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Associação entre inteligência emocional e empatia em estudantes de Medicina: estudo transversal unicêntrico, Brasil, 2019

PID: S1981-52712021000100228 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Silva Toledo Júnior
Resumo: Introdução: A inteligência emocional (IE) e a empatia são duas habilidades essenciais para a medicina centrada na pessoa. Objetivos: Avaliar a associação entre IE e empatia e verificar se fatores sociodemográficos e o tempo de curso influenciam os seus níveis. Métodos: Trata-se de estudo transversal realizado com estudantes de Medicina de uma instituição privada de ensino da cidade de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Os níveis de IE foram avaliados por meio do Teste de Autoavaliação de Inteligência Emocional de Schutte e os níveis de empatia, pela Escala de Empatia de Jefferson (versão para estudante). Todos os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes da inclusão no estudo. A análise estatística utilizou a média, o desvio padrão, a distribuição de frequência, o teste t de Student, a correlação de Pearson e a regressão linear. Foi considerado o nível de significância de 0,05. Resultados: De 5 a 30 de agosto de 2019, 193 voluntários, que correspondiam a 85,8% da população total, concordaram em participar do estudo. Os escores totais observados de IE (129,8 ± 13,3) e empatia (121,2 ± 11,6) foram elevados. O escore total de IE foi influenciado pela idade (pajustado = 0,018). Os alunos de períodos mais avançados apresentaram escore total de empatia mais alto (pajustado = 0,013). Os estudantes cujos pais não possuíam curso superior também apresentaram escore total de empatia mais elevado (pajustado = 0,031). Observou-se correlação positiva moderada entre os escores totais de IE e de empatia ( ρ = 0,304, p < 0,001), e entre o escore total de empatia e o domínio Manejo das Emoções dos Outros de IE (ρ = 0,300, p < 0,001). Observou-se também correlação positiva fraca entre o escore total de IE e a maioria dos domínios de empatia. Conclusão: Observou-se correlação positiva entre IE e empatia. A IE foi influenciada pela idade; e a empatia, pelo período do curso e pela escolaridade dos pais.

Associações entre a autoeficácia docente e a utilização do Objective Structured Clinical Examination na educação médica

PID: S1981-52712021000100201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Bressa Murgo Sena
Resumo: Introdução: A inserção de novas metodologias e avaliações na área da educação médica tem indicado a necessidade de compreender a percepção dos docentes sobre sua própria capacidade de utilizá-las adequadamente. Objetivo: Com base nisso, este estudo buscou investigar as possíveis associações entre a autoeficácia docente e o uso do OSCE. Método: Utilizaram-se a Escala de Autoeficácia do Professor, a Escala sobre Fontes de Autoeficácia e um questionário de caracterização. Participaram 47 docentes de Medicina de uma universidade privada, de ambos os sexos, com idade entre 31 e 78 anos. Resultados: Os resultados indicaram que os fatores persuasão social e aprendizagem vicária foram os mais endossados, sugerindo que essas fontes são as de maior interferência na formação de crenças dos participantes. Houve apenas uma correlação positiva e com significância estatística, com magnitude fraca, estabelecida entre eficácia na intencionalidade da ação e aprendizagem vicária. As demais correlações encontradas se demonstraram estatisticamente em sentido negativo e com magnitudes moderadas. Conclusões: Os docentes concordantes com algumas características importantes sobre o método OSCE apresentaram maiores níveis de autoeficácia, e isso significa que os profissionais com alto nível de perseverança, superação, confiança e resiliência são mais comprometidos com o ensino, a pesquisa e a assistência estudantil.

Atitude de estudantes e professores de medicina: centrada no médico ou no paciente?

PID: S1981-52712021000500212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Moura Silva Rodrigues Neto Caldeira
Resumo: Introdução: O cuidado centrado no paciente tem sido associado a resultados positivos. Objetivo: o objetivo deste estudo foi avaliar atitudes de estudantes e professores de uma faculdade de medicina brasileira quanto à relação médico-paciente e verificar fatores associados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal analítico realizado em uma universidade pública, utilizando a PPOS - “Patient-Practitioner Orientation Scale” e um questionário sociodemográfico. Os sujeitos eram estudantes do curso de medicina e professores da instituição em questão no segundo semestre de 2015. Os testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis foram utilizados para examinar o efeito das variáveis sociodemográficas e a interação com os escores encontrados para estudantes e professores. Resultados: Foram pesquisados 212 estudantes, correspondendo a 57,1% dos acadêmicos matriculados no curso de medicina. O valor do escore total da PPOS encontrado para os estudantes foi de 4,35 (± 0,5 DP), e o escore total médio da PPOS entre estudantes do sexo feminino (4,43) foi significativamente maior do que o masculino (4,23) (p <0,001), indicando mais atitudes centradas no paciente naquele grupo. No que se refere aos professores de medicina, 77 (56%) participaram. O escore total do PPOS foi de 4,52 (± 0,5 DP), com atitude mais focada no paciente entre os professores do que entre estudantes (4,35) (p = 0,001), mas há uma clara necessidade de progresso para ambos os grupos. Conclusão: A análise das atitudes de estudantes e professores sobre a relação médico-paciente permitiu desvendar um cenário desconhecido com atitudes mais centradas no paciente observadas entre os professores, apesar da necessidade de melhorias em ambos os grupos. Mais pesquisas são necessárias para avaliar não apenas a atitude, mas o comportamento desses sujeitos.

Atitudes e percepções de professores e estudantes de medicina em relação ao suicídio

PID: S1981-52712021000500217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Amorim Kubrusly Gomes Plens Rocha Silva
Resumo: Introdução: A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que haja cerca de um milhão de mortes por suicídio por ano no mundo, mais do que a soma total de mortes em guerras e homicídios, que resulta em uma morte a cada 40 segundos. Apesar da existência de diversas publicações científicas sobre a prevenção do suicídio, existem estudos que mostram que os profissionais de saúde não são capacitados para cuidar adequadamente de pessoas em risco de suicídio. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as atitudes e percepções de alunos e professores do curso de medicina em relação ao suicídio. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, que avaliou uma amostra de 180 alunos do 8º e 11º semestres e 57 professores de diferentes semestres dos cursos médicos avaliados. Os dados foram obtidos por meio da aplicação do Suicide Behavior Attitude Questionnaire (SBAQ), além de um questionário sociodemográfico. Os dados foram submetidos à estatística descritiva e analítica. Resultados: Em relação à capacidade profissional, as pontuações foram baixas tanto para alunos (mediana 5,5) quanto para professores (mediana 5,25). Alunos que viram alguém apresentando comportamento suicida (p = 0,002) e os que frequentavam o semestre mais avançado (p = 0,04) sentiram-se mais confiantes no atendimento de pacientes com risco de suicídio. Houve diferença significativa quanto ao fator Direito ao Suicídio entre os alunos que se disseram religiosos (p = 0,001), assim como entre os professores que frequentavam serviços religiosos com maior frequência (p = 0,02). Conclusões: Concluímos que alunos e professores tiveram pouca experiência com suicídio nos cursos de medicina avaliados, o que contribui para o baixo nível de formação e o sentimento de insegurança, indicando a necessidade de dar mais importância ao assunto na graduação em medicina, visando permitir a aquisição de conhecimentos e habilidades para uma prática médica preventiva e competente em relação ao suicídio.

Autopercepção de habilidades não cognitivas entre estudantes de graduação em saúde durante a Covid-19

PID: S1981-52712021000500227 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Leal Martinez Mandrá Jorge
Resumo: Introdução: O período de isolamento social imposto no Brasil em resposta à pandemia tem alterado o modo de aprender de muitos estudantes universitários do Brasil, em especial o dos que tiveram suas atividades acadêmicas, que antes eram presenciais, transferidas para o modo remoto. Tais mudanças podem ser benéficas se considerarmos que este pode ser um momento favorável para o aprimoramento de habilidades não cognitivas, como autoconhecimento, resiliência, coletividade, versatilidade, adaptabilidade e liderança. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar como os universitários da área da saúde, das regiões Sudeste e Sul do país, têm percebido o aprimoramento de competências não cognitivas durante as rápidas mudanças impostas pela pandemia. Método: O estudo contou com a participação de 954 estudantes da área da saúde matriculados em instituições de ensino superior brasileiras. Um questionário on-line composto por 25 questões foi utilizado para coletar dados demográficos e acadêmicos, sentimentos e habilidades não cognitivas percebidas durante a continuidade “a distância” do curso de graduação. A percepção dos universitários foi aferida a partir de escalas Likert de intensidade, de 10 pontos (de 1 a 10), variando de “muito pouco” a “muito”. Previamente à aplicação desse questionário, foi feita sua validação por um grupo de juízes, composto por 20 estudantes de graduação de uma instituição de ensino superior do interior do estado de São Paulo, de diferentes cursos da saúde. Resultado: A análise de correspondências demonstrou que as habilidades não cognitivas, bem como as sensações investigadas, foram percebidas em variadas intensidades pelos estudantes universitários, sendo possível notar impactos positivos e negativos decorrentes das mudanças vivenciadas. Os alunos do primeiro e segundo semestres da graduação tenderam a ser menos colaborativos do que os discentes do terceiro e quarto semestres; em contrapartida, os alunos ingressantes tenderam a ser mais abertos ao novo quando comparados àqueles dos demais semestres. Conclusão: Vencer a procrastinação, assumir o protagonismo nos estudos, colaborar com os colegas e estar aberto ao novo foram habilidades não cognitivas fortemente percebidas durante a pandemia. Além disso, frustração, falta de motivação e desestabilidade emocional foram fortemente sentidas pelos estudantes, que consideraram que a pandemia afetou negativamente os estudos.

Avaliação baseada em procedimentos (PBA) em uma residência de urologia: experiência inicial

PID: S1981-52712021000500228 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Medeiros Medeiros Diniz
Resumo: Introdução: Mudanças na sociedade e nas práticas da medicina têm demandado melhorias no processo de ensino cirúrgico nas residências médicas, levando ao surgimento de novos modelos de ensino-aprendizagem e de avaliação baseados em competências. Nesse processo, o Procedure Based Assessment (PBA) se destaca como uma ferramenta de avaliação em ambiente de trabalho, amparada na avaliação de competências e no feedback estruturado. Objetivo: Este estudo tem o objetivo de apresentar a elaboração e implantação de protocolos de PBA em um programa de residência médica de urologia. Método: Trata-se de estudo prospectivo, do tipo pesquisa-ação, realizado de julho de 2019 a julho de 2020, envolvendo dez preceptores e seis residentes de urologia. Utilizou-se a metodologia de consenso de grupo para a elaboração dos protocolos, além de capacitação dos participantes para avaliação por competência. Elaboraram-se seis protocolos de PBA, correspondentes aos procedimentos prevalentes na formação do residente/ano. Em seguida, esses protocolos foram implantados. Além da análise descritiva dos dados, utilizou-se o coeficiente de Spearman (rR) para análise inferencial de correlação entre tempo de treinamento e o desempenho do residente avaliado pelo PBA. Resultado: A elaboração de dois instrumentos de PBA para cada um dos três anos de formação permitiu a avaliação de todos os residentes. Foram realizados 31 encontros avaliativos, com média de cinco avaliações por residente. Houve correlação positiva entre o maior tempo de treinamento e melhor desempenho do residente na prostatectomia radical laparoscópica, na nefrolitotripsia percutânea, na nefrectomia laparoscópica e no conjunto dos seis procedimentos (rR = 0,97, 0,55, 0,42 e 0,31, respectivamente). Relatamos a primeira utilização do PBA em residência de urologia no Brasil. A metodologia de consenso de grupo associada a um processo de capacitação mostrou-se como opção para elaboração desse tipo de instrumento. A correlação positiva entre melhora do desempenho no PBA e o tempo de treinamento corrobora estudos que resultaram em consolidação da validade e confiabilidade da ferramenta. Conclusão: A elaboração de protocolos de PBA por consenso de grupo é factível e resultou na primeira utilização dessa ferramenta em residência de urologia no Brasil. O PBA pode representar uma estratégia de avaliação de ensino cirúrgico mais moderno e adequado ao treinamento em cenários reais.

Avaliação de habilidades clínicas e feedback na residência médica em Pediatria

PID: S1981-52712021000200227 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Auto Vasconcelos Peixoto
Resumo: Introdução: A residência médica é a especialização por excelência na formação do médico, e cabe ao programa assegurar que o residente egresso atinja o nível almejado de competência. Um sistema avaliativo bem elaborado e com feedback é ferramenta efetiva para aprimorar o desempenho do futuro especialista e garantir a qualificação dele. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o sistema de avaliação do médico residente em pediatria de um hospital universitário, com o intuito de promover a formação docente em métodos avaliativos. Método: Trata-se de uma pesquisa-ação educacional (pesquisa-ensino) realizada com docentes e preceptores da residência médica em pediatria de um hospital universitário. As etapas consistiram em: 1. aplicação de questionário sobre o perfil dos participantes e os métodos avaliativos utilizados com os residentes; 2. intervenção com a realização de um workshop sobre avaliação de habilidades clínicas e feedback; 3. avaliação imediata, após o workshop, com aplicação de outro questionário, elaborado com base no nível 1 do método Kirkpatrick. Utilizaram-se a análise estatística simples, para os dados objetivos, e a análise de conteúdo, segundo recomendações de Malheiros e Bardin, para a parte qualitativa. Resultado: Dos 21 participantes, dez (48%) informaram que não tinham capacitação formal em avaliação e que utilizavam métodos avaliativos mais tradicionais. Quanto aos métodos, 81% (17/21) dos participantes informaram que utilizavam mais de um, com finalidade somativa, para obter uma avaliação mais abrangente e fidedigna. No entanto, nenhum utilizava uma avaliação sistematizada de habilidades clínicas com fornecimento de feedback. Após o workshop com enfoque em avaliação de desempenho em ambiente simulado, em que se adotou o Objective Structured Clinical Examination (OSCE), os participantes utilizaram, com os internos, o método avaliativo do aprendizado na sua prática cotidiana, e, dessa forma, o treinamento atingiu o nível 3 de Kirkpatrick. Conclusão: A pesquisa-ação propiciou identificar limitações no sistema de avaliação e feedback do médico residente em pediatria. A metodologia utilizada revelou um efeito agregador e contribuiu para desenvolver o sentido colaborativo e integrativo no grupo. No entanto, não foi suficiente para interferir positivamente, em curto prazo, na avaliação da residência médica em pediatria.

Avaliação dos níveis de ansiedade e seus fatores associados em estudantes internos de Medicina

PID: S1981-52712021000100212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Nogueira Matos Machado Araújo Silva Almeida
Resumo: Introdução: O período do internato para um estudante de Medicina é complexo e demanda atenção das escolas médicas em relação à saúde mental desses médicos em formação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os fatores associados aos níveis de ansiedade em estudantes internos de Medicina. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. Aplicaram-se dois questionários: um com dados sociodemográficos, pessoais e clínicos, e o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). Resultados: Foram incluídos na pesquisa 140 estudantes internos de um curso de Medicina. A maioria tinha até 24 anos (67,9%) e 70,7% eram do sexo feminino. Dos participantes, 54,2% eram solteiros, 31% eram adeptos de uma religião e 68,3% moravam com familiares. Na comparação dos aspectos sociodemográficos com os níveis de ansiedade, identificou-se, no sexo feminino, uma frequência bem maior de ansiedade leve e moderada do que no sexo masculino (p = 0,0133). Aspectos pessoais e clínicos comparados com os níveis de ansiedade mostraram uma frequência maior de ansiedade em estudantes que afirmaram realizar terapia psiquiátrica ou psicológica (p = 0,0110). Ter insônia esteve relacionado com ansiedade de moderada a severa (p < 0,0001). A utilização de substâncias que alteram o sono foi associada com maior frequência a todos os níveis de ansiedade (p = 0,0099). A satisfação com o rendimento acadêmico teve menor relação com os níveis de ansiedade (p = 0,0017). Entretanto, maiores frequências de ansiedade de moderada a severa e ansiedade severa foram encontradas nos alunos que afirmaram ter pensado em abandonar o curso de Medicina (p = 0,0239). Conclusão: O presente estudo revelou os aspectos sociodemográficos, pessoais e clínicos, e, consequentemente, os fatores de risco que estão mais associados ao nível de ansiedade em estudantes internos de Medicina. Ademais, expõem-se as consequências que os níveis de ansiedade podem provocar em um indivíduo, sendo imprescindível a adoção de medidas para combater e prevenir o desenvolvimento de sintomas ansiosos.

Avaliação dos pacientes em relação à presença do estudante de medicina durante os atendimentos ambulatoriais

PID: S1981-52712021000300210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Botim Oliveira Freitas Ferreira
Resumo: Introdução: A educação médica nas últimas décadas caminhou para um entendimento da importância de que os futuros profissionais sejam submetidos à aprendizagem em cenários de práticas o mais cedo possível dentro da graduação médica. Objetivo: Tendo em vista esse cenário diferenciado, o estudo dedicou-se a realizar uma avaliação pelos pacientes dos atendimentos em ambulatório do SUS realizados por estudantes de Medicina de diversos períodos, sob supervisão de preceptores médicos. Método: Foi realizado estudo transversal e descritivo por meio da aplicação de 200 questionários autopreenchidos. Resultado: A maior parte dos pacientes entrevistados relatou que foi informada previamente desse tipo de atendimento, que houve solicitação de consentimento e que os estudantes foram respeitosos e educados. Por conta disso, os pacientes sentiram-se satisfeitos em contribuir para o aprendizado dos estudantes e receberam mais explicações do seu estado de saúde. Tudo isso resultou em uma taxa de 98,5% de satisfação dos pacientes com o atendimento recebido. Em relação à duração do atendimento, houve relação entre a percepção de inadequação do tempo, a ausência do pedido de consentimento e a baixa escolaridade. Alguns pacientes mencionaram situações de incômodo, constrangimento ou desrespeito. Conclusão: A pesquisa demonstrou que a maioria dos pacientes entrevistados se sentiu satisfeita com o atendimento recebido pelos estudantes, o que comprova que esse tipo de metodologia de ensino tem sido bem recebido pela população. O estudo também evidenciou alguns aspectos que precisam ser melhorados, revelando necessidade de ações por meio da coordenação para aperfeiçoar esse importante método de ensino e o serviço de saúde ofertado à população.

Avaliação em uma residência de radiologia: elaboração de um novo instrumento e experiência inicial

PID: S1981-52712021000300215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Macêdo Vilar Macêdo
Resumo: Introdução: A educação médica baseada em competências tem despertado interesse nas últimas décadas. A avaliação do educando constitui um de seus pilares centrais, devendo ser contínua, fundamentada em critérios claros e eminentemente formativa, sempre provendo feedback. A sistematização dos métodos de avaliação envolve variáveis como confiabilidade, validade, aceitabilidade, impacto educacional e custo. Na radiologia, a literatura carece de instrumentos específicos de avaliação, especialmente em programas de residência médica no Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivos elaborar e implementar um instrumento avaliativo com caráter formativo para o Programa de Residência Médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (PRM-RDI) do Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huol-UFRN), que englobe competências específicas e crie oportunidades para feedback nos cenários de prática. Método: Trata-se de um estudo de abordagem descritiva, exploratória e de intervenção, com três etapas. As duas primeiras consistiram em oficinas com médicos residentes e preceptores: uma para conceituação e compreensão da avaliação por competências e de técnicas de feedback, e outra para construção coletiva de um instrumento avaliativo adequado à radiologia, definindo as competências mais importantes a serem avaliadas. Na terceira etapa, os pesquisadores acompanharam a aplicação inicial do instrumento pelos preceptores. Resultado: As duas oficinas tiveram participação de três pesquisadores, 16 preceptores e cinco residentes. O instrumento de avaliação resultante contém inicialmente um cabeçalho para preenchimento de dados do residente e do avaliador, do local e exame realizado. Há ainda sete competências que devem ser avaliadas em relação ao esperado para o nível do residente e uma escala para conceito geral da avaliação, seguida de campos para comentários do preceptor e do residente. O instrumento foi aplicado 33 vezes nos cenários de prática, num período de seis meses. Conclusão: A realização de oficinas de capacitação para os preceptores, com a introdução de uma nova cultura de avaliação, foi fundamental para a construção e experiência inicial na aplicação do instrumento no referido programa. O instrumento apresentou viabilidade, baixo custo e teve boa aceitabilidade entre preceptores e residentes, servindo como marco inicial na busca por uma avaliação sistematizada na residência médica na área de radiologia.

Avaliação por pares na educação médica: um relato das potencialidades e dos desafios na formação profissional

PID: S1981-52712021000200403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Kaim Lima Santana Raimondi Paulino
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de Medicina propõem métodos de ensino e avaliação em que os discentes possam desenvolver criticidade em relação às necessidades de aprendizado. Nesse contexto, a avaliação por pares (AP) apresenta-se como uma estratégia didática capaz de potencializar esse processo. Apesar disso, ainda se observa pouco uso dessa ferramenta na graduação, contudo ela é frequente em congressos científicos e avaliação de periódicos. Diante disso, este relato de experiência busca compartilhar os aprendizados e as reflexões da implementação sistematizada da AP em um componente curricular de Saúde Coletiva do curso de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Relato de experiência: O componente em que a atividade foi criada contava com atividades teórico-práticas durante o semestre. Assim, a atividade relatada iniciou-se com a elaboração de pôsteres ao longo do semestre em razão de sua importância em congressos médicos. Esses pôsteres discorriam sobre as vivências dos alunos na atenção primária à saúde. A avaliação desses pôsteres foi feita consecutivas vezes por meio de instrumento de AP pactuado com os estudantes previamente, o qual pontuava critérios estruturais do pôster, bem como seu conteúdo. Os acadêmicos puderam ser avaliados e atuar como avaliadores, sendo supervisionados pelos professores, o que contribuiu para o desenvolvimento da criticidade no processo de aprendizagem. Discussão: Inicialmente, a atividade gerou estranheza dada a pouca familiaridade dos alunos com a AP, o que foi superado ao longo do semestre. Como limitações, apontamos a necessidade de lidar com as subjetividades no processo avaliativo dos alunos, de formação em feedback e gestão de conflitos, além de possíveis limitações tecnológicas dos discentes. Conclusão: A AP, embora seja uma estratégia utilizada em outros cenários científicos, possui caráter inovador na graduação e pode promover as competências esperadas para um profissional médico crítico e autônomo, como a familiaridade com a prática do feedback e a capacidade de análise crítica.

Avaliação psicométrica do instrumento Instructional Materials Motivation Survey (IMMS) em ambiente remoto de aprendizagem

PID: S1981-52712021000500204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Cardoso-Júnior Faria
Resumo: Introdução: A motivação contribui sobremaneira para a aprendizagem, sendo um fator preditor da performance do estudante. Assim, instrumentos que avaliam a motivação, após exposição a diferentes estratégias e materiais de ensino, podem contribuir para a análise de sua efetividade e decisão sobre esta. Nesse sentido, o instrumento Instructional Materials Motivation Survey (IMMS) mede a motivação dos estudantes após atividades instrucionais. Objetivo: Esta pesquisa teve como objetivo avaliar as evidências de validade do IMMS, previamente traduzido e adaptado transculturalmente para o português brasileiro. Método: Trata-se de um estudo transversal de avaliação das propriedades psicométricas do questionário IMMS, aplicado a 211 estudantes do primeiro, terceiro e quarto períodos do curso de Medicina da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas - câmpus de Belo Horizonte). Adotaram-se a análise de componentes principais (ACP) com rotação Varimax e o coeficiente alfa de Cronbach para avaliação da validade e da confiabilidade do instrumento. Resultado: A ACP reduziu os itens do instrumento de 36 para 25, distribuídos em quatro dimensões. A saturação dos itens nas dimensões variou de 0,529 a 0,790, e a variância total explicada foi de 63,12%. A confiabilidade do IMMS modificado (IMMS-BRV), medida pelo alfa de Cronbach, variou de 0,76 (dimensão atenção) a 0,93 (dimensão interesse). Conclusão: A aplicação do IMMS no cenário de ensino remoto, por meio de videoaulas assíncronas de anatomia humana, resultou em instrumento alternativo (IMMS-BRV), modificado com menor número de itens (mais parcimonioso) e boa consistência interna, demonstrando evidências preliminares de adequação de sua validade e confiabilidade.

Captação de recursos para pesquisas e o terceiro setor: o que os docentes sabem?

PID: S1981-52712021000200208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Carvalho Barros Limonge Carneiro Nylander Costa
Resumo: Introdução: O crescimento socioeconômico de um país acontece por meio do desenvolvimento de ciência e tecnologia, e, por isso, a parceria com o terceiro setor é positiva ao auxiliar o financiamento de projetos científicos. Objetivos: Assim, o presente estudo objetiva avaliar as formas de captação de recursos mais utilizadas pelos docentes de Medicina para a execução de seus estudos científicos e verificar se há o reconhecimento do terceiro setor como opção para tal obtenção. Métodos: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quali-quantitativa, construído por meio do uso de um formulário individual aplicado aos docentes do curso médico de cinco instituições do ensino superior do Norte/Nordeste do Brasil. Os dados obtidos foram analisados por estatísticas descritiva e analítica. Resultados: Participaram 138 professores, de ambos os sexos, com idade média ± 43,2 anos. A pesquisa mais comumente desenvolvida pelos docentes foi a básica (56,1%); 68,8% utilizaram recursos próprios para o desenvolvimento de seus estudos; 18,8% obtiveram recursos de entidades de apoio à pesquisa; 75,4% conheciam alguma fundação de amparo à pesquisa, e as mais citadas foram a Fapespa (26,9%) e o CNPq (26,9%); 13,8% relataram conhecer sites e empresas multinacionais que fomentam projetos de pesquisas, mas somente 2,2% submeteram sua iniciativa às chamadas públicas em instituições internacionais para captação; quando perguntados sobre o terceiro setor, seus fundamentos e atores definidos pela legislação, o estudo apontou uma falta de conhecimento, com 100% de inadequação nas respostas sobre tais entidades; quanto à parceria entre o terceiro setor e o Estado, 83,3% sinalizaram desconhecimento;100% dos entrevistados desconhecem os critérios para uma entidade integrar tal setor, ao mesmo tempo que 76,8% afirmaram que a falta de orientação dos conceitos do ramo não é entrave para a captação de recursos às pesquisas. Conclusão: A maioria dos docentes utilizava recursos próprios para a realização de seus projetos, seguidos pelo uso de recursos públicos. Ademais, grande parte dos profissionais não reconheceu o terceiro setor como fonte patrocinadora, carecendo de informações que lhes possibilitassem desenvolver atividades de forma ampla e com as diversas oportunidades existentes, oferecidas por entidades desse setor.

Carga horária de cirurgia em escolas médicas do Brasil

PID: S1981-52712021000100229 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Martini Oliveira Grosseman
Resumo: Introdução: A cirurgia é um importante componente dos currículos dos cursos de graduação em Medicina. Este estudo foi realizado por não se conhecer a carga horária de cirurgia nas escolas médicas brasileiras. Objetivo: Analisar a carga horária de cirurgia de escolas médicas brasileiras. Método: Este estudo foi transversal e descritivo, realizado em escolas médicas brasileiras reconhecidas pelo Ministério da Educação que iniciaram atividades até 31 de dezembro de 2017 e disponibilizavam matriz curricular e/ou projeto político-pedagógico com carga horária de cirurgia na internet até setembro de 2018. As variáveis estudadas foram carga horária total e de cirurgia antes do internato e durante esse período, região geográfica e gratuidade das escolas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, teste t de Student, análise de variância e testes U de Mann-Whitney e de Kruskal-Wallis, rejeitando-se a hipótese nula quando p < 0,05. Resultados: Foram incluídas 205 das 323 escolas médicas existentes, das quais 175 disponibilizavam carga horária de cirurgia no internato; 157, antes do internato; e 129, disponibilizavam ambas as cargas horárias. A mediana da carga horária total de cirurgia foi de 815,0 horas (P25 - 75 = 677,5 - 992,0; limites: 340,0 - 1.665,0 horas), e a carga horária média antes do internato foi de 268,7 horas (desvio padrão = 140,3; limites: 32,0 - 780,0), ambas sem diferença estatística por região geográfica ou gratuidade da escola. A mediana da carga horária do internato foi de 540,0 horas (P25 - 75 = 400,0 - 712,0; limites: 170,0 - 1.410,0), sem diferença estatística por região geográfica, mas maior nas escolas gratuitas. Em relação à carga horária total do currículo do curso, a porcentagem média da carga horária de cirurgia antes do internato foi 3,2% (desvio padrão = 1,7); a porcentagem mediana da carga horária de cirurgia no internato, 6,4% (P25 - 75 = 5,0 - 8,2); e a porcentagem mediana da carga horária de ambos os períodos foi de, 9,7% (P25 - 75 = 8,3 - 11,8). Conclusões: Apesar da variação nos limites extremos da carga horária de cirurgia, a mediana de seu total e sua média antes do internato são semelhantes por região geográfica e gratuidade da escola, e sua mediana no internato é também semelhante por região, mas maior em escolas médicas gratuitas. Os valores encontrados neste estudo podem ajudar os gestores na avaliação e no planejamento da carga horária de cirurgia em suas escolas.

Carga horária de saúde coletiva antes do internato em escolas médicas brasileiras

PID: S1981-52712021000100227 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Martini Grosseman
Resumo: Introdução: Os limites da carga horária (CH) de saúde coletiva (SC) antes do internato (AI) não estão definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais, nem em outros documentos, e não foram investigados de forma abrangente em estudos nacionais. Objetivo: Analisar a CH de SC AI em escolas médicas (EM) brasileiras. Método: Estudo transversal, com escolas reconhecidas pelo Ministério da Educação que iniciaram as atividades até 31 de dezembro de 2017. Os sites das 323 escolas existentes foram consultados, e foram incluídas aquelas que disponibilizavam seus currículos na internet com detalhamento de CH de SC AI. As variáveis foram região geográfica e administração da escola, CH do curso de medicina e CH de SC AI, incluindo também as CH de epidemiologia, bioestatística e saúde do trabalhador. Os dados foram analisados usando-se estatística descritiva, teste de qui-quadrado (Ӽ2) de Pearson para variáveis categóricas e testes Mann-Whitney-U (U) e Ӽ2 de Kruskal-Wallis para variáveis contínuas. Resultados: Foram incluídas 222 das 323 EM existentes (68,7%), sendo 83 gratuitas (37,4%) e 139 não gratuitas (62,6%). A mediana da CH total de SC AI foi de 440,0 horas (P25-75 = 300,0 - 640,0), equivalente a 5,4% (P25-75 = 3,5 - 7,8) da CH total do curso. A mediana da CH de SC AI em horas das escolas privadas e municipais foi de, respectivamente, 480,0 (P25-75 = 330,7 - 679,2) e 576,0 (P25-75 = 360,0 - 766,0); no caso das estaduais e federais, a mediana foi de, respectivamente, 337,0 (P25 - 75 = 281,2 - 524,2) e 370,0 (P25-75 = 300,0 - 480,0), Ӽ2(3) = 11,48, p = 0,009. As escolas não gratuitas tiveram mediana de CH total de SC de 500,0 horas (P25-75 = 336,0 - 690,0) e as gratuitas de 364,0 horas (P25-75 = 285,0 - 504,0), U = 4.259,0, z = - 3,26, p = 0,001. A mediana da CH, em horas, de epidemiologia e bioestatística AI entre 124 escolas foi de 88,0 (P25-75 = 60,0 - 120,0) e de saúde do trabalhador entre 63 foi de 40,0 (P25-75 = 33,0-60,0). Conclusões: A CH de SC AI apresenta grande variação, sendo maior em escolas não gratuitas.

Cartas a um jovem mentor - aprendendo mentoria com os clássicos

PID: S1981-52712021000400801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Bellodi
Resumo: Introdução: Como ser mentor para alguém? Como fazer acontecer a mentoria? Qual é o caminho a seguir? Podemos aprender sobre mentoria no cotidiano, em programas estruturados e, desde a sua origem, nos clássicos literários. Neste ensaio, a partir de releitura pessoal do livro Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke, busco identificar e apresentar elementos que possam aprofundar a compreensão do ser mentor e do fazer mentoria. Desenvolvimento: A troca de correspondências entre o poeta experiente e o iniciante mostra a importância da generosidade e da humildade como atributos de um mentor. Mesmo a distância e mediada por cartas, a relação é sustentada pelos três vértices da mentoria que promovem desenvolvimento: o acolhimento, a reflexão e a visão. Conclusão: Mentores modernos podem encontrar, nessa e em outras narrativas clássicas, novas inspirações para o seu fazer. Rilke e o jovem Kappus, tal como Mentor e Telêmaco, na Odisseia, caminham juntos e nos contam uma história que vale a pena ler e reler.

Cartografia das escolas médicas: a distribuição de cursos e vagas nos municípios brasileiros em 2020

PID: S1981-52712021000100204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Pereira Fernandes Mari Lage Fernandes
Resumo: Introdução: O número de cursos de Medicina no Brasil e a quantidade de vagas ofertadas cresceram consideravelmente nos últimos anos. A partir de 2013, essa expansão tinha o objetivo de atingir sobretudo o interior do país. Objetivo: Considerando que existem diversos interesses em torno dessa expansão e que essa realidade influencia diretamente as políticas de educação e saúde do país, o objetivo deste estudo foi analisar a quantidade e a distribuição, em 2020, desses cursos e vagas nos municípios brasileiros. Método: Trata-se de estudo transversal com dados disponibilizados pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As variáveis estudadas foram números de cursos, número de vagas e características dos municípios das escolas médicas, como tamanho da população, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e distância em relação à capital do respectivo estado. Resultados: Há 328 cursos em atividade que ofertam 35.480 vagas para ingressantes em Medicina. Ocorre diferença quando se analisam instituições públicas ou privadas e instituições gratuitas ou pagas. Há maior oferta de vagas em cursos pagos (74,1%) e em municípios de interior (69,8%). No interior, 27,8% das vagas são ofertadas por municípios distantes de um a 100 km da capital. A menor parte das vagas (7,9%) é ofertada em municípios de IDH médio, sendo o restante em municípios de IDH alto ou muito alto. O aumento do IDH está relacionado à maior proporção de cursos privados ofertando vagas de Medicina. Observou-se que não há correspondência entre o número absoluto de vagas e a população da Região Norte, o que ocorre nas demais regiões do país. Conclusões: A formação médica está sob várias influências, a exemplo das tendências econômicas e políticas. Essa discussão precisa levar em consideração a regionalização e a democratização do acesso. Observou-se tendência de as instituições públicas se destinarem a municípios mais distantes. Apesar de maior homogeneidade entre as regiões, a Região Sudeste ainda concentra quase metade das vagas. Além disso, o aumento do número de vagas em cursos privados evoca o questionamento sobre o perfil de estudantes que têm a oportunidade de acessar essa graduação.

Cinema brasileiro e o ensino dos transtornos da personalidade

PID: S1981-52712021000200226 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Honorato Mazzaia Avezani Lotufo Neto
Resumo: Introdução: O uso de filmes comerciais em sala de aula é uma prática comum e acessível. A prática de exibição de filmes para o ensino é definida pelo termo cinemeducation. Objetivo: O presente estudo partiu da hipótese de que o cinemeducation, como metodologia ativa, poderia contribuir para o aprendizado dos transtornos da personalidade (TP) na graduação. Foram ministradas aulas presenciais para 213 estudantes de Medicina, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia e Fonoaudiologia, para avaliar o conhecimento desenvolvido sobre TP. Método: O estudo é transversal e quantitativo, composto por amostras pareadas e dependentes (antes e depois). As etapas foram: 1. aplicação de instrumento avaliativo em forma de questionário (antes); 2. aula composta por exibição de cenas de filmes brasileiros e reflexão e discussão sobre elas; 3. aplicação do mesmo questionário (depois); e 4. análise estatística comparativa entre os resultados. Resultados: O método se mostrou efetivo para o processo ensino-aprendizagem, havendo melhora autorreferida no conhecimento dos estudantes após a aula (questão 1) e melhora observável ao identificarem e conceituarem os TP (questão 3). Além disso, os estudantes referiram, em média, que a estratégia contribuía para a aprendizagem, antes da aula, e mantiveram em média essa opinião, depois (questão 2). Conclusões: Alcançou-se o objetivo proposto porque se utilizou amostra estatisticamente significativa de estudantes, e os resultados confirmaram que o método é efetivo para o ensino. Além disso, a discussão evidenciou que o uso dos filmes pode contribuir para o o aprendizado, condizendo com as características de estudantes da geração atual, uma vez que valoriza o uso de tecnologias em sala de aula e permite o aprendizado crítico-reflexivo e a participação ativa dos sujeitos. As limitações do estudo se referem à escassez de filmes brasileiros contemporâneos que exemplifiquem todos os TP, não havendo cenas representativas para TP esquizotípica, dependente e esquiva. Além disso, considera-se necessário estudo comparativo entre o método tradicional de ensino dos TP e o cinemeducation, de forma a investigar a eficácia deste quando comparado às aulas tradicionais.

Competências clínicas do aluno de medicina em urgência e emergência: análise evolutiva através do OSCE

PID: S1981-52712021000500206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Roderjan Gomel Tanaka Egg Neto Chao Nisihara
Resumo: Introdução: Um dos maiores desafios em avaliar a formação médica é mensurar habilidades práticas, transpondo os limites do conhecimento teórico. O OSCE é uma alternativa de avaliação ativa e padronizada das competências clínicas. Apesar da sua crescente implementação, ainda são escassos os estudos longitudinais que subsidiem seu potencial avaliativo. Objetivo: Analisar a curva de aprendizagem dos estudantes de medicina com base na avaliação evolutiva de seus desempenhos nos OSCE de Urgência e Emergência. Método: Estudo retrospectivo a partir da análise de checklists avaliativos de três OSCE consecutivos, aplicados ao longo de 2019 a alunos do sexto ano de medicina da Universidade Positivo, na disciplina de Urgência e Emergência. Resultado: Foram analisados 270 checklists, aplicados a 90 alunos. Desse grupo, 51 (56,7 pontos percentuais) eram do gênero feminino e 69 (76,7 pontos percentuais) tinham entre 23 e 26 anos. Entre o primeiro e terceiro OSCE, 67 alunos (74,4 pontos percentuais) obtiveram um acréscimo significativo na nota final, cuja mediana foi elevada em 1,5 ponto. A partir da análise da evolução por componentes - conduta, reconhecimento, interação e seguimento - observou-se aumento no percentual de acertos em conduta (15,5 pontos percentuais), manutenção em reconhecimento, decréscimo tanto em interação (19,4 pontos percentuais) quanto em seguimento (16,1 pontos percentuais). Conclusão: O estudo aponta uma curva crescente das notas nos exames OSCE, sugerindo um aumento no aprendizado geral em Urgências e Emergência ao longo do ano. No entanto, a análise minuciosa dos componentes revela diferentes curvas de desempenho. Não sendo possível supor as causas destes contrapontos, são sugeridos mais estudos na área.

Comunicação clínica no internato: habilidade em interface com o currículo integrado e orientado por competência

PID: S1981-52712021000300205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Lima Pio Nonato Chirelli Bettini
Resumo: Introdução: A comunicação clínica é um instrumento de interação entre profissionais e destes com os usuários, importantíssimo para assegurar o cuidado integral dos indivíduos. A complexidade das demandas biopsicossociais dos usuários deve ser compreendida e trabalhada por meio de habilidades desenvolvidas para além do conhecimento técnico e biomédico, com formação mais ampliada em relação ao ser humano. No currículo de uma instituição de ensino superior do interior paulista, a comunicação clínica é competência esperada do estudante em todos os cenários da graduação. No internato médico, em especial, é importante que a prática da comunicação seja trabalhada integradamente, considerando os aspectos biopsicossociais do sujeito relacionados ao cuidado; todavia, a literatura demonstra que essa habilidade é explorada superficialmente na formação, acarretando dificuldade de sua efetivação. Desse modo, parte-se do pressuposto de que há diferentes compreensões acerca do conceito de comunicação clínica e de sua articulação teórico-prática entre docentes e discentes, sendo preciso analisar a formação no internato acerca destes. Objetivo: Assim, objetivou-se questionar como professores e estudantes do internato de um curso médico compreendem o processo de ensino-aprendizagem acerca da comunicação clínica em um currículo integrado e orientado por competência na matriz dialógica. Método: Trata-se de um estudo qualitativo que contou com a participação de 11 estudantes da quinta série, 12 estudantes da sexta série e nove professores do internato. As entrevistas foram semidirigidas e realizadas a partir de um roteiro de entrevista, sendo posteriormente transcritas e submetidas à análise de conteúdo, modalidade temática. Resultado: Três categorias emergiram do conjunto de concepções e características dos temas comunicação clínica e currículo: 1. “O que envolve a comunicação clínica”, 2. “Desenvolvimento da comunicação clínica na graduação” e 3. “Proposições para a formação de estudantes e professores no internato”. Pôde-se observar o entendimento acerca do conceito de comunicação clínica e sua importância na formação dos estudantes, porém evidenciou-se dificuldade de desenvolvimento na formação devido ao desconhecimento do currículo, sobrecarga discente e desvalorização docente. Conclusão: O estudo contempla a comunicação clínica no internato e possibilidades de reflexão acerca de lacunas citadas pelos estudantes e professores.
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