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Alfabetização: superando obstáculos em meio à pandemia

PID: S1519-39932025000100307 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Nunes Faria
Resumo Na atualidade, a educação reflete mudanças sociais impulsionadas por dois pilares: a interação comunitária e o avanço tecnológico. A interação comunitária envolve a colaboração e participação ativa de educadores, alunos, famílias e a comunidade, promovendo uma educação contextualizada e significativa, enquanto o avanço tecnológico, por sua vez, amplia as possibilidades de ensino e aprendizagem, fornecendo instrumentos e metodologias que reverberam em outras modalidades de comunicação e construção de conhecimentos. A combinação desses fatores impulsiona a educação rumo a novos horizontes, promovendo a formação de cidadãos críticos, criativos e preparados para desafios contemporâneos. Diante desse contexto, esse estudo visa não apenas compreender e abordar os desafios enfrentados no processo de alfabetização diante das transformações sociais e educacionais decorrentes da pandemia e do retorno às aulas presenciais, mas também compartilhar as oportunidades exploradas nesse contexto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho bibliográfico, baseada na análise da literatura existente sobre o uso do lúdico no processo de alfabetização inicial e nas atividades desenvolvidas com alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental I, em uma escola pública de Ji-Paraná (Rondônia). O aporte empírico foi ancorado na metodologia colaborativa, conforme delineada por Ibiapina (2008). Ao compartilhar essas experiências, pretende-se contribuir para práticas pedagógicas mais eficazes e inclusivas, visando a uma aprendizagem significativa focada nos alunos em sua jornada educacional, bem como na promoção da conscientização em direção ao alfaletramento e na garantia dos direitos de aprendizagem da criança.

Apoio aos estudantes nas universidades federais brasileiras: perfil dos profissionais dos serviços de Assuntos Estudantis

PID: S1519-39932025000100408 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Toti Dias Heringer Prado Silva
Resumo A expansão do sistema de Ensino Superior brasileiro, associada à mudança na concepção sobre o apoio institucional à permanência estudantil, promoveu mudanças importantes na constituição das equipes profissionais que atuam nos setores dedicados aos Assuntos Estudantis nas universidades federais. Este estudo se insere no campo do Ensino Superior e explora o subcampo emergente dos assuntos estudantis nas universidades federais brasileiras. O trabalho tem como objetivo apresentar o perfil das equipes das Pró-reitorias de Assuntos Estudantis ou equivalentes nas universidades federais brasileiras, considerando a importância da atuação desses profissionais para as ações de apoio integral aos estudantes universitários. Com abordagem qualitativa, a pesquisa utilizou levantamento bibliográfico e coleta de dados por meio de análise de sites institucionais e consultas às universidades via Fala.BR, abordando informações públicas disponibilizadas pelas instituições. Os resultados mostram que a maioria das universidades federais ampliou o público atendido pelas Pró-reitorias de Assuntos Estudantis para além dos alunos beneficiários de auxílio financeiro (perfil PNAES), abrangendo uma parcela maior da comunidade acadêmica. Identificou-se um crescimento nas equipes multiprofissionais, com destaque para pedagogos, psicólogos e assistentes sociais, refletindo uma expansão nas ações de apoio pedagógico e psicológico. Contudo, há uma concentração de servidores em funções administrativas, indicando que as políticas de permanência ainda estão voltadas principalmente para o suporte material. A pesquisa sugere a necessidade de aumentar as equipes para atender às demandas diversificadas dos estudantes e promover uma abordagem multidimensional da permanência acadêmica.

As aprendizagens docentes e a pandemia: e agora?

PID: S1519-39932025000100303 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Tassoni Goulart
Resumo Apresentamos parte dos resultados da pesquisa realizada com professores no interior de um projeto de investigação de abrangência nacional. O projeto visou conhecer o trabalho pedagógico que foi realizado desde o início do ensino remoto emergencial até o retorno totalmente presencial às escolas. De abordagem quali-quantitativa, a pesquisa abrangeu grande parte do Brasil. Este recorte focaliza três estados da Região Sudeste – Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Os instrumentos empregados tanto no período de ensino remoto quanto na volta às aulas presenciais foram questionários seguidos do trabalho com grupos focais. Em ambos os momentos, tais instrumentos oportunizaram que professores falassem sobre suas condições de trabalho, angústias, medos e desafios, constituindo-se em uma forma de acolher uma categoria profissional que se deparou com uma mudança radical na essência do seu trabalho. Problematizamos aqui as aprendizagens docentes no período remoto, apesar das inúmeras dificuldades e desigualdades em diversos âmbitos, bem como o risco que o retorno às aulas presenciais pode trazer para o enfraquecimento dessas aprendizagens. A padronização das avaliações, desconsiderando os quase dois anos letivos de ensino remoto, e a responsabilização de professores pela não aprendizagem ameaçam as poucas experiências relevantes e promissoras vividas durante o ensino remoto. A parceria entre professores, a troca de saberes e descobertas e a aproximação com as famílias contribuíram para fortalecer o trabalho docente. A literatura, as reflexões dinâmicas com e sobre a linguagem escrita e os espaços de escuta dos estudantes foram relevantes fontes de produção de discurso e atribuição de sentidos ao que se escreveu, leu e falou.

Ataques de violência extrema às escolas no Brasil

PID: S1519-39932025000100200 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Garcia Vinha
Resumo O aumento dos ataques de violência extrema às escolas no Brasil gerou um clima de apreensão e intensos debates em diversos setores da sociedade. Esses ataques diferem de outras formas de violência, tratando-se de um fenômeno com características específicas e multicausal. Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa documental que mapeou episódios de violência extrema em escolas no Brasil, cometidos por estudantes e ex-estudantes. Foram considerados os incidentes intencionais que ocorreram no espaço escolar, planejados e com o objetivo de causar mortes e lesões. Eles se caracterizam como crimes de ódio e/ou são motivados por vingança (quando o autor é menor de idade, são atos infracionais violentos de tentativa contra a vida). A pesquisa identificou o primeiro registro no país em agosto de 2001 e, até julho de 2024, contabilizou 40 episódios, com um aumento expressivo, entre 2022 e 2024, de 25 casos. Do total, 31 foram ataques ativos, em que o objetivo é matar indiscriminadamente o maior número de pessoas, e nove foram ataques direcionados, com alvos específicos. O estudo detalha as características desses eventos e dos seus autores, analisa por que os ataques são especificamente direcionados às escolas, explora os armamentos utilizados e examina a progressão das denúncias e das investigações decorrentes. Espera-se que esta pesquisa contribua para uma compreensão mais aprofundada desse tipo de violência cruel que atinge nossas escolas, oferecendo subsídios para o planejamento de ações de prevenção e enfrentamento.

Características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida: compreensões de estudantes

PID: S1519-39932025000100400 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Mezzomo Kraemer
Resumo Este artigo tem como objetivo identificar as características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida em duas escolas de Ensino Médio no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a partir da ótica de estudantes, no contexto da reforma do Ensino Médio – deflagrada em 2017. Na pesquisa de campo, foram utilizados questionários e grupos focais. A metodologia utilizada é mista, combinando estudos bibliográficos, documentais e pesquisa de campo. Conforme os dados, entre outros elementos, as análises expressam: significativa receptividade dos estudantes ao componente; desejo latente de uma educação integrada ao mundo; um potencial significativo de renovação da educação no modo de trabalho do Projeto de Vida e aspectos neoliberais presentes nos relatos dos estudantes. Conclui-se que o Projeto de Vida, ao mesmo tempo em que apresenta elementos de uma educação problematizadora em suas características epistemológico-educacionais, sinalizando mudanças profundas na educação contemporânea, também mobiliza traços do pensamento neoliberal em educação.

Contribuições da AlfaRede para o retrato da alfabetização na pandemia e no pós-pandemia

PID: S1519-39932025000100300 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Macedo
Resumo Neste artigo descrevemos e analisamos a dinâmica de pesquisa da AlfaRede, uma rede virtual de pesquisa composta por 33 universidades de todas as regiões do país. Os objetivos da pesquisa são analisar como essa rede contribui para a compreensão dos impactos da pandemia e do pós-pandemia na alfabetização das crianças e conhecer os principais desafios enfrentados pelas docentes durante o ensino remoto emergencial e após a reabertura das escolas. Foram utilizados métodos quanti-qualitativos que incluíam o survey e a realização de grupos focais. Os resultados indicam a impossibilidade de se alfabetizar remotamente as crianças. Assim, para a maioria das docentes, o ensino remoto emergencial conseguiu apenas manter o vínculo das crianças com atividades escolares, sendo que 30%, consideradas as desconectadas, não tiveram acesso a qualquer forma de ensino. O WhatsApp garantiu o mínimo de vínculo de 70% das famílias com a escola.

Convivência escolar e prevenção às violências: debates sobre a produção acadêmica da Região Sudeste do Brasil

PID: S1519-39932025000100206 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Moro Zambianco Pinheiro
Resumo O presente artigo objetiva apresentar uma revisão narrativa sobre a convivência escolar, com foco nas produções científicas desenvolvidas na Região Sudeste do Brasil. A partir do levantamento dos trabalhos, realizou-se uma análise de conteúdo para localizar possíveis relações entre a convivência escolar e a prevenção de violências escolares. Foram selecionados 14 materiais, entre artigos científicos, teses e dissertações, com um recorte temporal de 10 anos (2014 a 2024), a partir da busca no Google Acadêmico com os conceitos-chave: “convivência escolar” e “violência escolar”. A análise levou a três temas: práticas escolares para a promoção da convivência e combate à violência; formação de professores para a promoção da convivência ética e políticas públicas e implementação de programas para a convivência ética. Os resultados sinalizam que um corpo teórico sobre convivência ética, relacionado à prevenção da violência escolar, tem se fortalecido na região, embora não de forma hegemônica entre os estados; destacam práticas escolares aplicadas à promoção da convivência ética, nas atividades em sala de aula e envolvendo toda a escola, bem como as potencialidades da formação docente que promove o engajamento com a temática, e destrincham a implementação de programas profícuos para a promoção da convivência ética nas escolas públicas, como movimentos necessários às demandas de aumento de registros de violências nas escolas, mas obstaculizados por descontinuidades e justaposição de políticas públicas.

Custos dos restaurantes universitários para as universidades federais. O que este cenário revela?

PID: S1519-39932025000100600 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Pazzini Carneiro Bandoni
Resumo O custo para manter os restaurantes universitários é significativo e os recursos repassados pelo Governo Federal têm sido insuficientes para garantir a assistência estudantil. O objetivo deste estudo é demonstrar o custo dos restaurantes universitários para as universidades federais, a fim de subsidiar discussões e alternativas para melhor dimensionamento dos recursos, garantindo a manutenção e aprimoramento desses espaços essenciais para a assistência estudantil. Analisou-se 106 Termos de Referência de 54 universidades, além de aplicação de questionários com os gestores dos restaurantes universitários. Na análise dos dados notou-se que 66% das universidades federais isentam alunos em situação de vulnerabilidade social do pagamento das refeições e dentre os pagantes há variação no valor, sendo o discente da região Nordeste o que paga mais pela alimentação. O preço médio unitário da refeição também difere entre as regiões, sendo o Sudeste a região com menor valor e o Norte com o valor mais elevado, refletindo os desafios de transporte e produção local de alimentos. A relevância dos restaurantes universitários transcende o aspecto financeiro, promovendo hábitos alimentares saudáveis, além de atuar como espaços de convivência e cultura. Contudo, enfrenta desafios orçamentários, necessitando de uma distribuição de recursos mais equânime, respeitando as particularidades regionais e institucionais.

Debates da Psicologia da Educação da região Sul do Brasil acerca da violência nas escolas

PID: S1519-39932025000100207 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Santos Gomes Costas Cordeiro Selau
Resumo A violência é um fenômeno social complexo, com raízes históricas e cujas manifestações transcendem a criminalidade. Nas escolas, o fenômeno da violência, apesar de não ser um elemento novo, ocorre no cotidiano institucional e sua caracterização vem se modificando. Historicamente associado à indisciplina, a violência nas escolas apresenta-se como um fenômeno em crescimento e com diferentes expressões. Este artigo traz em debate os conhecimentos da Psicologia da Educação para discutir a violência estrutural nas escolas com foco na região Sul do Brasil. Foram realizados três movimentos: a construção do estado do conhecimento das produções do eixo Psicologia da Educação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação Sul e Banco de Dados de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (BDTD-IBICT); a análise dos dados do Atlas da Violência e do Observatório Escolar; e notícias veiculadas nos portais do Ministério da Educação e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Como resultados, percebeu-se, entre as produções científicas, a supremacia da associação da violência escolar ao bullying em uma realidade que aponta a presença de outras expressões da violência nas escolas. Observou-se, também, o crescimento de episódios de violência extrema por meio de ataques às escolas e massacres da comunidade escolar. Nos Observatórios, constatou-se que apenas cerca de 8,8% dos registros correspondem à região Sul, denotando a fragilidade das notificações de violência no contexto escolar. Portanto, discutir a violência nas escolas é um desafio, pois ao mesmo tempo que a escola tem como função educar para a paz, o respeito à diversidade e combater a todo e qualquer tipo de preconceito e ódio, a violência nas escolas reflete os processos de desigualdade da sociedade. Em vista disso, é necessário problematizar e ser propositivo em relação a este fenômeno que compromete a aprendizagem, o conviver e a saúde física e mental das/dos educadores e estudantes.

Desafios da alfabetização na pandemia da COVID-19: três momentos de reabertura das escolas

PID: S1519-39932025000100302 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Ferreira Nogueira
Resumo O artigo apresenta dados de uma pesquisa qualitativa, realizada por meio de questionário on-line e grupos focais, com professoras do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental, sobre o retorno ao ensino presencial após a pandemia. A pesquisa está vinculada à AlfaRede e, neste artigo, contempla dados da região Sul e do Rio Grande do Sul, a fim de analisar como as professoras vivenciaram o retorno ao ensino presencial, entre maio de 2021 e março de 2022. Os dados do questionário indicam que as docentes consideraram boa a assiduidade dos alunos e avaliaram como regular os conhecimentos das crianças em leitura e escrita. A análise das experiências de cinco professoras do município de Rio Grande permitiu identificar aspectos referentes a três momentos marcantes da volta ao presencial: o primeiro, em que o retorno era opcional, com manutenção do ensino remoto emergencial; o segundo, com retorno obrigatório às atividades presenciais no estado do Rio Grande do Sul; e o terceiro, com a obrigatoriedade da presença dos estudantes nas escolas. Esses momentos foram marcados por infrequência dos alunos, sobrecarga de trabalho, ausência de formação docente e acentuada heterogeneidade entre os estudantes. Os dados evidenciam que o poder público foi omisso e que as professoras precisaram, sozinhas ou com seus pares, elaborar estratégias e ações com o intuito de promover o acolhimento e a recomposição das aprendizagens. Com isso, tomaram para si a responsabilidade de garantir o direito das crianças à alfabetização.

Entrelaçamento das neurociências na formação de professores(as): uma revisão sistemática

PID: S1519-39932025000100501 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Teixeira Lindemann
Resumo Este estudo objetiva compreender o entrelaçamento das neurociências na formação de professores por meio de uma revisão sistemática de pesquisas publicadas entre 2015 a maio de 2024. A investigação foi conduzida nas bases Educational Resources Information Center e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, considerando estudos brasileiros com aplicação prática. Foram selecionados 13 trabalhos, organizados em três categorias: neurociências e inclusão na educação, neurociências e uma formação crítica e reflexiva, e neurociências aplicadas à prática docente. A análise revelou que a incorporação das neurociências à formação de professores contribui para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas, a promoção de um ensino reflexivo e crítico e a aplicação de estratégias alinhadas ao funcionamento cerebral. Entretanto, desafios persistem, como a presença de concepções equivocadas sobre neurociências na formação inicial, dificuldades na transposição da teoria para a prática e a necessidade de programas de formação continuada que articulem conhecimentos neurocientíficos, mediação pedagógica e desenvolvimento profissional.

Escolarização como aspecto de “risco” suicida à juventude cis-heterodissidente: problematizações iniciais

PID: S1519-39932025000100503 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Costa Prado
Resumo O objetivo deste texto é problematizar, teoricamente, como as experiências escolares desviadas de jovens podem constituir-se - e estão constituindo-se - como aspecto de “risco” suicida. Na intenção de complexificar cada vez mais as leituras a respeito da morte auto infligida, o artigo recorre a produções pós-estruturalistas e queer, sobretudo, às realizadas pelo campo educacional. Interroga-se como as experiências escolarizantes da juventude cis-heterodissidente podem se relacionar com a produção social da abjeção e com o suicídio. Aponta-se limites quanto a categorias de “risco” suicida mobilizadas por parcela das produções científicas. Sugere-se, por fim, que tal debate siga operado por outras formas de conceber o conhecimento e a linguagem, em particular, a partir de pesquisas em Educação.

Iniciativas de promoção da convivência escolar realizadas pelas Secretarias Estaduais brasileiras de Educação pós onda de ataques (2022-2023)

PID: S1519-39932025000100201 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Tognetta Tessaro
Resumo O objetivo deste artigo é analisar as ações voltadas para a promoção da convivência entre alunos da Educação Básica como resposta aos ataques sofridos nas escolas brasileiras a partir de 2022 produzidas e publicizadas nos sites das Assembleias Legislativas e das Secretarias Estaduais de Educação dos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo documental e analítico. Utilizando-se dos pressupostos de análise de Bardin, categorizou-se e interpretou-se as ações em categorias primárias e secundárias. As primárias se referem à análise de leis, e as secundárias foram organizadas a partir das ações realizadas e publicadas pelas Secretarias Estaduais de Educação. Os resultados mostram que ações interventivas envolvendo policiais acontecem com mais frequência nos estados das regiões Sul e Norte do pais; as ações de formação, nas regiões Sudeste e Nordeste; as informativas são mais comuns nos estados do Centro-Oeste e as punitivas, de controle e vigia, em todas as regiões, com destaque para os estados das regiões Sudeste e Sul. Conclui-se que as ações de enfrentamento às violências se dão de forma punitiva e de controle; as intervenções envolvem a polícia na escola e que há pouco envolvimento da comunidade e da rede de proteção (núcleos multiprofissionais) para a promoção da convivência nas escolas.

Inteligência artificial na educação básica: futuro das profissões na sala de aula

PID: S1519-39932025000100405 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Tussi Praça Vicari
Resumo A presença da Inteligência Artificial nos espaços de produção, seja do conhecimento ou de produtos e serviços, impacta e transforma a nossa relação com o trabalho. Esclarecer conceitos e os processos que estão por detrás das novas tecnologias e pensar sobre as consequências do seu uso são pontos que começam lentamente a fazer parte dos currículos e das políticas educacionais. A partir do presente estudo, verificaram-se os efeitos de uma sequência didática sobre Inteligência Artificial na percepção de alunos de duas turmas do 9° ano da educação básica com relação ao tema e seu impacto sobre o futuro das profissões. Um questionário estruturado foi aplicado antes e depois da aula, a fim de, primeiramente, obter um diagnóstico do conhecimento e das opiniões dos alunos sobre o assunto e, posteriormente, identificar o que mudou com a reflexão feita em aula. Foram obtidas 48 respostas e, a partir da comparação entre os questionários, pré e pós-teste, pode-se perceber que os alunos não alteraram significativamente as respostas, mas melhoraram o seu entendimento a respeito das consequências da Inteligência Artificial no campo profissional e com relação à sua influência no campo da educação.

Memorial de formação: trajetórias de vida, resistência e desenvolvimento profissional docente

PID: S1519-39932025000100404 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Santos Anunciato
Resumo Este artigo apresenta um memorial de formação construído por meio de uma narrativa autobiográfica, que reconstrói a trajetória de vida e profissional de um sujeito negro nordestino, oriundo do interior da Bahia, marcado por experiências de vulnerabilidade social, trabalho infantil e interrupções escolares. Ao lançar mão da escrita de si, o autor revisita, de maneira crítica e reflexiva, os caminhos percorridos na constituição de sua identidade docente, destacando a educação como eixo estruturante de sua emancipação pessoal, social e intelectual. O objetivo central é compreender como as experiências vividas (familiares, escolares, profissionais e acadêmicas) contribuíram para o desenvolvimento de sua prática pedagógica e de sua formação docente, em um percurso que vai desde a alfabetização em escola pública até a conquista do doutorado em Educação. Metodologicamente, a investigação insere-se no campo das pesquisas qualitativas com enfoque nas narrativas autobiográficas, compreendidas como instrumento epistemológico potente para a produção de saberes docentes. A escrita assume caráter analítico, revelando os sentidos atribuídos aos acontecimentos vividos, por meio da memória e da linguagem, situando-os em contextos históricos, sociais e institucionais. A opção por essa abordagem justifica-se pela crença na experiência como fonte legítima de conhecimento e pela valorização das vozes que, muitas vezes, permanecem à margem do discurso acadêmico tradicional. Assim, este memorial configura-se como um exercício de resistência e afirmação, dando visibilidade às histórias de superação e à construção contínua da identidade profissional docente em contextos desafiadores.

Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles: o ensino da arte sob as arquibancadas do Sambódromo

PID: S1519-39932025000100401 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Araujo
Resumo O estudo apresenta a unidade de extensão Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles, que funciona no interior das arquibancadas da Passarela do Samba, tratando suas dinâmicas pedagógicas, seu currículo e as políticas públicas. O objetivo é compreender como o ensino da arte se desenvolve ao longo do tempo no Sambódromo, considerando o Núcleo de Arte como instituição promotora de educação pela arte nesse território. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica exploratória, de abordagem qualitativa. Os resultados apontam para a emergência de um campo epistemológico envolvendo o ensino da arte no Sambódromo. Nesse processo, o dispositivo “fio condutor” mostrou-se um elemento estratégico à dinâmica do Núcleo de Arte. E verificou a necessidade de preservar a história das instituições que atuam na Passarela do Samba.

O Pode Falar e a escuta: a importância da escuta acolhedora no enfrentamento da violência escolar no Nordeste

PID: S1519-39932025000100204 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Ferreira Melo
Resumo Este artigo tem a intenção de compreender a inter-relação entre o programa Pode Falar e a ambiência escolar, considerando a escuta acolhedora de adolescentes como um elemento central de intersecção entre os princípios constitutivos do Pode Falar e uma atuação escolar centrada na pedagogia da escuta acolhedora. O Pode Falar é uma plataforma digital criada em 2020 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, com assessoria pedagógica da Universidade Federal Rural de Pernambuco e anuência do Conselho Nacional do Ministério Público, e sua finalidade é a escuta acolhedora de adolescentes e jovens de todo o Brasil. Em 2023, a referida plataforma possibilitou a criação da Rede Pode Falar, constituída por 22 instituições públicas de ensino superior localizadas em várias regiões brasileiras e que atuam na relação entre o cuidado humano e a educação. Os documentos analisados neste artigo se referem a produções feitas no âmbito da Região Nordeste do Brasil. A metodologia para construção dos dados se valeu de abordagem qualitativa, tendo a análise documental como método de pesquisa e a semiologia interpretativa como técnica de análise de dados. Os aportes teóricos nos quais os pesquisadores se fundamentaram para tratarem de conceitos que serão explorados, como “pode falar”, “adolescências”, “escuta acolhedora”, “enfrentamento” e “violência escolar”, estão amparados nos estudos transversalizados pela psicologia, sociologia, educação, história e antropologia. Os resultados encontrados sinalizam que a escuta acolhedora experimentada pelos adolescentes/jovens usuários do Pode Falar, quando praticada na ambiência escolar, amplia as possibilidades no campo do enfrentamento das violências existentes no cotidiano da escola, permitindo aos adolescentes/jovens maiores e melhores condições de expressarem suas emoções e seus sentimentos.

Os cenários da alfabetização na Região Norte após a pandemia da COVID-19

PID: S1519-39932025000100301 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Santos Santos
Resumo Este texto define por objetivo compreender como as/os professoras/es alfabetizadoras/es da Região Norte do Brasil vivenciaram/vivenciam e avaliam o retorno às aulas presenciais após a pandemia da COVID-19, os desafios enfrentados e as formas de enfrentamento dessa nova realidade. Para isso, realizamos uma discussão sobre a alfabetização em contexto pandêmico a partir de dados do banco de dados do coletivo Alfabetização em Rede (AlfaRede). Trata-se de um estudo de abordagem quati-qualitativa, que contou com a participação de professoras/es de todo o Brasil, os quais responderam a um survey com 25 questões e participaram de um grupo focal. Neste texto, realizamos um recorte para os dados da Região Norte, que foram analisados à luz da Análise de Conteúdo. Os resultados demonstram que, durante o retorno ao presencial, no que se refere ao ensino da alfabetização, houve um cenário de reorganização sanitária, pedagógica e de infraestrutura das escolas de educação básica. Demonstram, ainda, que as/os professoras/es alfabetizadoras/es avaliam como boas ou muito boas as ações tomadas pelas instituições da Região Norte na preparação do retorno ao presencial. Quanto aos desafios enfrentados e às possíveis formas de enfrentamento, destacam-se as rupturas, descontinuidades na aprendizagem, a necessidade de maior diálogo e formação docente.

Os rastros das práticas de leitura de romances na biblioteca do Instituto de Educação “Carlos Gomes”

PID: S1519-39932025000100410 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Kirchner
Resumo Este trabalho rastreou vestígios deixados por “possíveis leitoras” nos romances da Coleção Biblioteca das Moças encontrados no acervo do Instituto de Educação “Carlos Gomes”, em Campinas. O recorte temporal foi estabelecido considerando as marcas de leitura e registros de empréstimos deixados nos exemplares e coincide com o período que a Instituição recebeu a denominação de Instituto de Educação entre 1951 e 1976. O trabalho buscou uma aproximação das práticas de leitura realizadas por “possíveis leitoras” dos romances da Coleção e durante a pesquisa foi identificada uma transição entre a “leitora pretendida”, estabelecida a partir da estratégia editorial, e a “leitora rastreada” identificada a partir dos vestígios encontrados nos romances e memórias relatadas por quatro ex-alunas da instituição, o que possibilitou uma aproximação da coleção na perspectiva da leitora. A Coleção foi publicada pela Companhia Editora Nacional no período entre 1926 e 1960 e foi considerada uma leitura adequada para a formação feminina promovendo uma representação de mulher adequada aos padrões vigentes no período pesquisado. Contudo, ao investigar as marcas deixadas nos livros, como anotações, carimbos e registros de empréstimos, foi possível observar como essas leitoras reinterpretaram e adaptaram os textos conforme suas próprias vivências e necessidades. A análise segue o paradigma indiciário de Ginzburg, que propõe a leitura de vestígios como pistas para compreender as práticas de leitura do passado. Também se baseia nos conceitos de Certeau sobre estratégias e táticas, sugerindo que as “possíveis leitoras” não consumiam passivamente os romances, mas criavam significados, desafiando as intenções editoriais.

Percepções de estudantes de engenharia sobre as influências do relacionamento docente e discente no aprendizado

PID: S1519-39932025000100406 | Periódico: Revista de Educação PUC-Campinas (1519-3993) | Ano: 2025
Autores: Sanches Lemos
Resumo A boa interação entre professor e estudante é considerada como um dos aspectos fundamentais para o sucesso do processo de ensino e de aprendizagem. Este estudo investigou a percepção de estudantes acerca da importância do relacionamento docente e discente no aprendizado de engenharia, em uma instituição superior privada. Alunos do último semestre de um curso de Engenharia Aeronáutica foram ouvidos em entrevistas semiestruturadas, que foram gravadas e transcritas na íntegra. A metodologia de análise dos dados coletados foi baseada nas Categorias de Codificação. As respostas foram agrupadas, por regularidades e padrões, em duas categorias: A) Crítica à transmissão de conteúdos e B) Relações interpessoais respeitosas. Os resultados mostraram que os alunos consideram que o relacionamento com os docentes impacta diretamente na motivação para os estudos e no aprendizado. Esse relacionamento depende de vários fatores, como uma prática didática bem conduzida, boa comunicação e empatia no tratamento interpessoal.
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