☰ Menu
Educ@

Busca por Índice

Filtro por título, resumo, autor, periódico e ano

Total: 41435 | Página 73 de 2072
0 resultados selecionados

A PRODUÇÃO DE FILMES-ENSAIO: um processo (des)formativo

PID: S1982-03052025000200113 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Emilião Pinel Perdiz
Resumo Este texto tem como objetivo discutir a possibilidade da criação e produção de filmes-ensaios como caminho formativo para jovens bolsistas no âmbito de projeto extensionista, como um processo (des)formativo (Emilião, 2017) desses licenciandos, no sentido da compreensão da complexidade do exercício docente e dos significados que os professores dão ao que vivem/sentem/fazem nos espaços escolares ao narrarem suas experienciaspráticas, expandindo processos reflexivos e de aprenderensinar1. É consequência das pesquisas que vêm sendo realizadas no campo dos Cotidianos Escolares e que se debruçam em narrativas docentes. Para isso, traz uma discussão sobre as heterobiografias, entendidas como as que narram a compreensão de si pela história do outro e a relação do tempo circular presente no processo. A partir dessas discussões, aponta expectativas formativas desses estudantes de licenciatura, na criação de conhecimentossignificações - escritos ou imagéticos - da/com/sobre as escolas no sentido que se oportuniza processos internos voltados para a reflexão e deslocamento de certezas e crenças.

AFETO NO ENSINO DE FILOSOFIA: um caminhar pedagógico afrorreferenciado

PID: S1982-03052025000200212 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Vasques
Resumo Este artigo defende a importância do afeto no ensino de filosofia a partir de uma perspectiva decolonial, ora entendida como a assunção de referenciais e sentidos epistemológicos e pedagógicos contra hegemônicos. Considerando a afrodescendência majoritária da população brasileira e ressaltando o teor afetivo como importante traço das pedagogias afro-brasileiras (não-formais), objetiva problematizar a prevalência e o peso atribuídos às filosofias euro referenciadas pelos currículos escolares adotados no país. Partindo das observações e vivências experimentadas pela autora durante os anos de formação acadêmica e atuação profissional no magistério e dos estudos decoloniais realizados na pós-graduação em Educação das Relações Étnico-Raciais, o texto propõe uma reflexão crítica sobre a mera reprodução em sala de aula de saberes e metodologias exclusivamente vinculados ao cânone europeu (intelectualista) e, neste contexto, questiona os lugares comumente reservados ou interditados à abordagem da afetividade como conteúdo filosófico. Sugere, então, fundamentado nas contribuições de pensadoras/es não-europeias/europeus, sobretudo africanas/os e afrodiaspóricas/os, ao invés da uniforme adoção de práticas que usualmente rejeitam ou subestimam a dimensão afetiva do pensamento filosófico, a valorização da expressão dos afetos enquanto componentes inescapáveis de nossa humanidade e potencialidades filosóficas a serem lapidadas.

APRENDENDO A ESCUTAR: narrativas orais de mulheres

PID: S1982-03052025000200118 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Oliveira
Resumo Quanto as(os) professoras(os) conhecem as(os) estudantes? Para conhecer alguém é preciso escutá-la(o); a partir disso, este artigo objetiva compartilhar narrativas orais de mulheres jovens estudantes, da camada popular, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), com professoras(es) do mesmo instituto, no intuito de que conheçam um pouco a vida delas e, partir disso, reflitam sobre as suas práticas pedagógicas e oportunizem outras discussões. A pesquisa é qualitativa e utiliza-se da técnica de análise de conteúdo, feita, principalmente, em diálogo com o livro Ensinando a Transgredir, de hooks. Os resultados revelam narrativas orais de abusos, fome, desigualdades e angústias, mas também de resistências e atrevimentos. Por conclusão, nota-se que as(os) professoras(es), ao escutarem as narrativas, sensibilizam-se e mostram-se dispostas(os) a mudanças, um importante passo, entretanto a educação envolve muitas camadas, internas e externas, que também precisam agir, já que a educação não é favor, mas sim direito de todas(os).

AS PRÁTICAS COLABORATIVAS NO EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA: uma análise qualitativa no município de Cordilheira Alta/SC

PID: S1982-03052025000200214 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Pederssetti Fávero Graff
Resumo O presente artigo tem como temática as práticas colaborativas, descritas nas políticas educacionais, que conduzem e amparam a educação inclusiva. O objetivo da pesquisa foi compreender como se estabelecem as práticas colaborativas entre os professores do ensino comum e os apoios escolares nas escolas municipais de Cordilheira Alta/SC. Sob uma abordagem qualitativa, usou o grupo focal como técnica de produção de dados. Os resultados mostram a existência de parcerias informais entre os docentes, materializadas a partir de conversas rápidas entre as atividades; apontam as dificuldades para o exercício de planejamento conjunto, dado que somente aos docentes é destinada carga horária para o planejamento; além de evidenciarem a terceirização dos processos de formação continuada de professores, pela aquisição de pacotes do sistema de apostilamento, pela rede de ensino. Conclui que as práticas colaborativas constituem um exercício de resistência, empreendido por docentes comprometidos com a inclusão, que não encontram, no cotidiano escolar, condições adequadas para a atuação conjunta.

CAMINHAR COM AS CRIANÇAS: exercício de liberdade ao encontro do território artístico-cultural da periferia paulistana

PID: S1982-03052025000200104 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Gomes Ostetto
Resumo Como um desdobramento da pesquisa que colocou em diálogo educação infantil, arte, cultura e formação docente no território do extremo leste da cidade de São Paulo, este artigo visibiliza narrativas de práticas docentes que ultrapassam os muros da escola e caminham com as crianças ao (re)encontro com a arte e a cultura na periferia paulistana. Assumindo o caminhar como ato estético (Labbucci, 2013) e as abordagens (auto)biográficas (Bragança, 2018; Delory-Momberger, 2012; Josso, 2004) como mapas para o percurso teórico-metodológico, seguiu-se pelos caminhos da memória para localizar e organizar (guar)dados - como registros escritos, peças audiovisuais e fotografias - que contam histórias de experiências estéticas compartilhadas com crianças de uma Escola Municipal de Educação Infantil, no bairro Cidade Tiradentes, entre 2015 e o início de 2021. A caminhada, por veredas físicas e da memória, possibilitou a composição de um inventário poético, no qual as belezas do fundão da periferia da Zona Leste foram amplificadas, com a intensidade de encontros que só o andarilhar no território educativo-cultural, com as crianças, poderia oferecer. No inventário, constituído com imagens e palavras, elementos de um projeto de formação estética são enunciados, reafirmando que a arte, na Educação Infantil, precisa ter a força da formação estética, (con)fiada na escuta - das crianças e do território.

CLASSES HOSPITALARES EM MACEIÓ-AL: qual a realidade de crianças e adolescentes hospitalizados?

PID: S1982-03052025000200206 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Lima Prado Palmeira
Resumo O presente texto tem como objetivo investigar analiticamente a Resolução n. 01/2016 COMED-Maceió, à luz dos fundamentos dos direitos humanos, a fim de problematizar suas contradições, decorrências e complexidade, com vistas a compreender porque a referida Resolução não se efetiva em Maceió, uma vez que o município não conta com classes hospitalares. Como procedimento metodológico, adotou-se o estudo documental e dos dados finais da ação extensionista desenvolvida na Universidade Federal de Alagoas, durante os anos de 2018 a 2019, nominada “Estudar, não importa o lugar!”, lançando-se mão da análise de conteúdo (Bardin, 2011) como técnica de organização dos dados. Os resultados do estudo demonstraram que a Resolução n. 01/2016 COMED-Maceió se torna ineficaz quando não possibilita que crianças e adolescentes exerçam seu direito à educação, fazendo com que a referida norma apenas reproduza o descompromisso do poder público com a educação especial, tratando, assim, de forma desumana um direito essencial dessas pessoas.

CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA DE CRIANÇAS: reconhecimento de si e do outro no contexto intercultural e imigratório nas escolas da rede municipal de Boa Vista-RR

PID: S1982-03052025000200109 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Baptaglin Oliveira Oliveira
Resumo Esta escrita objetivou compreender, dentro de uma perspectiva intercultural e de um contexto de imigração, como se dá a construção identitária da criança, a partir de ações de reconhecimento de si e do outro desenvolvidas no ambiente escolar. Realizamos, para tanto, um recorte de uma pesquisa etnográfica, na qual buscamos apresentar os dados de observação e a implementação de uma atividade em duas turmas de ensino fundamental da rede municipal de ensino de Boa Vista/RR. Diante da realização dessa atividade, optamos por analisar algumas categorias estabelecidas a partir da compreensão conceitual de identidade e interculturalidade apresentadas por Hall (2003) e Canclini (2004), sendo elas: Nacionalidade (raça/ etnia/língua) e Gênero e Sexualidade. Consideramos que a questão da identidade da criança não é algo que se constitui isoladamente como já nos apontava Hall (2003), mas evidenciamos que ela é permeada por distintas categorias extremamente complexas no campo da literatura e ainda mais complexas nas especificidades de cada criança. Assim, olhar essas especificidades e a forma como a escola tem reproduzido alguns padrões é necessário.

CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS E A EDUCAÇÃO INFANTIL: luz, câmera e formação com a linguagem matemática

PID: S1982-03052025000200200 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Miranda Ciríaco
Resumo O artigo resulta de uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa para o Estado de São Paulo (FAPESP), processo nº. 2021/05739-0, cujo foco residiu em analisar quais as aprendizagens de professoras da educação infantil, em relação à apropriação de recursos tecnológicos, são propiciadas a partir de uma experiência de formação continuada que envolve a produção de conteúdos audiovisuais no campo da linguagem matemática no contexto da pandemia de Covid-19. Como recorte temático, para este texto, elegemos um dos episódios formativos em que o grupo que constituímos compartilhou suas produções audiovisuais a partir de plataformas digitais e/ou de programas de edição de vídeos, a exemplo o Canva, Vimeo, Kizoa e Animaker. No referido episódio, a metodologia adotada leva em consideração uma abordagem netnográfica (Kozinets, 2014) de natureza observacional participante que ocorreu de forma on-line. O resultado desta experiência implicou no fato de as/os integrantes da proposta formativa passaram a se familiarizar com recursos e funcionalidades das plataformas de edição de vídeo, produzindo com criatividade e autonomia propostas pedagógicas mediadas por tais recursos, respeitando as especificidades da educação infantil e, consequentemente, da matemática com crianças em idade pré-escolar.

CRIAS, MOLEQUES E INFÂNCIAS PRETAS NOVAS: entrevista com o historiador Júlio Cesar Medeiros da Silva Pereira

PID: S1982-03052025000200101 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Silveira
Resumo A entrevista com o historiador Dr. Júlio Cesar Medeiros da Silva Pereira é um dos pontos importantes para a compreensão dos signos e discursos sobre o viver e o morrer criança, já que a partir das práticas mortuárias no Cemitério dos Pretos Novos podem ser compreendidas nomenclaturas e culturas ao se tratar de crianças vivas e mortas no Rio de Janeiro. O pesquisador é pós-doutorando em História no PPGHC/UFRJ, com ênfase em Tráfico Negreiro e Doenças, doutor em História das Ciências (Fiocruz), mestre em História Social (UFRJ) e graduado em História (UERJ), professor de História Contemporânea com foco na África (UFF), docente no PPGEn/UFF e no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN). Atua em temas como escravidão, doenças, tráfico negreiro, morte e sepultamento, Direitos Humanos, negritude e africanidade. Líder do Núcleo de Estudos SANKOFA e Editor-Chefe da revista do grupo. Pesquisa saúde e adoecimento de populações quilombolas, afrodescendentes e em ambientes religiosos. Membro do Comitê Científico do Cais do Valongo.

DECOLONIALIDADE E INTERCULTURALIDADE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: aprendizagens possíveis

PID: S1982-03052025000200210 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Ricardo Silva Wittizorecki
Resumo Este ensaio teórico objetiva situar os estudos sobre interculturalidade e práticas pedagógicas decoloniais que sulearam uma pesquisa-ação participante com o sexto ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública de Porto Alegre/RS, que intencionou desenvolver aulas de educação física com inspiração decolonial e intercultural. Procura evidenciar as potencialidades de uma proposta/intencionalidade políticopedagógica de educação física atravessada pelos pressupostos da decolonialidade e da interculturalidade. As problematizações quais são os objetivos e interesses da educação? e, com relação às aprendizagens, aprender o que, como, quando? Como se constituem as (inter)faces do aprender em processos educativos? possibilitaram a compreensão de que é no movimento de diálogo com e entre as culturas e identidades heterogêneas que se faz emergir diferentes modos de ver, ouvir, sentir, participar, se envolver consigo mesmo(a) e com o(a) outro(a), produzindo um alargamento nos espaços e tempos de ensinar e de aprender, que é onde passamos a compreender que se dão as constituições das (inter)faces do aprender em processos educativos.

EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS NO ENSINO TÉCNICO INTEGRADO: uma análise de cursos do Instituto Federal de Goiás

PID: S1982-03052025000200207 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Oliveira Lima
Resumo O presente artigo busca identificar a presença da educação em direitos humanos (EDH) no âmbito do Instituto Federal de Goiás (IFG), especialmente nos cursos técnicos integrados ao ensino médio, a partir da análise do plano de desenvolvimento institucional (PDI) e dos projetos pedagógicos de curso (PPC), levando em consideração o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) e as Diretrizes nacionais para a educação em direitos humanos na educação básica e educação superior. Com esse objetivo, foi realizada, inicialmente, uma pesquisa teórico-bibliográfica, para a construção do referencial teórico acerca da EDH no Brasil, a partir da qual foi possível compreender a importância dela na formação de indivíduos autônomos, conscientes do seu papel social e capazes de respeitar as individualidades. Em seguida, o artigo apresenta os resultados da pesquisa documental, que analisou o PDI e os PPCs dos cursos técnicos integrados ao ensino médio do IFG, buscando verificar a presença de elementos ligados à EDH. A partir da análise realizada foi possível constar que o IFG está alinhado institucionalmente às diretrizes nacionais da EDH, no entanto é necessário que todos os PPCs se adéquem às orientações do PDI. Além disso, as atividades que envolvem direitos humanos estão localizadas em poucas disciplinas e de maneira isolada, sendo fundamental a realização de ações de ensino, pesquisa e extensão de caráter interdisciplinar que promovam a EDH de forma transversal.

EDUCAÇÃO MIDIÁTICA NO COMBATE À DESINFORMAÇÃO: percepções e proposições de ação dos professores

PID: S1982-03052025000200202 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Moura Palmeira Sousa
Resumo Este artigo discute a educação midiática no combate à desinformação. Sua relevância está em refletir sobre o modo como as tecnologias digitais de informação e comunicação se fazem presente de forma negativa em nosso cotidiano e como a educação midiática pode ser inserida e aplicada no contexto escolar. Assim, tem como objetivo situar em que termos, na percepção dos professores, a desinformação tem chegado na escola, e quais proposições têm sido desenvolvidas com vistas a combatê-las, na perspectiva de uma educação midiática. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa. Inicialmente discutiu-se teoricamente as fake news como um fenômeno midiático presente no tempo e espaço atual de forma mais consubstancial e, em vista disso, a educação midiática como um caminho possível. Em seguida, realizou-se uma pesquisa de campo com professores da rede básica de ensino, utilizando questionário online como instrumento de produção dos dados. Como resultados, os professores percebem as implicações pessoais, sociais e pedagógicas da chegada da fake news na escola e vislumbram ações convencionais, porém válidas, na promoção de uma educação para/com/sobre as mídias.

EDUCAÇÃO, QUESTÃO SOCIAL E INTERSETORIALIDADE: uma abordagem sob a perspectiva neoliberal

PID: S1982-03052025000200204 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Araújo Góis Tomaz
Resumo Objetivamos discutir sobre a educação na perspectiva da intersetorialidade a fim de construir uma visão abrangente entre o direito à educação e o chão histórico e conjuntural no qual ele foi e é reivindicado. Com efeito, abordamos a questão social como elemento singular nessa discussão a partir da teoria social crítica. Partindo da perspectiva teórico-metodológica do materialismo histórico dialético, que aponta para uma análise contextualizada da realidade, considerando o processo histórico, bem como as contradições e múltiplas determinações que o permeiam, realizamos análise documental das legislações referentes à educação no Brasil, e revisão de literatura não sistemática com o propósito de problematizar a temática tendo em vista que a produção do conhecimento sobre educação, questão social e intersetorialidade é incipiente. Considerando o estudo realizado, constatamos que a tríade educação, questão social e intersetorialidade é fundamental para compreendermos que determinadas temáticas ou objetos não podem ser apreendidos de forma isolada, fragmentada e/ou parcializada. Concluímos, assim, que a perspectiva da intersetorialidade contribui para a elaboração de uma política educacional que reconheça as desigualdades sociais enquanto expressões da questão social resultantes das relações sociais de (re)produção capitalista.

ESCRITAS DE VIDA, COSTURA DE SONHOS: interseccionalidade e subjetividades juvenis em diálogo com a sociologia

PID: S1982-03052025000200114 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Santos Almeida Junior Souza
Resumo O artigo descreve o resultado da aplicação de um projeto de ensino desenvolvido com jovens estudantes do segundo ano do ensino médio em uma escola pública. As ações foram desenvolvidas ao longo de um ano e mobilizaram as obras de Rosana Paulino e Conceição Evaristo. Para além de um relato da experiência, objetivamos ressaltar como as poéticas das duas artistas brasileiras, alinhadas ao paradigma interseccional, foram capazes de construir novas práticas educacionais transgressoras, como também de exibir como a realidade atravessa, de formas múltiplas, diferentes configurações de juventudes. Para a exposição do argumento, primeiramente apresentamos as características gerais do projeto desenvolvido com os estudantes da escola; posteriormente, expomos as características gerais das obras das artistas, que trazem em suas formas de expressão a necessidade de enaltecer subjetividades, principalmente femininas, fraturadas pelo processo de escravidão e de racismo presentes na sociedade brasileira. Em seguida, destacamos os temas mobilizados pelos próprios estudantes a partir das atividades realizadas em sala de aula, a escrita da poesia e a confecção de fanzines. Concluímos que as novas epistemologias, principalmente aquelas que mobilizam a interseccionalidade como ferramenta analítica, possuem o potencial de transgredir paradigmas escolares pautados pela objetividade, pelo controle, abrindo espaço para trocas afetivas e expressão de subjetividades juvenis diversas.

INFÂNCIA E JUVENTUDE: temas e metodologias emergentes/insurgentes

PID: S1982-03052025000200100 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Marcello Couto Junior Pereira
Resumo Este texto tem por objetivo pensar desafios temáticos e metodológicos para a pesquisa nos campos dos estudos interdisciplinares da infância e da juventude, cotejando os conceitos de emergência e insurgência. Que temas têm se apresentado aos pesquisadores e que outros têm sido por eles criados e dinamizados? Que temas têm permanecido invisíveis ou invisibilizados à espera de um olhar de pesquisa? Como lidar metodologicamente com as emergências, insurgências? O que confere o caráter de insurgência numa abordagem de pesquisa? Essas perguntas expressam as marcas de uma discussão para a qual ainda nos restam muitos caminhos. Ainda assim, concordamos com a premissa de que nos lançar no desafio de trazer essas provocações no contexto da infância e da juventude requer ousadia, implicação e, acima de tudo, a disposição para ouvir - com escuta atenta, sensível e responsiva - crianças e jovens nos mais variados espaços sociais e culturais.

INFÂNCIA TUTELADA, CONFINADA E CONTROLADA: onde fica o acolhimento?

PID: S1982-03052025000200111 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Dominico Yaegashi Lira
Resumo Poucos são os estudos que versam sobre a infância de crianças tuteladas. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo realizar um exercício reflexivo acerca da experiência do abrigamento que engloba desde a expectativa da adoção, a frustração do enclausuramento e a decisão pela permanência. A pesquisa, de cunho qualitativo, foi realizada em uma Casa de Acolhimento situada em um município do Centro-Sul do estado do Paraná, Brasil. Participaram do estudo 6 profissionais pertencentes ao quadro funcional da Casa de Acolhimento, dentre os quais se destacam: a diretora técnica, a coordenadora da Casa, a pedagoga social, a assistente social, a psicóloga e o educador social. Para a coleta de dados, foram utilizados um questionário sociodemográfico e roteiros específicos de entrevistas semiestruturadas. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra. Para a análise dos dados, elaboramos categorias de análise, segundo a proposta de Bardin (2011). Os resultados revelam que as casas de abrigamento têm uma rotina rígida e controlada, com impactos nas identidades infantis. Chegamos à conclusão de que o abrigamento é marcado por um cerceamento não somente relacionado às possibilidades de acesso à cultura e à socialização, mas também de sonhos e expectativas, desvelando a constituição de uma infância fortemente administrada e disciplinada sob a rubrica do ajustamento.

INSURGÊNCIA DAS JOVENS EGRESSAS NO ENSINO INTEGRADO: o curso em Agroindústria do IFSP

PID: S1982-03052025000200119 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Silva Alves Pantoni
Resumo O presente artigo aborda o contexto divergente de um grupo de jovens mulheres que avançam na formação de uma área de saber que historicamente lhes foi negada. O objetivo foi investigar o processo formativo no contexto da Educação Profissional e Tecnológica - EPT, quanto às questões de gênero, vivenciadas pelas jovens mulheres egressas do Curso Técnico em Agroindústria Integrado ao Médio do IFSP. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de tipo exploratória, por meio da revisão bibliográfica, análise documental e aplicação de questionário semiestruturado. Como resultados, houve a participação de 63 egressas, de um universo de 197 jovens mulheres. Nota-se que a EPT ao alcançar as mulheres reproduziu um padrão e estereótipo de gênero no âmbito da criação de seus cursos. Atualmente, tem o potencial de ser um lugar de transformação, já que as mulheres são maioria nas matrículas. Contudo, pela pesquisa, ainda enfrentam questões estruturais que perpetuam desigualdades e opressões. Assim, cumpre que os cursos técnicos necessitam agir com práticas que deem condições para as estudantes permanecerem com êxito em seus processos formativos.

JOGO CAMA DE GATO: possível relação com a educação física de frestas e encruzilhadas

PID: S1982-03052025000200203 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Rezende Alves Aguiar
Resumo Este artigo constitui um desdobramento de uma dissertação que versa sobre a incursão da perspectiva colonial e contra colonial nas aulas de educação física escolar, por intermédio do conteúdo de danças no contexto afrodiaspórico. Realizaram-se aproximações entre as contribuições das potencialidades de Exu, com suas aplicações pedagógicas emergentes, e o contexto pedagógico da educação física escolar, especificamente por meio da aproximação com o jogo cama de gato. Com este intuito, tornou-se possível compreender algumas das significações possíveis de Exu e, como este, por meio de suas potencialidades, abala as estruturas coloniais. Exu nos chama para a busca por justiça, transgressão, insurgência e encruzilhada de saberes. Com base na exunêutica, nos dedicamos a compreender aspectos da pedagogia das encruzilhadas como uma proposição pedagógica insurgente. Assim, por meio da referida pedagogia tornouse possível formar novas esquinas com saberes outros e dialogar com os conceitos de frestas, cruzos, mandinga e incorporação. Conceitos relevantes para se pensar Exu no contexto pedagógico da educação física escolar.

NARRATIVAS DA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL: o papel transformador do educador social na construção da cidadania

PID: S1982-03052025000200211 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Pereira Conte Santos
Resumo Este estudo promove uma análise das práticas sociais de educar, focando no papel do profissional atuante na educação não formal, conhecido como educador social. Realizamos uma pesquisa exploratória de abordagem hermenêutica para situar o campo de conhecimento da educação não formal, apresentado fora do currículo escolar, cujas experiências e pesquisas sobre o tema ainda são escassas. O educador social busca promover a formação da cidadania, participação solidária e ação social, sendo crucial para o desenvolvimento humano e construção de uma sociedade mais justa. As análises abordam a concepção vigente do educador social e suas interações no processo de socialização, percebendo-as como condição essencial para a liberdade cooperativa. Concluímos que a educação não formal vem ganhando relevância ao proporcionar condições para a formação da diversidade cultural, o reconhecimento do outro e o estímulo ao diálogo com as diferenças. Destaca-se sua capacidade de questionar e compartilhar alternativas frente aos desafios cotidianos, abrangendo dimensões políticas, ecológicas, éticas, estéticas, corporais, lúdicas e afetivas dos sujeitos. O educador social emerge como um agente transformador, viabilizando o desenvolvimento humano e contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva, plural e democrática.

O CENTENÁRIO EDGAR MORIN: como as experiências moldaram o seu pensamento

PID: S1982-03052025000200500 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Silva Roldão
Resumo Trata-se de uma resenha crítica do livro Lições de um século de vida. A obra é uma autobiografia de Edgar Morin, pai do pensamento complexo. Nela, o autor relata aspectos da sua trajetória ao longo de um século, abordando experiências que moldaram o seu pensamento e deram origem às suas teorias. A narrativa contextualiza historicamente a trajetória do autor em diálogo com diferentes pensadores, destacando como estes moldaram a sua personalidade. O texto está estruturado em sete capítulos, construídos com uma escrita atemporal e marcada pela perspectiva autoral. A obra aborda conceitos trabalhados por Morin ao longo de sua produção intelectual até o momento de seus cem anos, destacando a complexidade humana implicada na tessitura contraditória e complementar das relações sociais e políticas. As experiências enunciadas entretecem, de maneira tensionada, memórias da vida pessoal com fatos da história coletiva, concretizando, no texto, a saliência dos princípios hologramático e dialógico, bem como a religação de saberes, proposta pelo pensamento complexo. A leitura desta biografia pode abrir brechas que favorecem novas possibilidades de compreensão do presente e do futuro.
Reportar erro A