIF. O PDI abordou conceitos relacionados a 55 códigos da CIF, com grande representatividade dos componentes de funções e estruturas do corpo (38%) e atividade (44%), mas escassez de conteúdos descrevendo participação social e fatores ambientais (ambos 9%). As análises comparativas apontam aperfeiçoamento do PDI direcionado à padronização da linguagem entre os diferentes profissionais da equipe multidisciplinar à luz da CIF. Esses resultados são relevantes ao nortearem os professores de Educação Especial para modificações ambientais que ampliem a participação social dos adultos com DI grave, apoiando o educador para abordagens além da deficiência.

PROTOCOLO MULTIFATORIAL DE IDENTIFICAçãO DE SINAIS DE RISCO PARA DISLEXIA: DESENVOLVIMENTO, APLICAçãO E PARâMETROS PSICOMéTRICOS

PID: S1413-65382025000100433 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: OLIVEIRA GUIMARÃES
RESUMO O presente estudo teve como objetivo descrever a organização de um protocolo multifatorial de identificação de sinais de risco para dislexia, apresentando parâmetros psicométricos dos testes que compõem o protocolo, bem como categorias para identificação de estudantes de risco no último ano da Educação Infantil. O estudo detalha a organização do protocolo avaliado por juízes (N = 8) e as análises das propriedades psicométricas do protocolo aplicado em uma amostra de estudantes do último ano da Educação Infantil (N = 162). As análises realizadas indicam que o conjunto dos testes utilizados confere ao protocolo consistência interna satisfatória e significativa capacidade discriminatória. Os dados obtidos evidenciam que a aplicação do conjunto de testes que compõem o protocolo apresenta significativo potencial para identificação precoce de estudantes em risco para dislexia. Além disso, a aplicação de questionário que inclui aspectos biológicos e ambientais, bem como informações sobre os familiares, complementam a classificação dos estudantes de risco definida pelo protocolo, o que confere maior precisão ao instrumento proposto. Sugere-se que o protocolo seja utilizado como instrumento de rastreio precoce de estudantes com risco para dislexia, bem como material auxiliar no planejamento de monitoramento do progresso e intervenções que focalizem as áreas que os examinandos apresentarem mais defasagens.

PRÁTICAS INCLUSIVAS NA FORMAÇÃO DE PEDAGOGAS(OS): DIÁLOGOS EMANCIPATÓRIOS

PID: S1413-65382025000100417 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: RODRIGUES GUIMARÃES PESSIN
RESUMO O objetivo deste estudo foi investigar o conhecimento de licenciandas(os) em Pedagogia de uma instituição pública do norte do Estado do Rio de Janeiro sobre práticas inclusivas na concepção do Desenho Universal. Trata-se de uma pesquisaação de natureza qualitativa e cunho formativo, cuja principal referência teórica e metodológica foi a dialogicidade proposta por Paulo Freire. Para o desenvolvimento da pesquisa, foram realizados dois grupos focais e três encontros dialógicos formativos, com temáticas definidas com as participantes ao longo do processo. Entre os resultados alcançados, percebeu-se que as estudantes apresentaram uma compreensão modesta sobre as práticas inclusivas na concepção do Desenho Universal, porém demonstraram potentes reflexões sobre a importância da participação de todas as pessoas na sociedade. Elas questionaram os processos de exclusão vividos em sua história pessoal e observados em seu cotidiano, evidenciando seu pensar crítico-problematizador. Em uma perspectiva freiriana, considera-se que, embora as estudantes não apresentassem conhecimentos aprofundados sobre a temática dos encontros, elas demonstraram o desejo de “ser mais”, com abertura para a transformação da realidade educacional e para a construção de uma educação libertadora para todas as pessoas. Destacaram, também, a metodologia dos encontros, evidenciando a potência transformadora da experiência formativa.

Paternidades e Masculinidades: Experiências de Cuidado Paterno de um Filho com Transtorno do Neurodesenvolvimento

PID: S1413-65382025000100425 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: ESPER SANTOS ARAÚJO FORTUNA BESSAOUD-ALONSO NASCIMENTO
RESUMO: Este estudo, de abordagem qualitativa, teve o objetivo de interpretar experiências paternas de cuidado de filho com Transtorno do Neurodesenvolvimento (TN), a partir do referencial da antropologia das masculinidades. A pesquisa envolveu 20 pais de crianças com TN, sem restrições quanto a estado civil, orientação sexual ou local de residência, incluindo também participantes encontrados em contextos on-line. Na primeira etapa, entrevistas foram aplicadas presencialmente; em seguida, os sujeitos participaram da modalidade remota, durante a pandemia de covid-19. Os dados foram coletados e analisados simultaneamente por meio de análise temática indutiva. Os resultados revelam a importância da presença e participação paterna ativa em todas as fases do cuidado a crianças com TN, desde a busca do diagnóstico até o acompanhamento escolar e terapêutico. Os relatos indicam diversidade de experiências paternas, tornando inviável a proposição de um modelo-padrão. As narrativas destacam angústia e medo dos pais, que se sentem perdidos nos complexos campos das masculinidades e do TN, ainda que as narrativas construam um universo paterno sensível, afastado dos ideais do patriarcado. Concluiu-se que a paternidade e o cuidado de criança com desenvolvimento atípico ainda enfrentam desafios e estão entremeados por elementos de incertezas, perplexidades e aspirações, ressaltando comprometimento afetivo e desejo genuíno de êxito nas interações paternais.

Pluralidade de Terminologias e Conceitos que Designam o Atendimento ao Estudante Hospitalizado: uma Revisão Sistemática

PID: S1413-65382025000100701 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: GALEGO BRAZ GONÇALVES
RESUMO: O atendimento pedagógico educacional que ocorre no hospital favorece a construção de conhecimento do alunado em tratamento de saúde. Entretanto, essa prática admite inúmeras variações de termos, os quais designam tal modalidade de atendimento. O emprego da nomenclatura mostra-se um dilema da área, já que é comum se deparar, nas publicações científicas, com a pluralidade de termos adotados para se referir à área. Devido a isso, o objetivo do estudo foi indicar a frequência das terminologias utilizadas em artigos nacionais e internacionais e, diante delas, analisar os conceitos que tratam do atendimento ao estudante hospitalizado. Trata-se de uma pesquisa de revisão sistemática da literatura, a qual utilizou abordagens qualitativa e quantitativa. O levantamento das publicações foi realizado no Portal de Periódicos CAPES, dentro do recorte temporal dos últimos 20 anos (2003-2023). Foram analisados na íntegra 86 estudos, cujos resultados indicaram que, desses, apenas quatro justificaram a utilização do termo escolhido. Além disso, o termo “Classe Hospitalar”, adotado pelos documentos do Ministério da Educação, remete ao espaço físico de atendimento educacional dentro do hospital, bem como apresenta o viés pedagógico-educacional. Já o termo “Pedagogia Hospitalar” é definido como a dimensão teórico-metodológica que embasa a prática profissional e o papel docente que vai muito além das atribuições pedagógico-educacionais.

Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008-2023): Desafios Históricos e Atuais

PID: S1413-65382025000101008 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: HAAS BAPTISTA
RESUMO: Analisa-se, neste artigo, a trajetória da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) ao longo dos 15 anos de sua aprovação (2008-2023), elegendo ciclos para análise, identificados como marcos históricos vinculados à consolidação dos sistemas educacionais inclusivos, desde a etapa de formulação dessa política. Busca-se compreender os sentidos atribuídos à inclusão escolar e quem são os agentes públicos e privados envolvidos, como protagonistas, em cada um desses ciclos, tecendo como questão central: Quais dimensões continuam, ao longo do período analisado, sendo desafios históricos para a política pública brasileira de Educação Especial assegurar a meta da inclusão escolar em sua radicalidade? A partir de uma pesquisa qualitativa, baseada predominantemente em estudos documentais, analisa-se que a PNEEPEI, ao longo de 15 anos, é tecida com a participação de atores históricos do campo da Educação Especial e, também, com a renovação desses atores, associada à mudança de perfil do alunado público da Educação Especial. A configuração do Atendimento Educacional Especializado como dispositivo pedagógico e a formação dos professores de Educação Especial prevalecem como desafios políticos históricos e atuais, sendo necessária a construção de um projeto político-pedagógico nacional em torno do tema.

Políticas Públicas e Tecnologia Assistiva: um Estudo com Foco no Financiamento Governamental

PID: S1413-65382025000100411 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: MANZINI
RESUMO: Políticas públicas necessitam de dois ingredientes: 1) leis para garantir direitos e 2) financiamento para consolidar esses direitos. Políticas públicas para o desenvolvimento de Tecnologia Assistiva no Brasil podem ser estudadas a partir de leis e financiamentos. O objetivo deste estudo foi analisar o financiamento concedido por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o aporte financeiro disponibilizado pelo Governo Federal para a aquisição de recursos e equipamentos de Tecnologia Assistiva destinados ao seu público-alvo, bem como examinar o entrelaçamento das políticas governamentais no período da coleta de dados, com o financiamento na área de Tecnologia Assistiva. O estudo assenta-se na pesquisa documental, de caráter descritivoquantitativo, com dados coletados nos sites da Finep e da Agência Senado. Os editais da Finep e o volume de recursos destinados à aquisição de equipamentos foram analisados de forma quantitativa. Os resultados indicaram que não houve um financiamento linear ano a ano para o desenvolvimento de Tecnologia Assistiva. Em relação ao financiamento para aquisição de recursos e equipamentos de Tecnologia Assistiva para pessoas com deficiência, verificou-se que não houve aumento de recursos com o passar dos anos.

Políticas de Educação Especial do/no Campo: os Contextos dos Estados Brasileiros de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará

PID: S1413-65382025000101007 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: NOZU GONÇALVES FERNANDES
RESUMO: Nas últimas décadas, as políticas educacionais brasileiras têm ensejado as interfaces da Educação Especial e da Educação do Campo. Diante dos desafios político-pedagógicos e epistemológicos, a Rede Educação Especial dos Campos foi constituída, envolvendo pesquisadores de diferentes regiões e instituições do Brasil. A partir de recorte de uma pesquisa mais ampla, este artigo analisa as políticas de Educação Especial do/no Campo dos sistemas estaduais de ensino de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pará, de modo a evidenciar distanciamentos e aproximações nas propostas dessas unidades federativas relacionadas à escolarização de estudantes camponeses público da Educação Especial. Os caminhos metodológicos contemplaram o levantamento e a análise de normativas estaduais e de microdados do Censo Escolar da Educação Básica. Os resultados revelaram que, por um lado, as previsões textuais dos estados distanciam-se quanto à abordagem das interfaces da Educação Especial do/no Campo; e, por outro lado, os fragmentos da realidade expressos nos microdados do Censo Escolar aproximam-se para indicar a ausência/precariedade de acessibilidade e de salas de recursos multifuncionais nas escolas estaduais dos territórios camponeses sul-mato-grossenses, mineiros e paraenses.

REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA: ADAPTAÇÃO ACADÊMICA EM UNIVERSITÁRIOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

PID: S1413-65382025000100705 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: ARAUJO MONTEIRO
RESUMO Um público diversificado tem chegado à universidade, principalmente em decorrência da democratização do Ensino Superior, incluindo também pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo o DSM-5-TR, o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado, mormente, por dificuldades na interação social, na comunicação e por comportamentos repetitivos e restritos. Assim sendo, infere-se que esses indivíduos podem encontrar maiores desafios para se adaptar ao contexto acadêmico. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi verificar a produção científica sobre a Adaptação Acadêmica em estudantes com TEA no período de 2015 a 2023. A busca eletrônica de artigos nacionais e internacionais foi realizada nas bases de dados SciELO, PePSIC, ResearchGate, PubMed e Google Acadêmico, entre abril e junho de 2023, com base no protocolo PRISMA. Os resultados indicaram dez artigos que atenderam aos critérios de inclusão. Evidenciou-se a ausência de instrumentos para mensuração da Adaptação Acadêmica em universitários com TEA, além de dificuldades relacionadas ao contexto universitário, como a falta de acolhimento por parte do centro acadêmico e o desconhecimento do TEA por parte dos professores. Concluise que há necessidade de novas pesquisas sobre o tema, sugerindo-se que estudos prospectivos contemplem a construção de instrumentos ou a adaptação dos já existentes para essa população.

Rede Federal de Ensino e Políticas de Inclusão: Serviços Educacionais Especializados e Ação Pedagógica em Foco

PID: S1413-65382025000101002 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: SILVA SILVA
RESUMO: Objetiva-se analisar, neste texto, a organização dos serviços educacionais especializados, destacando a ação pedagógica em dois contextos vinculados à Rede Federal de Ensino (Educação Básica, Profissional e Ensino Superior), localizados nas cidades de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, e Porto Seguro, Bahia. A análise, articulada à perspectiva sistêmica e pautada nos conceitos de deuteroaprendizagem, retroalimentação e diferença, possibilitou refletir sobre os seguintes questionamentos: Qual é o padrão que une as ações e os serviços vinculados à Educação Especial nos dois contextos? Quais são os avanços e os desafios identificados nesse processo? Assume-se uma abordagem qualitativa, ancorada em revisão de literatura e análise de documentos institucionais associados à área da Educação Especial. Percebeu-se que existe um direcionamento comum, congruente a uma política de inclusão nacional; todavia, cada contexto poderá ser identificado pelas diferenças associadas às suas especificidades, destacando-se, em muitos casos, pela construção de criativos arranjos locais. O padrão que une as ações e os serviços – e que representa avanço – se sustenta sobre a colaboratividade como premissa pedagógica pautada nas relações e no investimento na qualificação das práticas inclusivas. O desafio parece residir na necessidade de “trans-formação” dos espaços e tempos escolares para a constituição de um novo olhar sobre a escola.

Repercussões da Maternidade Atípica e os Papéis Desempenhados por Mães de Filhos com Transtornos do Desenvolvimento

PID: S1413-65382025000100426 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: SANTOS PAULO BUFFONE SILVA OLIVEIRA
RESUMO: Buscou-se, neste estudo, compreender as repercussões da maternidade atípica nos papéis desempenhados por mães de filhos com transtornos do desenvolvimento e identificar estratégias para lidarem com as dificuldades que se apresentam, a partir de um enfoque da dimensão ocupacional das pessoas e à luz da abordagem bioecológica do desenvolvimento humano. Participaram seis mães de filhos com idade entre dois e 13 anos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Síndrome de Down ou em processo de diagnóstico, acompanhados em um projeto de extensão universitária. Foi aplicado um questionário de caracterização das mães e dos filhos, Lista de Identificação dos Papéis Ocupacionais e entrevistas semiestruturadas. A análise descritiva revelou que os papéis de amiga, trabalhadora, estudante, passatempo/amadora e religiosa são prejudicados, apesar de terem importância atribuída pelas mães. Três categorias emergiram da análise de conteúdo: relações entre a maternidade atípica e os papéis ocupacionais; experiências e desafios da maternidade atípica; estratégias para enfrentar os desafios vivenciados por mães de filhos com transtornos do desenvolvimento. A complexidade da maternidade atípica resulta em comprometimento de papéis significativos para as mulheres, que tendem a negligenciar seus próprios cuidados e desejos em favor dos cuidados com o outro. Isso as sobrecarrega física e emocionalmente, indicando a urgência de apoio e recursos adequados para essas mães.

SILENCIAR E EXPULSAR A INCLUSÃO: O CASO DO AUTISMO NO COLÉGIO MILITAR TIRADENTES

PID: S1413-65382025000100436 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: ACOSTA CARVALHO
RESUMO O objetivo deste artigo é problematizar a ausência de políticas de inclusão e suas consequências para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Colégio Militar Tiradentes (CMT), localizado no Distrito Federal, a partir de matéria jornalística que revelou a expulsão, nesse colégio, de alunos com TEA em virtude de suas reprovações escolares. Para tanto, investigaram-se documentos normativos e regulatórios do CMT para identificar como se aborda a questão. Pesquisaram-se os termos “acessibilidade”, “autismo”, “autista”, “neurodivergência”, “neurodivergente” e “inclusão”, tanto nos documentos oficiais como na seção de busca do site institucional. Identificaram-se limitações nesses acervos - exceto para o termo “acessibilidade”, que teve resultado positivo com a informação da ferramenta de uso de contraste no site para pessoas com baixa visão e da Norma Educacional nº 17, de 5 de fevereiro de 2024, quando se identificou a possibilidade de Atendimento Educacional Especializado. Considerando a expansão dos colégios militares no Brasil, é relevante que eles revisitem seus regramentos e práticas educacionais, promovendo acessibilidade e inclusão mais amplas, afinal também necessárias para o exercício da plena cidadania, sem exclusão, distinção ou privilégio das singularidades humanas.

SUJEITO SURDO - A QUESTÃO VISUAL NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM

PID: S1413-65382025000100431 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: PINTO SENNA
RESUMO Apresentam-se, neste artigo, resultados de pesquisa desenvolvida com a finalidade de analisar a percepção de um aluno surdo profundo acerca de sua vivência de letramento, notadamente quanto ao aprendizado e ao emprego social do texto escrito. Em sua narrativa, destacou-se a relevância do sentido da visão no desenvolvimento da linguagem dos surdos, contribuindo para que estes se tornem sujeitos do olhar e venham a desenvolver a língua de sinais. A pesquisa foi embasada em resenha teórica e desenvolveu-se a partir dos princípios metodológicos da narrativa (auto)biográfica, sobre material discursivo produzido em interação com um informante qualificado, surdo profundo egresso do sistema público de Educação Básica. Aplicaram-se entrevistas semiestruturadas destinadas a prover material discursivo sobre sua história de formação escolar e sua experiência cultural como sujeito bilíngue. As narrativas analisadas apontam a importância da língua de sinais e de outros sistemas de expressão visual-gestual para o desenvolvimento precoce da pessoa surda e a necessidade de estimular o seu contato com a cultura da comunidade surda, a fim de que venha a se desenvolver plenamente como sujeito de linguagem anteriormente ao processo de alfabetização na língua escrita alfabética.

TRANSIÇÃO PARA O 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO DE CRIANÇAS COM PERTURBAÇÃO DO ESPETRO DO AUTISMO

PID: S1413-65382025000100432 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: TEIXEIRA PEREIRA JURDI
RESUMO Em Portugal, a transição da criança com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) para o primeiro ciclo do ensino básico constitui uma fase de desafios relacionados com a mudança e a adaptação a um novo sistema de ensino. Este estudo procurou analisar as perceções das famílias e dos profissionais relativamente à transição de crianças com PEA da educação pré-escolar para o primeiro ciclo do ensino básico. Desenvolveu-se uma investigação de natureza qualitativa, com 16 participantes, tendo por base a metodologia de estudo de caso e a entrevista semiestruturada como instrumento de recolha de dados. Como resultados desta investigação, destacam-se a importância da participação das famílias e do trabalho colaborativo. Os processos de transição foram maioritariamente descritos de forma positiva pelos participantes. As barreiras que dificultam o processo de transição relacionam-se com a diferença dos modelos e contextos de intervenção nos dois ciclos de estudo, a descontinuidade do apoio da Intervenção Precoce na Infância, a falta de formação dos profissionais e a ausência de avaliação do processo de transição. Os resultados deste estudo poderão influenciar as práticas e as políticas, de modo a salvaguardar a qualidade do processo de transição e o sucesso da criança com PEA.

Uso del Diseño Universal para Aprendzaje en el Conocimiento de Sistemas de Informacion en Salud

PID: S1413-65382025000100800 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: MENDOZA-MORENO GARCÍA-MUÑOZ Gaviria-NIÑO
RESUMO: El aprendizaje en Sistemas de Información en Salud es propicio para la gestión de datos en el ejercicio profesional de los administradores en salud. El propósito del estudio es fortalecer el proceso de aprendizaje de los contenidos curriculares de la asignatura Sistemas de Información en Salud, desde el Diseño Universal para el Aprendizaje (DUA). Se aborda desde un enfoque cualitativo, con el método de investigación acción, y una muestra no probabilística por conveniencia, constituida por 35 estudiantes de la asignatura Sistemas de Información en Salud, de la Facultad de Ciencias Administrativas en Salud, en la Fundación Universitaria de Ciencias de la Salud. Se utilizó análisis de contenido a través del software MAXQDA2023, y instrumentos de recolección de información como entrevista semiestructurada, matriz de relación del syllabus, estrategias de aprendizaje y DUA, encuesta y diario de clase. Como resultado, se identificaron estrategias de aprendizaje cognitivas, metacognitivas y de manejo de recursos; la creación y aplicación de una estrategia de aprendizaje desde el DUA; la interiorización del contenido del syllabus; la adquisición de competencias digitales, y el incremento en los resultados de aprendizaje de los estudiantes. Se concluye que son fundamentales la calidad de la práctica pedagógica, la construcción de relaciones pedagógicas, una comunicación cercana que propicie claridad ante las inquietudes de los estudiantes, y el fortalecimiento de las habilidades ofimáticas y tecnológicas, para ser aplicadas en los Sistemas de Información en Salud, con la apropiación de los principios del DUA.

Usos de Objetos e Processos Comunicativos nas Interações Triádicas de Crianças com TEA

PID: S1413-65382025000100430 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: XAVIER MOURA
RESUMO: Neste estudo, analisam-se os usos dos objetos em interações triádicas entre crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), suas mães e objetos/brinquedos. Com foco nos padrões de uso dos objetos, na atenção compartilhada e na mediação das mães, buscou-se compreender se e como essas interações promoviam processos comunicativos das crianças. Utilizando abordagem qualitativa, foram realizados três estudos de caso com crianças de 3 a 4 anos e suas mães, no próprio ambiente domiciliar, por meio de videogravações de episódios interativos estruturados. Os resultados mostram que as crianças se engajaram com novos objetos/brinquedos, contrariando a visão comum de interesses restritos, e demonstraram variações nos usos dos objetos, variando entre usos exploratórios, não convencionais, convencionais e simbólicos, todos mediados pelas mães. As regulações educativas das mães desempenharam um papel fundamental na promoção do uso funcional e simbólico dos objetos e no engajamento das crianças em processos comunicativos. As mães incentivaram a fala, demonstraram usos e propuseram brincadeiras simbólicas. O estudo ressalta que as interações triádicas com mediação ativa dos adultos são cruciais para o desenvolvimento social e comunicativo de crianças com TEA.

Voces del Alumnado de Educación Especial: Experiencias, Demandas y Desafíos para una Inclusión Genuina

PID: S1413-65382025000100427 | Periódico: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Ano: 2025
Autores: PATRICIO-MARTÍNEZ GÓMEZ-HURTADO VALDÉS MOYA-MAYA
RESUMEN: La transición hacia una escuela inclusiva requiere estrategias, métodos y recursos que mejoren la atención de todo el alumnado. Sin embargo, hay una escasez de datos empíricos sobre cómo los estudiantes, especialmente de educación especial, experimentan estos procesos inclusivos. Este artículo de investigación reporta los principales resultados de un estudio que tuvo como objetivo analizar las experiencias del alumnado con Necesidades Específicas de Apoyo Educativo (NEAE) respecto a su atención educativa en un centro de Educación Infantil y Primaria. Desde una metodología cualitativa, se utilizaron observaciones participantes, entrevistas formales y entrevistas fotográficas con 40 estudiantes, desde los 3 años de Educación Infantil hasta el 6º de Educación Primaria. Los principales resultados, desde la perspectiva de las y los estudiantes con NEAE, muestran a un profesorado de aula regular con poca formación en temas de inclusión y diversidad, preferencia formativa por el profesorado de educación especial y por compañeros del aula de apoyo, sentimientos de soledad en el aula regular y una demanda por un mayor clima escolar inclusivo y proyectos innovadores. Se concluye que, para avanzar hacia modelos inclusivos, es fundamental articular las voces del alumnado con el fin de construir consensos, prácticas y significados compartidos.
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