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ENSINO DE CIÊNCIAS NA EJA: refletindo sobre direitos e pautas silenciadas nos documentos legais

PID: S1982-03052025000100311 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Mattos Costa
Resumo O presente artigo discute o ensino de ciências nos anos iniciais da educação de jovens e adultos (EJA) em um contexto de pluralidade, destacando a relevância de currículos emancipatórios capazes de promover transformações sociais. Trata-se de um estudo exploratório fundamentado na análise documental (Cellard, 2008) das Resoluções CNE/CEB 1/2000, CNE/CP 2/2017 e CNE/CEB 1/2021, com o objetivo de identificar pautas formativas essenciais para os jovens, adultos e idosos da EJA que são negligenciadas nesses documentos. A base teórica é sustentada por Arroyo (2013, 2017), Catelli Júnior (2019, 2021), Di Pierro (2017, 2023) e Paiva (2019, 2021). Os resultados evidenciam um retrocesso nas diretrizes curriculares da EJA, ressaltando a necessidade de desconstruir o discurso científico tradicional em prol das especificidades dessa modalidade de ensino. Propostas interdisciplinares que integram literatura e ensino de ciências revelam-se eficazes ao trazer à tona questões do cotidiano dos estudantes, abordagens que permanecem silenciadas nas habilidades prescritas pela BNCC.

ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA DE SUJEITOS LGBTS ANTE A ESCOLA HETERONORMATIVA

PID: S1982-03052025000200208 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Mafra Rocha Mafra
Resumo O presente artigo discute a heteronormatividade escolar por meio de memórias estudantis. Trata-se de um texto descritivo e interpretativo, de natureza qualitativa, elaborado a partir de uma pesquisa desenvolvida com quatro jovens militantes do Movimento LGBT em Belém/PA, acerca das experiências heteronormativas vivenciadas durante seu processo de escolarização. Tem como objetivo identificar quais estratégias foram adotadas diante da heteronormatividade presente no ambiente escolar. Os dados obtidos a partir de entrevistas semiestruturadas foram categorizados, submetidos à análise de conteúdo e apontaram diferentes formas de lidar com as práticas escolares de heteronormatização compulsória. Deste modo, silenciamentos e omissões, muitas vezes, surgiram como alternativas para evitar conflitos, estigmas e constrangimentos associados à necessidade da permanência escolar. Por outro lado, enfrentamentos individuais e organização de coletivos estudantis também fizeram parte das estratégias mobilizadas por estudantes LGBTs durante suas trajetórias escolares, numa perspectiva de redução de danos, tornando, assim, a vida na escola menos hostil e mais palatável.

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS OU FILOSOFIA COM CRIANÇAS? proposições de Mattew Lipman e Walter Kohan

PID: S1982-03052025000100308 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Marques
Resumo Este artigo tem como objetivo apresentar as contribuições do pensamento de Matthew Lipman e Walter Kohan para a compreensão da relação entre educação, filosofia, infância e criança. A pesquisa adota uma abordagem teórico-bibliográfica, com método qualitativo e analítico-hermenêutico. As questões norteadoras do estudo são: Quais os principais pontos de convergência e divergência entre as propostas de Lipman e Kohan no que diz respeito à filosofia para/com crianças, considerando tanto a teoria quanto a prática educacional? De que forma as críticas de Walter Kohan à proposta de Matthew Lipman contribuem para uma compreensão mais ampla sobre os desafios e possibilidades da filosofia voltada para as crianças na educação contemporânea? Tendo em vista estas questões, a estrutura do texto divide-se em três partes: a primeira contextualiza os dilemas e avanços da expressão filosofia para/com crianças, seguida pela apresentação do percurso e influências teóricas de Lipman em seu projeto de filosofia para crianças e, por fim, a exposição do pensamento de Kohan e suas contribuições para a filosofia com crianças. Nas considerações finais, retoma-se a problemática realizada e aponta os desafios tanto em Lipman ao desenvolver uma proposta estruturada e padronizada, quanto em Kohan ao defender uma composição mais flexível, adaptável a diferentes contextos. Assim, essas abordagens oferecem distintos caminhos para fomentar o pensamento crítico e reflexivo na infância, ressaltando a diversidade de enfoques e seus efeitos na prática educacional contemporânea.

INVESTIGAÇÕES EM AULAS DE CÁLCULO NUMÉRICO: descobrindo o método dos trapézios via resolução de problemas

PID: S1982-03052025000100307 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Bertotti Junior Possamai
Resumo O objetivo deste estudo é analisar implicações da metodologia de ensino-aprendizagem-avaliação de matemática através da resolução de problemas na generalização do método dos trapézios, um dos tópicos do conteúdo de integração numérica. A análise concentra-se nas aulas de cálculo numérico, levando em consideração os conhecimentos prévios dos estudantes por meio de uma prática educativa. Inicialmente, exploram-se as contribuições teóricas e curriculares que fundamentam essa metodologia, descrevendo as dez etapas que a compõem. Em seguida, são apresentados os procedimentos metodológicos, em que a pesquisa é caracterizada como qualitativa em relação à abordagem do problema, aplicada quanto à sua natureza e segue a abordagem de investigação-ação nos procedimentos. Este artigo também aborda o contexto, a organização e a análise da prática educativa, destacando o uso de um problema gerador de conhecimento. Os resultados indicam a manifestação de autonomia, raciocínio crítico e habilidades argumentativas por parte dos estudantes durante a resolução do problema, bem como na socialização dos resultados durante a plenária.

NARRATIVAS DO NASCEDOURO À DESEMBOCADURA: um constructo metodológico em educação

PID: S1982-03052025000100310 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Vilas-Boas Corrêa
Resumo A palavra narrativa tem sido usada para designar relatos, histórias, conversas; nascem do cotidiano das pessoas. Este artigo discute os conceitos de narrativa, sua expansão em diferentes campos de pesquisa, principalmente, em educação, e têm sido utilizados à educação como constructo metodológico. Foi apresentada a variedade de narrativas e estas, na conjuntura da pesquisa em educação. Discutiu-se a potência das narrativas nas produções acadêmicas como elemento auxiliar ao pesquisador, para interpretar, analisar e coordenar os acontecimentos relatados em diversificados cenários, incididos aqui, em educação, contextualizados em tempos e espaços diversos que fazem parte das investigações nas pesquisas educacionais contemporâneas, em função da amplitude das ciências sociais. O método utilizado foi pesquisa bibliográfica de autores que versam sobre o tema, encontrado em artigos, dissertações e teses, pesquisado no Google Acadêmico e na plataforma Sciello. Conclui-se que as narrativas são elementos importantes na pesquisa educacional, uma vez que levantam percepções e conhecimentos, até então, não percebidas no ambiente escolar, que são importantes na compreensão e revitalização da educação.

O VER/OUVIR/SENTIR A PARTIR DO BRINCAR COM CRIANÇAS TERENA NO ESPAÇO URBANO

PID: S1982-03052025000200103 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Colman Vieira Pereira
Resumo O artigo analisa dados etnográficos, com foco nas crianças Terena da aldeia indígena urbana Darcy Ribeiro, Campo Grande, MS. Discute o modo como essas crianças indígenas circulam e se movimentam no contexto urbano, recorrendo a metodologias que permitem ouvir o que elas têm a dizer sobre si e o mundo, por meio do brincar. Mobiliza a sensibilidade etnográfica como recurso para discorrer sobre o seu con-viver e conversar durante o brincar, o desenhar e o fotografar. O procedimento permitiu observar suas diferentes formas de comunicar, por meio verbal ou de expressões corporais, desenhos, risos e silêncios. O estudo dialoga com os estudos pósestruturalistas e as etnografias produzidas por intelectuais indígenas, que permitem demonstrar que ser criança Terena foge à regra pretensamente universalista de infância. Desse modo, conhecer o ser criança para os Terena permite demonstrar que a atitude de categorizar as fases do desenvolvimento da pessoa varia nas distintas paisagens humanas, por se tratar de construção sociocultural. Para os Terena, a construção da pessoa e as suas distintas fases geracionais são orientadas por outra lógica, outros símbolos culturais e outras relações sociais. No caso das crianças Terena, isso resulta na produção de identidades étnico-culturais próprias, mesmo em meio ao contexto de aldeia urbana.

OS USOS DAS TECNOLOGIAS COMO DIREITO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: o que pode o acesso aos recursos digitais?

PID: S1982-03052025000100313 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Prates Nascimento Santos
Resumo Trata da problematização dos usos das tecnologias digitais, pela visibilidade das experiências tecidas por professores e estudantes da educação de jovens e adultos, no ensino fundamental em uma escola pública da rede municipal de Vila Velha. Objetiva compreender o acesso às tecnologias que pode funcionar como meio de transformação do conhecimento e aprendizagem nos cotidianos escolares, articulando os usos dessas tecnologias às políticas públicas instauradas no âmbito municipal, no contexto de pós-pandemia. Além disso, indaga o acesso na/da escola aos recursos tecnológicos, enquanto direito à educação, bem como as ações do poder público na disponibilização de tais recursos às unidades de ensino. Interessa também o entendimento de como tais tecnologias digitais podem potencializar os processos de ensino e aprendizagem nos cotidianos escolares da EJA. Como aparato metodológico, tece experimentações a partir da pesquisa com os cotidianos escolares, na intercessão teórica de Alves (2003), Brigagão (2016), Carvalho e Alves (2021), dentre outros. Assim, conclui que o acesso às tecnologias digitais pode funcionar como um instrumento de aprendizagem interativa, porém, existe a necessidade iminente de ampliação das políticas públicas para acesso às tecnologias e internet de qualidade, bem como investimento nas políticas de formação docente para fortalecimento dos contextos educativos na EJA.

POLÍTICAS CURRICULARES PARA ESTUDANTES COM TEA: itinerâncias de escolarização

PID: S1982-03052025000100304 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Godim
Resumo Este artigo aborda questões referentes às políticas curriculares para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), orientado por contribuições teórico-epistemológicas críticas das concepções de currículo na educação brasileira. As questões curriculares são amplamente debatidas no campo educacional, sobretudo na educação básica. Tais debates são escassos quando referendados ao campo da educação especial/inclusiva e ao público de estudantes com TEA (Bosa, Baptista, 2002; Lima, Laplane, 2016; Talarico, Laplane, 2016; Aporta, Lacerda, 2018), cujas práticas de ensino tangenciam entre pluralidades epistemológicas, didáticas, técnicas e de diferentes campos de atuação/áreas do conhecimento. Como percurso metodológico optou-se pela pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa (Bauer, Gaskell, 2002; Minayo, 2007; Lüdke, André, 2013; Chizzotti, 2006), no intuito de atender tais inquietações e, por meio dessa empiria, estabelecer uma relação dialógica e dialética entre o teórico e o vivido no campo da educação. Verificou-se que a produção do conhecimento é insuficiente, e necessita de maior abrangência e ingerência científica e metodológica quanto aos métodos, técnicas e práticas que envolvem a escolarização de alunos com TEA. Nesse sentido, intenta-se que este artigo possa fomentar educadores à construção de práticas curriculares para estudantes com TEA, que considerem as condições cognitivas, sociais, motoras e comportamentais de cada estudante, assim como seu ritmo e tempo de aprendizagem, em que a centralidade do campo educativo não se restrinja a percursos homogêneos, unidirecionais e restritivos, mas que possam fazer parte das proposições e políticas curriculares inovadoras aos estudantes com TEA na educação brasileira.

PRÁTICAS INOVADORAS NO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO DE SÃO PAULO, BRASIL

PID: S1982-03052025000200300 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Mercado Lima Córdoba
Resumo Este artigo analisa as práticas inovadoras de ensino com tecnologias digitais (TD) de professores que lecionam em cursos de graduação em universidades públicas do Estado de São Paulo (ESP), Brasil. Esta pesquisa qualitativa utilizou o desenho metodológico da Grounded Theory (GT) construtivista. Os instrumentos de coleta de dados foram um questionário na fase inicial e uma entrevista intensiva na segunda fase. A amostra foi composta por 27 professores de cursos de graduação e pedagogia de universidades públicas do ESP. A partir da análise, foram extraídas quatro categorias conceituais: Definições sobre inovação educacional, Práticas inovadoras com TD, TD e seus usos no ensino e Mudanças nas percepções para o uso de TD no ensino. Associados a cada categoria, quatro conceitos teóricos emergiram na codificação focada: Diálogo com o Contemporâneo, Horizontalidade Participativa, Interações Genuínas e Desafios do Profissionalismo. Os resultados do estudo permitiram uma teorização substantiva sobre o ativo/protagonista/colaborativo que está no centro da inovação educacional ou das práticas inovadoras (com TD) e nas TD usadas no ensino. A pesquisa evidenciou que os professores no Brasil avançaram em práticas de ensino inovadoras com o uso de metodologias "ativas" e TD.

REFLETINDO SOBRE AS VIVÊNCIAS ESCOLARES DE JOVENS QUILOMBOLAS A PARTIR DA LEI Nº 10.639/2003

PID: S1982-03052025000200116 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Oliveira Santos
Resumo O artigo discute as relações étnico-raciais ao refletir sobre as vivências escolares de estudantes quilombolas do Colégio Estadual de Seabra - Tempo Integral. Dessa forma, o objetivo é verificar como as práticas pedagógicas desenvolvidas no CES-TI contribuem para a afirmação de uma identidade negra positiva dessas discentes. Para alcançar o objetivo, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com estudantes da terceira série do Ensino Médio, professores(as) de História, Literatura e Arte, além do trio gestor. A interseccionalidade (Akotirene, 2019; Davis, 2016; Crenshaw, 2002) foi a ferramenta analítica usada para problematizar o modo de pensar a estudante negra de comunidade quilombola. A análise das entrevistas foi embasada, ainda, na Teoria Racial Crítica (Ferreira, 2014), com o intuito de verificar se os estudos e as discussões promovidas no colégio têm contribuído para que essas estudantes se reconheçam, aceitem-se e elevem a autoestima delas. Trata-se de um trabalho qualitativo de cunho etnográfico, tendo como aporte teórico autores(as), como Crenshaw (2022), Davis (2016), Fanon (2008), Kilomba (2019) e Moura (2023). O estudo mostrou que, apesar de ter muito ainda a avançar quando se trata de um cenário que propicie a efetivação da Lei nº 10.639/2003 e o reconhecimento e a valorização da cultura afrobrasileira e quilombola, o fato de a escola já desenvolver o projeto “20 de novembro e outras artes”, incluindo outras linhas interseccionais, como as discussões de gênero, configurou-se como um ponto importante para tratar as questões que marginalizam essas meninas. Portanto, contribui para que as estudantes se sintam representadas em algum momento nesse espaço.

RELAÇÕES ENTRE ARTE E EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA

PID: S1982-03052025000100306 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Immianovsky
Resumo O presente texto relata um estudo teórico sobre a relação entre arte e educação democrática. A teorização é elaborada pela aproximação entre a perspectiva de educação democrática desenvolvida por Gert Biesta (2013), que se nomeou de educação na democracia, e o conceito de partilha do sensível desenvolvido por Jacques Rancière (2009). A educação na democracia é uma perspectiva de educação democrática alternativa ao caráter instrumental das perspectivas educação para a democracia e educação por meio da democracia, uma vez que está centrada em uma concepção política da subjetividade humana. Dessa aproximação conceitual se destaca a interrupção como elemento estético que imbrica arte, educação e democrática. Essa relação de imbricamento explicita a arte-educação como um lugar privilegiado para a o desenvolvimento de uma educação democrática. Diante dessa teorização afirma-se que uma educação democrática não pode prescindir da arte e defende-se a importância da presença da arte-educação e dos pesquisadores e professores/as de arte no debate sobre educação democrática.

RELAÇÕES ENTRE O DIREITO À EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

PID: S1982-03052025000100318 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Sarmento Menegat Mocarzel
Resumo O texto, decorrente de uma pesquisa em andamento, tem por objetivo apresentar as relações entre o direito à educação e a educação para o desenvolvimento sustentável (EDS), preconizados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O corpus investigativo, composto pelo documento Educação 2030: Declaração de Incheon-Rumo a uma Educação de Qualidade Inclusiva e Equitativa e à Educação ao Longo da Vida para Todos é analisado com base nas orientações de Cellard. Para a incursão analítica-reflexiva, dialoga com outros dispositivos difundidos pela UNESCO atinentes às relações entre a educação e o desenvolvimento sustentável. Resultados apontam que a ênfase nas relações entre a EDS e o direito à educação aparecem neste documento, não sendo essas relações acentuadas nas Declarações anteriores que o antecederam, apesar de a temática educação e desenvolvimento ter sido foco da UNESCO em décadas anteriores. Essas relações também demonstram as articulações entre a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e a Educação 2030 - Declaração de Incheon, proposta pela UNESCO, e indicam um ideário educativo alicerçado na concepção da educação como um direito de todos, um bem público e um dos meios para se concretizar os demais direitos essenciais à dignidade humana; o desenvolvimento sustentável; a justiça social; a inclusão; e o respeito à diversidade cultural, linguística e étnica. Este conjunto de indicativos corrobora o compromisso da UNESCO com todos os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), ampliando seu foco para além do ODS4: Educação de Qualidade.

SOLEDAD ACOSTA DE SAMPER E A GENEALOGIA DE UMA EDUCAÇÃO LATINA FEMINISTA DECOLONIAL

PID: S1982-03052025000200209 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Lima
Resumo Trata-se de um artigo que analisa os estritos de Soledad Acosta de Samper, especialmente, sobre a concepção de educação para as mulheres latinas no século XIX. Fundamenta-se na genealogia do feminismo decolonial e está situado no campo teórico-metodológico da história cultural, tendo como compreensão a importância da educação das mulheres para além de um paradigma dualista e binário, que reduz as mulheres do século XIX a uma educação estritamente doméstica. Soledad Acosta de Samper, uma mulher de seu tempo e, também, uma escritora e intelectual de coragem para se contrapor as imposições patriarcais desde mesmo tempo. Os resultados revelam que a autora debate a formação cientifica das mulheres e a sua inserção no mercado de trabalho, apontando para a necessidade da justiça social de gênero. A compreensão dos escritos da autora nos leva a entender que seu pensamento emerge da densa trama da decolonialidade e na interseção fronteiriça feminista.

SONHOS, COM-FABULAÇÕES E ESCRITA DE POSSÍVEIS NA EJAI: o que pode o estágio supervisionado no ensino de química?

PID: S1982-03052025000100317 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Dutra-Pereira Silva
Resumo Neste artigo objetivamos explorar o estágio supervisionado no ensino de química na educação de jovens adultos e idosos (EJAI), no qual as experiências são tecidas na escrita de textos com-fabulativos. Em um cenário onde os sonhos dos/as estudantes se entrelaçam com os conteúdos químicos, cada aula se transforma em um possível de descobertas e (re)conexões. No entrelaçar das narrativas, os desafios se expandem ao mesmo tempo que abre caminhos, como também, oportunidades. A invisibilidade dos conhecimentos químicos se dissipa diante do olhar sensível dos/as educadores/as estagiários/as, que buscam construir pontes entre o saber acadêmico e o saber vivido. Neste mosaico com-fabulativo e narrativo de/das experiências, o afeto une a vida dos/das aprendizes aos conteúdos, modificando a sala de aula em um espaço de acolhimento e pertencimento. Ao final desta pesquisa, explorada pelo emaranhado das filosofias da diferença e enriquecido pelos estudos nos/dos/com os cotidianos, compreendemos que a educação química na EJAI é muito mais do que a transmissão de conhecimentos; é um convite para mergulhar com os cotidianos dos/as estudantes, celebrando suas histórias, seus sonhos e suas aspirações e inspirações. Concluímos, enfim, defendendo uma educação na EJAI enquanto um compromisso com a construção de um mundo mais justo e humano.

UM ESTUDO DAS REPRESENTAÇÕES DO ELÉTRON EM LIVROS DIDÁTICOS DO ENSINO MÉDIO

PID: S1982-03052025000100300 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Silva Ferreira
Resumo A compreensão das representações e fenômenos referentes aos elétrons fundamenta interpretações de variados conceitos químicos, físicos e biológicos. Tendo em vista sua relevância, este trabalho teve como objetivos investigar, nos Livros Didáticos de Ciências da Natureza e Suas Tecnologias do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2021, os tipos e quantidades de representações do elétron empregadas, identificar a quais conteúdos as representações estão conectadas e realizar considerações sobre a abordagem dessas representações no ensino de ciências à luz do referencial da Transposição Didática de Chevallard. A natureza desta pesquisa é quantitativa e a análise de dados foi fundamentada na metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin. Foram analisados 42 livros didáticos de 7 coleções diferentes. Os resultados mostram a existência de 18 tipos de representações de elétrons e falta de consenso entre os autores sobre o modo de representar os elétrons em determinados conteúdos. Observou-se predomínio da interpretação corpuscular e insuficiências no aspecto ondulatório. Constata-se a necessidade de que os professores observem atentamente as diferentes representações empregadas nos livros didáticos e que as elucidem aos estudantes a fim de evitar problemas de aprendizagem em química.

UMA DIDÁTICA PARA O ENSINO DA LUTA MARAJOARA NO ENSINO MÉDIO

PID: S1982-03052025000200205 | Periódico: Revista Teias (1982-0305) | Ano: 2025
Autores: Furtado Santos Freitas
Resumo O presente trabalho discute aspectos didático-metodológicos para o ensino da luta marajoara no ensino médio a partir da apresentação de uma sequência pedagógica de quatro aulas desenvolvidas no ano de 2023, com cerca de 136 estudantes do 1º ano. Partindo da ideia de que o ensino médio deve aprofundar conhecimentos com base em reflexões conceituais interdisciplinares e vivência técnica aprimorada, tivemos como objetivo deste estudo apresentar e discutir uma experiência pedagógica com a luta marajoara realizada no Estado do Pará, no contexto de uma escola pública federal da capital Belém. A pergunta que norteou a construção e o desenvolvimento da experiência foi: como ensinar a luta marajoara no ensino médio? Por meio da experiência vivenciada, foi possível inferir que a luta marajoara, quando mediada pedagogicamente, apresenta um amplo potencial educativo, pois, em virtude do seu aspecto de novidade e pertencimento regional, possibilita que os estudantes compreendam dimensões de conhecimento fundamentais do campo das lutas corporais em geral, ao mesmo tempo em que conhecem alguns elementos constitutivos da identidade cultural marajoara.

A CENTRALIDADE DOCENTE NOS DISCURSOS DE RESPONSABILIZAÇÃO DA OEI

PID: S0104-70432025000100192 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2025
Autores: Lima Dias
RESUMO Este artigo tem por objetivo problematizar a responsabilização como dispositivo de controle e regulação da formação e do trabalho docente em proposições para a política pública curricular. Entendendo que diferentes produções políticas articuladas entre a América Latina e a Península Ibérica colaboram para propagação das políticas de responsabilização, analisamos os textos políticos da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI, 2009a; 2009b; 2013) que estão em vigência e servem de referência para os sistemas de ensino dessa grande comunidade chamada Ibero-América. Focalizamos a abordagem do ciclo contínuo de políticas (Ball; Bowe, 1998) como base teórica e metodológica, em diálogo com autores de perspectivas discursivas. De forma ambivalente, os professores são considerados peça-chave para a garantia de uma educação de qualidade. Por meio dos discursos da OEI, projeções e metas endereçadas ao currículo estão em negociação, ressignificando a educação contemporânea.

A INSERÇÃO DA CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO NOS PROJETOS PEDAGÓGICOS DE CURSOS SUPERIORES

PID: S0104-70432025000100117 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2025
Autores: Vieira Marques Canova
RESUMO A curricularização da extensão é o processo de inclusão da extensão no currículo dos cursos, pressupondo a indissociabilidade e a inserção social do ensino e da pesquisa. Neste estudo, é analisado o processo de introdução da curricularização da extensão nos projetos pedagógicos dos cursos superiores de um campus do Instituto Federal Farroupilha (IFFar), considerando o caminho construído, a praxis, as contradições e os desafios enfrentados. Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, produzida por meio de pesquisa bibliográfica e análise documental. Em seu percurso metodológico, aborda os pressupostos da curricularização da extensão e manifestações na prática; discorre sobre o processo de inserção da extensão nos cursos envolvidos, após o que são realizadas as considerações finais. Conclui-se que as contradições e os conflitos na curricularização da extensão são múltiplos, envolvem peculiaridades do projeto pedagógico de cada curso e possuem caráter institucional.

ATOS DE CURRÍCULO EMANCIPACIONISTAS E O TRABALHO PEDAGÓGICO DE PROFESSORAS ALFABETIZADORAS

PID: S0104-70432025000100065 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2025
Autores: Marques Franco
RESUMO Este artigo investiga os atos de currículo emancipacionista realizados por professoras alfabetizadoras e suas implicações na construção das aprendizagens docentes. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se na etnopesquisa crítica e multirreferencial, combinando análise de conteúdo e hermenêutica para examinar as experiências de seis professoras, consideradas teóricas de suas práticas. Os resultados indicam que atitudes subversivas e transgressoras promovem uma práxis pedagógica crítica, ressignificando o currículo e ampliando a autonomia docente. Esses atos potencializam o processo de ensino-aprendizagem ao desafiar modelos normativos e fomentar uma educação contextualizada e dialógica, alinhada às realidades escolares.

CURRÍCULO E FORMAÇÃO: A CONSTRUÇÃO CONCEPTO-ACIONALISTA DO FORMACCE FACED-UFBA

PID: S0104-70432025000100080 | Periódico: Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade (0104-7043) | Ano: 2025
Autores: Macedo Guerra Macedo
RESUMO O presente artigo, em seus argumentos, trata sobre como o Grupo de Pesquisa FORMACCE PGEDU FACED-UFBA, no âmago dos seus estudos, pesquisas e intervenções, cria produções conceptivas e acionalistas em currículo e formação. Explicita como essas duas temáticas do campo educacional passam a ser compreendidas de forma entretecida por este Grupo de Pesquisa, numa composição problematizadora, irredutível e generativa, tomando como referência a concepção de atos de currículo e formação como experiência aprendente irredutível. Nesse veio, explicita como a concepção de formação é concebida nesse entretecimento, tomando como inspiração fundante A teoria etnoconstitutiva de Currículo (Macedo, 2016). Argumenta, ademais, como essa abordagem conceptiva e acionalista aponta para a necessidade de se desinstrumentalizar a concepção de currículo e formação em favor de políticas de sentido orientadas pela partilha de saberes formacionais, autorais e autorizantes.
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