Resumo Este artigo avalia a relação entre a geografia e a educação ambiental críticas. Toma o estudo do meio como metodologia de ensino que pode promover essa aproximação. Ancora-se na teoria geográfica de Santos, em Leff, Layrargues e Loureiro na educação ambiental, em Fernandes, Lopes e Pontuschka na abordagem sobre estudo do meio. Trata-se de pesquisa mista. Projetos de educação ambiental de escolas públicas do Distrito Federal apresentados na etapa distrital da IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (IV CNIJMA), em 2013, são o referencial empírico. Avalia-se a relação entre as propostas teóricas e os projetos das escolas. Identificou-se que o estudo do meio é capaz de relacionar essas áreas com foco na transformação social, mas não é utilizado nas escolas.
Resumo: O presente trabalho engloba a problemática ambiental, partindo de diferentes abordagens. Analisa a categoria meio ambiente e a sua conotação interligando-a à educação, meio idôneo, que permite uma transformação de um estado real para um almejado. Conceitualiza a educação ambiental a partir de seu conteúdo de definição, partindo de uma vertente pedagógica, com expressões prática sem contextos rurais cubanos que permitem o resgate de tradições e costumes camponeses.
Resumo: O artigo busca apresentar como tem se dado o reconhecimento dos alunos de licenciatura da UFG que entraram por meio do sistema de cotas. Essa instituição vem, desde 2009, por meio do programa UFG/Inclui, trabalhando com o sistema de cotas. A partir dos dados produzidos, procuramos discutir, com base na teoria do reconhecimento de Axel Honneth (2003), como os estudantes do sistema de cotas se percebem dentro da universidade no que se refere ao seu reconhecimento do outro. Os resultados indicam que a UFG vem democratizando o acesso, promovendo ações de reconhecimento na esfera do direito, porém de forma insuficiente. Verificamos também que o alto índice de evasão pode ser influência da falta de reconhecimento na esfera da estima social.
Resumo Este artigo, que se insere no campo da Sociologia da Educação e das Gerações, tem por objetivo discutir a experiência juvenil em um bairro popular de São Bernardo do Campo, fortemente afetado pelas transformações ocorridas no mercado de trabalho na região do ABC Paulista. A metodologia utilizada foi essencialmente qualitativa, desenvolvida por meio de observações de campo e entrevistas de caráter biográfico, realizadas com membros das famílias (pais e filhos) e diferentes lideranças do bairro. Concluímos que a socialização desses jovens foi fortemente voltada para o trabalho, sobretudo o "ideal do trabalho metalúrgico", o que influenciou seus investimentos educacionais e o modo como eles e suas famílias concebem seus projetos de futuro.
Resumo: Problematizamos resultados parciais de pesquisa-observatório, com foco na distância-aproximação entre comunidade científica e mundo do trabalho. Egressos(as) da pós-graduação (PG), mestres e doutores(as) são potenciais protagonistas nessa interface. Verificamos que titulados(as) melhoram suas condições de vida, mas há pouco aproveitamento dos resultados das suas teses e dissertações no espaço de trabalho e baixa contribuição para a sociedade, caracterizando desperdício de recursos públicos. Discute-se os limites da noção de impacto da pesquisa, centrada em publicações.
Resumo: A literatura aponta mudanças nas concepções e práticas dos psicólogos escolares na direção de uma perspectiva de atuação crítica. O Distrito Federal se destaca nacionalmente pelas políticas públicas voltadas para inserção do psicólogo escolar na Secretaria de Estado de Educação (SEDF). O presente artigo tem como objetivo verificar os avanços apresentados historicamente nas Orientações Pedagógicas (OP), documentos oficiais das SEDF que estabelecem as diretrizes para a atuação da Psicologia Escolar. Foram examinadas as publicações referentes aos anos de 1992, 1994, 2006 e 2010. Os resultados evidenciaram a contribuição dessas normatizações para a ressignificação de concepções e mudanças nas práticas do psicólogo escolar.
Resumo Este artigo investiga como se constitui a legitimidade científica dos pesquisadores na área de educação no Brasil. A metodologia se compôs de estudos quantitativos sobre os currículos de pesquisadores de referência e de análise qualitativa de entrevistas. Os resultados mostram que, frente aos apelos à produtividade, os docentes organizam-se em redes de produção de conhecimento para além das redes de colaboração para coautorias. O estudo apresenta características do campo científico expressas na área da educação por meio de três casos representativos que mostram como o prestígio e a legitimidade nessa área podem ser alcançados por diferentes combinações de capital científico e político.
Resumo: Buscou-se verificar se a condição funcional de um grupo de professoras atuantes no ciclo I do ensino fundamental da rede pública estadual paulista interfere na percepção que possuem das condições de trabalho. Como procedimento de pesquisa, aplicou-se um questionário a 37 professoras, das quais três são estáveis, oito efetivas e 26 Ocupantes de Função Atividade (OFA), isto é, sem estabilidade no emprego. A análise dos dados foi pautada no conceito marxista de alienação e seus desdobramentos teóricos, desenvolvidos pelos autores da teoria crítica da sociedade, especialmente Adorno e Marcuse. Os dados demonstraram que as professoras OFA tendem a apresentar maior conformidade com o disposto.
Resumo: Este texto apresenta ponderações sobre o ensino de psicologia para educadores e baseou-se num projeto de ensino e pesquisa desenvolvido no âmbito da disciplina Psicologia da Educação, ministrada no Bacharelado em Humanidades da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Minas Gerais. O objetivo central da proposta foi o de conjugar o uso de diferentes tecnologias digitais para potencializar o processo de ensino-aprendizagem do conteúdo programático da disciplina. Priorizou-se no processo o binômio teoria-prática e o AVA Moodle foi de fundamental importância para a concretização dos objetivos propostos. Os dados foram colhidos a partir de entrevistas individuais semiestruturadas e analisados com o suporte da perspectiva fenomenológico-compreensiva de pesquisa. Dentre os resultados alcançados, destaca-se o fato de que a inclusão digital ainda se encontra longe de se tornar realidade para determinadas regiões e segmentos da população brasileira, constatação que tem implicações na inclusão escolar e social dos sujeitos estudados.
Resumo Este artigo analisa um nicho ocupacional de jovens brasileiros: o dos empregos obtidos por meio de agências de emprego ou empresas de trabalho temporário. Aborda-se o tema sob uma dupla perspectiva. Em primeiro lugar, descreve-se esse segmento usando um painel longitudinal extraído da base governamental Rais-Migra-Vínculos, que permite acompanhar por dez anos e caracterizar as trajetórias desses jovens. Em segundo lugar, trata-se da experiência dos que buscam emprego em agências, usando narrativas colhidas em entrevistas e observação etnográfica conduzida no principal cluster de intermediadores de empregos de São Paulo.
Resumo Este artigo propõe contribuir para o debate sobre a desigualdade e as condições de vida da juventude, a partir dos resultados de uma pesquisa que teve por foco a transição entre educação e mundo do trabalho em duas conjunturas históricas distintas (Argentina, 1999 e 2011). Os resultados foram obtidos a partir da construção de painéis para acompanhamento dos egressos do ensino secundário. Apresenta-se uma tipologia para discutir a ideia de que há uma forma típica ou ideal na organização do curso da vida. Além disso, apresenta relatos de jovens que sugerem que as situações de vulnerabilidade podem ser reversíveis em um contexto social que favoreça a inclusão social.
O texto apresenta um desdobramento de pesquisa realizada com professoras dos anos iniciais do ensino fundamental (AIEF) em Recife-PE, cujo objetivo foi o de compreender a construção da profissionalidade docente polivalente. Tem como foco discutir perspectivas para a formação inicial da habilitação profissional docente para os AIEFs, tomando a formação como exigência primeira de sua profissionalização. Da reflexão sobre os elementos estruturantes da profissionalidade polivalente indica-se tais perspectivas: i) a importância dos fundamentos da educação; ii) a pesquisa como princípio formativo incipiente; iii) o perfil de alfabetizador e o aprofundamento sobre a interdisciplinaridade. O estudo foi desenvolvido a partir de um olhar crítico-dialético observando as contradições, as múltiplas determinações e ampliando a compreensão do conteúdo singular da docência nos AIEFs e aspectos de sua totalidade.
O presente estudo inscreve-se no campo dos Estudos Curriculares e objetiva estabelecer um diagnóstico crítico das estratégias políticas que operam na inserção de temas tecnocientíficos nas políticas curriculares para o ensino médio. A partir de uma análise documental, indica-se uma dupla tendência formativa na composição curricular para esta etapa da educação básica: por um lado, uma ênfase no despertar talentos, visando ao desenvolvimento econômico; por outro, uma abordagem mais cidadã focada na democratização do acesso aos saberes tecnocientíficos
Trata-se de uma pesquisa teórica que se orienta na perspectiva do materialismo histórico-dialético ao elencar categorias para análise que estruturam a produção teórica do professor reflexivo/pesquisador, neste caso são elas: relação teoria e prática, autonomia, emancipação, investigação-ação. A partir dessa análise, apresentamos cinco pressupostos que entendemos serem componentes da discussão da pesquisa do professor da educação básica. Finalizamos reafirmando a compreensão da educação como um campo de disputa hegemônica, e, portanto, pensar a pesquisa para a formação e atuação docente pode representar um processo de responsabilização ou de possibilidade emancipatória referendado na condição epistemológica e coletiva do ato de pesquisar.
No Brasil e na América Latina, o movimento pela tecnologia social tem sido ressignificado pelos estudos socioconstrutivistas da tecnologia (ESCT) nos quais ciência e tecnologia são processos gêmeos nas práticas sociotécnicas do cotidiano. Tal abordagem foi desenvolvida pelos autores da corrente da teoria da adequação sociotécnica (AST). Este artigo analisa três experiências cujos atores colocam em centralidade as práticas sociais e culturais como associadas às práticas técnicas, sem ruptura entre conteúdos sociais e formas técnicas nas relações econômicas. Resultado de acompanhamento sistemático de pesquisa nos últimos cinco anos, o campo das experiências paradigmáticas, aqui analisadas, exige uma abertura das políticas de educação científica e tecnológica da universidade, agências de pesquisas científicas e tecnológicas, e do sistema de fomento.
O presente estudo objetiva compreender o significado da avaliação para as crianças de quarto ano e as relações que elas estabelecem com o seu processo de aprendizagem. A pesquisa empírica foi realizada com oito crianças que participaram de três encontros de grupo focal e uma entrevista individual. A análise priorizou as interações discursivas e as narrativas de duas participantes. Resultados sugerem que as crianças convivem com várias concepções de avaliação na prática escolar. Embora seja dominante a prática de testes com vistas à nota, elas demonstram um posicionamento crítico acerca da função da avaliação para a própria aprendizagem. Em sua complexidade, a condução da avaliação parece participar significativamente na construção do sentimento delas sobre a experiência escolar.
Com o estabelecimento da educação básica obrigatória para a faixa etária dos quatro aos dezessete anos de idade, as discussões acerca da compulsoriedade intensificam-se e complexificam-se. Este artigo resultou de uma pesquisa teórica em recentes ordenamentos legais sobre a educação infantil e em publicações que tratam da temática, e pretende analisar os motivos que levaram à obrigatoriedade e refletir sobre possíveis impactos na educação infantil. Foi traçado um panorama dos possíveis desdobramentos da atual legislação para a educação infantil, contribuindo para futuros debates.
O presente texto discute interação entre coisas diversas, vale dizer que não são iguais ou de mesma natureza. É disso que se trata quando pensamos em relações possíveis entre dois campos de conhecimento: a antropologia e a educação. Campos que diferem em seus princípios e também em seus pressupostos centrais, cujo movimento de intercomunicação e troca supõe a crítica constante e a revisão permanente dos próprios passos. Por esta razão, falar em diálogo entre campos diversos de conhecimento é também falar de possíveis conflitos e riscos. É falar de um contexto tensional que desafia o fazer antropológico, sua prática e seu suporte teórico, quando transita como campo de conhecimento a outro campo, numa região de fronteira. O objetivo é o de pensar as possibilidades de uma antropologia da educação compreensiva e crítica que se encontra em construção no Brasil hoje.
Os museus constituem espaços para o ensino de antropologia. A partir de um projeto didático de antropologia da educação em um museu de antropologia de uma universidade pública brasileira, emergem importantes significados para a experiência do estranhamento etnográfico com os objetos da exposição permanente. Mediante uma análise de relatórios de visita produzidos pelos estudantes, o autor apresenta os diferentes arranjos discursivos que compõem os acervos da exposição e revela, a partir das configurações de sentidos produzidas pelos estudantes, as principais lições das coisas que emergem desta experiência. Os resultados indicam que aspectos estéticos, ideológicos, diferentes marcas de gênero e sexualidade bem como a falta de conhecimento prévio se destacam como resultantes do estranhamento.
Neste artigo pretendemos discutir potencialidades e contradições presentes no desenvolvimento de um programa de estudos em ciência e tecnologia e sociedade (CTS), o Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (PPGTE), criado em 1995, a partir de uma orientação inicial derivada da teoria crítica, especialmente em sua vertente habermasiana. Neste sentido, analisaremos algumas teses específicas de Jürgen Habermas, como interpretadas por João Augusto Bastos, criador deste programa, em seu esforço de superação das bases instrumentais de compreensão da tecnologia, tendo em vista a exaltação de seu potencial emancipatório, como fundamento essencial de uma abordagem situada de estudos em ciência, tecnologia e sociedade (CTS). Ressaltaremos, o caráter não linear deste processo e a importância da teoria crítica ampliada e estrita, para a elaboração de uma práxis baseada em um materialismo interdisciplinar no campo CTS.