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A voz universitária: promoção da saúde e prevenção da Covid-19 via rádio

PID: S1981-52712021000500404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Dantas Santos Carvalho Tomé Sobral Santos
Resumo: Introdução: A necessidade de garantir a autonomia do indivíduo na construção do seu bem-estar evidencia a busca de novas formas de levar conhecimento sobre saúde à população. Uma delas, pelos meios de comunicação em massa, como o rádio, pode alcançar públicos nas mais longínquas localidades, de modo a dinamizar o processo de melhoria da qualidade de vida e mudar o paradigma dos processos de saúde. Nesse sentido, nasce o projeto de extensão “A voz universitária” que leva informações de saúde e bem-estar, pela Rádio 93.1 FM, para mais de 400 mil habitantes na região da Transamazônica. Este trabalho tem como objetivo descrever as experiências dos integrantes desse projeto durante sua primeira fase. Relato de experiência: O projeto contribuiu com a distribuição de materiais informativos de formas física (cartilhas educativas) e digital e via rádio sobre temáticas gerais de saúde, qualidade de vida e cidadania. Distribuíram-se mais de três mil unidades da cartilha impressa a comunidades ribeirinhas do Xingu, além da disponibilização no formato digital à Secretaria Municipal de Educação de Altamira. Além disso, ao longo dos primeiros seis meses de implementação, o projeto abordou via rádio mais de 40 temáticas e reuniu mais de 20 profissionais de saúde locais para conversar com o público. Discussão: A garantia da autonomia do indivíduo para identificar sua urgência de ajuda e procurar auxílio quando necessário é uma forma de dinamizar as práticas de saúde, com especial atenção às comunidades historicamente marginalizadas e socialmente vulneráveis como os indígenas e ribeirinhos do Xingu, que sem acesso a outros meios de comunicação, senão o rádio, teriam mais dificuldade em receber essas informações. Assim, os meios de comunicação em massa se mostram efetivos na construção de um saber científico inclusivo para comunidades tradicionais. Conclusão: Os meios de comunicação em massa e comunicação digital são importantes ferramentas para a prática médica, pois permitem que esta saia dos muros do modelo biomédico e curativista e abra novos horizontes para a resolução dos problemas de saúde sem a necessidade da intervenção direta de um profissional, de modo a garantir a autonomia do indivíduo na construção do seu bem-estar e reaproximar a comunidade acadêmica da sociedade.

Massive online open course como estratégia para o ensino de segurança no processo de medicação

PID: S1981-52712021000100226 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Pessoa Gama Medeiros Freitas
Resumo: Introdução: Erros de medicação são comuns e causam sofrimento e custos que podem ser evitados. A mitigação da ocorrência de eventos adversos a medicamentos é tratada como prioridade pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda a inclusão do tema segurança do paciente nos currículos das profissões de saúde como medida para minimizar danos aos pacientes. Um curso on-line aberto e massivo (MOOC) sobre segurança no processo de medicação foi desenvolvido como estratégia educacional para a área da saúde e disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Sistema Único de Saúde (Avasus), em março de 2018. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a satisfação e o aprendizado dos participantes que concluíram o curso. Método: Trata-se de estudo de delineamento quase experimental não controlado. O MOOC possui uma carga horária de 30 horas e aborda temas sobre segurança na prescrição, dispensação, administração e notificação de incidentes relacionados a medicamentos. Aplicaram-se um pré-teste e um pós-teste de múltipla escolha para avaliar o nível de conhecimento dos participantes, e um questionário de satisfação foi respondido ao término do curso. Analisaram-se a confiabilidade dos instrumentos de medida, a significância da melhoria do conhecimento e os fatores associados (sexo, idade e profissão). Resultados: Dos 7.135 participantes inscritos no período de março a dezembro de 2018, 2.902 (40,7%) responderam aos instrumentos de pesquisa. A confiabilidade do questionário de satisfação foi boa (alfa de Cronbach = 0,83), e o curso foi bem avaliado como estratégia educacional (96,1%). Em relação ao nível de conhecimento, observou-se aumento significativo (antes = 8,10; depois = 8,74; p < 0,05) com melhoria relativa de 32%. O fator idade esteve diretamente associado à aprendizagem (β = 1,36; IC 95% = 0,35-2,36; p = 0,008). Conclusão: A utilização do MOOC mostrou-se efetiva para o ensino de segurança no processo de medicação, ferramenta que pode ser utilizada para a inserção do tema segurança do paciente nos currículos das profissões de saúde.

Peer mentoring como estratégia de acolhimento ao estudante e adaptação ao método PBL

PID: S1981-52712021000400202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Menezes Cunha Oliveira Souza
Resumo: Introdução: O peer mentoring (mentoria entre pares) é um modelo em que o mentor é um discente mais avançado na graduação que acompanha um grupo de alunos iniciantes (mentes). No curso de Medicina da Ufersa, o programa tem como propósitos acolher os discentes durante o primeiro semestre e contribuir para o desenvolvimento pessoal e acadêmico do mentee, na sua integração ao ambiente acadêmico e na adaptação ao curso e ao método Problem-Based Learning (PBL). Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos mentees sobre sua experiência no peer mentoring e os possíveis benefícios no desenvolvimento pessoal e acadêmico, e na saúde mental do ingressante. Método: Foi realizada uma pesquisa exploratória, descritiva e com abordagem qualitativa, em que se entrevistaram 20 mentees que participaram do projeto nos períodos 2018.1 ou 2019.1. Os dados foram processados por meio da análise temática de conteúdo, constituída por três precípuas etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados obtidos e sua interpretação. Resultado: Encontraram-se duas categorias: apoio emocional e social, e planejamento de estudos. Os entrevistados consideraram a experiência no peer mentoring positiva e assinalaram que o processo contribuiu para o desenvolvimento pessoal e/ou acadêmico deles. A diminuição do estresse e da ansiedade foi atribuída ao fato de haver um aluno veterano auxiliando no processo de transição ao ensino superior e um grupo de apoio entre pares. Os temas trabalhados nos encontros, as dicas dos mentores e as ferramentas apresentadas ajudaram no planejamento dos estudos, na seleção de prioridades e nas técnicas de otimização da aprendizagem. Conclusão: O projeto peer mentoring auxiliou os mentees em seu desenvolvimento e na adaptação e integração ao ambiente acadêmico, ao curso de Medicina e ao método PBL. Destarte, o apoio oferecido pelo projeto ao ingressante facilitou o processo de autogestão, promoveu o acolhimento e diminuiu a ansiedade, contribuindo também para a saúde mental do mentee.

A (in)visibilidade gênero no currículo e na prática de duas especialidades médicas

PID: S1981-52712021000100224 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Couto Machin Costa Rocha Modesto Germani
Resumo: Introdução: A medicina como área de conhecimento e prática tem invisibilizado a importância de gênero como categoria teórica na formação médica, bem como os impactos das diferenças e desigualdades de gênero expressas no contexto da prática clínica. Gênero é reconhecido como um aspecto crucial na educação médica, principalmente no sentido de promover a qualidade da assistência à saúde, considerando as diferenças de gênero nos sintomas, os fatores de risco da doença e o plano de assistência estabelecido no contexto da relação terapêutica. Objetivo: Com base nesse pressuposto, foi realizada pesquisa sobre a percepção da formação recebida sobre gênero no contexto da graduação e especialização médica de residentes em ginecologia e obstetrícia e medicina de família e comunidade de duas escolas públicas do município de São Paulo. Método: A pesquisa de abordagem qualitativa utilizou a técnica de entrevista em profundidade. Em 2016, 13 residentes de ambas as especialidades participaram da pesquisa, sendo sete de ginecologia e obstetrícia e seis de medicina de família e comunidade. O critério de inclusão era ser médico ou médica das residências em medicina de família e comunidade ou ginecologia e obstetrícia nas duas universidades públicas participantes do estudo. A fim de obter uma amostra não probabilística, utilizou-se a técnica de recrutamento em cadeia ou “bola de neve”, na qual os(as) participantes do estudo indicam outros(as) participantes até que se atinja o ponto de saturação. Resultados: Apesar de diferenças identificadas entre os(as) participantes, segundo os programas de residência, em relação à abordagem de gênero na formação médica e às suas repercussões na prática clínica, com maior apropriação pelos residentes de medicina de família e comunidade, sobressaem lacunas importantes na formação e no âmbito da graduação e especialização. Conclusão: O conhecimento e o desenvolvimento de habilidades e técnicas baseadas em abordagem de gênero na formação médica são fundamentais para o exercício do cuidado integral que considera as conformações socioculturais dos(as) pacientes e suas implicações para o processo saúde-doença.

A arte do palhaço na educação médica

PID: S1981-52712021000300223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Moreira Almeida Sanches González Barreiros
Resumo: Introdução: Em todo o mundo, a arte tem sido utilizada como recurso pedagógico no curso médico. No Brasil, vários grupos de “palhaçoterapia” - projetos que envolvem a atuação de estudantes como palhaços-doutores - foram criados visando promover uma humanização do cuidado nos hospitais. A partir daí, vários estudos começaram a identificar impactos da participação nesses projetos na formação médica. Este estudo investiga a percepção do profissional formado acerca da influência da experiência como palhaço-doutor na sua prática médica. Objetivo: Este estudo tem como objetivo analisar, na graduação de Medicina, a formação na arte do palhaço como estratégia para contribuir para o desenvolvimento de competências na prática médica. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva com abordagem qualitativa, por meio de entrevista semiestruturada com 15 participantes, que foram escolhidos pela técnica da bola de neve. O universo da pesquisa consiste em médicos que participaram de projetos de palhaçoterapia durante a graduação, em Recife, Pernambuco. As informações coletadas foram organizadas com o auxílio do software MAXQDA e submetidas à análise textual discursiva proposta por Moraes, que segue três passos de forma cíclica: a desmontagem dos textos em unidades de significado, o estabelecimento de relações e a captação do emergente. Resultado: A partir da análise das transcrições das entrevistas, emergiram diversas categorias de competências relatadas pelos participantes. No processo de construção de um novo significado com base nesses achados, foi necessário selecionar os que tinham relação com o que estava proposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de Medicina de 2014. As habilidades percebidas foram agrupadas nas seguintes categorias: sensibilização, ressignificação, lidar com o erro e relação com o paciente. Conclusão: Esta pesquisa procurou explorar o fenômeno translacional, por meio do qual se investigaram quais ensinamentos, na visão de profissionais da medicina, foram apreendidos para sua prática a partir da aprendizagem e do exercício da arte do palhaço. Quando se realizou essa comparação com as DCN, foi possível encontrar interseções entre o que se espera desenvolver durante a formação médica e algumas das competências desenvolvidas com ajuda da arte do palhaço.

A decisão de ser médico: estudo multicultural Brasil-Portugal

PID: S1981-52712021000500224 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Cunha Catrib Brilhante Feitosa Ferreira
Resumo: Introdução: A definição de uma carreira profissional representa a primeira grande decisão do adolescente e, em geral, ocorre num contexto de indecisões, conflitos e transformações, típicos dessa fase da vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer as motivações que levam adolescentes a escolher o curso de Medicina no Brasil e em Portugal. Método: Trata-se de estudo de abordagem qualitativa, do tipo exploratório, que utilizou entrevistas abertas. Participaram 17 portugueses e 14 brasileiros, ingressantes no curso de Medicina, de uma universidade pública do Norte de Portugal e de uma universidade privada do Nordeste do Brasil, no ano de 2018. Para análise e interpretação das falas, utilizou-se a análise de conteúdo de Bardin, na modalidade temática. Resultado: Identificaram-se duas temáticas - motivações intrínsecas e motivações extrínsecas - e seis núcleos de sentido: disposição para ajudar os outros, tendência natural, medicina como ciência, interesse pela pesquisa, influência de modelos e estabilidade profissional/ status social. Conclusão: Os adolescentes ingressantes em Medicina no Brasil e em Portugal apresentaram similaridade na motivação para a escolha profissional. Prevaleceram as motivações intrínsecas, e a disposição para ajudar os outros foi a razão mais frequente para escolher Medicina nos dois países.

A dimensão da formação no Programa Mais Médicos: hiato entre propostas e implementação

PID: S1981-52712021000100223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rocha Sarti Azevedo Filippon Siqueira Andrade
Resumo: Introdução: A carência e as desigualdades na distribuição geográfica de médicos desafiam a consolidação do direito à saúde e criam fluxos migratórios que acirram iniquidades em saúde. Devido ao seu caráter complexo e multidimensional, demandam abordagens políticas multissetoriais, considerando vários fatores relativos à disponibilidade e à área de atuação de médicos, bem como à vulnerabilidade social das populações consideradas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar os resultados do eixo Formação do Programa Mais Médicos no Brasil. Métodos: Realizou-se uma pesquisa documental, especificamente relativa à localização e à natureza pública ou privada das novas vagas de graduação em Medicina, no período de 2013 a 2017, em que se confrontaram os resultados obtidos com as metas e estratégias pactuadas nos documentos oficiais do programa. Resultados: O eixo Formação alcançou resultados importantes, apesar da resistência de alguns atores institucionais. O programa expandiu em 7.696 vagas de graduação, sendo 22,48% em instituições públicas e 77,52% em instituições privadas. A distribuição das novas vagas priorizou cidades do interior do Brasil e aprovou mudanças regulatórias importantes para os cursos de Medicina. No entanto, as disputas políticas com atores sociais representativos da classe médica e aqueles interessados no favorecimento do setor privado na educação e assistência à saúde ficaram expressas nos discursos e documentos oficiais. Tais aspectos fragilizaram o corpo normativo do programa e criaram um hiato entre os seus objetivos e a implementação. Evidências referentes à concentração de vagas no Sudeste do país favorecem a manutenção das desigualdades, a despeito de um crescimento proporcionalmente maior nas Regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Conclusão: A prevalência de vagas em instituições privadas e a fragilização de instrumentos de monitoramento dos novos cursos podem comprometer a mudança no perfil dos egressos, necessária para a fixação de médicos em áreas estratégicas e na atenção primária à saúde.

A educação e o ensino de bioética em época de pandemia

PID: S1981-52712021000300802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Neves Júnior Marques Teixeira
Resumo: Introdução: Com as atividades presenciais suspensas em decorrência da pandemia, as instituições de ensino superior tiveram de discutir e executar o processo educativo e reinventar-se em relação ao processo educativo a ele, de modo a oferecer o acesso remoto e, ao mesmo tempo, amenizar a exclusão sociodigital. Desenvolvimento: O objetivo deste artigo é realizar uma reflexão propositiva para o ensino remoto da bioética sob o olhar da educação em valores e justiça social. O perfil socioeconômico dos discentes não pode ser ignorado quando se planeja a educação on-line, fato que impacta diretamente o acesso às aulas por meio de computadores e internet. O artigo propõe utilizar as capacidades da inteligência moral como objetivos de aprendizagem, revisar os problemas preexistentes, contextualizá-los à nova realidade dos conteúdos didáticos e refletir sobre como a bioética pode contribuir para as discussões sobre as desigualdades sociais que aumentaram de forma exponencial neste momento de crise. Conclusão: As reflexões propositivas aqui apresentadas podem ser utilizadas no modelo de ensino remoto, presencial ou híbrido.

A inovação disruptiva e a metodologia pré-textos

PID: S1981-52712021000300407 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Balcells Sommer
Resumo: Introdução: O relato de experiência descreve o protocolo utilizado em uma das atividades realizadas durante a iniciativa destinada à busca por soluções de impacto em saúde através da inovação disruptiva - “IDEA2 Global, Orientação e conexões transformadoras para inovadores em tecnologia médica”, em maio de 2019, no Instituto de Engenharia Médica e Ciência, Massachusetts Institute of Technology (IMES MIT). Relato de Experiência: A metodologia Pré-Textos foi escolhida para estimular a criatividade e instigar a curiosidade inerentes à busca por soluções de problemas complexos, através da leitura de um texto desafiador e atividades relacionadas, em formato de workshop. Reunindo profissionais de vários segmentos e nacionalidades, o período de duas horas e quarenta e cinco minutos foi o tempo dispensado ao workshop inspirado em práticas oriundas de alguns países da América Latina. Discussão: Por meio da observação participante, constatou-se que os partícipes se mostraram entusiasmos e engajados por atividades “mão na massa”, em meio a leitura ativa de um texto sobre conexões neurais em processos criativos. A devolutiva da avaliação sobre o workshop confirmou a impressão dos facilitadores. Conclusão: A metodologia Pré-Textos é uma estratégia passível de aplicação em grupos heterogêneos, podendo contemplar habilidades como a criatividade e a colaboração. Assim, estimula-se a utilização desta metodologia em outras situações semelhantes.

A inserção da mentoria na matriz curricular de um curso de Medicina: relato de experiência

PID: S1981-52712021000400403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Senger Sampaio Neto Vieira Borges Fermozelli Esposito Teixeira Almeida
Resumo: Introdução: Em 2018, foi implantado no curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo um novo projeto pedagógico do curso (PPC). Nessa construção, surgiu a oportunidade de incluir um módulo para a prática da mentoria, pois havia várias questões relacionadas à vida no câmpus que vinham preocupando a comunidade, tais como a necessidade de os alunos e professores apropriarem-se do PPC, o fato de os discentes ainda muito jovens serem afastados da família, estudantes oriundos de escolas tradicionais pouco afeitas às metodologias ativas de ensino-aprendizagem que constituem a base do curso, a avaliação somativa e a recuperação do desempenho insatisfatório, o trote, o convívio com a diversidade, a autonomia do aluno e o processo de formação e identidade do profissional médico. Relato de experiência: No novo PPC, o módulo de Estudos Orientados garantiu o espaço para a mentoria dentro da grade curricular do primeiro ao terceiro ano, em pequenos grupos protegidos. Ao fim do primeiro ano, a avaliação regular da docência revelou dificuldades que foram superadas com a capacitação dos docentes para a atividade da mentoria, viabilizada com o auxílio de profissionais externos e experientes que ajudaram a dar identidade à mentoria, ajustada às características do curso e do PPC. A avaliação seguinte revelou melhora evidente da percepção dos alunos e professores. Nesse momento, a consulta feita com a maioria dos envolvidos trouxe novas informações que permitiram estabelecer diretrizes norteadoras para a atividade em cada ano do curso. Discussão: Todo o processo de implantação do módulo, dividido em três etapas, foi muito rico e exigiu a participação de todos os envolvidos. Conclusão: Nossa experiência permite inferir que, por suas características complexas e mutáveis, a mentoria deve ser construída em estreita relação com a comunidade e ajustada às necessidades de cada curso e do seu projeto pedagógico.

Abordagem do suicídio na educação médica: analisando o tema na perspectiva dos acadêmicos de medicina

PID: S1981-52712021000100216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Soeiro Limonge Lopes Fayal
Resumo: Introdução: O Brasil figura entre os países com maior número de suicídios no mundo, contudo o estigma relacionado ao tema ainda persiste, realidade que se reflete em sua escassa problematização na educação e prática médicas. Objetivo: O estudo foi realizado com o objetivo de conhecer as percepções e atitudes de acadêmicos acerca de temas relacionados ao suicídio, de modo a identificar a inserção da temática ao longo da graduação. Método: Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, exploratória e transversal, com uso de metodologia quantitativa. O estudo teve início após aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa e contou com participação de uma casuística de 188 alunos matriculados no curso de Medicina de uma universidade pública do Pará. Os dados foram coletados de forma presencial, por meio da utilização de um questionário semiestruturado, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados: A maioria dos participantes atribuía importância ao tema, mas observou-se que ainda há pouca inserção de conteúdos relacionados à temática ao longo da educação médica, haja vista o fato de a grande maioria dos participantes não conhecer nenhum manual ou protocolo de intervenção nessa área. Além disso, mais da metade dos acadêmicos relataram dificuldades em relação à realização da notificação compulsória. Conclusões: Apesar da inclusão de temas relacionados à saúde mental ao longo da formação acadêmica, a problematização do suicídio ainda precisa ser intensificada nos conteúdos curriculares da educação médica. Trata-se de uma medida importante para o alcance de intervenções mais eficazes e qualificadas, particularmente pela relevância que o assunto vem adquirindo nos tempos atuais.

Abordagens de aprendizado e sua correlação com ambiente educacional e características individuais em escola médica

PID: S1981-52712021000300219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rossi Fischer Rocha Casalecchi Avó Germano
Resumo: Introdução: A qualidade de aprendizado de estudantes de escolas médicas tem sido tema recorrente da literatura mundial nas últimas décadas, mas há escassez de estudos nacionais acerca do assunto. O ambiente de ensino deve favorecer o aprendizado profundo, por estar intimamente relacionado com uma aprendizagem significativa. Metodologias ativas de aprendizagem são vinculadas a maior qualidade de aprendizado, por propiciarem ambiente favorável ao aprendizado profundo. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a qualidade do aprendizado de estudantes de Medicina de um curso que adota metodologias ativas de aprendizagem e correlacioná-la com as percepções dos alunos acerca do ambiente educacional e com dados sociodemográficos. Método: Trata-se de estudo descritivo transversal realizado com estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), do primeiro ao sexto ano. Foram utilizados os instrumentos R-SPQ-2F, DREEM e questionário sociodemográfico. Realizou-se análise descritiva, e compararam-se as frequências por meio do teste do qui-quadrado ou teste exato de Fisher. As diferenças entre médias foram avaliadas por meio de teste t de Student ou teste de Mann-Whitney, quando se compararam somente dois grupos, ou por meio de análise de variância (ANOVA) ou teste de Kruskal-Wallis, quando comparados mais de dois grupos. As associações entre as variáveis quantitativas foram verificadas por meio do coeficiente de correlação de Pearson ou de Spearman. A análise estatística foi realizada com auxílio do programa IBM SPSS Statistics versão 25.0, e adotou-se como parâmetro de significância um valor de p < 0,05. Resultado: Entrevistaram-se 226 alunos. A pontuação média para abordagem profunda foi de 33,52 e, para a abordagem superficial, 17,42. Em relação à percepção do ambiente educacional, a média foi de 129,77 pontos. As variáveis objetivas que demonstraram influência sobre o aprendizado foram: sexo, idade de início do curso, contato prévio com metodologias ativas, prática de idiomas, ter graduação ou pós-graduação prévia, receber auxílio financeiro de familiares e ano da graduação. Conclusão: As metodologias ativas de aprendizagem podem estimular a adoção de estratégias de aprendizado profundo. O estudo dos fatores que influenciam na abordagem de aprendizado é complexo e envolve questões individuais subjetivas.

Adaptação transcultural do questionário EFFECT para português brasileiro

PID: S1981-52712021000300207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Costa Castro Dourado Praxedes Mota Tavares
Resumo: Introdução: O ensino clínico é baseado em ambiente de trabalho real, em cenários de prática profissional, como serviços e unidades de saúde, sob a supervisão do preceptor. Proporcionar aos docentes de graduação médica uma avaliação sobre suas habilidades de ensino é uma ferramenta poderosa para melhorar a aprendizagem clínica dos estudantes em formação. Nesse contexto, o questionário Evaluation and Feedback for Effective Clinical Teaching (EFFECT) foi desenvolvido por pesquisadores holandeses em 2012 para avaliação docente, sendo validado com base na literatura sobre o ensino médico em local de trabalho. Esse instrumento incorpora as competências do currículo baseado em competências canadense. Objetivo: Este estudo teve como objetivos traduzir, adaptar transculturalmente para português do Brasil e validar o questionário EFFECT para avaliação docente por estudantes de Medicina. Método: A adaptação transcultural empregou as seguintes fases: tradução inicial da versão em inglês; síntese de versões traduzidas; tradução reversa; criação de versão consensual em português do Brasil, com adaptação, revisão e análise de validade de conteúdo por comitê de especialistas; pré-teste com entrevista retrospectiva de esclarecimento e análise de confiabilidade por análise fatorial e teste de consistência interna (coeficiente alfa de Cronbach). Resultado: Nas etapas de tradução e tradução reversa, as discordâncias relacionaram-se ao uso de sinônimos, e nenhum dos itens foi modificado em relação ao seu entendimento, e sim na adequação para a realidade brasileira. A avaliação do comitê de especialistas demonstrou que as versões mantinham a equivalência semântica e idiomática do conteúdo. Participaram do pré-teste 89 alunos. A consistência interna do EFFECT em português do Brasil mostrou-se excelente para todos os domínios, com coeficiente alfa de Cronbach variando de 0,82 a 0,94. Conclusão: A versão traduzida e adaptada do questionário EFFECT em português do Brasil possui equivalência cultural com o instrumento original e evidência de alta validade e confiabilidade, podendo constituir-se em instrumento nacional de avaliação da eficiência do ensino clínico de docente de Medicina.

Adaptações e repercussões nas vivências em escola de ensino híbrido durante a pandemia por Sars-CoV-2

PID: S1981-52712021000200401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Silva Kubrusly Peixoto Junior Vieira Augusto
Resumo: Introdução: A pandemia ocasionada pelo vírus Sars-CoV-2 acelerou uma revolução educacional que repercutiu na assistência à saúde e no ensino médico, e gerou algumas inseguranças e incertezas. O artigo relata a experiência do Centro Universitário Christus (Unichristus) quanto às modificações ocorridas nos cenários práticos de vivências clínicas durante o período do primeiro semestre de 2020, marcado pelo distanciamento social. Relato de Experiência: Os atendimentos na Clínica Escola de Saúde (CES) foram suspensos, e os hospitais conveniados passaram a não receber alunos, inviabilizando os cenários de vivência, resultando no início de um projeto caracterizado por atendimento a pacientes com infecção por coronavírus por meio da telemedicina. Havia a participação presencial de equipe de enfermagem, enquanto os alunos do oitavo semestre do curso de Medicina presenciavam a consulta por meio de compartilhamento da tela pelo programa Google Meet®. Após concluída a consulta, havia uma discussão sobre o caso e outros aspectos relevantes, de maneira similar ao que ocorreria em ambiente de vivência. Em paralelo ao projeto, os estudantes também assistiam a aulas expositivas que abordavam aspectos da doença desde o nível primário até o terciário de saúde. Discussão: De acordo com a tendência mundial, houve atendimento e ensino por um meio flexível, inovador, acessível e seguro, o gerou oportunidade de desenvolvimento profissional e inovações no ensino médico. A experiência com a telemedicina pode ser complementada por um e-learning, possibilitando o desenvolvimento de um novo modelo de ensino híbrido. Conclusão: A circunstância atual talvez promova alguma perda educacional, como a impossibilidade de se treinar exame físico e de interagir melhor com a equipe de saúde e com os pacientes, entretanto os recursos tecnológicos podem gerar oportunidades para mudanças, aprimoramento e desenvolvimento de metodologias de ensino, em concordância com a geração atual de nativos digitais.

Alteração do cronotipo em universitários da área da saúde com sonolência diurna excessiva

PID: S1981-52712021000100217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Kintschev Shimada Silva Barros Hoffmann-Santos
Resumo: Introdução: A sonolência diurna excessiva (SDE) é caracterizada por uma maior probabilidade de o indivíduo iniciar o sono em horários inadequados por meio de cochilos involuntários, afeta negativamente o desempenho nos estudos, no trabalho e nas relações familiares e sociais, e aumenta o risco de acidentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o cronotipo e a prevalência de SDE e seus fatores associados em estudantes de Medicina (método PBL). Para tanto, compararam-se os discentes de Medicina com os de outros cursos da área da saúde (método tradicional). Métodos: Trata-se de estudo transversal com 1.152 estudantes universitários matriculados em cursos de graduação da área da saúde. Definiu-se a presença de SDE quando se observaram escores > 10 na Epworth Sleepiness Scale (ESE), e o cronótipo foi avaliado por meio do instrumento Morningness-eveningness Questionnaire (MEQ). Por meio do software Stata 13.0, realizaram-se estatística descritiva e análises bivariadas e multivariadas, além de interações para que o estudo pudesse se ajustar ao modelo. Resultados: A prevalência de SDE foi de 56,5% (IC 95%, 53,6-59,4), e a pontuação média na ESE foi de 11,1 (IC 95%, 10,8-11,3). Esse valor foi menor entre os que apresentaram cronotipo matutino e maior entre os estudantes de Medicina. Dos alunos que participaram do estudo, 10,3% (n = 119) apresentaram um cronotipo incompatível com o período do curso. Os fatores associados e independentes para a SDE foram: sexo feminino (RP, 1,14, IC 95%, 1,01-1,29), idade entre 16 e 19 anos (RP, 1,20, IC 95%, 1,04-1,39), hábito de estudar de madrugada, uso de celular antes de dormir (RP, 1,56, IC 95%, 1,02-2,38), não praticar atividade física semanal (RP, 1,13, IC 95%, 1,02-1,25) e cronótipo matutino (RP, 0,87, IC 95%, 0,76-0,99). Não usar telefones celulares antes de dormir reduziu a prevalência de SDE em 14%. Conclusões: Este estudo demonstrou que o cronotipo matutino se comportou como um fator protetor independente para distúrbios do ciclo circadiano. A prática de atividade física semanal reduziu a prevalência SDE entre universitários com cronotipos intermediário e noturno.

Análise da integração ensino-serviço para a formação de residentes em medicina de família e comunidade

PID: S1981-52712021000100202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Moreira Xavier Machado
Resumo: Introdução: A integração entre as instituições de ensino e os serviços de saúde na formação de residentes médicos requer mudanças em ambas as partes envolvidas, principalmente no cenário assistencial, fazendo-se necessária remodelação da cultura dos atores sociais que constituem o SUS. Objetivo: O objetivo deste estudo foi efetuar, pelo mapeamento das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, o diagnóstico situacional da integração ensino-serviço em um Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC). Método: Trata-se de pesquisa-intervenção com preceptores e gestores de saúde de um município do estado do Ceará, no Brasil. Os dados foram coletados pela entrevista semiestruturada, submetidos à Classificação Hierárquica Descendente (CHD) com auxílio do software IRaMuTeQ, analisados conforme eixos da matriz SWOT (forças, fraquezas, oportunidades, ameaças) e discutidos com apoio da literatura. Resultados: As classes de cada CHD originaram os fatores de cada eixo da matriz SWOT, delineando como pontos fortes: parceria entre os agentes de integração e inclusão do residente no cotidiano das equipes; pontos fracos: distanciamento entre preceptor e instituição de ensino e ausência de estratégias de valorização da preceptoria; oportunidades: perspectiva de o programa servir como ferramenta de gestão da saúde; e ameaças: problemas na gestão dos equipamentos da saúde, com reflexos sobre a estrutura dos serviços, gestão do programa e qualidade da formação. Conclusões: A análise da matriz SWOT viabilizou a identificação de pontos fortes e fragilidades no PRMFC, viabilizando a elaboração de estratégias para o fortalecimento da integração ensino-serviço, na perspectiva de melhoria da gestão, formação e execução do cuidado em saúde.

Análise de conteúdo de duas avaliações externas brasileiras de cursos de medicina: Enade e Revalida

PID: S1981-52712021000100219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Carvalho Resende Faria Toledo Júnior
Resumo: Introdução: O Enade é prova cognitiva que avalia o desempenho dos cursos de graduação por meio dos egressos. O Revalida é exame específico para egressos de cursos de Medicina do exterior. Apesar de possuírem atribuições diferentes, as duas avalições são direcionadas a públicos semelhantes, podendo ser consideradas análogas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar e comparar os conteúdos avaliados pelo Enade e Revalida. Métodos: Trata-se de estudo descritivo que comparou o conteúdo do Enade 2013 e 2016 e do Revalida 2015 e 2016, com base na Matriz de Correspondência Curricular do Revalida (MCCR). Na primeira etapa do estudo, dois médicos, professores de Medicina, analisaram de forma independente os itens das quatro avaliações e listaram os conteúdos abordados nos enunciados e nas alternativas. Posteriormente, consolidaram-se os resultados. A análise foi realizada por meio da distribuição de frequência de temas e áreas de concentração de acordo com o exame, da comparação entre as áreas de concentração e dos temas coincidentes em cada exame. Resultados: Das 46 áreas de concentração da MCCR, dez não foram abordadas no Enade 2013, seis no ENADE 2016 e duas no Revalida 2015. O Revalida 2016 abordou todas as áreas. Em relação aos 749 temas específicos da MCCR, as duas edições do Enade, em conjunto, abordaram 241 (32,2%) deles, enquanto as duas edições do Revalida abordaram 468 temas (62,5%). Na análise dos 241 temas abordados pelo Enade, 45 deles foram comuns às duas edições, enquanto, de um total de 468 temas, 247 foram abordados nas duas edições do Revalida. Quando se analisou a repetição de temas em cada edição dos exames, observou-se que cerca de 80,0% dos temas foram considerados apenas uma vez nas duas edições do Enade, em comparação com 50,0% nas edições do Revalida. Conclusão: Os resultados indicam que as edições 2013 e 2016 do Enade apresentam baixa abrangência de conteúdos em comparação com as edições 2015 e 2016 do Revalida, tendo como referência a MCCR. Identificaram-se também concentração da abordagem em grupos específicos de temas e repetição de um pequeno grupo de temas nas edições analisadas do Enade.

Análise do conhecimento de estudantes de medicina acerca da identidade de gênero

PID: S1981-52712021000500202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Visgueira Chaves Batista Nunes
Resumo: Introdução: A sexualidade é um ponto central da vida do ser humano que contempla sexo biológico, orientação sexual e reprodução, além de conceitos complexos como a identidade de gênero, onde a maior parte das dúvidas afloram e - com elas - preconceitos e negligências. Objetivo: Analisar o conhecimento dos acadêmicos de Medicina de uma Instituição de Ensino Superior sobre identidade de gênero. Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo, realizado de abril a maio de 2018 com a aplicação de um questionário semiestruturado a 122 alunos do curso de Medicina, cujas respostas foram entregues em envelopes lacrados e sem identificação. Resultados: Dos participantes, 67,21% e 63,11% desconheciam o conceito de mulher transgênero heterossexual e de homem transgênero homossexual, respectivamente; 67,21% e 61,47% apresentaram respostas inadequadas quanto ao exame ginecológico em pacientes trans e quanto ao processo transexualizador, nessa ordem. Conclusão: A maioria dos estudantes desconheceu conceitos relacionados à identidade de gênero. Considerando-se os limites desta pesquisa, sugere-se uma maior abordagem do tema na graduação.

Aprendizagem sobre atividade física por estudantes de Medicina: a situação hoje no Brasil

PID: S1981-52712021000200218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Bortolini Mastro Barbosa Resende Medeiros Silva Penha-Silva Bortolini
Resumo: Introdução: A atividade física é essencial para prevenir e tratar muitas doenças. Embora os médicos sejam os profissionais de saúde que mais influenciam a orientação de seus pacientes sobre os benefícios da atividade física, a maioria dos programas de graduação em Medicina no Brasil parece não incluir tópicos sobre atividade física em seus currículos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar a presença de tópicos sobre atividade física nos currículos médicos ativos no Brasil. Método: A pesquisa foi realizada separadamente em abril de 2015 e fevereiro de 2019, utilizando um recurso governamental, o sistema e-MEC, e pesquisa em bancos de dados da internet. Os dados foram divididos em categorias, de acordo com a condição de matrícula (obrigatória ou opcional) dos cursos com disciplinas ou módulos temáticos contendo tópicos sobre atividade física, tipo de atividades (teóricas, práticas ou teórico-práticas) e ênfase no conteúdo (saúde, desempenho ou saúde e desempenho). Resultado: Dos 223 currículos médicos compilados em 2015 e 286 em 2019, respectivamente, apenas 24 (10,8%) e 19 (6,7%) apresentaram pelo menos uma disciplina ou módulo temático contendo tópico sobre atividade física com ênfase em saúde. Conclusão: No Brasil, o número de currículos de graduação em Medicina contemplando tópicos de atividade física ainda é pequeno e sofreu uma redução entre 2015 e 2019, o que deve servir de alerta para as instituições de ensino médico quanto à necessidade de inclusão de conteúdos longitudinalmente distribuídos sobre atividade física, com abordagens teórica e, se possível, prática, e com ênfase na promoção da saúde e no tratamento de doenças, em unidades curriculares obrigatórias.

As ligas acadêmicas e sua aproximação com sociedades de especialidades: um movimento de contrarreforma curricular?

PID: S1981-52712021000200801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Goergen Hamamoto Filho
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina estimulam uma formação generalista do médico, alterando o paradigma fragmentado de formação vigente até o século passado. A residência médica é considerada complementar à graduação, porém sem vagas nas quantidades desejadas, gerando competição entre estudantes. Simultaneamente, as ligas acadêmicas ganharam espaço dentro das escolas médicas. Desenvolvimento: Trata-se de um ensaio com análise crítica sobre a relação entre as sociedades de especialidades e as ligas acadêmicas, e sobre os efeitos dessa relação na formação dos futuros médicos. As sociedades de especialidade possuem ações de estímulo à criação de ligas acadêmicas, bem como reservam espaços dedicados a elas. Desse modo, elas aproximam-se dos estudantes por meio das ligas e novamente se inserem na graduação na forma de currículo paralelo, em que haviam sido relegadas a segundo plano com o programa generalista de formação. Conclusão: Há um movimento de aproximação entre ligas e sociedades de especialidades que deve ser acompanhado com atenção, reflexão e crítica para que não se tolha dos estudantes a liberdade de explorar diversas realidades da prática médica e conhecer diversas especialidades, mas também não se subverta a proposta pedagógica de formação médica geral.
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