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O projeto de educação especial no ensino superior: pedagogias em disputa

PID: S1517-97022025000100507 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Ferraz Costas
Resumo Esta pesquisa objetivou analisar as ações e práticas pedagógicas que permeiam o projeto de educação especial no Ensino Superior da rede pública considerando a Lei nº 13.409/2016, que torna compulsória às universidades federais a reserva de vagas para pessoas com deficiência. A investigação foi de abordagem qualitativa, seguindo as seguintes etapas: levantamento da produção do conhecimento na área; mapeamento das instituições públicas de educação superior; elaboração e envio de formulário online para conhecer a realidade das instituições; análise das respostas dos formulários e elaboração de roteiro de entrevista; contato via e-mail com as instituições que responderam ao formulário e convite para participar de entrevista via Google meet. De 63 instituições de Ensino Superior, 21 responderam aos formulários, realizando-se 17 entrevistas, que tiveram a Análise de Conteúdo como técnica interpretativa. Os dados foram agrupados em categorias de análise, considerando os aportes da Teoria Histórico-Cultural. Os resultados revelam um desmonte no ensino superior, pela: redução orçamentária, extinção/falta de código de vagas para profissionais específicos da área da educação especial, sobrecarga de trabalho docente e técnico, privatização de serviços, entre outros. As práticas vinculadas à área de educação especial são realizadas, majoritariamente, por estudantes bolsistas em formação, sem vínculo funcional com a instituição, sem direitos trabalhistas para tal e por profissionais terceirizados como psicopedagogos. E, em grande parte, as ações e práticas são fundamentadas por pedagogias tecnicistas/escolanovistas que destacam as diferenças individuais, os métodos, técnicas e instrumentos como forma de objetivar o trabalho pedagógico. Conclui-se que é necessário de um projeto de educação especial para o Ensino Superior alicerçado nos fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica (Saviani, 2010), presente no desenvolvimento do Trabalho Docente Articulado (Honnef, 2018) em que o professor de educação especial atua colaborativamente com os demais professores, na mediação do saber científico com vistas à formação omnilateral dos estudantes apoiados pela educação especial.

O uso de Inteligência Artificial na produção acadêmica: o que pensam os pedagogos?

PID: S1517-97022025000100705 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Nascimento Fialho Costa
Resumo O avanço da Inteligência Artificial (IA) no contexto educacional tem gerado debates sobre seus impactos na produção acadêmica. Assim, surge o problema: como os docentes do curso de pedagogia orientam seus alunos acerca do uso da IA na produção acadêmica e quais os desafios e estratégias emergem deste processo? O objetivo deste estudo é compreender as percepções dos professores do curso de pedagogia quanto ao uso da IA na produção acadêmica, considerando os possíveis benefícios e preocupações. A pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso, utilizou um questionário on-line aplicado a 22 professores de uma universidade pública cearense, questionando o que eles pensam sobre a IA e como utilizam a tecnologia. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin (1997). Os resultados indicam que, embora muitos docentes reconheçam o potencial da IA para otimizar processos acadêmicos, há preocupações significativas quanto à originalidade, ética e impacto no pensamento crítico dos estudantes. A falta de formação específica e a ausência de diretrizes institucionais claras surgem como os principais obstáculos para uma adoção eficaz da IA na educação superior. Ela pode facilitar a personalização do ensino e a automação de tarefas, mas destacam-se desafios éticos e pedagógicos, que exigem maior preparação docente. Aponta-se a necessidade de políticas institucionais voltadas à capacitação dos professores que fomentem uma implementação crítica e responsável da IA no ensino. Recomenda-se, por fim, ainda o estudo de ferramentas de IA e a adoção de métodos ativos e debates sobre ética e autoria, promovendo um uso consciente dessa tecnologia.

Os significados acerca da violência contra crianças e adolescentes, segundo os profissionais da educação

PID: S1517-97022025000100865 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Miura Ferreira Alves
Resumo A violência contra crianças e adolescentes é uma problemática que perpassa todos os grupos socioeconômicos, educacionais e étnicos. Sua ocorrência gera sofrimento humano e considerável prejuízo ao desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. Tendo isso em vista, a educação desempenha um papel vital na prevenção da violência contra crianças e adolescentes. No entanto, é essencial compreender qual é o entendimento que os profissionais da educação têm sobre a temática, para que possam atuar de forma mais eficaz. Assim, objetivou-se compreender os significados acerca da violência contra crianças e adolescentes segundo os profissionais da educação. Para tanto, realizou-se uma pesquisa exploratória de caráter qualitativo, na qual participaram 90 profissionais de seis escolas públicas da cidade de Maceió - AL. Aplicou-se o Procedimento Desenho-Estória com Tema (DET) e a análise de dados foi realizada de acordo com Vaisberg. A análise dos DET’s possibilitou identificar quatro categorias temáticas: I) a naturalização e a transgeracionalidade da violência intrafamiliar; II) os efeitos da violência produzidos na vida da criança e do adolescente; III) a ausência do papel de proteção do estado, da sociedade e da escola, e IV) a instituição escolar como principal agente no enfrentamento da violência. Os profissionais da educação representaram a violência contra crianças e adolescentes como um problema familiar transgeracional, refletindo as dificuldades latentes do enfrentamento dessa violência, mas também se observa o engajamento de alguns profissionais e a potência da escola no combate dessa problemática.

Paradoxos entre memória e esquecimento: espaços escolares e suas (des)conexões na cidade de Porto Alegre

PID: S1517-97022025000100819 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Ermel Almeida
Resumo O estudo tem o objetivo perscrutar as múltiplas relações que envolvem o patrimônio histórico-educativo no Centro Histórico de Porto Alegre, tendo como referência as (des)conexões entre memória e esquecimento no Tempo Presente. Realizamos uma pesquisa histórico-documental, iniciando por uma cartografia de um conjunto de onze instituições educativas deste cenário geográfico, adaptados e/ou construídos entre a segunda metade do século XIX e as três primeiras décadas do XX. Problematizamos o lugar da escola na memória e na história, englobando tanto os edifícios monumentais, como os espaços adaptados, que também serviram como lócus de escolarização de minorias étnicas, empreendidos por iniciativas de grupos e associações. Na sequência, selecionamos o caso do Colégio Elementar Paula Soares, construído pelo governo do RS, representativo para a pesquisa, pois, nos remete a uma teia que articula a história da formação de professores do ensino primário e secundário. Os paradoxos entre memória e esquecimento se manifestam de diferentes modos no cenário urbano e uma dessas formas são os edifícios escolares e sua capacidade de, indiciariamente, nos conduzir a pensar nos estratos do tempo e suas reverberações no presente. Conclui-se que o esquecimento atinge a todas essas escolas, tanto aquelas frequentadas pelos filhos das elites, quanto as destinadas aos empobrecidos. No entanto, há intensidades diferentes nesses esquecimentos, de acordo com a classe social ou origem étnica. Podemos dizer que as escolas dos filhos dos operários, de imigrantes e da população negra de Porto Alegre carregam um esquecimento tamanho que se aproxima de um quase apagamento de suas memórias.

Pedagogia da infância e contextos educativos no Brasil e na Itália

PID: S1517-97022025000100818 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Gomes Infantino
Resumo No Brasil e na Itália, a educação infantil se constituiu como uma importante etapa da educação e um espaço sociopolítico para garantia dos direitos das crianças, entre eles os de aprendizagem e desenvolvimento. Para tanto, uma formação docente inicial e continuada de qualidade tem como objetivo ampliar e fortalecer conhecimentos e práticas das professoras. Além disso, é uma educação orientada para um trabalho pedagógico que envolva análises, reflexões e compreensões a respeito das condições físicas, cognitivas, econômicas e socioculturais das crianças, uma vez que elas vivem realidades diversas, complexas e amplas. Um significativo trabalho estruturado entre escolas e universidades, a partir de estudos, debates, análises e reflexões formativas é necessário para assegurar os direitos e a formação das professoras, objetivando conectar teorias e práticas. Com esse intuito, a parceria acadêmico-científica entre professoras-pesquisadoras das faculdades de Educação de uma universidade brasileira e de outra italiana as levou a refletir a respeito dos contextos educativos e da pedagogia da infância nos dois países. Como são as Pedagogias da Infância nesses dois países? O que as diferenciam? Ambos são países com dimensões, diferenças e diversidades próprias, mas as análises aqui apresentadas mostram que entender a Pedagogia da Infância nos auxilia a atender essas realidades, considerando os parâmetros objetivos e subjetivos.

Percepciones de los educadores sobre el uso de Inteligencia Artificial en el ámbito educativo

PID: S1517-97022025000100702 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Stavroulakis Marín-Díaz Marín-Rodríguez
Resumen El empleo de los recursos digitales en el ámbito educativo está vinculado a las visiones y percepciones que los profesionales de este campo tienen sobre ellos. En este sentido, el estudio de dichas percepciones cobra importancia en la medida en que dichos recursos digitales afectarán a la vida social y profesional del alumnado. Una de estas herramientas es la Inteligencia Artificial. Su presencia crece día a día y por tanto su imbricación con los procesos educativos va en aumento. En este artículo presentamos las percepciones que un grupo de educadores de la Universidad de Córdoba tienen sobre el binomio educación+IA. A través de una investigación de tipo ex post facto, y empleando un diseño de carácter descriptivo y correlacional se ha pretendido determinar el conocimiento que tienen los educadores en formación en torno a la inteligencia artificial en ámbitos educativos en general y de inclusión en particular. El principal resultado alcanzado ha indicado que su empleo mejora las experiencias de aprendizaje y reformula los procesos de enseñanza lo cual conlleva a una transformación total del sistema educativo. Además, se ha constatado que la IA puede ser un buen recurso para promover la educación en general y la inclusión en particular. Es por ello por lo que se demanden procesos formativos para su incorporación al acto educativo.

Percepciones del alumnado de educación sobre la Inteligencia Artificial: el caso de la Universidad de Extremadura (España)

PID: S1517-97022025000100709 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: SOTO VÁZQUEZ PÉREZ PAREJO JARAÍZ CABANILLAS GÓMEZ CABALLERO
Resumen Se analizan las percepciones del alumnado de los grados en Educación de la Universidad de Extremadura sobre el uso de la Inteligencia Artificial. El estudio tiene como objetivo conocer el uso real, las aplicaciones más empleadas, los objetivos de ese uso y los ámbitos (académico/personal) así como las percepciones de los encuestados sobre si la IA favorece o disminuye la creatividad, las destrezas escritas y el pensamiento crítico. La encuesta tipo Likert, compuesta por 17 ítems y amparada por el Comité de Bioética de la Universidad Autónoma de Barcelona, fue aplicada a 510 estudiantes durante los meses de febrero y marzo de 2025. Los resultados indican un uso bastante generalizado de la IA tanto en ámbitos académicos como personales y sociales; ChatGPT es la herramienta más habitual, no necesariamente vinculada a navegadores. El alumnado valora muy positivamente las de la IA, especialmente en cuanto al “hedonismo” que produce la relación entre rentabilidad académica vs. esfuerzo dedicado. Los objetivos más frecuentes en cuanto a la escritura son la consulta, la ampliación o resumen de textos así como la resolución de problemas. Los encuestados consideran que el uso de la IA no menoscaba, sino que favorece sus destrezas escritas. No se plantean consideraciones de carácter ético. La vacilación en las respuestas a determinados ítems sugiere el desconocimiento actual de algunas de sus potencialidades, la necesidad de un marco ético-jurídico y el aumento exponencial de su uso y de las expectativas de ese uso.

Planificación, atención a la diversidad y evaluación en la enseñanza bilingüe en España

PID: S1517-97022025000100867 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: TRAVÉ GONZÁLEZ SOTO ROSALES
Resumen El estudio analiza los procesos de planificación, atención a la diversidad y la evaluación en la enseñanza bilingüe desde la perspectiva del profesorado. Se administró un cuestionario dirigido a docentes bilingües de la Comunidad Autónoma de Andalucía (España) de los que se obtuvieron 413 respuestas. El cuestionario, basado en una escala Likert de 5 opciones de respuesta, incluyó 62 ítems cuantitativos y 2 ítems cualitativos. Entre los resultados relacionados con los procesos de planificación de la enseñanza bilingüe el profesorado manifiesta utilizar métodos activos, caracterizados por la flexibilidad y la adaptación a las características y necesidades del alumnado. Por su parte, los aspectos vinculados con la atención a la diversidad evidencian una mayoritaria identificación del profesorado con las visiones inclusivas, si bien se identifica una corriente minoritaria de naturaleza excluyente. Finalmente, con respecto a la evaluación, emergen prácticas de carácter formativo y procesual, en las que se utilizan instrumentos diversos a partir de los cuales se ofrece retroalimentación al alumnado en torno a sus aprendizajes. Las conclusiones dibujan un escenario didáctico alineado con las metodologías innovadoras y asentadas en principios constructivistas en lo referente a las prácticas de diseño, atención a la diversidad y evaluación de la enseñanza bilingüe. No obstante, se identifica la necesidad de reforzar los procesos de formación del profesorado en cuanto a la selección y tratamiento de los contenidos en las sesiones bilingües. Asimismo, se considera oportuno realizar procesos de adaptación y elaboración de materiales curriculares para responder a las necesidades del alumnado y la creación de instrumentos de evaluación para las diferentes áreas no lingüísticas.

Política Nacional de Educação Digital: letramento e cidadania para educação integral

PID: S1517-97022025000100805 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Neves Spósito
Resumo O mundo foi assolado pela pandemia da Covid-19, causando: isolamento social, fechamento das escolas, aumento da desigualdade educacional, socioeconômica e manutenção da dualidade estrutural. Nesse período, para diminuir os impactos da crise humanitária na educação brasileira, optou-se pelo ensino não presencial. Fato que manteve regressão educacional, visto que grande parte dos atores do processo de ensino aprendizagem não estavam familiarizados com técnicas, ferramentas e recursos digitais que medeiam o ensino à distância. Em 2023, foi aprovada a Política Nacional de Educação Digital (PNED); portanto, busca-se identificar como a PNED poderá beneficiar o letramento digital e a formação integral dos estudantes do Ensino Médio. Para tanto, foi realizada uma revisão de literatura integrativa qualitativa em estado da arte, partindo das concepções de Karl Marx, István Mészáros, Pierre Lévy, Ricardo Antunes, Ana Coscarelli, pesquisas científicas, PNED e outros. As principais conclusões da pesquisa são as de que a política em questão não é a panaceia para a educação na sociedade da informação, tampouco a solução para o irreformável, incontrolável e incorrigível sistema capital vigente; embora a aplicação dele possa assegurar direitos contemporâneos necessários para o exercício da cidadania digital, não conduz por si só a uma formação humana integral do aluno se não houver a atuação do professor progressista imbuído da função ética-política transformadora.

Políticas educacionais em negociação: a institucionalização da educação física no ensino primário paulista (1934-1938)

PID: S1517-97022025000100868 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Dalben
Resumo A pesquisa analisou as políticas educacionais para o ensino de educação física nas escolas primárias paulistas entre 1934 e 1938, com foco na atuação do Departamento de Educação Física (DEF-SP) e da Diretoria de Ensino (DE-SP). A análise, fundamentada em legislação, anuários de ensino, documentos administrativos e jornais, evidenciou uma série de negociações governamentais que visavam garantir a institucionalização da educação física escolar. O estudo parte de um inquérito que identificou significativas desigualdades no ensino primário, como variação de cargas horárias semanais e número de estudantes por turma, infraestrutura deficiente e falta de professores especializados. Para enfrentar essa escassez docente, adotou-se um modelo híbrido, no qual profissionais formados pela Escola Superior de Educação Física (ESEF-SP) orientavam professores normalistas que haviam recebido formação complementar. A institucionalização envolveu diferentes estratégias, como a criação de cursos de formação, o estabelecimento de cargos específicos e a estruturação de inspetorias regionais. O período foi marcado por disputas sobre a subordinação administrativa dos professores, prevalecendo sua vinculação ao DEF-SP, o que conferiu características específicas à educação física escolar. Embora o número de profissionais contratados tenha permanecido insuficiente para atender todas as escolas do estado, o modelo adotado consolidou o DEF-SP como principal repartição pública na gestão da educação física escolar. A pesquisa concluiu que as políticas educacionais resultam de complexas negociações entre diferentes atores e não apenas de ações governamentais diretas.

Presença de mulheres na gestão escolar: dinâmicas de gênero e de poder

PID: S1517-97022025000100816 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Maso Furlin
Resumo Na educação básica, a gestão escolar se apresenta majoritariamente feminina, porém há poucos estudos que problematizam as dinâmicas de gênero que atravessam essa função. Portanto, o presente artigo busca analisar as dinâmicas de gênero e de poder na gestão escolar da rede estadual de ensino de Santa Catarina. Os dados da pesquisa foram coletados junto à Secretaria de Estado da Educação e por meio do envio de um questionário, elaborado no Google Forms, para diretoras que integram as 36 Coordenadorias Regional de Educação do Estado, no qual se obteve a resposta de 73 diretoras. Os dados foram categorizados e analisados pela perspectiva da interpretação hermenêutica. Para este estudo foram analisadas duas categorias: i) a representatividade das mulheres na gestão; ii) os desafios de estar na direção escolar como mulher. Os resultados mostram que a gestão na educação básica, mais que um lugar de poder, é parte do exercício da função docente, que é expressivamente feminina. Contudo, pelo fato de as mulheres estarem em um lugar de liderança identifica-se a presença de dinâmicas de gênero e de poder que reproduzem as desigualdades sociais entre mulheres e homens. Isto é, elas ainda estão ausentes de instâncias de maior poder de decisão do sistema educativo e quando estão na gestão das escolas enfrentam o desafio da comunicação violenta e a inexistência da justa distribuição do trabalho reprodutivo em seus lares.

Prevenção do comportamento suicida na escola: ensino baseado em simulação (EBS)

PID: S1517-97022025000100800 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Silva Amaral Pedrollo Silva Vedana
Resumo O suicídio na adolescência tem aumentado nos últimos anos, o que representa uma preocupação mundial. A escola é um ambiente favorável para a identificação do sofrimento emocional e desenvolvimento de ações de promoção da saúde mental e prevenção do comportamento suicida. Com isso, esse estudo tem como objetivo construir e validar um roteiro para o ensino baseado em simulação para profissionais da comunidade escolar sobre a prevenção do suicídio. O método consiste na construção e validação de um roteiro para o ensino baseado em simulação, que se refere a uma abordagem pedagógica para o desenvolvimento de habilidades específicas para profissionais da educação. Para construção do roteiro, foi realizado levantamento da literatura científica nacional e internacional sobre prevenção do suicídio na escola, e para validação foram convidados experts em simulação e/ou prevenção do suicídio, por meio da busca na Plataforma Lattes e da técnica de Snowball. A coleta foi realizada por meio do envio de convite via e-mail com o hiperlink do formulário de coleta do Research Electronic Data Capture. Os dados foram processados e analisados pelo software estatístico STATA®. Utilizou-se a análise estatística descritiva, o índice de validade de conteúdo (IVC) e o coeficiente de concordância de Gwet First-order Agreement Coefficient (AC1). O roteiro alcançou o critério de aceitabilidade, concordância e confiabilidade na validação por experts. Este estudo disponibiliza, de forma gratuita, um roteiro que pode ser utilizado para o ensino, baseado em simulação, para contribuir com a educação continuada de profissionais da comunidade escolar sobre a promoção da saúde mental e prevenção do comportamento suicida. Recomenda-se que estudos avaliem os efeitos do roteiro sobre a autoconfiança dos profissionais.

Professores e estudantes no Currículo da Cidade: modelos projetados para uma rede municipal de ensino

PID: S1517-97022025000100839 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Galian Pietri Milani
Resumo Este artigo resulta de uma investigação sobre as escolhas docentes realizadas por professores que desenvolvem o currículo nos anos iniciais da rede municipal de ensino de São Paulo, frente aos desafios decorrentes da pandemia e da implementação do Currículo da Cidade. Focaliza-se o texto introdutório desse documento, operando uma seleção de excertos que expressam princípios assumidos para a educação nessa rede de ensino, contribuindo para delinear modelos de professores e estudantes, notadamente os papéis que lhes são atribuídos e o tipo de interação projetada para ser estabelecida entre esses sujeitos. Em processo de análise documental, foram extraídos excertos relacionados ao Discurso Pedagógico, tanto no que tange ao Discurso Instrucional quanto ao Discurso Regulador, os quais foram reunidos nas subcategorias Professor-Ensino, Estudante-Aprendizagem e Interações. Os resultados mostram que, no que concerne ao professor, ainda que afirme ser ele protagonista do currículo, observa-se a restrição do seu papel à busca por metodologias que reduzem a aprendizagem dos conteúdos curriculares nele estabelecidos. Em relação aos estudantes, embora se defenda o respeito e a valorização de suas formas de aprender, e se afirme que os currículos são plurais, não se considera como parte da experiência formativa o que já sabem sobre o mundo: ao especificar o que devem aprender, o Currículo da Cidade remete apenas aos conteúdos curriculares por ele definidos, desconsiderando os saberes e as culturas próprias aos contextos e territórios em que se desenvolve o processo educativo. Em síntese, os modelos de professores e estudantes projetados no documento analisado restringem-se aos limites das definições curriculares estabelecidas, não os reconhecendo como produtores de conhecimentos nas interações pedagógicas.

Profissional de apoio escolar ou cuidador? uma reflexão sobre essas nomenclaturas no estado de Rondônia

PID: S1517-97022025000100810 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Kokkonen Rodrigues
Resumo A nomenclatura profissional de apoio escolar é destinada pela lei brasileira de inclusão à pessoa que exerce apoio na alimentação, higiene e locomoção do estudante público-alvo da educação especial. Antes da lei, esse profissional já havia recebido outras denominações, como cuidador e acompanhante especializado. Portanto, indagamos: quais as intenções que permeiam a escolha dos critérios de seleção, de nomenclatura e atuação adotados no processo de implementação do serviço prestado pelo profissional de apoio ao estudante público-alvo da educação especial nos municípios do estado de Rondônia? A fim de buscar respostas a essa questão, objetiva-se analisar o que permeia a variabilidade de critérios adotados pelos municípios do referido estado nos processos de contratação do profissional de apoio. Dessa forma, optou-se pela realização de uma pesquisa de revisão de literatura e documental de cunho descritivo-exploratório nos editais de contratação disponibilizados nos sites das prefeituras dos municípios do estado de Rondônia e nos estudos acadêmicos constantes na plataforma Capes. Os resultados demonstraram que 61% dos 32 municípios pesquisados apresentam editais de contratação de profissionais de apoio, com critérios de seleção variados tanto nos editais quanto nos estudos analisados. Conclui-se que o profissional tem sido alvo da adoção de critérios que podem desvalorizá-lo, como o grau de escolarização exigido e a nomenclatura de cuidador que subentende apenas um trabalho prático, precarizando o trabalho do profissional e impactando de forma significativa o estudante atendido.

Promover a Saúde Mental nas Escolas - PROMEHS: impacto da implementação do currículo em Portugal,

PID: S1517-97022025000100855 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Simões Santos Lebre Canha Santos Fonseca Santos Murgo Matos Grazzani
Resumo Apesar da evidência do impacto positivo das intervenções na área da promoção da saúde mental nas escolas, existe a necessidade de realizar estudos robustos, em particular quando novos programas são desenvolvidos, de forma a promover a adoção de boas práticas e a identificação de estratégias eficazes de intervenção. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto da implementação do currículo PROMEHS em Portugal, em contexto escolar com um grupo de crianças e adolescentes (N=1764). O estudo utilizou um desenho quase-experimental de caráter longitudinal no grupo experimental e no grupo em espera nas fases pré e pós-teste da implementação. Foram coletados dados com professores, pais/responsáveis pelos alunos e alunos, através de um conjunto de instrumentos: nomeadamente, o questionário das Capacidades e Dificuldades (SDQ), Competências Socioemocionais (SSIS-SEL Brief Scales), domínio académico, resiliência (CDRisc10) e impacto do PROMEHS. Os resultados apontam para um impacto significativo no aumento das competências socioemocionais e resultados académicos dos alunos, bem como na redução das dificuldades, de acordo com a avaliação dos professores. Na avaliação dos pais/responsáveis pelos alunos e dos alunos não se obtiveram resultados estatisticamente significativos. No entanto, a avaliação do impacto pelas três fontes foi muito positiva. De um modo geral, os resultados apontam a eficácia do currículo PROMEHS na promoção do desenvolvimento socioemocional dos alunos e destacam a importância desse tipo de programa nas escolas portuguesas.

Proposta político-pedagógica de inspiração decolonial e intercultural em educação física: negociações de uma pesquisa-ação participante

PID: S1517-97022025000100607 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Ricardo Ginciene Wittizorecki
Resumo Este estudo tem o objetivo de analisar e discutir as negociações que foram construídas ao longo de uma pesquisa-ação participante com o 6º ano do ensino fundamental de uma escola da rede pública de Porto Alegre/RS, em 2023, as quais possibilitaram a pesquisa de mestrado da primeira autora sobre as possibilidades de uma educação física com inspiração decolonial e intercultural. Foi realizado o exercício de mostrar, refletir, analisar e discutir: (i) os arranjos e as articulações na escola campo, especialmente entre a professora de educação física (primeira autora e pesquisadora) e os(as) estudantes; (ii) os encaminhamentos do cotidiano, os planejamentos não completamente definidos e a responsabilidade institucional de proposição. Tais movimentos possibilitaram a compreensão de que o envolvimento com os significados de agência e de participação, assim como o que eles implicam para a coletividade envolvida na pesquisa (neste estudo, especificamente a turma do 6º ano e a professora-pesquisadora), é indispensável em uma pesquisa-ação participante comprometida com as categorias analíticas estruturantes da nossa sociedade – raça e gênero, em diálogo com sexualidade e classe –, de modo a minimizar negligências sobre posicionamentos, privilégios, segurança cultural, dinâmica de poder e práticas prejudiciais da própria intervenção.

Práticas alfabetizadoras para além da polarização dos métodos: reflexões sobre experiências vivenciadas

PID: S1517-97022025000100400 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Silva Follador
Resumo Ao longo da história da alfabetização no Brasil, diversos métodos foram observados, desde os sintéticos até os construtivistas. A pesquisa que deu origem ao artigo é um estudo de caso que investiga as práticas pedagógicas de uma professora com sua turma de 1º ano do Ensino Fundamental. O artigo busca compreender se há benefícios em adotar diferentes abordagens metodológicas no processo de alfabetização. Destaca-se a importância do letramento como uma prática social significativa, além de defender a inclusão de ações que desenvolvam habilidades metacognitivas durante a alfabetização. O objetivo é compreender se há ganhos no processo de ensino e aprendizagem a partir do uso de diferentes métodos de alfabetização. As intervenções foram adaptadas com base nos resultados da avaliação diagnóstica inicial, visando incorporar práticas diversas que privilegiassem a alfabetização em uma perspectiva letrada. Seguindo a perspectiva de Magda Soares, observou-se avanços significativos após as intervenções sistemáticas e feedbacks periódicos, evidenciando a importância de ampliar as experiências com a cultura escrita e fortalecer o desenvolvimento da alfabetização em uma perspectiva de letramento. Conclui-se que mesclar metodologias pode ser vantajoso, pois cada método pode atender de forma satisfatória a diferentes necessidades, mas é essencial fazer intervenções conforme a situação de aprendizagem de cada aluno.

Práticas pedagógicas criativas e inclusivas no curso de graduação em medicina

PID: S1517-97022025000100511 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Santos Alves
Resumo Os cursos de medicina têm, por seu contexto histórico, uma formação eminentemente biomédica, organicista e voltada para pensar unicamente nas doenças. No entanto, a educação médica brasileira vem se transformando de acordo com as demandas surgidas socialmente e, atualmente, o que se espera de um médico, além da sua capacidade técnica, é que seja um profissional ético, reflexivo e humanista. O presente artigo tem como objetivo investigar como as metodologias ativas utilizadas em um curso de graduação de medicina do Nordeste brasileiro possibilitam o desenvolvimento de práticas pedagógicas criativas e inclusivas. Para realizar essa investigação, utilizou-se o método de estudo de caso (Yin, 2015), através dos instrumentos de coleta: levantamento documental, entrevistas semiestruturadas e questionário. Para a análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo. Como resultado, o curso apresenta um professorado criativo onde as metodologias ativas utilizadas são espaços potentes de aprendizado, emergindo a possibilidade de cada aluno ser reconhecido em sua singularidade na experiência compartilhada, o que é fundamental quando falamos da importância desses futuros médicos considerarem a dimensão do sujeito nos seus futuros pacientes e em si mesmos como balizadora do encontro clínico. Os dados apontam também os desafios enfrentados pelos docentes na adoção e adaptação de metodologias ativas para certos conteúdos, assim, é essencial que os professores tenham acesso a discussões que abordem a didática em cenários de incerteza para com isso observar, analisar e compreender os processos de aprendizagem.

Rap e duelo de rima na escola: experiências com base na pedagogia hip hop

PID: S1517-97022025000100606 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: Tejera Siqueira Junior
Resumo Com base em elementos da chamada Pedagogia hip-hop e no conceito de marginalidades conectivas, pretende-se, com este ensaio, apresentar reflexões sobre experiências pedagógicas que tiveram o rap, expressão oral do movimento hip-hop, como elemento central em sala de aula. Este ensaio tem como objetivo desenvolver tal discussão a partir da vivência de uma oficina e de uma batalha de rima realizadas em 2023 com alunas e alunos do ensino fundamental na escola EMEF Professora Célia Regina Lekevicius Consolin, unidade educacional localizada na zona norte de São Paulo, SP, a fim de dialogar com possíveis formas de se trabalhar o rap, sobretudo os raps definidos como socialmente engajados como ferramenta didática, principalmente em um contexto de alta vulnerabilidade social e econômica, como é o caso dos estudantes da referida escola, muitos moradores de conjuntos habitacionais e de moradias precárias próximo à escola, e, também, de jovens do mundo todo. Por meio dessas atividades, realizadas no ambiente escolar com turmas de 5º e 8º anos, foi possível propor um espaço de valorização da cultura negra e de práticas educacionais antirracistas, críticas e culturalmente relevantes que podem contribuir para a efetivação das leis nºs 10.639/03 e 11.645/08.

Reconstruindo laços na comunidade escolar como forma de combater a violência e o racismo

PID: S1517-97022025000100601 | Revista: Educação e Pesquisa (1517-9702) | Año: 2025
Autores: do Amaral Dias Melo Queiroz
Resumo Este artigo apresenta recortes de uma pesquisa de campo envolvendo a atuação transdisciplinar e afro-referenciada, articulada com a Teoria Crítica, de estudantes de pós-graduação, profissionais e arte-educadores em uma escola pública situada em uma região periférica de São Paulo, ao longo de três anos, como parte de uma pesquisa mais ampla em outras unidades escolares de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraíba. A proposta de apresentar os diversos âmbitos da pesquisa visa demonstrar a articulação entre diferentes intervenções em três esferas: docências compartilhadas, formação docente e o aprofundamento do debate étnico-racial no grupo operativo. Procurou-se refletir, de um lado, sobre as violências cometidas no cotidiano escolar e formas de combatê-la por meio de uma educação dialogada e emancipatória. De outro, foram destacados os principais obstáculos encontrados na formação docente, considerando a ambiguidade das práticas e discursos na comunidade escolar diante da violência e do racismo fundantes da sociedade brasileira. Optou-se por uma abordagem teórico-metodológica, alinhada a uma perspectiva comunitarista e afro-diaspórica, combinada com um olhar etnográfico decolonial e emancipatório da instituição escolar. Com base nessa abordagem multifacetada, observou-se um campo fértil para refazer os laços rompidos na comunidade escolar e contribuir para o aprofundamento de uma educação antirracista. Essa atuação transdisciplinar permitiu, concomitantemente, a visibilização de saberes afrodiaspóricos, em conformidade com a Lei nº 10.639/2003, que altera a LDB de modo dinâmico e atento à realidade sociocultural dos alunos.
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