O mapeamento conceitual foi utilizado como uma ferramenta para verificar as mudanças conceituais de estudantes de Ensino Médio após a realização de atividades didáticas desenvolvidas durante as aulas de Química. O objetivo pedagógico a ser atingido foi romper as fronteiras que segregam o conhecimento científico em disciplinas isoladas. Os estudantes foram intencionalmente provocados a relacionar conceitos de Química e de Biologia, a fim de compreender melhor e explicar as conseqüências biológicas da isomeria. Os mapas conceituais elaborados pelos estudantes, antes e após as atividades propostas, evidenciaram o aparecimento de relações entre conceitos químicos e biológicos, que foram avaliadas qualitativamente. Este trabalho mostra que os mapas conceituais podem ser utilizados como ferramentas para auxiliar o professor na realização de práticas didáticas interdisciplinares na escola, bem como para acompanhar o progresso dos estudantes em direção à interdisciplinaridade.
O trabalho tem objetivo de apresentar uma análise dos dados de avaliação do Programa de Educação Continuada - Formação Universitária/Municípios PEC-USP, na perspectiva dos professores que o cursaram no período de 2003 a 2004. A primeira parte descreve o Programa em linhas gerais; a segunda, apresenta os procedimentos e a interpretação dos dados coletados na investigação realizada. Os resultados obtidos extrapolam o âmbito do curso e podem subsidiar programas de formação de professores em vários níveis e de diferentes disciplinas.
Este trabalho objetiva evidenciar o caráter polissêmico do termo campo em livros didáticos de ensino médio; estudar seus significados em textos históricos; mostrar que a polissemia desse conceito tem raízes nos significados atribuídos tanto no passado como na atualidade. Sob a luz do marco teórico atual da física e de textos históricos, analisaram-se sete manuais de ensino médio em circulação que, quando oportuno, foram cotejados com livros didáticos universitários e manuais antigos. Destacam-se as seguintes atribuições de significado, algumas na forma de definições explícitas, outras implicitamente apresentadas: é espaço; é um vetor; propaga-se, é suporte para a propagação de energia; é curvatura do espaço; armazena energia; interage com partículas, media a interação entre partículas; preenche o espaço. A polissemia pode ser creditada, em parte, à forma velada de introdução da física moderna nos manuais. Faz-se uma tentativa de compreender essa introdução segundo a perspectiva da transposição didática de Chevallard.
O artigo trata da análise do currículo de uma Escola de formação Inicial, de nível médio, com relação à dimensão ambiental, considerando a necessidade de inserir a discussão das questões ambientais na formação de educadores como prescrito na Política Nacional de Educação Ambiental, que tem como prioridade gerar reflexão e contribuir para uma melhor compreensão do Ambiente e de suas inter-relações e interdependência. Para esse estudo, foi utilizado a técnica da análise de conteúdos, dentre outras. Os resultados refletem a necessidade de se trabalhar a temática ambiental, com enfoque interdisciplinar e transdisciplinar e de Formação continuada para os profissionais da educação.
O objetivo deste trabalho foi investigar os gêneros de discursos utilizados por alunos da terceira série do Ensino Médio a respeito de um dos conteúdos vinculados ao ensino de química ambiental: o estudo do gás ozônio e os problemas relacionados à degradação de sua camada na atmosfera terrestre. Os resultados apontam para um nível de envolvimento discursivo em que se percebe a apropriação da linguagem científica como ferramenta de argumentação acerca das questões ambientais.
Relata-se um estudo de caso que teve como objetivo explorar as potencialidades de aproximação entre História e Filosofia da Ciência da educação científica mediante utilização do ensino de História da Química. Visou-se auxiliar os alunos na compreensão da natureza da ciência e no aprendizado de conceitos químicos. O estudo envolveu a intervenção de uma professora/investigadora numa disciplina de História da Química e teve caráter exploratório, com abordagem de pesquisa qualitativa. A análise dos resultados utilizou o modelo misto, com categorias analíticas definidas a priori, que nortearam as dimensões epistemológicas de análise e a identificação de categorias emergentes, construídas a partir das respostas dos alunos a questionários abertos. Os resultados obtidos confirmaram a importância do espaço dessa disciplina para os alunos conhecerem a natureza da ciência, adquirindo concepções menos simplistas e mais contextualizadas sobre a ciência, apesar de alguma dificuldade na superação de concepções realistas ingênuas fortemente enraizadas em suas visões epistemológicas.
Apresentam-se alguns elementos da epistemologia histórica do filósofo Gaston Bachelard para a discussão de aspectos relativos ao ensino de Química e à formação do educador químico. Com base em alguns aspectos relativos ao processo de produção da ciência Química, procura-se mostrar como determinadas concepções epistemológicas, como o realismo ingênuo, o substancialismo e o racionalismo clássico, foram historicamente superadas e, no entanto, ainda estão presentes no ensino de Química. Nesta perspectiva, o artigo apresenta alguns conceitos da epistemologia bachelardiana, como o de polaridade epistemológica, vigilância epistemológica e perfil epistemológico e os insere em questões que têm sido, atualmente, discutidas para o ensino e a formação do professor, com destaque para a noção de perfil conceitual de Mortimer e sua utilização como recurso didático no ensino de ciências.
Este artigo é parte de um estudo etnográfico de dois anos, em que foram estudados os movimentos enunciativos da ciência em um laboratório de Química do Ensino Médio no Colégio São José, São Leopoldo, RS. O intuito principal é apresentar uma microanálise de eventos de laboratório, visando contribuir para o entendimento de como é produzida a idéia de “natureza” das coisas em jogos de convencimento, contatos e relações. Para a costura teórica dos dados observados foi utilizado, em especial, o conceito de articulação, segundo a ótica dos Estudos Culturais da Ciência e tendo como foco duas questões adjuvantes: como os atuantes se estabelecem e se reconhecem dentro de um laboratório didático de ciências? E como, no laboratório, articula-se um conjunto de enunciados que lhe é particular e, por assim dizer, “natural”? O estudo, embora, preliminar, permitiu lançar alguns olhares acerca da atividade prática do laboratório escolar e especular um discurso de superação do entendimento daqueles eventos como meramente reprodutores de ideologias e de conhecimentos tácitos da uma ciência exógena.
Neste artigo, descrevemos uma pesquisa sobre o perfil do professor de Ciências da Rede Municipal de Recife enfatizando suas perspectivas de formação continuada em Biologia. A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas estruturadas entre 2001 e 2002, em 31 escolas. Registramos fraca interação entre os professores e a universidade, embora a maioria dos professores tenha interesse em interagir mais, na forma de cursos, capacitações, oficinas, palestras e pós-graduação. Discute-se o papel da universidade pública como pólo gerador de conhecimento e reflexão sobre a educação permanente de professores de Ciências da rede pública.
Unir produção de conhecimentos à ação educativa é a grande responsabilidade da pesquisa em educação ambiental na perspectiva crítica e emancipatória. Percepções e conhecimentos coletivos são essenciais na construção desse novo saber ambiental. Neste artigo, a qualidade de vida é colocada no centro da discussão, mais do que para reivindicar melhorias para o ambiente, mas buscando demonstrar como a participação é seu fundamento e constrói os mecanismos necessários para a ação educativa ambiental.
As demandas ao trabalho docente envolvem o ensino e a aprendizagem de um rol de conceitos, procedimentos ou saber-fazer e atitudes. Os professores buscam atender a essas diferentes demandas. Nos cursos de formação contínua, professores em serviço revelam expectativas sobre utilização de materiais e solicitam atividades práticas aplicáveis no ensino. Tomamos, como objeto de investigação, a formação docente e sua relação com os materiais de ensino, sobretudo por esse tema ser freqüentemente relegado. Analisamos as contribuições da construção de livros com conteúdo matemático para o desenvolvimento profissional de professores. A criação de um material para ser utilizado na escola com seus alunos favoreceu tanto a resignificação de conteúdos específicos de matemática, como outras possibilidades de desenvolvimento profissional dos professores. A construção de materiais de ensino não pode ser vista como menor ou como capitulação ao tecnicismo pedagógico, deve ser concebida como etapa fundamental para a consecução dos objetivos educacionais.
En este artículo proponemos abordar el enfrentamiento a la resolución de problemas en la química escolar por parte de los y las estudiantes asumiendo situaciones a las que se han enfrentado los científicos y las científicas en determinados y contextualizados momentos de la Historia de la Ciencia. Para ello, argumentamos algunos aspectos desde la literatura especializada en Didáctica de las Ciencias, que permiten sustentar esta propuesta. A continuación, describimos un episodio histórico sobre la discusión del S. XVIII entre Lavoisier y Priestley respecto a la descomposición del aire para ser utilizada como estrategia que promueva el desarrollo de las competencias cognitivolingüísticas. Finalmente, planteamos algunas directrices para orientar al profesorado de química en el logro de estos propósitos.
Objetivou-se investigar o que alunos da etapa final da educação básica sabem sobre transgênicos e quais suas opiniões sobre as aplicações e implicações desta biotecnologia. A investigação foi realizada por meio de questionários aplicados a cem alunos do 3º ano do Ensino Médio de três escolas estaduais da região Noroeste do Paraná. Para analisar quanti e qualitativamente os dados, foram agrupadas as respostas que expressam o entendimento dos alunos sobre a questão. A análise indicou que todos os alunos já haviam ouvido falar sobre transgênicos, seja por meio de notícias divulgadas pela mídia ou situações de ensino. Observou-se que a mídia exerceu grande influência no modo como os alunos responderam às questões, em especial em suas opiniões sobre as vantagens e desvantagens dos transgênicos. Este estudo revela que o modo como o ensino é organizado e desenvolvido muitas vezes pouco contribui para que o aluno desenvolva uma compreensão que se difere daquela adquirida em situações não escolares.
Este artigo discute a relevância da utilização da História das Ciências no ensino de diferentes disciplinas, a saber: História, Língua Portuguesa, Ciências e Matemática. Apresenta exemplos desta integração, baseados em pesquisas de mestrado e/ou doutorado. É nossa intenção reforçar a percepção da importância, em todos os níveis de ensino, da História das Ciências, entendida como uma história que apresenta a ciência em toda a sua historicidade, como uma prática social e cultural realizada por seres humanos imersos numa cultura, pois, dentro de nosso marco teórico, a ciência é uma prática sociocultural. Assim sendo, a História das Ciências contribui para a conscientização sobre o funcionamento da investigação científica - assim como suas apropriações tecnológicas -, e para o questionamento da transmissão dogmática de conhecimentos.
Dada a grande influência da televisão na vida dos jovens, a presente pesquisa investigou um dos gêneros televisivos que se destina ao público infanto-juvenil: os desenhos animados. Esta investigação consiste em uma análise documental com base em alguns episódios dos desenhos Jimmy Nêutron e O Laboratório de Dexter, com a intenção de detectar quais visões de ciência são veiculadas por meio destes episódios. Tal análise realiza-se sob a ótica das idéias de alguns pensadores representativos da Filosofia das Ciências, por serem estas idéias importantes para a compreensão de como se desenvolveu e tem se desenvolvido o pensamento científico em nossa sociedade. O presente artigo sugere o uso de desenhos animados como alternativa para motivar debates que privilegiem a construção do conhecimento científico com base em um universo familiar ao estudante.
Este artigo situa-se no campo dos estudos culturais que compreendem o currículo escolar como lugar de disputa pela legitimidade de expressão do conhecimento de distintas culturas. Nessa compreensão, e comprometido com o empoderamento do povo indígena Kaiowá/Guarani, este trabalho destinasse a conhecer as especificidades dos saberes das sociedades tradicionais e a levantar questões pertinentes à pesquisa e à inserção deste conhecimento no currículo escolar. Os dados foram obtidos com base em levantamento bibliográfico e por meio de depoimentos de estudantes do Curso de Formação de Professores Indígenas Kaiowá/Guarani de Mato Grosso do Sul. O texto traz uma breve apresentação desse povo indígena e da sua luta pela escola específica e intercultural. Caracteriza o conhecimento tradicional (formas de aquisição, distribuição e transmissão) e remete a discussões que argumentam a favor de um currículo escolar aberto aos conhecimentos de culturas historicamente silenciadas.
O texto descreve a crise teórico-metodológica da ciência moderna instaurada no século XX, contraposta ao imaginário social presente na recepção da ciência divulgada pelos meios de comunicação de massa. A descrição demonstra que há um paradoxo entre a produção do conhecimento científico, forjado nos centros e instituições científicas, e a visão geral daqueles que recebem as informações científicas via meios de comunicação de massa. Para tanto, o trabalho estrutura-se em quatro etapas: 1º) descreve o processo da crise teórico-metodológica da ciência no século XX, no âmbito acadêmico; 2º) analisa a formação dos elementos constitutivos do imaginário social, sob a perspectiva sociológica; 3º) analisa as condições da ciência como informação nos meios de comunicação de massa; 4º) demonstra a veiculação das informações científicas dos meios de comunicação de massa, exemplificada pela leitura da revista Superinteressante.
O Ribeirão dos Peixes é o principal corpo de água do município de Dois Córregos (SP), e as conseqüências das atividades antrópicas no local exigem urgentes providências para a recuperação do sistema. Considerando que as bacias hidrográficas representam uma temática bastante adequada para um programa de Educação Ambiental e, ainda, as dificuldades/necessidades apresentadas, pelos professores, para o desenvolvimento de práticas que estimulem a conscientização dos alunos com respeito às questões ambientais, o presente estudo visou à formação interdisciplinar de educadores que atuavam no terceiro ano do ensino médio de uma escola estadual, no sentido de possibilitar que trabalhassem posteriormente com seus alunos a dimensão ambiental da microbacia hidrográfica do Ribeirão dos Peixes. Uma investigação inicial sobre as práticas pedagógicas dos professores em relação à abordagem do tema e à Educação Ambiental forneceu subsídios para que este trabalho fosse conduzido, por meio da Pesquisa-ação-participativa e complementada pelo Ensino por pesquisa.
Este artigo tem como objetivo discutir algumas características da divulgação científica que toma as ciências biológicas como tema central. Optou-se pela análise de livros que, no contexto brasileiro, alcançaram sucesso público e que são, freqüentemente, mencionados por alunos universitários, tanto em sala de aula quanto em seus escritos. O enfoque dado à pesquisa é de cunho antropológico, enfatizando-se que, na pós-modernidade, fluem paralelamente duas culturas, rotuladas por Giddens (2002) de a “cultura da segurança” e a “cultura de risco”.
A presente pesquisa traz alguns resultados obtidos com base em um processo de parceria entre um professor com experiência profissional docente e um professor aspirante, tendo o pesquisador como mediador. Toma-se, como eixo para análise, a 'base de conhecimentos para o ensino' de Shulman (1987), e como contexto para coleta dos dados, a elaboração, implementação e análise de um conjunto de aulas de Ciências dedicadas às séries iniciais do Ensino Fundamental. Os resultados apontam que a justaposição de professores não garante a troca de todo e quaisquer tipos de conhecimentos, até mesmo porque, dependendo do momento profissional em que o docente se encontra, são diferentes suas necessidades e a forma como se interpreta e dá significado à sua prática.