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O exemplo de Agrado: imagem, técnica e autenticidade

PID: S0104-40602005000200005 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Oliveira Jr
Tomando como referência a personagem Agrado do filme Tudo sobre minha mãe, de Pedro Almodóvar, ensaiam-se proposições sobre um outro modo de se entender a autenticidade - desvinculado da natureza dos corpos e vinculando-se à cultura urbana e às técnicas que vêm permitindo aos corpos a realização material de um vir-a-ser sonhado - de uma imagem para o corpo. De que maneira o cinema, a partir dos exemplos dados pelos personagens apresentados em suas telas, atua na produção dessas imagens-corpos? A educação do olhar pelas imagens cinematográficas permitiria uma visão para além da imagem? Essas são as perguntas que perpassam o ensaio.

O homem na publicidade da última década. Uma cultura em mutação?

PID: S0104-40602005000200008 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Garboggini
Procuramos focalizar estereótipos masculinos, examinando alguns modelos da publicidade dos últimos dez anos. Discutimos algumas mudanças na sociedade, enfrentadas pelo homem atualmente. Retomamos uma tipologia de gênero baseada na semiótica. Apontamos algumas transformações e diferenças atuais de apresentação dos homens na publicidade.

O processo de produção de hipertextos em curso superior: alternativa didática para constituir-se como autor

PID: S0104-40602005000100017 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Nunes
Este artigo apresenta os resultados de uma alternativa didática, desenvolvida no âmbito da ação-investigação, em um curso de Pedagogia. O objetivo foi a produção de um hipertexto. A ação-investigação foi realizada durante três semestres - de 2002/2 até 2003/2, em turmas de sexto período do referido curso. O propósito do estudo foi superar, no decorrer do processo, os entraves na leitura e na escrita, para alcançar a meta da autoria. Foi avaliada como uma experiência bem-sucedida, se considerarmos os resultados obtidos na integração dos processos de ensinar-aprender-avaliar.

O valor social da brancura no pensamento educacional da era Vargas

PID: S0104-40602005000100008 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Dávila
Este artigo sugere que o pensamento educacional que virou a base dos projectos de reforma durante a era Vargas foram fundamentadas no pensamento eugênico da época, que visava definir e curar a suposta degeneração de brasileiros pobres e de cor. Esse pensamento virou incentivo para a expansão escolar, ao mesmo tempo que dificultava a ascensão social do afrodescendente e das classes populares.

Os manuais de medicina e a circulação do saber no século XIX no Brasil: mediação entre o saber acadêmico e o saber popular

PID: S0104-40602005000100005 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Figueiredo
Análise do papel desempenhado pelos manuais de medicina na difusão do saber médico entre a população leiga no Brasil ao longo do século XIX. Os manuais analisados serão escolhidos entre os textos voltados ao público sem formação acadêmica e com dificuldades, de diversas ordens, em encontrar os médicos no século XIX no Brasil. A idéia que norteia o artigo é avaliar em que medida os manuais de medicina popular exerciam o papel de divulgadores do conhecimento médico sistematizado nas academias.

Processos comunicacionais da cultura jovem na rede social do ciberespaço

PID: S0104-40602005000200010 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Dias
A difusão das novas tecnologias na educação, sobretudo a Internet, vem nos forçando a revisar ategorias e conceitos monolíticos e reducionistas da educação tradicional, apontando para a construção de um novo modelo que nos remeta a uma visão bem mais complexa e dinâmica dos processos comunicacionais, representada, principalmente, pela lógica hipertextual. O site Bocada Forte, nosso objeto de estudo, aponta para uma re-configuração da comunicação humana, baseada no diálogo e na pluralidade, em oposição à comunicação unívoca e monológica da educação tradicional - marcada pela falta de autonomia e criação.

Reformas, instituições e políticas de saúde no Brasil (1930-1945)

PID: S0104-40602005000100009 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Hochman
O objetivo geral desse artigo é descrever e analisar de modo sucinto as principais mudanças institucionais e tendências políticas no setor de saúde durante o Primeiro Governo Vargas, em particular na gestão de Gustavo Capanema, no Ministério da Educação e Saúde (1934-1945). Um aspecto enfatizado no artigo é a relação entre as reformas da saúde e as mudanças e ideologia do regime político instaurado em 1930, indicando permanências e rupturas em relação ao período republicano anterior, assim como os impactos dessas reformas sobre a saúde pública no Brasil contemporâneo.

Relações temporais entre aprendizagem e desenvolvimento e periodização da escolarização: uma reflexão na perspectiva vigotskiana

PID: S0104-40602005000200015 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Teixeira
O artigo apresenta algumas reflexões, na perspectiva da psicologia histórico- cultural, sobre o aspecto do tempo na aprendizagem, sobretudo a que se processa no contexto da educação escolar. O texto foca o problema das relações temporais entre aprendizagem e desenvolvimento. Ao enfatizar implicações dessas relações para a periodização da escolarização, o trabalho levanta alguns argumentos para um questionamento das periodizações estanques de um ano, como a da seriação, ou mesmo das periodizações de mais anos letivos, como as que vêm sendo chamadas genericamente no Brasil de ciclo de aprendizagem.

Subjetivação e a educação através da internet

PID: S0104-40602005000200009 | Revista: Educar em Revista (0104-4060) | Año: 2005
Autores: Artuso
Este artigo é um estudo sobre os mecanismos de poder e de subjetivação que se fazem presentes no processo de ensino-aprendizagem através da Internet. Utilizando-se de idéias da literatura de Foucault e Deleuze, faz uma análise dos mecanismos existentes nas propostas de uso da Internet como ferramenta para a instrução formal e continuada, acompanhada de uma descrição da ética presente na rede. Esta análise trabalha com a idéia de um poder produtor, emaranhado com e em microsituações sociais, e a estrutura dessa nova tecnologia educacional, de onde se vê emergir novos sujeitos e subjetividades, mas que propicia também novas brechas para resistências.

A internet vai à escola: domínio e apropriação de ferramentas culturais

PID: S1517-97022005000100005 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Giordan
RESUMO O objetivo deste artigo é descrever e analisar o processo de introdução da internet em uma comunidade escolar, e verificar como o domínio e a apropriação da ferramenta cultural e os propósitos da ação mediada condicionam esse processo. A partir da descrição e análise desse processo, identificam-se os elementos condicionantes do domínio e da apropriação das ferramentas culturais, tendo como suposto o conceito de ambientes telemáticos. Definem-se ambientes da internet a partir do conceito de ferramenta cultural e das propriedades da ação mediada. Descreve-se a introdução da internet em uma escola no curso de um programa de formação continuada, de onde se obtêm evidências da determinação dos propósitos e das formas de uso da ferramenta cultural pelos agentes sobre os processos de elaboração de significados, e de apropriação do correio eletrônico pelos professores e pela instituição. Analisam-se as modalidades discursivas observadas nos diálogos para explicar as ações internas e externas realizadas pelos professores, a partir das quais se discute a interação entre a estrutura discursiva e a estrutura das ações mediadas, bem como as funções do diálogo e da ferramenta cultural na elaboração de significados. Apresentam-se razões para se realizarem programas de formação continuada sobre o uso da internet, no interior da escola, justificadas pelas transformações observadas na ambiência de ensino e aprendizagem.

Amplitude e aspectos peculiares das desigualdades sociais na escola francesa

PID: S1517-97022005000100002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Duru-Bellat
RESUMO A sociologia francesa denuncia com intensidade, desde o fim dos anos 1960, desigualdades sociais importantes e estáveis tanto no acesso aos diferentes níveis de ensino quanto ao sucesso escolar stricto sensu. Essa denúncia tomou a forma de uma teoria geral, elaborada por Bourdieu e Passeron, que faz dessas desigualdades sociais a resultante necessária do funcionamento da instituição escolar. E essa tese, não só de grande influência entre os sociólogos, como também amplamente difundida, contribuiu para nutrir um certo fatalismo, pois estabelece que a função mesma da escola é reproduzir e legitimar as desigualdades sociais. Por outro lado, ela produziu também um fluxo continuado de trabalhos que visam a fornecer-lhe confirmações empíricas. Este artigo apresenta, de maneira sintética, os principais resultados acumulados pela sociologia da educação francesa nessa direção, isto é, no que concerne às desigualdades sociais na escola. Na análise da gênese dessas desigualdades, distingue os mecanismos individuais e os mecanismos contextuais, assim como as desigualdades decorrentes do sucesso acadêmico stricto sensu, daqueles que resultam dos fenômenos de orientação e de escolhas escolares. A questão da responsabilidade própria da escola perante essas desigualdades é abordada em conclusão, indicando que o papel da escola em matéria de desigualdades sociais é ajustado por fatores estruturais, o que leva, quanto a teorias como a de Bourdieu, a relativizar um pouco sua importância, ou pelo menos a repensá-la profundamente.

As identidades docentes como fabricação da docência

PID: S1517-97022005000100004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Garcia Hypolit Vieira
RESUMO Neste trabalho se discute como os docentes têm sido vistos e posicionados especialmente pelos discursos educacionais das últimas décadas, analisando-se como têm sido definidas a sua situação ocupacional e a profissionalização do ponto de vista dos estudos do campo educacional. Discute-se a identidade em relação às posições de sujeito, que são atribuídas aos professores e às professoras no exercício de suas funções em contextos laborais concretos, e, ainda, em relação ao conjunto das representações postas em circulação pelos discursos relativos aos modos de ser e agir dos professores e professoras no exercício de suas funções. Exploram-se os argumentos quanto aos modelos de profissionalismo que transitam como mais ou menos adequados e debatem-se possíveis implicações desses modelos na construção das identidades docentes. Busca-se, também, mostrar como as reestruturações educativas das últimas décadas, ao estimular certos modelos de profissionalismo, constroem identidades docentes mais ou menos articuladas aos objetivos últimos das reformas, e assim procurar revelar contradições, avanços, limites e possibilidades em cada um deles. Por fim, discutem-se alguns aspectos teórico-metodológicos para investigações sobre a identidade docente, indicando que um dos caminhos produtivos para a pesquisa nesse campo pode ser a busca das diferenças, das descontinuidades, das divisões dessa categoria, privilegiando as narrativas dos professores e das professoras acerca de si mesmos e de seus contextos de trabalho.

Crise da consciência contemporânea e expansão do saber não cumulativo

PID: S1517-97022005000300002 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Haroche
RESUMO Refletindo sobre os fins da universidade, este ensaio se questio-na quanto à possibilidade mesma do ensino e, além disso, à possibilidade de conhecimento e de sentido nas sociedades contemporâneas, nas quais as condições de apropriação e de transmissão dos saberes estão profundamente transtornadas: uma incerteza às vezes radical quanto a si mesmo e quanto ao outro abre caminho para uma insegurança psíquica profunda. Os fluxos sensoriais contínuos provocam uma divisão inédita do trabalho dos sentidos, acentuando o papel da visão em detrimento dos demais; induzem a uma redistribuição das relações entre sensação, percepção, reflexão; e fortalecem a contingência, a instabilidade, a incerteza que se encontram no âmago da crise da cultura e da educação. O pensamento se encolhe, traduzido numa especialização, uma compartimentalização dos saberes. Que tipo de personalidade e de consciência, que forma de sensibilidade são estimuladas por essa educação? O que designa hoje em dia a palavra consciência? Poderemos ainda falar de atividade crítica? O pensamento individual, original, parece ter declinado diante da corporação, do grupo, do coletivo, legitimado pelo número, a quantidade, as exigências de produtividade e a avaliação por gestores, e tende, a partir daí, a se tornar cada vez mais homogêneo e conformista. Contudo, o ensaio busca mostrar que essas características, não sendo novas, foram apenas aceleradas e intensificadas na contemporaneidade, paradoxalmente, não nos privando de toda esperança quanto aos fins da universidade e às possibilidades do pensamento crítico.

Discutindo a educação ambiental a partir do diagnóstico em quatro ecossistemas no Brasil

PID: S1517-97022005000200011 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Carvalho
RESUMO Este artigo disponibiliza os principais resultados do estudo "Uma leitura da educação ambiental em cinco estados e um bioma do Brasil", realizado em quatro redes de educação ambiental. O estudo em questão foi concluído em novembro de 2004, respondendo à demanda da Rede Brasileira de Educação Ambiental e baseou-se nos dados dos diagnósticos realizados pelas seguintes redes: Rede Paulista - REPEA(SP); Rede Sul - REASUL (PR, SC e RS); Rede Aguapé (MT e MS/bioma Pantanal) e Rede Acre - RAEA (AC) para alimentação do Sistema Brasileiro de Informações Ambientais; Ministério do Meio Ambiente (SIBEA/MMA) no período 2001-2003. O estudo teve como objetivos apresentar uma sistematização das categorias comuns pesquisadas em cada rede; discutir se é possível, a partir consolidação dos dados recolhidos, comparar as características da educação ambiental para as regiões pesquisadas; e, finalmente, destacar desafios, limites e oportunidades que se evidenciam no desenvolvimento da educação ambiental. Na análise dos dados são destacadas tendências como: a natureza das instituições que oferecem atividades de educação ambiental, na sua maioria instituições públicas e da sociedade civil e em menor escala, privadas; as instituições de educação ambiental e educadores/especialistas e pesquisadores concentram-se na região sudeste; predominam atividades de sensibilização/mobilização seguidas de capacitação em educação ambiental; o conceito de educação ambiental não apresenta uma compreensão consensual no conjunto das redes; existem mais projetos que programas de educação ambiental; predominam cursos de curta duração na formação do educador ambiental. Nas considerações finais são analisadas estas tendências à luz dos contextos políticos e educacionais e sugeridas questões para a reflexão sobre as relações entre educação ambiental e sua inserção social.

Educación ambiental en tiempos de catástrofe: la respuesta educativa al naufragio del Prestige

PID: S1517-97022005000200009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Cartea
RESUMEN En noviembre de 2002, un petrolero obsoleto, el Prestige, naufragó y vertió su carga en las costas de Galicia (noroeste de la Península Ibérica). Este accidente originó un "experimento" social indeseado pero valioso para comprender cómo se representa socialmente la experiencia catastrófica de los "riesgos manufacturados". Este artículo analiza la respuesta del sistema educativo regional a la catástrofe desde dos puntos de vista: a) su comprensión en el marco de la respuesta social crítica y proactiva ante los intentos oficiales de representar una "no-catástrofe" y, b) el papel de la Educación Ambiental (EA) como praxis pedagógica cuya dimensión política se revela como indispensable. La tesis que defendemos es que la naturaleza política de la EA, muchas veces sólo implícita y otras negada explícitamente, se redescubre aquí como eje primordial en la respuesta del sistema educativo y de otros agentes educadores. En este sentido, la catástrofe no ha sido sólo ecológica, sino también, y sobre todo, social y política al cuestionar la globalización económica - su causa radical - y poner en evidencia la vulnerabilidad de las administraciones, incapaces de prevenir o mitigar su impacto sobre el ambiente y las comunidades humanas. En este escenario, la EA contribuye a reflexionar sobre el origen de la catástrofe como consecuencia inesperada de la "modernidad avanzada", en sintonía con el análisis que hace Ulrich Beck sobre la "sociedad del riesgo" y sobre el potencial politizador de las sucesivas catástrofes - la punta del iceberg - en las que el nuevo ethos social se manifiesta y construye.

Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo

PID: S1517-97022005000200007 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Jacobi
RESUMO A multiplicação dos riscos, em especial os ambientais e tecnológicos de graves conseqüências, é elemento chave para se entender as características, os limites e as transformações da nossa modernidade. É cada vez mais notória a complexidade desse processo de transformação de uma sociedade cada vez mais não só ameaçada, mas diretamente afetada por riscos e agravos socioambientais. Os riscos contemporâneos explicitam os limites e as conseqüências das práticas sociais, trazendo consigo um novo elemento, a "reflexividade". A sociedade, produtora de riscos, torna-se crescentemente reflexiva, o que significa dizer que ela se torna um tema e um problema para si própria. O conceito de risco passa a ocupar um papel estratégico para o entendimento das características, dos limites e das transformações do projeto histórico da modernidade e para reorientar estilos de vida coletivos e individuais. Num contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, isso envolve um conjunto de atores do universo educativo em todos os níveis, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento e a sua capacitação numa perspectiva interdisciplinar. Os educadores têm um papel estratégico e decisivo na inserção da educação ambiental no cotidiano escolar, qualificando os alunos para um posicionamento crítico face à crise socioambiental, tendo como horizonte a transformação de hábitos e práticas sociais e a formação de uma cidadania ambiental que os mobilize para a questão da sustentabilidade no seu significado mais abrangente.

Educação ambiental como política pública

PID: S1517-97022005000200010 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Sorrentino Trajber Mendonça Ferraro Junior
RESUMO A educação ambiental surge como uma das possíveis estratégias para o enfrentamento da crise civilizatória de dupla ordem, cultural e social. Sua perspectiva crítica e emancipatória visa à deflagração de processos nos quais a busca individual e coletiva por mudanças culturais e sociais estão dialeticamente indissociadas. A articulação de princípios de Estado e comunidade, sob a égide da comunidade, coloca o Estado como parceiro desta no processo de transformação do status quo situado, segundo Boaventura de Souza Santos, como um "novíssimo movimento social". A tal Estado cumpre o papel de fortalecer a sociedade civil como sede da superestrutura. No campo ambiental, o Estado tem crescido em termos de marcos regulatórios sem uma capacidade operacional que condiga com a demanda em vista da redução do Estado (década de 1990) e da ausência de reformas que não sejam a do Estado mínimo. À educação ambiental cumpre, portanto, contribuir com o processo dialético Estado-sociedade civil que possibilite uma definição das políticas públicas a partir do diálogo. Nesse sentido, a construção da educação ambiental como política pública, implementada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), implica processos de intervenção direta, regulamentação e contratualismo que fortalecem a articulação de diferentes atores sociais (nos âmbitos formal e não formal da educação) e sua capacidade de desempenhar gestão territorial sustentável e educadora, formação de educadores ambientais, educomunicação socioambiental e outras estratégias que promovam a educação ambiental crítica e emancipatória. As políticas públicas em educação ambiental implicarão uma crescente capacidade do Estado de responder, ainda que com mínima intervenção direta, às demandas que surgem do conjunto articulado de instituições atuantes na educação ambiental crítica e emancipatória.

Educação, desenvolvimento humano e cosmos

PID: S1517-97022005000300003 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Mogilka
RESUMO Este artigo procura analisar o processo de formação e desenvolvimento humano. Ele toma como ponto de partida conceitos da pedagogia humanista e tenta produzir alguns avanços na reflexão sobre esses processos. O artigo tenta demonstrar que essa abordagem explica esses processos de forma interacionista, global e holística. Suas reflexões iniciais se baseiam no pensamento de Carl Rogers, Jean-Jacques Rousseau e John Dewey, tentando resgatar importantes contribuições desses três pensadores sobre o desenvolvimento humano. Em seguida, busca demonstrar a necessidade de superar algumas contradições nas idéias desses autores, atitude necessária para radicalizar uma compreensão interacionista do tema. Talvez a principal contradição nesses autores e em uma parte considerável das pedagogias antiautoritárias esteja na oscilação entre inatismo e interacionismo. Não obstante o grande valor dessas pedagogias para a estruturação de propostas radicalmente democráticas de educação e de sociedade, o artigo tenta demonstrar a necessidade de superação da citada oscilação para avançarmos nesse campo. Ao radicalizarmos o interacionismo, podemos exercitar uma compreensão complexa de ser humano, que o enxerga como um ser afetivo, político e cósmico, simultaneamente. Assim, o organismo humano é entendido em sua unidade interna, em seu pertencimento social e em sua ligação com o cosmos, dimensões imprescindíveis para uma compreensão não fragmentária do desenvolvimento humano.

Escolas, professores e caipiras: exercício para um descentramento histórico

PID: S1517-97022005000100009 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Garnica
RESUMO Com a intenção de constituir um cenário histórico para a formação e atuação de professores no interior do estado de São Paulo, este artigo esboça o que chamamos de Educação (Matemática) "caipira", aproveitando uma adjetivação já consagrada pela Sociologia. O termo "descentramento", emprestado de Hall (2004), serve, aqui, para intensificar uma característica deste estudo, a saber, a pretensão de dissociar-se das abordagens mais freqüentes, tanto na História da Educação quanto na História da Educação Matemática, que tomam como ponto de partida os grandes centros e as instituições formadoras "clássicas" (como as Faculdades de Filosofia), negligenciando uma pluralidade de aspectos que, segundo cremos, é essencial para se compreender, mais ampla e globalmente, certas práticas educativas. Para efetivar tal intenção, partimos de uma caracterização do sistema educacional rural para, em seguida, situar o movimento de ampliação do ensino secundário, cuja ênfase determinante ocorre na década de 1950 com a construção de escolas e a necessidade de formar professores que nelas atuassem. Embora focando, nesses dois aspectos, a região de Bauru (SP), percebe-se que as compreensões que daí surgem podem caracterizar outros contextos. Finalmente, discutimos a Nova Alta Paulista, região de colonização mais recente, com o que se configura um movimento de intercâmbio entre, de um lado, as regiões mais velhas do estado e suas instituições já bem estabelecidas e, por outro, as regiões "novas", com o que uma espécie da ampliação do conceito de colonização, agora aplicada ao contexto educacional, pode ser vislumbrada.

Formação de professoras e Escolas Normais paulistas: um estudo da disciplina Biologia Educacional

PID: S1517-97022005000200004 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2005
Autores: Viviani
RESUMO Este trabalho apresenta resultados de pesquisa sobre a história da disciplina Biologia Educacional (1933 a 1970), no âmbito da Escola Normal paulista. As elaborações dessa disciplina inseriram-se em projetos de renovação educacional em desenvolvimento no país desde a década de 1920, produzindo determinadas necessidades para o processo de formação de docentes e para suas futuras práticas. Esse processo, bem como os objetivos e as finalidades sociais da disciplina, foi analisado mediante o exame da atuação de diferentes grupos de interesses sociais, políticos e profissionais. Também foram investigadas as formas sob as quais o conhecimento científico disponível à época foi recriado para servir a esse processo de formação. Tomando como referência teórica os escritos de André Chervel e Ivor Goodson, pressupõe-se o caráter criativo das produções do sistema escolar, levando em conta suas possibilidades de reelaborar conhecimentos acadêmicos e de formar os indivíduos e também uma cultura escolar, produzindo padrões que se estendem a outras esferas sociais. A investigação baseou-se em análises de planos e programas de ensino, manuais didáticos, documentação arquivística e depoimentos de professoras. Foram identificadas várias formas de organização de conteúdos, com destaque para o padrão de maior sucesso, calcado no binômio hereditariedade e meio, dado como facilitador do conhecimento das individualidades humanas e, conseqüentemente, do trabalho do educador no sentido de disciplinar seus alunos para a máxima eficiência física e mental. Verificou-se também a construção de perfis de atuação social, em referência às crianças, mães e donas de casa, bem como de um ideal de desempenho profissional considerado moderno.
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