Nosso ponto de partida é o esporte de competição e, em concreto, a modalidade de Atletismo, incorporando o âmbito da Pedagogia e da Medicina como elementos chave para encontrar aqueles parâmetros de atuação que contribuam para a melhoria da autonomia, qualidade de vida e inserção sociolaboral das pessoas com síndrome de Down. Em nossa experiência de trabalho com um grupo de jovens com síndrome de Down na prática do atletismo de competição, podemos comprovar que são trabalhados os aspectos da autonomia, da autoregulação do próprio esforço ou da insistência, além da adaptação funcional, que, no nível do sistema cardiovascular, fica garantida, da mesma forma que para uma pessoa sem síndrome de Down submetida a um trabalho aeróbico. Portanto, trata-se de uma ótima contribuição, do ponto de vista da saúde da pessoa.
Vivemos, sem dúvida, na sociedade da informação; os meios de comunicação se transformaram em nosso referente mais próximo e a virtualidade compete com a própria realidade na construção das identidades. Por isso, a educação em meios de comunicação se transforma em uma peça chave de uma sociedade democrática que busca uma cidadania responsável e inteligente. Neste trabalho apontamos algumas notas para justificá-la no contexto atual, esboçar sua conceitualização, seus objetivos e conteúdos, a fim de dar-lhe entidade como um campo de estudo que supere a visão excessivamente tecnológica e instrumental que se tem hoje, fruto das modas e idolatrização dos avanços tecnológicos.
As Tecnologias de Informação e de Comunicação aparecem como grandes aliadas do professor, favorecendo as diferentes formas de aprender e as diferenças individuais dos alunos e dos professores. Apresentamos as linhas fundamentais que servem de base no desenho, na elaboração e na explicação do software educativo “Hércules e Jiló”, recomendado para o trabalho pedagógico com alunos que apresentam necessidades educativas especiais. Neste trabalho serão abordadas várias linhas de ação: 1. fundamentar sua realização com base científica e tecnológica para lograr uma relação e motivação amigável do aluno com a máquina; 2. oferecer uma base científico-pedagógico-metodológica para tentar alcançar atrativos os quais o aluno possa construir conhecimento pela sua interação com o software e suas atividades derivadas. Aspira-se que as tecnologias - em particular, o software educativo - contribuam na aprendizagem de alunos que apresentam necessidades educativas especiais ou não.
O artigo aborda a importância do desenvolvimento de atividades cooperativas e colaborativas, previstas em material didático, com competente mediação pedagógica docente, e relata uma experiência de grupo de alunos localizados em diferentes cidades brasileiras, na elaboração de um trabalho em grupo cooperativo, para a produção de material didático, realizada na disciplina de Produção de Materiais Didáticos, ofertada no Mestrado em Tecnologias de Informação e Comunicação na Formação em EAD pela Unopar e Universidade Federal do Ceará. A intensa utilização da internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação - TIC está possibilitando que a aprendizagem colaborativa e cooperativa seja contemplada mais constantemente nos processos educacionais, oferecendo, assim, um suporte cada vez mais seguro e amigável para o desenvolvimento de atividades em que alunos e docentes cooperem entre si, sem limitações de distâncias temporais e geográficas.
Este texto relata alguns momentos da pesquisa feita com os tutores que atuam nos cursos via Internet do Sebrae. No primeiro momento da pesquisa foram definidos o perfil do tutor e as suas competências, a partir de levantamentos teóricos e seguidas consultas a profissionais que atuam na coordenação e nas tutorias dos cursos on-line do Sebrae. Em seguida, foi produzido um documento com os resultados desse levantamento. Esse documento foi distribuído e analisado pela totalidade dos tutores que atuam nos quatro cursos on-line oferecidos pelo Sebrae. A partir da análise das respostas dos tutores foi proposto um modelo de formação continuada de tutores para atuação em cursos on-line.
O artigo avalia o Plano Nacional de Educação, em especial identifica as diferentes concepções de gestão educacional presentes na Lei nº 10.172, e analisa as disputas existentes na área para consolidar como política pública uma determinada concepção. Os programas analisados são: o Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e o Programa de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. O texto sublinha que as disputas entre concepções de gestão educacional e a retomada do modelo democrático dependem do financiamento da educação. O artigo encerra-se com uma análise dessas disputas políticas existentes no campo da gestão que reproduzem no plano educacional as contradições entre projetos antagônicos de sociabilidade.
Este artigo é um relato de pesquisa cujo objetivo é evidenciar as concepções de professores sobre a diferença, como percebem a relação entre as diferenças e a escola, e como lidam com essas diferenças. Os professores responderam à questão: O que você pensa acerca das diferenças e como lida com elas? Para o estudo das respostas foi utilizada a análise de conteúdo. O referencial teórico adotado para pensar a diferença foi a abordagem histórico-cultural da Psicologia, cuja concepção de sujeito se configura pela apropriação da cultura no processo educativo. Para esses professores, a diferença está relacionada a questões raciais, físicas, econômicas, sociais, culturais e diferenças em ritmos de aprendizagem. A categoria “Respeito” foi a atitude mais citada como forma de lidar com as diferenças. A presença de respostas contraditórias parece indicar uma visão cristalizada acerca da diferença ou um nível incipiente de reflexão sobre o assunto.
O contexto histórico da modernidade tece novas dimensões da constituição do homem e da sociedade. O momento traz em seu bojo a marca emblemática da elevação do sujeito, o qual tende a potencializar sua possibilidade de emancipação e esclarecimento. Entretanto, a promessa iluminista de autonomia não se cumpre, o movimento de esclarecimento redunda em alienação da consciência humana, concretizando uma subjetividade regredida e, por isso, fragilizada. Consolida-se um sujeito da razão individual que tende à irreflexão e ao automatismo, a um estado de res, de coisa. Este trabalho visa uma análise preliminar dos elementos que possibilitam tal coisificação da subjetividade.
O projeto da Bildung é ainda viável numa era pós-moderna e sob condições pós-modernas? A Teoria Crítica ainda é relevante nas condições pós-modernas de hoje? Essas duas questões estão relacionadas de alguma maneira significativa/interessante? Neste artigo, a resposta a essas duas questões é afirmativa. Logo, outra questão se impõe: que lição recebemos desta resposta ou com que responsabilidades nos deixam a respeito das possibilidades que ainda estão abertas para a contra-educação como cultivo de si mesmo, reflexão e práxis emancipatória? Este artigo tenta mostrar que os prospectos para a resistência de hoje ao processo de desumanização, que flui da educação padronizadora, ainda estão intimamente ligados ao projeto da Bildung e à rearticulação com os pensadores críticos da Escola de Frankfurt.
Este estudo tem como objetivo realizar uma reflexão sobre os processos envolvidos na aprendizagem do professor, buscando entender como ele transforma os conhecimentos teóricos e práticos tratados no curso de formação em ferramenta para a organização de seu trabalho pedagógico. Com base na abordagem sociocultural construtivista, discutimos a co-construção de conhecimentos do professor-aprendiz, orientada por três categorias teóricas, construídas pela necessidade de dar sentido a observações empíricas, quais sejam: o exercício reflexivo; o papel ativo do aprendiz; e o papel do outro. Acredita-se que tais informações representam importantes contribuições para a construção de estratégias didáticas próprias para a formação de professores, o que se considera ser a maior contribuição do estudo.
O presente artigo tem como objetivo discutir o processo de inclusão/exclusão escolar a partir da perspectiva histórico-cultural. Nessa perspectiva discutimos a inclusão como um processo dialético que acontece nos indivíduos envolvidos nos contextos educacionais, por meio de relações intersubjetivas. Complexo e contraditório, o processo de inclusão não está limitado à visão da deficiência, mas estende-se a todos os membros dos grupos a que o indivíduo pertence, promovendo práticas pedagógicas e sociais para atender a diversidade humana. Nessa proposta, a comunicação dialógica entre professor e aluno é o ponto fundamental para que este se constitua como sujeito no seu processo de conhecimento, sentindo-se incluído nas relações sociais e humanas.
O texto analisa a importância da avaliação formativa no processo de formação de professores, para que, como conseqüência, ela seja praticada em escolas de todos os níveis. Apresenta-se o entendimento de processo de formação de professores, de cursos de formação de professores, e de avaliação formativa. Analisam-se as características da avaliação formativa e de três dos seus componentes essenciais. Conclui-se que: a) os professores aprendem a avaliar enquanto se formam, o que justifica a prática da avaliação formativa em todos os níveis escolares; b) o feedback é elemento-chave na avaliação formativa; c) a vivência do feedback que se transforma em auto-monitoramento, da avaliação informal encorajadora e complementadora da avaliação formal e da auto-avaliação que dá responsabilidade ao aluno contribui para o desenvolvimento da autonomia intelectual de alunos e professores. Com esse entendimento, a avaliação cumpre sua vocação de promover aprendizagem duradoura.
Este artigo faz uma ponte entre as idéias de Boaventura de Sousa Santos, a respeito do papel da universidade pública na construção de um projeto de sociedade contra-hegemônico à globalização capitalista, e as idéias de István Mészáros, a respeito da radicalidade de uma educação para além do capital. Na costura dessas duas visões da mudança social, utilizamos a visão de Edgar Morin sobre a natureza complexa dos paradigmas e as condições socioculturais de sua transformação. Indagam-se aqui as possibilidades de produção de um novo conhecimento enraizado nas lutas sociais pela superação da hegemonia da lógica do capital e de sua determinação sobre a produção material, cultural e educacional de nossa sociedade. A universidade pública é considerada como espaço privilegiado de democratização da produção do saber científico e de contribuição à construção de um projeto de sociedade revolucionário.
Buscou-se neste trabalho identificar e analisar as concepções de professores sobre a inclusão escolar de alunos com distúrbios neuromotores. Doze professores de escolas regulares participaram de entrevistas semi-estruturadas individuais conduzidas por um professor hospitalar sobre o processo ensino-aprendizagem de alunos com distúrbios neuromotores. Os dados, gravados e transcritos, foram submetidos a uma análise temática dialógica, permitindo a compreensão dos enunciados. As concepções dos professores enfocaram os temas: a) diagnóstico; b) tratamento; c) desenvolvimento-aprendizagem. Foram enunciados significados denotando o embate entre modelos antigos e novos sobre desenvolvimento e aprendizagem de alunos com necessidades especiais. Os resultados indicaram que, segundo os participantes, a relação de cooperação estabelecida entre os professores regulares e o professor hospitalar contribui para a compreensão do processo de inclusão escolar dos alunos, bem como o esclarecimento de dúvidas e questões sobre diagnósticos, tratamentos e mediações.
O presente trabalho tem como objetivo resgatar alguns aspectos da história da educação infantil, desde sua origem, destacando sua transformação em direito das crianças e obrigação do Estado, o que ocorreu com a Constituição Federal de 1988. A partir da análise de documentos da legislação brasileira, em especial as constituições e as leis de diretrizes e bases da educação nacional, e de outros documentos produzidos no âmbito do poder federal e por especialistas ligados à área, o trabalho evidencia que, apesar de estar legalmente reconhecida enquanto direito, ainda não há uma rede de instituições de educação infantil que atenda satisfatoriamente as crianças brasileiras.
A sociedade atual requer pessoas mais criativas e com capacidade de apresentar soluções inovadoras para os problemas encontrados nos diversos contextos em que elas estão inseridas. Para atender a tais demandas sociais, o desenvolvimento da criatividade foi inserido como um dos objetivos educacionais nos diversos níveis de ensino. Assim, no contexto educacional, cada vez mais tem sido reconhecida a necessidade de que sejam implementadas estratégias e ações que estimulem e favoreçam o desenvolvimento do potencial criativo. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo contribuir com as reflexões acerca dessas estratégias em uma das áreas do currículo escolar, a Matemática. Nessa área, os estudos têm privilegiado a resolução de problemas, a formulação de problemas e a redefinição como estratégias didático-metodológicas que possibilitem o desenvolvimento da criatividade. Deste modo, busca-se discutir, no presente trabalho, as relações entre criatividade e Matemática, descrevendo tais estratégias.
Neste artigo apresentamos resultados de uma pesquisa acerca da temática “Formação de Professores/as de História e Multiculturalismo”. O objetivo da pesquisa foi analisar as seguintes questões: Os/as professores/as formadores/as dos cursos de História formam “na” e “para” uma perspectiva multicultural? Qual perspectiva cultural está explícita e implícita nos PCNs do ensino de História? As instituições formadoras de professores/as trabalham a perspectiva da pluralidade cultural nos seus currículos formais e ativos? Para responder a essas perguntas foram analisados documentos escritos e entrevistas orais com um universo de professores/as formadores/as dos cursos de História da Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal de Uberlândia, tendo como suporte metodológico a história oral temática. Este artigo visa a socializar análises produzidas a partir da investigação.
O artigo toma por base uma pesquisa desenvolvida no campo da formação do educador, com vistas a aferir a presença/ausência do marxismo no curso de pedagogia. Os dados foram coletados por meio do exame de programas disciplinares, questionários e entrevistas aplicadas a professores do curso de pedagogia da Universidade Estadual do Ceará. Os resultados apontam a formação do professor crítico-reflexivo como o eixo dominante do curso, conforme o entendimento da maioria dos professores, enquanto a crítica marxista comparece nesse contexto de forma rarefeita e, no mais das vezes, assaz problemática. Não obstante o processo desqualificatório que varreu o marxismo dos espaços acadêmicos, este parece fundamentar, numa perspectiva devidamente unitária e revolucionária, o desenvolvimento de duas disciplinas do curso tomado como objeto de estudo. O artigo reafirma a relevância do marxismo e defende um projeto de educação que aponte para a superação do capital.
O objetivo do texto é investigar as razões históricas da defasagem entre duas dimensões do processo de concretização do direito à educação no Brasil: a efetivação do direito universal de entrada no sistema escolar e a realização integral do direito de saída do sistema escolar. A conclusão deste estudo é a de que a classe média é o principal agente da instauração e do desenvolvimento do direito à educação no Brasil; e, como as aspirações dessa classe social são socialmente limitadas, são conseqüentemente reduzidas as possibilidades de realização integral do direito universal à educação na sociedade brasileira, enquanto esta estiver conformada ao modelo sócio-econômico capitalista.
Neste texto, é abordado um dos temas mais importantes dos programas de educação contemporâneos: os pactos educativos. Estes podem ser considerados um produto deliberado das negociações entre os diferentes atores sociais, para enfrentar as tendências à fragmentação, à ruptura e à exclusão, tanto das classes mais pobres da população como das classes mais privilegiadas da estrutura social. Tal documento é dividido em função de três palavras: a necessidade de construir pactos que garantam a continuidade das políticas educativas; a dificuldade em fazê-los; a possibilidade de atingir este objetivo: tornar possível a construção de sociedades justas e coesas.