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Reflexões (quase) antropofágicas sobre remunerações desiguais de docentes no Brasil e nos Estados Unidos da América (do Norte)

PID: S1809-43092022000100120 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Gouveia Fischman
Resumo O artigo analisa a remuneração de professores no Brasil e nos Estados Unidos da América (do Norte) a partir de uma proposta de diálogo comparado não valorativo e em sintonia com perspectivas pós-coloniais. A ideia de (quase) antropofagia justifica-se na percepção que é possível um diálogo internacional a partir de um olhar dos problemas do Sul Global para a agenda de pesquisa. Utiliza fontes públicas sobre remuneração da Relação de Informações Sociais (RAIS) do Brasil e dados do Schools and Staffing Survey (SASS) dos Estados Unidos, de 2020. Entre as conclusões, indica que os debates no Brasil que consideram a experiência estadunidense nas políticas educacionais superdimensionam as políticas de mérito/bônus e desconsideram outros elementos que marcam o debate nos Estados Unidos em termos de desigualdades na profissão docente, tais como acúmulo de outros empregos além da docência, jornada laboral mais extensa, variação salarial em diferentes estados/municípios/distritos.

Reflexões decoloniais sobre as relações étnico-raciais nas provas de espanhol do Enem (2010-2020)

PID: S1809-43092022000100416 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Botelho
Resumo: O presente artigo tem como objetivo compreender como a afrodescendência no mundo hispânico é abordada, sob a óptica das relações étnico-raciais, nos itens de língua espanhola do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Metodologicamente, esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa (FLICK, 2009), descritivo-interpretativa (MOITA LOPES, 1994) e técnica documental (BARDIN, 1977; GIL, 2002). A análise fundamenta-se nos estudos decoloniais (MALDONADO-TORRES, 2007; PALERMO, 2012; QUIJANO, 2005; VERONELLI, 2015; WALSH, 2012); nos estudos sobre relações étnico-raciais (BRASIL, 2006; GOMES, 2018); e nas diretrizes do Enem (BRASIL, 2010; INEP, 2013). Os resultados indicaram que, dos 120 itens analisados, nove permitem a discussão sobre as relações étnico-raciais, dos quais apenas dois itens colocam em discussão a racialização. Os demais itens tratam a racialização e a afrodescendência de forma estereotipada ou ignoram o tema em suas problematizações.

Relação de forças entre as orientações da Unesco e as demandas estudantis na Lei nº 13.415/2017

PID: S1809-43092022000100107 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Boutin Flach
Resumo: A partir de pesquisa mais ampla e tendo como aporte teórico o materialismo histórico e dialético, este texto tem por objetivo desvelar a relação de forças entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e o movimento estudantil secundarista brasileiro, aqui representado pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), na materialização da Lei Nº 13.415/2017 – Reforma do Ensino Médio. Para tanto, são analisados documentos produzidos pela Unesco, normativas, notas e demais textos produzidos pela Ubes e entrevistas semiestruturadas realizadas com seis estudantes que ocupavam cargos de diretoria da entidade no período entre 2018 e 2020. As análises são norteadas pelas categorias de hegemonia e de relação de forças extraídas do pensamento de Antonio Gramsci. Ao final, conclui-se que as orientações da Unesco e as demandas do movimento estudantil são antagônicas, visto que, de um lado, há a defesa dos interesses capitalistas; e, de outro, há a preocupação com a formação mais ampla voltada para a práxis social. Na materialização da proposta do novo Ensino Médio, houve prejuízo às demandas estudantis e supremacia de interesses burgueses defendidos pela agência internacional.

Relações étnico-raciais e suas produções na área da Educação: uma análise na plataforma SciELO

PID: S1809-43092022000100451 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Silva Ustra
Resumo Neste artigo, apresentam-se resultados de uma revisão bibliográfica de produções científicas sobre relações étnico-raciais no âmbito da Educação Básica publicadas na plataforma Scientific Electronic Library Online (SciELO). Sob uma ênfase qualitativa, procurou-se compreender as abordagens para a temática em 26 artigos selecionados para a análise. Observou-se um predomínio de produções voltadas a políticas afirmativas e à formação de professores com maior produção entre os anos de 2017 e 2018. Por meio da Análise de Conteúdo, destacam-se os elementos contidos nos resumos que permitiram configurar as seguintes categorias: ascensão, ausências, desconstruções, fontes de subversão, formação e perspectivas. A reflexão sobre essas categorias aporta importantes contribuições à formação inicial de professores.

Relações étnico-raciais nos Projetos Político-Pedagógicos de Licenciaturas em Biologia de São Paulo

PID: S1809-43092022000100456 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Barbara Silvério Motokane
Resumo As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana instituem que os projetos pedagógicos das Licenciaturas devem contemplar a educação das relações étnico-raciais. Para verificar quais as abordagens encontradas nesse tipo de documento, foram pesquisados 14 Projetos Político-Pedagógicos de cursos públicos paulistas de Licenciatura em Biologia. A partir de uma análise de conteúdo, verificou-se que as Diretrizes foram explicitamente mencionadas em seis dos Projetos e que o posicionamento crítico associado ao uso de conhecimentos biológicos diante da discriminação racial foi colocado como competência do egresso em cinco deles. Observou-se, também, uma variedade de conteúdos associados à educação das relações étnico-raciais, mas que tendem a estar apenas em disciplinas das áreas pedagógica e/ou de ciências humanas, marginalizando as biológico-específicas.

Representatividade, visibilidade e vocalidade: apontamentos sobre branquitude e produção acadêmica em eventos científicos, em tempos de educação remota

PID: S1809-43092022000100425 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Mello Ribeiro
Resumo: Para versar sobre a representação social no campo da Educação Superior, este trabalho traçou e analisou o perfil das e dos palestrantes de seis eventos acadêmicos realizados em 2020 por universidades públicas brasileiras. Buscou-se verificar de que modo o conceito de branquitude torna possível entender a realidade das relações e das interações acadêmicas em termos étnico-raciais. Uma das hipóteses foi a de que a intelligentsia brasileira é apresentada ou representada de forma quase exclusiva, mas sempre majoritária, por corpos brancos (ou de pele clara). Os resultados comprovaram a superexposição de pessoas brancas e pessoas de pele clara nas mesas de debates. Conclui-se que, em termos de representatividade, visibilidade e vocalidade – branquitude discursiva – os eventos invisibilizam outras presenças, perpetuando as hierarquias vigentes, ao mesmo tempo em que denotam comportamentos persistentes, embora nem sempre deliberados ou conscientes, que têm impedido a realização da justiça (social, cognitiva, epistêmica), em termos étnico-raciais, no Ensino Superior brasileiro.

Saberes de vidas: rodas interativas, diálogos e o Movimento de Mulheres Negras

PID: S1809-43092022000100461 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Silva
Resumo Este texto tem como objetivo refletir sobre o processo educativo e formativo sobre relações étnico-raciais, gênero e educação em espaços não-escolares de mulheres negras que participam de cursos oferecidos em uma instituição não governamental em Feira de Santana, na Bahia, bem como a experiência e a atuação da autora deste texto como educadora popular, as vivências e as tessituras construídas junto às mulheres que participam de espaços formativos e educativos promovidos pela instituição. Considera-se como aporte teórico dessa reflexão os estudos sobre o Movimento Negro, o Movimento de Mulheres Negras, o pensamento de Paulo Freire e bell hooks, os quais apontam que a educação pode ser um lócus e um caminho para a prática da liberdade. A discussão aqui apresentada dialoga com os processos de lutas dos Movimentos Sociais, com o combate aos projetos de colonialidade e com a efetivação de uma educação promotora de justiça social e equidade.

Sujeitos não hegemônicos na Pós-Graduação no Brasil e em Portugal: indígenas, angolanos, moçambicanos e timorenses

PID: S1809-43092022000100433 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Backes
Resumo: Este artigo analisa conhecimentos do currículo da Pós-Graduação em Educação que interessam aos sujeitos não hegemônicos do Brasil e de Portugal. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com 14 sujeitos, sendo sete de uma universidade brasileira (indígenas de diferentes etnias) e sete de uma universidade portuguesa (angolanos, moçambicanos e timorenses). A análise mostrou que os sujeitos não hegemônicos do Brasil vêm para a Pós-Graduação, sobretudo, para fortalecer os conhecimentos autóctones, ao passo que os sujeitos não hegemônicos que estão na Pós-Graduação em Portugal se preocupam em construir conhecimentos que atendam suas necessidades profissionais, articulados ao Estado nacional de sua proveniência.

Síntese sistemática de pesquisas sobre práticas pedagógicas no Brasil: uma análise da produção acadêmica dos Programas de Pós-Graduação em Educação Conceito 7 Capes (2006-2015)

PID: S1809-43092022000100106 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Diniz-Pereira
Resumo: O propósito deste artigo é apresentar e discutir os resultados de uma síntese sistemática de pesquisas sobre práticas pedagógicas por meio da análise de resumos de teses e de dissertações sobre docência e/ou formação de professores defendidas entre 2006 e 2015, em Programas de Pós-Graduação em Educação no Brasil que receberam Conceito 7 na avaliação trienal de 2013 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Procurou-se seguir, neste estudo, as sete etapas definidas pelo autor britânico David Gough, para uma revisão ou síntese sistemática de pesquisa. Os achados e as conclusões das pesquisas sintetizados nos resumos dos trabalhos que fizeram parte desta metapesquisa ensinaram muitas lições sobre as práticas pedagógicas. O artigo destaca a necessidade de procedimentos éticos – para além de ações meramente protocolares – para as pesquisas sobre práticas pedagógicas e que estes também sirvam para o aumento da validação científica das investigações acadêmicas e, ao mesmo tempo, como estratégia para o desenvolvimento profissional docente.

Uma possibilidade decolonial para pensar a constituição do ethos caboclo no Oeste de Santa Catarina

PID: S1809-43092022000100410 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Tedesco Battestin
Resumo: Nesta reflexão, nossa hipótese considera que os caboclos são remanescentes de uma matriz africana de pensamento no Oeste de Santa Catarina, Brasil. Trata-se de uma problemática da história e da filosofia que evidencia a constituição de um ethos caboclo decolonial do Contestado. Diante disso, assumimos, nos procedimentos metodológicos, um delineamento bibliográfico, cuja abordagem é interpretativa e qualitativa. Se considerarmos o ethos, para os gregos (matriz dos colonizadores), como a própria ontologia, não nos é possível excluir ou violentar os traços do ethos das primeiras comunidades do Oeste catarinense, pois eles, os povos originários e os caboclos, também se caracterizam pelo espírito comunitário, pela igualdade e pela solidariedade. Em nosso resultado, constatamos que: a) o ethos decolonial caracterizou a essência nas comunidades do Oeste catarinense; e b) o ethos correspondeu à constituição dos hábitos das comunidades originárias, tornando impossível sua sobrevivência e resistência temporal. Por fim, o ethos caboclo foi constituído com os povos que viveram e resistiram no Oeste de Santa Catarina, a partir do cultivo da ancestralidade e das práticas do bem viver em sua territorialidade.

Vinculando-se à sociedade a partir de uma perspectiva de gênero: um estudo no escola superior equatoriano

PID: S1809-43092022000100110 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Aguirre Reinoso Gavilanes Ullauri Iñiguez
Resumo: O objetivo deste trabalho foi descrever as ações de ligação com a sociedade ou extensão a partir de uma perspectiva de gênero, empreendidas pela Universidade Católica de Cuenca, no ambiente da Covid-19. A partir de uma pesquisa empírica e analítica, o método do estudo de caso foi aplicado com técnicas quantitativas e qualitativas baseadas na análise bibliográfica de registros e de relatórios institucionais, coleta de dados por meio de um questionário estruturado com Escala Likert e uma entrevista aprofundada. Os resultados mostram que a instituição realiza atividades para divulgar e promover a abordagem de gênero; no entanto, existe uma falta de conhecimento dentro da comunidade universitária, mesmo em oposição às respostas predominantemente favoráveis. Da mesma forma, foi identificado o protagonismo de projetos nas áreas sociais e de cuidado, nos quais não há evidência de representação feminina, embora haja reconhecimento. Esse panorama é acentuado pela ausência de mecanismos de acompanhamento e de controle nas atividades de vinculação que se referem à igualdade de gênero, ratificando que a universidade requer um sistema de indicadores que permita fortalecer e orientar os esforços e os recursos institucionais.

“Demarcar as universidades”: povos indígenas e ações afirmativas na Pós-Graduação brasileira

PID: S1809-43092022000100407 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Bonin
Resumo: Nas últimas décadas, houve um aumento gradual da presença de estudantes indígenas nas universidades brasileiras. Esse crescimento deve-se, principalmente, às ações e às reivindicações de povos indígenas que, entre outras estratégias, têm investido na Educação Superior como espaço político para o reconhecimento de suas identidades, bem como para a afirmação de suas ciências e de seus saberes ancestrais. Assim, grande número de graduados pode prosseguir seus estudos no âmbito da Pós-Graduação. Contudo, a Pós-Graduação brasileira é marcada por intensas desigualdades, aspecto que justifica a criação de políticas de ações afirmativas. O objetivo do presente estudo é discorrer sobre ações voltadas ao ingresso de estudantes indígenas em cursos de Mestrado e Doutorado em Educação de universidades públicas. A pesquisa, de base documental, realizou a análise de resoluções de Conselhos Universitários de 35 universidades públicas e de editais de seleção dos seus respectivos Programas de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado), publicados entre 2017 e 2021. A análise mostra que a autodeclaração é a estratégia principal para acessar as vagas reservadas, mas são variáveis as formas de validação e de aferição da pertença indígena. Observa-se, também, a existência de diferentes modalidades de oferta de vagas, respeitando as diferenças regionais, institucionais e se resguardandose, assim, a autonomia universitária.

“Escrevivências” e afectos literários entre universidade e escola

PID: S1809-43092022000100406 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Oliveira Lima Santos
Resumo: Este texto trata dos encontros ocorridos entre universidade e escola, atravessados pela literatura produzida por escritores/as negros/as, com destaque para a obra de Conceição Evaristo. A partir de interpelações apresentadas por professoras da Educação Básica em atividades acadêmicas na universidade, o genocídio da juventude negra é abordado como questão de currículo na formação de professores/as. Nesse sentido, apresenta-se o relato da realização de uma Mostra de Literatura, a partir de articulações construídas no espaço escolar e na universidade, mobilizadas pelo acesso à arte. Defende-se que os impactos curriculares da Mostra extrapolam o tratamento de questões étnico-raciais na escola como temática, pela proposição de experiências estéticas produzidas pelo encontro. Os desafios metodológicos na pesquisa em Educação são vistos de modo a propor o conceito de “escrevivências” como operador teóricometodológico atravessado pelas concepções de afecto e pelos agenciamentos coletivos.

“Eu era tudo aquilo que não desejavam para uma professora”: docência negra e lésbica na Educação Básica

PID: S1809-43092022000100429 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Nascimento Silva
Resumo: O presente artigo visa analisar a trajetória de uma professora negra lésbica do Sul do Brasil, atuante no ensino público, no intuito de refletir a respeito da (in)visibilidade no espaço educacional e dos cotidianos escolares historicamente marcados por produções monoidentitárias. Pretende-se problematizar as estratégias e os recursos de sobrevivência construídos no decorrer de sua trajetória, de modo a evidenciar a produção de práticas pedagógicas como metodologias essenciais das rachaduras de um sistema que invisibiliza e anula existências negras e lésbicas. A discussão apresenta a trajetória familiar e escolar de uma professora negra e lésbica até chegar em sua atuação no ensino público, com base na sua narrativa compartilhada, a qual é reconstruída, do ponto de vista metodológico, a partir da realização de entrevista compreensiva. Conclui-se que tais experiências, ainda que singularizadas pela existência individual, são questões sociais que coordenam saberes e fazeres no campo da Educação.

“Eu não sei se posso dizer que não sou racista”: narrativas discentes sobre história da cultura afro-brasileira e indígena na Educação Superior

PID: S1809-43092022000100421 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Rodrigues Fabrício
Resumo: O objetivo deste estudo é analisar narrativas elaboradas por acadêmicos de diversos cursos da Universidade Regional de Blumenau sobre o tema da diversidade étnico-racial, a partir da disciplina “História da cultura afro-brasileira e indígena” e de como esta se insere na conjuntura e nas singularidades experimentadas pela sociedade em questão, a do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Este trabalho ancora-se nos debates acerca da construção de narrativas, a partir de Paul Ricoeur, com o círculo hermenêutico, e de Jörn Rüsen, sobre a noção de aprendizagem histórica. As fontes advêm de um questionário distribuído aos estudantes no primeiro e segundo semestre acadêmico de 2020. Em relação aos resultados, este estudo constatou uma importante reelaboração discursiva sobre a história indígena e afro-brasileira e um reconhecimento das singularidades identitárias, dos contextos de negação de direitos e dos processos históricos de exclusão.

“O sonho acabou”: educação e relações étnico-raciais, e os retrocessos político-institucionais

PID: S1809-43092022000100440 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2022
Autores: Pereira
Resumo: Este trabalho aborda a questão racial e as demandas antirracistas na educação e contextualiza a criação das Leis Nº 10.639/2003 e Nº 11.645/2008 e da disciplina Educação e Relações Étnico-Raciais, em licenciaturas no Ensino Superior. A intenção é discutir as dificuldades na implementação dessa disciplina e das leis em tela, como indicativas de problemas educacionais-culturais-raciais-sociais que podem ter favorecido retrocessos político-institucionais na atual conjuntura nacional e prejudicado a recomposição e a retomada de iniciativas dos setores progressistas. Tais percepções se baseiam em longa práxis como educador em redes públicas de ensino básico e em cursos de formação de professores no Ensino Superior e em uma pesquisa sobre a implementação das leis em escolas de ensino básico.

Pedagogia do oprimido, de Paulo Freire: suscitando diálogos e reflexões a partir de experiências em/com Educação

PID: S1809-43092021000100240 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2021
Autores: Busquet Oliveira Oliveira Morais
Resumo: Este artigo, construído a partir do encontro dos autores com a obra Pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, configura três momentos: o vínculo da obra com o contexto da Educação Popular, com base em Streck e Esteban (2013), Streck (2009) e Carrillo (2013); a interface com o Teatro do oprimido, alicerçado em Boal (1991, 2009); e, por fim, a inspiração freiriana em práticas de alfabetização com crianças, conforme a Secretaria de Educação do Ceará (198-). Fundamentado em Bourdieu (2006), trata-se de um estudo que tem como referência as trajetórias sociais dos pesquisadores que, mediante diálogos e reflexões suscitados pela obra, expressam seus percursos pessoais, profissionais e suas práticas docentes. Constituído a partir de uma revisão de literatura, o estudo espera tecer alguns diálogos e contribuir com a produção e as pesquisas inspiradas na obra de Paulo Freire e na sua Pedagogia do oprimido, com vistas a fornecer uma fonte de atualização para os leitores.

A Educação Especial como campo acadêmico no Brasil: fontes de pesquisa

PID: S1809-43092021000100107 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2021
Autores: Casagrande
Resumo: Este artigo teve como objetivo indicar as principais fontes de pesquisa utilizadas para explorar a constituição do campo acadêmico da Educação Especial. Foi organizado um conjunto de 13 fontes de pesquisa, divididas entre os três momentos que resultaram no processo de constituição acadêmica da Educação Especial: 1. Antecedente; 2. Constituinte; e 3. Expansão. Fundamentado no conceito de campo de Pierre Bourdieu, em autores do campo da Educação Especial e em autores que tratam da institucionalização de campos acadêmicos, obteve-se como resultados: a) Os textos que circulavam em Revistas sobre Educação e a formação de professores caracterizaram as fontes sobre o campo teórico da Educação Especial; b) As fontes do momento constituinte apontaram a década de 1960 como marco inicial do campo acadêmico, por meio da oferta dos primeiros cursos voltados à Educação Especial na Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, até o surgimento em 1989, do GT15 da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação - ANPEd; e c) O momento de expansão do campo foi evidenciado pelas fontes, a partir da década de 1990, com o desenvolvimento do movimento inclusivo, até os dias atuais. É necessária ampliação das pesquisas para fortalecimento desse campo.

A atualidade de Paulo Freire em tempos de pandemia: tecendo diálogos sobre os desafios da educação e do fazer docente

PID: S1809-43092021000100221 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2021
Autores: Araujo Oliveira Trindade Nicolau
Resumo: Neste artigo, em um momento que celebramos o centenário de Paulo Freire, discutimos o momento atual atravessado por profundas crises. Problematizamos esse contexto, sobretudo no que diz respeito ao cenário educacional brasileiro que vive pressões por uma educação remota em tempos de pandemia, procurando, no legado de Freire, pistas para compreender e buscar respostas ao que temos vivido e enfrentado. Articulamos o referencial de Freire às experiências vividas pelo Centro Municipal de Referência de Educação de Jovens e Adultos (CREJA), ao fazer docente, tensionados por projetos conservadores, e ao movimento daslivescompreendidas em seu potencial de aproximação e de reflexão em tempos de distanciamento. Compreendemos que revisitar Paulo Freire e dialogar com seus conceitos é urgente e necessário no adensamento de nossas ações e investigações na formação docente.

A atualidade do pensamento de Paulo Freire para reinventar as práticas de formação política no âmbito da educação popular

PID: S1809-43092021000100234 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2021
Autores: Pontual Machado
Resumo: Este artigo pretende discutir a educação popular no âmbito do Conselho de Educação Popular da América Latina e do Caribe (CEAAL), considerando um de seus pressupostos básicos a formação política. O intuito é mostrar como a presença de Paulo Freire, primeiro presidente do CEAAL, foi fundamental para a formação e a atuação desse grupo ao longo de sua história. Os argumentos fundamentam-se na identificação de categorias freirianas consolidadas na literatura e presentes nos dois mais recentes documentos do CEAAL em 2018 e 2019. Ambos os documentos são produto do coletivo de educadores populares de 21 países da América Latina. Fez-se uma análise léxica simplificada com o software Vayant Tools, a partir da contagem de palavras em cada texto e comparadas aos verbetes de um dicionário sobre a obra freiriana. As seis categorias identificadas contribuem para uma revisão crítica e desafios da formação política hoje na perspectiva da educação popular.
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