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Ecologia de saberes, para adiar o fim da escola

PID: S1809-43092020000100174 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Merladet Reis Süssekind
Resumo: Este artigo foi escrito durante o período de pandemia do Coronavírus e desloca a noções de mundo e de fim de mundo, com apoio dos contos de Deszö Kosztolányi e Julio Cortázar e das perspectivas de expansão e de invenção do presente no diálogo com as teorias de Michel de Certeau, Boaventura de Sousa Santos e Ailton Krenak. Nesse sentido, tece-se forte crítica anticapitalista e argumenta-se que as criações de praticantes dos currículos são conhecimentos-solidariedades que abalroam as linhas abissais do ocidente capitalista, patriarcal e colonial, criando possibilidades de outros mundos adiando seu fim. Conclui-se que há resistência e criação na arte e nos cotidianos a partir de situações trazidas dos cotidianos na escola e na Universidade Popular dos Movimentos Sociais.

Educação Básica em “xeque”: Homeschooling e fundamentalismo religioso em tempos de neoconservadorismo

PID: S1809-43092020000100015 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Cecchetti Tedesco
Resumo: Este trabalho objetiva compreender de que forma perspectivas religiosas fundamentalistas ameaçam o conceito de Educação Básica e, por conseguinte, colocam em xeque o ideal de escola pública, gratuita, obrigatória e laica, por meio da defesa e da regulamentação do homeschooling no Brasil. O estudo, de natureza qualitativa, do tipo bibliográfico e documental, é transversalizado por contribuições advindas dos campos epistemológicos das Ciências da Religião e da Educação, no intuito de evidenciar as estratégias ideológicas empreendidas por um ativismo religioso-fundamentalista e neoconservador contra temáticas relativas aos direitos sociais, direitos humanos e à laicidade escolar. A análise indica que o ensino domiciliar está enraizado em valores religiosos fundamentalistas, apoiado e fortalecido por partidos, instituições e líderes religiosos alinhados ao movimento neoconservador que se propaga na atualidade em escala internacional; e que uma possível regulamentação do ensino domiciliar colocará em xeque o direito público subjetivo à Educação Básica, direito assegurado após décadas de luta coletiva por uma escola gratuita, obrigatória, igualitária, inclusiva e laica.

Educação Especial e Inclusiva em tempos de pandemia: o lugar de escola e as condições do ensino remoto emergencial

PID: S1809-43092020000100169 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Souza Dainez
Resumo: A pandemia do coronavírus (COVID-19) traz desafios em todas as esferas da vida humana, em especial às políticas sociais. Nesse cenário, analisamos as condições de realização do ensino remoto emergencial direcionadas a um aluno com Transtorno do Espectro do Autismo, matriculado no 4o ano do Ensino Fundamental I. O estudo de caráter exploratório partiu da análise de um relato de experiência e teve como ancoragem a perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento humano, em especial a ideia de que as condições sócio-histórico-culturais e políticas são fonte de desenvolvimento da atividade psíquica. Os resultados evidenciam o lugar da escola na vida do aluno e apontam para o papel dessa instituição social como espaço coletivo de resistência político-pedagógica e mediadora dos processos de humanização.

Educação Integral em Tempo Integral: as concepções presentes na prática docente em uma escola municipal de Ensino Fundamental

PID: S1809-43092020000100170 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Campos Cruz
Resumo: O objetivo deste trabalho consiste em apreender as concepções frente à Educação Integral em Tempo Integral (EITI) no contexto da prática docente em uma escola de Ensino Fundamental do Município de Ponta Grossa-Paraná. O encaminhamento metodológico corresponde ao estudo de caso com a análise qualitativa dos dados. Foram sujeitos de pesquisa 18 professores do 1º e 2º Ciclos do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Os dados foram coletados no período entre os meses de maio e junho de 2018 por meio de questionário via Google Forms. Os dados empíricos revelaram a insuficiência, a carência e, às vezes, a inexistência de formação inicial e continuada específica em EITI com foco na expansão do tempo e nos espaços educativos agregados a uma concepção de Educação Integral.

Educação domiciliar, diferença e construção do conhecimento: contribuições para o debate

PID: S1809-43092020000100022 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Becker Grando Hattge
Resumo: O propósito deste artigo é contribuir com o debate acerca da educação domiciliar no contexto brasileiro, por meio de um ensaio teórico. Nesse sentido, apresenta-se, por um lado, os principais argumentos a favor da prática; e, por outro, aspectos que fundamentam a escola como um espaço de possibilidade de reconhecimento da diferença e de igualdade. Importa refletir acerca da relevância da relação com o outro para a construção do conhecimento. Assim, este texto apoia-se em Vygotsky e no conceito cunhado por ele de Zona de Desenvolvimento Proximal. Para efeitos de conclusão, considera-se a importância de um debate amplo, sólido, em que as especificidades familiares, sociais e cognitivas de cada criança sejam consideradas no que tange ao planejamento e à ação de medidas que envolvam a educação no Brasil.

Ensino remoto para alunos surdos em tempos de pandemia

PID: S1809-43092020000100140 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Shimazaki Menegassi Fellini
Resumo Desde o surto da Covid-19 no Brasil, mudanças ocorreram no enfrentamento à pandemia, e o isolamento social foi um deles. Na educação, a iniciativa implementada no Estado do Paraná foi o ensino remoto, a mostrar preocupações da comunidade escolar quanto ao processo de ensino e aprendizagem dos surdos. Nessa escolarização, as inquietações latentes induziram a um estudo pontual e exploratório de forma remota, a cinco professores, três alunos e uma pedagoga de escola de educação bilíngue, a empregar três questionários distintos, com seis questões cada e entrevista oral. Os resultados, subsidiados pelas teorias Histórico-Cultural e Dialogismo em linguagem, demonstram: a) o ensino remoto é um desafio na preparação de aulas; b) alguns alunos vulneráveis economicamente não acessam atividades remotas; c) alunos sem auxílio parental para os estudos; d) dificuldades de compreensão e interpretação dos enunciados; e) sem contato social escolar, o isolamento afeta o desenvolvimento linguístico e social dos surdos.

Entre a compulsão modernizadora e a melancolia pedagógica: a escolarização juvenil em tempos de pandemia no Brasil

PID: S1809-43092020000100141 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Silva
Resumo Ao tomar como objeto de reflexão a escolarização juvenil em tempos de pandemia no Brasil, a preocupação do presente estudo teórico esteve em colocar sob análise os propósitos educativos que mobilizam essa escolarização neste início de século XXI. Para tanto, em um exercício bastante esquemático, procurou-se descrever e analisar duas disposições formativas que tendem a orientar as políticas e as práticas educativas na atualidade. Por disposições formativas, compreenderam-se os arranjos teóricos que delineiam as teorizações sobre a educação contemporânea, que funcionam como molduras que formam e informam a percepção sobre o trabalho escolar. A compulsão modernizadora e a melancolia pedagógica foram as disposições formativas analisadas neste estudo.

Entre a espera e a urgência: propostas educacionais remotas para crianças com Síndrome Congênita do Zika Vírus durante a pandemia da COVID-19

PID: S1809-43092020000100175 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Pletsch Mendes
Resumo: A pandemia provocada pela COVID- 19, o nomeado “novo coronavírus” (SARS-CoV-2), foi declarada pela Organização Mundial da Saúde em 11 de março de 2020. Desde então, os impactos sociais, econômicos, sanitários, políticos e científicos têm desafiado os cientistas no mundo todo. Especialmente em contextos de desigualdades econômicas, sociais e escolares, os efeitos têm sido devastadores. Ao mesmo tempo, as alternativas criadas ao longo desse processo precisam ser analisadas e compreendidas. Nesse contexto, este artigo discute as práticas pedagógicas propostas para crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus, durante o período de isolamento social causado pela pandemia do Coronavírus. A pesquisa é qualitativa e baseia-se em análise de documentos locais sobre o ensino remoto e na realização de entrevistas semiestruturadas com cinco profissionais da Educação de uma rede de ensino da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, que participaram de um Programa Piloto de Formação Continuada para atuar com crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus. Para a análise, os dados foram organizados em eixos temáticos, evidenciando, entre outros aspectos, o empenho docente para desenvolver ações online que promovessem a interação e a participação das crianças nas atividades propostas, em parceria com as mães. Igualmente, mostram como a pandemia afetou a relação da escola com a família e a persistência/resiliência das professoras frente aos inúmeros desafios colocados pela pandemia em sua atuação no magistério.

Escola sem Partido, neoliberalismo e conservadorismo: rastreando pontos de intersecção

PID: S1809-43092020000100161 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Katz Mutz
Resumo As discussões em torno do movimento Escola sem Partido vêm acirrando as lutas pela educação brasileira nos últimos anos. Dada a importância desse debate, gostaríamos de explorar, neste artigo, uma pequena parte de uma pesquisa desenvolvida no Mestrado, mas com foco em outros aspectos. Assim, buscamos descrever enunciados presentes em uma determinada formação discursiva produzida pelo movimento. Para tal, fizemos uso das ferramentas teórico-metodológicas oferecidas pelo filósofo e historiador francês Michel Foucault. Os resultados apontam para a existência de enunciados que reatualizam ideias neoliberais e conservadoras no campo da educação brasileira.

Escola sem Partido: análise de uma rede conservadora na educação

PID: S1809-43092020000100152 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Lima Hypolito
Resumo O objetivo deste artigo é apresentar e analisar o movimento Escola sem Partido, que articula atores sociais em torno de uma agenda conservadora para a educação no Brasil. A partir de uma análise de redes políticas de governança, apoiada em estudos de Ball, com a utilização de uma metodologia qualitativa de redes e uso do aplicativo Gephi, o texto analisa alguns atores sociais importantes para a sustentação dessa iniciativa conservadora. A pesquisa demonstra que o Escola sem Partido, embora divulgue ser uma iniciativa contra a doutrinação ideológica, é resultado de uma grande combinação de interesses ideológicos, conservadores e partidários. Como resultado da pesquisa, o artigo mostra que o Escola sem Partido é mais um movimento em torno de uma luta por hegemonia ideológica no campo educacional.

Escolarização de crianças e adolescentes pantaneiros em tempos de COVID-19

PID: S1809-43092020000100131 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Nozu Kassar
Resumo Este artigo analisa as formas como educadores de escolas localizadas em regiões ribeirinhas do Pantanal Sul-mato-grossense - as Escolas das Águas - organizam-se para a manutenção da escolarização, no período da pandemia gerada pela COVID-19. Para o desenvolvimento deste trabalho, foi adotada uma perspectiva qualitativa. A coleta de dados ocorreu com levantamento e estudo de documentação local e realização de entrevistas abertas, via aplicativo WhatsApp, entre abril e junho de 2020, com gestoras e professoras dessas escolas. As análises da situação educacional foram elaboradas considerando-se o contexto amplo das políticas sociais, o que possibilitou a percepção de que populações vulneráveis podem ser mais fragilizadas em situações de exceção. Verificou-se a presença da educação, mediada pelas Escolas das Águas, como um dos únicos elos da população local com o poder público.

Estudo de caso sobre um processo de desescolarização marcado pelo fracasso entre escola e família

PID: S1809-43092020000100157 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Portugal Almeida
Resumo Este artigo apresenta o estudo de caso de um processo de desescolarização de um aluno do 6º ano do Ensino Fundamental II da rede pública de ensino do Distrito Federal e sob o referencial teórico da psicanálise. A metodologia de pesquisa ocorreu a partir da observação participante na qual foi possível interagir com os sujeitos envolvidos na pesquisa por meio da transferência e, durante a escrita, na análise dos textos escritos e artísticos do sujeito do estudo. O ano letivo no qual ocorreu a desescolarização, o qual foi acompanhado, foi marcado por conflitos entre o sujeito, a escola e a família, evidenciando um fracasso na relação das instituições escola e família. Questões acerca da diferença entre os saberes caseiros e epistemológicos permeiam as análises do caso e culminam em um resultado inconclusivo e complexo quanto aos efeitos dessa desescolarização.

Família e escola em sociedades republicanas: saudáveis dissonâncias

PID: S1809-43092020000100013 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Schütz Fensterseifer Cossetin
Resumo: A relação e a distinção entre os papéis formativos desempenhados pela escola e pela família não se apresentam com nitidez. Hodiernamente, a controvérsia acerca de suas especificidades tem ganhado contornos ainda mais acentuados com o movimento “Escola sem Partido” e os respectivos Projetos de Lei Nº 867/2015 e Nº 193/2016 a ele filiados. É no intuito de tematizar essa polêmica que o presente texto se situa. Inicialmente, apresentam-se as motivações e os conteúdos mobilizados tanto pelo movimento quanto por ambos os Projetos de Lei e, em segundo lugar, discutem-se a especificidade e os papéis da família e da escola na formação das novas gerações no interior de uma sociedade republicana e democrática. Com esse percurso, imagina-se demonstrar que a configuração de um mundo humano comum encontra no contexto da educação escolar a sua condição de possibilidade, não pelo descredenciamento das múltiplas expressões familiares, mas, contrariamente, como o contexto espaçotemporal no qual essa pluralidade pode ser efetivamente considerada e equacionada.

Fazer experiência pela professora dos anos iniciais do Ensino Fundamental no contexto das atuais políticas educacionais

PID: S1809-43092020000100159 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Batista Lüdke
Resumo Neste artigo, apresenta-se uma discussão sobre as condições de que dispõem professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental para fazer experiência no espaço escolar, fragilizado por políticas conservadoras, e sobre o desenvolver profissional por meio dessa experiência. Pressupostos de John Dewey e Jorge Larrosa fornecem apoio para a perspectiva compreensiva que identifica a formação docente como um processo sucessivo de fazer experiência. Os procedimentos de coleta, análise e interpretação de dados aproximam-se dos princípios da entrevista compreensiva, proposta por Kaufmann. Foram realizadas 13 entrevistas com professoras da rede pública de ensino. Os resultados apontam o cenário de docência dessas professoras marcado pelo sentimento de luta pela dignidade do seu trabalho: ao mesmo tempo que pressões e restrições características do espaço escolar em que atuam as incomodam, também desvelam oportunidades para se afirmarem profissionalmente.

Formação e homeschooling: controvérsias

PID: S1809-43092020000100019 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Casagrande Hermann
Resumo: Este artigo, em formato de ensaio e orientado no plano da filosofia da educação, discute a questão do homeschooling desde a perspectiva dos processos de socialização e do potencial formativo inerente à interação. Seu objetivo orienta-se em questionar as possíveis implicações de uma formação limitada quanto ao processo de encontro, de abertura e de convivência com o outro. Para tanto, recorre-se aos aportes teóricos de Mead e de Habermas, especialmente às noções de socialização e de individuação, de interação simbólica e de agir comunicativo. Com o auxílio de Waldenfels, explicita-se a dimensão de estranheza advinda do outro, que desafia o sujeito à abertura e ao reconhecimento da alteridade. Por fim, o artigo evidencia que as situações de restrição da formação ao ambiente familiar, ou homeschooling, denotam a perda do potencial formativo inerente à interação e ao encontro com o outro, significando um estreitamento do processo educacional.

Governamentalidade neoliberal fascista e o direito à escolarização

PID: S1809-43092020000100144 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Lockmann
Resumo Este texto discute a configuração atual de uma governamentalidade neoliberal fascista, a qual mantém princípios do neoliberalismo, mas, ao mesmo tempo, coloca em operação tanto um fascismo molar (estatal) quanto molecular (microfascismos do cotidiano). A partir disso, problematiza-se como tal governamentalidade incide sobre o direito à escolarização de todos no tempo presente. Analisa-se, assim, a escolarização doméstica, por meio de Projetos de Lei em trâmite na Câmara de Deputados. Frente ao material empírico, apontam-se dois movimentos analíticos: 1) a articulação da escolarização doméstica com os princípios neoliberais da liberdade individual e de responsabilização dos sujeitos; 2) a constituição da exclusão como um direito que produz dois processos: a exclusão por reclusão da outridade e a exclusão por proteção da mesmidade. Por fim, aponta-se o espaço comum da escola como algo inapropriável que pode produzir formas de resistir e de reexistir no e com o mundo.

Gênero, sexualidades e educação: cenário das políticas educacionais sobre os direitos sexuais e reprodutivos de jovens e adolescentes

PID: S1809-43092020000100110 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Brabo Silva Maciel
Resumo: Este artigo tem como objetivo refletir, por meio de revisão bibliográfica e análise documental, sobre o cenário das Políticas Educacionais brasileiras, no que diz respeito às categorias de gênero e sexualidades, especialmente, considerando os direitos sexuais e reprodutivos de jovens e adolescentes. Assim, discute-se primeiramente o contexto histórico de constituição das juventudes e das adolescências, ressaltando-se a necessidade de Educação Sexual a tais públicos. Apresenta-se, em seguida, o delineamento do campo normativo referente aos direitos sexuais e reprodutivos. Após, discorre-se sobre a constituição da Educação Sexual e sobre sua inserção nas Políticas Educacionais, incluindo seus fundamentos iniciais e posteriores. Busca-se, por fim, refletir sobre a atual inserção de gênero e sexualidades nas Políticas Educacionais, diante das conquistas e necessidades explanadas no decorrer do texto.

Homeschooling e os irrenunciáveis perigos da educação: reflexões sobre as possibilidades de educação sem escola no mundo plural a partir de Arendt, Biesta e Savater

PID: S1809-43092020000100011 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Picoli
Resumo: Diante do crescimento da temática da Educação Domiciliar no cenário político brasileiro e da apresentação de Projetos de Lei para regulamentar a prática, este artigo pretendeu, a partir de uma investigação teórica, refletir sobre as possibilidades de “educação sem escola” no mundo contemporâneo. Buscou-se compreender, a partir de Arendt, Biesta e Savater, no que consiste a Educação e qual é o caráter da escola. Refletiu-se sobre as distinções e os papéis educacionais das esferas privada e pública e o lugar da escola entre elas, assim como sobre o que significa uma efetiva Educação. Concluiu-se que, embora possam se confirmar as afirmações de que a Educação Domiciliar apresentaria melhores performances acadêmicas, apenas a escola pode oferecer condições para uma efetiva Educação, porque só na escola é possível criar oportunidades relativamente seguras para o contágio pelo que é outro e para a inserção adulta no mundo.

Homeschooling ou a educação sitiada no intèrieur: notas a partir de Walter Benjamin

PID: S1809-43092020000100156 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Ventura
Resumo Este artigo estuda o movimento homeschooling na perspectiva da hermenêutica fragmentária de Walter Benjamin. O objetivo consiste em definir tal movimento como epifenômeno ligado à perda da comunicabilidade e da pobreza de experiência que configura a modernidade, principalmente no período atual de controle das políticas educacionais pelo neoliberalismo de hegemonia financeira. Parte-se da metodologia benjaminiana para construírem-se estruturas monadológicas que caracterizem a educação doméstica como fenômeno derivado do processo cada vez mais acentuado de interiorização da sociedade burguesa, que retrai ao plano privado uma importante conquista das próprias revoluções liberais: a escola universal moderna. Como resultado provisório, infere-se que o movimento homeschooling é mais uma das expressões da fisiognomia reacionária e solipsista do intèrieur burguês.

Homeschooling: o reverso da escolarização e da profissionalização docente no Brasil

PID: S1809-43092020000100024 | Revista: Práxis Educativa (1809-4309) | Año: 2020
Autores: Rosa Camargo
Resumo: O movimento pela regulamentação do homeschooling produziu um discurso para dar sustentação à ideia de efetividade do ensino domiciliar. Dissonante dessa narrativa, ecoa a voz dos educadores reafirmando a imprescindibilidade da escola, do professor e do Estado como garantidores do direito à educação para a aprendizagem e do desenvolvimento pleno das crianças e dos adolescentes. Diante da defesa que reverbera na impossibilidade de reação efetiva dos sujeitos dessa educação (os estudantes), este artigo objetiva evidenciar implicações do homeschooling para a escolarização, a profissionalização docente e para a educação como direito. Utiliza-se da análise de discurso, com base em Fairclough, em estudo bibliográfico-documental. Os resultados indicam que a defesa do homeschooling se ampara em casos particulares e exógenos sem evidências científicas e desconsidera os riscos da segregação do estudante do ambiente social de aprendizagem.
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