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Escolas, famílias e instituições religiosas: tensões e resistências

PID: S0104-40602025000102505 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Seffner Klein Vargas
RESUMO O artigo se debruça nas fronteiras entre famílias, escolas e religiões, flagrando disputas e tensões no governamento dos infantis e dos jovens. Inicialmente recuperamos elementos essenciais para compreender o papel educativo e legal das famílias, das escolas e das religiões no ordenamento jurídico brasileiro. Após, realizamos a análise empírica das situações de tensão, feita a partir de acervo de notícias de jornais brasileiros, coletadas no intervalo de 2022 a 2024, em que o relato de disputas foi apresentado. Uma vez constituído o acervo, foram selecionados dois eixos temáticos de análise: o que envolvia disputas em relação a festas escolares, e o que envolvia disputas em torno da censura de livros em temas de raça, gênero e sexualidade. Concluímos reconhecendo a complexidade dessa tríplice fronteira, famílias, escolas e religiões, e apontamos elementos que não devem ser esquecidos para arbitrar tais disputas.

História da organização administrativa da educação em São Paulo: um panorama da produção acadêmica

PID: S0104-40602025000100136 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Oriani
RESUMO O objetivo deste artigo é identificar e caracterizar a produção acadêmica que aborda historicamente a organização administrativa da educação no estado de São Paulo. Para tanto, o texto recupera e discute as interpretações de dissertações de mestrado e teses de doutorado, de modo a inquirir os agenciamentos feitos pelos pesquisadores no tratamento dado ao tema. Até o momento, foram localizados 11 trabalhos acadêmicos, dentre os quais: seis teses de doutorado e cinco dissertações de mestrado. O texto mais antigo é de 1974 e o mais atual é de 2019. A partir da análise do material, tem sido possível notar que os textos discutem a articulação entre a especialização do Estado com a oferta de serviços públicos e a consolidação de um aparato administrativo para tratar da educação. No conjunto das pesquisas, é significativa a quantidade que fez uso da legislação como fonte documental, assim como a que mobilizou referencial teórico amparado nas discussões de Max Weber acerca das organizações modernas para problematizar os processos burocráticos e hierárquicos de produção do aparelho educacional paulista. As discussões realizadas evidenciam que a ampliação do debate sobre o tema pode contribuir para aprofundar as interpretações até então consolidadas, a partir do uso de novas fontes documentais ou de outros referenciais teóricos.

Igualdade de gênero na e por meio da educação: análise crítica da estratégia da UNESCO em meio à guinada neoliberal e neoconservadora

PID: S0104-40602025000100140 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Segat Vieira Caetano
RESUMO Em um contexto de desigualdades sociais e crise ambiental, cria-se os ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a partir de uma proposição da ONU - Organização das Nações Unidas. Dentre esses objetivos, ressaltam-se os de número quatro e cinco, que propõem enfrentar, respectivamente, desafios na área da educação e na desigualdade de gênero. Este artigo busca estudar uma estratégia elaborada pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - que se alinha aos ODS nº 4 e 5, pois pressupõe a busca da igualdade de gênero na e por meio da educação. O artigo discute tal estratégia, problematizando-a no que diz respeito ao seu alinhamento a discursos neoliberais e neoconservadores. A estratégia, embora paute a igualdade de gênero, se aproxima de uma discussão do feminismo liberal ao não questionar a relação entre o capitalismo e a opressão das mulheres. Também abarca um modelo de educação vinculado à noção neoliberal de “capital humano” e de desenvolvimento econômico, valorizando o acesso das mulheres à ciência e ao mercado de trabalho a partir da educação e silenciando acerca de questões centrais como trabalho do cuidado e as especificidades estruturais do contexto de cada país, sobretudo no Sul Global, onde o racismo e a colonialidade ainda vigoram.

Infância, escola e território: reflexões a partir de uma ocupação urbana em Belo Horizonte

PID: S0104-40602025000100132 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Bizzotto Gouvêa Carvalho
RESUMO Este artigo tem como objetivo contribuir para a reflexão sobre a relação entre escola, infância e movimentos sociais, em diálogo com abordagens que trazem os sujeitos e o território no qual a escola se situa para o centro da análise. Procuramos compreender o impacto numa escola pública da presença de crianças das 1.500 famílias da ocupação Rosa Leão, localizada no município de Belo Horizonte, Minas Gerais. Serão analisados resultados de uma pesquisa com crianças moradoras da ocupação, com maior enfoque nos dados das entrevistas semiestruturadas, realizadas com famílias, coordenadoras da ocupação e representantes dos serviços públicos do território. Primeiramente, discutimos a educação como um direito que garante a permanência de famílias no território e analisamos como a chegada das crianças da ocupação modificou a dinâmica de uma instituição escolar, atravessada por uma história de mobilização social e de implementação de políticas de Educação Integral. Em seguida, argumentamos que a circulação das crianças por outros serviços públicos no território colaborou na articulação de uma rede de proteção, na qual a escola se destaca. Por fim, levantamos possíveis contribuições para o debate contemporâneo sobre os direitos das crianças na sua articulação com os movimentos sociais e a educação.

Infâncias da terra amazônica rondoniense: narrativas e representações das crianças do meio rural

PID: S0104-40602025000100127 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Silva Barros
RESUMO Esta pesquisa tem como objetivo identificar e analisar parte das representações das infâncias de quarenta e seis crianças pequenas da faixa etária entre quatro e cinco anos de idade, matriculadas na educação infantil em três escolas rurais, no contexto da região amazônica rondoniense, do Vale do Jamari, município de Ariquemes, norte do Brasil. Para tanto, pautamos nossa perspectiva na seguinte indagação: o que as crianças mais gostam de fazer? Em termos metodológicos por meio da pesquisa-ação, valemo-nos da observação direta sobre o transporte e cotidianos escolares das crianças matriculadas na pré-escola. Além disso, para a constituição da análise, valorizamos fragmentos de narrativas orais em rodas de conversas, registros iconográficos na condição de fotografias e desenhos livres, além do caderno de campo, entre outros materiais que compuseram as etapas da investigação. Após a coletadas e sistematizadas das fontes, percebemos que as crianças pequenas expressaram parte de suas percepções sobre temas variados e autênticos, preferencialmente: brincadeiras, natureza e família.

Leitura e escrita no currículo e nas práticas da Educação Infantil: um estudo de caso de Belo Horizonte (MG)

PID: S0104-40602025000100134 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Braga Pereira Barbosa
RESUMO Este trabalho teve como objetivo identificar e analisar práticas em instituições de Educação Infantil públicas e conveniadas de Belo Horizonte (Minas Gerais). O foco foi avaliar a qualidade das oportunidades de aprendizagem que envolvem a leitura e escrita, em suas interfaces, levando em consideração as especificidades das práticas estabelecidas para a primeira etapa da Educação Básica em documentos nacionais e municipais. Levaram-se em consideração as contribuições dos campos da infância, da Educação Infantil, da alfabetização e do letramento; e da formação de pequenos leitores. Foi feito estudo de caso a partir de dados extraídos de investigação de 2021, que visou à avaliação da qualidade dos ambientes de aprendizagem da Educação Infantil. Cabe considerar que a coleta de dados ocorreu em um período de retorno gradual das crianças às escolas, com protocolos de distanciamento, de limitação da socialização de materiais coletivos e de redução de quantitativo por sala. Os dados apontam que poucas foram as situações em que a leitura e a escrita estiveram presentes nas práticas durante as observações. Além disso, quanto menor é a criança, menor é o trabalho com livros literários e outras materialidades. O estudo revela práticas que ainda precisam ser problematizadas, no que diz respeito à importância de um trabalho pedagógico que permita às crianças vivenciarem experiências significativas de aprendizado dos conhecimentos relacionados à leitura e à escrita, ampliando suas possibilidades de participação reflexiva, crítica, autônoma e competente na cultura escrita.

O Tigre na Jangada: exclusão e contradição na rotina de um aluno bolsista na escola privada

PID: S0104-40602025000102511 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Golbspan Gandin
RESUMO Este trabalho de pesquisa procura contribuir com o campo de estudos sociológicos da educação a respeito das relações família-escola. Com essa intenção, a investigação tem como objetivo compreender como um jovem bolsista de família de classe trabalhadora, de uma turma de segundo ano do Ensino Médio de uma escola privada de classe média alta, enfrenta a exclusão na sua rotina escolar. Explorar uma excepcional contradição de classe - um aluno de família de classe trabalhadora na escola de classe média alta - abre caminho para a compreensão dos processos de exclusão no interior da escola privada brasileira, que ainda permanece como uma “caixa fechada” sociológica. Metodologicamente, é mobilizada a “imaginação etnográfica”, de acordo com Paul Willis, sendo apresentadas cenas da rotina escolar decorrentes de observação participante, além de entrevistas com estudantes e professores. A discussão indica as diversas dimensões do processo de exclusão por que passa o aluno pesquisado no interior da escola privada, destacando-se: 1) o poder simbólico e a desigualdade material operando em articulação no dia a dia do processo de escolarização do aluno bolsista; 2) a legitimação institucional, através dos discursos escolares, a respeito do fracasso escolar do estudante; 3) as formas de mediação e negociação com que o aluno, ativamente, responde à exclusão escolar. Os resultados da pesquisa apontam para a importância da investigação microssociológica, no interior das escolas, para a devida compreensão, e interrupção, das desigualdades educacionais.

O brincar das crianças e os discursos sobre o digital: risco e dispositivo da periculosidade

PID: S0104-40602025000100133 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Habowski Ratto
RESUMO O artigo analisa como o dispositivo da periculosidade é mobilizado na produção de discursos educacionais que tematizam o brincar das crianças e as tecnologias digitais. Fundamentando-se na perspectiva genealógica foucaultiana, a investigação toma como corpus dissertações e teses defendidas em Programas de Pós-Graduação em Educação, problematizando os efeitos de verdade que se produzem nessas enunciações. O estudo mostra que tais produções discursivas operam uma infantilização da infância, sustentando a ideia de que o contato das crianças com dispositivos digitais compromete sua pureza, espontaneidade e desenvolvimento saudável. As tecnologias são recorrentemente representadas como ameaças intrínsecas à integridade física, emocional e moral das crianças, sendo associadas ao declínio da infância ou mesmo ao seu desaparecimento. O dispositivo da periculosidade atua, nesse contexto, como uma engrenagem de regulação que convoca práticas de gestão de risco e vigilância preventiva, instaurando uma racionalidade que interpela famílias, escolas e profissionais da saúde a intervirem sobre as condutas infantis. Conclui-se que o risco se configura como estrutura organizadora da experiência infantil na Modernidade Tardia, operando como estratégia de governamento das condutas, ao instaurar uma infância sujeitada por alertas, disciplinada por prescrições e mobilizada pelo medo. A criança que emerge desses discursos é aquela que deve ser constantemente protegida, corrigida e normalizada - não apenas contra os perigos do mundo, mas, sobretudo, contra os riscos que supostamente carrega em si mesma ao brincar com as tecnologias digitais.

O produto educacional no mestrado profissional em educação: possibilidades de socialização do conhecimento

PID: S0104-40602025000100125 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Buss Mafezoni
RESUMO Este artigo objetiva apresentar o produto educacional como possibilidade de socialização do conhecimento construído na formação continuada coletiva de professores, profissionais da educação e colaboradores, visando à inclusão escolar de estudantes com deficiência, por meio de uma pesquisa de mestrado profissional em educação, realizada em um município da região serrana do Espírito Santo. Sustenta-se nos pressupostos teóricos de Lev S. Vygotsky e António Nóvoa, embasada nos conceitos de mediação e de interação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, um estudo de caso do tipo etnográfico que utiliza, como instrumentos de produção de dados, a observação participante, questionários aberto e fechado, entrevistas semiestruturadas e grupo focal. O trabalho destaca como resultados a importância da constituição de espaços formativos comprometidos com a criação de um coletivo dentro das escolas, marcado pela partilha de diversos saberes, pela colaboração e participação de todos os seus integrantes no processo de inclusão escolar.

Os interesses do capital presentes na educação pública paranaense

PID: S0104-40602025000100138 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Souza Lima Schneckenberg
RESUMO A crescente participação do capital privado na gestão e financiamento da educação brasileira, por meio de parcerias público-privadas, configura-se como um tema de relevância no campo das políticas educacionais. Este artigo investiga as influências e implicações dessa inserção na formação da juventude brasileira, problematizando as implicações no processo de construção de uma sociedade justa, igualitária e verdadeiramente democrática. O estudo analisa as parcerias e/ou convênios firmados pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná (SEED-PR) e o setor privado, entre os anos de 2019 e 2023, através de uma análise documental das informações disponibilizadas no site institucional da SEED-PR, mapeando as relações estabelecidas nesse período e suas implicações nas políticas educacionais decorrentes. Os resultados revelam uma marcante influência do setor privado na educação pública paranaense, em que o discurso do desenvolvimento profissional e do empreendedorismo é utilizado para justificar a inserção de valores capitalistas e individualistas no sistema educacional, com implicações na reprodução das desigualdades sociais. A educação se molda de acordo com os interesses e prioridades do mercado, em detrimento do desenvolvimento integral da juventude. O mapeamento dos agentes privados e suas formas de atuação contribui para o debate sobre os rumos da educação pública no Paraná, evidenciando uma tendência à privatização e desresponsabilização do Estado.

Participação das famílias na gestão educacional: o lugar dos pais-professores

PID: S0104-40602025000102508 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Alcantara Resende
RESUMO O artigo analisa as interações entre mães, pais e responsáveis participantes de uma ação pública, proposta por representantes de famílias no Conselho Municipal de Educação (CME) de Belo Horizonte. A ação pública, que tinha a intenção de incrementar a participação desse segmento na gestão democrática da educação no município, foi objeto de uma pesquisa que incluiu: observação participante nas sessões do CME, nos eventos organizados durante a ação pública, na Conferência Municipal de Educação; aplicação de questionários; realização de entrevistas e inúmeras conversas informais com gestores e responsáveis que participaram do processo. O referencial teórico abarcou pesquisas sociológicas sobre relações família-escola e estudos etnográficos sobre processos de participação. Tal literatura indica que, embora haja uma forte pressão pela concertação apoiada no discurso da parceria família-escola, os responsáveis possuem visões de educação, valores, posturas e interesses diversos. No caso analisado, identificamos uma tensão nas relações entre os responsáveis que eram, também, profissionais da rede pública (responsáveis-professores) e os demais. Essa tensão, condicionada pelos diferenciais de classe, raça, gênero, capital cultural e profissional, relacionava-se às diferenças de posição organizacional, visões, interesses e prioridades; às ambiguidades da identidade dupla de responsável e de profissional da educação, bem como ao próprio status do movimento de responsáveis naquele contexto. A análise pode trazer contribuições para a compreensão dos desafios envolvidos nas propostas de parceria família-escola e de participação parental na gestão dos sistemas de ensino.

Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio

PID: S0104-40602025000100142 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Fernandes-Silva Silva Pacheco
RESUMO O objetivo deste artigo é discutir o financiamento em educação pública como condição para implementar uma política nacional de Ensino Médio que atenda às necessidades e aos anseios das juventudes brasileiras. Trata-se de estudo de cunho teórico-bibliográfico realizado com base em textos legais e documentos. Para interpretar e refinar as informações dos documentos e a constituição do corpus de dados adotou-se a Análise de Conteúdo (Bardin, 2016). Concluiu-se que: i) a reforma do Ensino Médio segue orientação de organismos internacionais que influenciam políticas de formação das juventudes, a despeito de resistências à sua implementação; ii) a meta 20 do atual PNE e suas estratégias tendem a ser retomadas no PNE 2025-2035, conforme texto final elaborado pelo Fórum Nacional de Educação (FNE) e enviado ao Ministério da Educação para subsidiar a elaboração do Projeto de Lei; iii) a CONAE 2024 reafirma a necessária ampliação do percentual do PIB aplicado em educação; iv) é fundamental que a sociedade civil se organize para defender as bases do texto aprovado na CONAE 2024; v) sem um planejamento robusto e financiamento público, as políticas voltadas ao Ensino Médio serão inviabilizadas.

Plágio e citação: percepções de pós-graduandos em educação

PID: S0104-40602025000100121 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Lopes Forgas Cerdà-Navarro
RESUMO Este estudo analisa a compreensão de mestrandos e doutorandos em Educação sobre o plágio, a questão do autoplágio e a capacitação pelo domínio das normas de citação, com vistas a evitar a má conduta acadêmica. O artigo, além de tratar de alguns dos aspectos convergentes na literatura internacional sobre o conceito de plágio, frisa que a discussão não se encerra com a definição de suas tipologias, comportando também temas ligados a outros comportamentos ilícitos, como a fraude, o ludibrio (Carrol, 2016) e o autoplágio (Diniz; Terra, 2014; Phyo et al., 2022). Foi adotado o método análise de conteúdo (Bardin, 2011) para o exame das 17 entrevistas realizadas com pós-graduandos e ocorreu a exploração do resultado de 123 questionários. Dessa forma, a pesquisa integra a dimensão do levantamento quantitativo ao qualitativo no processo de análise, em perspectiva descritiva e exploratória. Em conclusão: todos os pós-graduandos compreendem o que é o plágio, mas o autoplágio é uma “figura estranhada” quando associado ao plágio. Há uma régua moral e ética para a escrita do texto acadêmico, que é utilizada a partir da crença na normalização, pela via da citação, para evitar o plágio. Entretanto, tal régua se defronta com limites e desvios.

Por uma sociologia da relação escola-família

PID: S0104-40602025000102501 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Silva
RESUMO O presente artigo corresponde a um ensaio pessoal onde proponho o uso da expressão sociologia da relação escola-família. Para tal, apresento elementos de legitimação social e teórica - por exemplo, através da análise de centenas de publicações nos mais variados formatos, assim como da referência à organização de eventos académicos e científicos - que, em minha opinião, sustentam tal proposta ao apontarem para a existência, desde há décadas, quer de um campo/problemática da relação escola-família, quer de uma prática consolidada de análise sociológica da mesma. Simultaneamente, apresento, de forma sucinta, a minha própria conceção de uma sociologia da relação escola-família.

Quando a professora brinca, aprende a ensinar as crianças a brincar? Experiências em processos formativos

PID: S0104-40602025000100124 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Bersch Ribeiro Finoqueto
RESUMO Objetivamos identificar a ressonância de vivências e experiências corporais na prática pedagógica de professoras atuantes na Educação Infantil a partir da participação em um curso de formação continuada. As participantes eram 30 professoras e os instrumentos utilizados foram diários de campo, memoriais descritivos, relatórios de feedback, imagens das experimentações das professoras com as crianças, a avaliação final e análise de conteúdo. As docentes não tinham clareza sobre como propor, de forma coesa e objetiva, estratégias e práticas educativas pela via corporal, entretanto, a formação continuada possibilitou a ressignificação das práticas pedagógicas no cotidiano da Educação Infantil.

Relações família-escola na contemporaneidade: novas configurações sociais e os desafios dos contextos educacionais em transformação

PID: S0104-40602025000102500 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Nogueira Coutinho
RESUMO O inescapável vínculo social entre instituições escolares e famílias nem sempre foi objeto analítico privilegiado pela Sociologia da Educação. Somente a partir da década de 1950 a família foi amplamente considerada nas pesquisas da área, que se dedicaram a encontrar as causas sociais das disparidades de rendimento escolar. Posteriormente, em investigações realizadas nos anos 1960 e 1970, o campo sociológico avançou no entendimento dos fatores de classe que, transmitidos pela família, determinavam a conservação das estruturas sociais por serem mais ou menos congruentes com os princípios, práticas e atitudes requeridos pelo universo escolar e acadêmico. Se a relação família-escola tem sido objeto proeminente de estudos científicos desde a segunda metade do século XX, a eleição do tema como objeto de políticas públicas específicas tem ganhado terreno principalmente a partir dos anos 1990. No Brasil, desde o início dos anos 2000, a tão propalada “parceria entre a família e a escola” tem protagonizado diversos instrumentos normativos, incentivos estatais e investimentos privados. A temática ganhou ainda mais destaque nos últimos 20 anos, quando assistimos, em diferentes ambientes (acadêmicos, escolares e arenas políticas), à intensificação das discussões sobre as funções da escola, notadamente em relação aos papeis educativos da família. Acreditamos que este dossiê, ao apresentar perspectivas de análise e constructos metodológicos ainda pouco mobilizados pela pesquisa da área, assim como investigações sobre temas incipientes, oferece um conjunto de reflexões bastante fecundas para a compreensão das desigualdades educacionais, do dinamismo e diversidade das configurações familiares, e das transformações dos mercados escolares.

Socialização Profissional do Professor Iniciante de Educação Física: sentidos e aprendizagens constituídos na relação com os estudantes

PID: S0104-40602025000100129 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Pessoa
RESUMO Discorre sobre os primeiros anos de docência em Educação Física. Tem como objetivo analisar os sentidos do processo de socialização profissional do professor iniciante em Educação Física na relação com seus alunos e as implicações na aprendizagem docente. Adotamos uma atitude denominada de qualitativa, com subsídio na pesquisa (auto)biográfica. Participaram do estudo cinco professores iniciantes. Optamos por utilizar a pesquisa-formação por meio do Ateliê biográfico de desenvolvimento profissional docente. As narrativas orais e escritas se configuraram em materiais reflexivos para a pesquisa. A socialização com os estudantes foi marcada pelo reconhecimento dos seus papéis profissionais. A receptividade dos alunos afetou o desenvolvimento pedagógico dos iniciantes. O predomínio da cultura esportiva ensejou conflitos no planejamento e prática pedagógica. Os primeiros anos de docência necessitam serem acompanhados e tratados como etapa formativa com atenção para os processos simbólicos, buscando favorecer uma aprendizagem positiva da profissão.

Trajetórias de sucesso escolar em meios populares: ruptura ou conformismo?

PID: S0104-40602025000102510 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Piotto
RESUMO A construção de trajetórias de sucesso escolar em meios populares constitui-se hoje como um importante objeto de estudo na literatura científica nacional e internacional. Um aspecto presente em várias pesquisas sobre o tema é o fato de ele ser entendido, de modo geral, a partir de uma visão que enfoca a ruptura ou o choque cultural decorrente da diferença entre o mundo escolar e o familiar, e o sofrimento proveniente dessa diferença. Contudo, alguns estudos vêm discutindo essa compreensão e indicando outras possibilidades de relação entre essas formas de socialização. Partindo desse contexto, o objetivo deste artigo é discutir os modos como as relações entre família e escola, ou entre mundos de origem e de destino, vêm sendo compreendidas por estudos que tratam do sucesso escolar em meios populares. Para isso, analisaremos contribuições de trabalhos internacionais contemporâneos sobre a temática, bem como resultados de pesquisas conduzidas por nós. Com base nesse corpus teórico e empírico, propomos que há outras possibilidades de relação entre os mundos escolar e familiar que não exclusiva ou necessariamente ruptura ou conformismo. A necessidade de se estudar a vivência entre diferentes contextos socializadores, como a escola e a família, bem como a possibilidade de intercâmbio entre eles é apontada como fundamental para o avanço da discussão no estudo do sucesso escolar em meios populares.

“[...] Sermos bons alunos para sermos bons pais”: a escolarização da parentalidade

PID: S0104-40602025000102506 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2025
Autores: Ramos Ernica
RESUMO Este artigo discute o fenômeno da formação parental entendido como uma estratégia educativa implementada por mães e pais para acumularem informações que os permitam fazer bons investimentos no futuro dos filhos. O trabalho se apoiou em uma pesquisa empírica que analisou materiais escritos de formação parental publicados no Brasil, a saber: 20 exemplares da revista Crescer, 12 livros sobre parentalidade e nove perfis do Instagram. Os resultados das análises apontam para um público imaginado composto por mulheres, majoritariamente brancas e de camadas mais altas socialmente. Em especial, vemos que a marca principal desse fenômeno na contemporaneidade é a sua intensificação e organização dentro de uma forma escolar que coloca mães e pais em uma posição de aprendizes, por meio do estabelecimento de uma aprendizagem racional e pedagogizada para a prática parental. Os materiais analisados evidenciam um discurso normativo para a parentalidade que pretende formar crianças com habilidades, competências e conhecimentos valorizados na escola, como a resiliência, a flexibilidade e o controle de si.

A Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos de 1947: do entusiasmo à desidratação

PID: S2448-35832025000100213 | Revista: Educação & Formação (2448-3583) | Año: 2025
Autores: Santana Oliveira
Resumo Este artigo analisa a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos de 1947 como a primeira iniciativa oficial de educação popular para todo o país por meio do rádio para a ampliação de matrículas e o combate ao analfabetismo adulto. Elencam-se as características, pontos positivos e vícios que determinaram a extinção da campanha em 1963. A pesquisa revelou que a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos foi medida inovadora ao utilizar o rádio como veículo de longo alcance de analfabetos, porém desidratada em razão da falta de investimento, considerando a extensão territorial que demandava maiores investimentos em aparato técnico de radiodifusão. Quanto ao método, utilizou-se a noção de operação historiográfica de Certeau (2020), que consiste na rearticulação de vestígios do passado no tempo presente para a compreensão dos fatos. As fontes utilizadas neste estudo são bibliográficas e documentais, sendo primárias os anais e notas taquigráficas do colegiado Constituinte de São Paulo de 1947.
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