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Aderência dos PPC de Medicina aos parâmetros da política de formação médica brasileira

PID: S1981-52712022000300206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Novato Ferreira Paschoalotto
Resumo: Introdução: Pesquisas recentes têm se dedicado a analisar os projetos pedagógicos dos cursos (PPC) de Medicina e o grau de alinhamento deles ao que determina a legislação brasileira para abertura e funcionamento dos cursos no país. No entanto, não há estudos de abrangência nacional que tenham investigado se os PPC de Medicina estão em conformidade com a legislação brasileira vigente. Objetivo: Neste estudo, buscou-se analisar a aderência dos PPC de Medicina no Brasil às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do ensino médico e ao Programa Mais Médicos para o Brasil (PMM). Método: Para alcançar esse objetivo, coletaram-se 157 PPC de Medicina no Brasil que foram categorizados em uma escala Likert de aderência, que varia de não aderente (1) a fortemente aderente (5), a partir de três dimensões de análise: aspectos norteadores de formação, aspectos curriculares, aspectos ensino-serviço. Posteriormente, por meio da análise de componentes principais, criou-se o Índice Sintético de Aderência dos PPC. Com o banco de dados criado, aplicaram-se estatísticas descritivas e gráficos relacionais para descrever a situação no Brasil. Resultado: Os resultados demonstram o seguinte: 1. a Região Centro-Oeste obteve a melhor performance nas três dimensões analisadas; 2. as instituições públicas (39% do total) têm maior aderência dos PPC aos parâmetros normativos analisados; e 3. a dimensão ensino-serviço aponta maior variação entre os tipos de administração das instituições, com menor aderência das instituições privadas. Conclusão: Este trabalho acende um alerta em relação à adequação dos cursos de Medicina das instituições privadas aos parâmetros normativos e legais exigidos para a formação médica no Brasil. Além disso, contribui para a literatura ao apresentar um modelo de avaliação de PPC por meio do Índice Sintético de Aderência dos PPC como sugestão para trabalhos futuros.

Análise da adequação dos itens do Teste de Progresso em medicina

PID: S1981-52712022000500203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Villela Hyppolito Moriguti Bollela
Resumo: Introdução: A avaliação do estudante deve induzir aprendizagem e ser baseada em competência, ou seja, avaliar (habilidades cognitivas, psicomotoras e afetivas). Para avaliar conhecimento e a habilidade para sua utilização no contexto profissional, o Teste de Progresso (TP) tem sido usado em larga escala, com finalidade somativa e principalmente formativa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar a adequação e qualidade de itens que compõem os TP realizados pelos estudantes. Método: Trata-se de estudo exploratório descritivo e retrospectivo que analisou todos os itens de seis provas do TP aplicado a estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, no período de 2013 a 2018. Os sete indicadores de boas práticas foram: 1. abordar tema relevante na formação médica; 2. ter enunciado maior que as alternativas; 3. avaliar aplicação do conhecimento; 4. definir pergunta clara para o item no enunciado; 5. avaliar apenas um domínio do conhecimento em cada item; 6. ter resposta correta e distratores homogêneos e plausíveis; 7. ausência de erros no item que acrescentam dificuldade desnecessária ou dão pistas da resposta correta. Dois avaliadores independentes analisaram as questões e, quando necessário, revisavam em conjunto os itens discordantes. Resultado: A análise das provas permitiu identificar boa qualidade técnica na maioria dos itens das seis provas, além de indicar que a não adesão foi mais frequente nos indicadores 4 e 5, que podem comprometer tanto a validade quanto a interpretação dos resultados da prova em termos de lacunas do conhecimento por parte dos estudantes. Conclusão: A qualidade das questões das provas analisadas é muito boa, mas foi possível identificar oportunidades de melhoria no processo de elaboração de itens, que servem de base para o desenvolvimento docente dos elaboradores da instituição.

Análise fatorial do desempenho no exame de residência médica, teste de progresso e coeficiente de desempenho nos estágios do internato

PID: S1981-52712022000300216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Andrade Terreri Strufaldi Ferreira Prado Puccini Santos
Resumo: Introdução: As relações entre o desempenho dos alunos nos exames de residência médica e testes de progresso e os estágios no internato médico não estão bem estabelecidas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos medir as correlações entre as notas nos testes de progresso e as notas no internato e o resultado final do exame de residência médica, e determinar qual desempenho teve a maior correlação com o exame final da residência médica. Método: Trata-se de um estudo retrospectivo e longitudinal com análises de correlação de notas em provas de progresso do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina, coeficiente de desempenho de estágios do internato (quinto e sexto anos) e notas do exame final de residência médica em uma coorte de alunos matriculados em uma Faculdade de Medicina de uma instituição pública federal, usando análise fatorial. Foram incluídos os alunos que realizaram os testes de progresso do primeiro ao sexto ano. Resultado: Dos 123 alunos matriculados no primeiro ano do curso de Medicina em 2009, 114 (92,7%) realizaram os testes de progresso durante os seis anos letivos e foram incluídos. As notas médias nos testes de progresso de 1 a 10 foram 2,67 (primeiro ano), 3,01 (segundo ano), 4,19 (terceiro ano), 4,01 (quarto ano), 5,19 (quinto ano) e 6,38 (sexto ano). As notas médias nos estágios foram 8,32 (quinto ano) e 8,26 (sexto ano). A nota média no exame teórico da residência médica foi 7,53; e a média no exame final da residência, 8,5. A análise fatorial detectou três domínios com maior força de correlação que responderam por 76,3% da variância do modelo. O componente 1 foi identificado como coeficiente de rendimento acadêmico (CAP) 5º, CAP 6º e o resultado final do exame de residência médica, o componente 2 foi formado pelas notas das provas de progresso do quinto e sextos anos, e o terceiro componente compreendeu as notas do progresso do segundo, terceiro e quarto anos. Conclusão: As notas das provas de progresso, as avaliações do internato e o exame final de residência médica apresentaram correlações significantes. Além disso, o desempenho durante o internato apresentou maior correlação com as notas do exame final de residência médica.

Aprender e ensinar semiologia médica em situações de deficiência auditiva: nossa experiência

PID: S1981-52712022000200402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Campos Pereira Figueiredo Venturini Maia Pimenta Andrade Lazaroni
Resumo: Introdução: Da população brasileira, 5% vivem com algum nível de deficiência auditiva. Apesar desse número, poucas pessoas têm acesso à educação superior. A legislação nacional defende a integração e, principalmente, a inclusão dessas pessoas no ambiente acadêmico brasileiro. Poucos são os dados sobre o acesso dos deficientes auditivos ao curso de Medicina no Brasil. Relato de experiência: Este artigo apresenta relatos de experiências de uma estudante com deficiência auditiva que cursou a disciplina de Introdução à Semiologia Médica e de seus professores e da estudante-monitora que acompanhou a disciplina. Para discutir os temas, foram selecionados 12 artigos das bases de dados MEDLINE, SciELO e LILACS, publicados entre julho de 2019 e outubro de 2021. Também se utilizaram informações publicadas pelo IBGE e Portal MEC. Discussão: A estudante relata sua dificuldade em compreender termos semiológicos, bem como suas alternativas para adquirir habilidades referentes ao exame físico. O relato do professor aborda como a inclusão é possível porém desafiadora ao se ensinar semiologia médica a uma pessoa com deficiência auditiva. Conclusão: Estudantes deficientes auditivos se beneficiam de adequação acadêmica visando à integração e inclusão para obter êxito em adquirir e treinar suas habilidades semiotécnicas. Há urgente necessidade de novas pesquisas brasileiras nessa área, principalmente relacionadas à medicina e ao ensino médico.

Atenção plena e equilíbrio emocional: experiência de uma disciplina durante a pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712022000300405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Wenceslau Souza Sousa
Resumo: Introdução: Os estudantes de Medicina vivem experiências de adoecimento e dificuldades em saúde mental frequentes e, muitas vezes, graves. Essas experiências se acentuaram durante a pandemia de doença por coronavírus (Covid-19). Nesse contexto, o treinamento em atenção plena e regulação emocional pode ser uma ferramenta útil de promoção da saúde mental nessa população. Relato de Experiência: Com o objetivo de disponibilizar esse treinamento para os estudantes de Medicina de uma instituição de ensino de Minas Gerais, foi ofertada uma disciplina sobre atenção plena e equilíbrio emocional. Ofereceu-se essa disciplina entre setembro e dezembro de 2020, com 13 aulas síncronas remotas semanais, com duas horas de duração, para 16 estudantes. Após o transcurso da disciplina, aplicou-se um questionário on-line com perguntas abertas e fechadas com três seções: informações sociodemográficas, avaliação da disciplina baseada na Escala de Satisfação com a Experiência Acadêmica (ESEA) e avaliação de impactos no bem-estar subjetivo por meio do Questionário de Saúde Geral 12 (General Health Questionnaire 12 - GHQ-12). Treze estudantes responderam ao questionário da pesquisa. A disciplina foi considerada satisfatória pela maioria dos estudantes em todos os itens avaliados. Nos 12 aspectos de saúde mental pesquisados, a concordância com os impactos positivos da disciplina variou de oito a 12 respondentes. Discussão: Em consonância com as revisões sistemáticas sobre o tema, a disciplina “Atenção plena e equilíbrio emocional” parece ter impactado de forma positiva a saúde mental, a sociabilidade e a autoimagem dos estudantes. Todos os aspectos pedagógicos avaliados foram considerados satisfatórios por mais de 80% dos participantes, com exceção dos que avaliavam especificamente o formato remoto. O caráter optativo da oferta da disciplina pode ter contribuído de forma relevante para esse resultado. Conclusão: Considerando as particularidades do contexto pandêmico, foi possível disponibilizar uma proposta original de disciplina sobre atenção plena e equilíbrio emocional positivamente avaliada pelos estudantes. Novas pesquisas são necessárias para confirmar a associação entre a participação na disciplina e a promoção do bem-estar mental.

Atitude perante a morte e opinião de estudantes de Medicina acerca da formação no tema

PID: S1981-52712022000400208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Siqueira Mergulhão Pires Jordán Barbosa
Resumo: Introdução: Atualmente, a maioria das pessoas está inserida num contexto sócio-histórico de negação da morte, incluindo médicos que lidam com o morrer diariamente que se consideram despreparados perante a morte de um paciente. O desconforto desses profissionais nesse processo de morte deve-se em parte à deficiência da formação ocorrida durante a graduação. Objetivo: Este estudo teve como objetivos analisar a opinião dos alunos de Medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) acerca da abordagem referente à morte e ao morrer durante a graduação, verificar a importância disso na formação médica e descrever esse tema por meio da perspectiva dos estudantes. Também se objetifica identificar aspectos que influenciam a percepção dos graduandos acerca do tema. Método: É um estudo exploratório, de corte transversal, com metodologia quantitativa, realizado entre agosto de 2020 e julho de 2021. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários on-line, com amostra de 365 sujeitos, após aceite e marcação no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, enviados aos alunos por e-mail. Para análise, adotou-se o software Epi-Info, em que se utilizaram frequências relativas e absolutas para descrever as variáveis qualitativas e medidas de posição e dispersão para descrever variáveis quantitativas. Para verificação de relações, foi utilizado o teste de qui-quadrado, considerando um nível de significância de 5%. O estudo seguiu todos os preceitos da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa e teve aprovação do Comitê de Ética da FPS - Parecer nº 4.228.016. Resultado: A maioria dos alunos associa angústia, medo e tristeza ao processo de morte e concorda que a discussão desse processo na graduação impacta o exercício da medicina e o bem-estar psicossocial do médico. Os estudantes concordam que a abordagem do processo de morte aconteceu em raros momentos durante a graduação e julgam necessária a inclusão de mais disciplinas que tratem do tema. Conclusão: A discussão acerca do processo de morte e morrer durante a graduação em Medicina é necessária, e recomenda-se a inserção de módulos que abordem o tema no curso da FPS, a fim de contribuir para a compreensão dos estudantes acerca desse processo e o preparo psicológico deles para lidar com a morte no exercício da profissão.

Avaliação de egresso da área da saúde: uma revisão

PID: S1981-52712022000100302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Desiderio Ferreira
Resumo: Introdução: Este trabalho apresenta uma revisão da literatura sobre as experiências de avaliação de egressos de cursos de graduação da área da saúde no Brasil, com o desenvolvimento de processos a partir do protagonismo do egresso e de sua importante atuação na verificação da qualidade do ensino superior. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer experiências de avaliação de egressos de cursos de graduação da área saúde no Brasil, de modo a identificar processos e o protagonismo do egresso na verificação da qualidade do ensino superior com foco nos cursos de Medicina e Enfermagem. Método: Foi realizada uma metassíntese, uma modalidade da revisão de literatura, com a finalidade de analisar qualitativamente estudos que tratam da temática da avaliação de egressos do ensino superior. A busca de produções científicas sobre o tema teve como ponto de partida a seguinte questão “Como são avaliados os egressos de ensino superior da área médica no Brasil?”. Optou-se por realizar uma busca nas principais bases de dados da área da saúde: PubMed, Web of Science, LILACS, IBECS e SciELO. Obteve-se um total de 245 trabalhos. Adotaram-se os seguintes critérios de inclusão: 1. trabalho com desenvolvimento de questionário de avaliação de egressos; 2. trabalho com avaliação de egressos; 3. trabalho com participação de egressos; 4. trabalho com indicadores de qualidade na educação superior; 5. desenvolvimento de metodologias de avaliação da educação superior. Selecionaram-se 13 artigos. Cabe ressaltar que para ser incluído no estudo o trabalho deveria se enquadrar em no mínimo três critérios. Resultado: As evidências permitem concluir que o egresso participa do processo de avaliação de forma singular, pois o protagonismo dele fica nítido nos estudos analisados, seja como entrevistado ou sujeito que responde ao questionário desenvolvido com métricas científicas. Conclusão: A avaliação de egressos é uma importante ferramenta estratégica utilizada pela gestão de instituições de ensino, podendo ser considerada uma política pública de significativo impacto. As evidências ratificam a necessidade de incorporação de egressos também como protagonista nos processos de autoavaliação institucional.

Avaliação do comportamento de risco de graduandos de Medicina em uma universidade de Alagoas

PID: S1981-52712022000100218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Pires Gusmão Pureza Gomes Custódio Oliveira
Resumo: Introdução: Os comportamentos de risco à saúde surgem regularmente nas fases iniciais da vida de uma pessoa e representam um grande catalisador para o desenvolvimento de outras doenças. Nesse sentido, diversos grupos sociais vivenciam diferentes contextos, valores, ambientes e condições de vida que condicionam o estabelecimento de certos comportamentos que podem ser prejudiciais a eles. Objetivo: Este estudo teve como finalidade avaliar o comportamento de risco de graduandos de Medicina de uma universidade de Alagoas. Método: Para tal, aplicou-se o Questionário de Comportamentos de Risco nos Estudantes Universitários (QREU) que consiste em 24 questões que avaliam seis categorias de comportamentos, a saber: uso de tabaco; consumo de álcool e outras drogas; comportamentos sexuais de risco; hábitos alimentares; inatividade física; e direção perigosa. As respostas foram categorizadas e apresentadas como frequências relativas e absolutas; processaram-se e analisaram-se os dados no software SPSS. Resultado: Dos acadêmicos de Medicina matriculados durante o período de coleta, 134 (44,66%) responderam ao questionário. Observou-se diferença estatística entre “tabagismo diário” (p = 0,01), “tranquilizantes sem consentimento médico” (p = 0,03) e “uso de preservativos” (p = 0,01) na análise univariável dos anos de curso. Já em relação ao agrupamento das variáveis sociodemográficas, observou-se diferença estatística em “uso de preservativos” (p = 0,02). Conclusão: Os resultados obtidos com relação ao comportamento de risco no grupo estudado apontam uma alerta de conscientização sobre o uso de métodos preventivos de investigação e a realização de futuros trabalhos que envolvam transformações no comportamento de risco dos jovens brasileiros.

Como avaliar programas de residência a partir do Teste de Progresso?

PID: S1981-52712022000500401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Romão Fernandes Silva Filho Rocha Sá
Resumo: Introdução: Embora o conhecimento especializado seja um elemento fundamental para a prática médica qualificada, não há, na maioria das especialidades, uma avaliação cognitiva unificada dos médicos residentes, e, consequentemente, não é possível verificar o conhecimento agregado durante o treinamento pelos programas de residência médica (PRM). O Teste de Progresso (TP) oferece uma oportunidade para avaliação dos PRM a partir do desempenho dos seus residentes. Em 2018, a Febrasgo implementou o Teste de Progresso Individual do Residente em Ginecologia e Obstetrícia (TPI-GO), que tem sido aplicado em todo o Brasil. Relato de experiência: Este estudo descritivo se refere ao acompanhamento longitudinal dos residentes que iniciaram a participação no TPI-GO em 2018 como R1 (n = 497) e concluíram a participação em 2020 como R3 (n = 314). O desempenho desses residentes no TPI-GO serviu de base para analisar o perfil de 32 PRM localizados nas Regiões Sul (28,1%), Sudeste (68,8%) e Centro-Oeste (3,1%), sendo identificados cinco diferentes perfis de PRM em relação ao desempenho dos residentes iniciantes, diferenças de desempenho entre R3 e R1 e desempenho dos concluintes. Discussão: No Brasil, não são oferecidas avaliações abrangentes e unificadas de conhecimento aos médicos residentes na maioria das especialidades, e consequentemente ainda não é possível incorporar essas informações na avaliação dos PRM. No modelo aqui apresentado, o desempenho dos residentes no TP possibilita inferir sobre o processo seletivo, o conhecimento agregado pelo PRM ao longo do treinamento e o nível de conhecimento dos concluintes, sendo reconhecidos PRM qualificados (tipo 1) e PRM que necessitam de melhorias (tipos 2, 3, 4 e 5). Conclusão: O TP oferece uma oportunidade para avaliação dos PRM a partir do desempenho dos seus residentes. Por meio do modelo aqui apresentado, é possível obter informações para subsidiar decisões institucionais que promovam melhorias dos PRM e do seu processo de formação na especialidade.

Competências colaborativas em gerontologia: perspectivas de graduandos da saúde

PID: S1981-52712022000300207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Curado Santos Silva Maciel Pereira Nunes
Resumo: Introdução: A discussão sobre a grade curricular dos cursos da área da saúde torna-se relevante para a proposição de estratégias de ensino que promovam o desenvolvimento de habilidades colaborativas. Tal condição possibilitará uma mudança na cultura de atenção à saúde, principalmente, para as demandas da pessoa idosa. Objetivo: Avaliar as competências colaborativas adquiridas por graduandos em uma disciplina de gerontologia. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, realizado com estudantes dos cursos de Enfermagem, Medicina e Nutrição de uma universidade pública, que cursaram uma disciplina optativa com enfoque interprofissional, em 2019. A coleta de dados incluiu a realização de um grupo focal e a aplicação de uma entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo. Resultados: Nove alunos avaliados relataram o desenvolvimento de competências colaborativas, como trabalho em equipe, comunicação eficiente e planejamento de cuidado integral à pessoa idosa. Conclusão: As expressões individualizadas dos alunos participantes deste estudo nos fazem acreditar que a aprendizagem interprofissional se qualifica como uma oportunidade para desenvolver as competências colaborativas.

Competências profissionais para a atenção à saúde do trabalhador

PID: S1981-52712022000200207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Geraldi Miranda Silva Appenzeller Mininel
Resumo: Introdução: As competências profissionais para as ações em saúde direcionadas à população trabalhadora são imprescindíveis para a formação exitosa dos profissionais de saúde. Embora relevantes e bem definidas pela Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, ainda existem lacunas sobre as competências mínimas requeridas e pouco conhecimento sobre como esses saberes profissionais se articulam para a promoção do trabalho integrado e o atendimento às necessidades dessa população. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar as competências profissionais para atenção à saúde do trabalhador no contexto da APS. Método: Trata-se de pesquisa descritivo-exploratória, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio da triangulação de métodos, realizada em uma cidade do interior do estado de São Paulo. Os dados foram coletados em três etapas: 1. análise documental das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos da saúde e dos projetos pedagógicos de sete cursos da área da saúde de uma instituição de ensino superior; 2. revisão sistemática da literatura; e 3. entrevistas com docentes dos cursos da saúde da referida instituição e com profissionais da Rede de Atenção Primária à Saúde municipal. Resultado: A análise documental permitiu identificar que somente os cursos de Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia e Terapia Ocupacional possuem competências específicas para atenção à saúde do trabalhador, e a análise dos projetos pedagógicos apontou disciplinas obrigatórias e optativas que abordam a temática. A revisão de literatura e as entrevistas apontaram as competências gerais e específicas necessárias para atenção à saúde do trabalhador, como o cuidado integral, a compreensão dos determinantes sociais de saúde, a comunicação, a liderança, o trabalho em equipe, a gestão de conflitos, o acolhimento e a escuta qualificados, a gestão em saúde e a educação permanente. Conclusão: A identificação das competências profissionais gerais e específicas para atenção à saúde do trabalhador mostrou-se de extrema relevância para construção de uma assistência integral e humanizada na formação e prática interprofissional.

Comunicação de más notícias na perspectiva de médicos oncologistas e paliativistas

PID: S1981-52712022000200213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Ferraz Chaves Silva Jordán Barbosa
Resumo: Introdução: A comunicação é indispensável à prática médica, entretanto, constantemente, é realizada de forma inadequada, principalmente no âmbito da comunicação de más notícias. A má notícia é aquela que causa alteração negativa na vida do paciente, provocando uma mudança desagradável e modificando sua perspectiva de futuro. Na medicina ocidental, pelo predomínio da visão curativista, más notícias são compreendidas como insucesso ou incapacidade das competências profissionais, causando afastamento dos médicos e insatisfação dos pacientes. Diante dessas circunstâncias, surgiram os protocolos de comunicação SPIKES, P-A-C-I-E-N-T-E e CLASS. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a dinâmica da comunicação de más notícias, quanto ao uso de protocolos específicos e às principais dificuldades vivenciadas, e identificar a influência da comunicação na relação médico-paciente. Método: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, com metodologia qualitativa, em que se utilizou um roteiro de entrevista semiestruturado elaborado pelos autores. Realizaram-se 12 entrevistas com médicos dos setores de oncologia e de cuidados paliativos do Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), que foram gravadas e transcritas para posterior análise. Os dados foram categorizados segundo a proposta de Minayo. Resultado: A abordagem de más notícias foi muito semelhante entre os profissionais, independentemente do uso de protocolos de comunicação, sendo o SPIKES o mais conhecido dentre eles. O estudo revelou que as principais dificuldades enfrentadas na comunicação de más notícias dizem respeito ao ambiente e tempo da consulta, à alta demanda de pacientes, ao vínculo médico-paciente-família e à sensação médica de não corresponder às expectativas ou se frustrar pela situação vivenciada. Identificou-se também uma clara influência da comunicação na relação médico-paciente. Constatou-se ainda a necessidade de atualização da grade curricular das escolas médicas, incluindo a formação teórico-prática em comunicação de más notícias. Conclusão: O emprego de protocolos de comunicação de más notícias não se apresenta como condição indispensável para comunicação efetiva, contudo, possibilita maior assertividade e clareza na condução da conversa. Assim, sugere-se a implementação de estratégias de comunicação no contexto da saúde, de modo a possibilitar melhorias tanto para os profissionais quanto para os pacientes.

Comunicação de notícias difíceis na formação do estudante de Medicina: uma experiência utilizando o psicodrama

PID: S1981-52712022000100405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Carvalho
Resumo: Introdução: Caracterizada como uma das tarefas mais difíceis enfrentadas pelos profissionais de saúde, a comunicação de notícias difíceis se revela como um assunto indispensável na formação do médico, tanto no que se refere às habilidades técnicas como essencialmente às competências humanas. Nesse contexto desafiador, surge a questão: “Em que medida os estudantes de Medicina estão preparados para lidar com essa temática?”. Relato de experiência: Tomando o protocolo SPIKES como manejo técnico associado à metodologia psicodramática, o estudo apresenta uma situação hipotético-prática na formação médica em uma instituição do interior de Minas Gerais, objetivando relatar e analisar a experiência da utilização da metodologia psicodramática na educação médica. Discussão: O deslocar-se de seu papel para experimentar o outro lado - o papel de paciente - fez com que os estudantes vivenciassem maior sensibilidade na relação profissional, ao mesmo tempo que facilitou a assimilação de estratégias adequadas no manejo da comunicação de uma notícia difícil. Conclusão: Os estudantes foram conduzidos a uma maior reflexão do papel do Médico, incorporando técnicas para além das habilidades biomédicas e se encontrando mais bem preparados para lidar com questões desafiadoras em sua prática profissional.

Conhecimento dos acadêmicos de Medicina e médicos sobre cuidados paliativos: aplicação do questionário BPW

PID: S1981-52712022000400205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Souza Oliveira Campanholo Fernandes
Resumo: Introdução: Os cuidados paliativos (CP) possibilitam a interação da equipe multidisciplinar e proporcionam qualidade de vida e alívio da dor, ao considerarem o biopsicossocial e a espiritualidade do indivíduo, de modo a não adiar ou acelerar a morte. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar o nível de compreensão dos acadêmicos de Medicina e médicos sobre os CP. Método: A primeira amostra foi constituída de 73 acadêmicos distribuídos entre os 12 períodos do curso de Medicina. A segunda população amostral englobou três médicos sem a prática dos CP. A coleta de dados fundamentou-se na aplicação da versão portuguesa do questionário Bonn Palliative Care Knowledge Test (BPW) do Porto. O arquivo é composto por duas seções: a primeira contém 23 questões, e a segunda, 15, incluindo quatro opções de resposta (correta, razoavelmente correta, pouco correta e incorreta). Como suporte para a aplicação virtual, utilizou-se a plataforma do Google Forms. Os participantes foram informados, por meio de mensagem de texto e também de forma presencial, no caso dos profissionais, sobre do motivo da pesquisa e as questões éticas. Resultado: A compreensão dos CP foi variável, principalmente entre os estudantes, já que alguns tópicos apresentaram maior divergência entre as respostas do que outros. Os acadêmicos (84,9%) e médicos (66,6%) demonstraram ter conhecimento sobre a possibilidade de combinar os CP com tratamentos curativos. Somente 9,1% dos acadêmicos marcaram como inadequada a gestão da dor com opioide transdérmico. Quanto aos médicos, não houve nenhuma menção a isso. Ademais, 95,9% dos estudantes e 100% dos profissionais reconheceram que é possível aprender habilidades interpessoais, como a comunicação. Com relação à identificação e discussão dos problemas reais no ambiente social da pessoa em CP, 100% dos médicos e apenas 50,7% dos acadêmicos afirmaram que são capazes de tal ação. Conclusão: É necessária a capacitação teórica e prática desses indivíduos por meio da inclusão da disciplina de CP de modo individualizado, desde os primeiros períodos do curso de Medicina e também em outros cursos da saúde, visto que a equipe multidisciplinar é essencial para a concretização desse cuidado holístico.

Consenso Abem para o ensino de comunicação nas escolas médicas brasileiras

PID: S1981-52712022000300214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Grosseman Hokama Cruvinel Franzoi Moura Muraguchi Novaes Raimondi Moura Torreão Pereira Philippi Oliveira Alves
Resumo: Introdução: A comunicação é uma competência essencial para o(a) médico(a) e outras categorias profissionais, e deve ser desenvolvida durante sua formação profissional. A elaboração de um projeto de comunicação, incluindo um consenso brasileiro, visou subsidiar as escolas médicas a preparar os estudantes de Medicina para se comunicarem efetivamente com os(as) cidadãos/cidadãs brasileiros(as), de características plurais intra e inter-regionais, pautando-se no profissionalismo e nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Este manuscrito apresenta o consenso para o ensino de comunicação nas escolas médicas brasileiras. Método: O consenso foi construído colaborativamente com 276 participantes, experts em comunicação, docentes, profissionais de saúde e discentes, de 126 escolas médicas e cinco instituições de saúde, ao longo de nove encontros presenciais em congressos e de encontros virtuais quinzenais ou mensais. Nos encontros, compartilharam-se as experiências dos participantes e o material bibliográfico, incluindo os consensos internacionais, e apresentou-se o consenso em construção, com discussão em grupos para elencar novos componentes para o consenso brasileiro, seguida por debate com todos para pactuá-los. A versão final foi aprovada em reunião virtual, com convite a todos(as) os(as) participantes em julho de 2021. Após submissão, diversas alterações foram requeridas, o que demandou novos encontros para revisão da versão final do consenso. Resultado: O consenso tem como pressupostos que a comunicação deve ser centrada nas relações, pautada nos princípios do SUS, na participação social e no profissionalismo, e embasada nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina, em referenciais teóricos e nas evidências científicas. São descritos objetivos específicos para desenvolver a competência em comunicação nos estudantes, abrangendo: fundamentos teóricos; busca e avaliação crítica da literatura; elaboração e redação de documentos; comunicação intrapessoal e interpessoal no ambiente acadêmico-científico, na atenção à saúde em diversos contextos clínicos e na gestão em saúde. Recomenda-se a inserção curricular da comunicação do início ao final do curso, integrada a outros conteúdos e áreas de saber. Conclusão: Espera-se que esse consenso contribua para a revisão ou implementação da comunicação nos currículos das escolas médicas brasileiras.

Contar histórias - experiências e memórias

PID: S1981-52712022000100404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Meneghel
Resumo: Introdução: Este texto é um relato de experiência que mescla memórias e histórias narradas em contextos de ensino, pesquisa e extensão no campo da saúde coletiva. O objetivo é mostrar a capacidade de histórias fazerem sentido aos interlocutores, despertando emoções e produzindo empatia. Relato de experiência: Apresentam-se histórias escolhidas a partir de uma perspectiva interseccional, que inclui gênero, raça e classe social. Três subseções apresentam essas histórias: “Falando em gênero e a história do general”, “Haiti e a história da revolução negra” e “Como trabalhar com o povo?”. Discussão: A discussão rememora os contextos, os itinerários e as histórias contadas, assim como os efeitos produzidos pelas narrativas nos ouvintes. Conclusão: Ressaltam-se a potência e os efeitos das histórias nos ouvintes e interlocutores.

Correlação entre o desempenho no Teste do Progresso e a aprovação na residência médica

PID: S1981-52712022000500205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Guimarães Chiesa Bessa
Resumo: Introdução: O Teste do Progresso (TP) permite uma avaliação acadêmica seriada com diversos benefícios para o aluno e a instituição de ensino. Trata-se de uma ferramenta complementar de avaliação. Tem-se tentado cada vez mais associar os resultados no TP com aqueles obtidos no processo seletivo da residência médica (RM), em razão de ambos medirem competências cognitivas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo correlacionar o desempenho no TP de egressos do curso de Medicina com o resultado obtido por eles no processo seletivo para admissão na RM. Método: Trata-se de estudo transversal, quantitativo, realizado no período de julho de 2021 a março de 2022 com 143 alunos do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza, que realizaram anualmente o TP no período da sua graduação e participaram do Processo de Seleção Unificada para Residência Médica do estado do Ceará. Resultado: Foi encontrada uma correlação significativa positiva (ρ = 0,257**; p < 0,001) entre a média de pontuação de todos os anos do TP e a aprovação na primeira fase da residência, bem como entre as notas do TP do sexto ano com a aprovação na primeira fase da residência (ρ = 0,354**; p < 0,001). Também houve correlação positiva entre as médias do TP e as notas do TP do sexto ano com a aprovação na segunda e última fase da RM (ρ = 0,226**; p < 0,001 e ρ = 0,265**; p < 0,001, respectivamente). Conclusão: Como o TP mostrou ser um excelente preditor de resultados em exames somativos de ampla concorrência, ele pode ser considerado uma ferramenta importante para o sucesso nas seleções de RM. Por conta disso, sugere-se que o TP seja cada vez mais valorizado tanto pelos alunos quanto pelas instituições que o aplicam.

Cuidados Paliativos na formação médica: percepção dos estudantes

PID: S1981-52712022000100209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Castro Taquette Pereira Marques
Resumo: Introdução: O envelhecimento populacional, a maior expectativa de vida e o aumento da prevalência de doenças crônicas trouxeram novas demandas em saúde, como os cuidados paliativos (CP). Embora presente no cotidiano clínico, essa temática ainda não foi incluída na maioria das escolas médicas no Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer o ensino-aprendizagem em CP na percepção do estudante de Medicina de escolas que dispõem dessa disciplina. Método: Trata-se de estudo qualitativo realizado por meio de entrevistas com 35 estudantes de Medicina de 14 escolas médicas localizadas nas Regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país. Resultado: Os relatos foram classificados em três categorias: concepção sobre CP, transformações percebidas após exposição ao ensino de CP, desafios e estratégias exitosas identificados no ensino de CP. Os estudantes reconhecem o valor do ensino de CP e têm maior compreensão sobre a abordagem em CP e sua indicação precoce às pessoas com condições crônicas complexas. A inserção do tema contribuiu para a superação de medos e tabus ligados à morte, conferindo maior conforto para lidar com o sofrimento humano, agregando competências emocionais. A educação formal em CP possibilitou a compreensão da pessoa na dimensão biopsicossocial e espiritual. Os discentes ressaltaram a importância das habilidades de comunicação de notícias difíceis, do manejo de sintomas, do trabalho em equipe e da abordagem individualizada à pessoa e à família dela. Embora tenham identificado pouca integração teórico-prática no cenário de ensino-aprendizagem de CP, os alunos referiram interesse na temática e apontaram como estratégias aproximações sucessivas ao longo da formação, em um eixo humanista. Conclusão: O ensino de CP traz contribuições à formação médica para além da aprendizagem do tema e reforça o desenvolvimento da empatia e compaixão, reconhecidas como essenciais nessa profissão, assim como a relevância da assertividade no manejo do sofrimento e do cuidado integral de pessoas com doenças avançadas.

Cuidando de quem cuida: projeto de intervenção como estratégia de aprendizagem no internato em medicina

PID: S1981-52712022000100401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Gomes Florentino Oliveira Silva Souza
Resumo: Introdução: Este trabalho descreve a experiência de estruturação de um grupo terapêutico com cuidadores informais que apresentavam sinais de sobrecarga e que atuavam na prestação de cuidados a pessoas acamadas acompanhadas em visita domiciliar pela equipe de saúde da Estratégia de Saúde da Família (ESF). Relato de Experiência: O grupo foi estruturado e desenvolvido por duas alunas do período de Internato do curso de Medicina no rodízio de Medicina de Família e Comunidade (MFC) junto a médica residente do segundo ano do Programa de Especialização em MFC, a preceptora do Programa e a enfermeira da equipe na unidade escola Josefa de Souza Silva, bairro Pedra Linda, em Petrolina-Pernambuco, a partir da identificação de um problema na comunidade e como parte do projeto de intervenção. Discussão: Foram realizados sete encontros semanais com doze cuidadores, no período de maio a julho do ano de 2019. Cada encontro foi dividido em acolhida, apresentação da proposta do dia com a vivência de uma prática de autocuidado e finalizado com a sugestão de uma atividade para casa, a ser desenvolvida até o próximo encontro. Para o desenvolvimento das atividades foram utilizadas a abordagem comunitária e recursos como Educação Popular e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Conclusão: Foi observada a diminuição do estresse e sobrecarga nos cuidadores, a partir da prática do autocuidado e do fortalecimento das redes de apoio na comunidade. Paralelamente, foi percebida a potencialidade do projeto de intervenção como estratégia de aprendizado no processo de formação médica na ESF: as alunas puderam experimentar o estabelecimento da relação médico-paciente, o uso de tecnologias leves para o cuidado, a coordenação de um grupo terapêutico, compreender o significado de equidade, integralidade e longitudinalidade na prática da MFC, se reconhecerem como cuidadoras e a importância de cuidar de si para cuidar do outro.

Currículo informal singular: eletividade na formação médica durante a pandemia

PID: S1981-52712022000200209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Cruz Camelier-Mascarenhas Queirós Ferreira Guedes
Resumo: Introdução: A interrupção das atividades de ensino imposta pela pandemia de Sars-CoV-2 ofereceu uma oportunidade ímpar de analisar os hábitos de estudo extracurriculares dos estudantes de Medicina, buscando compreender como a inexistência de um direcionamento institucional temático impactou a formação médica durante esse período de isolamento social. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência, as temáticas e as principais fontes dos estudos durante o período de suspensão de aulas na pandemia. Método: Trata-se de um estudo analítico e descritivo com dados colhidos a partir de um questionário virtual aplicado a estudantes de Medicina de uma instituição de ensino superior. Resultado: A partir da suspensão total das aulas, dos 310 participantes, 152 (49,0%) discentes alegaram ter estudado temas relacionados à área de ciências da saúde e 93 (30,0%) estudaram temas não relacionados à área de ciências da saúde. Estatisticamente, houve preferência exclusiva por uma área outra (p < 0,001), indicando dois perfis de estudo no período. Os interesses temáticos mais abundantes foram aqueles abordados em eventos médicos virtuais, como congressos ou simpósios, bem como os relacionados à Covid-19. Entre os temas mais citados, destacaram-se: fisiologia, clínica médica e geral ou especializada, anatomia, idiomas, finanças e filosofia. Conclusão: A despeito da suspensão das atividades acadêmicas curriculares, os estudantes buscaram novos aprendizados de acordo com suas demandas intelectivas, denotando o desenvolvimento de um currículo informal singularizado.
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