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Avaliação assistida e comunicação alternativa: procedimentos para a educação inclusiva

PID: S1413-65382007000100002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Paula Enumo
As pesquisas sobre a avaliação assistida vêm delineando um campo promissor dada as suas características inovadoras que a distinguem de uma avaliação tradicional, favorecendo a população que apresenta dificuldades no processo de aprendizagem ou em situação de desvantagem social. Crianças que necessitam de recursos alternativos para a linguagem expressiva constituem um significativo grupo que pode se beneficiar de uma avaliação diferenciada. Neste estudo, participaram sete crianças com necessidades especiais em situação de avaliação assistida, utilizando o Children’s Analogical Thinking Modifiability Test-CATM, acrescida da avaliação psicométrica, realizada pelos testes Raven, Columbia e Peabody, estes últimos em versão computadorizada, antes e após intervenção com sistema de Comunicação Alternativa e Ampliada-CAA. Além dos processos de pensamento, foram considerados aspectos não estritamente cognitivos, mas de grande importância: reação da criança ao contexto de avaliação e ao tipo de tarefa, variáveis pessoais e situacionais como motivação e fadiga, além da acessibilidade à mediação. Tais variáveis foram sistematizadas em categorias cognitivas, comportamentais e afetivo-motivacionais nos contextos de ensino e intervenção, compondo um mosaico de indicadores sobre o perfil da amostra nas diferentes etapas do estudo. Apesar da situação de avaliação - tradicional e assistida - ter se configurado como cansativa, foi possível identificar as operações e disfunções cognitivas nas provas tradicionais e assistida e na intervenção, além de fatores não-intelectuais que afetaram o desempenho, delineando um perfil intragrupo de aprendizagem na resolução de problemas. A avaliação assistida é reconhecidamente uma relevante ferramenta de diagnóstico psicológico, complementar à abordagem psicométrica tradicional, para crianças com déficits comunicativos.

Avaliação educacional por meio do teste iar em escolares com cegueira

PID: S1413-65382007000200009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Rabello Motti Gasparetto
Com o objetivo de verificar a aplicabilidade do Teste IAR em escolares cegos, foram realizados estudos de casos, mediante avaliações de três escolares de oito anos de idade, com cegueira, por retinopatia da prematuridade ou catarata congênita (A.M., D.A.C., T.A.M.), atendidos no Centro de Distúrbios da Audição, Linguagem e Visão (CEDALVI), do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da USP, Bauru/SP/Brasil. Durante um período de seis meses, os escolares foram avaliados por meio do Instrumento de Avaliação do Repertório Básico para Alfabetização (IAR), adaptado ao Sistema Braille e contando com recursos em relevo. Os resultados da aplicação do IAR mostraram que T.A.M. alcançou 100,0% em acertos em todos os conceitos; A.M. e D.A.C. obtiveram 100,0% de acertos em esquema corporal, lateralidade e verbalização de palavras; D.A.C. apresentou 50,0% nos conceitos posição, tamanho e quantidade; A.M. apresentou 50,0% em discriminação auditiva; D.A.C. apresentou menos de 50,0% de acertos nos conceitos de direção, espaço, forma, discriminação tátil, discriminação auditiva, análise/síntese e coordenação motora fina; A.M. também alcançou menos de 50,0% de acertos nos conceitos de direção, discriminação tátil, análise/síntese e coordenação motora fina. Com relação à aplicabilidade, o teste IAR mostrou-se eficaz para avaliar os escolares cegos, oferecendo instruções úteis para que profissionais e familiares adotem estímulos e estratégias que favoreçam o desenvolvimento dos mesmos.

Como avaliar a percepção de competência e aceitação social de crianças com paralisia cerebral?: Estudo inicial para a determinação das propriedades psicométricas da versão portuguesa da Dutch Pictorial Scale of Perceived Competence and Social Acceptance in Children with Cerebral Palsy

PID: S1413-65382007000300003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Corredeira Côrte-Real Dias Silva Fonseca
O principal objectivo deste estudo consistiu na determinação das propriedades psicométricas da versão portuguesa da Dutch Pictorial Scale of Perceived Competence and Social Acceptance in Children with Cerebral Palsy. Participaram neste estudo 108 crianças (60 rapazes e 48 raparigas) com paralisia cerebral, com idades entre os 4 e os 9 anos, distribuídas em hemiplegicas, diplégicas e tetraplégicas e com um QI igual ou superior a 70. A maioria (n=98) frequentava o ensino regular, enquanto apenas 10 frequentavam escolas especiais. O instrumento foi aplicado num segundo momento a 41 das crianças, com um intervalo máximo de duas semanas. Os resultados da correlação de Pearson relativamente aos dois momentos (entre 0.80 e 0.98) bem como o valor do alfa de Cronbach (entre 0.69 e 0.93) evidenciam uma boa fiabilidade da versão portuguesa. Também os valores das inter-correlações entre as quatro subescalas (r=0.60 ou superior) bem como os valores médios das respostas das crianças em função de diferentes características (idade, sexo, condição médica) para as diferentes subescalas apoiam a validade interna do instrumento. Em suma, os resultados do nosso estudo, na sua globalidade, parecem confirmar as propriedades psicométricas da versão portuguesa da Dutch Pictorial Scale, pelo que esta parece constituir-se como um instrumento fiável e válido para a avaliação do modo como as crianças portuguesas com Paralisia Cerebral se percebem no domínio cognitivo, físico e social.

Crianças com e sem síndrome de Down: valores e crenças de pais e professores

PID: S1413-65382007000300009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Pereira-Silva Dessen
Os valores e as crenças de pais e professores permeiam as práticas de cuidados e socialização das crianças e se expressam nas atividades rotineiras em que elas se engajam com seus diversos cuidadores. Este estudo descreve os valores e as crenças de 10 famílias e 10 professoras a respeito dos seguintes aspectos do desenvolvimento de crianças com e sem síndrome de Down: desenvolvimento motor, escolarização, profissionalização, relações íntimas e expectativas quanto ao futuro. As famílias eram compostas por pai, mãe e filhos, sendo que, em cinco delas, havia uma criança com síndrome de Down e, nas outras cinco, todas as crianças tinham desenvolvimento típico. Os dados foram coletados na residência das famílias, tendo sido realizadas entrevistas semi-estruturadas com os genitores e aplicado um questionário de caracterização do sistema familiar. Já as professoras foram entrevistadas no próprio local de trabalho. Os resultados mostraram diferenças nos valores e crenças relatados pelos genitores de crianças com e sem síndrome de Down, especialmente no que se refere ao desenvolvimento motor do filho. As professoras relataram mudanças no desempenho acadêmico das crianças, bem como em seus relacionamentos sociais. Enquanto as professoras do ensino especial esperam progressos nos resultados acadêmicos, em longo prazo, as professoras do ensino regular esperam resultados mais imediatos de suas crianças com desenvolvimento típico. Os dados indicam algumas similaridades entre as crenças de pais e professoras, as quais acreditam que o apoio e o envolvimento da família podem propiciar à criança com síndrome de Down os avanços necessários ao seu desenvolvimento.

Deficientes auditivos e escolaridade: fatores diferenciais que possibilitam o acesso ao ensino superior

PID: S1413-65382007000100003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Manente Rodrigues Palamin
São escassas as investigações a respeito da vivência do deficiente auditivo no ensino superior. O propósito do estudo foi compreender os fatores diferenciais que podem facilitar ou dificultar o ingresso de indivíduos com deficiência auditiva no ensino superior e sua permanência no curso. Utilizaram-se dois questionários: Grupo A-universitários e B1-com ensino médio; B2 - outra escolaridade. Os resultados mostraram que para o Grupo A os aspectos favorecedores para o ingresso no curso superior foram: ter tido sucesso na vida escolar anterior, ajuda da família e apoio dos professores. Concernente às dificuldades, relataram aspectos que correspondem à ausência dos aspectos facilitadores: insucessos na vida escolar anterior e falta de apoio dos professores. Durante o curso superior os fatores favorecedores foram o apoio de colegas da classe, dos familiares e atenção dos professores. Entre os fatores dificultadores também foram apontados a falta de atenção dos professores e falta de orientação dos profissionais da saúde. Os resultados obtidos com o Grupo B mostraram que deficientes auditivos desejam cursar o ensino superior, mas apenas uma parte deles prestou vestibular, porque a dificuldade financeira, a possibilidade de reprova e o medo de não conseguir acompanhar o curso são os motivos responsáveis. No Grupo B2, a intenção de fazer faculdade cai em relação ao grupo anterior. Este acredita que os fatores escolares (desempenho escolar, apoio dos professores, acesso à tecnologia pertinente) e o apoio da família podem favorecê-los, mas as dificuldades escolares e a falta de apoio dos professores podem atrapalhá-los. Concluindo, as instituições especializadas parecem não estar preparadas para atender os deficientes auditivos universitários. Os Grupos B1 e B2 mostraram ser impedidos, principalmente, pela dificuldade financeira e o desempenho escolar anterior deficitário.

Discursos e significados sobre as pessoas com deficiências nos livros didáticos de português: limites na comunicação de sentidos e representações acerca da diferença

PID: S1413-65382007000100005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Barros
Este trabalho resumiu os principais achados de uma pesquisa que mapeou os modos de representação da pessoa com deficiência nos livros didáticos de Língua Portuguesa das séries iniciais do ensino fundamental. A amostra foi composta por livros julgados e aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático, edição 2007. A pesquisa, empreendida metodologicamente através de analise de conteúdo e análise de discurso, buscou responder em que medida, e com que limites as pessoas com deficiências são consideradas exemplos de expressão da diversidade humana - preocupação recente das propostas pedagógicas atuais. Sendo as obras aprovadas pelo PNLD aquelas sobre as quais o MEC recomenda que os professores das escolas públicas exercitem suas escolhas - a partir das peculiaridades regionais e de projetos político-pedagógicos, cumpriu-se conferir, através dos resultados desta pesquisa, se estas escolhas, que assim disseminarão um modo comum de entender o papel do respeito à diferença, contemplam os interesses das pessoas deficientes.

Estresse e suporte social em mães de crianças com necessidades especiais

PID: S1413-65382007000300008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Matsukura Marturano Oishi Borasche
O objetivo do presente estudo foi avaliar a associação entre estresse e suporte social em mães de crianças com necessidades especiais e mães de crianças com desenvolvimento típico, em famílias de baixa renda. Trata-se de estudo quantitativo com 75 mães de crianças com idade entre quatro e 8 anos, com renda familiar de até quatro salários mínimos, alocadas em dois grupos: mães de crianças com desenvolvimento típico e mães de crianças com necessidades especiais. As participantes responderam ao Inventário de Sintoma de Stress e ao Questionário de Suporte Social. Os resultados indicaram, em ambos os grupos, elevada porcentagem de mães estressadas. Mães de crianças com necessidades especiais contam com um menor número de pessoas suportivas. Observou-se associação negativa entre stress e satisfação com o suporte social. Discutese que o presente estudo confirma achados de pesquisas anteriores e identifica o papel do suporte social nos processos de adaptação familiar. A associação encontrada entre a satisfação com o suporte social e o estresse aponta para adequação de proposições e implantação de programas de intervenções em saúde para famílias de crianças com necessidades especiais.

Evidências sobre violência e deficiência: implicações para futuras pesquisas

PID: S1413-65382007000100009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Cruz Silva Alves
Diante as diversas pesquisas acerca da violência realizada em diferentes áreas, o objetivo deste artigo é discutir o fenômeno da violência e suas relações com a deficiência no desenvolvimento humano. Enquanto metodologia foi realizada uma revisão de literatura nos últimos dois anos, destacando-se alguns tipos de violência e suas relações com a deficiência. Como considerações, sugere-se o fomento de pesquisas nesta linha de investigação e a necessidade de maior proximidade de profissionais da área da saúde e educação, com a comunidade, no contexto da prevenção e promoção do desenvolvimento infantil.

Habilidades sociais e problemas de comportamento de alunos com deficiência mental, alto e baixo desempenho acadêmico

PID: S1413-65382007000200007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Rosin-Pinola del Prette del Prette
As habilidades sociais vêm sendo amplamente reconhecidas como importante componente do processo de escolarização especialmente dos alunos com deficiência mental. A revisão da literatura evidencia escassez de pesquisas que focalizam a inclusão desses alunos no sistema regular de ensino. Considerando tal situação, este estudo teve como objetivos: avaliar e comparar o desempenho social (habilidades sociais e problemas de comportamento) e acadêmico de alunos, com deficiência mental, incluídos, em relação a seus colegas de alto e baixo rendimento acadêmico (AR e BR, respectivamente). Trinta professores avaliaram 120 alunos (40 com deficiência mental incluídos no ensino regular, 40 AR e 40 AR) da pré-escola à oitava série por meio do Sistema de Avaliação de Habilidades Sociais, na sua versão adaptada para o Brasil (SSRS-BR) por BANDEIRA et al. (s.d.). Os dados foram analisados estatisticamente e os resultados mostraram que: no desempenho acadêmico, os três grupos diferenciaram-se significativamente, com o AR mais positivamente avaliado, seguido pelo BR e depois pelo DM; nas habilidades sociais, AR apresentou escore acima da média normativa diferenciando de BR e DM, estes somente se diferenciaram nos fatores de Assertividade e Autodefesa; nos problemas de comportamento, AR apresentou escore abaixo da média normativa, diferenciando-se dos dois outros grupos; que não se diferenciaram. As evidências de dificuldades acadêmicas e interpessoais, tanto do grupo BR como DM, sugerem concomitância destas variáveis e aponta similaridades nas necessidades educativas desses dois grupos, o que reforça a importância das habilidades sociais para o sucesso e a inclusão escolar.

Ingresso, permanência e competência: uma realidadepossível para universitários com necessidades educacionais especiais

PID: S1413-65382007000100004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Ferreira
A experiência desenvolvida pelo PROENE - Programa de Acompanhamento a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais é relatada com o fim de compartilhar algumas reflexões, dificuldades, desafios e proposições com os pares de outras instituições de ensino superior envolvidos nesta modalidade de atendimento, ou que pretendam criar o seu próprio serviço, conforme características e condições específicas de suas realidades. O programa é composto por profissionais oriundos das áreas de Serviço Social, Educação e Psicologia, responsáveis por: a) identificar as dificuldades e necessidades especiais concernentes ao processo de ensino-aprendizagem-avaliação apresentadas pelo estudante e b) propor recursos e estratégias que reduzam ou eliminem as dificuldades e demandas especiais identificadas. Essas ações da equipe, associadas a um trabalho de mediação junto aos colegiados de curso e demais professores inseridos na situação, têm se mostrado eficazes para o bem estar físico e emocional dos estudantes acompanhados, bem como para a melhoria das condições indispensáveis à sua aprendizagem e formação profissional qualificada, desde o ingresso até o final de sua trajetória acadêmica.

O autoconceito do adolescente deficiente auditivo e sua relação com o uso do aparelho de amplificação sonora individual

PID: S1413-65382007000100007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Zugliani Motti Castanho
Para o adolescente com deficiência auditiva, o processo de formação da identidade tem nuances próprias. Além do conflito específico da fase, ele tem que formar sua identidade como pessoa que possui uma perda auditiva e que necessita usar aparelho de amplificação sonora individual (AASI). Considerando que os fatores que influenciam o uso desse recurso são inúmeros, este trabalho teve por objetivo verificar a relação do autoconceito do adolescente deficiente auditivo (DA) com o uso do AASI, a partir da percepção do próprio adolescente e de seus pais. A Escala de Autoconceito - EACIJ - e questionários foram aplicados a 30 adolescentes deficientes auditivos, com idades de 12 a 16 anos, em tratamento no Centro de Distúrbios da Audição, Linguagem e Visão (CEDALVI) do HRAC/USP e a seus pais. Os resultados mostraram que a maioria dos adolescentes estudados faz uso efetivo de seu AASI e tem autoconceito positivo. Concluiu-se que o uso constante desse recurso está associado às boas condições do autoconceito e ao suporte psicossocial da equipe multi / interdisciplinar.

O que dizem/sentem alunos participantes de uma experiência de inclusão escolar com aluno surdo

PID: S1413-65382007000200008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Lacerda
A educação de surdos tem sido historicamente marcada por fracassos e, mais recentemente, a educação inclusiva tem se apresentado como adequada para a inserção de alunos surdos na escola. Para atender suas necessidades se criam alternativas como a presença da língua de sinais e de intérpretes. Foram realizadas entrevistas com dois alunos ouvintes e um aluno surdo integrantes de uma 5ª série do ensino fundamental, na qual foram inseridos um aluno surdo e sua intérprete. Os alunos referem à experiência vivenciada como positiva, prazer em terem um colega diferente e conhecer a língua de sinais. Porém, os ouvintes relatam dominar precariamente esta língua, gostariam que ela fosse mais fácil e referem saber pouco sobre a surdez. Tais fatos não são percebidos pelo aluno surdo, que vê como adequada sua relação com ouvintes. Há respeito pelas diferenças, mas as relações são superficiais, diversas das vivenciadas por alunos em geral. Conhecer o modo como os alunos significam esta experiência é fundamental para avaliar os efeitos dessa prática.

Os efeitos da aprendizagem psicomotora no controle das atividades de locomoção sobre obstáculos em crianças com deficiência da visão

PID: S1413-65382007000300005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Santos Passos Rezende
Considerando que a visão é um dos sistemas sensoriais mais importantes na locomoção pois fornece informação tanto do ambiente quanto da postura e dos movimentos corporais, este estudo analisou os efeitos de um programa de treinamento perceptivo-motor no controle das atividades de locomoção em seis crianças com deficiências da visão. Para tanto, realizou-se a avaliação da locomoção durante a transposição de obstáculos com alturas diferentes, utilizando-se indicadores qualitativos: postura / equilíbrio / direção / velocidade / contato visual com o obstáculo / erro na tarefa, e indicadores cinemáticos, obtidos por meio de filmagem (SVHS) através do sistema Peak Motus (Versão 7.0 - Vicon Peak) para medir: a distância do pé de apoio em relação ao obstáculo / a elevação máxima do joelho / a altura do pé em relação à altura do obstáculo. Os indicadores foram novamente avaliados após a realização do programa de treinamento, fornecendo evidências de sua contribuição positiva tanto na estratégia de aproximação quanto na estratégia de ultrapassagem dos obstáculos. Durante a aproximação, a velocidade da locomoção tornou-se mais constante e as passadas foram realizadas de forma mais retilínea. Durante a ultrapassagem, o número de toques no obstáculo diminuiu. Os resultados auxiliam na reflexão sobre a importância da aprendizagem psicomotora nos programas educacionais, particularmente na Educação Física Especial, como uma forma de contribuir para uma melhor qualidade de vida das crianças com baixa visão.

Para uma definição portuguesa de dificuldades de aprendizagem específicas

PID: S1413-65382007000200002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Correia
Sabe-se, hoje em dia, que há um grupo de alunos cujas desordens neurológicas interferem com a recepção, integração ou expressão de informação, reflectindo-se, estas desordens, numa discapacidade ou impedimento para a aprendizagem da leitura, da escrita ou do cálculo, ou para a aquisição de aptidões sociais, que ao não ser abrangido pelos serviços e apoios da educação especial, sente um prolongado insucesso académico e, até, social que o leva, na maioria dos casos, ao abandono escolar. Estes alunos designam-se, geralmente, por alunos com dificuldades de aprendizagem específicas (DAE). No entanto, em Portugal, este não parece ser o caso. O Ministério da Educação ao não considerar as DAE como uma área das NEE com direito a serviços de educação especial, está a limitar o acesso dos alunos que apresentem DAE a programas educativos eficazes e, por conseguinte, a limitar-lhes a capacidade de aprenderem de acordo com as suas características e necessidades. Assim sendo, este artigo pretende propor uma definição de DAE que possa vir a facilitar a compreensão de uma problemática tão incompreendida e, deste modo, ajudar na elaboração de respostas educativas eficazes para os alunos que apresentem DAE.

Percepções de jovens com Síndrome de Down sobre relacionar-se amorosamente

PID: S1413-65382007000200006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Luiz Kubo
Dificuldades de pais e profissionais para lidar com comportamentos de natureza sexual de pessoas com deficiência mental são provavelmente advindas de concepções parciais ou equivocadas desses pais e profissionais sobre as potencialidades de desenvolvimento da dimensão sexual dessas pessoas. Uma das implicações desse tipo de concepção é promover poucas oportunidades para ouvir o jovem com deficiência mental sobre suas expectativas e desejos sobre relacionamento amoroso. O objetivo do trabalho foi descobrir quais as percepções de jovens com Síndrome de Down sobre relacionar-se amorosamente. Para isso, duas mulheres e três homens com Síndrome de Down, com idade entre 18 e 28 anos, foram entrevistados individualmente. As verbalizações desses jovens sobre o que é apaixonar-se e o que sentem um pelo outro se referiram a comportamentos que expressavam cuidados com (a) namorado (a), e a sentimentos como ânimo e paixão. Em relação ao que verbalizam sobre o que é uma pessoa atraente, houve ênfase em aspectos físicos e comportamentais. Uma jovem afirmou ter relações sexuais com o namorado e descreveu com minúcia a experiência e cuidados tomados para isso. Outros dois jovens consideraram a possibilidade de ter relações sexuais mais tarde, embora já namorassem há algum tempo. Uma adolescente indicou como necessário para ter relação sexual a interdependência do casal e a prevenção da gravidez. Os resultados possibilitam concluir que as percepções que jovens com Síndrome de Down têm sobre relacionamentos amorosos não diferem daquelas de jovens sem síndrome e, muito provavelmente, são desenvolvidas pelas oportunidades de se comportarem efetivamente sob contingências que favoreçam comportamentos amorosos.

Surdez e linguagem escrita: um estudo de caso

PID: S1413-65382007000200005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Guarinello Massi Berberian
Partindo do pressuposto de que ao considerar a língua de sinais como a primeira língua do surdo é possível perceber sua inserção no mundo letrado, esse trabalho objetiva analisar produções escritas de um sujeito surdo em momento inicial de apropriação da escrita. Para tanto, concebendo a linguagem como atividade dialógica, como trabalho social e histórico, constitutivo dos sujeitos e da língua, foram analisados cinco textos produzidos, entre os anos de 1998 e 2002, por um sujeito surdo, reconhecido pela inicial R, em conjunto com a sua fonoaudióloga. Cabe esclarecer que tal profissional, proficiente em língua de sinais, atuou como interlocutora e intérprete, priorizando a natureza interativa da linguagem e interferindo nas produções escritas quando solicitada. Durante os anos trabalhados com R, observou-se que ele passou a refletir sobre seus textos e mudou sua postura perante a escrita. O fato de R e a fonoaudióloga compartilharem a língua de sinais permitiu que ele dividisse suas histórias e experiências, levando-os a registrá-las a partir da língua escrita. Deste modo, R passou a fazer uso da escrita com alternâncias e justaposições entre as duas línguas envolvidas: a língua portuguesa e a língua de sinais. A escrita tornou-se, assim, uma possibilidade a mais de manifestação da singularidade de R, que passou a reconstruir a história de sua relação com a linguagem.

Tempo de latência e características da nomeação de figuras de crianças com transtorno da leitura

PID: S1413-65382007000200004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2007
Autores: Stivanin Scheuer
O objetivo deste estudo foi investigar o tempo de latência e as características da nomeação de figuras em crianças com Transtorno da Leitura e com desenvolvimento típico de leitura, de mesma escolaridade. As amostras foram constituídas por 20 crianças com Transtorno da Leitura (m=8,3 a) e 25 crianças sem dificuldades na leitura (m=8,6 a), de ambos os gêneros. O teste de nomeação de figuras foi constituído por 96 figuras, com balanceamento equivalente às palavras escritas: freqüência de ocorrência, extensão e complexidade para o português falado no Brasil. As figuras foram apresentadas na tela de um computador e as crianças foram instruídas a dizer o nome das figuras. O tempo de latência e as respostas foram registradas em um programa criado especialmente para esta pesquisa. As respostas foram analisadas de acordo com os critérios da literatura específica. Não foram observadas diferenças entre crianças com Transtorno da Leitura e seus controles para o tempo de latência. Todavia os resultados apontaram mais respostas corretas para o grupo de leitores e mais erros fonológicos para as crianças com Transtorno da Leitura. Conclui-se que o tempo gasto para a recuperação dos nomes das figuras é semelhante entre as amostras, porém as crianças com Transtorno da Leitura podem exibir déficits na nomeação de figuras, principalmente para selecionar as formas fonológicas dos nomes, resultando em nomeações incorretas.

A evolução dos paradigmas na educação: do pensamento científico tradicional à complexidade

PID: S1981-416x2007000300004 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2007
Autores: Behrens Oliari
O artigo trata da investigação sobre os paradigmas da ciência que caracterizam o conhecimento e, por conseqüência, a prática docente e profissional. Apresenta a evolução do pensamento científico ao longo da história da humanidade, em especial no que se refere aos paradigmas da ciência e de sua influência na Educação. Contempla a reflexão sobre as mudanças paradigmáticas na evolução da ciência do pensamento cartesiano ao pensamento complexo. A partir desta evolução histórica, propõe a caracterização dos pressupostos do paradigma tradicional e da complexidade e suas implicações no contexto da educação.

A formação do educador a partir da complexidade e da transdisciplinaridade

PID: S1981-416x2007000300002 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2007
Autores: Moraes
Com este artigo, a autora examina a formação docente a partir das implicações epistemo-metodológicas da complexidade e da transdisciplinaridade, tendo em vista alguns pressupostos do Pensamento Complexo de Edgar Morin, da teoria tripolar de formação de Gastón Pineau e do Pensamento Eco-Sistêmico de M. C. Moraes. Como princípio regulador do pensamento e da ação, a complexidade exige que repensemos a formação docente a partir de um processo de formação integral de natureza transdisciplinar e que inclui os três pólos de formação: autoformação, heteroformação e ecoformação, reconhecendo a importância de sua dinâmica integrada para a vida pessoal e profissional docente. Destaca a necessidade de se dar atenção especial aos processos de autoformação, alegando que esta dimensão tem sido a menos trabalhada e considerando-a uma das mais importantes para a conquista de sua autonomia profissional, pessoal e existencial do professor. Alega que nela está também contido um processo de antropogênese que transita entre a auto e a ontoformação, onde o Eu psicológico, o Eu social e o Eu docente estão todos imbricados e influenciando, simultaneamente, tanto o SER como o FAZER docente. É, portanto, a partir da dinâmica operacional entre esses três pólos constitutivos da ação docente que emerge a complexidade subjacente à ação formadora e que se revela tanto no nível da ação de um sujeito que é multidimensional, como também no técnico-pedagógico ou no sociocultural, aspectos estes que representam a totalidade constitutiva de um sistema de formação docente, a partir da complexidade. Reconhece que todo processo formativo implica, portanto, uma dinâmica auto, hetero e ecoformadora de natureza complexa, aberta, fundada na solidariedade, no questionamento constante e nas reflexões desenvolvidas e apoiadas pelos recursos técnico-tecnológicos disponíveis. Esta visão desvela processos que envolvem incerteza, emergência, mudança, recursividade e transformação e que requerem do profissional docente um maior compromisso e responsabilidade com a educação como decorrência natural de sua consciência transdisciplinar em processo de transformação.

A formação inicial e continuada dos professores de adolescentes: os adolescentes existem?

PID: S1981-416x2007000200012 | Revista: Revista Diálogo Educacional (1981-416x) | Año: 2007
Autores: Silva
Esse texto tem por objetivo apresentar considerações tecidas em nossa pesquisa de Mestrado2 discutindo as relações entre formadores, professores e adolescentes da formação inicial à prática na Educação Básica. A primeira consideração que se destaca é a quase inexistência da abordagem das vivências dos adolescentes nas práticas dos formadores. A ausência de conteúdos que discutam esse momento do desenvolvimento humano revela uma negação da importância do estudo de suas vivências específicas. A segunda delas é a forte identificação entre a concepção de educação adotada pelos formadores e suas manifestações na prática pedagógica deles. As manifestações que aparecerem, aqui, são a relação que os formadores estabelecem com os licenciandos, a concepção que os formadores têm de formação de professores, o grau de inserção dos formadores no processo da Educação Superior. E são, em grande medida, resultantes da concepção educacional adotada pelos formadores, da não exigência de formação didática e/ou de vivências com aquelas etapas educacionais pelos formadores, pela inexistência de uma política de formação continuada e até mesmo de espaços pedagógicos e físicos que facilitem as práticas coletivas dos formadores. Constatamos escassez de bibliografia concernente a adolescentes, adolescentes pobres, formação inicial e continuada de formadores da Educação Superior, como, também, de bibliografia que trate da relação entre estes temas e entre os sujeitos envolvidos neles.
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