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Comunicação de más notícias com pacientes padronizados: uma estratégia de ensino para estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000200222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Isquierdo Miranda Quint Pereira Guirro
Resumo: Introdução: A comunicação é intrínseca ao ser humano e necessária para a prática médica. Comunicar más notícias é uma das tarefas mais difíceis impostas aos médicos, e o aprendizado dessa habilidade deve fazer parte do ensino médico. O aprendizado de comunicação deve fazer parte desde a graduação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a qualidade da comunicação de más notícias de estudantes de Medicina submetidos a cenários simulados com paciente padronizado (PP), proporcionar orientação e reavaliar a habilidade com intervalo de 30 dias. Método: Os estudantes de Medicina foram submetidos, individualmente, a um cenário simulado de comunicação de más notícias com PP e avaliados por meio de um instrumento com 34 itens, no intervalo de 30 dias (oficinas D1 e D30). Após a simulação, realizou-se um debriefing com a presença da docente, dos auxiliares de pesquisa e dos atores, ressaltando os pontos positivos, os pontos a melhorar e a orientação baseada no protocolo SPIKES. Resultado: Em D1, compareceram 60 estudantes, e, destes, 53 retornaram em D30. Em D1, o desempenho médio foi 0,44 ± 0,22; e, em D30, 0,71 ± 0,15 (intervalo de 0 a 1). O bom desempenho do estudante esteve correlacionado com a comunicação efetiva da má notícia e com o acolhimento do paciente (p < 0,001). Aqueles que não tiveram desempenho satisfatório em D1 puderam adquirir habilidades no primeiro momento, e 86,1% mostraram melhor desempenho em D30. Dos que já tinham obtido desempenho satisfatório em D1, 75% o mantiveram em D2. De acordo com a avaliação, 98,1% dos estudantes apreciaram o treinamento como um todo. Conclusão: O treinamento em ambiente simulado permitiu o aprimoramento da habilidade de comunicação dos estudantes e mostrou ser uma ferramenta eficaz no ensino médico. A comunicação de más notícias foi melhorada no intervalo de 30 dias, por meio de treinamento em cenário simulado com PP, seguido de orientação e novo treinamento em 30 dias. Inserir estudantes na atividade e instruir sobre pontos fundamentais da comunicação de más notícias, por meio do debriefing coletivo, tornou os participantes mais qualificados.

Conhecimento dos alunos de medicina sobre papilomavírus humano (HPV), câncer cervical e vacinação contra HPV

PID: S1981-52712021000300213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Wanderley Sobral Resende Levino Marques Feijó Aragão
Resumo: Introdução: Há ainda, entre os estudantes de Medicina, muitas dúvidas com relação ao papilomavírus humano (HPV) e à vacina contra esse vírus. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a compreensão dos estudantes de Medicina da Universidade de Brasília acerca do HPV, da sua relação com o câncer e da vacina contra o vírus. Método: Foi realizado um estudo transversal por meio da aplicação de um questionário teste sobre os temas. A avaliação envolveu 379 respondentes, o que representava 72,7% dos 521 alunos do primeiro ao sexto ano matriculados no segundo semestre de 2017. As análises estatísticas incluíram diferenças entre médias e proporções, medidas de tamanho de efeito e a correlação entre os indicadores identificados. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Faculdade de Medicina (1,989,835). Resultado: A pontuação de conhecimento de 50 itens aumentou progressivamente com o ano do curso médico (r = 0,706, p <0,001) e foi maior entre os participantes sexualmente ativos em comparação com os celibatários (t = 3,26, df = 275, p = 0,001, d = 0,37), e entre os participantes com renda familiar mais alta em comparação com aqueles com renda mais baixa (t = 2,91, df = 366, p = 0,004, d = 0,35). Nenhuma diferença significativa de pontuação foi observada entre os participantes agrupados por gênero, comportamento sexual ou estado de vacinação contra o HPV. Além disso, sexo (feminino; OR = 6,5, p <0,001), faixa etária (<24 anos; OR = 3,3, p = 0,001) e sexualidade (ativo; OR = 2,7, p = 0,002), mas não o conhecimento geral, foram preditores do desejo de vacinação entre 297 alunos não vacinados. Conclusão: O estudo revelou uma forte correlação entre o conhecimento relacionado ao HPV dos estudantes de Medicina e o ano de estudo, e pontuações significativamente mais altas entre os respondentes sexualmente ativos e de renda superior, mas não houve nenhuma diferença essencial entre homens e mulheres ou entre alunos vacinados e não vacinados. Entre estes últimos, gênero, idade, sexualidade, e não o conhecimento foram os melhores preditores do desejo de vacinação. Os achados sugerem a necessidade de aperfeiçoamento em programas de triagem e vacinação para HPV e nas estratégias educacionais referentes às doenças relacionadas ao vírus.

Construção de consenso Delphi das competências otorrinolaringológicas preconizadas ao egresso de Medicina

PID: S1981-52712021000300202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rodrigues Dias Toledo Junior
Resumo: Introdução: Afecções otorrinolaringológicas são destaques entre as enfermidades mais frequentes na atenção primária. Acredita-se que a sobrecarga na atenção secundária seja consequência da baixa resolução dos problemas na atenção primária. Uma possível explicação para esse fato seria a deficiência na capacitação médica durante a graduação. Estima-se que a carga horária média de otorrinolaringologia seja 0,6% da carga horaria média total, após análise de 141 matrizes curriculares, correspondendo a aproximadamente 70,5% do total das escolas médicas em funcionamento em 2013. Nessa área, poucos estudos têm sido realizados em relação ao ensino e à necessidade de reavaliação curricular. Objetivo: O presente estudo tem o intuito de buscar um consenso sobre as competências necessárias ao generalista na especialidade de otorrinolaringologia. Métodos: Criou-se um questionário inicial que abordava as competências otorrinolaringológicas pertinentes à prática clínica dos médicos da atenção primária. Por meio da metodologia Delphi, no formato eletrônico, o questionário foi enviado para 20 especialistas com formações distintas: médicos generalistas, otorrinolaringologistas e médicos de família e comunidade. Essa heterogeneidade entre os especialistas contribuiu para garantir a confiabilidade dos resultados. Os resultados obtidos após cada rodada eram analisados pelos pesquisadores, que observavam as tendências e as opiniões dissonantes, bem como suas justificativas. Ao final da sistematização e compilação dos resultados, um novo questionário era elaborado e reenviado, iniciando uma nova rodada até que o consenso fosse estabelecido em todas competências. Resultados: Realizaram-se cinco rodadas para o estabelecimento do consenso em todas as 17 competências otorrinolaringológicas avaliadas pelas proposições, o possibilitou a definição do nível de competência dos conteúdos e procedimentos otorrinolaringológicos preconizados ao egresso de Medicina. Conclusão: Os dados obtidos neste trabalho podem servir para o embasamento, direcionamento e desenvolvimento do currículo otorrinolaringológico nos cursos de graduação de Medicina, visto que não se encontrou na literatura consenso estabelecendo as competências mínimas otorrinolaringológicas na formação curricular da graduação.

Correlação entre os domínios de competência do tutor e o desempenho estudantil: estudo transversal

PID: S1981-52712021000300225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Sousa Falbo-Neto Falbo
Resumo: Introdução: Na aprendizagem baseada em problemas, o tutor atua como facilitador, e, nesse contexto, as congruências social e cognitiva e o conhecimento do conteúdo são considerados aspectos fundamentais para o exercício dessa função. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar o perfil de domínios de competências do tutor e a correlação com o desempenho do estudante. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado de 2016 a 2017 com tutores e estudantes de Medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde. Utilizou-se o coeficiente de Spearman para verificar a correlação do perfil de domínios de competência do tutor com o rendimento geral. Resultado: Participaram do estudo 34 tutores e 533 estudantes. Identificaram-se três domínios de competência nas frequências: congruência cognitiva em 88,7%, congruência social em 93,6% e conhecimento de conteúdo em 98,9%. Não foi observada correlação entre os domínios de competência e rendimento. Conclusão: Especula-se que esse achado se deva à falta de controle das variáveis de confundimento.

Covid-19 e o aluno de medicina: qual a participação dos nossos internos?

PID: S1981-52712021000300230 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Sales Castro
Resumo: Introdução: A COVID-19, nova doença infecciosa aguda causada pelo SARS-Cov-2, descoberta na China em dezembro de 2019, é caracterizada - hoje, pela OMS - como pandemia. O regime de distanciamento social implementado em todo o mundo causou importante impacto sobre vários setores, em particular o da educação. As mudanças ocorridas, no Brasil, no âmbito dos cursos de saúde de nível superior, impactaram de forma significativa o desenvolvimento das atividades de internato desempenhadas por acadêmicos de medicina. Objetivo: O estudo buscou identificar as principais mudanças ocorridas na realização do internato dos estudantes de medicina e a visão do interno mediante tais mudanças. Método: Foi elaborado questionário na plataforma Google Forms acerca do impacto da pandemia por COVID-19 nas atividades do internato de medicina. O universo pesquisado era composto por internos de medicina das universidades públicas e privadas de Fortaleza. Os dados coletados foram armazenados em planilhas de Excel e depois analisados no software SPSS. O teste do qui-quadrado e o de associação linear foram utilizados para avaliar a associação entre as variáveis categóricas nominais e ordinais. Em algumas comparações foi também calculado o V de Cramer. O nível de significância para todos os testes foi considerado com base no p<0,05. Resultado: A amostra foi composta por 303 estudantes, dos quais 195 (64,4%) não pararam suas atividades de internato e 108 (35,6%) pararam tais atividades. Esses alunos utilizaram alguns motivos principais como justificativas para a paralisação ou não de suas atividades, bem como responderam, em maioria, terem tido estímulo de seus professores para escolher uma dessas duas opções. Dos que não prosseguiram com o internato, 71,3% disseram terem se sentido prejudicados com a paralisação. Além disso, uma série de correlações foram observadas a partir da comparação das respostas de alunos divididos por semestres ou por tipos de instituição (pública ou privada). Conclusão: A pandemia por COVID-19 determinou impacto negativo na realização das atividades de internato por estudantes de medicina. Dessa forma, fica clara a necessidade por estudo de estratégias que minimizem os danos infligidos aos internos de medicina, acarretados por essa crise mundial.

Covid-19: e-learning como ferramenta para melhoria do conhecimento

PID: S1981-52712021000300226 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Melo Tupinambás Ferri Godoy Torres Palmeira Rocha Reis
Resumo: Introdução: A prevenção e o combate da Covid-19 são de extrema importância. Nesse contexto, a importância do uso de ferramentas de telemedicina tem crescido, incluindo teleconsultas, telemonitoramento epidemiológico, diagnóstico remoto, suporte e treinamento de profissionais de saúde. Objetivo: Este trabalho tem como objetivo relatar os resultados de um curso de treinamento a distância que abordou aspectos relacionados ao Sars-CoV-2 e à Covid-19. Método: Analisaram-se os seguintes aspectos: adesão ao curso, perfil dos alunos, índice de proficiência pré e pós-teste e satisfação com o curso.Trata-se de um estudo transversal que avaliou os dados do curso sobre o Sars-CoV-2 e a Covid-19. Os dados foram analisados em termos de distribuição e comparação de médias e frequências. Um teste t pareado foi usado para comparar as notas do pré e do pós-teste. O valor de p < 0,05 foi considerado significativo.Coletaram-se os dados na plataforma de ensino Moodle, sem identificação dos participantes. Resultado: De 23 de março a 14 de maio de 2020, o curso foi oferecido a 1.008 estudantes de Medicina e profissionais de saúde. A maioria era de Minas Gerais, alguns de outros estados brasileiros e de Moçambique. A maioria concluiu o curso com 89,8% de adesão. As avaliações referentes ao curso, aos tutores, ao grau de satisfação e à segurança para o desempenho profissional após o curso obtiveram pontuação máxima. A comparação entre as séries pré e pós-teste mostrou ganho de proficiência (p < 0,0001). Conclusão: O curso tem contribuído para a formação de estudantes de Medicina e profissionais de saúde do Brasil e de Moçambique. A comissão organizadora conseguiu capacitar alunos e profissionais de saúde com dificuldade de acesso a boas informações técnicas e baseadas em evidências. Após a capacitação, os alunos foram selecionados para atuar em projetos universitários com o objetivo de apoiar prefeituras, secretarias de saúde e comunidade.

Cuidados paliativos e o ensino médico mediado por tecnologias: avaliação da aquisição de competências

PID: S1981-52712021000500205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Kanashiro Grandini Guirro
Resumo: Introdução: O ensino de cuidados paliativos (CP) é essencial na educação médica. Devido à pandemia da Sars-Cov-2, foi necessário adaptar o ensino presencial para o mediado por tecnologias, e não se sabia se o método era capaz de proporcionar a aquisição de competências aos estudantes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar se ocorreu a aquisição de competências em CP entre os estudantes de Medicina matriculados em uma disciplina de CP mediada por tecnologias. Método: Estudantes de Medicina matriculados na disciplina de CP mediada por tecnologias foram convidados para participar do estudo. Ao longo de sete semanas, abordaram-se as temáticas essenciais dos CP. Houve atividades síncronas e assíncronas, estudo dirigido, problematização e simulação sem pacientes reais. Utilizou-se o questionário PalliComp antes do início das atividades didáticas e ao final para avaliar a aquisição de competências. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística. Resultado: Dos 45 estudantes matriculados, 37 responderam ao questionário PalliComp antes da disciplina e 32 no final. A amostra foi constituída de 68,9% de mulheres e 31,1% de homens, com idade média de 23,9 ± 3,5 anos. O escore geral de competências elevou-se de 63,9 ± 14,7 para 74,9 ± 14,6 (0,001) em uma escala que variava de 0 a 100. A elevação estatisticamente significativa ocorreu nas competências relacionadas ao conceito de CP (< 0,001), à abordagem de sintomas físicos (0,004) e psicoemocionais (< 0,001), à família (0,03) e à tomada de decisão ética (0,05). Não mostraram diferença as competências de abordagens social (0,07) e espiritual (0,13), trabalho em equipe (0,67), comunicação (1,00) e autodesenvolvimento (0,13). Conclusão: Houve aquisição geral de competências em CP entre estudantes de Medicina, e a estratégia de ensino em uma disciplina específica mediada por tecnologias se mostrou válida.

Cuidados paliativos: conhecimento dos formandos de Medicina de uma instituição de ensino superior de Goiás

PID: S1981-52712021000500207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Costa Fonseca Santos Paulino Carvalho Vieira
Resumo: Introdução: Os cuidados paliativos (CP) consistem na assistência multidisciplinar e holística ao paciente para melhoria de sua qualidade de vida e de seus parentes, por meio da prevenção e do alívio de enfermidades, de modo a amenizar seus aspectos físicos, sociais, psicológicos e espirituais. Ressalta-se a crescente necessidade de CP, posto que, com o envelhecimento populacional e o aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, há, no mundo, milhões de pessoas que necessitam de CP por ano, das quais apenas 14% recebem esses cuidados até o final da vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo verificar o conhecimento dos formandos de Medicina de 2020 de uma instituição de ensino superior do interior de Goiás acerca dos CP. Método: Este trabalho foi feito por meio de um estudo descritivo, transversal e de natureza quantitativa, no qual se utilizou o Questionário Geral sobre Cuidados Paliativos (QGCP), com adaptações e perguntas objetivas. Aplicou-se o QGCP de forma on-line. O universo amostral foi constituído por 74 formandos. As participações foram de caráter voluntário e, exclusivamente, para fins científicos, respaldando as recomendações éticas de anonimato e confidencialidade. Resultado: Notou-se que a maioria dos participantes considerou os CP como “importantes” ou “muito importantes”, embora uma minoria deles tenha se interessado em realizar alguma formação específica nessa área em sua prática clínica. Além disso, apesar de apenas uma questão do questionário aplicado ter apresentado mais de 50% de erro, inferindo que os participantes demonstram um certo conhecimento em CP, 86,5% (n = 64) dos avaliados não consideraram seu conhecimento acerca de CP como “apropriado” ou “muito apropriado”. Conclusão: Os resultados revelam que, embora os acadêmicos reconheçam a importância dos CP, o desconhecimento acerca da sua filosofia e de seus princípios e a insegurança quanto às condutas a serem prescritas destacam a necessidade de uma educação permanente sobre o assunto. Esses achados corroboram estudos nacionais e internacionais que afirmam a necessidade da disseminação do conhecimento sobre a filosofia e os princípios dos CP.

Cuidados paliativos: inserção do ensino nas escolas médicas do Brasil

PID: S1981-52712021000200204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Castro Taquette Marques
Resumo: Introdução: Abordagem em cuidados paliativos (CP) é uma modalidade assistencial recomendada pela Organização Mundial da Saúde. O sofrimento e o processo de morrer estão presentes no cotidiano da prática clínica, acometendo pessoas portadoras de doenças ameaçadoras à vida. Entretanto, o currículo predominante das escolas médicas brasileiras não inclui o ensino de CP. Objetivos: Este estudo teve como objetivos conhecer os cursos de Medicina brasileiros que incluem CP em sua grade curricular e verificar de que forma estes vêm sendo ministrados. Métodos: Trata-se de estudo descritivo e exploratório realizado por meio da busca de cursos de Medicina com disciplinas de CP nos sítios virtuais oficiais das instituições de ensino superior, no período de agosto a dezembro de 2018, e da análise das ementas disponíveis nas matrizes curriculares, no que diz respeito ao período oferecido, à carga horária, ao cenário e ao tipo de disciplina, se eletiva ou obrigatória. Resultados: Das 315 escolas de Medicina cadastradas no Ministério da Educação, apenas 44 cursos de Medicina (14%) dispõem de disciplina de CP. Esses cursos estão distribuídos em 11 estados brasileiros, 52% estão na Região Sudeste, 25% na Região Nordeste, 18% na Região Sul, 5% na Região Centro-Oeste, e nenhum na Região Norte. A modalidade predominante do tipo de disciplina foi obrigatória em 61% das escolas. Em relação à natureza, 57% são entidades privadas, percentual semelhante ao total de escolas médicas brasileiras. A disciplina ocorre no terceiro e quarto anos do curso, na maioria das instituições, e a carga horária mediana foi 46,9 horas. O cenário predominantemente é a sala de aula, e algumas instituições proporcionam a integração ensino-serviço-comunidade e prática médica. Os conteúdos programáticos são variados, incluindo tanatologia, geriatria, senescência e finitude, humanização, bioética, dor, oncologia e doenças crônicas. Conclusão: O ensino de CP no Brasil é escasso, o que representa uma barreira à formação de médicos em consonância com as recomendações das entidades internacionais, das Diretrizes Curriculares Nacional e de marcos legais no âmbito do SUS. Fazem-se necessários investimentos das entidades médicas e dos organismos governamentais para a ampliação do ensino de CP e a consequente qualificação da formação médica.

Da assistência à docência: narrativas de médicos sobre os múltiplos caminhos que os tornaram preceptores

PID: S1981-52712021000100203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Oliveira Fonseca
Resumo: Introdução: O internato de medicina é o estágio da formação em que o acadêmico põe em prática tudo o que aprendeu durante o ciclo básico, teórico. Nesse momento da graduação, os estudantes são supervisionados por profissionais médicos - os preceptores. Na maioria das vezes, esses preceptores se incorporam ao corpo docente da universidade por exercerem assistência profissional no local onde a prática ocorre, sem que haja capacitação ou orientação pedagógica prévia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar os múltiplos caminhos que levam os médicos a atuar como preceptores do internato de medicina. Método: Aplicou-se um questionário aos preceptores de Medicina, no qual uma pergunta aberta buscava, na narrativa desses sujeitos, entender como se efetivou o convite para a preceptoria. Resultado: É possível observar como são múltiplos e dissonantes os caminhos que levam esses profissionais à docência. Conclusão: Os resultados corroboram a importância de oferecer capacitação pedagógica adequada que valorize o preceptor de Medicina, profissional cuja atuação é central na formação dos futuros médicos.

Das salas de autopsias e microscopias para a vida: mentoria informal em um programa de residência médica de patologia

PID: S1981-52712021000400407 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Santana Ferreira
Resumo: Introdução: Além de demorada, a mentoria em Medicina ocorre em vários níveis e é complexa, pois pode incluir várias combinações de ensino, prática clínica, atendimento ao paciente e pesquisa. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência individual de uma mentorada em um programa de residência médica em patologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas, de Manaus, no Amazonas. Descrevem-se os benefícios individuais e coletivos de uma mentoria fora de um programa formal, orientada pelo discernimento e pela maturidade de relacionamento entre mentor e mentorada. Discussão: Discentes de programa de residência médica podem se beneficiar sobremaneira, pessoal e profissionalmente, de mentorias bem conduzidas. Conclusão: No relacionamento de mentoria, são imprescindíveis qualidades como respeito mútuo, discernimento e abnegação, para que o mentorado cresça e desenvolva uma identidade profissional independente, ainda que atrelada à relação de mentoria, e amadurecida, em seu pleno desenvolvimento, a fim de que ele seja um novo mentor e novos alunos sejam beneficiados.

Desafios bioéticos na formação médica: uma perspectiva teleológica e axiológica

PID: S1981-52712021000100801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Petry Biasoli
Resumo: Introdução: Os valores humanos e as virtudes éticas que norteiam a ação médica na sociedade contemporânea são um tema deveras importante, contudo pouco tematizado e enfatizado no processo de formação dos futuros médicos. Objetivo: Dada a suma complexidade do assunto para a formação profissional integral, haja vista a medicina ser uma ciência sobretudo humana que alia técnica e conhecimento ao bem-estar das pessoas, faz-se necessário problematizar quais os principais desafios bioéticos na formação médica sob uma perspectiva teleológica e axiológica. Métodos: Por meio de um artigo de reflexão, far-se-á uma análise sistemático-crítica conceitual das principais virtudes e dos principais valores debatidos e refletidos na tradição ética ocidental mediante cotejamento bibliográfico à luz do atual estado da arte do processo formativo médico. Resultado: A preocupação didático-pedagógica com valores e virtudes ético-morais, tais como caráter, amor, liberdade, respeito, responsabilidade, compaixão, paciência, humildade, fortaleza, prudência, justiça e coragem, entre outros, não está sendo privilegiada no ensino médico. Há um déficit nessa dimensão, dificultando o amadurecimento e a aprendizagem de práticas ético-morais indispensáveis em nosso tempo. Conclusão: O atual estágio do exercício da profissão médica, imersa num paradigma tecnicista, requer, cada vez mais, profissionais com uma formação humanista e não apenas tecnopragmática. Os desafios advindos de uma sociedade multifacetada, em constante evolução, exigem que as universidades e faculdades médicas enfoquem, precipuamente, as dimensões axiológicas e ético-morais na formação.

Desafios da pandemia para a mentoria: o papel dos mentores juniores e das redes sociais

PID: S1981-52712021000400415 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Albuquerque Silva Duarte Oliveira Silva Medeiros Júnior Viegas Moreira
Resumo: Introdução: A aprovação no curso de Medicina traz consigo a euforia e, por vezes, associa-se a grandes mudanças no dia a dia dos alunos. Essas mudanças estão relacionadas a momentos de medo, sofrimento e adaptação. Os programas de mentoria surgem como espaços importantes de cuidado que oferecem acolhimento e suporte às vivências dos alunos, de modo a contribuir para o desenvolvimento pessoal e acadêmico deles. Relato de experiência: Diante da necessidade de adaptar o ensino presencial ao modelo remoto, em detrimento da pandemia de Covid-19, o programa de mentoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte investiu na realização de atividades on-line, protagonizadas por monitores denominados mentores juniores. Essas atividades se valeram do potencial das mídias sociais, por meio das plataformas de videoconferência, além de interações nas redes sociais, para realizar os encontros e promover a manutenção do vínculo, bem como proporcionar um espaço de acolhimento e integração entre estudantes e mentores. Discussão: A partir da realização de atividades remotas, alunos e mentores mostraram-se muito participativos e satisfeitos. A atuação dos mentores juniores na elaboração dessas atividades virtuais foi um importante diferencial, possibilitando o engajamento dos mais tímidos e daqueles que tinham dificuldade em cumprir os horários presenciais. Conclusão: Mediante a observação no desenvolvimento das atividades do programa e com base na avaliação dos alunos e mentores sobre o desempenho da mentoria no semestre remoto, considera-se que é de grande valia investir no potencial das mídias sociais para impulsionar as reuniões dos grupos de mentoria, garantir a manutenção do acolhimento e suporte aos alunos, bem como para estreitar os vínculos entre os participantes. Sob esse prisma, é necessário considerar a possibilidade de adotar um modelo misto no aperfeiçoamento do programa de mentoria.

Desafios para o aprendizado de neurorradiologia na graduação médica: análise do ponto de vista discente

PID: S1981-52712021000100214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Feitosa Costa Neto Gregório Limas Silva Jucá
Resumo: Introdução: O ensino da neurorradiologia na graduação médica deve ser encarado como uma ferramenta de integração para o estudo interdisciplinar de radiologia, anatomia e neurologia. Na prática, percebe-se uma limitação dos alunos em adquirir tais conhecimentos, seja pela “neurofobia”, seja pela falta de conhecimentos anatômico-radiológicos prévios e também pela carência de materiais didáticos integrados direcionados para a graduação. Contudo, há poucos trabalhos relatando as dificuldades encontradas pelos alunos no aprendizado de neurorradiologia . Objetivo: Avaliar a percepção dos estudantes de medicina sobre as dificuldades do aprendizado em neurorradiologia. Método: Estudo quantitativo, realizado com estudantes de medicina matriculados no segundo e no sétimo semestres de uma universidade de Fortaleza. Os dados foram obtidos por meio de questionário estruturado com 12 questões de respostas sim ou não. As questões versaram sobre as possíveis dificuldades encontradas para aquisição do conhecimento neurorradiológico, dentre elas: à carência de material didático direcionado, à falta de integração com a neurologia, à necessidade de conhecimentos básicos radiológicos e anatômicos, ao volume de assunto, e às limitações das metodologias ativas e tradicionais. Resultados: Foram analisados 181 questionários. Grande parte discente refere como dificuldade a necessidade de ter conhecimentos básicos prévios de radiologia (80,1%); de neuroanatomia (77,5%); e de correlacionar radiologia e neuroanatomia (70,9%). Quando comparados os grupos do 2o semestre e do 7o semestre, houve uma tendência maior a apontar a ausência de conhecimento prático de neurologia pelos alunos do 2o semestre como um fator de maior dificuldade para o aprendizado de neurorradiologia (82,6% versus 67,4%, com p<0,0018). Quando perguntados sobre a utilidade da criação de um e-Book direcionado para a graduação para o aprendizado de neurorradiologia, 85,6% dos alunos responderam afirmativamente; no caso de um aplicativo, 92,3% concordaram. Quanto à correlação entre a neurorradiologia e a prática médica, 98,3% responderam que é um conhecimento útil e necessário. Conclusão: Na opinião dos estudantes, os conhecimentos prévios de neuroanatomia e de neurologia clínica são importantes para o aprendizado de neurorradiologia. A elaboração de um material como e-book ou aplicativo com foco em integrar o ensino dessas disciplinas é considerada uma boa alternativa para facilitar a compreensão da neurorradiologia.

Desenvolvimento de competência moral na formação médica

PID: S1981-52712021000500801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Gontijo
Resumo: Introdução: A prática da medicina requer competência moral, além de competências técnicas. Na formação médica, os docentes são corresponsáveis por apresentar os valores intrínsecos aos direitos humanos e mediar o desenvolvimento de atitudes, motivação e práticas, além de servirem como modelos aos jovens aprendizes. Desenvolvimento: Educar em valores não significa que os professores podem escolher aqueles a serem seguidos pelos alunos. A competência moral compreendida como a capacidade de julgar e tomar decisões segundo princípios internos é uma habilidade, mais do que uma simples atitude, que pode e deve ser construída ao longo da vida. Assim, a educação/formação moral deve ser entendida como um processo que conduz o sujeito à reflexão sobre situações cotidianas, envolvendo dilemas morais. O futuro profissional tem a oportunidade de se sensibilizar para considerar a singularidade de cada situação diante de decisões e avaliações, bem como se responsabilizar pelas escolhas feitas e pelas suas consequências. Para o desenvolvimento da competência moral nos processos formativos, os professores devem ampliar, para além da transmissão de informações, a reflexão sobre o compromisso social e ético e buscar a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos. Acreditar que apenas o exemplo do professor é capaz de promover o desenvolvimento moral restringe a questão aos seus aspectos afetivos, pois, assim, não se vislumbram os aspectos cognitivos da formação moral e o pensamento crítico para o favorecimento da abordagem e condução de conflitos morais ao longo da vida acadêmica e profissional. Conclusão: Os valores morais necessitam deixar de serem impostos por agentes externos e converterem-se em diretrizes internas, legitimadas pela própria pessoa e, portanto, desenvolvidas por meio de uma reflexão crítica, responsável, autônoma e criativa de cada sujeito. Mais do que aprender teorias ou discutir os grandes filósofos, os alunos devem ser capazes de despertar em si mesmos sentimentos e atitudes que os levem a valorizar convicções humanistas e humanitárias, e adotar comportamentos justos e empáticos como elementos essenciais da boa prática médica, de modo que se tornem moralmente competentes.

Desenvolvimento de um programa de mentoria por pares estudantis: um relato de experiência

PID: S1981-52712021000400406 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Kaji Gazzi Schimitd Silva Zöllner
Resumo: Introdução: A transição do colégio para a universidade configura-se como um período de profundas mudanças, seja no âmbito acadêmico, social, pessoal ou familiar. Nesse processo, responsabilidades são adquiridas, fazendo com que essa transição possa ser marcada por inúmeras incertezas. Nesse sentido, o projeto “Mentorias: conectando estudantes”, elaborado pela IFMSA Brazil FMT na Universidade de Taubaté, objetiva fornecer aos calouros o suporte necessário para tornar essa experiência mais gratificante. Relato de experiência: A primeira edição do projeto foi desenvolvida ao longo de cinco meses durante o ano de 2020, organizada em quatro fases: 1. construção do material teórico para os mentores; 2. pesquisa e seleção de calouros e veteranos interessados em participar do projeto; 3. gravação das capacitações on-line para os mentores; 4. determinação da dupla mentor-pupilo e desenvolvimento da mentoria com posterior coleta e análise de feedback. Dessa forma, contemplou estudantes de Medicina, a partir do terceiro período, que atuaram como mentores, abordando, em reuniões remotas semanais, durante dois meses, os quatro pilares do projeto: acadêmico, pesquisa, desenvolvimento pessoal e extensão, com os seus respectivos pupilos (acadêmicos do primeiro e segundo períodos). Discussão: O sistema de mentoria vertical por pares estudantis tem se mostrado uma estratégia promissora no preparo e na recepção dos alunos para a vida acadêmica e profissional, uma vez observado que o vínculo gerado entre calouro e veterano favorece o engajamento dos alunos recém-ingressantes com as atividades e oportunidades dentro da IES. Conclusão: O objetivo deste relato é demonstrar, da perspectiva da equipe idealizadora, a experiência de realização do projeto, ao longo da sua primeira edição e incentivar a criação de programas e projetos em outras IES voltados para o acolhimento do calouro por “veteranos” de uma forma mais holística. Os resultados obtidos foram benéficos, tanto para mentores quanto para pupilos, para o fortalecimento do vínculo criado e do engajamento em atividades acadêmicas.

Desenvolvimento docente pós-COVID-19: mudanças ou troca de cenário?

PID: S1981-52712021000300801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Dias Ferreira
Resumo: Introdução: O mundo tem milhões de infectados pelo SARS-CoV-2, e o desfio permanece em 2021, com a vacinação e o aparecimento das novas cepas. Este é um texto sobre reflexões de como a pandemia está mobilizando as escolas médicas e se as mudanças induzidas pela emergência sanitária nos paradigmas pedagógicos serão revertidas em mudanças culturais. Desenvolvimento: A experiência de confinamento tem sido emocionalmente rica, entremeada por desafios, mergulhos pedagógicos reflexivos e muito trabalho. Analisamos o confronto entre a pandemia e as escolas médicas, com ênfase nos questionamentos a respeito das adaptações e se serão revertidas em mudanças culturais. O desenvolvimento docente não tem sido priorizado nas instituições de educação médica, e a troca do presencial para o remoto não garante mudanças. Conclusão: O docente tem papel nuclear na formação de médicos com competência, ética e humanidade. É necessário avançar, para além do brilho da hiperconectividade, com a instalação de um fórum permanente sobre desenvolvimento docente.

Desenvolvimento e validação de conteúdo de instrumento para avaliação das competências na residência em cirurgia pediátrica

PID: S1981-52712021000300216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Almeida Ribeiro Coelho
Resumo: Introdução: Uma adequada formação na residência em cirurgia pediátrica deve avaliar e acompanhar constantemente o desenvolvimento de competências e, para isso, necessita de um instrumento específico como ferramenta de avaliação. Objetivo: Este estudo tem como objetivo apresentar um instrumento de avaliação nos moldes do “Milestone Project” com base nas competências determinadas pela Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica, para uso nos programas de residência médica em cirurgia pediátrica no Brasil. Método: Adotaram-se as seguintes etapas: desenvolvimento do instrumento, qualificação de um grupo de especialistas e avaliação do instrumento por cirurgiões pediatras brasileiros, a fim de validar e quantificar a aceitação do instrumento quanto à fidedignidade, confiabilidade, aplicabilidade, reprodutibilidade, relevância dos temas abordados e adequação dos pontos de vista técnico e teórico. Resultados: O instrumento inicial possuía quatro competências gerais e 13 subcompetências específicas, com cinco níveis de avaliação. Quatro experts realizaram a qualificação que gerou 44 adaptações, finalizando o instrumento com quatro competências gerais subdividias em dez subcompetências, com cinco níveis avaliativos. Sequentemente, o instrumento foi avaliado pelo Grupo Brasileiro de Cirurgia Pediátrica e pelo Grupo Brasileiro de Urologia Pediátrica. Houve 40 respostas de especialistas, 2.394 respostas positivas dos 50 itens. O instrumento teve aceitação de 91,2% e foi considerado aplicável (96,7%), reprodutível (93,3), relevante (96%), tecnicamente adequado (93,6%), teoricamente adequado (93,3%), confiável (85,5%) e fidedigno (79,8%). Conclusão: Esse instrumento nos moldes do “Milestone Project” foi validado por cirurgiões pediatras e considerado aplicável, reprodutível, relevante, adequado, sob os pontos de vista técnico e teórico, confiável e fidedigno.

Disponibilidade para educação interprofissional em cursos orientados por métodos ativos de ensino-aprendizagem

PID: S1981-52712021000300224 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Barbosa Sampaio Appenzeller
Resumo: Introdução: A educação interprofissional (EIP) desenvolve competências colaborativas, aprimora a segurança do paciente e melhora a qualidade da atenção à saúde. A disponibilidade para aprendizagem compartilhada relaciona-se diretamente com a EIP. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a disponibilidade dos estudantes para a EIP, de acordo com os ciclos e cursos. Método: Trata-se de estudo transversal, descritivo, de abordagem quantitativa. Utilizou-se a Readiness for Interprofessional Learning Scale (RIPLS) via formulário eletrônico. Os testes Mann-Whitney e qui-quadrado foram utilizados para analisar respectivamente variáveis contínuas e categóricas. Nas análises para verificar as diferenças nas pontuações dos fatores 1. trabalho em equipe e colaboração (TEC), 2. identidade profissional (IP) e 3. atenção à saúde centrada no paciente (ACP), além da pontuação global da RIPLS, os cursos e ciclos foram comparados por meio do teste Kruskal-Wallis. Resultado: Participaram do estudo 506 estudantes, com taxa de respostas de 32,6%, dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Terapia Ocupacional de uma universidade pública brasileira. As pontuações dos fatores 1, 2 e 3 e a pontuação global da RIPLS não apresentaram diferenças entre os sexos. Os estudantes do curso de Farmácia apresentaram menor disponibilidade para o fator 3 (ACP) quando comparados com os alunos de Enfermagem, Fisioterapia, Medicina, Odontologia e Terapia Ocupacional (p = 0,007). Os discentes de Fonoaudiologia e Nutrição apresentaram menor pontuação no mesmo fator em comparação com os de Odontologia e Terapia Ocupacional (p = 0,007). Os estudantes de Farmácia (p = 0,004) e Medicina (p = 0,016) foram menos propícios a obter maior pontuação no fator 1 (TEC), enquanto os de Terapia Ocupacional obtiveram maior chance para maior disponibilidade no mesmo fator (p = 0,024). No fator 2 (IP), os estudantes do quinto ciclo foram menos propensos a atitudes positivas (p = 0,046). Observou-se que os estudantes de Terapia Ocupacional apresentaram atitude mais favorável para a EIP expressa tanto no fator 3 (p = 0,034) quanto na pontuação global (p = 0,027), enquanto os alunos do curso de Farmácia apresentaram menor chance para melhor disponibilidade no fator 3 (p = 0,003) e na pontuação global (p = 0,003). Conclusão: Considerando a relevância da EIP no processo de reorientação da formação de profissionais de saúde para a construção da integralidade do cuidado e alinhamento com o Sistema Único de Saúde, este estudo pretende contribuir para a reflexão acerca das diferenças na disponibilidade para EIP entre cursos de graduação na área da saúde.

Educação médica: linha do tempo e panorama da pós-graduação stricto sensu no Brasil

PID: S1981-52712021000100225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Piotto Calabró
Resumo: Introdução: O presente trabalho apresenta uma sucinta retrospectiva da pós-graduação stricto sensu brasileira e elucida o atual panorama quantitativo das subáreas avaliativas da área de medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo esboçar um panorama crítico da pós-graduação médica. Método: O método, aqui utilizado, contempla uma revisão das normativas que conduziram a formação da pós-graduação stricto sensu brasileira e uma categorização e análise estatística de dados fornecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, complementados por informações da Plataforma Sucupira e do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com recorte das áreas avaliativas da medicina e atenção a elas. Resultado: Como resultado, observou-se que, em junho de 2019, o Brasil atingiu 4.590 programas de pós-graduação, sendo 262 distribuídos nas áreas avaliativas da medicina. A partir desse quantitativo, apresentam-se uma tabela, dois quadros, uma figura e sete gráficos que demostram diferentes aspectos do Sistema Nacional de Pós-Graduação. Conclusão: Em conclusão, no que se refere ao Sistema Nacional de Pós-Graduação, descrevem-se, como ponto forte, a expansão e o crescimento da pós-graduação, e indicam-se, como ponto frágil, os traços de assimetrias regionais. Em face das subáreas da medicina, são evidenciadas as características de cada área avaliativa, incluindo relações entre modalidades, níveis e conceitos dos programas de pós-graduação. Por fim, fica a perspectiva de que, além do número de programas de pós-graduação e de seus respectivos conceitos, um panorama qualitativo deve considerar indicadores como produção científica e impacto social, temas a serem abordados em estudos futuros, utilizando-se dados e as ferramentas metodológicas específicas.
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