De acordo com a Abordagem Histórico-Cultural e a Teoria da Atividade de Leontiev, apropriação de conceitos e desenvolvimento psíquico dos sujeitos são processos interligados. Com a intenção de compreendermos essa relação, desenvolvemos atividades orientadoras de ensino em uma 3ª série do Ensino Fundamental, trabalhando com o conceito de volume para investigar o processo de apropriação conceitual pelos alunos. Observamos que as ações das crianças são reveladoras do seu desenvolvimento psíquico, à medida que evidenciam a utilização dos conceitos geométricos como instrumentos orientadores na busca de soluções diante de situações desafiadoras. A apropriação se revela na mudança da relação do sujeito com o objeto, ou seja, quando ele deixa de agir por tentativa e erro ou repetição mecânica de procedimentos e age mediante reflexão e análise, o que exige mobilização de funções psíquicas superiores.
O objetivo desta pesquisa foi fazer uma análise crítica das concepções alternativas sobre força e movimento na revista Superinteressante. Para embasar essa análise, fizemos uma revisão bibliográfica sobre o tema, abrangendo desde a teoria dos movimentos naturais de Aristóteles até as três leis de Newton. Em seguida, fizemos uma comparação das concepções encontradas em várias pesquisas sobre esse assunto com as desses pensadores. Guiados por essa revisão bibliográfica, concluímos que muitas das concepções dos estudantes sobre força e movimento estão presentes na revista, mas em percentagem menor, comparadas com as encontradas nessas pesquisas. O que exige, dos educadores interessados na aprendizagem significativa dos seus alunos, cuidados especiais em sua utilização como um recurso didático.
En este artículo, se presenta una breve sistematización acerca de la evolución del concepto de sangre que considera el período histórico que transcurre entre las concepciones de los egipcios hasta el siglo XVII, cuando Harvey consolida un “modelo científico” de Circulación Sanguínea en el organismo humano. A continuación, aplicamos el modelo de Toulmin para analizar la evolución de los conceptos de movilidad sanguínea, septum y frecuencia cardiaca desde una perspectiva realista pragmática. Finalmente planteamos algunas ideas orientadoras que podrían servir de guía para la enseñanza de este concepto considerando los aspectos históricos que analizamos a través del consolidado de las ideas expuestas.
Desenvolvemos o presente trabalho com o objetivo de identificar concepções sobre as relações em sala de aula apresentadas por alunos recém-ingressados nos cursos de Química e Biologia. Baseados em Bruner, usamos a narrativa como instrumento investigativo dessas concepções, solicitando aos alunos que se imaginassem professores e relatassem como seria um dia de suas vidas. Pela análise dos relatos, percebemos que o professor é aquele que estuda e se prepara para as aulas, transmite conhecimentos, motiva, contextualiza, tem uma boa relação com os alunos e é admirado por eles. Além disso, esse professor é considerado um profissional em tempo integral, trabalhando, sobretudo, no Ensino Médio, com alunos interessados e atenciosos. Entender como essas concepções se formaram e problematizá-las na formação inicial é importante.
As teorias de Lamarck e Darwin são analisadas numa amostra de livros didáticos brasileiros de biologia, num período de sessenta anos. A de Darwin ocupa, nos livros didáticos, uma área maior do que a de Lamarck. Nestes é variável a extensão do conteúdo de Lamarck. Dentre os livros, destacam-se as edições do BSCS. Nestas, pela primeira vez, é apresentado o exemplo da figura do alongamento do pescoço da girafa, para ilustrar as diferenças de abordagem entre as teorias, e reproduzido desde então na maioria dos livros didáticos. Na teoria de Darwin, o principal conceito referenciado pelos autores é o da seleção natural, e, na de Lamarck, a herança dos caracteres adquiridos. As duas teorias são diferentemente apresentadas nos livros didáticos de biologia no Brasil. Darwin é apresentado como modelo de cientista e Lamarck como um teórico especulativo, tendo a sua teoria consideravelmente deformada, distante da formulação original.
Este artigo apresenta o planejamento e desenvolvimento de um projeto curricular construído enquanto processo, com o intuito de organizar estratégias metodológicas, entre elas a resolução de problemas, e completar, assim, uma proposta pedagógica com pressupostos construtivistas. A pesquisa foi realizada com uma turma de oitava série do Ensino Fundamental, na disciplina de ciências. A participação de um professor pesquisador, capaz de realizar a interlocução entre teoria e prática, e o diálogo entre professora e alunos tornaram-se elementos determinantes para a estruturação do projeto curricular, buscando a abordagem de conceitos científicos ao mesmo tempo em que necessidades e interesses do grupo em estudo pudessem ser debatidos. A interação em sala de aula e as produções dos alunos, a partir das estratégias utilizadas, foram componentes de análise e discussão para direcionar o desenvolvimento da proposta, e modificaram o comportamento e os hábitos dos sujeitos envolvidos no processo.
O presente artigo trata sobre o estudo de caso de como uma professora utiliza os conhecimentos prévios dos estudantes durante a abordagem de um novo conceito científico. Para tanto, foram realizadas filmagens de aulas de ciências durante a execução de uma sequência didática, a fim de investigar de que maneira os conhecimentos prévios dos estudantes eram tratados em sala de aula ao longo da abordagem do tema. A partir dos resultados encontrados, percebemos nas aulas observadas como a professora lidava com os conhecimentos dos estudantes. Identificamos que houve ocasiões em que ela os considerou e outras em que os desconsiderou. Apesar de ações antagônicas, tanto o fato de considerar quanto de desconsiderar parecem ter em comum a busca de manutenção de foco sob os conceitos, entendidos pela professora, como sendo os que devem ser objeto de atenção dos alunos.
Este trabalho refere-se a um estudo de caso etnográfico realizado com um professor de Física do 1º ano do Ensino Médio de duas instituições federais de ensino da cidade de Recife. O objetivo foi identificar as relações entre as concepções de avaliação do professor, a formação e o que recomenda o projeto político-pedagógico (PPP) das instituições. A metodologia empregada foi organizada como um ciclo da experiência de Kelly, que se destinava a engajar o professor em um processo de interpretação e reinterpretação da realidade concebida e vivida. As análises foram fundamentadas na teoria dos construtos pessoais e na evolução das ideias definidas como gerações da avaliação. Percebeu-se que, apesar das práticas avaliativas do professor seguirem as instruções dos PPP das escolas, elas possuem características comuns relacionadas às suas concepções de avaliação.
Os dados e análises que apresentaremos neste artigo resultam de investigação sobre a realização de projetos de educação ambiental na escola pública, cujo objetivo principal foi investigar as concepções e práticas de Educação Ambiental de professores que afirmam realizar tais ações. A coleta de dados foi feita por meio de análise documental, entrevistas semi-estruturadas e de observação. As concepções de professores acerca da Educação Ambiental orientam, de certa forma, a maneira como eles interpretam as finalidades atribuídas a ela e o tipo de práticas a que recorrem para alcançá-las. Na investigação feita, constatou-se que essas concepções e práticas eram de natureza comportamental e focavam-se na resolução de problemas de modo pragmático, revelando-se limitadas no desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental por meio de projetos.
Neste trabalho analisamos os discursos de dois licenciandos ao elaborarem um episódio de ensino com abordagem histórica do tema Questão Nuclear. Utilizamos, como referencial teórico, a Análise de Discurso, tal como divulgada no Brasil por Eni Orlandi. Observamos a forte influência da memória discursiva originada no Ensino Básico e Superior dos licenciandos. Os discursos produzidos compreenderam contradições e deslocamentos que os aproximaram dos discursos da pesquisa em ensino de Física.
Os valores têm sido considerados importante conteúdo de ensino, sobretudo ao tratarmos de certas temáticas, como a ambiental. Procurando analisar o tratamento dado à dimensão valorativa da temática ambiental em três coleções de Ciências Naturais voltadas às séries finais do Ensino Fundamental verificamos a predominância da visão antropocêntrica, sendo a natureza valorizada em função de sua utilidade para o ser humano. O predomínio da valorização do conhecimento científico em detrimento de outras formas de conhecimento, da ação humana individual em detrimento da coletiva e a simples apresentação de leis ambientais foram outros aspectos problemáticos encontrados. Uma das coleções, entretanto, além de valorizar o trabalho coletivo dos alunos, também se destacou pela maior ênfase dada à dimensão estética, implicando uma visão de mundo menos utilitarista e um tratamento mais adequado do conteúdo valorativo da temática ambiental.
Autores: Moreno Ramírez Gallego Badillo Pérez Miranda
La didáctica de las ciencias naturales está cuestionando la transposición de los modelos científicos en modelos didácticos. Otras investigaciones muestran que el conocimiento científico convertido en conocimiento escolar produce deformaciones de la actividad científica y la simplificación de modelos, contribuyendo con la actitud negativa de los estudiantes hacia las ciencias y al fracaso escolar reportado por algunos estudios. Se pregunta si el modelo atómico de Bohr que se muestra en los textos se corresponde histórica y epistemológicamente con las actividades científicas y cuáles son las posibles deformaciones que de ésta se hace cuando se muestra el modelo en los libros. Los resultados de la investigación muestran una clara diferencia entre la propuesta de Bohr (1913) y la transposición del modelo, lo que invita a una reflexión profunda acerca de la confiabilidad que pueden tener los textos utilizados para la enseñanza de la ciencia química.
A Educação Ambiental é um tema que vem atraindo a atenção da sociedade, que deposita nela grande esperança no que tange à emergência de uma nova consciência socioambiental. Dada a importância da Educação Ambiental, diversos setores sociais têm se preocupado e praticado essa educação, especialmente no espaço escolar. Um desses setores que merece destaque é o empresariado que, dentro do contexto do discurso da responsabilidade social, tem levado o ambiente para além das suas fronteiras, por meio de atividades e programas de formação ambiental. Este ensaio analisa essas ações, buscando levantar algumas inquietações referentes à relação de dominação que pode se estabelecer na escola, quando a empresa tem um espaço privilegiado, em detrimento de outros setores, como o Estado, a mídia e as organizações não governamentais.
Apresenta-se uma reflexão sobre o processo de enfrentamento de problemas por futuros professores de Física, no período de estágio supervisionado, a partir de modelos construídos numa pesquisa desenvolvida junto a um grupo de professores em formação continuada. A atuação em grupo também foi preferida pelos estagiários para enfrentar problemas relacionados ao planejamento didático e de ordem conceitual. Os professores, quanto aos problemas conceituais, são mais persistentes ao tentarem resolvê-los, o que está associado ao contexto próprio de sua atuação, distinto daquele dos estagiários. O engajamento dos estagiários no enfrentamento de problemas genuínos associados ao planejamento, à semelhança do que ocorreu no grupo de professores, representou um processo importante para a construção do conhecimento profissional, individual e coletivo. As contribuições do trabalho apontam para o fortalecimento das disciplinas de práticas de ensino na formação inicial e sugerem atividades para a formação continuada.
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que procurou identificar as diferentes concepções epistemológicas que se encontram incorporadas à prática profissional de professores de ciências. Como resultado, tem-se que existem, em diferentes proporções, convivendo nas escolas, concepções epistemológicas distintas, sugerindo a ocorrência de uma crise paradigmática que pode justificar dificuldades para o aprendizado das ciências. A pesquisa reafirma a necessidade de se incluírem estudos da epistemologia e da história das ciências nos cursos de formação de professores e acrescenta a necessidade de se incluírem estudos sociológicos sobre o currículo, tendo em vista o caráter social da construção do conhecimento no paradigma que busca se impor.
Valendo-se da metodologia da História Oral, este artigo pretende estudar a formação de professores de Matemática e suas práticas relativas ao ensino de Matemática em Escolas Técnicas Agrícolas. Com base em uma síntese histórico-sociológica sobre o panorama rural brasileiro, a constituição do ensino técnico e o desenvolvimento do ensino técnico agrícola, este artigo defende que as escolas técnicas agrícolas sofrem uma dupla marginalização: por um lado, proveniente de sua natureza profissionalizante, e, por outro, dada sua vinculação com o meio campesino. Tal marginalização ocupa também o interior das escolas, onde os professores de Matemática executam uma coreografia de resistências e acomodações em relação aos professores das áreas técnicas e, de modo geral, ao sistema regular de ensino.
Esta pesquisa busca trabalhar com diferentes concepções de mundo e de conhecimento, investigando a articulação entre o sentido que elas possuem para os professores de Matemática e suas concepções de ensino e de Educação. O estudo gira em torno de discussões que ocorreram em um curso de extensão para professores de Matemática. Esse curso tratou de concepções de mundo e de conhecimento, relacionando-as com diferentes regiões do saber, como Matemática, Física, Ecologia e Artes, focando a transição entre a concepção de mundo da Época Moderna para a concepção de mundo que vem se construindo na denominada Época Pós-moderna ou Contemporânea. A meta é compreender o sentido que aquelas concepções têm para os professores e destacar possíveis momentos de metacompreensão sobre a articulação entre essas concepções e sua prática docente. A metodologia utilizada é qualitativa, de uma perspectiva fenomenológica.
Este artigo apresenta os resultados da implantação e aplicação da metodologia colaborativa mediada pelo computador desenvolvida com alunos de Prática de Ensino de Biologia da UEM. Apoiando-se na abordagem qualitativa, os dados foram coletados em questionários, documentos e observações, e a análise sobre as ideias, concepções e reflexões dos sujeitos da pesquisa processou-se de acordo com três grupos de elementos formativos para docência construindo a identidade profissional, construção do conhecimento compartilhado e mediação. Concluiu-se que os Alunos-Professores (AP) passaram por significativas mudanças atitudinais com relação ao processo de ensino-aprendizagem e ao papel do professor, na medida em que, ao compreenderem a importância de se valorizar o uso da metodologia colaborativa e do computador, como recurso pedagógico no ensino-aprendizagem de Biologia, contemplando-os na experiência vivida, construíram saberes para a docência.
Com as transformações pelas quais passa o conhecimento científico na atualidade, a narrativa transformou-se em tema de relevância, quando se pesquisam questões relativas à construção de significado na experiência humana. Investigada como técnica de ensino junto a alunos de 6ª série de Botucatu, São Paulo, os quais foram confrontados com o ambiente urbano de Salvaterra, Ilha de Marajó, revelou que a força das oposições binárias, previstas teoricamente, estimula a reelaboração de conceitos prévios, revisão e resignificação de valores e de condicionamentos sociais. A narrativa como técnica de ensino propicia aprendizagem efetiva, com o espectador organizando a sequência de imagens apresentada e fazendo emergir significado de acordo com as suas experiências e estrutura cognitiva.
Este artigo, de natureza teórica, objetiva apresentar a importância da demarcação de saberes no ensino de ciências para sociedades tradicionais. Para tanto, recorre aos argumentos centrais do Construtivismo contextual e do Pluralismo epistemológico. Antes disto, porém, pontua alguns conceitos básicos (cultura, conhecimentos científicos e conhecimentos tradicionais) e discute brevemente a trajetória do ensino de ciências no Brasil e sua relação com a diversidade cultural. A demarcação de saberes no ensino de ciências para sociedades tradicionais permitirá, aos estudantes, a compreensão de que existem outras vias de explicação da natureza, além daquelas que fazem parte dos seus cotidianos. Sendo assim, os estudantes terão as suas visões de natureza ampliadas, podendo aplicar os saberes que têm ao seu dispor nos momentos em que forem apropriados. Consequentemente, também contribuirá para o respeito e manutenção dos conhecimentos tradicionais.