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Revista Brasileira de Política e Administração da Educação

versão impressa ISSN 1678-166Xversão On-line ISSN 2447-4193

Revista Brasileira de Política e Administração da Educação vol.39 no.1 Goiânia  2023  Epub 31-Out-2024

https://doi.org/10.21573/vol39n12023.128248 

Artigos

O ciclo de vida profissional: um estudo com professores da ETEJLN – FAETEC

The professional life cycle: a study with teachers from ETEJLN – FAETEC

El ciclo de vida profesional: un estudio con docentes desde ETEJLN - FAETEC

ANA PAULA RODRIGUES COUTINHO1 

ANA PAULA RODRIGUES COUTINHO

Doutoranda em Educação pela UCP - Universidade Católica de Petrópolis. Graduada em Pedagogia (UERJ/FEBEF), Gestão de Recursos Humanos (UNESA), Letras (UNESA), Administração (UNESA) e Mestre em Educação - TICs – Tecnologias da Informação e da Comunicação (UNESA). Pós-graduada em: Psicopedagogia, Psicomotricidade, Educação Infantil, Educação Especial/ Inclusiva com ênfase em TGD, Neuropsicopedagogia, Neurociência Aplicada à Aprendizagem (IPUB/UFRJ) e Arteterapia. Graduanda em Ciências Biológicas (UFRJ/Cederj) e Ciências da Natureza (UNESA). Atualmente é Orientadora Educacional da FAETEC - Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro.


http://orcid.org/0000-0003-3534-4172

ANTÔNIO FLAVIO MOREIRA2 

ANTÔNIO FLAVIO MOREIRA

Doutor em Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres (UCL). Realizou estágio Sênior Pós-Doutoral (UCL). Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Licenciado em Química (UFRJ). Graduado em Pedagogia pela Sociedade Universitária Augusto Motta. Graduado em Química Industrial pela Universidade do Brasil. É pesquisador 1A do CNPq. Suas pesquisas têm recebido apoio do CNPq, da CAPES e da FAPERJ. Atualmente é professor titular da Universidade Católica de Petrópolis, atuando na graduação e pós-graduação e pesquisador do CNPq.


http://orcid.org/0000-0001-7097-0238

1Universidade Católica de Petrópolis. Centro de Teologia e Humanidades. Programa de Pós-Graduação em Educação. Petrópolis, RJ, Brasil

2Universidade Católica de Petrópolis. Centro de Teologia e Humanidades. Programa de Pós-Graduação em Educação. Petrópolis, RJ, Brasil


RESUMO

Esta pesquisa se propôs a abordar o ciclo de vida profissional dos professores, em especial, os professores de uma escola técnica, pertencente a uma rede, no caso a FAETEC, nos levando a refletir sobre a formação e o trabalho docente. A formação inicial e continuada, o tempo de atuação, a formação específica e suas relações com a escola e a tarefa docente, tão específica de um curso que forma profissionais para o mercado de trabalho. Em que fases da carreira docente se encontram os professores da Escola Técnica Estadual João Luiz do Nascimento – ETEJLN – da rede Fundação de Apoio à Escola Técnica – FAETEC? Os resultados demonstraram em que fase esses professores se encontram na carreira docente, sob a análise dos parâmetros de Huberman (2007). As fases estudadas são: entrada, fase da estabilização, fase da diversificação e continuidade na carreira, serenidade, distanciamento afetivo e conservadorismo e o desinvestimento. A metodologia aplicada foi estudo de caso, com aplicação de entrevista estruturada contendo questões objetivas e discursivas, realizada pelo Google Formulário, aos docentes do Ensino Técnico e Médio. Os resultados, após análise, revelaram que a maioria dos professores se encontra na fase da Diversificação, bem como da Serenidade e Distanciamento, pelas características levantadas. O estudo verificou o modo como ocorre a formação e o trabalho dos professores, por meio da formação inicial e continuada, e possibilitou categorizar, por suas falas, os momentos em que se encontram em suas carreiras profissionais, em tempos de grandes desafios docentes. Destacou-se a importância da análise da trajetória profissional dos professores da ETEJLN, as formas como cada professor se percebe nesse processo de autorreflexão. Diante do exposto, o estudo do ciclo da vida profissional dos professores, com seus perfis — tipo, sequências e fases — levantou traços comuns nas trajetórias diversas que têm em comum a escola onde atuam.

Palavras-Chave: Vida Profissional dos Professores; ETEJLN; Formação de professores

Abstract

This research aimed to address the professional life cycle of teachers, in particular, teachers from a technical school, belonging to a network, in this case FAETEC, which leads us to reflect on training and teaching work. Initial and continuing education, length of experience, specific training and its relationships with the school and the teaching task, so specific to a course that trains professionals for the job market. What stages of the teaching career are the teachers at ETEJLN – João Luiz do Nascimento State Technical School – in the FAETEC network – Technical School Support Foundation? The results showed what stage these teachers are in in their teaching career, under the analysis of Huberman's parameters (2007), the stages studied are: entrance, stabilization stage, career diversification and continuity stage, serenity, affective distance, and conservatism and divestment. The methodology applied was a case study, with the application of a structured interview containing objective and discursive questions, carried out by Google Form, to teachers of Technical and Secondary Education. The results, after analysis, revealed that most teachers are in the Diversification phase, as well as Serenity and Distance, due to the characteristics raised. The study verified how teachers' training and work occurs, through initial and continuing training. It made it possible to categorize, through their speeches, the moments in which they find themselves in their professional careers, in times of great teaching challenges. The importance of analyzing the professional trajectory of ETEJLN teachers was highlighted, and how each teacher perceives himself in this process of self-reflection. Given the above, the study of the professional life cycle of teachers, with their profiles - type, sequences, and phases, raised common traits in the different trajectories that have in common with the school where they work.

Key words: Teachers' Professional Life; ETEJLN; Teacher training

Resumen

Esta investigación tuvo como objetivo abordar el ciclo de vida profesional de los docentes, en particular, los docentes de una escuela técnica, pertenecientes a una red, en este caso FAETEC, lo que nos lleva a reflexionar sobre la formación y el trabajo docente. La formación inicial y continuada, la duración de la experiencia, la formación específica y sus relaciones con la escuela y la tarea docente, tan propias de una carrera que forma profesionales para el mercado de trabajo. ¿En qué etapa de la carrera docente se encuentran los docentes de la ETEJLN – Escuela Técnica Estatal João Luiz do Nascimento – de la red FAETEC – Fundación de Apoyo a la Escuela Técnica? Los resultados mostraron en qué etapa se encuentran estos docentes en su carrera prefesional, bajo el análisis de los parámetros de Huberman (2007), las etapas estudiadas son: ingreso, etapa de estabilización, etapa de diversificación y continuidad de la carrera, serenidad, distancia afectiva y conservadurismo y desinversión. La metodología aplicada fue un estudio de caso, con la aplicación de una entrevista estructurada con preguntas objetivas y discursivas, realizada por Google Forms, a docentes de Educación Técnica y Secundaria. Los resultados, luego del análisis, revelaron que la mayoría de los docentes se encuentran en la fase de Diversificación, así como de Serenidad y Distancia, debido a las características planteadas. El estudio verificó la forma en que ocurre la formación y el trabajo de los docentes, a través de la formación inicial y continua, y permitió categorizar, a través de sus discursos, los momentos en que se encuentran en sus carreras profesionales, en tiempos de grandes desafíos docentes. Se destacó la importancia de analizar la trayectoria profesional de los docentes de la ETEJLN, las formas en que cada docente se percibe a sí mismo en este proceso de autorreflexión. En vista de lo anterior, el estudio del ciclo de vida profesional de los docentes, con sus perfiles –tipo, secuencias y fases– planteó rasgos comunes en las distintas trayectorias que tienen en común la escuela donde se desempeñan.

Palabras-clave: Vida Profesional Docente; ETEJLN; Formación de profesores

INTRODUÇÃO

O presente estudo aborda o ciclo de vida profissional dos professores, refletindo sobre a formação e o trabalho docente destes na escola Escola Técnica Estadual João Luiz do Nascimento – ETEJLN, pertencente à rede Fundação de Apoio à Escola Técnica – FAETEC, na perspectiva de Huberman (2000). A formação inicial e continuada, o tempo de atuação, a formação específica e suas relações com a escola e a tarefa docente tão específicas de um curso que forma profissionais para o mercado de trabalho da educação.

Cabe perguntar: existem fases que determinam os momentos profissionais vividos? É possível identificar as fases na carreira de um professor? A formação do professor acontece ao longo da carreira ou em momentos estanques?

Huberman (2000) destaca questões que foram consideradas importantes, tais como “Será que há ‘fases’ ou ‘estágios’ no ensino?”, sobre a imagem que os professores têm de si; acerca da relação entre o tempo de atuação e a competência pedagógica; quanto à satisfação com a carreira e os “melhores anos”; a existência de momentos de “tédio”, de “crise”, de “desgaste”, que afetam uma parte importante da população; analisa também sobre a aproximação dos professores com as instituições que trabalham; e por fim, que fatores distinguem, ao longo das carreiras, os professores que finalizam em “sofrimento daqueles que o fazem com serenidade?” (p. 35)

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9395/96 considera a formação continuada como direito de todos os profissionais que atuam em qualquer estabelecimento de ensino. Por meio da Formação Continuada, a progressão funcional, pautada na titulação, na qualificação e na competência profissional, oferece desenvolvimento aos professores, com plano de cargos e salários, no caso da rede FAETEC.

A Escola Técnica Estadual João Luiz do Nascimento – ETEJLN, da rede FAETEC – Fundação de Apoio à Escola Técnica, fica situada no centro de Nova Iguaçu, na rua Luis de Lima, 272. A escola foi fundada no declínio do regime militar, ainda sob a vigência da Lei n. 5692/71, que visava à formação opcional do adolescente com cursos de habilitações profissionais de 2º Grau de nível técnico e/ou de auxiliares técnicos. Em junho de 1980, através do Programa de Melhoria do Ensino – PROMEN, foi instituído o Centro Interescolar João Luiz do Nascimento, vinculado à Secretaria de Estado de Educação, ainda segundo o espírito da Lei 5692/71, cuja finalidade era oferecer cursos profissionalizantes de 2º Grau para alunos que haviam concluído o primeiro grau na rede estadual de ensino e pretendiam habilitar-se em uma das quatro áreas oferecidas (Saúde, Administração, Eletrotécnica e Edificações).

Em março de 1981, o Centro Interescolar João Luiz do Nascimento foi fundado oficialmente, adequando-se, posteriormente, à Lei n. 7.044/82 que facultava a obrigatoriedade da profissionalização no ensino de 2º Grau. O Centro funcionou vinculado à Secretaria de Educação até 1996. Em 1997 passa a ser integrado à Fundação de Apoio à Escola Pública (FAEP) que se tornou a Faetec, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, e em 1998 é reformado, equipado e entregue à comunidade para funcionar como Escola Técnica Estadual João Luiz do Nascimento.

O ensino na rede FAETEC é desenvolvido com base nos seguintes eixos tecnológicos: Ambiente e Saúde; Controle e Processos Industriais; Desenvolvimento Educacional e Social; Gestão e Negócios; Informação e Comunicação; Infraestrutura; Produção Alimentícia; Produção Cultural e Design; Produção Industrial; Recursos Naturais; Segurança; Turismo, Hospitalidade e Lazer. Os cursos técnicos já seriam de nível médio integrado, como preconizava a nova Lei de Diretrizes e Bases, Lei 9394/96, atendendo às áreas de Eletrônica, Eletrotécnica, Administração e Edificações.

O estudo do ciclo de vida profissional dos professores, em especial o dos docentes de uma escola técnica, pertencente a uma rede, no caso a FAETEC, oportuniza a reflexão sobre a formação e o trabalho docente. As questões relacionadas à formação inicial e continuada, o tempo de atuação, a formação específica e suas relações com a escola e a tarefa docente, tão específicas de uma escola que forma profissionais para o mercado de trabalho, como é a ETEJLN, criando a possibilidade da autorreflexão e da análise sobre suas trajetórias diversas que têm em comum a escola onde atuam.

Nessa perspectiva, foi usada a teorização de Huberman (2000) sobre o conceito de ciclos da vida profissional docente, para responder sobre as necessidades dos docentes em diferentes fases da carreira docente e suas necessidades em cada momento profissional. Nóvoa (2000) conceitua carreira como sendo o percurso de uma pessoa na instituição, ou em várias, e a compreensão de como as características da pessoa e da instituição exercem influência recíproca, nessa trajetória, que envolvem: ingresso, permanência ou abandono, bem como as práticas desses professores que levam em perspectiva as experiências, oportunidades e potencialidades.

FASES DA VIDA ACADÊMICA DOS PROFESSORES

A descrição do ciclo de vida profissional criada por Huberman (2000) para análise da carreira profissional traz algumas questões e fases determinantes a cada momento da vida profissional, focadas na abordagem narrativa autobiográfica, apresentadas no Quadro 1 a seguir.

Quadro 1 – Faixa etária e temas da carreira 

Anos de Carreira Fases / Temas da Carreira
1-3
4-6
7-25
25-35
35-40

Fonte: Huberman (2000).

Huberman (2000) delineou as tendências gerais do ciclo de vida dos professores, apontadas como fases, de acordo com os anos de atuação na carreira docente:

  • 1ª fase (1-3 anos): Entrada de Carreira: dividida entre estágio de “sobrevivência” e “descoberta”, na qual se encontram os docentes iniciantes;

  • 2ª fase (4-6 anos): Estabilização: “trata-se, a um tempo, de uma escolha subjetiva (comprometer-se definitivamente) e de um ato administrativo (a nomeação oficial)” (Huberman, p. 40, 2000). O docente constrói um perfil que intercala ensino, educação e procedimentos pedagógicos.

  • 3ª fase (7-25 anos): Diversificação: o professor diversifica as experiências utilizando novos materiais didáticos, novas formas de avaliar, de agrupar alunos e novas maneiras de executar o programa. Nessa fase, o profissional já possui um certo grau de segurança para experimentar novas metodologias, diferentemente do seu comportamento antes da fase da estabilização. Aqui ocorre a tomada de consciência aos fatores institucionais e a busca por reformas eficientes. Há um receio emergente de cair na rotina, dessa forma, há uma busca por atividades coletivas a fim de manter o entusiasmo pela profissão.

  • Pôr-se em Questão: Na fase de diversificação, na maior parte das vezes, as pessoas põem em questão a profissão e o seu fazer dentro dela, porém não há uma consciência muito clara a respeito do que está sendo questionado. Esses sintomas vão de uma ligeira sensação de rotina a uma crise existencial mais efetiva. Em um outro tipo de perfil de profissional, observa-se uma sensação de rotina na fase de estabilização, porém esse tipo não há uma busca por inovar as práticas.

  • 4ª fase (25-35 anos): Serenidade e Distanciamento Afetivo: Ocorre por volta dos 45 a 55 anos de idade. Essa fase reflete um momento da vida docente que já vivenciou uma série de experiências, eventos e momentos pedagógicos. Alguns docentes ultrapassam com serenidade esse momento da aposentadoria e outros afetam-se, vendo como perda do contexto educacional.

  • Conservantismo e Lamentações: Segundo Peterson (1964, apudHuberman, 2000), o professor secundário, de 50 a 60 anos, são particularmente “rezingões”. Queixam-se de alunos, da política educacional e dos colegas mais jovens. Prick (1986, apudHuberman, 2000) afirma que as mulheres deploram, em particular, a evolução dos alunos e os homens têm tendência para aceitar a ideia de que as modificações não conduzem a melhorias do sistema. Os mais conservadores são com frequência os professores mais jovens, devido à influência do meio social e político. Alguns professores não se tornam mais prudentes com a idade, nem mais rezingões.

  • 5ª fase (35-40 anos): Desinvestimento: Última fase, consiste num fenômeno de recuo e de interiorização no final da carreira profissional. Nessa fase, a tendência é rejeitar novas reformas, não por desacordo, mas pelo fato de desejar terminar a carreira “calmamente”.

Huberman (2000) definiu as cinco fases, nessa ordem apresentada, porém elas podem se desenvolver de forma não linear, de acordo com a prática de cada professor.

METODOLOGIA

A pesquisa é um estudo de caso, com objetivo de investigar o corpo docente da escola ETEJLN – FAETEC. O grupo docente foi escolhido por pertencer ao local de pesquisa da tese em construção do Doutorado da autora deste artigo, sobre Currículo Funcional. A ETEJLN conta com 86 professores, nos diversos cursos oferecidos: Administração, Edificações, Eletrônica e Eletrotécnica, da parte Técnica e do Médio. Os professores foram convidados a participar da pesquisa, dos quais 12 docentes responderam à pesquisa. Os professores da ETEJLN são concursados, possuem graduação, alguns são mestres e doutores. O instrumento de pesquisa foi a entrevista estruturada. Utilizando o Google Formulários, com perguntas objetivas e subjetivas. O link da pesquisa foi divulgado pelo grupo do Pedagógico, os professores respondentes tiveram um mês para participar da entrevista.

RESULTADOS

No Quadro 2 abaixo, foram alocadas as informações coletadas nos Formulários respondidos. Os professores foram chamados Professor do Ensino Técnico – PET e Professor do Ensino Médio – PEM e identificados por números, os nomes foram suprimidos. Traz ainda: a idade, o tempo como docente, tempo que leciona na escola de pesquisa e maior titulação. A primeira pergunta objetiva foi o aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A discussão dos dados apresenta as respostas dos educadores referentes à evolução de suas carreiras.

Quadro 2 – Participantes Respondentes da Pesquisa 

Na ETEJLN atua corno: Idade: Tempo de Docência: Tempo de docência na ETEJLN: Maior titulação acadêmica:
Professor do Ensino Médio - PEM 1 47 anos 7-25 anos até 10 anos Mestrado
Professor do Ensino Médio - PEM 2 54 anos 7-25 anos mais de 20 anos Mestrado
Professor do Ensino Médio - PEM 3 52 anos 7-25 anos mais de 20 anos Pós - Graduação Lato Sensu
Professor do Ensino Médio - PEM 4 60 anos 35-40 anos mais de 20 anos Mestrado
Professor do Ensino Médio - PEM 5 39 anos 7-25 anos até 05 anos Graduação
Professor do Ensino Médio -PEM 6 49 anos 25- 35 anos mais de 20 anos Mestrado
Professor do Ensino Médio - PEM 7 49 anos 25- 35 anos mais de 20 anos Doutorado
Professor do Ensino Médio- PEM 8 58 anos 25- 35 anos mais de 20 anos Pós - Graduação Lato Sensu
Professor do Ensino Médio - PEM 9 47 anos 7-25 anos até 10 anos Doutorado
Professor do Ensino Técnico - PET 1 64 anos 7-25 anos até 20 anos Pós - Graduação Lato Sensu
Professor do Ensino Técnico - PET 2 72 anos 4-6 anos mais de 20 anos Pós - Graduação Lato Sensu
Professor do Ensino Técnico - PET 3 62 anos 25- 35 anos mais de 20 anos Pós - Graduação Lato Sensu

FONTE: Elaborado pelos autores

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Tendo por base o ciclo de vida dos professores de Huberman (2000) levando em conta os professores de cursos profissionalizantes da ETEJLN, escola de Nova Iguaçu, seguem as considerações, nas quais é possível destacar, através dos dados levantados e nas respostas apresentadas, quais fases do ciclo de vida os professores encontram-se na carreira docente. A maioria dos professores não citou salário ou plano de carreira, mas sim posturas profissionais e achados sobre suas práticas, segundo pode-se observar nas figuras abaixo:

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 1 : Atuação na ETEJLN 

A questão sobre a atuação dos respondentes, 75% são professores das disciplinas do Ensino Médio e 25% de professores da área Técnica.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 2 : Idade 

Quanto à idade dos respondentes, a maior idade é 72 anos e a menor 39 anos, ficando todos os demais nesse intervalo.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 3 : Tempo Docente 

Quanto ao tempo enquanto docente, a maioria, 50%, encontra-se de 7 a 25 anos de formação docente, representando a fase da Diversificação, seguido de 33,3% de 25-35 anos, que representa a fase da Serenidade e Distanciamento Afetivo. Esses intervalos temporais utilizados como opções (não lineares) acompanham as tendências do ciclo de vida dos professores sinalizadas por Huberman (2000) citadas como fases, de acordo com os anos de atuação na carreira docente.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 4 : Tempo na ETEJN 

Quanto à atuação na ETEJLN, a maioria, 67,7% têm mais de 20 anos de atuação na ETEJLN.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 5 : Maior Titulação 

Sobre a formação dos professores: 8% apenas graduação, 41,7% possuem Pós-Graduação Lato Sensu, 33,4% Mestrado, 16,7% Doutorado e nenhum deles possui Pós-Doutorado.

Dos professores respondentes, temos 03 do Ensino Técnico e 09 do Ensino Médio, dos quais a maioria possui entre 40 e 60 anos, a maioria já atua em torno de 25 anos e trabalha na escola em questão há 20 anos. A Formação Inicial deu-se na área de entrada no concurso público da rede Faetec e os cursos de formação continuada ocorreram nas áreas de aperfeiçoamento e outras especializações, além de outras licenciaturas, a maioria dos professores ainda não tem Doutorado, alguns possuem Mestrado, a maioria cursou Pós-Graduação Lato Sensu.

Quanto às fases na carreira docente, mapeando a situação dos docentes em relação às etapas na carreira profissional, o objetivo de verificar as fases dos professores da ETEJLN – FAETEC, foi alcançado na análise dos depoimentos em que as situações apontadas por Huberman (2000) podem ser visualizadas nas falas dos entrevistados, em que eles conseguem perceber a evolução em suas carreiras docentes.

A questão sugerida foi:

‘Será que há ‘fases’ ou ‘estágios’ no ensino?’ ‘Será que grande número de professores passam pelas mesmas etapas, as mesmas crises, os mesmos acontecimentos-tipo, o mesmo termo de carreira, independentemente da ‘geração’ a quepertencem, ou haverá percursos diferentes, de acordo com o momento histórico da carreira?’ (HUBERMAN, 2000, p. 35).

Destacam-se as respostas a seguir:

PET 1: Minha carreira profissional começou aos 18 anos como Técnica em Edificações trabalhando em empresa de controle de qualidade em materiais e processos da Construção Civil. Depois de formada em arquitetura, trabalhei em diversos segmentos da arquitetura, tais como Projetos Residenciais, Arquitetura Promocional, Decoração de Interiores entre outros. Paralelo à vida profissional na área da minha formação inicial, sempre estive envolvida em transmitir o meu conhecimento. Ainda no tempo de curso técnico trabalhei na alfabetização de adultos no antigo "Mobral". Fui professora contratada em alguns cursos técnicos antes mesmo de completar a licenciatura e sempre nas empresas em que trabalhei era levada a dar treinamento para os novos colaboradores. Essa experiência no ensinar e transmitir conhecimento me levaram a abraçar a carreira docente de forma definitiva, após os 45 anos de idade, me sentindo mais preparada e capacitada como educadora.

PET 3: Acredito que a pergunta que inicia este questionamento procede em relação que há fases e estágios em minha trajetória. Há um aprendizado constante e as mudanças são necessárias a partir da própria observação do professor na aplicação de seus métodos de ensino, bem como a busca por formação continuada e suas aplicações nos traz novas diretrizes e mudanças na forma de lecionar, avaliar, relacionamento professor-aluno e ensino-aprendizagem. A própria segurança e domínio dos assuntos aplicados durante o decorrer dos anos faz com que as abordagens das formas de ensinar e aprender sofram constantes mudanças na metodologia usada do início da carreira para a plenitude dela.

PEM 2: Acredito que cada ser humano é único, assim como sua trajetória acadêmica e profissional. As experiências são únicas. Minha trajetória foi sempre estudando Química. Cheguei a trabalhar como Química em uma grande empresa, mas ao término de dois anos o meu contrato foi encerrado. O concurso para o magistério foi uma forma de conseguir um emprego. Na época havia muitas vagas para o magistério. Com o tempo, me identifiquei com a profissão… Hoje em dia, sou imensamente grata ao magistério.

PEM 7: De fato, o início de carreira abre uma perspectiva de sonhos, de uma atuação mais efetiva para mudança da realidade social. No momento próximo à aposentadoria, o desejo de transformação continua, porém sinto que foi superdimensionado ao longo da trajetória.

PEM 1: Comecei a carreira docente há vinte anos, inicialmente como professor de enfermagem, depois, terminada a licenciatura em filosofia, como professor de filosofia. Estou na ETJLN há oito anos, oferecendo a disciplina no ensino médio. Acredito que hoje esteja no melhor momento da minha carreira.

As respostas acima remetem aos pensamentos sobre a vida profissional dos professores. Eles puderam optar por se reportarem ao início, à trajetória ou ainda ao seu cotidiano. É possível perceber, nas falas dos professores, uma inquietação com a própria formação. Citam a importância de realizar cursos e manterem-se atualizados:

PEM 4: Atualmente, pensando em uma transição de carreira, fiz a graduação em Psicologia, que era um sonho. Atividade que pretendo dar continuidade e me aperfeiçoar nesta área.

PEM 6: Iniciamos na área Esportiva de alto rendimento, passamos para a SEGURANÇA dos concursos públicos tendo migrado de matrículas em prefeituras de pequeno porte até chegar à Faetec e Seeduc. Desde 1998 em ambas.

PEM 8: Acredito que com o passar dos anos fui me aperfeiçoando cada vez mais, aprendendo a cada dia com novas experiências e oportunidades.

Na análise das falas de um dos professores, a palavra “aposentadoria” surgiu, onde foi possível identificar a fase em que se encontra, Desinvestimento, que consiste numa ação de recuo e de interiorização no final da carreira profissional.

PEM 2: Acho que, com o passar dos anos, fiquei menos competente em relação à tecnologia. Os avanços tecnológicos foram muitos e tenho a sensação de ter parado no tempo.

PEM 7: Creio que, ao longo dos tempos, as competências transformam-se. Hoje, por exemplo, no campo relacional, sinto-me mais conectada com o espaço escolar, porém, a criatividade sofreu redução.

Interessante destacar que as falas dos professores entrevistados indicam o aperfeiçoamento de suas funções, bem como a diversificação de suas práticas, demonstrando terem desenvolvido novas formas de professorar. A fase da Diversificação, na qual: “Os professores, nesta fase das suas carreiras, seriam, assim, os mais motivados, os mais dinâmicos, os mais empenhados nas equipes pedagógicas ou nas comissões de reforma (oficiais ou ‘selvagens’) que surgem em várias escolas” (HUBERMAN, 2000, p. 42), enquadra-se nas falas abaixo:

PEM 3: Considero minha trajetória profissional produtiva. Gosto da profissão que escolhi e da profissional que me tornei.

PET 1: O conhecimento e domínio do que tenho a transmitir. A adequada argumentação aos assuntos que me são pertinentes. Principalmente a empatia com o ser ao qual pretendo, a cada ano, ajudar a transformar, indo além do conhecimento técnico e o ajudando na sua construção como cidadão, visto ter como público-alvo: adolescentes.

PET 3: O planejamento escolar através de um calendário de eventos anual, a ser seguido, com a interação da comunidade escolar, faz com que pensemos de forma coletiva na aplicação da Interdisciplinaridade e temas transversais a serem aplicados por cada atividade a ser desenvolvida segundo o calendário de eventos, fazendo com que os métodos de ensino sejam aprimorados, sem perda do conteúdo clássico da disciplina, ou seja, faz você pensar agregando competências.

PEM 4: Na minha atuação como professora, entendo que fui aperfeiçoando a minha relação com os alunos, a metodologia de trabalho, a minha flexibilidade, a minha escuta.

PEM 1: Acredito que haja um momento em que um professor se encontra mais sintonizado com os dilemas e desafios de sua época.

Na fase Conservantismo e Lamentações, os professores passam da serenidade para o conservantismo. Os docentes chegam ao conservantismo de várias maneiras: seja por um questionamento mais prolongado, na sequência de uma reforma estrutural que fracassa ou face a uma reforma a que se opõem. Apenas um professor do Médio colocou-se nesse sentido: PEM 3: “Trajetória de muito trabalho e pouco reconhecimento”.

Sobre os estágios no ciclo profissional dos professores, Huberman (2000 p.35) questiona: “As pessoas tornam-se mais ou menos ‘competentes’ com os anos? Em caso afirmativo, quais são os domínios de competência pedagógica que entram em jogo?” Foi perguntado aos professores se eles concordavam ou não com essa visão sobre essa “competência” construída com os anos. As respostas indicam concordância e as habilidades e competências que atribuem aos estágios:

PEM 8: A experiência no “domínio” de turma, no trato com os alunos.

PEM 3: O domínio da oratória. A percepção das características do aluno enquanto indivíduo. Apesar de muitas vezes não conseguir dar a devida atenção por causa do tamanho das turmas.

PEM 5: Sim, concordo. Eu aprendi a ser mais paciente e ouvir mais as pessoas, sendo meus alunos ou não.

PEM 6: Uma das competências de domínio é a gestão de grupos heterogêneos.

PEM 8: Acredito que sim, porque experiência é tudo na minha profissão.

Um professor discordou:

PET 1: Não, com o passar dos anos, adquirimos experiência, e não competência, o que são “domínios” muito diferentes. A competência adquire-se com o Estudo em busca do conhecimento sobre de um determinado assunto, enquanto a experiência é fruto do exercício dessa competência.

Ainda sobre os estágios no ciclo dos professores, ressalto as afirmativas onde se destaca a visão desse processo de evolução:

PET 2: Cada indivíduo tem suas “propensões e deficiências” e oportunidade. Assim, embora tenhamos o mesmo objetivo, por questões de justiça, o percurso para o aprendizado e evolução de cada indivíduo é diferente.

PEM 9: Existem estágios, estou em um bom momento profissional.

Pelo tempo de docência dos entrevistados, não temos a fase do Entrada na Carreira, período em que os professores estão recém-chegados à profissão docente. No Quadro 3 abaixo, os professores respondentes foram distribuídos de acordo com as fases do ciclo de vida profissional de Huberman (2000):

Quadro 3 – Fases dos Professores Respondentes da Pesquisa 

Anos de Carreira Fases da Carreira Docentes Respondentes ETEJLN
1-3 Entrada -
4-6 Estabilização PET 2
7-25 Diversificação PEM 1 – 2 – 3- 5 – 9 / PET 1
25-35 Serenidade e Distanciamento PEM 6- 7 – 8 / PET 3
35-40 Desinvestimento PEM 4

FONTE: Elaborado pelos autores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das exposições das falas acima, foi possível visualizar de que forma os professores entrevistados definem suas trajetórias através dos tempos. Fica esclarecido também que o ciclo de vida dos professores é uma constante na carreira docente.

O texto de Huberman (2000) indica a importância da análise da trajetória profissional dos professores da ETEJLN, as formas como cada professor se percebe nesse processo de autorreflexão. Tendo em vista que a maioria dos professores se encontra em idade madura e com muitos anos de docência, era de se esperar que a fase da Diversificação fosse mais apontada, bem como a da Serenidade e Distanciamento.

Importante frisar que a escola se encontra em um tempo de retorno às aulas, pós-afastamento social provocado pela covid-19, em que os alunos da rede FAETEC ficaram em ensino remoto de março de 2020 a agosto de 2021, quando a escola retornou com o modelo híbrido. No ano desta pesquisa, retomou-se o ensino presencial e integral em toda a rede FAETEC.

Diante do exposto, o estudo do ciclo profissional da vida profissional dos professores, com seus perfis — tipo, sequências e fases — propõe-se a levantar traços comuns nas trajetórias diversas que têm em comum a escola onde atuam, além de indicar a maneira como ocorre a formação e o trabalho dos professores, por meio da formação inicial e continuada, e nos possibilita categorizar por suas falas os momentos em que se encontram em suas carreiras profissionais em tempos de grandes desafios docentes.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério de Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 1996. Disponível em: lei 9394.pdf (mec.gov.br). Acesso em: 20 jun. 2022. [ Links ]

FONTANINI, C. A. C.; FILIPAK, S. T.; KRAST, J.. As fases na vida dos professores: Um estudo com professores do curso de administração em uma instituição de educação superior privada no Brasil. Revista ESPACIOS, v. 38, n. 35, 2017. Disponível em: a17v38n35p15.pdf (revistaespacios.com). Acesso em: 16 jun. 2022. [ Links ]

HUBERMAN, M. O ciclo de vida profissional dos professores. In: NÓVOA, A. (Org.). Vidas de professores. 2. ed. Porto: Porto, 2000. p.31-61. Disponível em: (PDF) Huberman-m-o-ciclo-de-vida-profissional-dos-professores | Douglas Weiss - Academia.edu. Acesso em: 14 abr. 2022. [ Links ]

NÓVOA, A. (ORG.) Os professores e suas histórias de vida. In: NÓVOA, A. (org.) Vidas de professores. Portugal: Porto Editora, 2 ª edição, 2000, p. 11-30. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/353918823/NOVOA-A-Vidas-de-professores-pdf. Acesso em: 16 jun.2022. [ Links ]

Recebido: 31 de Outubro de 2022; Aceito: 01 de Janeiro de 2023

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