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Educação e Pesquisa

versão impressa ISSN 1517-9702versão On-line ISSN 1678-4634

Educ. Pesqui. vol.51  São Paulo  2025  Epub 27-Nov-2025

https://doi.org/10.1590/s1517-970220255101001 

EDITORIAL

Da Revista da Faculdade de Educação à Educação e Pesquisa: 50 anos de um periódico

Lúcia Helena Sasseron1 
http://orcid.org/0000-0001-5657-9590

Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio2 
http://orcid.org/0000-0003-4166-9942

Emerson de Pietri3 
http://orcid.org/0000-0001-5060-9891

Hugo Heredia4 
http://orcid.org/0000-0003-3657-1369

Mônica Guimarães Teixeira do Amaral5 
http://orcid.org/0000-0001-6951-5094

Rosana Passos6 
http://orcid.org/0000-0002-4420-5126

1- Editora Chefe de Educação e Pesquisa. Universidade de São Paulo, SP, Brasil. Contato: sasseron@usp.br

2- Editor Chefe de Educação e Pesquisa. Universidade de São Paulo, SP, Brasil. Contato: hipias@usp.br

3- Editor de seção de Educação e Pesquisa. Universidade de São Paulo, SP, Brasil. Contato: pietri@usp.br

4- Editor assistente de Educação e Pesquisa. Universidad de Cadiz, Andalucía, Espanha. Contato: hugo.heredia@uca.es

5- Editora de seção de Educação e Pesquisa. Universidade de São Paulo, SP, Brasil. Contato: monicagta@hotmail.com

6- Editora de seção de Educação e Pesquisa. Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. Contato: rosana.passos@gmail.com


Este editorial é comemorativo dos 50 anos da Educação e Pesquisa, periódico que, em 1975, surgiu como Revista da Faculdade de Educação. Nesta comemoração, é importante lembrar que uma revista não se faz só de textos, ainda que seja isso o que a caracteriza. Em meio século, a Educação e Pesquisa acumulou história e se consolidou como um espaço de divulgação de pesquisas e de promoção de debates qualificados sobre os mais diversos temas da área da educação. Sua consolidação deve-se ao trabalho contínuo e articulado de muitos: equipe de secretaria, editores, pareceristas, autores e leitores, cuja dedicação tornou possível o aprimoramento constante de práticas editoriais e de modos exitosos de trabalhar. Não foram poucas, nessa história, as ações externas à publicação que impactaram e continuam a impactar sua política editorial.

A criação da revista ocorreu apenas cinco anos após a criação da própria Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Aquele era um momento de grandes marcos para a educação nacional, e um deles – especialmente importante para a pós-graduação no Brasil – também está completando 50 anos: a instituição, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG). O PNPG foi concebido com o objetivo de “[...] definir diretrizes, estratégias e metas para dar continuidade e avançar nas propostas para a política de pós-graduação e pesquisa no Brasil” (Feijó; Trindade, 2021, p. 4).

O primeiro PNPG, vigente entre 1975 e 1979, estabelecia como missão do sistema de ensino superior

[...] difundir e ampliar o saber e a cultura da sociedade; utilizar seus meios e instrumentos de ensino e pesquisa, para transformação efetiva das condições materiais e culturais da sociedade, no sentido de seu crescimento social e econômico; formar, treinar e qualificar os recursos humanos de nível superior em volume e diversificação adequados para o sistema produtivo nacional e para o próprio sistema educacional (Brasil, 2005).

Após aquela primeira versão, os Planos seguintes tornaram-se documentos plurianuais para apresentar o papel da Capes na orientação, no acompanhamento e na avaliação de programas de pós-graduação. Em 1976, ano seguinte à publicação do primeiro PNPG, iniciou-se o processo de avaliação da pós-graduação stricto sensu, coordenado pela Capes e realizado a partir da criação de comitês que estabelecem critérios de qualidade a partir de cada área. Conforme Cabral et al. (2020, p. 7), “[...] havia indicadores mínimos que correspondiam: à qualificação do corpo docente, à produção científica, ao quantitativo de créditos em horas de disciplinas e à análise de cópias de dissertação ou tese”.

A coincidência entre o estabelecimento dos Planos Nacionais de Pós-Graduação e o advento da Revista da Faculdade de Educação revela um aspecto importante: o início das atividades de nosso periódico antecede as exigências atuais de regularidade e continuidade na publicação científica, demandas que hoje permeiam o cotidiano de pesquisadores, docentes e discentes vinculados a programas de pós-graduação. Por isso, pode-se afirmar que a Revista da Faculdade de Educação surgiu, como seu próprio nome sugere, com a finalidade de divulgar a produção intelectual dos docentes da unidade, constituindo-se, inicialmente, como um espaço institucional de expressão acadêmica. No texto de apresentação do primeiro número do periódico, o professor José Querino Ribeiro (1975, p. 7), à época diretor da FEUSP, afirmava ser a Revista da Faculdade de Educação um “[...] órgão destinado à divulgação dos estudos e investigações desta unidade universitária, oferecidos à apreciação dos interessados nas atividades pertinentes à educação em geral e ao ensino em particular”.

Ainda nessa apresentação, o professor Ribeiro discorreu sobre a importância da publicação na carreira dos docentes universitários, afirmando que a existência de um meio de divulgação responsável “[...] é condição indispensável para o atendimento dessa exigência da atividade acadêmica”, bem como que “[...] a divulgação dos estudos e das investigações serve não só para o aproveitamento alheio de nossas experiências como também para a apreciação crítica de interessados nas respectivas especializações” (Ribeiro, 1975, p. 7).

Com esse espírito, a Revista da Faculdade de Educação publicou textos que registravam aspectos da vida escolar da FEUSP e de seu entorno, ao mesmo tempo em que expressavam preocupações mais amplas com os rumos da educação no cenário nacional.

Destacamos um texto, publicado em 1983, no número 1, volume 9 do periódico, em que José Mario Pires Azanha, Alice Vieira, Maria Cecilia Sanchez Teixeira, Ondina Gertrudes Annicchino de Teixeira, Nivia Gordo, Neuza Rocha Goyano, Lisete Arelaro, Helena Cocharick Chamlian e Maria de Lourdes Ramos da Silva Carvalho apresentaram o Plano de implantação do ensino de 2º grau na Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. O texto discute o objetivo da educação para o 2º grau (atual Ensino Médio), e apresenta as mudanças regimentais necessárias para a implantação dessa etapa na Escola de Aplicação. Também é possível encontrar ali a grade curricular proposta para o 2º grau. Vale ressaltar que, até os dias atuais, a Escola de Aplicação mantém o compromisso de oferecer ensino gratuito e de qualidade para estudantes tanto do Ensino Médio quanto do Ensino Fundamental.

As páginas da Revista da Faculdade de Educação também documentaram, em 1986, três textos que clamavam por atenção a aspectos educacionais a serem considerados no processo constituinte então em curso, fruto do fim da ditadura militar que castigou o país por mais de 21 anos. No artigo intitulado A educação nas constituintes, a professora Elza Nadai (1986, p. 220) aponta que “[...] [o]s educadores, a exemplo de outros setores da opinião pública, têm participado ativamente dos debates políticos nos quais são travadas, cotidianamente, as lutas pela democratização da sociedade brasileira”.

Ao longo da década de 1990, a Revista da Faculdade de Educação passou por uma mudança significativa em seu perfil editorial, deixando de publicar majoritariamente trabalhos de docentes da unidade e passando a acolher, cada vez mais, artigos assinados por pesquisadores vinculados a diferentes instituições, universidades e países. Esse período marca também um momento relevante na política editorial brasileira, com a criação do SciELO (Scientific Electronic Library Online), em 1996, com o intuito de dar visibilidade internacional à produção científica brasileira e promover uma metodologia para publicação eletrônica dos periódicos científicos já existentes.

Dois anos depois, em 1998, a Revista da Faculdade de Educação passou por novas mudanças, algumas delas impulsionadas pela então diretora da unidade, professora Myriam Krasilchik, que identificou a necessidade de tornar a publicação mais regular e contínua. Com esse objetivo, convidou três docentes, um de cada departamento da Faculdade, para compor a comissão editorial: Belmira Bueno, Julio Groppa Aquino e Marília Pinto de Carvalho.

Na edição de número 1, volume 24, publicada em 1998, a professora Belmira Bueno (1998, p. 1) assina a apresentação e expõe os objetivos do periódico à época:

[...] tornar a Revista da Faculdade de Educação um veículo a serviço da difusão de conhecimentos científicos relevantes, de modo a possibilitar um intercâmbio cada vez mais estreito entre pesquisadores e educadores do Brasil e de outros países, são os propósitos que têm orientado o trabalho daqueles que assumiram nos últimos anos a Comissão de Publicações da FEUSP. (Bueno, 1998, p. 1)

No ano seguinte, em 1999, o primeiro número da revista já trazia o novo nome: Educação e Pesquisa. Também teve início naquele momento o processo para incluí-la no SciELO, o que se consolidou em 2005.

Uma das marcas mais evidentes das transformações então em curso era a regularização do fluxo de publicação. Até 2004, a Educação e Pesquisa publicava dois números por ano. A partir daquele ano, passou-se a três edições anuais, o que persistiu até 2010, quando a periodicidade passou a ser trimestral. Entre 2005 e 2017, a revista foi publicada tanto em formato impresso quanto na versão online. Já a partir de 2018, ela se consolidou como periódico exclusivamente eletrônico, com textos publicados em fluxo contínuo, reunidos em um único volume anual.

Não se pode afirmar que a entrada no SciELO tenha sido o único fator propulsor para a alteração na frequência e no modo de publicação. Porém, é inegável que a adoção do sistema SciELO Submission, em 2010, trouxe agilidade ao processo editorial, organizando de forma sistematizada o fluxo de recebimento, avaliação e publicação dos manuscritos. Essa melhoria no processo refletiu-se também no volume de submissões: em 2011, foram 335 textos submetidos a Educação e Pesquisa; já em 2024, o número chegou a 751 manuscritos. Houve ainda picos expressivos, como em 2020, no período da pandemia de Covid-19, quando ultrapassamos a marca de 1.000 submissões. Entendemos que esse crescimento pode estar relacionado, entre outros fatores, à expansão significativa dos programas de pós-graduação em todo o país, bem como, por conseguinte, ao incremento substancial de matriculados em cursos de pós-graduação em educação: entre 2004 e 2019, as matrículas passaram de 9.662 para 23.685, o que representou um aumento de mais de 145% (Pereira Neto et al., 2023).

Com o aumento expressivo no número de submissões, as dinâmicas internas da comissão editorial da revista também precisaram ser alteradas. Em 1998, como já mencionado, eram três os docentes da FEUSP a cargo das atividades editoriais, sendo um de cada departamento da unidade. Em 2003, passaram a ser seis docentes; em 2008, nove – sempre respeitando a proporcionalidade entre os departamentos. No esforço de sistematizar e registrar as ações da revista, em 2016 a comissão editorial – juntamente com a diretora da FEUSP à época, professora Belmira Bueno – estabeleceu um regimento que formaliza a composição da comissão, do conselho editorial e da equipe de secretaria, além de definir as dinâmicas internas do trabalho editorial. No ano seguinte, em 2017, a comissão editorial passou a contar com a participação de docentes externos à FEUSP, respondendo tanto à crescente demanda por avaliações quanto às exigências de organismos como o SciELO, que passaram a recomendar a composição de equipes editoriais mais diversas, considerando gênero, raça e filiação institucional.

Ao completar 50 anos, Educação e Pesquisa mantém a vitalidade de um periódico dinâmico, moldado por seus leitores, autores e editores, sempre disposto a incorporar as transformações impostas pelo tempo e pelas circunstâncias. Permanece fiel à sua vocação: divulgar pesquisas no campo educacional como forma de fomentar e sustentar debates em prol da qualidade do ensino e da educação.

Hoje, no entanto, novos desafios se impõem. Entre eles, destacam-se a gestão das informações vinculadas às produções publicadas, os cuidados éticos envolvidos no que se divulga, a relevância – e as dificuldades – do processo de avaliação por pares, bem como as novas formas de conceber e redigir textos acadêmicos, em especial, o advento das chamadas Inteligências Artificiais e dos Modelos de Linguagem Generativa. Enfrentar essas questões com responsabilidade e abertura crítica será fundamental para que a revista siga cumprindo seu papel no presente e no futuro.

No âmbito das comemorações dos 50 anos do periódico, em setembro de 2025, em um evento de dois dias ocorrido na FEUSP, foram realizadas mesas redondas para debater temas como políticas de publicação e a influência de mecanismos de Inteligência Artificial na escrita e na divulgação científica. O evento contou com a presença de pesquisadores e profissionais da área, do público diverso e de editores que já passaram pela revista7.

Neste volume comemorativo, apresentamos entrevistas realizadas com colegas que estiveram na editoria-chefe da Educação e Pesquisa nos últimos 30 anos. É uma forma de conhecer um pouco mais sobre a tarefa editorial em diferentes momentos da revista e acompanhar o processo que a consolida como um periódico reconhecido na área.

Os editores-chefes atuais, Lúcia Helena Sasseron e Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio, entrevistaram a professora Marília Pinto de Carvalho, que foi editora-chefe entre 2004 e 2006 e tem sido editora-assistente por um longo período (entre 1998 e 2006, e desde 2009 até os dias atuais).

O professor Roni Cleber Dias de Menezes, editor-assistente desde 2022, realizou entrevistas com a professora Belmira Bueno (que esteve à frente da Comissão de Publicações entre 1998 e 2003), com as professoras Cláudia Valentina Galian (editora-chefe entre julho de 2019 e abril de 2023), Cássia Geciauskas (editora-chefe entre outubro de 2021 e abril de 2023) e com o professor Emerson de Pietri (editor-chefe entre julho de 2017 e outubro de 2021).

A entrevista com Rosângela Gavioli Prieto (editora chefe de 2016 a 2018) foi realizada por Fernando Cássio, editor-assistente desde março de 2022, e a entrevista com as professoras Denise Trento (editora chefe entre setembro de 2008 e junho de 2016) e Teresa Rego (editora chefe entre janeiro de 2006 e julho de 2015) foi realizada por Viviane Potenza Guimarães Pinheiro Fonseca, editora-assistente desde abril de 2023.

Também nesta edição estão sendo publicados artigos de quatro seções cujas pautas revelam-se tanto atuais quanto necessárias. A seção temática A formação de professores, o debate decolonial e as leis 10369/03 e 11645/08, coordenada pela professora Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, reuniu trabalhos de pesquisa na escola pública, envolvendo a formação de docentes na rede de ensino e ações didático-pedagógicas dirigidas aos discentes da educação básica. Tais trabalhos têm como foco construir uma epistemologia interseccionada, transversal e pluriversal entre ciências e humanidades com base na história e nas culturas africana, afro-brasileira e indígena praticadas no território urbano periférico e rural, enquanto espaços de memória e de resistência, de modo a contemplar a diversidade étnico-racial do país no âmbito da formação escolar e garantir a efetivação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/08. Houve uma adesão significativa ao chamado, que tornou possível a publicação de artigos de diferentes estados brasileiros, abrangendo práticas de ensino inovadoras em todo o ensino da educação básica, com base nos saberes afro-brasileiros e indígenas, com ênfase em parcerias entre a universidade e a escola pública, e com uma preocupação voltada para o aprimoramento de um currículo culturalmente relevante.

Coordenada pela professora Rosana Passos, a seção temática intitulada Práticas educacionais inclusivas no ensino superior: dilemas atuais reúne um conjunto de estudos que problematizam, sob diferentes enfoques teóricos e metodológicos, os desafios contemporâneos da inclusão de estudantes com deficiência nas instituições de ensino superior. Os artigos que a compõem demonstram a complexidade que envolve a consolidação de políticas de acessibilidade e de permanência estudantil, analisando experiências institucionais, práticas pedagógicas, mecanismos de apoio e a atuação dos núcleos de acessibilidade. Em diálogo com o modelo biopsicossocial da deficiência, previsto na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), e com abordagens interseccionais, os textos expõem as tensões presentes nas políticas e práticas institucionais, propondo caminhos possíveis para a superação de barreiras estruturais, comunicacionais e atitudinais ainda persistentes no contexto universitário. Ao correlacionar a produção científica à escuta qualificada e ao compromisso ético-político, essa seção contribui para o fortalecimento do debate acadêmico sobre a educação inclusiva no ensino superior, reafirmando a necessidade de transformações que assegurem a equidade no acesso, na permanência e no pleno desenvolvimento de todos os sujeitos.

A seção temática Alfabetização e letramento: homenagem à Professora Magda Soares, coordenada pelos professores Emerson de Pietri e Fernando Rodrigues de Oliveira, reúne artigos cujas temáticas se voltam às práticas de sala de aula, às relações da escola com a família, à formação de pesquisadores e de professores, bem como às proposições curriculares relacionadas aos processos de alfabetização e letramento. Encontra-se representada, assim, no conjunto da seção, a riqueza da produção da professora Magda Soares em suas contribuições para o aprendizado da leitura e da escrita no país, seja em suas relações com a escola básica, seja com a pesquisa acadêmica, seja com as políticas curriculares e com as ações de formação docente. Os trabalhos que compõem a seção deixam evidentes as características que a obra da autora apresenta em momentos distintos de sua construção, com os avanços, os impasses e a busca contínua por encontrar possibilidades novas de se pensar a alfabetização e o letramento em favor das classes sociais mais desfavorecidas. Nesse sentido, a produção de Soares responde insistentemente, ao longo de sua trajetória, ao que ela denunciava em Linguagem e escola: uma perspectiva social, uma das primeiras publicações a considerar o ensino de língua portuguesa em suas relações com a desigualdade que estrutura a ordem social e econômica do país. Ressalta-se, assim, o valor acadêmico, científico, educacional e, sobretudo, político da obra de Magda Soares.

Os doutores Julio Cabero (Universidade de Sevilha), Julio Palmero (Universidade de Málaga) e Hugo Heredia Ponce (Universidade de Cadiz) organizaram e coordenaram a seção temática IA vinculada à educação. Ela reúne contribuições de pesquisadores de diferentes países que analisam o impacto da Inteligência Artificial (IA) no âmbito educacional. Reconhecendo que a IA está gerando uma rápida transformação no campo, essa seção temática tem como objetivo reunir e apresentar os últimos avanços, pesquisas e desenvolvimentos nessa área em constante evolução. Entende-se que a publicação de pesquisas e estudos sobre o tema facilitará o acesso a informações relevantes e comprovadas por evidências para estudantes, pesquisadores e profissionais, permitindo-lhes melhorar práticas educacionais e desenvolver ferramentas mais eficazes. Além disso, as pesquisas sobre IA na educação oferecerão informações cruciais para os responsáveis pela formulação de políticas educacionais e pela tomada de decisões em instituições de ensino, facilitando implicações práticas e políticas para uso e aplicação da IA, bem como contribuindo para a disseminação de práticas e estratégias educacionais em nível local, nacional e internacional. Em conjunto, os artigos publicados nessa seção oferecem uma visão plural e necessária para compreender os desafios e oportunidades da Inteligência Artificial na educação. Sua leitura convida à reflexão, ao debate e à projeção de futuros cenários de formação mais conscientes, éticos e humanizados.

A Educação e Pesquisa publica, neste volume, um pouco mais de uma centena de artigos sobre diversas problemáticas da educação. Os textos foram escritos por pesquisadores de diferentes países, embora sejam mais comuns as produções de colegas brasileiros. A diversidade também fica evidente nas muitas temáticas abordadas, as quais envolvem, entre outros assuntos: questões do ensino em diferentes níveis de escolarização; políticas educacionais e pesquisas em áreas da educação e do ensino; aspectos históricos e atuais da educação em diferentes contextos.

Para além das comemorações, é importante destacar que, no volume 50, de 2024, contamos com um número menor de artigos publicados, se comparado com outros anos. Essa anomalia tem relação com procedimentos burocráticos enfrentados no âmbito da editoria e que se vinculam diretamente a questões financeiras. Como editores da Educação e Pesquisa, somos completamente favoráveis à divulgação aberta e à publicação sem custos para as pessoas autoras. No entanto, todo o processo de editoria, formatação e publicação envolve gastos financeiros, especialmente com revisão textual e marcação XML. Entre 2023 e 2024, fomos acometidos tanto por mudanças nas leis e diretrizes orçamentárias, quanto pela ausência de editais de fomento à publicação, o que impactou diretamente as reservas financeiras disponíveis. Em 2025, voltamos ao fluxo regular e temos despendido muitos esforços para evitar problemas semelhantes no futuro, embora a regularidade de editais e as formas possíveis de busca de fomento à publicação não estejam sob nossa alçada.

Referências

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NADAI, Elza. A educação nas constituintes. Revista da Faculdade de Educaçã o, São Paulo, v. 12, 1986. [ Links ]

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RIBEIRO, José Querino. Apresentação. Revista da Faculdade de Educação, São Paulo, v. 1, n. 1, dez. 1975. [ Links ]

7- O acesso às gravações do evento pode ser feito pelos seguintes endereços: https://www.youtube.com/live/xn55h6BxjOI e https://www.youtube.com/live/1hKumjP562Q

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