Neste artigo, sintetizam-se resultados de uma pesquisa que analisou os elementos constituintes das identidades profissionais dos professores da Universidade do Estado de Minas Gerais, triangulando dados de questionários e entrevistas narrativas aplicadas aos docentes, com a análise de documentos. Os dados revelaram que, na instituição pesquisada, as identidades profissionais se constroem, contraditoriamente, entrecruzando insatisfação profissional, decorrente da precariedade das condições de trabalho, e satisfação profissional relacionada ao ambiente de trabalho e à autonomia profissional.
Este artigo apresenta uma análise crítica do documento "Atingindo uma educação de nível mundial no Brasil: próximos passos", produzido pelo Banco Mundial no ano de 2010 com o objetivo de definir prioridades para a política educacional brasileira, dando ênfase às questões referentes à formação e ao trabalho dos docentes. Trata-se aqui de um recorte de uma pesquisa bibliográfica que analisa as orientações propostas pelo Banco Mundial para a educação nos países ditos em desenvolvimento e como estas têm afetado diretamente as políticas de educação brasileiras. Para nós, a incorporação de tais orientações tem intensificado as já precárias condições de trabalho e de formação continuada dos professores.
O objetivo deste trabalho é discutir limites e possibilidades do ensino da antropologia e da prática etnográfica fora das ciências sociais, especificamente no campo da educação. Partindo de uma breve discussão dos desdobramentos da antropologia enquanto ensino e pesquisa, o artigo mostra de que maneira essa disciplina marcou a produção de conhecimento na educação, em especial a minha experiência como professora universitária e orientadora de mestrado e doutorado, ao longo da qual trilhei um caminho interdisciplinar entre antropologia e educação.
O êxito das políticas de inclusão social explicitará necessidades materiais cuja satisfação vai demandar soluções tecnocientíficas originais para produção de bens e serviços em quantidade e qualidade inusitadas. Políticas públicas de natureza singular, explorando a organização do trabalho na sua produção e circulação, mediante pesquisa e disseminação de conhecimento tecnocientífico original, precisarão ser elaboradas para transformar a inclusão social numa rota alternativa de desenvolvimento. A proposta da Adequação Sociotécnica de reprojetamento da tecnologia convencional (operadas por empresas) e de desenvolvimento de tecnologia social é um vetor cognitivo para o enfrentamento desse desafio. Ele requer profissionais que o curso de pós-graduação em estudos sobre ciência, tecnologia e sociedade que se está propondo deverá formar.
Diante dos impactos da violência nas escolas, torna-se necessário analisar tal fenômeno levando em consideração as perspectivas dos docentes e discentes para se alcançar maior compreensão e, ao mesmo tempo, diminuir uma visão tendenciosa sobre o problema. Assim, este artigo tem por objetivo analisar a temática da violência no contexto escolar, focalizando as interações entre alunos e professores. Na metodologia, utilizou-se grupo focal com os alunos e análise das práticas docentes junto ao grupo de professores. Os resultados desses encontros foram significativos para que surgissem reflexões sobre a dinâmica intersubjetiva entre docentes e discentes e sinalizam a importância do espaço dialógico no contexto escolar para reverter a problemática da violência nesse contexto.
Trata-se de pesquisa qualitativa, estudo de caso. Objetiva compreender o processo de construção da identidade docente dos professores do ensino superior tecnológico. O referencial teórico baseia-se, prioritariamente, em Tardif, Freire, Cunha, Pimenta e Frankl. Os sujeitos são professores dos cursos superiores tecnológicos. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados são: observação, questionário e entrevista semiestruturada. A técnica de análise de conteúdo de Bardin resultou em seis categorias: saber científico; saber-fazer profissional; saber empírico-pedagógico; saber da humanização; ganhos existenciais e a administração do tempo cronológico. Apresenta-se uma proposta de demandas formativas.
Este trabalho busca analisar a implementação do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies), lançado em 2012, articulando-o às demais ações do Governo Federal, tais como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior (Fies) que, desde a década de 1990, visam ampliar o acesso ao ensino superior e, simultaneamente, promovem o processo de ‘empresariamento’ da educação, estabelecendo novas relações entre Estado e iniciativa privada.
O artigo objetiva discutir e analisar, a partir de uma revisão de literatura, relações entre Estado, políticas públicas de educação e infância. Para tanto, discute a educação como uma das políticas públicas para a infância e algumas concepções de infância, para subsidiar a compreensão da relação entre essas políticas e aquelas de natureza educacional definidas para a infância, atualmente. Aborda também princípios de educação democrática e de qualidade para todos, tendo como referência alguns pressupostos dos Planos Nacionais de Educação de 2001-2010 e 2011-2020 para a educação infantil. Por fim, serão feitas reflexões, a título de proposições para a importância de se valorizar a infância.
O artigo considera a agência das crianças que passaram a viver nas ruas de Acra, Gana. O conceito de agência, pouco examinado, tem sido utilizado nos estudos da infância para enfatizar a capacidade de escolha das crianças. A literatura sobre crianças de rua e trabalhadoras, e da área cognata de estudos sobre migração independente de crianças, tem tratado de questões de agência das crianças significadas pelas referências às teorias de escolha racional ou à força normativa da infância. Ambas as abordagens não respondem a importantes questões. Para superar estas omissões nos baseamos em argumentos sócio-realistas e, em particular, na ênfase que colocam na vulnerabilidade como base da agência.
Tem como objetivo principal entender como sujeitos que apresentam uma síndrome rara são vistos-existenciados pelos outros seres que os rodeiam. Para tanto, caracterizamos algumas síndromes raras que se fazem presentes nas escolas de ensino comum; uma breve discussão acerca da inclusão, escolarização e práticas pedagógicas desenvolvidas com sujeitos com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento no contexto da escola comum. Por fim são apresentadas algumas discussões acerca da fenomenologiaexistencial, que conduziu o estudo, bem como a discussão dos dados coletados numa pesquisa de campo com foco numa criança com uma síndrome rara em processo de inclusão escolar
O artigo problematiza os discursos sobre aprendizagem e formação docente presentes no material do Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil (ProInfantil), ocorrido no período de 2005 a 2012. Trata-se de um curso na modalidade normal, em nível de ensino médio, à distância, do Ministério da Educação, que objetiva a formação de professores que atuam na educação infantil e não possuem titulação. A metodologia de pesquisa utilizada é a análise do discurso. A partir desse estudo, conclui-se que os discursos do ProInfantil operam no governamento do professor, prescrevendo metodologias de como ele deve atuar e se reconhecer enquanto profissional.
Este artigo procura analisar e discutir parte das consequências da implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação das Universidades Federais (Reuni) no Brasil a partir de sua implantação em 2007. Para tanto faz um recorte que busca, por meio de documentos oficiais, números da expansão das universidades, estatísticas, dados da expansão e da reestruturação e a discussão destes, a fim de desvelar um viés econômico e administrativo do Reuni que não está escrito em seus artigos e em suas Diretrizes Gerais. Mais que um simples programa, o Reuni se mostra como uma peça-chave na recomposição do capital produtivo e na transformação das formas de administração do Estado e das políticas públicas.
O presente artigo, de natureza bibliográfica, propõe-se a refletir sobre a educação no contexto das sociedades complexas, tendo, como delimitação, a ressignificação da escola. O texto inicia problematizando as sociedades complexas, para, em seguida, questionar os limites do modelo de ciência que se tornou hegemônico e analisar duas tradições pedagógicas que influenciaram profundamente a educação formal: a tradicional e a moderna. Por fim, serão feitas referências à escola itinerante do MST, enquanto experiência de educação, que possibilita superar a dicotomia escola e sociedade, bem como traz elementos para a ressignificação da escola frente aos desafios postos pelas sociedades complexas.
A motivação deste trabalho foi a construção de objetos educacionais adaptados e avaliados por cegos, sem percepção de luz, dentro da temática do ensino de ciências. O objeto elaborado foi as histórias em quadrinhos (HQs), traduzidas em Braille, seguindo as demandas e roteiros construídos por cegos, com a avaliação de outras pessoas com algum grau de visão, buscando o entendimento, a aprendizagem e a satisfação do uso. Ao final, o objeto educacional construído foi disponibilizado no Banco Internacional de Objetos Educacionais.
Partindo da etnografia como denominador metodológico comum aos campos dos estudos da infância e da antropologia e subscrevendo a sua importância para conhecermos as crianças a partir delas mesmas, o presente artigo visa a abordar as potencialidades desta abordagem, dando a conhecer contributos oriundos destes campos disciplinares; refletir acerca dos efeitos colocados por limites, como os etários e espaço-temporais; e identificar alguns dos desafios que hoje em dia se colocam à pesquisa etnográfica com crianças.
A potência formativa e as contribuições para a experiência estética docente que o cinema provoca nos tempos e espaços acadêmicos é evidente, seja na formação inicial, seja na formação continuada dos professores. Acreditamos que seria importante pensar, na formação docente, a educação do olhar. E o cinema, diante disso, pode provocar essa formação e implicar pessoas em experiências éticas e estéticas. Dessa forma, apresentamos uma experiência desenvolvida com professores da cidade de Santa Maria/RS, decorrente da pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação e Imaginário Social - GEPEIS no projeto: “Em tempos de formação - o cinema, a vida e o cuidado de si: Exercícios autobiográficos e coletivos na atividade docente”.
Este trabalho apresenta resultados de pesquisa cujo objetivo foi verificar a circulação e utilização de um documento em uma escola pública de Juiz de Fora. Tal documento foi construído em uma pesquisa anterior, e teve como eixo central os gêneros textuais na perspectiva do ISD (Bronckart, 1999; Schneuwly e Dolz, 2004). Adotamos como metodologia o estudo exploratório: escolhemos a entrevista semiestruturada como instrumento de coleta de dados. Após a análise dos dados, percebemos uma lacuna na formação do corpo docente no que tange ao ensino de língua, bem como uma forte demanda para um momento de “assessoria” que contribuísse com a formação continuada de professores.
O artigo analisa os significados mediadores da construção da identidade profissional docente em um fórum de discussão virtual. Partimos dos enfoques sociocultural e da teoria da atividade, realizamos um estudo empírico dos discursos produzidos por 32 estudantes e um tutor. Para tanto, realizamos três tipos de análises para estudar os conteúdos temáticos e as dinâmicas dos intercâmbios no fórum. Os resultados sugerem que os significados mediadores de ser professor se constituíram dialogicamente nas práticas de intercâmbios discursivas e se centraram no professor como agente e como mediador na transmissão do conhecimento e como bom e mau professor.
O artigo tem como objetivo discutir como crianças e professoras significam mutuamente suas experiências de infância. A pesquisa situa-se no campo dos estudos da infância. Grupos de discussão sobre diversas experiências de infância, entre crianças e professoras de turmas de educação infantil, realizados em uma brinquedoteca universitária, consistem em estratégias metodológicas. Entre as professoras, há uma tendência em valorar as experiências atuais da infância como dissonantes de um ideal que se perdeu no tempo. As crianças, por outro lado, trazem a tecnologia e o consumo como marcas de suas experiências, questões que precisam ser contempladas na agenda da educação contemporânea.
Este artigo apresenta pesquisas realizadas com professoras da rede pública do Distrito Federal e com professores egressos de licenciatura em pedagogia do Rio de Janeiro, com a proposta de resgatar leituras e narrativas sobre suas experiências de formação. Nessa perspectiva, buscamos pensar as concepções dos sujeitos sobre suas experiências de leitura ao longo de sua trajetória escolar, bem como compreender a existência de um diálogo dessas leituras com suas práticas pedagógicas atuais. Concluímos que a narrativa se revelou um importante espaço para o estabelecimento de novas possibilidades de leitura das relações entre memórias escolares relacionadas à leitura e questões da prática profissional.