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CURRÍCULO E CONSTRUÇÃO DE UM COMUM: ARTICULAÇÕES INSURGENTES EM UMA POLÍTICA INSTITUCIONAL DE FORMAÇÃO DOCENTE

PID: S1809-38762019000401545 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: GABRIEL
RESUMO Este texto tem por objetivo explorar o potencial político e analítico do significante “comum” na reflexão curricular contemporânea a partir da análise de uma política institucional de formação inicial e continuada de professores em desenvolvimento em uma universidade pública federal. Para tal, opera-se com as teorizações pós-estruturalistas, em particular as que se inscrevem na abordagem pós-fundacional, como defendida por Olivier Marchart, para a compreensão e o posicionamento nos debates em torno das políticas que movimentam fluxos de sentido de currículos de licenciatura e dos currículos escolares. Trata-se, mais particularmente, de focalizar, nessas políticas, os processos de significação que mobilizam o significante “comum” traduzindo os diferentes interesses em jogo. Em diálogo com as contribuições teóricas de Pierre Dardot e Christian Laval e na contramão das interpretações recentes produzidas no campo do Currículo sobre os sentidos e as mobilizações desse termo, propõe-se uma leitura outra, produtiva do significante “comum”. Na perspectiva aqui privilegiada, a ideia de construção de um comum apresenta-se como possibilidade de politizar o campo, superando binarismos e reconhecendo a força e o papel crucial da contingência nessas disputas. O artigo apresenta, em primeiro lugar, alguns usos do comum que vêm sendo hegemonizados nos estudos curriculares, bem como interpretações outras possíveis e disponíveis. Em seguida, tendo como campo empírico uma política curricular em curso, sublinha a potência heurística de um entendimento de comum que tem orientado a sua operacionalização e funcionado como verdadeira insurreição ou rede de resistência inventiva em tempos de desmonte do sistema público educacional no Brasil.

DIALOGISMO NA REINVENÇÃO DO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA)

PID: S1809-38762019000100145 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: CAMPOS FERREIRA
RESUMO Apresentamos este estudo como um convite para um diálogo sobre a reinvenção do currículo na Educação de Jovens e Adultos. O tema em apreço busca evidenciar sua não neutralidade, bem como a relação incontornável com campos de disputa manifestos na sociedade contemporânea. Afirma a existência de uma conexão entre currículo, poder, subjetividade e a constituição da identidade. Em face desta compreensão convida os sujeitos que atuam nesse campo a um trabalho de reinvenção das práticas relacionadas à produção do currículo na EJA, tendo em vista a necessidade premente de superação do modelo tradicional. Indicadores sociais, sobretudo os relativos à educação da população das camadas subalternas da sociedade, evidenciam a indispensável tarefa de rever práticas arraigadas em favor da criação de um currículo que esteja a serviço da vida, da emancipação social, da equidade no trato com os diferentes grupos geracionais demandantes da Educação de Jovens e Adultos em nosso país.

DIREITO À EDUCAÇÃO COMO PRINCÍPIO DE JUSTIÇA SOCIAL: UM OLHAR PARA AS POLÍTICAS AVALIATIVAS E SUAS REVERBERAÇÕES NO CENÁRIO CURRICULAR

PID: S1809-38762019000301075 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: ALMEIDA MAGALHÃES GONÇALVES
RESUMO As políticas curriculares e avaliativas voltadas à Educação Básica têm se apresentado sob a égide de garantias sociais, de diminuição das desigualdades e de inclusão - princípios que se constituem como essenciais à efetivação da justiça social. Assim, ao destacar nas políticas avaliativas-curriculares enunciados voltados a princípios de inclusão escolar em disputas históricas com sentidos de classificação e exclusão, objetiva-se, neste texto, analisar os sentidos mobilizados nas políticas avaliativas e suas reverberações no cenário curricular contemporâneo por vias do direito à educação como elemento essencial à justiça social. A análise de políticas avaliativas, orientada por uma perspectiva da Análise do Discurso, evidenciou sentidos de avaliação como instrumento de responsabilização e de medida do conhecimento que, apesar de no contexto macro político emergirem em consonância com discursos em prol da qualidade, da inclusão e da superação das desigualdades socioeducacionais, ainda sustentam-se em uma memória discursiva constituída por significantes que se afastam dos princípios de justiça e equidade, posto que recorrem a mecanismos de classificação. Contudo, frente ao curso da história da negação-afirmação dos direitos humanos e do direito à educação via políticas avaliativas e suas reverberações nas políticas curriculares, vislumbra-se o poder de (re)invenção dos discursos-políticas-práticas educacionais em efervescência na escola. Isso, porque, nesse espaço, os profissionais e discentes de contextos sócio-econômico-culturais diversos - enquanto sujeitos e objetos da ação política (BALL; MAGUIRE; BRAUN, 2016) - se apresentam como capazes de viabilizarem ou não projetos educacionais guiados por concepções que se pretendem transformadoras da sociedade e promotoras de justiça social.

DIRETORES/AS, PEDAGOGOS/AS E PROFESSORAS: INFORMANTES-CHAVE DOS INTERDITOS SOBRE A DIVERSIDADE SEXUAL E HOMOFOBIA NA ESCOLA

PID: S1809-38762019000200513 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: OLIVEIRA JÚNIOR
RESUMO O presente artigo apresenta resultados parciais de uma investigação em torno da diversidade sexual e da homofobia centrada na escola. A investigação decorreu em treze escolas públicas de Ensino Médio em distintos municípios do Norte do Paraná, cujo objetivo foi analisar como as práticas de violência aplicadas às pessoas LGBTQIA são manifestas no cotidiano escolar a partir da captação de falas espontâneas de educadores/as sobre a diversidade sexual e a homofobia. Em termos metodológicos recorreu-se a entrevistas semiestruturadas a 38 indivíduos que consideramos informantes-chave, como diretores/as, pedagogos/as e professoras. A análise de conteúdo foi orientada em “quem fala” e “com que finalidade fala”, sendo que a partir das interlocuções dos sujeitos estabelecemos categorias que foram discutidas a partir dos Estudos de Gênero e dos Estudos Culturais. As principais conclusões apontam que vivemos um momento no qual, todos, somos agentes responsáveis por uma educação igualitária, que não comporta a ausência de discussões sobre diversidade sexual e de estratégias de enfrentamento à homofobia, portanto, o maior desafio que se apresenta na atualidade para nós educadores/as é o de abrir-se para esse debate.

DISCURSOS DE GÊNERO, CORPO E SEXUALIDADE NO COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

PID: S1809-38762019000200492 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: OLIVEIRA DIAS
RESUMO O presente artigo é resultado de uma pesquisa desenvolvida no âmbito do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe, com o objetivo de analisar os discursos produzidos por docentes e discentes acerca das questões de gênero e da diversidade sexual. A abordagem metodológica aplicada foi influenciada pelos estudos pós-estruturalistas, utilizando como estratégia para geração de dados entrevistas realizadas com seis docentes (três do sexo masculino e três do sexo feminino), seis estudantes (três do sexo masculino e dois do sexo feminino) e uma técnica educacional. Na primeira e na segunda parte do texto discutimos as concepções de gênero e sexualidade dos participantes. Na quarta parte refletimos sobre o trabalho pedagógico com as temáticas de gênero e sexualidade. Ao cabo das análises e discussões empreendidas, constatamos de que maneira os discursos biológico, religioso, pedagógico, científico e moralista atravessam as falas dos participantes da pesquisa, produzindo discursos heteronormativos e reguladores sobre os corpos, os gêneros e as sexualidades, desde o espaço escolar.

DOIS MODOS DE TRATAMENTO DA HETEROGENEIDADE LINGUÍSTICA NO BRASIL EM DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA CURRICULAR

PID: S1809-38762019000301349 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: PIETRI
RESUMO Observam-se, em documentos oficiais de referência curricular para o ensino de língua portuguesa na escola básica brasileira, proposições para o tratamento pedagógico da heterogeneidade linguística em contexto de ensino. Os documentos que compõem o corpus foram produzidos e publicados em momentos distintos da história recente do país, nas décadas de 1980 e 1990, e são representativos de formações discursivas concorrentes em suas bases sociais, econômicas, políticas e ideológicas. A produção e análise dos dados se fundamentaram em conceitos desenvolvidos pelos estudos discursivos de linha francesa e caracterizaram os processos de tradução, de um dos discursos em concorrência para o outro, de conceitos e concepções de língua, de sujeito e de ensino. Os resultados evidenciam que a desigualdade na distribuição de bens linguísticos, e de suas implicações para as práticas de ensino que se orientem por princípios de justiça social, é afirmada ou denegada em decorrência do valor que se atribui à historicidade em um e em outro dos discursos analisados.

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E CURRÍCULO: HIPERTEXTO COMO PERSPECTIVA DE FLEXIBILIDADE E DESIGN PEDAGÓGICO

PID: S1809-38762019000200616 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: SALES NONATO
RESUMO Este estudo constitui uma construção teórica em torno da EaD seus tipos, metodologias e tecnologia, do currículo e suas diversas possibilidades de constituição experiencial, tendo o hipertexto como base para se pensar em perspectivas mais abertas e ampliadas para o desenvolvimento de práticas curriculares, principalmente, na EaD a partir da constituição de design pedagógico que possibilite o desenvolvimento da autonomia, da criatividade, da inventividade e, ao mesmo tempo, possam implicar os sujeitos no processo formativo. As discussões sobre o currículo propostas aqui não se circunscrevem apenas à EaD, pois a proposta de pensar o currículo sob a chave de análise da EaD e dos design pedagógicos que o conformam na ambiência on-line constitui um passo teórico importante no sentido de validar os caminhos próprios da EaD, demonstrando o quanto essa modalidade tem a contribuir para a Educação em termos de aportes teórico-metodológicos os quais podem ser integrados à educação presencial, seja pela via da importação, seja pela via da hibridização das modalidades na linha do blended learning. Portanto, este estudo é uma reflexão acerca das diversas possibilidades apresentadas pela EaD enquanto Educação mediada pelas tecnologias para um repensar das perspectivas de currículo e metodologia desenvolvidas no contexto da formação de maneira geral.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL NOS CURSOS DE AGRONOMIA DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS RURAIS DO BRASIL

PID: S1809-38762019000301219 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: MOREIRA ARAÚJO
RESUMO Neste trabalho foram analisadas as concepções de Educação Ambiental (EA) presentes nos projetos pedagógicos (PPC) dos cursos de Agronomia das Universidades Federais Rurais da Amazônia (UFRA), do Semiárido (UFERSA), de Pernambuco (UFRPE) e do Rio de Janeiro (UFRRJ). A pesquisa evidenciou três situações distintas entre as instituições estudadas: uma delas com indícios de uma Educação Ambiental conservadora, desvinculada da natureza social, cultural e política; outra privilegiando um viés mais regionalista, com ênfase no desenvolvimento econômico e presença de alguns matizes de sustentabilidade, associados à busca da cidadania e justiça social; e nas outras duas, uma abordagem de Educação Ambiental integral, contextualizada do ponto de vista da complexidade que envolve as questões da sustentabilidade, inclusive da sua natureza social, cultural e política, uma delas apontando ainda a necessidade de contínua avaliação e reformulação da formação acadêmica do agrônomo, a qual demanda completa revisão dos currículos, favorecendo a atuação profissional crítica que considere os aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística.

EDUCAÇÃO APÓS A INTRUSÃO DE GAIA: O QUE O QUEER TEM A VER COM ISSO?

PID: S1809-38762019000401436 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: RANNIERY
RESUMO Neste texto, inspirado pela formulação de Isabelle Stengers sobre a intrusão de Gaia, busco explorar relações entre política de currículo, ecologia, cosmologia e crítica queer em nossa era chamada de Antropoceno. A partir de intercessores da literatura e do teatro, argumento, por um lado, a possibilidade de existir experiência educacional por fora da retórica do primado do sujeito humano como projeto de formação do currículo no passo que, para tanto, insisto na necessidade de práticas queers que nos desloquem das formas habituais de pensar a política, a ecologia e a natureza. Mobilizo, assim, a imaginação cosmoecopolítica da ética bicha para perturbar as histórias esmagadoras do gêmeo tributário do sujeito da educação, o puído antropocentrismo, que, vai não vai, surge revigorado, confundido com a própria matéria do currículo. Ao fim, sugiro que política curricular está mais para um experimento de estar mundo, de criar mundos, de encontrar um mundo, de encontrar modos de estar em circuitos de forças de transfigurações alquímicas em que se desdobram trajetórias muito além - ou mesmo aquém - dos modelos humanistas de reconhecimento ou dos registros hiperintelingíveis usuais da normatividade e do Estado.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA ORDEM PÓS-DEMOCRÁTICA: DESAPARECIMENTO DA MODALIDADE E INVISIBILIDADE INSTITUCIONAL

PID: S1809-38762019000301123 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: CAVALCANTE
RESUMO O texto discute as condições de existência das políticas curriculares para Educação de Jovens e Adultos no contexto identificado como ordem pós-democrática no Brasil. A análise de enfoque arqueogenealógico percorre dois processos: o desaparecimento institucional do setor específico para EJA na reforma administrativa do Ministério da Educação, e o silenciamento da noção de modalidade educacional no texto publicado da Base Nacional Curricular Comum. Considerados como expressões do abandono institucional e curricular, conclui-se que tais processos articulam a produção de modos de desaparecimento da EJA.

EDUCAÇÃO INTEGRAL NO CONTEXTO DA BNCC

PID: S1809-38762019000401759 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: BITTENCOURT
RESUMO Este trabalho analisa a questão da educação integral diante da organização curricular proposta pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em sua versão final, publicada em dezembro de 2018, com o intuito de apontar limitações e possibilidades para a implementação de projetos de educação integral nesse novo contexto. Definiu-se como foco de análise um aspecto considerado comum entre as diversas propostas educativas recentes em educação integral baseadas nos programas governamentais publicados durante a década de 2000: a ampliação curricular. Considerando que a ampliação curricular se refere à questão dos tempos, dos espaços educativos, à diversificação e à integração dos saberes escolares, procurou-se identificar esses elementos na BNCC. Conclui-se afirmando que a viabilidade de implementação de projetos educativos em educação integral com a adoção dessa base comum curricular é bastante limitada, tendo em vista que os diversos fatores que caracterizam a ampliação curricular em projetos de educação e de formação integral não são enfatizados na opção curricular da BNCC.

ELES, OS DESGRAÇADOS! OU MANIFESTO PARA PENSAR UM CURRÍCULO AMOROSO

PID: S1809-38762019000401648 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: SILVA CHAVES
RESUMO Neste texto manifesto, defende-se a ideia de que é possível pensar sobre um currículo para a Educação Ambiental que pense um currículo amoroso, encaminhe para outros movimentos, tirando da paralisia que gera apenas reclamações e palavras de ordem para o homem; um currículo que crie forças ativas contra as forças reativas. Pretende-se exercitar uma aproximação entre os conceitos de resistência (Antônio Negri) e de linhas de fuga (Gilles Deleuze), com o intuito de refletir sobre aquele currículo para a Educação Ambiental como resistência por meio daquelas vidas vistas como “menores”, “inúteis”. Assim, o que se deseja é inventar; pensar linhas de fuga; romper as linhas clássicas inscritas no currículo sendimentarizado. Talvez seja o momento de pensar no amor como um espaço de criação e resistência para imaginar outra Educação Ambiental. Pensar uma Educação Ambiental que potencialize a experiência e a vida. Criar linhas de fuga através das existências supostamente infames, buscando outras formas de existir e de agir quando se fala no ambiente. A ideia não é mudar os paradigmas, mas sair deles.

ENSINO HÍBRIDO E MULTIMODALIDADE EM CONTEXTOS EDUCACIONAIS GAMIFICADOS

PID: S1809-38762019000200646 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: MARTINS PIMENTEL
RESUMO A cultura do hibridismo e da multimodalidade configura-se na convivência harmônica entre diferentes tecnologias analógicas e digitais, com momentos de interação em espaços presenciais físicos e online. O presente artigo trata sobre as possibilidades pedagógicas do modelo híbrido de ensino e a utilização de espaços multimodais em contextos educacionais gamificados e como a literatura sobre a temática apresenta o aluno diante desse contexto. Este estudo usa como metodologia a pesquisa bibliográfica, através de um processo de imersão no conhecimento existente e disponível sobre a temática para ampliar horizontes e inspirar novos estudos, fornecendo um marco de referências. O trabalho traz como principais contribuições científicas um estudo teórico bibliográfico significativo a respeito da personalização e descentralização dos espaços de aprendizagem que são possibilitadas pela utilização do hibridismo tecnológico e da multimodalidade, destacando conceitos, características e aplicabilidades e concepções a respeito do processo e do percurso cognitivo de aprender diante de um contexto social midiático onde as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) permitem uma nova configuração e designer do espaço educacional.

ENSINO MÉDIO EM DISPUTA: TENSÕES ENGENDRADAS EM TORNO DO CURRÍCULO

PID: S1809-38762019000301263 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: SOUZA NETO
RESUMO Este texto tem por objetivo problematizar algumas das tensões entre as políticas curriculares para o Ensino Médio na atualidade, a saber: a reforma do Ensino Médio e o lançamento da terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Busca-se caracterizar quais disputas e interesses estão em jogo nessa virada educacional pós-golpe, bem como os seus impactos na escola, em uma perspectiva curricular. Metodologicamente, faz-se uma discussão teórica e sistematizada de caráter bibliográfico em torno de alguns conceitos do campo curricular, como disputa curricular e política curricular, em interface com o processo de formação humana que fica a cargo da escola de Ensino Médio. A discussão é acompanhada de uma análise documental, tomando como fontes duas políticas curriculares brasileiras que impactam no Ensino Médio, no período de 2016-2018: a Lei No 13.415/2017 - Reforma do ensino médio e a BNCC do Ensino Médio - 3ª versão. Para complementar a análise, valeu-se da leitura de outros documentos oficiais em vigência como a LDB No 9.394/1996, a Lei No 13.005/2014 e as Diretrizes Curriculares para a Educação Básica (2013). Entre os resultados, questiona-se a quem interessa a implantação dessa BNCC sem qualquer construção democrática em que pese a participação dos teóricos do campo curricular, professores e alunos, bem como apresentam-se algumas das tensões engendradas em torno do currículo e quais os possíveis impactos para a formação no Ensino Médio.

ESTÁGIO SUPERVISIONADO: PERCEPÇÃO DO PRECEPTOR SOBRE O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM UM HOSPITAL DE ENSINO

PID: S1809-38762019000200574 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: LACERDA TELES OMENA
RESUMO O Sistema de Saúde, no Brasil, passa por transformações nos âmbitos estrutural e político. Por conseguinte, a formação dos profissionais de saúde torna-se primordial para a implementação da reestruturação do modelo de atenção contra-hegemônico ao modelo clínico. Este ostenta novas formas de gerir e cuidar em saúde, com uma aproximação efetiva à população e ressignificará a formação de recursos humanos na saúde. O objetivo deste estudo foi compreender a percepção dos preceptores sobre o processo de ensino-aprendizagem e as práticas interdisciplinares no ambiente hospitalar. Em um estudo descritivo e quali-quantitativo, utilizou-se a entrevista semiestruturada com 24 preceptores de um Hospital Universitário no interior do Estado de Pernambuco-PE, dos cursos de Graduação em Enfermagem, Fisioterapia ou Nutrição, no período de fevereiro a outubro de 2017. Os dados foram submetidos à Análise de Conteúdo Temática, sendo extraídas cinco categorias que foram interpretadas à luz da literatura, a saber: atuação do preceptor em saúde no processo de preceptoria hospitalar; percepção do preceptor sobre práticas interdisciplinares e multidisciplinares no processo de ensino-aprendizagem; ações desenvolvidas pelo preceptor de ensino na perspectiva interdisciplinar; dificuldades e oportunidades da preceptoria hospitalar na visão do preceptor de ensino em saúde; e sugestões de melhorias apontadas pelo preceptor de ensino em saúde para o processo de ensino-aprendizagem. A análise dessas categorias mostrou que a maioria dos preceptores atuam empiricamente, sem uma formação específica para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem. Conclui-se que a compreensão desses saberes é imprescindível à construção de ações que respondam às necessidades pedagógicas desses preceptores no processo de formação de novos profissionais.

EUROCENTRISMO E CURRÍCULO: APONTAMENTOS PARA UMA CONSTRUÇÃO CURRICULAR NÃO EUROCÊNTRICA E DECOLONIAL

PID: S1809-38762019000401781 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: MELO RIBEIRO
RESUMO O Pensamento Decolonial Latino-Americano emerge de um grupo de teóricos e teóricas localizados epistemicamente no sul do mundo, cujas reflexões partem da ferida colonial, daqueles e daquelas que tiveram suas vozes e experiências suprimidas pela colonização e modernização. Diante disso, o objetivo que guia a escrita deste texto é analisar as discussões sobre o currículo e a proposta alternativa de educação encabeçada pelo movimento zapatista via pensamento decolonial, a fim de contribuir para uma construção curricular não eurocêntrica, decolonial e decolonizadora. Para tanto, realizou-se uma pesquisa teórica buscando elementos no pensamento decolonial, nas teorias críticas e não críticas do currículo, e na proposta alternativa de educação encabeçada pelo zapatismo, a fim de contribuir para a reflexão sobre o eurocentrismo no currículo. A partir dessa análise, percebe-se que o currículo dentro das tendências tradicional, tecnicista e renovada representa vários aspectos da colonialidade do poder, ser e saber, excluindo os conhecimentos e identidades dos povos e grupos sociais subalternizados. E que mesmo quando tendências críticas procuraram repensar o currículo dentro do pensamento ocidental, isso aconteceu dentro das orientações do pensamento eurocêntrico, apesar de constituírem importantes contribuições. No entanto, as alternativas de educação dos movimentos sociais latino-americanos, como o zapatismo, apontam e já constroem uma educação decolonial e não eurocêntrica. Tal discussão torna-se importante na medida em que uma transformação social só é possível juntamente com uma transformação epistêmica, já que a racionalidade ocidental sustenta e sustenta-se sobre o mundo moderno/colonial.

FORMAÇÃO DE GESTORES ESCOLARES CEARENSES NO CONTEXTO DAS PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

PID: S1809-38762019000401604 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: MAIA OLIVEIRA
RESUMO Este trabalho aborda formação de gestores escolares no contexto das políticas público-privadas, cuja temática vem ganhando espaço em discussões acadêmicas dos últimos anos. Analisa o processo de recontextualização das formações dos gestores de escolas estaduais de ensino médio regular, do Estado do Ceará, no âmbito da CREDE 10, Russas/CE, com foco na formação pelo método Circuito de Gestão em parceria com o Instituto Unibanco. Na construção do referencial teórico utiliza a abordagem do Ciclo de Políticas proposto por Bowe; Ball; Gold (1992), em torno da ideia de recontextualização, permeada pela noção de performatividade, enquanto incentivo para produzir novos perfis institucionais, na identificação da existência de um contexto político onde predomina a “convergência de políticas” (BALL, 2004). Tal contexto parece caracterizar o surgimento de um novo paradigma na orientação gerencialista dos governos neoliberais nessa nova possibilidade de mercado, em especial no Estado do Ceará. Analisa resultados de uma pesquisa feita através de questionário com seis gestores escolares em relação ao período de 2016 a 2018. Como resultados, é possível destacar sinais de controle na educação cearense através da política de accountability e da cultura da performatividade implementadas no paradigma da educação pública cearense. Também, que o método Circuito de Gestão é traduzido pelos gestores na recriação de espaços de negociação entre os diferentes interesses da política em pauta e os projetos demandados nas escolas. Considera, por fim, que a recontextualização das políticas, no contexto da prática, aponta possibilidades de confrontos e resistências frente às políticas educacionais e curriculares no contexto atual.

FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA: UMA ANÁLISE CURRICULAR DE CURSOS DE GRADUAÇÃO NO BRASIL

PID: S1809-38762019000200419 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: RUDÁ COUTINHO ALMEIDA FILHO
RESUMO A formação em Psicologia no Brasil tem sido amplamente estudada e discutida em ambientes acadêmicos, desde antes da sua institucionalização em universidades e faculdades. Diante da escassez de estudos críticos acerca da educação superior nacional, este estudo se propõe a examinar a formação em Psicologia como consequência da constituição peculiar da educação superior no Brasil, visando à sua caracterização por meio de uma abordagem comparativa. Mediante um estudo de casos múltiplos, buscou-se analisar a formação em psicologia, no nível de graduação. Os principais resultados apontam para uma estrutura de formação anacrônica, não condizente com as especificidades ontológicas da Psicologia e apartada das expectativas acerca do papel da educação superior na formação cidadã crítica e profissional. Acredita-se, portanto, que a formação em Psicologia deve ser revista em todas as dimensões, desde seus marcos normativos aos tipos de componentes curriculares. Aponta-se uma desejável revisão da arquitetura acadêmica, substituindo o tradicional arranjo linear pelo regime de ciclos. Desse modo, toda a formação inicial estaria assentada em uma etapa propedêutica, sendo complementada numa segunda etapa que ofereceria conteúdos estruturantes do campo psicológico e habilitaria à utilização de instrumentos e técnicas psicológicos indispensáveis à atuação profissional. Por fim, uma profissionalização mais efetiva dar-se-ia num terceiro ciclo de formação especializada, conforme áreas de especialidade e atuação ou orientações teórico-metodológicas, em programas de residência e/ou mestrado ou doutorado profissional.

GESTÃO POR COMPETÊNCIA NO ÂMBITO DO INSTITUTO FEDERAL DE BRASÍLIA: DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO

PID: S1809-38762019000200365 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: MOREIRA MILANEZ
RESUMO O estudo investiga a implementação da gestão por competências a partir da visão dos servidores do Instituto Federal de Brasília, relacionando as concepções do modelo com a prática desses. Inicialmente, apresentam-se aspectos gerais voltados à Gestão Pública, Gestão por Competências e o que está em curso no setor público. A seguir, são esclarecidos os desafios à implantação dessa abordagem de gestão diante dos ordenamentos jurídicos no Brasil. A pesquisa é de essência qualitativa, usa entrevista semiestruturada e análise de conteúdo, combinando informações empíricas e referências sobre o tema. São analisados aspectos como a sensibilização dos servidores, a necessária desvinculação da gestão por competências da avaliação por competências, o próprio modelo burocrático e suas disfunções. Os resultados revelam que tão importante quanto o desenvolvimento do modelo de gestão por competências está o posicionamento estratégico das organizações, assim como a aprendizagem organizacional; que é um equívoco acreditar que apenas programas de formação e treinamento levam ao desenvolvimento de competências; que a gestão por competências exige uma organização transformada, com identidade corporativa e que enfrenta os novos desafios externos e internos. O caminho que deve ser adotado pelo IFB para implantar Gestão por Competências, a partir da pesquisa, é seguir modelos adotados por instituições que apresentaram resultados satisfatórios, além de estudar e respeitar o ambiente organizacional do IFB

GÊNERO EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO E CURRÍCULO: DO DIREITO ÀS INVENÇÕES

PID: S1809-38762019000401458 | Revista: Revista e-Curriculum (1809-3876) | Año: 2019
Autores: CARDOSO GUARANY UNGER PIRES
RESUMO Nos últimos tempos, temos presenciado enunciações que materializam os efeitos da onda conservadora que paira em território nacional. A escola, nesse contexto, é campo de batalha prioritário, além de ser um dos alvos principais dos vetos e dos protestos da sociedade civil e dos representantes políticos, o que, por vezes, se materializa nas alterações das políticas públicas educacionais. É sob tal conjuntura política e sobre direitos educacionais conquistados, especificamente no que se refere à gênero nas últimas décadas, que trataremos aqui. Ao analisarmos leis, diretrizes e bases nacionais, destacamos as políticas públicas como efeitos de diferentes forças que lutam para capturar condutas, formar sujeitos e conduzir racionalidades. A partir das análises, observamos movimentos de inscrição de diversos grupos excluídos (ou expulsos) do cenário educacional, bem como o incentivo às suas promoções de modo positivo em avaliações e materiais pedagógicos. Contudo, gênero como sinônimo de sexo biológico é o conceito utilizado prioritariamente nos documentos e pouco se promove a desconstrução de normas de gênero e as invenções de outros modos de existência.
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