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Brincadeiras lúdico-agressivas na Educação Infantil: lógicas infantis e adultas em disputa

PID: S1981-416x2025000200513 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Barbosa
Resumo Este estudo analisa representações de adultos e crianças sobre brincadeiras lúdico-agressivas no cotidiano da Educação Infantil, considerando-as como práticas fundamentais para os processos de socialização e a produção de culturas infantis. A pesquisa, de caráter etnográfico, foi realizada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) em Vitória/ES, com dados gerados por meio de narrativas, entrevistas, vídeos e registros em diário de campo. Os participantes incluíram duas professoras de Educação Física, 40 crianças de 4 e 5 anos, uma secretária, uma pedagoga e o diretor da escola. A análise revelou três categorias principais: (in)segurança na brincadeira, percepção e registro da realidade. Observou-se que as representações das professoras refletiam uma cultura de cuidado, marcada por um discurso tradicional, mas que evoluiu para uma abordagem mais compreensiva e tolerante, ao reconhecer a importância das brincadeiras para a aprendizagem e o convívio social. Os resultados destacam que, em consonância com os eixos norteadores do currículo da Educação Infantil, as brincadeiras lúdico-agressivas favorecem o desenvolvimento de competências socioemocionais, a convivência com as diferenças e a expressão por múltiplas linguagens. O estudo reforça a necessidade de valorizar essas práticas no planejamento pedagógico, reconhecendo o protagonismo infantil e a ludicidade como elementos essenciais da educação.

Cartografias do Projeto de Vida: subjetividades, controles e resistências no Novo Ensino Médio

PID: S1981-416x2025000100040 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Dutra-Pereira Tinôco
Resumo Este artigo apresenta os resultados do projeto “MAPAS: cartografia inventiva do Projeto de vida no Ensino Médio”, que se propôs a investigar a inclusão do Projeto de Vida como componente curricular do Novo Ensino Médio. Utilizando a cartografia inventiva como metodologia, o estudo envolveu docentes, estudantes e pesquisadores e pesquisadoras na reflexão sobre os impactos dessa disciplina escolar, analisando suas implicações na formação de subjetividades alinhadas à lógica neoliberal e ao protagonismo individual. O artigo discute como o Projeto de Vida opera como um dispositivo de controle, promovendo a adaptação de estudantes às exigências do mercado e reforçando um modelo de subjetivação cis-heteronormativo e patriarcal que exclui corpos dissidentes. A partir de seis conexões rizomáticas, o projeto aponta para a necessidade de um Ensino Médio mais inclusivo e emancipatório, que valorize a diversidade e resista às imposições da racionalidade neoliberal. Encerramos com um convite à reflexão: como podemos imaginar e construir uma educação que seja verdadeiramente uma prática de liberdade e criação coletiva? São as apostas cartográficas para o devir.

Contribuições das produções científicas de Heloisa Borges para formação de professores(as) do campo no Amazonas

PID: S1981-416x2025000201011 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Costa Souza Borges
Resumo O artigo desenvolvido no âmbito do Grupo de Pesquisa em Educação do Campo, Currículo e Formação de Professores(as) na Amazônia (GPECAM), ressalta a importância do trabalho de mulheres pesquisadoras brasileiras na área da Educação do Campo, objetivando analisar as contribuições das produções científicas da pesquisadora Heloisa Borges para a formação de professores(as) no campo amazônico. Trata-se de um estudo de natureza descritiva, com utilização de análise da produção científica da pesquisadora a partir das informações coletadas na integração de bases de dados contidas na plataforma Lattes/CNPq. Os resultados apontam que ao longo dos seus mais de 15 anos de atuação profissional na Educação do Campo, a pesquisadora contribuiu com a formação de mais de 8.919 sujeitos do campo no interior do Estado. Conclui-se que essa mulher pesquisadora amazônida vem auxiliando na formação de mestres e doutores, a partir do trabalho realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação, que há mais de 35 anos vem resistindo e formando pesquisadores e pesquisadoras na região amazônica.

Corpo-narrativa: brincadeiras e interações de bebês com os livros na creche

PID: S1981-416x2025000200462 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Gonçalves Buss-Simão Debus
Resumo O artigo apresenta uma pesquisa em nível de doutorado, que teve como objetivo analisar como acontecem as relações dos bebês com os livros no contexto da Educação Infantil. Mais especificamente, se os bebês têm acesso aos livros e quais as possibilidades interativas que este objeto cultural promove. A pesquisa de campo aconteceu em uma instituição da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis junto a 14 bebês e suas professoras. A fim de trazer uma escrita que se aproximasse da perspectiva dos bebês, foram elencados os procedimentos metodológicos provenientes da etnografia. Os dados do campo mostraram que as interações dos bebês com os livros (tanto os livros infantis quanto os livros de literatura infantil) se constituem principalmente pela relação corporal. Para os bebês o livro é também brinquedo, o texto literário é também brincadeira. Os dados corroboram com a defesa de que, na Educação Infantil, o livro, é mais do que suporte de leitura, é ser suporte de brincadeira! O livro deve ser aquele que compõe suas criações, que é reinventado a partir dos próprios bebês, mas que, principalmente, compõe suas vidas.

DECOLONIALIDADE NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: transformações no currículo, na formação docente e nas práticas avaliativas

PID: S1981-416x2025000100320 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Castro
Resumo O artigo analisa criticamente o currículo de matemática sob a perspectiva da decolonialidade, desafiando a visão hegemônica da matemática como neutra e universal. Utilizando uma metodologia bibliográfica, fundamentada em autores como Quijano (2005), Skovsmose (2014) e D’Ambrósio (1998, 2002), dentre outros, evidencia como a predominância de epistemologias eurocêntricas marginaliza saberes de povos de culturas não ocidentais, perpetuando desigualdades sociais e educacionais. A partir das perspectivas da decolonialidade e da etnomatemática, o artigo propõe a reestruturação do currículo, valorizando saberes locais e tradicionais. Identifica a etnomatemática como alternativa viável, ao reconhecer a matemática como prática cultural e socialmente situada, conectada às realidades dos estudantes e promotora de justiça social. Destaca, ainda, o papel crítico da formação docente para integrar epistemologias diversas e repensar avaliações padronizadas que reforçam exclusões. Como resultados, aponta estratégias pedagógicas que promovem pluralidade epistêmica e inclusão. Conclui que a decolonialidade no currículo transforma o ensino de matemática em espaço de resistência e valorização cultural, contribuindo para a superação de desigualdades educacionais e formação de cidadãos críticos. Assim, a etnomatemática e a educação matemática crítica se consolidam como pressupostos de uma educação decolonial.

Descolonizar o humano: o papel da educação libertadora na reconstrução dos direitos humanos

PID: S1981-416x2025000301186 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Karnopp
Resumo O discurso hegemônico dos direitos humanos consolidado pela modernidade ocidental ostenta características coloniais assentadas em uma concepção homogênea e eurocêntrica de humanidade. O pensamento descolonial oferece instrumentos para a ruptura epistêmica com essa racionalidade e a construção de um paradigma pluriversal de direitos humanos. O artigo tem o objetivo de investigar os subsídios teóricos e práticos da educação libertadora para o desprendimento da lógica colonial e a efetiva universalização dos direitos humanos. Para isto, utiliza o método hipotético-dedutivo, sustentado em pesquisa bibliográfica, para propor a hipótese de que a educação libertadora contribui com a construção de uma outra perspectiva de direitos humanos, não homogeneizante. Questiona como a educação libertadora, na perspectiva de Freire (2022), pode contribuir para o enfrentamento da matriz colonial e para o estabelecimento de uma perspectiva pluriversalista de direitos humanos. Conclui que a educação libertadora contribui para a superação das estruturas de opressão que consolidam a colonialidade em matéria de direitos humanos, fomentando a libertação individual e coletiva e, em última instância, política.

Desigualdade social e os possíveis impactos na oferta do Ensino Médio paraense na cidade de Belém-PA

PID: S1981-416x2025000200942 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Souza Alves
Resumo Neste estudo, pretende-se compreender a qualidade da oferta do Ensino Médio público no estado do Pará. Para tanto utiliza-se do Indicador de Vulnerabilidade Social (IVS) e alguns indicadores educacionais do município de Belém-PA, tais como indicadores de fluxo, distorção idade-ano, abandono escolar, entre outros, com o intuito de compreender qual a qualidade da oferta do Ensino Médio Público da rede estadual da Amazônia paraense. Dessa forma, serão considerados os fatores macroestruturais, tais quais as desiguladades sociais e as políticas públicas, assim como os fatores microestruturais, que incluem a infraenstrura das escolas, distorção idade-ano, média de alunos por turma, taxa de aprovação, abandono escolar, entre outras causas que interferem no processo formativo dos estudantes. A pesquisa foi feita a partir de uma abordagem qualitativa, a qual foi materializada por meio do estudo documental. Observa-se que, embora a educação seja uma das dimensões avaliadas no IVS, as políticas públicas educativas existentes não buscam superar a causa dos problemas que podem afetar essa etapa de ensino, a exemplo do que ocorre na Reforma do Ensino Médio, em nível federal, bem como nos Programas “Bora Estudar” e “Escola que Transforma” da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC-PA). Em outros termos, não basta ofertar uma educação de forma precária e criar políticas públicas que não dialogam com os objetivos que norteiam uma educação como um direito fundamental e de qualidade social. Com base nisso, pondera-se que, enquanto as políticas públicas forem alicerçadas nas orientações dos organismos multilaterais, os resultados do IVS e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) serão utilizados para embasar a construção de reformas de ajustamento econômico, social e político, já que a manutenção do status quo é um projeto do capitalismo em constante movimento de autorrenovação.

Dialogicidade na docência: uma ferramenta para o protagonismo do sujeito na educação

PID: S1981-416x2025000100291 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Cordeiro Kraemer
Resumo Neste artigo nos propomos a discutir o ensino de Filosofia tendo por base a dialogicidade. A discussão foi feita a partir do entrecruzamento de respostas dadas pelos estudantes do Ensino Médio em resposta a um questionário sobre o tema em pauta, bem como, conversas travadas em dois grupos focais. Além da participação dos estudantes, discutimos a temática com base em autores consagrados da filosofia e pesquisadores que estudam sobre esse tema no Ensino Médio. A dialogicidade foi explorada ao longo deste artigo em conexão com os atores já mencionados e aprofundada com base nas contribuições de Paulo Freire. O trabalho em questão é resultado de parte da dissertação apresentada em 2015 no PPGE de educação da FURB, bem como discussões feitas na disciplina de “Paulo Freire e a Teoria Crítica”, desenvolvida no segundo semestre de 2023, na mesma instituição. A discussão envolveu os estudantes e professores, ou seja, os principais agentes quando se trata de educação. Por envolvê-los dialogicamente, o que se percebe principalmente a partir do ponto vista dos estudantes é uma visão pautada no professor como centralidade do processo educacional. Desse modo, problematizamos esta visão, respeitando os dizeres dos estudantes, mas alertando quanto o processo de possibilidade de emancipação e libertação.

Direitos humanos, vulnerabilidade social e personalidade em pessoas com altas capacidades no contexto espanhol

PID: S1981-416x2025000301159 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Martins Souza Borges
Resumo Esta pesquisa objetivou analisar os traços de personalidade e vulnerabilidade social em pessoas adultas com altas capacidades na Espanha e refletir sobre essas variáveis sob a perspectiva dos direitos humanos. Contou com a participação de 231 pessoas com altas capacidades residentes na Espanha. Como instrumentos de coleta de dados, foram utilizados um questionário que solicitava informações de caracterização e sobre situações de vulnerabilidade social e o Questionário Breve de Personalidade, ambos aplicados via Google Forms e analisados quantitativamente. Os resultados apontaram que 139 participantes (60,17%) experienciaram situação de vulnerabilidade, na maioria envolvendo algum tipo de violência. Em relação à personalidade, a análise com base nos gêneros masculino e feminino revelou diferença estatisticamente significativa, com maior incidência de situações de vulnerabilidade sobre as mulheres com altas capacidades em relação aos homens. Por sua vez, a vivência ou não de situações de vulnerabilidade teve implicações sobre a personalidade, havendo diferença estatisticamente significativa em relação à dimensão neuroticismo, cuja presença é mais forte nas pessoas que passaram por situações de vulnerabilidade. Discute-se a relação entre vulnerabilidade e o traço de personalidade neuroticismo, salientando-se a necessidade da garantia dos direitos econômicos, sociais e culturais para a concretização do pleno desenvolvimento enquanto um direito humano.

Educação ambiental crítica com abordagem investigativa: uma experiência emancipadora no ensino de problemas ambientais

PID: S1981-416x2025000301276 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Sampaio Silveira
Resumo O estudo teve como objetivo pesquisar de que maneira uma Sequência Didática Investigativa (SDI), fundamentada na Educação Ambiental Crítica (EAC), pode promover a aprendizagem sobre os problemas ambientais nos biomas brasileiros, articulando conceitos como desequilíbrios ecológicos, racismo ambiental e saúde única. Os dados, coletados a partir de diários reflexivos e questionários e analisados por meio da combinação de frequência simples e análise de conteúdo, revelaram três eixos de avanços: (1) os estudantes do ensino médio ampliaram a compreensão da multicausalidade dos problemas ambientais, superando explicações genéricas e reconhecendo fatores estruturais como agronegócio; (2) os conceitos de racismo ambiental e saúde única emergiram nas conclusões, com destaque para os impactos desiguais em populações vulneráveis; (3) as soluções evoluíram de medidas punitivas para ações educativas e políticas públicas. Os alunos demonstraram elevados índices de interesse (muito interessante e interessante) nas etapas de contextualização (85%), problematização (80%), hipótese (75%), coleta de dados (80%), exposição dialogada (75%), conclusão (60%) e comunicação (65%). A experiência evidenciou que a articulação entre SDI e EAC desenvolveu nos estudantes a capacidade de analisar problemas ambientais nas dimensões ecológica, política e social, se configurando como prática pedagógica emancipatória e alinhadas às demandas contemporâneas por sustentabilidade e justiça ambiental.

Educação inclusiva e nona arte: possível mediação na relação escola-família

PID: S1981-416x2025000200824 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Tomé Martins Gimenez
Resumo A educação inclusiva contemporânea, segundo dados de órgãos oficiais, mostra um aumento significativo nas matrículas de alunos com necessidades educacionais especiais na última década, impulsionado por marcos legais e políticas públicas de inclusão. Educadores e responsáveis desses alunos em processo de inclusão, muitas vezes enfrentam desafios de comunicação e compreensão mútua. A pesquisa, oriunda de dissertação, propõe o uso de histórias em quadrinhos (HQs) autobiográficas como sistema mediador na relação escola-família. Utilizando o método fenomenológico e as obras de Merleau-Ponty e Groensteen, realizou-se uma leitura fenômeno-estrutural; assim, uma das unidades significativas identificada pela pesquisa foi nomeada como o diagnóstico, momento retratado nas três obras selecionadas na pesquisa, que será apresentada neste artigo. Conclui-se que a escola, ao construir um sentido comum com a família por meio das HQs, pode se tornar parte integrante da experiência familiar, pela apreensão da experiência vivida dessa, promovendo melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento.

Educação infantil e identidade cultural: caminhos freireanos para uma educação humanizadora

PID: S1981-416x2025000301116 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Furyama Saito
Resumo A reflexão apresentada neste artigo decorre de uma proposta de pesquisa finalizada, desenvolvida no âmbito de um Programa de Pós-Graduação em Educação, a nível de mestrado. Possui como objetivo apresentar as contribuições de Paulo Freire sobre a importância da valorização da identidade cultural das crianças para o processo formação humana, investigando de que forma o ensino pode considerar e reconhecer as diferentes identidades culturais nas salas das instituições de Educação Infantil. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter qualitativo, com fundamentação nos pressupostos da Teoria Freireana. O recorte investigativo se delimita na etapa da Educação Infantil, focando na importância da valorização da identidade cultural das crianças no processo de ensino, aprendizagem e formação humana. Os resultados alcançados demonstram a importância da valorização da identidade cultural das crianças, pois a partir dessa valorização, somada aos novos conhecimentos, a criança pode desenvolver-se intelectualmente, compreender o mundo à sua volta, as diferentes culturas, perceber a si mesma e aos outros, tornando-se um ser humano atuante no mundo, se constituindo um adulto autônomo e emancipado. Desse modo, conclui-se que uma Educação Infantil que considera as múltiplas identidades culturais das crianças torna-se um caminho possível para uma educação voltada à humanização e libertação.

Educação moral e justiça social: articulações entre a teoria do domínio social e a pedagogia freireana

PID: S1981-416x2025000301357 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Oliva Dell'Agli Caetano
Resumo O presente artigo, de natureza teórica, discute a importância da educação moral como instrumento de enfrentamento das injustiças sociais, articulando a teoria do domínio social (TDS) e a pedagogia crítica de Paulo Freire. Inicialmente, são apresentados os fundamentos da TDS, que propõe a organização dos conhecimentos sociais em domínios distintos - moral, convencional e pessoal - e defende o desenvolvimento da consciência moral a partir de interações sociais e raciocínio crítico. Em seguida, examina-se a convergência entre a proposta da TDS e a pedagogia freireana, destacando a centralidade da práxis, do diálogo problematizador e do despertar da consciência crítica na formação de sujeitos éticos e comprometidos com a transformação social. Discute-se também a aprendizagem socioemocional transformadora como estratégia complementar à educação moral crítica, enfatizando a criação de ambientes escolares inclusivos, cooperativos e orientados à justiça social. Com base no diálogo entre essas perspectivas, são oferecidas sugestões práticas para escolas e professores interessados em promover a formação moral crítica dos estudantes. Conclui-se que a integração entre a TDS e a pedagogia crítica de Paulo Freire fortalece práticas educativas emancipatórias, capazes de desenvolver a agência moral e a responsabilidade social dos alunos, contribuindo para a construção de sociedades mais justas, democráticas e dialógicas.

Educação sob a égide do neoliberalismo: Projeto de Vida e a fragilização da formação integral

PID: S1981-416x2025000100106 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Rodrigues Costa Rodrigues
Resumo O artigo busca analisar criticamente como os valores neoliberais influenciam o componente curricular Projeto de Vida, inserido na Reforma do Ensino Médio. A partir de uma abordagem teórico-metodológica fundamentada em Foucault e na análise de políticas educacionais de Stephen Ball, o estudo investiga como o discurso neoliberal molda a proposta pedagógica do Projeto de Vida, destacando a ênfase na responsabilização individual e na preparação dos estudantes para o mercado de trabalho. A pesquisa evidencia a tensão entre a formação integral preconizada pelas diretrizes educacionais e a prática que prioriza competências relacionadas à produtividade e ao empreendedorismo de si. O artigo argumenta que essa orientação enfraquece a dimensão crítica e humanista da educação, transformando o espaço escolar em um meio de reprodução das lógicas do capital.

Empreender para (sobre) viver: o estado da arte do Novo Ensino Médio e a legitimação de um Projeto de Vida

PID: S1981-416x2025000100086 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Glatz Yaegashi Bianchini
Resumo Este estudo tem como objetivo investigar o impacto do componente curricular "Projeto de Vida" no Novo Ensino Médio brasileiro, analisando como o mesmo reflete e reforça ideologias neoliberais na educação. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica do tipo "estado da arte” que analisou teses, dissertações e artigos científicos de acesso aberto publicados entre 2019 e 2024 nas bases de dados CAPES, SciELO e Google Scholar. Os estudos selecionados foram subdivididos em duas categorias de análise: 1) Projeto de Vida e o trabalho: a formação do “empreendedor de si”; e 2) Projeto de Vida e a lógica meritocrática: entre o desejo e a (im)possibilidade. Os principais resultados revelam que o Projeto de Vida tende a promover o conceito de “empreendedor de si”, adaptando os estudantes a uma visão de mercado que privilegia a competitividade e a autossuficiência, desconsiderando desigualdades estruturais. Esse direcionamento reflete uma lacuna no desenvolvimento crítico e social dos alunos. Limitações do estudo incluem o acesso a apenas três bases de dados, o que restringe a generalização dos resultados, embora forneça insights importantes sobre as tendências neoliberais nas políticas educacionais atuais.

Enfrentamentos das crianças aos scripts de gênero no cotidiano da Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200649 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Moraes Souza
Resumo Este artigo analisa as estratégias que crianças da Educação Infantil utilizam para lidar com os scripts de gênero no cotidiano escolar, com ênfase nas interações entre materialidades, espaços e relações. Fundamentado nos Estudos de Gênero e na Sociologia da Infância, sob uma perspectiva pós-estruturalista, o estudo teve como objetivo investigar como as crianças burlam e ressignificam tais scripts, muitas vezes de forma sutil e que passam despercebidas no cotidiano. A pesquisa valoriza essas lutas e resistências por parte das crianças, frequentemente simbólicas, como ponto de partida para ampliar o debate sobre gênero na Educação Infantil a partir da perspectiva da infância. A investigação, conduzida por meio de etnografia, envolveu 17 crianças de quatro anos em uma escola pública da Região Metropolitana de Porto Alegre/RS. Os resultados destacam a importância de criar espaços inclusivos e participativos, nos quais as crianças expressem suas narrativas e desafiem normas tradicionais de gênero. Conclui-se que um currículo inclusivo, formação docente e políticas públicas que promovam ambientes mais livres são fundamentais para assegurar os direitos das crianças.

Ensino e aprendizagem de Educação Ambiental: percepções docentes sobre a formação continuada na escola

PID: S1981-416x2025000200860 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Reis Schwertner
Resumo A Educação Ambiental (EA) tem sido reconhecida como um importante eixo para a construção de sociedades mais sustentáveis. No entanto, sua inserção na formação docente ainda enfrenta desafios, muitas vezes limitando-se a abordagens fragmentadas e pontuais no currículo da Educação Básica. Diante dessa lacuna, este artigo, oriundo de uma pesquisa de doutorado na área de Ensino, propõe uma agenda de estudos sobre EA com professores do Ensino Fundamental, incentivando a criação e o uso de jogos didáticos. O objetivo foi analisar como a participação na formação continuada e o desenvolvimento de materiais lúdicos contribuíram para a prática docente em EA. O estudo, denatureza qualitativa, aproximou-se da abordagem da pesquisa-ação e foi realizado em 2023, em uma escola da rede municipal de Imperatriz/MA, com 17 voluntários. A investigação envolveu um questionário diagnóstico, cinco encontros formativos e a criação dos jogos didáticos que foram utilizados pelos professores para ensinar EA aos estudantes da escola. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, cujos dados foram interpretados por meio da Análise Textual Discursiva. Os professores relataram bom aproveitamento teórico e prático do percurso formativo, destacando a importância da abordagem vivencial para a criação e o uso dos jogos. O estudo evidencia a fragilidade da EA na formação inicial e continuada dos docentes e destaca a necessidade de políticas públicas que incentivem a inserção da EA de maneira contínua nos processos formativos de professores.

Entre Escrevivências e Ciência: Perspectivas Étnico-Raciais na Educação Científica

PID: S1981-416x2025000301142 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Cesar Miranda
Resumo O presente artigo investiga possibilidades de abordagem das identidades étnico-raciais no ensino de ciências a partir do método decolonial de pesquisa denominado escrevivência, que visa dar voz a mulheres negras, caladas historicamente, assim como excluídas dos espaços acadêmicos. Este artigo discute as dificuldades e estratégias elencadas por docentes ao abordarem as identidades étnico-raciais no ensino de ciências. Para tal, propusemos a professoras negras de ciências a produção de escrevivências sobre como trabalham as questões étnico-raciais em suas aulas. A partir dos relatos foi possível discutir com o referencial teórico questões relacionadas com as seguintes temáticas: A formação docente para práticas voltadas para as relações étnico-raciais; Seleção de temas e a relação com o currículo oficial; Estratégias didáticas para uma educação científica voltada para as relações étnico-raciais e Reflexões sobre a prática: desafios de realizar uma educação científica voltada para a Educação para as Relações Étnico-raciais. Foi possível relacionar o ensino de ciências com as relações étnico-raciais a partir dos temas: etnoastronomia, arqueoastronomia, interseccionalidade, gentrificação, racismo ambiental, epistemicídio e evolução. Concluímos que professoras negras de ciências têm saberes valiosos que podem enriquecer a abordagem das identidades étnico-raciais no ensino.

Entre disputas e descobertas: situações de conflitos nas brincadeiras de crianças bem pequenas na Educação Infantil

PID: S1981-416x2025000200482 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Campos
Resumo Este estudo, recorte de uma pesquisa já concluída na área da Educação Infantil, tem como objetivo descrever e analisar as relações de conflito entre crianças pequenas durante as brincadeiras. Inicialmente, apresenta-se uma discussão sobre a Sociologia da Infância e as culturas infantis, destacando suas conexões com os estudos do brincar sob uma perspectiva social e cultural. Em seguida, são detalhadas as configurações metodológicas da pesquisa. Os participantes são 25 crianças de 3 anos, de ambos os sexos, matriculadas em uma escola municipal de Educação Infantil. A geração dos dados foi fundamentada nos aportes da Sociologia da Infância e conduzida a partir de uma abordagem etnográfica. Para tanto, foram empregadas técnicas como observação participante, registros em diário de campo e gravações em vídeo, possibilitando uma análise aprofundada das interações e conflitos no brincar. Os resultados indicam que, no grupo e contexto investigados, as situações de conflitos e suas formas de mediação são elementos essenciais das culturas da infância. Nessas interações, as crianças aprendem a gerenciar disputas e desentendimentos com base em regras coletivamente construídas e compartilhadas, o que contribui para o fortalecimento das relações interpessoais e a organização dos grupos sociais. Esse processo aponta para desenvolvimento de competências sociais e interpessoais fundamentais na constituição de suas identidades.

Formação-Ação de Professores para uma Educação Emancipadora: práticas interdisciplinares, colaborativas e contextualizadas

PID: S1981-416x2025000301312 | Periódico: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Ano: 2025
Autores: Waltrick Silva Jurado
Resumo O artigo analisa as implicações do Programa de Formação-Ação em Escolas Criativas no processo de formação continuada de professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental no município de Lages/SC. Estruturado com base em uma abordagem qualitativa e na pesquisa-ação, o estudo promoveu encontros temáticos sobre a interdisciplinaridade como forma de estimular práticas pedagógicas colaborativas, contextualizadas e comprometidas com a realidade dos sujeitos e das escolas. A formação desenvolvida fundamenta-se em uma perspectiva emancipadora de base freireana, articulando diálogo, transdisciplinaridade, sustentabilidade e direitos humanos como eixos estruturantes da prática docente. Os resultados indicam que a formação continuada, quando concebida como espaço dialógico e coletivo, pode contribuir significativamente para a transformação das práticas educativas e para o fortalecimento da escola como espaço democrático e integrador.
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