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Currículo médico baseado em competência e especialização voltada à atuação na atenção primária à saúde

PID: S1981-52712022000100203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Cuoghi Germano Melo Avó
Resumo: Introdução: O curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi criado com o objetivo de formar profissionais generalistas que atendessem à demanda de reestruturação do modelo de assistência proposto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, optou-se por um currículo orientado por competência, com inserção longitudinal dos estudantes em cenários assistenciais da atenção primária à saúde (APS) do primeiro ao sexto ano e a adoção de metodologia ativa de ensino-aprendizado. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar em que medida o curso de Medicina implantado na UFSCar, considerando seus aspectos didáticos e organizacionais, resultou na formação de profissionais voltados à atuação na APS. Método: Foram convidados a participar do estudo médicos egressos das turmas I a V da UFSCar. Mediante aceite, encaminhou-se um questionário virtual que contemplava: identificação, análise do perfil profissional e análise de fatores que influenciaram a escolha da especialidade e de fatores que contribuíram ou não para a aproximação da APS. Os resultados foram submetidos à análise descritiva e apresentados como média ± DP ou frequência absoluta (porcentagem), conforme a variável. Resultado: Dos 183 alunos contatados, 77 responderam à pesquisa. Destes, 73 (94,8%) escolheram fazer especialização, e um optou por atuar na APS como médico de família e comunidade. O elemento que mais influenciou, positiva e negativamente, a escolha da especialidade foi o contato com a área médica durante a graduação. Com relação aos fatores que poderiam ter despertado o interesse dos estudantes para atuar na APS, 13 dos 16 elementos avaliados (81,2%) não contribuíram. Conclusão: À semelhança de outros cursos de Medicina do Brasil, os egressos do curso de Medicina da UFSCar optaram por fazer especializações não voltadas à atuação na APS, em dissonância com o modelo de reestruturação da assistência proposto pelo SUS.

Depressão, estigma e preconceito: o que pensam os estudantes de Medicina?

PID: S1981-52712022000300210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Soeiro Flexa Ferro Lima Porto
Resumo: Introdução: A depressão é um grave problema de saúde pública, e o Brasil é o país com maior número de registros na América Latina. Entretanto, tal panorama ainda precisa ser mais problematizado no campo da educação médica, de modo a estimular o efetivo enfrentamento dos fatores que impactam a saúde mental dos estudantes. Objetivo: O objetivo deste estudo foi conhecer a percepção dos estudantes de Medicina sobre a depressão, com ênfase no estigma e preconceito associados ao tema. Método: Trata-se de um estudo observacional, descritivo e quantitativo, realizado com a utilização de questionário em formato on-line. O estudo teve aprovação prévia de Comitê de Ética em Pesquisa e contou com a participação de 131 discentes do curso de Medicina, matriculados nos ciclos básico, clínico e de internato. Resultado: A maioria dos acadêmicos definiu a depressão como uma doença (99,2%). Do total, apenas sete (5,3%) classificaram como excelentes os conhecimentos sobre a temática, ainda que a maioria tenha tido contato com o tema na graduação, principalmente no primeiro e terceiro anos. Também foi observada alta concordância com afirmativas relacionadas ao preconceito, ao estigma e à discriminação atribuídos a pessoas acometidas por depressão, além da interferência desses fatores na busca por ajuda profissional. Ademais, a depressão foi considerada uma condição negligenciada no ambiente acadêmico, o que se expressa na dificuldade de compartilhamento dos problemas enfrentados pelos estudantes, especialmente com professores e colegas de curso. Conclusão: A percepção dos estudantes demonstra que o estigma e preconceito relacionados à depressão se refletem no contexto da educação médica, havendo necessidade de intervenções que favoreçam um ambiente mais acolhedor aos alunos que enfrentam problemas dessa natureza.

Desempenho cognitivo dos estudantes de Medicina no Teste de Progresso

PID: S1981-52712022000500204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Queiroz Bessa Chiesa
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso (TP) é uma avaliação seriada e formativa, com conteúdo cumulativo desejável ao final do curso. O TP fornece um feedback do desenvolvimento cognitivo do estudante. Para o curso, faz uma avaliação diagnóstica do currículo e permite identificar potencialidades e possíveis falhas ao longo do processo de formação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a evolução cognitiva de graduandos de uma escola médica da Região Nordeste do país por meio do TP. Método: Trata-se de estudo observacional, analítico, transversal, com abordagem quantitativa, em que se utilizaram os resultados dos TP das turmas de 2013 a 2016 do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza. Foram incluídos os resultados dos TP de 2013 a 2021, descritos pela porcentagem da média de cada escore, calculado o diferencial de desempenho entre o primeiro e sexto anos, pelo teste T pareado e pelo coeficiente de correlação de Pearson para os resultados do sexto ano. O estudo respeitou os aspectos éticos e foi aprovado pelo Comitê de Ética da IES. Resultado: Foram incluídos os resultados de 361 estudantes (88,0%) de seis turmas que participaram do teste desde S1. Verificou-se um aumento progressivo no desempenho cognitivo global em cada turma ao longo dos seis anos de TP. A diferença de desempenho (DDO) da turma 2015.2 foi superior às demais (p = 0,047; R = 0,73). O grau de dificuldade das provas foi semelhante. Em relação ao desempenho global do sexto ano, houve diferença no desempenho dos alunos entre as turmas, variando de 64,3% em 2016.2 a 72,5% em 2014.2 (p = 0,003; R = 0,85). A partir do terceiro ano, a análise do desempenho mostrou-se crescente para todas as turmas. O desempenho nas áreas de cirurgia e saúde coletiva apresentou maior variação entre as turmas. Conclusão: O TP confirmou ser uma ferramenta importante para a avaliação formativa dos estudantes e para o diagnóstico do currículo.

Desenvolvimento de um novo instrumento para avaliar a qualidade da comunicação de más notícias pelos médicos.

PID: S1981-52712022000200216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Burg Oliveira Filho Castanhel Schuler Grosseman
Resumo: Introdução: A maioria dos instrumentos para avaliar a comunicação de más notícias pelos médicos foi desenvolvida para pacientes com câncer e adaptada a outros contextos. Na prática clínica, muitas notícias podem não ser consideradas tão ruins pelos médicos, mas possuem um impacto importante negativo na vida dos pacientes. Assim, ainda há a necessidade de instrumentos para avaliar essa comunicação nos diversos cenários clínicos. Objetivo: desenvolver, a partir da perspectiva dos pacientes, um instrumento para avaliar como os médicos comunicam más notícias na prática clínica. Método: o estudo foi realizado usando uma abordagem qualitativa exploratória, através de entrevistas semiestruturadas em profundidade com 109 pacientes em dois hospitais de referência no Brasil. A análise de conteúdo foi utilizada para gerar categorias, a partir das quais os itens iniciais do instrumento foram desenvolvidos. A clareza e a relevância dos itens foram avaliadas por um comitê de 11 profissionais médicos e 10 pacientes. Resultados: O instrumento incluiu itens sobre as atitudes dos médicos como atenção, respeito e sinceridade e sobre o compartilhamento de informações compreensíveis na linguagem do paciente. O instrumento inicial foi composto por 19 itens, respondidos em uma escala-Likert de 5 pontos. Após avaliação do comitê de juízes, 2 itens foram modificados e 3 foram excluídos; ficando o instrumento final com 16 itens. Conclusão: um novo instrumento com 16 itens foi desenvolvido a partir da perspectiva dos pacientes para avaliar a comunicação de más notícias pelos médicos. Após validação adicional, este instrumento poderá ser útil em cenários reais e diversos de más notícias da prática clínica.

Distribuição da semiologia do adulto nas escolas médicas do Brasil

PID: S1981-52712022000300213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Moniz Rodrigues Silva Junior Grosseman
Resumo: Introdução: A semiologia é a base da prática clínica e seu ensino é essencial no curso de Medicina. Este estudo foi desenvolvido por haver uma lacuna no conhecimento sobre sua distribuição no Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição da semiologia do adulto nas escolas médicas brasileiras. Método: Trata-se de um estudo transversal descritivo realizado com 226 escolas médicas brasileiras que disponibilizavam a distribuição de semiologia na internet entre as 335 ativas, em dezembro de 2020 (67,5%). As variáveis estudadas foram região geográfica, administração, gratuidade e tempo de existência da escola, carga horária do curso, do internato e de semiologia, e ano(s) ou semestre(s) em que a semiologia era ofertada no currículo. A análise dos dados foi descritiva, e analisaram-se as associações com os testes: t de Student, análise de variância, qui-quadrado de Pearson, U de Mann-Whitney, Kruskal-Wallis e Wilcoxon. Admitiu-se um nível de significância de p < 0,05. Resultado: A semiologia foi mais frequentemente ofertada apenas no quarto semestre (n = 40), seguida por sua oferta em dois semestres: quarto e quinto e terceiro e quarto. Entre as 226 escolas, 142 integravam os conteúdos em módulos ou eixos (62,8%). Entre 117 escolas que forneciam a carga horária de semiologia, mediana foi de 240,0 horas (P25-75 = 165,4 - 338,2), sem diferença estatística por região geográfica, administração, gratuidade e tempo de existência da escola. A mediana da carga teórica de semiologia [77,5 horas (P25-75 = 51,7 - 123,5)] foi menor do que a carga prática [147,0 horas (P25-75 = 64,5 - 180,0)], Z = -3,99, p < 0,01. A mediana da porcentagem da carga horária de semiologia no curso foi de 2,9% (P25-75 = 2,0 - 4,0). Conclusão: A semiologia é mais frequentemente ofertada no quarto semestre, e sua carga horária não difere por características geográficas, de administração e tempo de existência das escolas estudadas.

Educação interprofessional na formação em saúde no Brasil: scoping review

PID: S1981-52712022000300303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Prevedello Góes Cyrino
Resumo: Introdução: A educação interprofissional (EIP) pode ser um caminho para aprimorar o cuidado em saúde ao promover oportunidades para que estudantes desenvolvam competências para trabalho em equipe, prática colaborativa e integralidade do cuidado; contudo, os efeitos da implementação da EIP no Brasil precisam ser explorados. Objetivo: Este estudo teve como objetivo mapear a produção científica brasileira sobre a aprendizagem de alunos de cursos da saúde no contexto da EIP, os desafios e os avanços para formadores e gestão. Método: Trata-se de uma scoping review para responder à seguinte questão: “Como tem ocorrido a aprendizagem de estudantes brasileiros em processos formativos que utilizam a abordagem da EIP na visão do estudante, formador e gestor?”. A busca ocorreu nas bases Web of Science, Periódicos Capes, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde, com o descritor/palavra-chave “educação interprofissional”. Buscaram-se trabalhos de 2010 a 2020, publicados em português, inglês ou espanhol, em que o Brasil foi o país de publicação ou de origem do estudo. Identificaram-se 145 estudos, dos quais 53 eram duplicados. Analisaram-se 92, e 28 compuseram a amostra final. Os achados foram organizados em “EIP na perspectiva do estudante”; “Formadores na ótica da EIP”; “Avanços e desafios na gestão de ensino e saúde”; “Recomendações para EIP no contexto brasileiro”. Resultado: O público-alvo envolveu estudantes, residentes, formadores e equipe de saúde, totalizando 2.886 participantes. A aprendizagem na lógica da EIP permite ao estudante reconhecer a integralidade da assistência ao paciente e o SUS como norteador das ações de saúde. Os formadores são relevantes no desenvolvimento do trabalho colaborativo, mas têm pouca capacitação pedagógica, pouca motivação e pouco apoio institucional. A gestão compreende a EIP como ferramenta complementar no apoio a outras reformas brasileiras, contudo esforços são necessários para a integração ensino-serviço-comunidade e a promoção do currículo integrado. Conclusão: Quando se realizou o mapeamento sobre EIP, identificou-se que os estudos estão alinhados com o SUS para a transformação da formação e a qualificação do cuidado, demonstrando a potencialidade da EIP para os currículos da saúde. A aprendizagem de alunos, mediada pela interprofissionalidade, tem facilitado o desenvolvimento das competências requeridas, de modo a atender às DCN e às necessidades do SUS, apesar dos diversos desafios enfrentados pelos estudantes, formadores e gestores.

Educação médica em reanimação cardiopulmonar: transposição didática do presencial-tradicional para o remoto-interativo com simulação

PID: S1981-52712022000300401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Holanda Osis Sousa Macedo Puggina Campanharo Rodrigues Thomaz
Resumo: Introdução: A transposição didática do processo de ensino-aprendizagem presencial-tradicional para o remoto-interativo com simulação em reanimação cardiopulmonar foi uma estratégia implementada por docentes para promover a educação cognitiva, psicomotora e reflexiva sobre aspectos éticos de estudantes de Medicina primeiranistas em tempos de pandemia. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência de abordagem descritiva e reflexiva, resultado colaborativo multiprofissional e multidisciplinar de oito docentes, visando atingir objetivos educacionais. Ocorreu em 2021, na Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), nas disciplinas de Fundamentos Assistenciais e Noções de Primeiros Socorros, e Bioética e Humanidades Médicas. As atividades foram planejadas para serem realizadas com os 120 estudantes matriculados, por meio da plataforma Google Sala de Aula, vinculada à conta institucional, de maneira síncrona e assíncrona. Combinaram-se diferentes estratégias de ensino, materiais, mídias e linguagens com materiais didáticos on-line hipermidiáticos e off-line multimidiáticos, compostos por diferentes tipos/formatos. Discussão: A transposição foi singular e desafiadora para docentes e discentes. Fundamentou-se o trabalho colaborativo interprofissional docente na integração das duas disciplinas e na materialização da educação nas dimensões teóricas e práticas simuladas. Acredita-se que a abordagem utilizada, combinando alguns meios tecnológicos, simuladores artesanais, possibilitou, no contexto das restrições impostas pela pandemia em curso, o ensino e a aprendizagem em suporte básico de vida, na temática reanimação cardiopulmonar. Os estudantes tiveram a oportunidade de desenvolver competências cognitivas, técnicas e comportamentais, e avaliar o seu progresso, realizando e recebendo feedbacks imediatos, bem como por meio de avaliação formativa sem atribuição de nota. Conclusão: A transposição didática do processo de ensino e aprendizagem mediada por tecnologias possibilitou que os estudantes se aproximassem do conteúdo teórico e participassem de simulações clínicas em seus lares com segurança. Porém, não há um estudo comparativo que mostre que o desenvolvimento foi semelhante ao presencial. Consequentemente, será necessário que a assessoria pedagógica avalie as possíveis lacunas de aprendizagem e como poderão ser superadas ao longo do curso.

Educação médica, raça e saúde: o que falta para a construção de um projeto pedagógico antirracista?

PID: S1981-52712022000400201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Cabral Batista Gomes Fontenele Rocha
Resumo: Introdução: Embora a educação médica esteja pautada, hegemonicamente, por princípios universalistas e igualitários, este artigo pretende tensionar tais concepções ao considerar a heterogeneidade e a multiplicidade imbricadas no saber-fazer médico ante as determinações históricas, sociais e locorregionais de saúde. Para compreender a medicina nesse panorama complexo, é preciso que a produção de conhecimento, desde a construção de projetos pedagógicos e currículos de graduação, privilegie a equidade em saúde, abrangendo, sobretudo, o cuidado destinado às minorias sociais. Nesse substrato, encontra-se a população negra, coletivo majoritário no Brasil, principalmente na Região Nordeste, que enfrenta diversas fragilidades no alcance de uma atenção à saúde integral. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar os projetos pedagógicos dos cursos (PPC) de graduação em Medicina, do Nordeste brasileiro, e suas interfaces com conteúdos que contribuam para a formação médica no enfrentamento das iniquidades da saúde da população negra. Método: Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e transversal, com análise de 23 PPC de graduação em Medicina de 13 universidades públicas federais da Região Nordeste. Realizou-se também a correlação dos dados com achados científicos e referenciais teóricos que abordam a temática de saúde da população negra e formação médica. Resultado: Identificou-se a presença de disciplinas obrigatórias e optativas sobre a contextualização de raça na saúde em seus aspectos essenciais, o que permite proporcionar aos estudantes de Medicina a compreensão histórica e sociocultural da negritude. Entretanto, é imperioso enfatizar o déficit na abordagem prática com escassez de temas transversais, propostas de internato ou estágio e fomento de programas de extensão, bem como de políticas institucionais de incentivo ao assunto, o que sinaliza o pouco valor atribuído ao campo da experiência para a compreensão da saúde racializada e fortalece o esvaziamento de práticas específicas à saúde da população negra, diminuindo a capacidade médica de interpretar situações, práticas e condutas de maneira efetiva. Conclusão: Este artigo evidencia, portanto, que o fomento de uma educação médica antirracista exige uma formação pautada na práxis dialógica, humanista e crítico-reflexiva da saúde da população negra, sendo necessário correlacionar teorias com habilidades, competências e atitudes assistenciais pautadas no conhecimento racializado para a construção de PCC dos cursos de Medicina.

Empatia em estudantes de Medicina: análise em função do período da graduação e perfil sociodemográfico

PID: S1981-52712022000300211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Pachêco Costa
Resumo: Introdução: A empatia, tida como uma das características mais marcantes dos grandes profissionais médicos, é o elemento central da relação médico-paciente e do cuidado centrado na pessoa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar como se manifestam os níveis de empatia em estudantes de Medicina ao longo da graduação. Método: Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, analítica, observacional e transversal, realizado numa instituição privada de ensino superior, situada no Nordeste do Brasil. A pesquisa se deu por meio da aplicação da Escala Jefferson de Empatia Médica - versão para estudantes (JSPE-vs) e da correlação dos dados obtidos na escala com o período da graduação e o perfil sociodemográfico dos estudantes, a fim de verificar quais correlações se mostram significativas para a expressão dos níveis de empatia dos estudantes, bem como se há erosão dela durante a formação. A coleta de dados ocorreu entre os meses de outubro e novembro de 2020. Contou com 193 participantes entre ingressantes, intermediários e concluintes do curso de Medicina. A amostragem utilizada foi por acessibilidade e conveniência. Resultados: A pontuação média global do nível de empatia no conjunto de todos os participantes do estudo (n = 193) foi de 123,56 ± 11,73. Quanto ao período, obteve-se o seguinte resultado: ingressantes = 124,78 ± 9,85, intermediários = 124,00 ± 11,87 e concluintes = 120,63 ± 13,57. Não se verificou diferença estatística entre os escores global ou por fator na comparação entre os três grupos estudados. E na correlação da JSPE-vs com o perfil sociodemográfico, as variáveis sexo feminino e motivo de escolha do curso por vocação foram preditoras de escores maiores de empatia. Conclusão: Não se evidenciou erosão dos níveis de empatia nos estudantes de Medicina ao longo da graduação, e os discentes do sexo feminino e aqueles que escolheram o curso por se sentirem vocacionados para tal mostraram níveis de empatia significativamente maiores. Mais estudos sobre esse tema são fundamentais, tendo em vista a importância de uma postura técnico-científico-humanística equilibrada para o exercício de uma medicina de excelência.

Empatia em estudantes de Medicina: efeitos de um programa de gerenciamento do estresse

PID: S1981-52712022000200201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Catarucci Carvalho Andrews Burdmann Patrício
Resumo: Introdução: O curso de graduação em Medicina expõe os alunos a uma quantidade significativa de estresse, o que pode gerar consequências negativas para o aprendizado, a motivação e o contato com os pacientes. A falta de empatia na relação médico-paciente pode dificultar a adesão ao tratamento e os resultados nele. Algumas técnicas e práticas de medicina integrativa (mente e corpo) têm sido indicadas para auxiliar no manejo e na redução do estresse. Essas intervenções que envolvem práticas de meditação e que já são utilizadas em escolas médicas podem auxiliar no desenvolvimento da empatia e na visão da integralidade do cuidado. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar o efeito de um programa de Redução de Estresse e Desenvolvimento da Empatia na Medicina (Redemed©) no nível de empatia de estudantes de graduação em Medicina. Método: O programa foi composto por oito encontros de duas horas cada, envolvendo práticas de meditação, posturas de ioga e atividades de grupo direcionadas ao aperfeiçoamento de interações interpessoais. O grupo intervenção foi composto por 47 alunos, e o grupo controle, por 40 estudantes. Utilizou-se a Escala Jefferson de Empatia Médica, versão para estudantes (JSPE-S), para avaliar o nível de empatia antes e depois da intervenção. Resultado: O aumento do nível de empatia no grupo que recebeu a intervenção foi significativo quando comparado ao grupo controle (p: 0,000). Conclusão: A participação no programa Redemed© se mostrou eficaz no aumento da empatia entre estudantes de graduação de um curso de Medicina.

Ensino híbrido para ensino de patologia renal na residência médica: um relato

PID: S1981-52712022000300402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Guedes Silva Goulart Santos Rodrigues Diniz Júnior
Resumo: Introdução: O ensino híbrido pode ser utilizado como recurso pedagógico às formas tradicionais de ensinar. A ausência de um laboratório de patologia renal pode gerar uma lacuna na formação de médicos residentes em nefrologia. Este estudo descreve como a complementação do conteúdo com o uso de um atlas on-line de patologia renal foi descrita por médicos residentes. Relato de experiência: Um atlas virtual de patologia renal elaborado por preceptores das residências médicas de nefrologia e patologia foi apresentado a oito médicos residentes matriculados no serviço, que, durante 15 dias, incluíram os estudos desse conteúdo em suas atividades. Os residentes avaliaram a experiência de ensino-aprendizagem por meio de um grupo focal. Discussão: Estratégias de ensino on-line podem ser utilizadas para complementar o conhecimento adquirido durante a residência médica. No entanto, é importante que essa etapa da estratégia de ensino híbrido seja motivadora na visão do estudante e se adapte ao momento vivenciado pelos médicos residentes, os quais já possuem carga de trabalho determinada. Esses pontos estiveram entre os temas emergentes na análise temática do conteúdo do grupo focal, que também incluiu sugestões dos alunos em como modificar a apresentação do conteúdo. Conclusão: A inserção de estratégias de ensino híbrido pode auxiliar a formação dos médicos residentes, bem como abrir espaço para a produção discente. Parcerias interinstitucionais devem ser desenvolvidas para suprir barreiras à elaboração de e-learning pelos formadores médicos.

Estudos sobre a formação em pesquisa na educação médica: um estado da questão

PID: S1981-52712022000400305 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Souza Nóbrega-Therrien Souza Moreira Forte
Resumo: Introdução: É notória a crescente importância dada à formação em pesquisa na educação médica por todo o mundo, o que é refletido na crescente produção científica com essa temática. Nesse cenário, o estado da questão (EQ) surge como uma ferramenta de produção bibliográfica que promove um panorama das pesquisas produzidas sobre um determinado tema, sendo capaz de proporcionar uma maior aproximação ao objeto de pesquisa e uma estimativa dos avanços que a pesquisa naquele campo pode alcançar. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar as investigações feitas sobre a formação em pesquisa na educação médica e classificá-las considerando o local, o tipo e as intencionalidades delas. Método: Trata-se de um EQ cujo objeto de estudo é a formação em pesquisa na educação médica. Utilizaram-se descritores relacionados à formação em pesquisa e à educação médica nos idiomas português, espanhol e inglês. Foram pesquisadas duas bases de dados para dissertações e teses nacionais (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e Catálogos de Teses e Dissertações da Capes) e duas bases de dados para periódicos científicos internacionais (Portal de Periódicos da Capes e PubMed). Resultado: Identificaram-se 33 artigos científicos de 17 países de cinco continentes. Quatro trabalhos (12%) apresentavam-se como artigos de opinião em que os autores teorizavam sobre a importância da inserção de elementos da pesquisa nos níveis curricular e disciplinar. Sete artigos (21%) retrataram, por meio de relatos de casos, as modificações estruturais e os percursos traçados em suas instituições, assim como as implicações dessas ações na educação médica e no processo educativo. Os demais 22 artigos (67%) documentavam pesquisas empíricas com diversas intencionalidades, sendo a temática mais recorrente a identificação dos fatores que influenciam a busca do corpo discente pela participação em pesquisa. Conclusão: A formação em pesquisa na educação médica conta com um corpo de pesquisadores qualificados e periódicos especializados para sua veiculação em nível global. Ressaltamos que, a partir das buscas realizadas, não foram encontrados estudos no contexto de teses e dissertações, tornando este um campo aberto para pesquisadores aprofundarem e acumularem conhecimento.

Experiências mundiais em preceptoria na graduação médica: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712022000100301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Nordi Kishi Carvalho Evangelista Gaion Saggin Maida Silva
Resumo: Introdução: O preceptor, como médico que facilita o processo ensino-aprendizagem nos cenários de prática, é essencial para o ensino em serviço na graduação em Medicina. A importância desses profissionais na formação de novos médicos expõe a necessidade de compreender a atividade de preceptoria na perspectiva da educação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar, na literatura científica, as experiências mundiais em preceptoria na graduação em Medicina. Método: Trata-se de revisão integrativa da literatura a partir de descritores padronizados nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Scientific Electronic Library Online (SciELO), entre 2009 e 2019. A análise dos artigos foi realizada por meio da técnica de categoria temática. Resultado: A busca nas bases de dados resultou em 274 estudos, dos quais 23 foram analisados e discutidos na íntegra. O detalhamento das experiências mundiais em preceptoria foi sistematizado em duas categorias: aspectos intrínsecos e extrínsecos para o exercício da preceptoria e estratégias educacionais utilizadas pelo preceptor. Conclusão: A análise dos artigos indica a importância da atuação dos estudantes em conjunto com os preceptores para aquisição de competências profissionais. Um fator crítico para o sucesso do acompanhamento de estudantes na prática profissional é a capacidade do preceptor em assumir o papel de educador, de modo a enxergar o estudante na sua singularidade e no desenvolvimento integral. Dessa forma, fica mais evidente a relevância da qualificação dos preceptores.

Fatores associados a ansiedade, depressão e estresse em estudantes de Medicina na pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712022000400203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Barros Coimbra Neto Campanholo Ritter Silva Almeida
Resumo: Introdução: O curso de Medicina apresenta alta prevalência de transtornos mentais, e essa situação é agravada com a pandemia da Covid-19. Objetivo: Assim, o objetivo deste estudo foi analisar os fatores associados aos sintomas de ansiedade, depressão e estresse em estudantes de Medicina durante o período pandêmico. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. Foram aplicados dois questionários: um sobre dados sociodemográficos, pessoais e acadêmicos, e a DASS-21. Resultado: Investigou-se uma amostra de 274 estudantes de Medicina. A maioria dos participantes era do sexo feminino (63,5%) com idade que variava de 21 a 25 anos (58,4%). Dos entrevistados, 40,1% raramente encontraram os amigos. A maior parte estava insatisfeita com o rendimento acadêmico (79,9%) e acusou piora na qualidade de vida (54,7%). Em relação aos dados sociodemográficos, foi evidenciada uma incidência muito maior de depressão, ansiedade e estresse em estudantes do sexo feminino (p < 0,0001). No que diz respeito aos dados pessoais e clínicos, os estudantes que já tinham doença psiquiátrica apresentaram mais comumente ansiedade, estresse e depressão (p < 0,0001), e aqueles já faziam terapias psicológicas tiveram o mesmo resultado (p < 0,0001). Quanto aos aspectos acadêmicos, no grupo que referiu já ter pensado em abandonar o curso, houve maior incidência de depressão, ansiedade e estresse (p < 0,0001), bem como quem referiu piora na qualidade de vida durante a pandemia teve depressão, ansiedade e estresse com maior frequência (p < 0,0001). Conclusão: Este estudo evidenciou aspectos sociodemográficos, pessoais e acadêmicos, e, consequentemente, os fatores que estiveram associados a maiores níveis de ansiedade, depressão e estresse em estudantes de Medicina durante a pandemia da Covid-19. Tendo em vista o impacto da pandemia na saúde mental dos estudantes, é essencial a adoção de medidas e programas específicos que visem à diminuição e à prevenção dos transtornos psíquicos no ambiente estudantil.

Fatores associados à ansiedade/depressão nos estudantes de Medicina durante distanciamento social devido à Covid-19

PID: S1981-52712022000300208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Souza Souza Alves Cordeiro Carvalho Costa Silva-Junior Souza
Resumo: Introdução: Os processos formativos na educação médica possuem fatores estressores e possíveis desencadeadores de transtornos mentais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo determinar a prevalência e os fatores associados aos sinais e sintomas de ansiedade e depressão nos estudantes de Medicina durante o distanciamento social devido à pandemia pela Covid-19. Método: Realizou-se um estudo de corte transversal entre maio a junho de 2020, com estudantes de Medicina das instituições de ensino superior do estado de Pernambuco, no Brasil. Elaborou-se um questionário on-line por meio do Google Forms contendo características sociodemográficas e clínicas, e a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (EHAD). Para análise estatística, realizou-se análise multivariada, e calcularam-se a razão de risco (RR) e o intervalo de confiança de 95% (IC95%), considerando o coeficiente de significância p < 0,05. Resultado: As variáveis associadas ao maior risco de sinais e sintomas de ansiedade foram sexo feminino, diminuir/aumentar o hábito de fumar, aumentar/não alterar o consumo de medicamentos, diminuir/não praticar lazer, não preparação da universidade para o ensino a distância (EAD), ter EAD antes da pandemia e diminuição do rendimento escolar comparado aos períodos anteriores. Quanto à depressão, observaram-se os seguintes fatores: maior risco para aumentar/não alterar o uso de medicamentos, diminuir a prática de lazer, universidade não ter se preparado para o EAD, diminuição do rendimento escolar e cor de pele parda. Conclusão: Identificaram-se diferentes fatores relacionados aos sinais e sintomas de ansiedade e depressão no período de distanciamento social causado pela pandemia da Covid-19.

Fatores contribuintes para escolha da pediatria como especialidade médica

PID: S1981-52712022000200210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Guerra Júnior Daltro
Resumo: Introdução: A escolha da carreira médica representa uma importante decisão do profissional, cuja motivação pode ser determinada por fatores internos ou externos ao indivíduo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender os fatores que contribuíram para a esco-lha da pediatria entre os pediatras de um hospital universitário. Método: Trata-se de estudo descritivo, exploratório e qualitativo, realizado em um hospital universitário com 14 pediatras. A coleta de dados foi realizada entre fevereiro e abril de 2021 por meio de entrevistas semiestruturadas. Analisaram-se os dados com base na análise de conteúdo. Resultado: A identificação com crianças, a satisfação profissional, o perfil clínico e a maternidade foram fatores internos que motivaram a escolha dos pediatras. Dos fatores externos, o ambiente, os aspectos da criança, a família e os profissionais foram fundamentais para decisão. Conclusão: A afinidade com as crianças, a exposição ao campo de prática, a relação com os pro-fessores e a identidade com o trabalho clínico contribuíram para a escolha da pediatria.

Flutuação do desempenho acadêmico de alunos de medicina selecionados por políticas afirmativas (PIMESP)

PID: S1981-52712022000100205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Marcomini Neto Fucuta Brienze Lima Brienze André
Resumo: Introdução: Depois de quase 20 anos desde o início da materialização das ações afirmativas, ainda há muita discussão sobre a real efetividade dessas medidas, principalmente, no que tange ao desempenho acadêmico, quando se comparam “cotistas” e “não cotistas”, surgindo dúvidas se aqueles conseguem acompanhar estes. Objetivo: Este estudo teve como objetivos traçar um perfil do desempenho acadêmico e compará-lo e os demais aspectos relacionados à vida acadêmica dos alunos “cotistas” (Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista - Pimesp) com os demais alunos de suas respectivas turmas selecionados via ampla concorrência (AC). Método: Trata-se de coorte retrospectiva de alunos da primeira à terceira série de Medicina, divididos em AC ou Pimesp. Avaliaram-se os seguintes aspectos: média aritmética das notas finais das disciplinas curriculares, situação final de aprovação nas disciplinas (SFA), frequência, títulos emprestados na biblioteca (TEB) e participação em monitorias/centro acadêmico. As variáveis contínuas foram comparadas pelo teste t de Student ou Mann-Whitney, e as categóricas, por qui-quadrado ou exato de Fisher. Valores p < 0,05 foram considerados significantes. Resultado: Participaram do estudo 237 alunos. Todos haviam concluído a primeira série (ingressantes de 2015, 2016 e 2017); 158 alunos (ingressantes de 2015 e 2016), a primeira e segunda séries; e 78 (32,9%) haviam concluído a terceira série (ingressantes de 2015) no momento da pesquisa. Na análise de todos os que haviam concluído a primeira série, dos quais 16% faziam parte do Pimesp, houve diferença nas médias das notas finais e da SFA, maior para alunos AC, e não houve diferença para frequência, TEB, participação em monitorias e centro acadêmico. Na análise dos que haviam concluído a segunda série, dos quais 15,8% faziam parte do Pimesp, não houve diferença entre nenhuma das variáveis estudadas. A análise dos que haviam concluído a terceira série, dos quais 15,4% faziam parte do Pimesp, mostrou novamente diferença entre as médias das notas finais e da SFA, maior para alunos AC, porém com uma diferença menos acentuada, e não houve diferenças significativas para as demais variáveis. Conclusão: Observou-se flutuação do desempenho acadêmico dos estudantes Pimesp, para menor, em relação aos estudantes AC, ao longo dos três primeiros anos do curso de Medicina, mas não para outras variáveis. Não foi observado aumento do índice de evasão, contrariando a literatura.

Formação docente no curso de Medicina: como podemos melhorar?

PID: S1981-52712022000400207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Bivanco-Lima Klautau Knopfholz
Resumo: Introdução: As instituições de ensino superior (IES) têm valorizado progressivamente a educação permanente do corpo docente. Mudanças no perfil de aprendizado, o amplo acesso digital ao conhecimento e novas competências exigidas aos médicos pela sociedade induzem necessidades de atualizações nas práticas docentes, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar as necessidades de desenvolvimento, as práticas educacionais utilizadas e a visão sobre o ensino na perspectiva de docentes de graduação em Medicina. Método: Trata-se de estudo transversal, com amostra de conveniência formada por coordenadores de disciplinas de graduação de uma IES paulistana, com dados coletados entre agosto e setembro de 2020 por meio de questionário eletrônico. Os dados foram analisados por meio de proporções e teste do qui-quadrado e teste exato de Fischer. O nível de significância foi de 5%. Resultado: Do total de 68 coordenadores de disciplina da IES, participaram 47 (69,1%). Destes, 26 (55,3%) se declararam do gênero feminino e 21 (44,7%) do gênero masculino, 17 (36,2%) eram de disciplinas do primeiro biênio, 20 (42,6%) do segundo biênio e dez (21,1%) do terceiro biênio (internato). A maioria dos coordenadores (93,6%) relatou motivação para participar de ações de formação docente, especialmente para inclusão de inovações em suas disciplinas (85,1%). Relataram maior necessidade para atualização em métodos de ensino e de avaliação. As mulheres citaram, com maior frequência, a necessidade de formação em avaliação (p = 0,04). Nas práticas educacionais relatadas, as mulheres incorporaram mais atitudes (p = 0,02) e habilidades no planejamento educacional (p = 0,007), assim como relataram utilizar mais avaliação formativa (p = 0,03) e maior formação prévia para uso de metodologias ativas (p = 0,02). Apesar de a valorização do diálogo com os estudantes ser apontada pela maioria dos docentes, práticas centradas no estudante foram descritas em menor percentual das respostas Conclusão: Há motivação de os coordenadores de disciplinas se engajarem em ações de formação docente, tendo sido identificadas diversas necessidades quanto às práticas educacionais, contudo observaram-se algumas diferenças entre os gêneros. Embora a maioria apresente uma visão dialógica do processo ensino-aprendizagem, essa concepção ainda não está implementada na prática relatada em suas disciplinas.

Formação interprofissional na graduação em saúde: revisão sistemática de estratégias educativas

PID: S1981-52712022000300301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Isidoro Côrtes Ferreira D’Assunção Gontijo
Resumo: Introdução: A educação interprofissional (EIP) procura desenvolver habilidades colaborativas dos profissionais de saúde para a melhoria do cuidado ao paciente. Objetivo: Essa revisão explora as estratégias educacionais não pontuais utilizadas na formação interprofissional, na graduação em saúde, identificando seus potenciais e suas fragilidades. Método: A busca incluiu artigos publicados nas bases de dados BVS (LILACS), Cochrane, CINAHL, Embase e MEDLINE. Definiu-se a questão de pesquisa pelo anagrama PICO: selecionaram-se estudos que incluíssem, pelo menos, dois cursos de graduação em saúde, sendo um deles de Medicina, e que relatassem estratégia educacional mínima de 15 horas e sua avaliação. Resumos publicados em congressos, opiniões, editoriais e revisões sistemáticas foram excluídos. Resultado: Avaliaram-se 28 estudos publicados entre 2005 e 2019, sendo 31% no último biênio. Prevaleceram a simulação (36%) ou o uso de métodos combinados (29%) na avaliação de atitudes dos alunos, a compreensão dos papéis dos profissionais de saúde, o trabalho em equipe, a comunicação e o conhecimento em resposta à intervenções de EIP. Predominaram estudos nos domínios: papéis e responsabilidades (75%) e trabalho em equipe (64%). A abordagem de valores e ética (32%) e de comunicação (28%) foi menos frequente. Dos artigos, 18 (64%) apresentavam dois ou mais objetivos e seis (18%) buscavam estudar, em conjunto, os quatro domínios da EIP. Entre as intervenções utilizadas como estratégias de ensino, 36% (dez estudos) eram de simulação; 29% (oito), métodos combinados; 18% (cinco), prática clínica (trabalho colaborativo em unidades ambulatoriais ou enfermarias); 14% (quatro), observação direta (shadowing); 11%, aprendizagem baseada em problemas; e dois, aprendizado on-line (e-learning) e workshop. A qualidade geral dos estudos incluídos foi baixa, atendendo de dois a cinco dos seis critérios de qualidade. O cegamento do avaliador não foi citado em 25 publicações. O trabalho colaborativo em cenários reais é descrito como o mais eficiente. Conclusão: A EIP vem sendo incorporada ao processo de formação na saúde, e múltiplas estratégias focadas em resultados e baseadas em competências otimizam a construção de relações efetivas e o desenvolvimento de habilidades para a prática colaborativa. A fragilidade dos artigos aponta que a EIP de estudantes ainda constitui grande desafio para as instituições formadoras.

Formação na Residência Médica: visão dos preceptores

PID: S1981-52712022000200202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2022
Autores: Carvalho Filho Santos Wyszomirska Gauw Gaia Houly
Resumo: Introdução: A residência médica é uma especialização estabelecida como padrão-ouro para formar especialistas. Trata-se de uma fase profissional transformadora para o jovem médico, cuja finalidade é aprimorar a qualidade da formação médica. Ao atuar na formação do residente ao mesmo tempo que presta assistência aos usuários, o preceptor se torna uma espécie de interlocutor entre o ensino e a assistência. Cabe a esse profissional estimular os residentes a desenvolver senso clínico e ético, e há relatos de que, em geral, o preceptor não possui preparação para as funções docentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as vivências e os entendimentos dos preceptores em relação à atividade de ensino nas residências médicas. Método: Trata-se de um estudo descritivo e quantitativo, composto por 300 preceptores, de todas as faixas etárias e sexos, realizado em Maceió, em Alagoas. Foi aplicado um questionário elaborado e validado por Girotto, contendo 35 afirmações, divididas em cinco fatores, com ênfase nas opiniões dos preceptores sobre vários temas envolvendo suas atividades. Analisaram-se os percentuais de percepção positiva e de percepção negativa sobre cada afirmação. Resultado: Houve predomínio de percepção positiva sobre aptidão para atividades educacionais (88,67%), desenvolvimento de correlações teórico-práticas na preceptoria (96%), percepção de necessidade de aprendizagem (98,33%) e atualização (87%). Também houve percepção positiva sobre a presença de recursos essenciais para as atividades docentes (71%); além disso, 91% dos preceptores relataram que a preceptoria integra o residente na sua equipe. Porém, é interessante o fato de a preceptoria ser uma tarefa não remunerada (75,34%). Além disso, não há capacitações pedagógicas (72%). Conclusão: Os preceptores estão inseridos em um ambiente adequado para suas atividades docentes, com estrutura física apropriada, além de contarem com suporte da chefia e da instituição. Sentem-se aptos para ensinar, porém, em geral, não receberam capacitação docente. Os residentes estão adequadamente inseridos no ambiente da residência, o que resulta na melhora do serviço. Contudo, os preceptores, em geral, não são remunerados para essa tarefa.
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