ondas de murmúrios cintilantes na vida cotidiana: brincando entre idades
PID: S1984-59872024000100119 |
Periódico: Childhood & Philosophy (1984-5987) |
Ano: 2024
Autores: haynes carvalho johansson almeida peach wickett blandon bush wolf petropoulos reynolds caetano-silva paal khosa hannam oester-barkey landau andrews georgeson
resumo Este artigo explora as experiências ricas e variadas de um projeto de escrita coletiva, que se desenrola através de um episódio que envolve Charlie, uma criança que criativamente interrompeu os métodos convencionais de tirar fotografias. Este acontecimento, que ocorreu durante um passeio noturno junto ao mar, na Ericeira (Portugal), resume a adesão do projeto à brincadeira e à exploração de diversas perspetivas - materializada através da insistência lúdica de Charlie em experimentar ângulos diferentes. Este acontecimento personificou a abordagem do grupo à escrita, conduzindo a uma investigação coletiva sobre a interação entre idades, ângulos e outros temas, como ondas, fios, sombras e espaços liminares. O projeto, conduzido pelo Between Ages Collective, começou com encontros informais em Plymouth, no Reino Unido, e expandiu-se para um grupo de leitura on-line com a duração de um ano. Os e as participantes, abrangendo diferentes gerações e fases académicas, partilharam vários materiais, incluindo filmes, álbuns ilustrados e textos académicos, que inspiraram contribuições individuais. Influenciadas pelo espírito de colaboração do Coletivo, estas contribuições exploram o conceito de “entre idades” - um espaço metafórico e literal de transição e fluidez. As colaboradoras e os colaboradores foram convidados e convidadas a envolverem-se na criação de peças que aprofundam o tema “entre idades”, explorando momentos inesperados que transformam interações e experiências. A escrita procura captar um sentido de abertura e curiosidade, abraçando as incertezas e ambiguidades inerentes ao processo. As obras não aderem estritamente a formas académicas ou narrativas convencionais, mas antes emergem das experiências partilhadas pelo Coletivo, incluindo cozinhar, comer, nadar e caminhar juntos. O artigo sugere que estes escritos não pretendem ser definitivos ou conclusivos, mas que são explorações que convidam as leitoras e os leitores a envolverem-se com as texturas mundanas e profundas da vida quotidiana. As histórias e os temas explorados são marcados pela diversidade de estilo, ritmo e imagens, que vão desde reflexões sobre a filosofia das sombras até às implicações profundas das relações intergeracionais e interespécies. O trabalho do Coletivo é apresentado como uma experiência contínua de pensar e escrever em conjunto, com cada peça a oferecer uma visão única sobre as fronteiras fluídas, e muitas vezes difusas, entre diferentes momentos da existência. Esta abertura aos espaços intermédios põe em causa a noção de identidades e experiências fixas, convidando a uma experiência mais matizada das dinâmicas relacionais que moldam a existência. O artigo permite que as leitoras e os leitores mergulhem nestas narrativas e se envolvam com a miríade de formas que estas ressoam com questões mais vastas da existência, do contar histórias, do conectar-se.