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Tradução, adaptação transcultural e validação de escala que avalia o profissionalismo interprofissional

PID: S1981-52712023000200211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Mendonça Lapenda Paiva Souza
Resumo: Introdução: Nas últimas décadas, a educação interprofissional vem ganhando cada vez mais visibilidade na área da saúde, a partir do reconhecimento de que essa abordagem é capaz de melhorar a qualidade da assistência à saúde e contribuir para a qualificação dos profissionais de saúde e a formação dos estudantes de diversas graduações. No entanto, no Brasil, ainda são escassas as experiências, bem como as publicações relativas ao tema. Objetivo: Este estudo teve como objetivo apresentar os procedimentos e a análise estatística relacionados às etapas de tradução e adaptação transcultural da Interprofessional Professionalism Assessment (IPA), ferramenta observacional, publicada em 2018, elaborada na língua inglesa, capaz de mensurar o profissionalismo interprofissional entre estudantes e profissionais da saúde, no contexto do cuidado centrado no paciente. Método: O estudo transcorreu na Faculdade Pernambucana de Saúde,,no período de julho de 2020 a outubro de 2021. A amostra foi composta por três tradutores, cinco especialistas e 201 estudantes do curso de Medicina, que foram submetidos ao questionário com a finalidade de testar a confiabilidade e validade da versão final em português. Considerou-se aceitável o alfa de Cronbach igual ou superior a 0,70. Resultado: O estudo cumpriu rigorosamente as exigências metodológicas recomendadas internacionalmente para as etapas de tradução, retrotradução, painel de especialistas, teste, reteste e teste final. Gerou-se a versão traduzida para o português e adaptada para a cultura brasileira. Após o teste da versão final, realizado com estudantes do internato do curso médico, obteve-se coeficiente alfa de Cronbach igual a 0,94. Conclusão: A confiabilidade obtida foi considerada elevada, refletindo a boa consistência interna do instrumento produzido.

Transtorno de uso de internet entre graduandos de Medicina no primeiro ano da pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712023000200204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Cerqueira Brito Sousa Souza Correia
Resumo: Introdução: Apesar das facilidades proporcionadas pela internet, seu uso inadequado e excessivo pode gerar Transtorno de Uso de Internet, principalmente entre os universitários que a utilizam para entretenimento, comunicação e atividades acadêmicas, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando o ensino ficou on-line. Esse transtorno culmina em prejuízos, como a redução no desempenho estudantil e a exacerbação ou o aparecimento de doenças psiquiátricas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a presença do transtorno de uso de internet entre estudantes de Medicina em universidades do estado de Alagoas, Brasil. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e analítico realizado com estudantes de Medicina de duas instituições de ensino superior do estado de Alagoas durante o primeiro ano de pandemia de Covid-19. A coleta foi feita por um instrumento on-line com uma avaliação sociodemográfica, o Teste de Dependência de Internet e as variáveis sexo, idade, período, cidade de origem e coeficiente acadêmico de rendimento. Os dados foram analisados nos programas SPSS 24 e JASP 0.14. Resultado: Participaram da pesquisa 325 estudantes, dos quais 97,2% afirmaram ter aumentado o consumo da internet durante o período da pandemia. A média de pontuação no teste foi de 32,5, no qual 80,6% apresentaram algum grau de transtorno de uso de internet, sendo 66,8% leve e 13,8% moderado. Constatou-se maior prevalência da dependência no sexo masculino, com achado entre eles de criar novas amizades pela internet, de ocultar revelar o que faz on-line e gastar mais tempo que o planejado navegando. Houve maior gravidade de compulsão nos estudantes de classes sociais mais baixas, em períodos iniciais do curso, provenientes de instituição pública, oriundos de cidades com até 50 mil habitantes e nos imigrantes. Houve uma relação negativa significativa entre menor coeficiente do último período cursado e maior nota no teste (Pearson -0,121, valor de p: 0,045). Conclusão: Os dados apontaram que os estudantes de Medicina estão propensos a desenvolver transtorno de uso de internet e que houve maior gravidade entre o sexo masculino, em classes sociais mais baixas, nos períodos iniciais do curso, nos procedentes de instituição pública, de cidades com até 50 mil habitantes e nos imigrantes. A presença do transtorno foi inversamente proporcional à performance acadêmica.

Transtornos mentais comuns em estudantes de medicina: prevalência e fatores associados

PID: S1981-52712023000400206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Cunha Fortes Scapim Santos Fernandes
Resumo Objetivo: Este estudo teve como objetivo estimar a prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) entre estudantes de Medicina e os fatores associados a esse agravo. Método: Trata-se de um estudo de corte transversal, do tipo censo, realizado com estudantes de Medicina, do primeiro ao oitavo semestre, de uma universidade pública na Bahia. Utilizou-se um questionário autoaplicável contendo Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20), International Physical Activity Questionnaire (IPAQ - forma longa) e variáveis sociodemográficas, escolares, ocupacionais e de saúde. A análise multivariada foi efetuada usando a regressão de Cox para estudos transversais. Resultado: Avaliaram-se 556 estudantes (289 mulheres e 267 homens), o que representa 90,2% da população-alvo. A prevalência geral de TMC encontrada foi de 53,3%, 78,8% dos estudantes afirmaram que se sentem nervosos, 56,8% mencionaram que dormem mal, e 6,5% apontaram que têm ideias de acabar com a própria vida. Após análise multivariada, os seguintes fatores mantiveram associação com maior prevalência de TMC: não possuir graduação prévia (49% a mais de TMC), ter uma autopercepção de saúde desfavorável (53%), não ser dessemestralizado (20%) e fazer uso de tabaco (19%). Neste estudo, atividade física não teve efeito protetor para os TMC. Conclusão: A prevalência de TMC entre os estudantes de Medicina mostrou-se elevada e se associou principalmente à autopercepção de saúde desfavorável. Os resultados obtidos demonstram a necessidade de que as políticas institucionais voltadas à saúde mental e à diminuição do sofrimento psíquico dos estudantes sejam mantidas e ampliadas.

Um estudo exploratório das ligas acadêmicas no sul do Brasil: realizando múltiplas atividades

PID: S1981-52712023000100202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Goergen Antonello Costa
Resumo: Introdução: Ligas acadêmicas são iniciativas de estudantes brasileiros criadas para realizar múltiplas atividades extracurriculares em uma escola médica. As ligas existem em quase todas as universidades do país. Objetivo: Caracterizar o perfil de atividades das ligas acadêmicas de uma escola médica. Método: Estudo descritivo transversal qualiquantitativo que coletou dados das ligas acadêmicas, como: ano de fundação, número de membros, número de professores, formas de seleção e ingresso e atividades realizadas. Resultados: Das 52 ligas ativas, 27 forneceram dados. O número médio de estudantes foi de 21,6 ± 10,4, variando entre 07 e 48. A maior parte das respondentes (77,8%) possui apenas um professor. As atividades realizadas são, majoritariamente, aulas teóricas, discussão de casos clínicos, atividades práticas, produção de artigos científicos, publicação em redes sociais, atividades de voluntariado e organização de eventos próprios. Conclusões: Ligas acadêmicas são iniciativas lideradas por estudantes com grande potencial de amplificar as ações da escola médica usando a estrutura já existente. Com suas atividades mapeadas e orientadas pela gestão da escola, as ligas acadêmicas podem ser grandes catalisadoras das atividades complementares e contribuir para a formação de novos médicos.

Uso de modelo de olho não biológico na simulação de cirurgia de estrabismo: relato de experiência

PID: S1981-52712023000400401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Agra Lobo Tavares Gonçalves Carvalho Silva
Resumo: Introdução: Estrabismo é uma doença ocular caracterizada pelo desvio dos olhos cujo tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O ensino da cirurgia de estrabismo faz parte do programa de residência médica de oftalmologia, e seu treinamento é realizado mais frequentemente em sala de cirurgia, em situações reais. A aprendizagem ativa por experimentação ou simulação é cada vez mais utilizada na educação em saúde. Relato de experiência: O objetivo deste trabalho é descrever o relato de experiência da utilização de simulação como método de ensino de cirurgia de estrabismo para os médicos residentes do programa de residência de oftalmologia de um hospital universitário. Discussão: A simulação é um tipo de metodologia ativa que permite ao residente conquistar habilidades cirúrgicas por meio da repetição em ambiente seguro, de modo a diminuir as taxas de complicações cirúrgicas. Diferentemente de outros simuladores com tecnologia avançada para treinamento de cirurgia intraocular, nosso modelo de olho é uma ferramenta simples, de baixo custo e de fácil acesso e manuseio. A portabilidade e facilidade no manuseio permitem que o residente pratique as etapas com mais frequência desenvolvendo a memória com as etapas cirúrgicas. Conclusão: O ensino da cirurgia oftalmológica é uma tarefa desafiadora, e a utilização de métodos de aprendizagem ativa, como a simulação, é uma alternativa para o treinamento de habilidades cirúrgicas, com o propósito de diminuir as taxas de complicações.

Uso de uma plataforma móvel em reumatologia por acadêmicos de Medicina durante a pandemia por Covid-19

PID: S1981-52712023000200202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Silva Pinheiro Sousa Leitão Kubrusly Augusto
Resumo: Introdução: Aplicativos móveis são considerados relevantes na área da saúde. Sendo a reumatologia uma especialidade complexa e prevalente na prática clínica, torna-se necessário o desenvolvimento de ferramentas que favoreçam a aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto no aprendizado que uma plataforma móvel proporcionou, obtendo o grau de satisfação com a ferramenta de ensino e a repercussão nos diferentes cenários de prática educacional, incluindo avaliação de performance quanto a questionamentos do conteúdo teórico da plataforma. Método: Trata-se de estudo transversal com delineamento descritivo e abordagem quantitativa do tipo analítico, realizado no Centro Universitário Christus, localizado em Fortaleza, Brasil. Pesquisaram-se, por meio de questionários elaborados pelos autores, a repercussão nas diferentes metodologias ativas presentes na instituição e o grau de satisfação dos alunos quanto ao uso. A estimativa do ganho cognitivo dos alunos foi mensurada por meio de pré-teste e pós-teste, no formato de múltiplas escolhas. Resultado: Participaram 71 alunos durante do questionário sobre a repercussão e a satisfação. Nas questões de múltiplas escolhas, 90 alunos participaram do pré-teste e 32 do pós-teste. A plataforma apresentou percepção positiva na aprendizagem para 83,1% dos alunos, havendo maior impacto nas aulas expositivas, embora no oitavo semestre tenha havido maior repercussão nos cenários de simulação. Houve boa satisfação em 94,4% das respostas, com melhora no aproveitamento quanto às questões de múltiplas escolhas, evoluindo de 43,7% para 63,3% (p < 0,001). Conclusão: A elaboração e a aplicação da plataforma móvel em reumatologia obtiveram excelentes resultados, com repercussão favorável no ensino da especialidade e boa satisfação quanto ao uso e melhor performance no que concerne ao questionamento sobre os conteúdos teóricos da plataforma.

Validação da versão brasileira do Questionário de Profissionalismo da Penn State College of Medicine

PID: S1981-52712023000400215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Valadão Lins-Kusterer Silva Aguiar Mendonça Menezes
Resumo Introdução: Avaliar o profissionalismo representa um desafio para os educadores médicos dada a natureza de seu construto que compreende diversos valores, crenças e princípios. A compreensão desse fenômeno psicológico é fundamental para o alcance dos objetivos da educação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos traduzir para o português brasileiro e validar o Questionário de Profissionalismo da Penn State College of Medicine. Método: O questionário foi traduzido e adaptado transculturalmente para o português brasileiro com dados de 249 estudantes de Medicina. Na condução da análise fatorial exploratória, utilizaram-se uma matriz policórica e o método de extração Robust Diagonally Weighted Least Squares. Os seguintes índices e critérios de adequação do modelo foram usados: índices de ajuste da raiz quadrada da média do erro de aproximação (RMSEA) < 0,08, índice de ajuste comparativo (CFI) e índice de Tucker-Lewis (TLI) > 0,90. Resultado: A análise fatorial exploratória obteve um KMO = 0,920 e um teste de esfericidade de Bartlett significativo (2719,0, gl = 630; P < 0,001). A análise paralela resultou em uma solução de três fatores que apresentou níveis adequados de confiabilidade: relacionamento profissional-paciente, desenvolvimento profissional e compromisso ético. A solução de três fatores foi considerada a melhor para representar os dados. Conclusão: O questionário evidenciou boas propriedades psicométricas e adequação para avaliar o profissionalismo dos estudantes de Medicina, contribuindo para o alcance de padrões éticos mais desejáveis na educação médica.

Validação de escala de avaliação de profissionalismo traduzida e adaptada em cenário de simulação

PID: S1981-52712023000100210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Façanha Brito Peixoto Júnior Rocha Romão Peixoto
Resumo: Introdução: O Professionalism Mini-Evaluation Exercise (P-MEX) é instrumento que avalia 21 habilidades de profissionalismo, distribuídas em quatro domínios. Objetivo: Este estudo teve como objetivos traduzir, adaptar e validar um instrumento de avaliação de profissionalismo médico. Método: Após a autorização do autor do P-MEX, realizaram-se a tradução do instrumento para a língua portuguesa, a análise de equivalência linguística e validade de conteúdo por especialistas em educação, e o exame de validade operacional em OSCE virtual entre estudantes do internato médico. Resultado: Houve elevada equivalência dos itens da versão em português do Brasil por especialistas em educação. O índice de validade de conteúdo da escala foi de 0,96. Seis professores validaram o P-MEX em ambiente de simulação para 27 estudantes do internato médico. Conclusão: A versão brasileira do P-MEX demonstrou ser adequada para avaliar o profissionalismo médico no contexto brasileiro, com boa validade operacional em cenário de simulação virtual.

Violência sexual contra mulheres estudantes em escolas médicas

PID: S1981-52712023000300213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Leal Moura Souza Madeiro Rufino
Resumo: Introdução: No mundo todo, a violência sexual é um evento prevalente contra mulheres estudantes de Medicina. A exposição ao toque, o contato físico e as incitações sexuais inoportunas podem ocorrer em vários ambientes da educação e da prática médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a violência sexual contra mulheres estudantes em escolas médicas. Método: Trata-se de estudo transversal realizado com 211 alunas de oito escolas médicas do Piauí, entrevistadas entre maio e novembro de 2021. Utilizou-se questionário on-line com perguntas sobre características sociodemográficas, informações da instituição e do curso, e aspectos relacionados à violência sexual no âmbito universitário. Realizou-se análise multivariada por regressão logística múltipla, com cálculo de odds ratios ajustadas (ORaj) e intervalos de confiança de 95% (IC95%). Resultado: Mais da metade (55%) das estudantes relatou algum tipo de violência sexual durante o curso de Medicina, mais frequentemente como evento único (69,3%). Comentários sexistas ou sexualmente degradantes (87,8%), ocorridos em ambientes de prática (55,3%), no primeiro e segundo anos do curso (65,8%) e em disciplinas do ciclo básico (63,0%) foram mais frequentes. O perfil majoritário dos agressores é representado por homens (99,0%), com mais de 40 anos (60,4%) e professores (59,3%). A violência sexual resultou em sofrimento emocional (47,3%) e queda da produtividade/qualidade do estudo (25%), porém a maioria não realizou denúncia (92,9%). Houve maior chance de violência sexual contra estudantes que se autodeclararam bissexuais (ORaj =3,87; IC95% 1,20-12,48) e de instituições de ensino públicas (ORaj = 3,12; IC95% 1,67-5,82). Conclusão: A prevalência de violência sexual durante o ensino médico foi elevada, revelada principalmente sob a forma de assédio sexual. Orientação sexual e características da instituição de ensino se associaram com a violência sexual. Os achados estimulam ações para prevenir e mitigar essa grave questão durante o ensino médico.

“Aprendizagem Baseada em Memes”: criatividade, afeto e cuidado em um componente curricular de Saúde Coletiva

PID: S1981-52712023000200403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Marquez Faria Rodrigues Raimondi Paulino
Resumo: Introdução: A pedagogia freiriana aponta a educação como uma prática social consoante a uma realidade em transformação e direcionada às demandas de seu público. Na educação médica, aplica-se tal concepção quando o ato pedagógico é um modelo de cuidado para os discentes. Nesse sentido, estratégias que promovem a expressão de sentimentos de forma livre, lúdica e criativa são práticas que promovem o cuidado e contribuem para uma formação humanista e reflexiva, como preconizado nas DCN para o curso de graduação em Medicina. O objetivo deste relato de experiência é compartilhar uma experiência bem-sucedida da utilização de memes em uma atividade de feedback do componente curricular de Saúde Coletiva de um curso de Medicina de uma universidade federal brasileira. Relato de experiência: No último encontro do semestre, os estudantes, reunidos em pequenas equipes, foram orientados a criar memes que refletissem suas principais percepções acerca do módulo, ou seja, que destacassem os momentos mais marcantes e os aprendizados compartilhados ao longo do semestre. Em seguida, a turma toda se reuniu por videochamada, e um representante de cada equipe fez o feedback apreciativo do semestre utilizando o meme criado, além de compartilhar o “momento a-há” elegido pelo grupo, ou seja, o mais marcante e transformador do módulo. Discussão: Percebe-se que a utilização de memes e outros recursos lúdicos na educação médica é importante e recomendada, pois, além de tornar o processo de aprendizagem mais ativo e efetivo, o que está de acordo com os princípios das DCN, é uma forma de cuidado em saúde com os discentes. Além disso, essa dinâmica permite uma maior interação entre os alunos e estimula o senso de pertencimento. Ademais, a realização de feedbacks na graduação de Medicina é fundamental para o processo de aprendizado e também para o aprimoramento de habilidades necessárias à prática profissional, e essa atividade se mostrou facilitada e efetiva quando feita por meio do uso de memes. Conclusão: A utilização de memes na sessão de feedback se mostrou benéfica, criativa e salutogênica, além de ser uma estratégia que preza o cuidado e a expressão de sentimentos dos alunos, e, por isso, deve ser encorajada.

“Novo normal”, velhos problemas: ciências sociais e humanas na formação médica em tempos de pandemia

PID: S1981-52712023000100402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2023
Autores: Agostini Araujo Afonso Silveira
Resumo: Introdução: A pandemia escancarou as determinações de classe, raça e gênero nos processos saúde-doença-cuidado, afetando de modo muito mais dramático as periferias e, especialmente, as populações negras e indígenas. Ademais, colocou em destaque e amplificou uma postura negacionista ao mesmo tempo que gerou expectativas elevadas quanto ao papel das ciências biomédicas para o enfrentamento da pandemia no Brasil, apesar de a literatura ser contundente sobre o caráter imprescindível das Ciências Sociais e Humanas (CSH). Relato de experiência: Neste artigo, descrevemos criticamente a experiência docente em disciplinas de CSH em uma faculdade de Medicina ao longo do ano de 2020, enfatizando os múltiplos impactos produzidos pela Covid-19. Discussão: Além de apresentar como os temas caros às CSH são abordados nas disciplinas, nas suas ementas e nas matrizes pedagógicas, este texto discute as alterações e os percalços provocados pela necessidade de - para “estar em sala” no contexto da maior crise sanitária dos últimos cem anos - adaptar-se ao abalo da separação entre os mundos do trabalho e da casa e a convivência com os sentimentos pandêmicos de medo, luto e desalento que atingiram docentes e discentes. Conclusão: A pandemia trouxe para perto da realidade de estudantes e docentes temas caros ao âmbito das CSH, como a discussão sobre a determinação social do processo saúde-doença-cuidado e a reflexão sobre a quem servem tanto a ciência quanto a ideologia do obscurantismo que a nega. Na experiência que relatamos, utilizamo-nos da atualidade desses debates para nos aproximar da realidade dos estudantes, em um contexto em que o isolamento social e o ensino remoto tornaram as relações mais esgarçadas.

Burnout e metodologia ativa de ensino-aprendizagem entre estudantes de Medicina de universidade em tríplice fronteira

PID: S1981-52712022000400210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Lima Tesche Araújo Barbosa Andrade
Resumo: Introdução: A metodologia de ensino-aprendizagem constitui importante fator na formação do estudante de Medicina e pode estar associada também à exposição de fatores estressantes crônicos que culminam em sofrimento mental como é observado na síndrome de burnout (SB). Objetivo: Este estudo teve como objetivos determinar a prevalência da SB e analisar suas dimensões e a relação com a metodologia ativa de ensino-aprendizagem entre estudantes de Medicina de uma universidade de tríplice fronteira. Método: Trata-se de estudo transversal realizado com 279 acadêmicos do curso de Medicina que responderam a questionários sociodemográfico, de hábitos de vida e de aspectos do processo ensino-aprendizagem, e ao Inventário de Burnout de Maslach (IBM). Verificou-se associação entre a SB e as variáveis sociodemográficas, os hábitos de vida e o processo ensino-aprendizagem, por meio do teste de qui-quadrado de Pearson, do teste exato de Fisher e do teste t de Student. Realizaram-se análise descritiva dos dados, análise bivariada e regressão logística multivariada. Resultado: A prevalência de burnout foi de 4,7%, com 26,2% de alta exaustão emocional, 37,6% de alta despersonalização e 20,4% de baixa realização profissional. Os estudantes de Medicina avaliados neste estudo possuem níveis baixos ou moderados de SB. A insatisfação com o aprendizado da metodologia ativa, a falta de compreensão do fundamento da metodologia ativa e a percepção de que a minoria/nenhum docente aplica a metodologia ativa adequadamente foram preditores importantes associados ao burnout. Conclusão: Esta investigação pode servir para que escolas médicas possam desenvolver estratégias institucionais para enfrentamento dessa realidade no sentido de reduzir o risco do desenvolvimento de SB entre os estudantes de Medicina.

A abordagem da medicina narrativa no processo de ensino-aprendizagem nas graduações das profissões da saúde

PID: S1981-52712022000200305 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Silva Takenami Palácio
Resumo: Introdução: Nas últimas décadas, mudanças importantes ocorreram nas ciências médicas, abrangendo desde a criação de novas condutas terapêuticas até reformulações de práticas relacionadas ao ensino, sobretudo no que concerne ao desenvolvimento de habilidades que promovam uma melhor relação entre o profissional de saúde e o paciente. Nesse contexto, a medicina narrativa (MN) surge como uma importante ferramenta transformadora da prática profissional na saúde por utilizar diferentes estratégias de comunicação para compreender as vivências dos indivíduos quanto aos seus processos de adoecimento. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer como a MN tem sido abordada no processo de ensino-aprendizagem nas graduações das profissões da saúde. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, baseada na pergunta “Quais são os impactos do uso da MN no processo de ensino-aprendizagem nas graduações da área da saúde?”. Foram incluídos artigos indexados nas bases de dados SciELO, LILACS, BVS e MEDLINE, publicados no período de janeiro de 2010 a junho de 2020 e disponíveis na íntegra. Resultado: Nove artigos foram selecionados e analisados, revelando que o uso e a aplicação da MN nas graduações das profissões da saúde são heterogêneos, com diferentes populações de estudo, metodologias de pesquisa, formas de abordagens e/ou cenário de aplicação. Contudo, a análise qualitativa evidenciou que a MN contribuiu de forma significativa para o processo de formação dos discentes e profissionais, estimulando o desenvolvimento de habilidades narrativas. Destacam-se a empatia na relação profissional de saúde-paciente, o respeito e reconhecimento da importância de outros profissionais da área no cuidado destinado à saúde e atitudes críticas e reflexivas nos cenários práticos, elementos que, na percepção dos sujeitos, só foram alcançados por meio do uso dessa abordagem. Conclusão: A formação do profissional de saúde requer competências narrativas que envolvem habilidades associadas à escuta e ao diálogo, bem como a capacidade de aprender e interpretar as vivências fornecidas pelos pacientes. No entanto, diante da escassez de estudos relacionados a essa temática, mais pesquisas são necessárias para melhor avaliar o uso dessa ferramenta como recurso didático nas graduações das profissões da saúde.

A aula tradicional pode ser substituída pelo Worked Example no ensino da radiologia?

PID: S1981-52712022000300205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Barros Ibiapina Diniz Damião
Resumo: Introdução: Durante a última década, o modelo tradicional de ensino médico foi amplamente debatido, e, há pouco tempo, a pandemia da Covid-19 impôs novamente mudanças, iniciadas em caráter de urgência em todo o mundo, trazendo novos desafios à formação médica no que concerne ao ensino e à aprendizagem. A estratégia de ensino conhecida como Worked Example é uma ferramenta instrucional na qual um especialista mostra a solução de um determinado problema para um aprendiz de forma pormenorizada. Objetivo: Este estudo teve como objetivo comparar as aulas expositivas em vídeo com a técnica Worked Example para ensino de tomografia de tórax. Método: Trata-se de um estudo experimental realizado, por meio de uma intervenção educacional, com alunos do curso de Medicina em fases iniciais e finais da prática clínica. Resultado: A análise de variância de medidas repetidas (ANOVA) foi usada na análise estatística. Houve diferença significativa entre as notas antes e depois do treinamento (F1; 74 = 46,008; p < 0,001) e entre as fases do curso (F2; 148 = 19,452; p < 0,001). Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (F2; 74 = 1,401; p = 0,240). Não houve diferença significativa no esforço mental referido na comparação entre grupos (F1; 69 = 0,092; p = 0,762), porém os alunos do segundo ano apresentaram um escore de esforço significativamente maior. Conclusão: O Worked Example, uma técnica com boa aplicabilidade para estudantes da graduação e adequada para formatos digitais, mostrou-se igualmente eficaz a aula expositiva, técnica consagrada no ensino de radiologia.

A formação generalista e a opção pelo exercício profissional segundo a percepção do estudante

PID: S1981-52712022000100215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Silva Azevedo Cruz Santos Bezerra Wahrhaftig
Resumo: Introdução: Desde que foram implantadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Medicina com ênfase à formação de profissionais com perfil generalista desconhece-se os fatores que podem contribuir com o interesse pelo exercício profissional. Metodologia: Estudo transversal descritivo e analítico de caráter qualitativo explanatório com 523 acadêmicos dos diversos cursos de medicina da cidade de Salvador-Bahia, que responderam um questionário online após assinatura do TCLE. A amostra foi categorizada em interesse na Especialização Imediata (EI) e entre aqueles que pretendem Atuar como Generalistas (AG). A idade e o período do curso também foram categorizados em grupos. Resultados: A idade da amostra era de 18 a 25 anos em 83,7% (n=438), sendo 72,5% (n=380) do sexo feminino, cursando do 4º ao 9º semestre em 69% (n=363). O grupo Especialização Imediata representou 27,2% (IC95%: 35%-73%) e o grupo que pretende Atuar como Generalista, 72,8% (IC95%: 68%-76%). A formação generalista não influenciou a opção pelo exercício profissional com RR=0,81 (IC95%: 0,55-1,20) p=0,308. Os fatores associados a AG foram: pertencer a instituição pública (p=0,041) acreditar na capacidade de resolubilidade do generalista e nas diretrizes do SUS (p<0,001), o desejo de contribuir com a sociedade (p=0,005) e a credibilidade da sociedade (p=0,044). Conclusão: Os estudantes percebem que a grade curricular contempla a formação generalista, no entanto não influenciou o interesse pelo exercício profissional. O desejo de atuar como generalista está presente em um número expressivo entre eles, movido pelo altruísmo e o desejo de contribuir com a sociedade, respaldados pelas leis orgânicas que fundamentam as Diretrizes do SUS, ao mesmo tempo em que não se sentir valorizado e ter sua credibilidade questionada pela sociedade, estimulam ao exercício profissional apenas de modo temporário.

A formação médica na atenção primária à saúde: uma revisão de literatura

PID: S1981-52712022000400306 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Cavalli Carvalho
Resumo: Introdução: Inadequações das escolas médicas na formação profissional, no que concerne a um atendimento humanizado e às necessidades de saúde da população, há muito vêm sendo discutidas. Diversas críticas ao modelo de formação biomédico têm sido feitas e motivaram várias entidades e instituições nacionais e internacionais a propor recomendações para um novo modelo de formação voltado principalmente para a inserção oportuna na atenção primária à saúde (APS). Objetivo: Este estudo teve como objetivos analisar como ocorre a inserção dos acadêmicos de Medicina na APS durante a graduação e verificar a percepção dos diferentes atores envolvidos sobre esse processo. Método: Trata-se de uma scoping review. Foram utilizados dois conjuntos de descritores agregados da seguinte forma: atenção primária à saúde and educação de graduação em Medicina e atenção primária à saúde and currículo and médico. Inicialmente, selecionaram-se 2.174 artigos. Após a leitura de título e resumo, houve a seleção de 42 artigos. Por fim, depois da leitura na íntegra, elencaram-se 27 estudos para análise. Resultado: Os estudos foram publicados em sua maioria (70%) após 2015, 52% em um mesmo periódico e como relato de experiência. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) apareceram como principal motivador para mudança em 82,3% dos artigos; 100% possuem inserção oportuna, sendo 76,5% já no primeiro semestre; 47,1% têm inserção do estágio ao longo de oito semestres; e apenas 29,4% referem inserção no internato. Em relação aos objetivos do aprendizado, verifica-se que este vai ao encontro do perfil de egresso e do recomendado pelas DCN. A percepção dos discentes e docentes aponta o papel do estágio em APS como espaço de formação importante para o desenvolvimento de competências e habilidades preconizadas pelas DCN. Entre os aspectos negativos, destacaram-se a falta de estrutura das unidades, a ausência de profissionais com formação, preceptores despreparados para o ensino nesse nível de atenção e convênios precários entre instituição e secretarias. Conclusão: Percebe-se, nos artigos estudados, que a formação médica na graduação atende ao preconizado nas DCN de 2014, em autores e experiências internacionais, porém é necessário avançar em relação à cultura de docentes e discentes que supervalorizam a especialização, na formação dos professores e na integração ensino-serviço.

A liberdade de (se) narrar no ensino da semiologia médica

PID: S1981-52712022000300100 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Aleluia Gallian Sass
Resumo: Introdução: Ao escrever sobre o ensino de semiologia, escrevo sobre histórias, imagens, signos e símbolos; sobre percepções, interpretações, encontros e desencontros. É a história do outro que se entrelaça com a minha, pois, ao ouvir, ver e examinar um paciente, vou além do que é aprendido nos livros de medicina. Neste artigo, falo de uma insurreição contra essa ditadura técnico-cognitiva no ensino da semiologia. Desenvolvimento: A anamnese médica é o relato da história do paciente, além de conter a descrição do exame físico realizado. Basicamente, é o resumo do encontro clínico, que vai guiar o caminho do médico na sua formulação diagnóstica e no planejamento dos cuidados necessários para cada paciente, e é ensinada de forma metódica e rígida, sem considerar a “história” da pessoa que conta, e sim a doença que ela tem. A abordagem deste trabalho é qualitativa, e adotou-se o método da cartografia, que se associa bem com a fenomenologia e permite acompanhar o meu percurso nesta narrativa. É o meu percurso como professora de semiologia médica que trago neste artigo, como material de estudo. Vou dividir essa trajetória da docência em três momentos (“O começo”, “O ‘divisor de águas’” e “Redescoberta”). Conclusão: A inserção das humanidades e das narrativas no curso de Medicina traz uma reflexão fundamental e necessária sobre o fazer médico e o próprio ensino na saúde. Usar o método da cartografia e as reflexões surgidas nesse caminhar pode contribuir para uma formação docente mais humanizada, com uma visão mais ampla da saúde e do ensino na saúde.

A percepção sobre o acesso avançado em uma unidade unidade-escola de atenção básica à saúde

PID: S1981-52712022000100211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Soares Junqueira
Resumo: Introdução: Uma das diretrizes da atenção básica à saúde (ABS) no Brasil é o primeiro contato da pessoa no sistema de saúde. O acesso ou a acessibilidade é um atributo essencial da APS que teve avaliação ruim em pesquisas brasileiras. O sistema de agendamento certamente influencia o acesso nas unidades de saúde, e o modelo por acesso avançado (AA) tem sido implantado no Brasil, e vem obtendo melhores resultados que modelos tradicionais de agendamento. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender a percepção de profissionais que atuam em uma unidade básica de saúde de Uberlândia, em Minas Gerais - MG (Centro de Saúde Escola Jaraguá (Cejar)), sobre a implementação do AA. Método: Trata-se de um estudo qualitativo que utilizou o grupo focal e a análise de conteúdo. Resultado: Foram delimitadas as seguintes categoriais temáticas: Desafios desafios na consolidação da APS e investimento em equipes mínimas; Tensionamentos tensionamentos quanto ao aumento na demanda de atendimentos individuais e sobrecarga de trabalho; Educação educação e saúde: intersecções necessárias entre ensino, serviço, gestão e comunidade. Conclusão: O Cejar apresentou particularidades com a implementação do AA por ser uma unidade de ensino, por não ter Estratégia de Saúde da Família (ESF) consolidada e pela sobrecarga de trabalho advinda com dessa agenda, o que pode contribuir para o planejamento de outras equipes que tenham interesse pelo AA.

A sala de aula invertida na aprendizagem do exame clínico

PID: S1981-52712022000100204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Patriota Frias Silton Silva Duque Lorena
Resumo: Introdução: A sala de aula invertida (SAI) é uma metodologia ativa de aprendizagem caracterizada pelo envio antecipado de materiais didáticos aos estudantes, de modo que o momento sala de aula seja inteiramente dedicado a atividades não expositivas. A SAI foi implementada em 2019 para aprendizagem do exame clínico (EC) de alunos da graduação de Medicina em uma instituição de ensino superior da Região Nordeste do Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a implantação da SAI na aprendizagem do EC comparando com a metodologia de miniexposição seguida de prática. Método: Trata-se de análise de intervenção educacional com controle histórico sobre a implantação da metodologia da SAI realizada em três fases. Na primeira, os dois tutores envolvidos na implantação ou que atuaram como docentes foram avaliados por meio de entrevista semiestruturada sobre o processo de implantação da SAI e seu funcionamento inicial. A segunda fase foi a avaliação de 44 estudantes de Medicina, por meio de questionário Likert, sobre a aprendizagem com a nova metodologia. A terceira consistiu na avaliação das notas obtidas por 66 estudantes que vivenciaram o aprendizado com SAI em relação aos 142 discentes que vivenciaram a metodologia anterior. Resultado: Os tutores avaliados conheciam pouco sobre a metodologia antes da implantação e acreditam que sua implantação promoveu ganhos, como uma maior dedicação dos estudantes ao estudo individual. A dificuldade inicial decorreu da elaboração de um extenso banco de questões para o pré-teste que era realizado no início dos momentos presenciais. Os estudantes avaliados relataram que estavam bem adaptados e que concordavam com os benefícios da SAI, como: sentir-se estimulado a estudar, desenvolver a prática com mais facilidade e a presença dos pré-testes que ajudam a aprimorar o estudo individual. Os resultados da comparação das notas mostraram um aumento significativo no desempenho ao compararem os estudantes que vivenciaram a SAI (9,11 - DP 0,45) com os que vivenciaram a metodologia anterior (8,49 - DP 0,91). Conclusão: A metodologia foi implantada de maneira satisfatória, promoveu ganhos na aprendizagem e otimizou o momento presencial para ser totalmente dedicado à aprendizagem prática.

Acolhimento em um centro de atenção psicossocial: relato de experiência de um médico em formação

PID: S1981-52712022000300404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Bessa Melo Peixoto Souza Carvalho
Resumo: Introdução: Os serviços destinados à atenção psicossocial são essenciais para a garantia de direitos da população assistida e a aquisição de um processo longo, e ainda atual, denominado de Reforma Psiquiátrica, com um desenho de política pública de estratégias e programas para a efetivação de um cuidado voltado para o indivíduo e seu contexto social. Entre as estratégias e os programas, destaca-se o acolhimento como interlocutor dos processos que envolvem o usuário da rede de atenção psicossocial e os serviços prestados pelas unidades de saúde, com ênfase no Centro de Atenção Psicossocial e em particular o álcool e drogas (CAPSad). O presente relato de experiência visa apresentar as nuances do acolhimento presentes nos serviços e nas atividades prestados por um CAPSad de um município do interior da Bahia e a importância dessa vivência para a formação médica. Relato de experiência: As experiências foram apresentadas em quatro momentos: primeiros contatos e a experiência de aproximação com o CAPSad; simpósio sobre o cuidado destinado ao usuário de álcool e outras drogas; acompanhamento de consultas médicas em saúde mental; e realização de atividades em sala de espera e com grupos terapêuticos. Discussão: As experiências sobre o cuidado integral destinado à saúde mental possibilitaram ao estudante de Medicina vivenciar o acolhimento e as singularidades da atenção psicossocial; conhecer as vulnerabilidades das pessoas que fazem uso de álcool e drogas ilícitas; perceber a importância da família no processo de cuidado; participar de consultas médicas baseadas no Método Clínico Centrado na Pessoa; e compreender imprescindibilidade da atenção multiprofissional para a integralidade das ações em saúde. Conclusão: O cuidado integral destinado à saúde mental apresenta-se como um tema desafiador e necessário para a formação do futuro médico. A inserção do estudante na rede de atenção psicossocial favorece os processos voltados para o ensino-aprendizagem e fortalece a integração ensino, serviço e comunidade.
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