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Dimensões “escondidas” na escrita de artigos acadêmicos

PID: S0102-54732010000200011 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Street
Este artigo tem por objetivo descrever o desenvolvimento de um conjunto de conceitos funcionais que permitam a professores e alunos abordar questões relativas à escrita de artigos acadêmicos. Para tanto, baseia-se nas recentes contribuições teóricas das áreas denominadas Escrita no âmbito das Disciplinas (Writing in the Disciplines, WiD), Estudos dos Gêneros (Genre Studies) e Letramentos Acadêmicos (Academic Literacies), e considera se e como tal teoria pode ser adaptada à prática. Enquanto os modelos dominantes de ensino de produção textual (ESP; ESL) tendem a enfatizar o uso de listas padronizadas de itens a serem seguidos, geralmente em relação à estrutura do texto acadêmico (por exemplo, introdução; referencial teórico; métodos; dados), a abordagem aqui proposta concentra-se nas dimensões escondidas que são observadas nas avaliações da escrita acadêmica, embora muitas vezes permaneçam implícitas. O artigo descreve a criação, durante uma disciplina sobre letramento na Faculdade de Educação (Graduate School of Education, GSE) da Universidade da Pensilvânia, de uma tabela com termos para explicar claramente os critérios de avaliação e revisão de artigos acadêmicos. O primeiro passo foi aplicar essa tabela aos capítulos de um livro editado, especificamente nas introduções, em que foi utilizada a seguinte tipologia: “vinheta1, depoimentos pessoais, declarações universais”. Em seguida, os termos presentes na tabela relativa a dimensões escondidas serviram de base para analisar as versões preliminares das tarefas dos alunos da disciplina. Ao final, o artigo apresenta algumas respostas dadas pelos alunos e as implicações do uso de aplicações mais amplas no apoio à escrita acadêmica.

Discursos sobre a leitura: entre a unidade e a pluralidade

PID: S0102-54732010000200006 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Vóvio
Este artigo discorre sobre enfoques acerca da leitura que atravessam e constituem discursos correntes sobre essa prática social e seus significados, portanto influentes nos modos como se focalizam objetos e nas análises tecidas em pesquisas sobre letramentos (STREET, 1984; KLEIMAN, 1995; BARTON; HAMILTON; IVANIC 2000; GEE, 2000, 2004). A matriz epistemológica assumida compreende a leitura como prática cultural produzida nas/pelas relações entre grupos humanos, em tempos e espaços sociais específicos, sendo, portanto, variável. Como tal, é perpassada por fenômenos que trazem em seu bojo a necessidade da leitura como prática cultural desejável: o da legitimidade (de crenças coletivas que edificaram a leitura como prática necessária) e o da desigualdade, que diz respeito à distribuição de oportunidades de acesso, à difusão de práticas, competências e objetos (LAHIRE, 2002, 2006). Abordar tais discursos correntes e os enfoques a eles correspondentes permite, por um lado, compreender em que bases os discursos da tradição e do cânone foram produzidos e converteram-se em divisores de águas capazes de distinguir grupos e pessoas, de definir o que conta, o que tem valor, de escalonar e classificar leitores e leituras e, de outro, organizar planos a partir dos quais se pode examinar as práticas de leitura, os sentidos e significados atribuídos a esse fazer e os artefatos culturais acessados pelos sujeitos envolvidos.

Diversidade e diferenciação pela pesquisa universitária

PID: S0102-54732010000100013 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Caregnato
Os sistemas nacionais de Ensino Superior são diversificados e complexos, o que cria condições para a produção de pesquisa e de conhecimento pelas instituições com variados graus de abrangência e de repercussão. O presente artigo registra a construção de um caminho para a análise da relação entre a diversidade institucional e a atividade de pesquisa. Ao se interpretar a diferenciação de características das instituições de mesma natureza, contribui-se para o conhecimento do sistema de Ensino Superior. Recorre-se à metodologia de análise weberiana do tipo-ideal, sem, portanto, proporem-se modelos para classificar as instituições reais ou os modelos ideais a serem atingidos.

Doutoras professoras negras: o que nos dizem os indicadores oficiais

PID: S0102-54732010000100003 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Silva
Este texto se propõe a fazer uma análise sobre a participação das mulheres negras com doutorado ou mais e atuantes no ensino universitário, até o ano de 2005. Apoiamo-nos nos indicadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que aponta um total de 63.234 docentes na educação universitária, dos quais apenas 251 são negras. Segundo Bordi e Bautista (2007), há um número significativamente inferior de mulheres nos campos de representações de poder, no âmbito universitário, uma vez que o desempenho individual não constitui a principal chave responsável por permitir a ascensão na carreira. O trabalho de Kiss, Barrios e Álvarez (2007) acrescenta que o acesso àquele mundo inclui também as relações de poder mediadas pelas de gênero. Num dos esparsos estudos brasileiros sobre o tema, Carvalho (2007) nos fala do ambiente inóspito para os afro-brasileiros quando logram ingressar na qualidade de docentes. Assim, podemos pensar que o ínfimo número de doutoras negras é uma conseqüência da conjunção de fatores como o sexismo e o racismo. Nosso intento é, portanto, demonstrar as acentuadas disparidades quando observamos a atuação das variáveis raça e gênero, notadamente no âmbito da Educação Superior brasileira.

Educação do campo e diversidade

PID: S0102-54732010000100008 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Machado
Neste texto, discute-se que a educação do campo, historicamente desprezada pelas políticas públicas, é uma das dimensões da diversidade sociocultural de nosso país que não pode mais ser negada. Os programas emergenciais e as políticas compensatórias de outrora, pensadas por agentes externos, centradas no aspecto econômico-produtivo e referenciadas em um padrão de cultura urbana, retratam a perspectiva de tratamento utilitarista e discriminatório dado ao campo. Essas políticas tentaram, dessa forma, silenciar a diversidade sociocultural do campo e a potencialidade criadora de seus sujeitos. Contra essa prática, emergem os movimentos sociais, procurando evidenciar a importância do protagonismo e da autonomia dos sujeitos do campo na construção de projetos político-sociais e pedagógicos que contemplem as especificidades desse contexto, possibilitando articular, em uma dimensão de totalidade, saber local e saber universal e, ao mesmo tempo, buscando superar a polarização campo-cidade.

Educação escolar e constituição do afetivo: algumas considerações a partir da psicologia histórico-cultural

PID: S0102-54732010000200016 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Gomes Mello
A Psicologia Histórico-Cultural afirma a tese da experiência social como base da formação humana e aponta a unidade afetivo-cognitiva como mediadora nas relações do sujeito com o conhecimento no desenvolvimento das funções psicológicas. Este artigo apresenta alguns elementos que apontam para a constituição dos processos afetivos a partir das relações que o sujeito mantém com as objetivações humanas. Parte da crítica ao pensamento organicista e subjetivista que, tanto na Psicologia quanto na Educação, separa as emoções das demais funções no conjunto da consciência humana - tratando-as como um impeditivo nos processos de ensino e de aprendizagem escolar - e assinala a importância de se (re) pensar as relações que o sujeito estabelece com a realidade, o papel do conhecimento e das condições concretas de vida e de educação que produzem os processos afetivos. Defende que pensamento e sentimento são processos psicológicos desenvolvidos a partir da história de apropriação e objetivação de signos e instrumentos que cada sujeito realiza, e afirma a educação escolar e o caráter intencional do trabalho docente - na organização e condução da prática pedagógica - como elementos determinantes na transformação dos modos de pensar e sentir.

Encontros entre prática de pesquisa e ensino: oralidade e letramento no ensino da escrita

PID: S0102-54732010000200014 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Corrêa
Neste trabalho parte-se do processo de constituição dos gêneros discursivos, tomando-se como noção teórica central a de relações intergenéricas (BAKHTIN, 1992). Tipos de letramentos, oralidade e heterogeneidade da escrita são os recursos pelos quais se investiga tanto o uso de provérbios parodiados na internet e em redações de vestibular, quanto o uso de temporalidades de diferentes ordens no processo de constituição dessas redações. Como resultado, evidencia-se a produtividade do encontro entre prática de pesquisa e ensino, mesmo que se reconheça que o tratamento teórico-metodológico do objeto de pesquisa não se transfere como tal para a atividade de ensinar.

Entre o pensar e o conhecer: um lugar para a diferença na formação de professores

PID: S0102-54732010000100007 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Freire
Na tentativa de distinguir o pensar e o conhecer, o artigo apresenta um exercício de pensamento como possibilidade de atividade acadêmica na formação de professores. O texto se pauta no exame crítico de algumas noções e conceitos que gravitam em torno da igualdade de direito à educação, a saber, estigma, diferença, direitos humanos, igualdade, e igualdade de oportunidades e ação afirmativa em diálogo com alguns filósofos contemporâneos, a saber, Hannah Arendt, Jacques Derrida, John Rawls e Peter Singer. Trilha-se um caminho que parte do juízo perceptivo e chega-se ao juízo ético, que atribui a igual consideração de interesses.

Ideologia meritocrática e reflexão acadêmica: a contribuição da Revista Perspectiva do CED/UFSC (1983-2005)

PID: S0102-54732010000200015 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Ruschel Valle
Neste estudo analisamos os artigos publicados pela Revista Perspectiva do Centro de Ciências da Educação/Universidade Federal de Santa Catarina - Brasil (1983 a 2005). Nosso interesse se voltou à ideologia meritocrática, tendo por base o conjunto de termos relacionados a essa concepção. Para tanto, repertoriamos todas as Revistas desde sua aparição em 1983 até o ano de 2005, abrangendo 47 revistas e 425 artigos. Primeiramente, analisamos os títulos e resumos dos artigos, o que nos possibilitou uma primeira seleção. Em seguida, procedemos a uma leitura mais sistemática dos artigos selecionados (num total de 14), o que permitiu construir alguns grupos temáticos. Estes foram objetos de um estudo mais minucioso, que tornou possível estabelecer algumas relações e correlações entre democratização do ensino e meritocracia, seleção meritocrática numa escola democrática e formação de professores num sistema de ensino meritocrático.

Letramento acadêmico e a construção de sentidos nas leituras de um gênero

PID: S0102-54732010000200012 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Fischer Pelandré
O objetivo deste trabalho é caracterizar como as diferentes formas de leitura situada de um gênero contribuem para que alunos se assumam insiders em contexto acadêmico. Os dados em análise foram coletados em 2005 e 2006, em um curso brasileiro de licenciatura, através de observações participantes e de entrevistas orais. Esses dados constituem parte dos eventos nomeados reflexivo-transformativos, incluindo leitura, produção e análise lingüística do gênero discursivo crônica jornalística. Esses eventos também integram o modelo dialógico dos letramentos acadêmicos, que se reporta à construção de sentidos, à identidade, ao poder, à autoridade e à natureza institucional do que conta como conhecimento no contexto de um curso de Letras. Por se realizar um acompanhamento longitudinal do trabalho com leitura, discutem-se dados de duas alunas, relativos ao gênero crônica, em duas disciplinas acadêmicas. Os resultados comprovam que, para as alunas, são ferramentas de poder conhecer o funcionamento de um dado domínio social, no qual se insere o gênero destinado à leitura e à produção escrita, e desenvolver o metaconhecimento que o constitui, a fim de fazerem uso do letramento crítico e usarem os letramentos dominantes que dele fazem parte, na direção de se assumirem insiders no contexto acadêmico.

Letramentos escolares: coletâneas de textos nos livros didáticos de língua portuguesa

PID: S0102-54732010000200007 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Rodrigues Rojo
O presente artigo discute os letramentos característicos da contemporaneidade, para, em seguida, voltar-se para os letramentos escolares, com base no perfil das coletâneas de textos do livro didático de Língua Portuguesa (LDP) que circulou nas redes públicas brasileiras de Ensino Fundamental (1º a 4º série), de 2004 a 2009. A análise dessas coletâneas, em termos de gêneros representados e de suas esferas de circulação, discute os letramentos escolares possíveis a partir desses textos. Os resultados mostram que o LDP ainda está longe de incorporar os letramentos requeridos na contemporaneidade.

Meninos e meninas negras na literatura infantil brasileira: (des)velando preconceitos

PID: S0102-54732010000100010 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Debus
O foco de reflexão deste texto recai sobre a leitura de livros de literatura de recepção infantil e sobre como eles tematizam as questões étnico-raciais, a partir da caracterização das personagens, neste caso meninas e meninos. Os livros escolhidos para análise são Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado; Conceição de Vila Rica, de Joaquim Borges; Rufina, de Marciano Vasques; Minha família é colorida, de Georgina Martins; e Minhas contas, de Luiz Antonio. Além de trazerem crianças negras como personagens, as narrativas escolhidas se interligam pelo fato de essas mesmas personagens se encontrarem em espaços contemporâneos, representadas em suas atividades cotidianas. Com esta reflexão, busca-se apontar as escorregadelas dos títulos, que, mesmo bem intencionados, apresentam um viés preconceituoso - (re)velando preconceitos, seja nas ilustrações, seja na caracterização das personagens; bem como em títulos que alcançam a alteridade - desvelando preconceitos.

Multiple literacies theory: how it functions, what it produces

PID: S0102-54732010000200003 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Masny
No momento existem duas teorias do letramento que parecem dominar as pesquisas sobre o tema. Elas são conhecidas como Novos Estudos em Letramento (New Literacy Studies - NLS) (BARTON; HAMILTON; IVANIC; 2002; STREET, 2003) e Multiletramentos (COPE; KALANTZIS, 2009). Este artigo é sobre uma teoria diferente, a Teoria dos Letramentos Múltiplos (Multiple Literacies Theory - MLT) que se destaca das outras ontologicamente e epistemologicamente. O texto irá também sublinhar aspectos dos Novos Estudos em Letramento e os Multiletramentos, de maneira a evidenciar as diferenças com a Teoria dos Letramentos Múltiplos. Este artigo tem como objetivo impulsionar os principais conceitos subjacentes a esta teoria e apresentar vinhetas de um estudo examinando como percepções dos sistemas de escrita em crianças multilingues contribuem para a leitura, a leitura do mundo e de si mesmo enquanto textos.

Negando igualdade de oportunidades educacionais: foco no monitoramento de habilidades na Educação Especial

PID: S0102-54732010000100006 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Hope
Nos Estados Unidos, os afro americanos viveram com a desigualdade de oportunidades educacionais desde que se tornaram cidadãos. O acesso à educação de qualidade foi negado pela segregação, e eles perseveraram até que houvesse um recurso legal. Hoje em dia, contudo, certas práticas educacionais enfraquecem o acesso das crianças afro americanas à igualdade de oportunidades educacionais, adquirida no caso Brown versus the Board of Education. O monitoramento de habilidades, uma prática há muito tempo presente nas escolas públicas estadunidenses, e a Educação Especial, um produto da legislação federal, estão se mostrando adversárias da igualdade de oportunidades educacionais. Ambas são grandes redes arrastando um enorme número de crianças afroamericanas e diminuindo suas oportunidades de resultados educacionais iguais. As experiências educacionais de estudantes afro americanos disponíveis através destas práticas levantam as seguintes questões: primeiramente, se a discriminação retornou à educação; e se as crianças afro americanas estão recebendo uma educação de menor qualidade em comparação com seus colegas brancos. O monitoramento de habilidades e a Educação Especial promovem a rotulagem e proporcionam um aprendizado menos rigoroso; conseqüentemente, as oportunidades futuras dos estudantes afroamericanos estão ameaçadas em função de seu encarceramento nestas experiências escolares.

Negros e educação no Brasil: uma entrevista com o coração de uma militante acadêmica

PID: S0102-54732010000100011 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Oliveira
O cenário de partida é o Estado do Rio de Janeiro. Pedagoga e mestre em Educação por esta universidade, o que seguiu à experiência como normalista em Três Rios (RJ), doutorou-se no Instituto de Psicologia da USP. Idealizadora e articuladora central da criação do Programa de Educação Sobre Negros na Sociedade Brasileira (Penesb/1995) na UFF, atualmente é professora associada na Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Instigada pelo sentimento plantado quando, ainda nos anos 1980, leu Carlos Hasenbalg em Estrutura social, mobilidade e raça, perscrutou a ausência dos negros nos patamares mais avançados da escolarização, como a quase absoluta negação do debate sobre relações raciais como parte da dinâmica social na universidade. Suas palavras expressam a resistência de uma mulher educadora, negra, dotada de uma percepção original acerca dos processos de intervenção para o enfrentamento do racismo nos mais diversos espaços sociais.

O memorial no espaço da formação acadêmica: (re)construção do vivido e da identidade

PID: S0102-54732010000200013 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Silva
Toma-se, como objeto de discussão, a escrita de memoriais de professores em formação inicial, alimentada pelas ações do lembrar e do recordar, das quais emergem movimentos discursivos que põem em cena a atuação de um sujeito que reflete sobre si e sobre seus saberes profissionais. O memorial, nesse quadro, é visto como um expediente metodológico produtivo por proporcionar ao pesquisador uma compreensão acerca dos movimentos do processo da formação identitária profissional, a partir do ponto de vista do professor, guiado, portanto, pelos olhos desse sujeito. Nessa atividade de escrita, identifica-se um jogo de atuação enunciativa e metadiscursiva que revela, ao leitor, o tipo de engajamento que o sujeito cria com o seu próprio dizer e/ou com o dizer do outro, com o seu saber profissional.

O registro da cor em requerimentos para concursos de professores

PID: S0102-54732010000100004 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Müller
Pretende-se, neste artigo, apresentar dados sobre a origem racial de candidatos a concursos para provimento de vagas de professores adjuntos no magistério público do Rio de Janeiro (antigo Distrito Federal) no período da Primeira República, cruzando o registro da cor nas certidões de nascimento dos candidatos com outras fontes, assim como discutir o processo de branqueamento do magistério do Distrito Federal, a partir dos debates sobre a suposta inferioridade da população negra brasileira, e o efeito dessas discussões na racionalização da carreira do magistério. Objetiva-se, também, discorrer sobre as formas de classificação racial dos brasileiros nesse período histórico. A cor da pele, de atributo simplesmente biológico, assume um conteúdo cultural, social e moral em um imenso conjunto de qualificativos inferiorizantes. Esse processo aconteceu, principalmente, com os fenotipicamente negros ou de pele mais escura, que não podiam de alguma forma disfarçar sua origem racial.

Pedagogías desde la diversidad cultural: una invitación a la investigación colaborativa intercultural

PID: S0102-54732010000100009 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Sierra
Através de distintas reflexões e perguntas, produto de distintas experiências e projetos em contextos culturalmente diversos, este artigo é um convite para aprofundar de maneira colaborativa as diferentes pedagogias que coexistem no contexto da América Latina (ancestrais, opressivas e coloniais, de resistência, críticas, creativas, de coloniais, da mãe terra), que nos permita rever a herança colonial e eurocêntrica da formação docente que ainda prevalece nas faculdades de Educação. A partir dessa compreensão, construir propostas educativas mais creativas e pertinente aos contextos locais. Sem perder a perspectiva histórica global, propostas que fortaleçam o reconhecimento à diversidade cultural, o sentido de comunidade e a capacidade de gerar alianças interculturais em direção a uma existência no planeta mais justa, equitativa e em equilíbrio com a natureza.

Saberes e representações: práticas de letramento em aulas de língua materna

PID: S0102-54732010000200009 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Lopes
Sob uma perspectiva sociointeracionista de análise, este artigo objetiva demonstrar as relações existentes entre concepções e representações de agir docente e seus efeitos sobre os modos de didatização e as práticas de letramento, no ensino de língua materna. Para a demonstração da investigação foram considerados dados coletados em áudio e vídeo, em aulas de língua portuguesa, ao longo de quatro semanas, além de questionários, entrevistas semidirigidas e de autoconfrontação, realizados com professores de língua materna da Educação Básica.

Saberes, valores e crenças sobre a prática docente no discurso do professor em formação

PID: S0102-54732010000200008 | Revista: Perspectiva (0102-5473) | Año: 2010
Autores: Assis
Tomando o discurso de uma professora de língua portuguesa em formação sobre sua primeira experiência docente, este artigo busca analisar as representações sociais que orientam a ação docente e sua construção identitária. A análise dos valores e conhecimentos projetados nos dados permite tanto entrever um processo intrincado e conflituoso de construção da identidade docente, quanto revelar pistas das redes de atividades e discursos implicadas no percurso de letramento desse “ser professor”.
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