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Análise microgenética em pesquisa com alunos surdos

PID: S1413-65382004000100008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Kelman Branco
Utiliza-se uma perspectiva metodológica qualitativa, a análise microgenética, para pesquisar alunos surdos e seus processos de integração em classes regulares do ensino fundamental. O estudo é realizado em uma classe de integração de uma escola pública inclusiva em Brasília. Aborda as interações entre professoras-alunos surdos e entre alunos surdos e seus colegas ouvintes, analisando aspectos comunicativos e metacomunicativos observados nas interações sociais. A díade de professoras analisada nesse artigo foi escolhida dentre quatro díades (no total, mais de cem horas de observação), pela riqueza de ações verbais e não verbais presentes no processo comunicativo. O estudo utiliza a análise microgenética no contexto da metodologia qualitativa por entender que esta análise, apesar de exigir um longo trabalho com o corpus de dados obtidos através de registro de observações, é a metodologia que melhor permite identificar e analisar o fenômeno das interações em sala de aula. A abordagem sociocultural construtivista, que destaca a importância da dimensão da cultura e do sujeito ativo no desenvolvimento humano, associada à análise microgenética consiste, assim, no modelo teórico-metodológico que fundamenta e orienta a definição dos recortes feitos na pesquisa, bem como a construção dos dados. Ao identificar condições e estratégias que facilitam e/ou dificultam a integração entre os alunos e as possibilidades de sucesso das experiências de ensino-aprendizagem, o estudo busca oferecer contribuições no sentido da promoção da inclusão, apesar das dificuldades inerentes ao processo de elucidação dos elementos importantes que facilitam uma verdadeira inclusão e integração dos alunos surdos nas classes regulares.

Aquisição e desenvolvimento da linguagem em crianças com necessidades especiais decorrentes da deficiência visual: revisão da literatura

PID: S1413-65382004000300009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Oliveira Marques
O objetivo deste artigo foi efetuar uma revisão da literatura acerca das principais investigações conduzidas sobre o tema aquisição e desenvolvimento da linguagem realizadas com crianças portadoras de deficiência visual. Apreendeu-se que nas décadas de 80 e 90 as pesquisas foram expressivas, porém, em função de problemas metodológicos e da impossibilidade de generalização de resultados deram origem a controvérsias que persistem até o presente momento. No âmbito nacional poucos estudos abordam o tema de modo específico, isto é, o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem na referida população. Embora exista uma vasta literatura estrangeira a respeito do assunto ainda é notória a necessidade de ampliação de pesquisas sobre o processo em questão, visando novas propostas de intervenção e programas educacionais especiais.

Avaliação de artigos da Revista Brasileira de Educação Especial

PID: S1413-65382004000300003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Manzini
O objetivo do presente trabalho é expor, detalhadamente, o processo de avaliação dos textos submetidos à Revista Brasileira de Educação Especial, bem como realizar uma análise dos pareceres e identificar os critérios que nortearam a avaliação, reformulação e, conseqüentemente, a aprovação ou não dos textos científicos submetidos à avaliação em 2003 e 2004. Para tanto, analisamos 60 pareceres exarados pelo Conselho Editorial e pelos pareceristas "<em>ad hoc</em>" da Revista Braseira de Educação Especial, sendo que 12 destes indicavam a não aprovação do artigo. Por meio do tratamento das informações realizado, foi possível identificar quatro categorias de análise. 1) Relevância, mérito, originalidade dos artigos; 2) Composição dos artigos (divisão em seções; presença de resumo, palavras chaves e abstract); 3) Normatização (referências, notas de rodapé, inserção de figuras, tabelas e quadros); e 4) Conteúdo (objetivos, procedimentos de tratamento e análise, apresentação dos resultados, etc). Tais categorias indicaram as necessidades mais comuns relacionadas à revisão, reformulação e motivos da recusa dos artigos. É possível concluir que os pareceres exarados pelo Conselho Editorial e pelos pareceristas "<em>ad hoc</em>" da Revista Braseira de Educação Especial têm um caráter pedagógico e indicam aos autores as necessidades de reformulação dos textos.

Conceito sobre a educação da criança deficiente, de acordo com professores de educação infantil da cidade de Bauru

PID: S1413-65382004000100005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: De Vitta Silva Moraes
O presente trabalho objetivou verificar os indicativos sobre o conceito de educação da criança deficiente na faixa etária de 3 a 6 anos, junto a professores de educação infantil, que quanto à prática educativa atual, diferem em relação à presença de alunos com deficiências em seus ambientes de trabalho. Para consecução do objetivo proposto foram aplicados um protocolo de informações pessoais e profissionais e um questionário, com questões abertas e fechadas, junto a 70 professores: 35 que trabalham com crianças nesta faixa etária, em classes regulares sem a inserção de crianças deficientes na escola; 31 responsáveis por classes regulares com crianças deficientes inseridas e 4 que lecionam em escolas especiais. Os resultados foram analisados através de estatística descritiva e análise de conteúdo e revelaram que os professores acreditam que a aprendizagem sofre maior interferência na criança deficiente mental, e menor, na deficiente física. Para eles, os fatores que dificultam a educação da criança deficiente incluíram aqueles inerentes ao indivíduo deficiente, à pessoa do professor e à estrutura escolar atual, sendo estes os mais destacados. Não foram observadas diferenças significativas nas respostas dos diferentes grupos de professores. Pode-se concluir que para que haja real inclusão da criança deficiente na rede regular de ensino, há que se propiciar condições de mudança estrutural na rede educacional, ou seja, possibilitar formação que contemple conteúdos referentes às deficiências e às diferenças individuais, formas de adaptação e adequação do material pedagógico, adaptação do espaço físico, além de apoio técnico específico.

Conhecendo a realidade de irmãos mais velhos de crianças que possuem necessidades especiais

PID: S1413-65382004000300008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Matsukura Cid
Buscando uma maior compreensão da dinâmica e do processo vivenciado por famílias de crianças que possuem necessidades especiais e, considerando que os irmãos, assim como os pais, vivenciam esta realidade, o objetivo do presente estudo foi investigar os principais aspectos presentes no desenvolvimento e no cotidiano de irmãos mais velhos de crianças portadoras de necessidades especiais, abarcando ambos os sexos. Foram participantes, quatro crianças, duas do sexo masculino e duas do sexo feminino, de seis a onze anos que tinham irmãos portadores de necessidades especiais e suas respectivas mães e professoras. Para a coleta de dados utilizou-se de entrevistas semi-estruturadas. Após as transcrições das falas, os conteúdos das entrevistas foram agrupados em temas representativos e, a partir dos mesmos, foi construído o Discurso do Sujeito Coletivo de cada grupo de participantes - criança, mãe e professora. Os principais resultados encontrados revelaram que as crianças apresentam características comuns como: independência, maturidade, bom desempenho escolar, além disso, ajudam os irmãos com necessidades especiais nas tarefas cotidianas e possuem amigos. Os resultados foram discutidos sob o enfoque do desenvolvimento infantil, da dinâmica familiar.

Contribuições e limitações do método Doman-Delacato no contexto da educação especial

PID: S1413-65382004000300005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Wachelke Natividade Faggiani Andrade
É necessário que haja um movimento constante de análise e avaliação de métodos e concepções direcionados ao campo da educação especial, para que possa ser assegurado que as práticas nessa área sejam válidas e embasadas por um corpo de conhecimentos coerente e fundamentado na ciência. Em consonância com essa preocupação, o presente ensaio pretende apresentar as características gerais, contribuições e limitações de um método específico de tratamento adotado em contextos voltados para a educação especial, tanto em nível nacional quanto internacional: o método Doman-Delacato, praticado em instituições de todo o mundo, inclusive brasileiras. Como critérios para avaliar o método, foram consideradas a existência de pesquisas que comprovem a eficácia do método e a validade da teoria que o baseia, a compatibilidade do método com noções aceitas emgrande escala no campo da educação especial, e as implicações práticas para as partes envolvidas decorrentes da adoção do método. Após apresentar e discutir esses aspectos dessa prática em educação especial, concluímos, em concordância com diversos autores da literatura da área, que se trata de um método ineficiente, caracterizado por uma grande quantidade de equívocos em seus pressupostos teóricos, e cuja intensidade exigida para ser executado é exagerada e desnecessária. O caso desse método em educação especial evidencia a necessidade de reafirmar os laços entre a produção de conhecimento científico e a realização de intervenções profissionais em educação especial, assegurando à sociedade que somente práticas com base empírica sejam adotadas em definitivo.

Educador especial: reflexões e críticas sobre sua prática pedagógica

PID: S1413-65382004000200002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Leite
Este texto pretende trazer algumas reflexões sobre como o educador especial deve orientar suas ações educacionais, caso deseje promover um ensino de qualidade a uma parcela que ainda se encontra, muitas vezes, distante do espaço escolar. Serão analisadas as funções do professor especialista e sua atuação profissional no atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais, fazendo uma alusão a práticas pedagógicas que ainda promovem a segregação desses educandos, no cenário educacional atual. No decorrer da análise textual recorreu-se aos pressupostos da Psicologia sócio-histórica, para embasar teoricamente as reflexões apresentadas sobre a atuação do educador especial.

Estigma no tempo da inclusão

PID: S1413-65382004000300004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Omote
O artigo analisa a construção social do desvio a partir dos significados sociais atribuídos a diferenças que não se conformam às expectativas normativas. Aponta as reações de uma audiência como variáveis críticas na construção e manutenção do desvio, uma vez que nenhuma qualidade é inerentemente vantajosa ou desvantajosa do ponto de vista social. O estigma é tratado como marca social de descrédito e de inferioridade das pessoas que pertencem a alguma categoria de desvio, e cumpre a função de controle social para a manutenção da vida coletiva. Aventa-se a idéia de que os desvios e estigmas são necessários na construção de uma sociedade inclusiva, justamente porque há aí uma ampla gama de desigualdades. O estigma é parte integrante da inclusão, e este é o grande dilema a ser enfrentado pelas sociedades humanas que precisam combater as desigualdades. A vida comunitária dos diferentes, sem as desigualdades sociais de hoje e com o respeito à diversidade, precisa conviver com o controle social por meio de estigma.

Formação de recursos humanos em educação especial: resposta das universidades à recomendação da Portaria Ministerial nº 1.793

PID: S1413-65382004000300006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Chacon
Nesta pesquisa foram analisadas as grades curriculares dos cursos de Psicologia e Pedagogia de 33 universidades brasileiras, sendo 27 públicas e 06 particulares, bem como suas respectivas ementas e/ou conteúdos, no período compreendido entre 1992 e 1997, tendo em vista a Recomendação feita pelo MEC, por meio da Portaria Ministerial nº 1.793 de 27de dezembro de 1994. Foram convidados a participar da pesquisa seis profissionais, na qualidade de juízes, sendo três pedagogos e três psicólogos. Foi possível identificar disciplinas de Educação Especial, surgidas após a Recomendação da Portaria nº 1.793, nas grades curriculares de sete cursos de Pedagogia e três cursos de Psicologia. Além destes, um curso de Pedagogia adotou uma disciplina de Educação Especial, como eletiva, e um adotou uma disciplina que contempla o tópico. Não foi possível levantar os reais motivos que levaram a maior parte desses cursos a não atender à referida Recomendação. Entretanto, o mecanismo adotado pela SEESP/MEC parece ter exercido influência sobre os mesmos, se não total, pelo menos parcialmente.

Habilidades interativas e comunicativas de crianças autistas: ponto de vista materno

PID: S1413-65382004000200008 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Malaspina Lamônica
O processo de avaliação das habilidades interativas e comunicativas pode, nos quadros de autismo, sofrer interferências dos aspectos comportamentais, dificultando que estas crianças respondam adequadamente aos estímulos nas situações de testagem, uma vez que apresentam dificuldades quando há: quebra da rotina, novas interações interpessoais, mudanças do ambiente físico, dentre outros. Neste aspecto, a família, e principalmente a mãe, com a convivência diária com o filho autista, pode contribuir informando e descrevendo suas habilidades interativas e de comunicação com precisão, auxiliando os profissionais na descoberta das peculiaridades comunicativas de seus filhos. Este estudo teve como objetivo investigar com as mães de crianças autistas suas percepções quanto às habilidades interativas e comunicativas de seus filhos. Fizeram parte deste estudo 34 mães de autistas que responderam um questionário contendo perguntas sobre os primeiros sintomas, o diagnóstico, as habilidades interativas e comunicativas. Os resultados, após análise descritiva dos dados, apontaram que as mães perceberam as dificuldades interativas e comunicativas de seus filhos, descrevendo, como principais alterações do desempenho interativo, brincar de forma estranha, uso do outro como instrumento, movimentos repetitivos e de auto estimulação, dentre outros. Quanto a comunicação, todas relataram dificuldade e descreveram o mutismo, o uso de jargão, ecolalia, palavras sem significado e dificuldade para acatar ordens como problemas encontrados. Dessa forma, as mães contribuíram fornecendo informações relevantes para o conhecimento do desempenho interativo e comunicativo de seus filhos.

Implementação de recursos suplementares de comunicação: participação da família na descrição de comportamentos comunicativos dos filhos

PID: S1413-65382004000200007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Deliberato Manzini Guarda
Durante o processo de seleção dos recursos alternativos e/ou suplementares são necessários cuidados específicos como uma ampla avaliação do usuário, de maneira a focalizar seus centros de interesse, suas habilidades e necessidades. Neste contexto, é importante a participação do aluno, da família e da escola. O objetivo desta pesquisa foi analisar os atos comunicativos de dois alunos com deficiência múltipla em situações familiares por meio de registro de diário e de relato familiar. Os resultados indicaram a importância de inserir a família no processo de avaliação do vocabulário inicial e os aspectos de comunicação que deverão ser orientados para a seleção e implementação de recursos alternativos e /ou suplementares de comunicação.

Interlocução entre pais e profissionais da área de educação especial e suas concepções sobre a deficiência mental

PID: S1413-65382004000300007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Camargo Torezan
Neste artigo pretende-se analisar aspectos do relacionamento entre pais de alunos especiais e profissionais da área, bem como algumas concepções que eles apresentam sobre a deficiência mental. Questões relativas à relação profissional-pais direcionaram nosso interesse para a análise do processo de interlocução que ocorre entre eles e nos levaram a indagar se em tal processo podem ocorrer ressignificações sobre concepções a respeito da deficiência, já que estas são construídas ao longo de experiências sociais. Debruçar-se sobre o processo de interlocução entre tais sujeitos não poderia ocorrer sem que buscássemos fundamentos em teorias sobre a linguagem e seu funcionamento. Consoante com a perspectiva teórica adotada, decidiu-se por uma abordagem de investigação qualitativa e por construir os dados a partir de interlocuções entre pais e profissionais, registrados em gravações magnéticas durante um trabalho de discussão em grupo, que ocorreu pelo período de um ano, com famílias de alunos de uma instituição especial. Pudemos verificar nas discussões apresentadas algumas concepções sobre a deficiência mental, envolvendo predominantemente: ambivalência dos pais quanto às possibilidades de independência e autonomia dos filhos, baixa expectativa quanto à competência para o trabalho, crença na imaturidade do sujeito com deficiência mental para o desempenho do papel sexual, insegurança sobre como agir frente aos sentimentos dos filhos ao serem discriminados socialmente. Verificou-se que as trocas que ocorrem na prática discursiva de reuniões permite que sujeitos, no caso pais e profissionais, possam elaborar e, dessa forma, enfrentar e transformar suas concepções, crenças e preconceitos a respeito da deficiência mental.

Necessidades especiais e adoção: probabilidades e prevenção

PID: S1413-65382004000100004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Azevedo Marques
Os riscos para o desenvolvimento infantil decorrentes da institucionalização e do processo de adoção podem propiciar dificuldades para integrar e regular afetos e comportamentos podendo ocasionar disfunções cognitivas, ocorrência de transtornos de comportamento, psicopatologia e prejuízos de competência social. Tais fatores justificam a necessidade de estudos com vistas à proposição de alternativas para uma prática satisfatória da adoção. Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar o processo de seleção dos candidatos a pais adotivos em seus múltiplos aspectos. Participaram do estudo cinco psicólogos e três assistentes sociais de dois Fóruns de cidades do interior de Estado de São Paulo - Brasil. Na análise dos dados procurou-se avaliar: as etapas do processo de seleção de pais para adoção; as dificuldades encontradas na seleção de pais adotivos; os critérios utilizados na seleção de pais e as dificuldades enfrentadas. Os resultados em ambos Fóruns foram similares apontando para: a) falta de informação por parte dos adotantes; b) necessidade de integração da equipe; c) curto prazo para realização do trabalho; d) grande demanda de serviço e e) necessidade de agilizar o andamento dos processos de adoção. Apreendeu-se que o sucesso da adoção depende de um eficiente processo de seleção de pais, fazendo-se necessária a aplicação de um treinamento específico dos profissionais envolvidos no processo de forma a dar-lhes uma visão mais abrangente da adoção visando também atingir uma maior agilidade no processo.

O agente de saúde e o paciente especial: examinando o jogo dialógico entre o profissional de odontologia e sujeitos com deficiência mentalHelth agent and patient with special needs: examining the dialogue between the dentist and the mental deficient subjects

PID: S1413-65382004000100003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Biato Góes
Este estudo procurou investigar os modos de atuação de uma cirurgiã dentista junto a pacientes especiais que apresentam deficiência mental e freqüentam uma instituição de educação especial. O objetivo foi caracterizar a comunicação da profissional com crianças e adolescentes, em sessões de consultório e em atividades educativas. Focalizando os diálogos estabelecidos nas diversas situações registradas, as análises buscaram configurar o lugar que a profissional ocupa nas interlocuções e as estratégias que ela emprega para os propósitos de atender e educar. Os achados sugerem que, nas instâncias de tratamento, sobretudo quando precisa obter cooperação, a comunicação da dentista mostra-se apropriada no tocante a vários aspectos da relação com seus pacientes especiais. Entretanto, nas atividades educativas, sua postura de escuta e sua disposição para conversar são reduzidas. Ela geralmente não abre espaço para as manifestações do interlocutor e tende a assumir o “comando” dos diálogos, centrando-se no informar (o que reflete uma visão do processo de ensino-aprendizagem como transmissão-recepção) e efetuando um direcionamento da interlocução a temas estritamente ligados à saúde bucal (o que limita as oportunidades de conhecer os pacientes-educandos e as significações que eles estão elaborando).

O conceito de deficiência em discussão: representações sociais de professores especializados

PID: S1413-65382004000100006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Oliveira
O objetivo desse estudo foi investigar as representações que professores habilitados nas diferentes áreas de educação especial possuem sobre o conceito de deficiência. Para isso utilizamos a entrevista como instrumento de coleta de dados. Foram participantes desse projeto 23 professores das quatro áreas de deficiência (auditiva, física, mental e visual) que atuavam no atendimento educacional especializado, em classe especial ou sala de recursos, na rede pública estadual de ensino, da cidade de Marília. Como procedimento de análise de dados utilizamos as seguintes categorias, relacionadas às concepções de deficiência que pretendíamos estudar: 1)Concepção individual; 2) Concepção psicossocial e 3) Concepção interacionista. De acordo com os resultados encontrados, pudemos observar que 13 professores (56,6%) possuem uma concepção individual da deficiência, localizando-a em atributos individuais. Encontramos, também, 7 professores (30,4%) que apresentam uma concepção psicossocial de deficiência, trazendo elementos que não são apenas intrínsecos ao indivíduo, mas consideram os fatores externos como também causas das deficiências. Dos 23 professores entrevistados, 3 (13%) apresentam uma concepção interacionista de deficiência, admitindo o papel da audiência e das interações sociais na interpretação da deficiência. No geral, as representações sociais dos professores acerca da deficiência estão sustentadas em um pensar simplista, sem muitas argumentações teóricas e pragmáticas.

O convívio com irmão especial e a caracterização da interação: um estudo descritivo

PID: S1413-65382004000200003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Nunes Aiello
Nas interações entre irmãos, estes adquirem habilidades sociais e cognitivas essenciais para um desenvolvimento social saudável. Estudos envolvendo interações entre irmãos de crianças deficientes são importantes, pois esse tipo de interação pode apresentar diferenças positivas ou negativas daquelas entre irmãos normais. Dada a escassez de estudos brasileiros sobre o tema, foram objetivos deste trabalho: 1. Caracterizar a interação entre irmãos em duas díades, sendo uma composta por um irmão deficiente e um não-deficiente, e a outra díade composta por dois irmãos não-deficientes; 2. Comparar os desempenhos das díades em jogos competitivos e cooperativos; 3. Comparar os níveis de estresse e as estratégias de enfrentamento em situações cotidianas. Duas díades foram emparelhadas quanto a idade, nível sócio-econômico e número de membros da família, e utilizou-se como instrumentos: Formulário de Irmãos, entrevista com os irmãos, e o Inventário de Estresse e Enfrentamento de Irmãos; foram realizadas quatro sessões de filmagens, de interação para cada díade, utilizando atividades competitivas e cooperativas. Os resultados mostraram que: 1. o relacionamento entre as irmãs, no qual há uma irmã deficiente, é menos íntimo, diferente em padrões de cuidado, caracterizado por assimetrias de papéis, confirmando dados da literatura; 2. não houve diferenças significativas entre as díades quanto à freqüência de estressores; no entanto, as estratégias de enfrentamento que envolvem a própria pessoa - comportamentos próprios e auto-cognições - foram as que a irmã da criança deficiente mais emprega, sendo, também, as mais eficazes em fazê-la sentir-se bem; 3. o relacionamento entre as irmãs sem deficiência apresenta maior companheirismo e troca. O estudo chama atenção para a necessidade de novas pesquisas e a inclusão de maior número de participantes em estudos futuros.

O método de história de vida na pesquisa em educação especial

PID: S1413-65382004000200009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Glat Santos Pletsch Nogueira Duque
Este artigo tem por objetivo apresentar uma síntese de um conjunto de pesquisas desenvolvidas na área de Educação Especial que utilizaram o método de História de Vida, com diversas populações. Essa metodologia de pesquisa vem sendo empregada no Brasil desde o final da década de 80, e tem como principal instrumento a entrevista aberta, sem roteiro pré-determinado. Busca encontrar, a partir da análise de percepções individuais, padrões universais de relações humanas, condutas e atitudes características de grupos sociais específicos - no caso do presente trabalho, indivíduos com necessidades especiais, seus familiares e profissionais da área. Como o objetivo básico desse tipo de estudo é aferir os significados que os sujeitos atribuem aos eventos de sua vida, a estrutura da entrevista não é determinada <em>a priori </em>pelo pesquisador, mas sim conduzida naturalmente pelos informantes. A partir das falas dos sujeitos, o pesquisador identifica as categorias ou núcleos temáticos predominantes. Destaca-se ainda que, pela flexibilidade metodológica, não há regras rígidas quanto a procedimentos de análise de conteúdo. Consideramos que o Método História de Vida, ao <em>dar voz </em>aos sujeitos, é particularmente profícuo para a Educação Especial, ou outros campos de conhecimento que lidam com grupos excluídos. Essa perspectiva de investigação traz embutida, também, uma analise reflexiva, já que o sujeito ao relatar sua vida, não só descreve suas experiências e visão de mundo, como, inevitavelmente, identifica suas necessidades e dificuldades, bem como as estratégias de adaptação e superação de sua condição estigmatizada. Na maioria dos estudos citados, portanto, a aplicação desse método traz recomendações para ações terapêutico-educativas.

O que pensa a comunidade escolar sobre o aluno com paralisia cerebral

PID: S1413-65382004000100007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Melo Martins
Visando compreender como vem se processando a inclusão no ensino regular do aluno com deficiência física, particularmente daquele que apresenta seqüela de paralisia cerebral, o presente estudo tem como objetivo identificar o que pensam os integrantes de duas comunidades escolares, da cidade do Natal-RN, acerca da presença deste aluno em seu contexto educacional. A partir dos depoimentos relatados através de entrevista semi-estruturada, verifica-se que os sujeitos pesquisados percebem o aluno com paralisia cerebral com base em: aspectos visuais, concepções arraigadas da deficiência, entendimentos inadequados, suas potencialidades, uma visão de que são pessoas que necessitam de ajuda e são importantes para formação de valores. O estudo aponta para a importância do desenvolvimento de programas de orientação visando desmistificar informações errôneas acerca da deficiência em geral, e, em especial, a respeito da paralisia cerebral, que podem servir como favorecedores para inclusão escolar desses alunos e atuação de todos aqueles que trabalham com essa clientela.

Rendimento acadêmico e adaptação escolar de alunos participantes na modalidade inclusiva de ensino que combina sala regular e sala de recursos

PID: S1413-65382004000100002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Especial (1413-6538) | Año: 2004
Autores: Garcia De Rose
O presente estudo pretendeu delinear o perfil acadêmico e a adaptação escolar de um grupo de alunos que participavam da modalidade inclusiva de ensino que combina a freqüência à sala regular e à sala de recursos. Os participantes foram nove alunos do Ensino Básico. Os instrumentos utilizados foram: o Levantamento Diagnóstico de Leitura e Escrita de Clay que avalia dez tarefas de leitura e escrita dominadas, em geral, por alunos ao final da 1ª série; o Teste de Desempenho Escolar e a Escala de Caracterização do Comportamento de Alunos em Sala de Aula que avalia o relacionamento dos alunos com a professora, os colegas e o engajamento nas tarefas. Os resultados relativos ao desempenho dos alunos no Levantamento Diagnóstico de Leitura e Escrita de Clay indicaram que somente 33% dos alunos realizaram satisfatoriamente as tarefas de escrita e leitura. Foram identificadas as aprendizagens de leitura e escrita dominadas por cada um dos demais participantes. Os resultados do TDE mostraram que 100% dos alunos obtiveram classificação inferior em leitura e 78% obtiveram classificação inferior em escrita e aritmética. As professoras avaliaram que 55,5% dos alunos não apresentavam problemas de relacionamento com elas e 33% não apresentavam problemas com os colegas. Em relação ao engajamento nas atividades de sala de aula, os resultados indicaram que 44% dos alunos apresentavam mais dificuldades de adaptação. O estudo levanta questões sobre as possibilidades e limitações de uma modalidade inclusiva de ensino.

A certeza que pariu a dúvida: paternidade e DNA

PID: S0104-026x2004000200002 | Revista: Revista Estudos Feministas (0104-026x) | Año: 2004
Autores: Fonseca
Atualmente, no Brasil, existe uma onda de testes de paternidade DNA (nos laboratórios públicos e em clínicas particulares) que levanta reflexões interessantes quanto à interseção das esferas médica e jurídica e sua influência sobre as relações de gênero e de parentesco na sociedade contemporânea. Para analisar esse fenômeno, acompanhamos nas diferentes instâncias jurídicas em Porto Alegre (na Defensoria da República, nas Audiências de Conciliação, na Vara de Família e no Serviço Médico do Tribunal) pessoas envolvidas em disputas jurídicas em torno da identidade paterna. Investigamos também como recentes mudanças nas leis de reconhecimento paterno são acionadas pelas diferentes personagens do cenário. A partir desses dados, levantamos a hipótese de que, longe de inspirar maior tranqüilidade, a simples existência do teste atiça as dúvidas. Tendo repercussões profundas sobre a nossa maneira de ‘saber’ quem é pai, a situação descrita nesse paper traz novos desafios para uma antropologia do conhecimento, voltada para a análise das crenças (inclusive científicas) ocidentais.
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