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Educação remota na continuidade da formação médica em tempos de pandemia: viabilidade e percepções

PID: S1981-52712021000100222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Silva Faustino Oliveira Sobrinho Silva
Resumo: Introdução: Com a interrupção das atividades educacionais das universidades por causa da pandemia da Covid-19, formas de ensino virtuais, como a educação remota (ER), passaram a ser debatidas no meio acadêmico. No entanto, faz-se necessária uma avaliação criteriosa da ER antes de sua aplicação visando à qualidade do ensino. Objetivo: Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a viabilidade da implantação da ER para discentes de um curso de Medicina. Método: Aplicou-se um formulário on-line no qual constavam questões sobre aspectos demográficos e socioeconômicos, sobre acesso às tecnologias digitais e uma pergunta subjetiva relacionada ao uso da ER. Os dados quantitativos foram comparados pelos testes Kruskal-Wallis e Mann-Whitney com p < 0,05. Analisaram-se os dados qualitativos por meio do método de Classificação Hierárquica Descendente, e houve ainda uma análise pós-fatorial. Resultados: O perfil socioeconômico de 266 participantes foi variado, sendo a maioria dos discentes brasileiros do sexo masculino, adultos jovens, cor da pele parda e renda familiar média elevada. Todos relataram ter acesso à energia elétrica, mas não à água encanada, à coleta pública de lixo e ao esgotamento sanitário. Todos possuíam pelo menos um equipamento eletrônico para acesso à internet, mas com variação no tipo e na velocidade da conexão. Um total de 80,8% dos discentes avaliou como viável a implantação da ER para o seguimento do curso. No entanto, 8,65% dos discentes afirmaram que os equipamentos e a internet disponíveis não permitiriam o acompanhamento das atividades on-line. Foi observada uma correlação significativa entre a velocidade de acesso à internet e a renda familiar média, a cor da pele e o local da residência (p < 0,05), bem como entre possuir equipamentos adequados à ER e a renda familiar média (p < 0,05). A análise da pergunta objetiva revelou seis categorias: a necessidade de organização dos procedimentos e o anseio pela volta à normalidade; custos e benefícios da ER; planejamento e garantia da acessibilidade de todos os estudantes à internet de qualidade; acreditar que a realização da ER não é a solução para o problema; capacitação de professores e acadêmicos para o uso das plataformas digitais; e o querer realizar a ER; surgindo uma variedade de opiniões, visões e realidades pelos discentes. Conclusão: Apenas o seguimento da ER, sem garantia de acesso para todos os discentes, é insuficiente e necessita da intervenção dos gestores para não haver prejuízo na aprendizagem daqueles menos favorecidos.

Efeitos de maus-tratos nas escolas médicas: como avaliar? Uma revisão breve

PID: S1981-52712021000300301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Barbanti Oliveira Pelloso Carvalho
Resumo: Introdução: A ocorrência de abusos, assédio e maus-tratos sofridos pelos estudantes de Medicina é um fenômeno generalizado e não um problema limitado a certos países ou escolas específicas. Tal comportamento durante o treinamento médico cria ambientes hostis de aprendizagem, induz estresse e sintomas depressivos, e prejudica o desempenho acadêmico e o atendimento aos pacientes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a metodologia utilizada em pesquisas recentes para descrever as consequências de maus-tratos na vida e no desempenho do estudante de Medicina. Método: Realizou-se uma breve revisão da literatura indexada em seis bases de dados internacionais (PubMed, Scopus, Web of Science, SciELO, PsycINFO e Cochrane Library), em que se categorizaram os descritores em dois grupos: um com os diversos tipos de violência e o outro com a população pesquisada. Resultado: Selecionou-se um total de 20 artigos para este estudo, e todos eles basearam sua metodologia de pesquisa na aplicação de questionários, escalas e/ou entrevistas. Os pontos fortes e fracos das metodologias empregadas nos artigos selecionados foram discutidos, e sugeriu-se o uso da simulação como uma alternativa metodológica. Conclusão: Esta revisão reforça que episódios de maus-tratos entre estudantes de Medicina ainda permanecem frequentes ao longo do tempo e que estão intimamente relacionados com prejuízo na saúde mental e no desempenho do estudante. Os autores recomendam nova abordagem metodológica para que se possam coletar dados relacionados aos efeitos advindos de um ambiente de aprendizagem hostil.

Elaboração de Atividades Profissionais Confiáveis (APCs) em ginecologia e obstetrícia para a graduação médica

PID: S1981-52712021000500201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Novellino Coelho
Resumo: Introdução: Este artigo traz “Atividades Profissionais Confiáveis” (APCs) na área de ginecologia e obstetrícia elaboradas para a graduação médica a fim de sustentar o processo de ensino-aprendizagem. Objetivo: O objetivo é que o egresso seja competente para atender aos requisitos mínimos necessários ao estudante nesta área. Método: Neste estudo, as APCs foram criadas com base num molde internacional já utilizado e validadas pela técnica Delphi. A estruturação das APCs foi baseada na literatura internacional: “Principais atividades profissionais confiáveis (APCs) para acesso à Residência Médica: Guia para Elaboradores de Currículos” da Associação Americana de Faculdades Médicas (AAMC). O conteúdo dos temas para elaboração de cada APC foi baseado na publicação “Pilares da Obstetrícia e Ginecologia” oriundo da ação conjunta do Conselho de Acreditação de Educação Médica na Graduação (ACGME), Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) e pelo Conselho Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ABOG). Resultados: Foram elaboradas treze APCs com temas para o ensino da referida área durante a graduação. Para cada APC, uma lista de verificação foi elaborada de forma a orientar o avaliador e o estudante quanto à execução das tarefas definidas nas APCs. Conclusão: As APCs com as listas de verificação trazem uma proposta inovadora no ensino da ginecologia e obstetrícia na graduação médica, uma vez que facilitam e operacionalizam o aprendizado, o desenvolvimento e a observação da aquisição dos conhecimentos, habilidades e atitudes exigidos na execução de cada tema na área, auxiliando, assim, a formação de um profissional competente. Ao final do curso de medicina, a capacidade de realização de todas as APCs identifica um egresso competente em ginecologia e obstetrícia naquilo que concerne ao médico generalista.

Ensinar competências não técnicas para atendimentos de emergência: percepções de professores médicos

PID: S1981-52712021000100209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rey Pereira Rosa Oliveira Fava Lima
Resumo: Introdução: As situações de emergência requerem ações e decisões rápidas por parte do médico, que deve articular competências técnicas, como o conhecimento e as habilidades clínicas, para o diagnóstico, e não técnicas, como a liderança e o trabalho em equipe, para proporcionar a assistência segura. Objetivo: Este estudo teve como objetivo conhecer as percepções dos professores médicos sobre o ensino das competências não técnicas para o atendimento de situações de emergência, no contexto de um curso de graduação em Medicina. Método: Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, desenvolvida com 24 professores médicos de um curso de Medicina em fase de implantação. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas, com uso de roteiro semiestruturado, gravadas em áudio, com o consentimento dos participantes. Para análise dos dados, utilizou-se análise temática. Resultados: A análise das entrevistas possibilitou a construção de dois temas: “Ensinar urgência e emergência: uma reprodução de procedimentos” e “A transição de racionalidades no ensino das competências não técnicas para atendimentos de emergência”, com os subtemas, “Competência não técnica: por mais que eu ensine você não vai aprender” e “É possível desenvolver as competências não técnicas”. Conclusões: No grupo estudado, sobressai a visão tecnicista, em que se enfatiza o ensino técnico-procedimental para assistência às situações de emergência. Entretanto, coexistem diferentes concepções de ensinar e aprender, indicando uma transição de racionalidades que perpassa o entendimento dos professores. Ressalta-se a necessidade de propostas de desenvolvimento permanente do corpo docente que possibilitem repensar criticamente as concepções de aprendizagem no campo das emergências, sobretudo no âmbito dos novos cursos de graduação em Medicina.

Escolha da medicina como profissão e perspectiva laboral dos estudantes

PID: S1981-52712021000500213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Kamijo Lima Pereira Bonamigo
Resumo: Introdução: A medicina é uma profissão de prestígio, e, por isso, embora a concorrência para a admissão seja acirrada e os estudos exijam dedicação e sacrifícios, todos os anos milhares de jovens enfrentam o desafio de se tornarem médicos. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever as razões pelas quais os acadêmicos de um curso de Medicina escolheram a medicina como profissão e suas preocupações quanto à perspectiva laboral. Método: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e documental, realizada por meio da aplicação de questionário com questões sociodemográficas e específicas. Resultado: Destacou-se elevada percentagem do gênero feminino, com 63,31% dos participantes. As principais razões de escolha da medicina como profissão foram altruísmo (71,75%), estabilidade financeira (59,42%) e realização pessoal (58,77%). Entretanto, houve diminuição da preferência pelo altruísmo durante o internato (p < 0,01). A maior preocupação após a formação foi “realizar um bom trabalho/ser um bom profissional” (79,87%), e, em relação ao “mercado de trabalho” e à “desvalorização da profissão”, verificou-se aumento da preocupação durante o internato (p < 0,001). A maioria (91,92%) manifestou a intenção de tornar-se médico especialista, sendo mais desejada a especialidade ginecologia e obstetrícia. Em relação à forma de trabalho, 51,3% apontaram que gostariam de trabalhar como profissionais autônomos, 55,52% manifestaram o desejo de ter um emprego público ou particular, e 7,92% mencionaram a atuação como profissionais liberais. A maior dificuldade esperada na profissão foi a concorrência (57,70%), e o requisito mais importante para o exercício profissional foi a “medicina como meio para ser útil ou ajudar pessoas” (98,38%). Sobre os sentimentos experimentados como estudante, os níveis de ansiedade, estresse e sensação de sobrecarga foram elevados, respectivamente 80,52%, 79,55% e 73,38%. Conclusão: No início do curso, existe uma visão mais idealizada da medicina, e, no desenvolver das fases, conforme ocorre o contato com a prática médica, os acadêmicos percebem melhor as dificuldades e aumentam suas preocupações, sobretudo com o mercado de trabalho e a desvalorização da profissão, provocando, em alguns, a diminuição dos ideais humanísticos que motivaram a escolha da profissão, aspecto a ser valorizado pelas escolas de Medicina durante o ensino.

Espiritualidade dos estudantes de Medicina: associações com empatia e atitude na relação médico-paciente

PID: S1981-52712021000200211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Lacombe Valadares Catani Mendonça Paro Morales
Resumo: Introdução: Na atualidade, considera-se relevante e oportuno estudar os fatores que contribuem para a melhoria das relações interpessoais no contexto da assistência ao paciente e da educação médica. Compreender os preditores em relação à empatia e à atitude do interno de Medicina e do jovem médico é tema em destaque na formação dos profissionais de saúde, no desempenho acadêmico e profissional. A espiritualidade tem sido apontada como tema importante tanto pelos pacientes como pelos estudantes de Medicina, porém ainda pouco abordada nas escolas médicas. Objetivo: O estudo propõe verificar a associação entre o bem-estar relacionado à espiritualidade, à religiosidade e às crenças pessoais do interno e residente de Medicina e a empatia e a atitude na relação médico-paciente. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem quantitativa. O questionário WHOQOL-espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais, a Escala Jefferson de Empatia e a Escala de Orientação Médico-Paciente foram autoaplicados por 64 estudantes dos últimos anos do curso e 50 residentes de Medicina. Realizaram-se estatística descritiva, correlação de Pearson e regressão linear stepwise para análise dos dados. Resultados: Foram encontradas correlações significativas (p < 0,05), variando de fracas (r = 0,10) a moderadas (r = 0,39). O escore final do WHOQOL-SRPB apresentou efeito sobre o escore global de empatia (R2 = 0,12; p < 0,00; β = 0,35; VIF = 1,00). Sentido da vida apresentou efeito sobre o escore global da atitude centrada no paciente (R2 = 0,14; p < 0,00; β = 0,38; VIF = 1,00). Conclusão: A espiritualidade, a religiosidade e as crenças pessoais foram associadas à atitude centrada no paciente e à empatia dos internos e residentes de Medicina. Em geral, o bem-estar relacionado à espiritualidade foi preditor da empatia, e o sentido da vida, preditor da atitude centrada no paciente. Esses resultados implicam a necessidade de se considerar o bem-estar relacionado à espiritualidade na formação dos internos e residentes para uma melhor qualidade da relação médico-paciente.

Estratégias pedagógicas na educação médica ante os desafios da Covid-19: uma revisão de escopo

PID: S1981-52712021000100302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Moretti-Pires Campos Tesser Junior Oliveira Junior Turatti Oliveira
Resumo: Introdução: Os desafios à continuidade do processo ensino-aprendizagem universitário ante as medidas de combate à pandemia da Covid-19 tornaram mais importante o debate sobre o uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino médico. Diversas estratégias foram empregadas no mundo por docentes para a continuidade das atividades pedagógicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar as estratégias e os usos de TIC no ensino médico ante a pandemia de Covid-19. Método: Examinaram-se sistematicamente cinco bases de dados, nas quais se empregaram as expressões e os termos “covid-19”, “ensino médico”, “educação superior” e “estudantes” em português, inglês e espanhol, o que resultou em 321 citações iniciais, com 18 referências finais após a aplicação de critérios de inclusão e exclusão. Resultado: Quatro temas-chave foram identificados na literatura: 1. “Desafios para o ensino médico anteriores à Covid-19”; 2. “Desafios na migração para o ensino a distância”; 3. “Estratégias para a superação de desafios relacionadas ao ambiente de aprendizagem virtual”; e 4. “Estratégias para a superação de desafios relacionadas às avaliações”. Conclusão: No contexto da pandemia de Covid-19, o emprego de TIC no ensino médico se mostrou importantíssimo, pois se encontraram quatro estratégias, entre as quais se destacaram o aprimoramento em áreas em que as TIC já eram utilizadas, a migração de algumas áreas mais articuladas e experiências em disciplinas clínicas e procedurais. Também houve preocupação sobre os impactos do uso de TIC em substituição da presença de estudantes nos ambientes de aprendizagem médicos.

Estudantes de Medicina no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil: reflexões éticas

PID: S1981-52712021000100802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Freitas Arruda Arruda Feitosa
Resumo: Introdução: Durante pandemias, as incertezas e a falta de evidências permitem que cada país conduza sua resposta da maneira que convencionar mais correta. Esse cenário abre oportunidade também para que medidas sejam aprovadas sem a devida análise ética, pela urgência implicada. Com isso, o objetivo deste estudo é promover uma abordagem hermenêutica das propostas do governo federal do Brasil para a inserção de estudantes de Medicina no combate à coronavirus disease 2019 (Covid-19) a partir de uma perspectiva ética. Desenvolvimento: As resoluções governamentais, publicadas no Diário Oficial da União, foram debatidas à luz da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (DUBDH) e do Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM), porque aquela pauta a discussão em uma bioética plural, multi, inter e transdisciplinar e este traz orientações destinadas ao grupo populacional estudado. Para melhor estruturar a discussão, as principais medidas foram subdivididas em três seções: “Sobre a avaliação de risco”; “Sobre a participação dos alunos do quinto e sexto anos”; “Sobre a antecipação de colação de grau”. Na primeira, propôs-se a elaboração de alternativas para sua participação de modo remoto ou sem contato direto com os pacientes, a fim de garantir a integridade dos estudantes e maximizar os efeitos positivos com o mínimo de prejuízos. Em seguida, avaliaram-se a prevista obrigatoriedade de adesão dos alunos dos últimos anos do curso de graduação e a possibilidade de substituição da carga horária do estágio curricular obrigatório pela participação na ação estratégica “O Brasil Conta Comigo”. Por último, questionaram-se a antecipação de formatura e a garantia de que os recém-graduados possuam os conhecimentos e a perícia necessários à profissão médica. Conclusões: Para o combate eficaz à doença, é necessária uma estruturação coletiva das ações adotadas, beneficiando-se das capacidades que os estudantes já oferecem, com respeito às suas limitações, vulnerabilidades e liberdades. Deve-se ressaltar que quaisquer decisões éticas no contexto da medicina e das futuras gerações de profissionais podem ter repercussões inquantificáveis para esses indivíduos, seus pacientes e suas comunidades, devendo-se ter a garantia de que os benefícios serão os melhores e maiores possíveis.

Eureka: um programa de mentoria de alunos de Medicina com engajamento e alta adesão

PID: S1981-52712021000400419 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Secchi Vieira
Resumo: Introdução: A mentoria vem sendo utilizada como instrumento para o desenvolvimento profissional e pessoal de estudantes de medicina. Relatamos a evolução do grupo de mentoria de alunos de graduação em medicina da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que perdura por longo tempo, com excelente aderência e amplo aproveitamento, e satisfação dos participantes com o processo. Relato de experiência: O programa de mentoria de alunos de medicina da UFGD se iniciou no quinto ano de existência do curso, encontrando-se em contínua atividade por mais de 15 anos. Há três anos, tornou-se projeto de extensão universitária. São realizadas discussões semanais sobre assuntos práticos, morais e éticos relacionados à profissão médica. Os participantes são mentorados por tempo variável, eventualmente até alguns anos após a graduação. A atividade é voluntária para mentora e mentorados. Muito raramente ocorrem faltas aos encontros, e semanalmente os participantes escrevem sobre suas reflexões advindas das sessões de mentoria, recebendo respostas individuais. Também assumem as responsabilidades pela realização operacional das reuniões e pela indicação de novos participantes. Sessões adicionais de mentoria individual são frequentes. Discussão: Programas de mentoria pequenos ou informais, se bem executados, podem ser bem-sucedidos, obtendo resultados positivos significativos, sem custo para as instituições. Os alunos que participam do programa Eureka sentem-se acolhidos e atendidos em suas necessidades de orientação, e se mostram comprometidos e satisfeitos com o processo. Não observamos nesse grupo problemas de assiduidade, de engajamento, nem de falta de feedback. Conclusão: O programa Eureka, com regras de funcionamento claras e constantes, mentoria adequada e alunos bem selecionados, constitui eficiente ferramenta em nossa universidade, contribuindo, assim, para a formação de estudantes e médicos mais motivados, preparados, realizados e úteis à sociedade.

Expansão de vagas e qualidade dos cursos de Medicina no Brasil: “Em que pé estamos?”

PID: S1981-52712021000200205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Santos Júnior Misael Trindade Filho Wyszomirska Santos Costa
Resumo: Introdução: A educação médica no Brasil vem enfrentando um importante processo de expansão. Essa realidade foi fortemente influenciada por programas e políticas educacionais implementados principalmente nas últimas décadas. Objetivo: O estudo teve como objetivo traçar um panorama da formação e da avaliação dos cursos de graduação em Medicina no contexto nacional. Método: Foi realizada uma pesquisa documental e descritiva, de abordagem quantitativa. O levantamento de dados ocorreu por meio de dados provenientes da Sistemática de Avaliação Nacional da Educação Superior do Ministério da Educação disponibilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, órgão que coordena e gerencia dados relativos aos processos de regulação, avaliação e supervisão da educação superior no sistema federal de educação. Foram analisados 20 anos de oferta de cursos de Medicina no Brasil (2000-2019). Resultados: No período em estudo, o número de escolas médicas apresentou um crescimento de 214,9%. No total, analisaram-se 337 cursos de graduação em Medicina em atividade vinculados a instituições de ensino superior públicas (35%) e privadas (65%), perfazendo 34.585 vagas anuais ofertadas. Os cursos estão distribuídos nas 27 unidades federativas brasileiras, com maior e menor concentração de vagas e escolas médicas nas Regiões Sudeste e Norte, respectivamente. A média nacional do número de vagas/ano foi de 1.280,9 vagas/ano e da razão vagas/habitantes foi de 16,5 vagas/100 mil habitantes. A maioria dos cursos obteve conceito três nos indicadores de qualidade propostos pelo Ministério da Educação. Conclusão: O ensino da Medicina no Brasil vem passando por importante processo de expansão, e este é fundamentalmente privado e mal distribuído pelo país, e apresenta indicadores de qualidade mínimos para manutenção do seu funcionamento.

Experiência da rápida implementação de serviço pioneiro em telessaúde durante a crise da Covid-19

PID: S1981-52712021000100402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Freitas Fialho Prado
Resumo: Introdução: Com base em portaria nacional que regulamenta e operacionaliza a telemedicina como uma das medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da epidemia de Covid-19, firmou-se uma parceria entre a universidade federal e a gestão municipal para a rápida implementação do serviço de telessaúde para Covid-19. Relato de Experiência: Trata-se de relato de experiência do processo de implementação do serviço de telessaúde específico para Covid-19, uma parceria entre academia e serviço. Discussão: O processo de implementação requer dimensionamento da equipe, espaço físico e recursos tecnológicos, treinamento e capacitação contínua da equipe para alinhamento das ações, pactuação e articulação do fluxograma de teleatendimento e telemonitoramento com a rede de saúde local em todos os níveis de atenção, divulgação do serviço para a população, atenção a aspectos éticos e critérios de emissão de documentos, com destaque à apropriação da equipe quanto à abordagem clínica na teleconsulta e no telemonitoramento. Conclusão: A experiência de implementação do serviço Telessaúde Covid em 27 dias relatada neste artigo é passível de replicação por outros municípios como medida de contingenciamento da Covid-19. No relato, destacam-se o número expressivo de atendimentos após dois meses de funcionamento, a missão social da universidade pública e a articulação dela com o sistema de saúde local.

Experiência de estudantes com a literatura na formação médica

PID: S1981-52712021000200209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Mega Bueno Menegaço Guilhen Pio Vernasque
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014 para o curso de Medicina trazem o ensino das humanidades, entre elas a literatura, como forma de superar o modelo biomédico. A literatura pode fortalecer a compaixão, com o olhar para a alteridade. Parte-se de um currículo organizado por metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as experiências dos estudantes de uma faculdade do interior paulista que tiveram contato com textos literários no início da graduação, elaborando um modelo representativo da experiência. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa, orientada pela Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semi-estruturadas, com estudantes, sorteados, de todas as séries do curso de Medicina, tendo como critério para inclusão a participação em grupos conduzidos por professora que fez uso de literatura como estratégia educacional. Houve realização de 12 entrevistas, transcritas e codificadas. A amostragem se deu por saturação teórica. Resultados: Foram geradas as seguintes categorias: 1. “Importância da literatura e das artes em geral na formação médica, visando ao rompimento do modelo biomédico e à potencialização tanto da empatia quanto da humanização do cuidado na relação médico-paciente”; 2. “Refletindo sobre o uso de ferramentas artísticas para o aprendizado de conteúdos técnicos/práticos da medicina, assim como para proporcionar a mudança de habilidades e conhecimentos psicossociais”; 3. “Refletindo acerca de uma possível sistematização curricular considerando as metodologias ativas e outras formas artísticas, e comparando grupos/séries da graduação que tiveram ou não contato com essas ferramentas”; 4. “Possibilitando a lembrança dos contos ou das discussões fomentados nos primeiros anos da graduação, associando ao interesse pessoal do estudante pela atividade e promovendo a integração dos conhecimentos adquiridos na prática médica”. A partir das categorias, foi possível elaborar o modelo representativo da experiência que remete à satisfação dos estudantes com a literatura na formação médica, potencializando a humanização do cuidado, porém sinaliza-se a necessidade de homogeneização curricular para organização da atividade e oportunidade da aprendizagem para outros estudantes. Conclusões: O modelo compreende a noção de que a literatura potencializa a humanização da atenção e é capaz de romper com o modelo biomédico. A potencialidade do estudo tem seu alcance na proposição de estratégias à comunidade e gestão acadêmica, para fortalecimento da humanização na perspectiva curricular da formação médica.

Experiência de mentoria na residência médica: desafios e vivências

PID: S1981-52712021000300401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Lopes Filho Azevedo Augusto Silveira Costa Alves
Resumo: Introdução: A residência médica representa um momento desafiador, com elevado nível de exigência e necessidade de desenvolvimento de inúmeras competências pessoais e profissionais. Com base nisso, implantou-se, em abril de 2019, um programa de mentoria inédito para 30 residentes de clínica médica, buscando oferecer suporte pessoal e estimular desenvolvimento profissional. Relato de experiência: O programa de mentoria foi estruturado em abril de 2019, com 30 residentes de clínica médica e seis mentores com experiência em preceptoria clínica. Com duração de 11 meses, o programa abordou temas não usualmente discutidos na formação desses especialistas, como profissionalismo, empatia, burnout e qualidade de vida, gestão de tempo, gestão de conflitos e role-model. Os encontros ocorriam mensalmente, com local definido pelo grupo. Após o fim da atividade, foi realizada pesquisa de opinião utilizando questionário padronizado com respostas em escala Likert para avaliação de relevância dos temas discutidos e impacto na prática dos médicos residentes. Obtiveram-se 90% de respostas, nas quais se destacou a relevância dos temas burnout e qualidade de vida e empatia. Dos residentes, 96,3% afirmaram que as discussões mudaram a forma deles de pensar e agir profissionalmente. Destacaram que o mentoring “abria a mente acerca de diversidade de opiniões, permitindo crescimento pessoal e profissional” e que “Gerir o tempo, conflitos, burnout estão presentes no nosso dia a dia e também fazem parte da medicina que praticamos”, pontuando dificuldade de consenso entre os membros do grupo para definição do horário e dia a ser realizada a reunião. A atividade demonstrou avaliação positiva dos mentorados. Discussão: Na formação de um médico residente, o programa de mentoria melhora a autoconfiança e promove um impacto positivo na carreira profissional apesar das dificuldades enfrentadas. A mentoria funciona ainda como suporte psicossocial, pois cria-se um livre acesso entre residente e preceptor, o que culmina, na nossa avaliação, em uma excelente relação entre mentores e mentorados. Conclusão: No Ceará, o programa de mentoring para os residentes de clínica médica foi inédito. Houve efeito positivo, em que temas importantes foram discutidos com mais profundidade, com maior crescimento pessoal e profissional. Os autores sugerem que o mentoring seja mantido e incluído como atividade essencial no currículo dos programas de residência médica.

Experiência no ensino de patologia em tempos de pandemia

PID: S1981-52712021000500403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Pereira Bernardi Pozzan
Resumo: Introdução: A patologia é uma disciplina básica que exerce o link entre ciclos básicos e clínico-cirúrgicos. A partir do início de 2020, com a pandemia provocada pela síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 (severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 - Sars-CoV-2) e a implantação do ensino remoto emergencial (ERE), o curso de patologia em nossa instituição sofreu alterações e adaptações. O presente trabalho tem como objetivos relatar as atividades desenvolvidas em nossa faculdade para o ensino da patologia geral, dentro do contexto do ERE, e discutir como parte dessas estratégias poderá ser incorporada após o término da pandemia. Relato de experiência: Para o ensino das alterações macroscópicas, utilizamos discussões com peças cirúrgicas filmadas, enquanto as alterações microscópicas foram desenvolvidas no chamado “Projeto Atlas”. Discussão: Nosso projeto foi bem dinâmico com grande aceitação por parte dos alunos que tiveram atitudes mais proativas, principalmente em relação ao estudo dos casos de microscopia. As estratégias também se prestaram muito bem como forma de avaliação formativa. Conclusão: Muitas das estratégias que têm sido desenvolvidas por diferentes grupos de professores neste momento da pandemia trouxeram alternativas muito interessantes que devem ser incorporadas ao curso mesmo quando ele voltar a ser presencial. Peças filmadas contemplaram o estudo da macroscopia durante esse período de restrições e podem ser incorporadas à rotina presencial, intercalando com as técnicas utilizadas anteriormente. Já o “Projeto Atlas” foi uma experiência positiva, ressaltando o papel do aluno como protagonista do seu processo de ensino/aprendizagem e o trabalho em pequenos grupos como pontos principais.

Fatores associados à escolha da segunda especialidade entre concluintes da residência em clínica médica

PID: S1981-52712021000500208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Alves Leite Filgueira
Resumo: Introdução: Após a residência em clínica médica, a maioria dos concluintes opta por se submeter a um novo processo seletivo para obter uma segunda especialidade. O fenômeno da especialização precoce é incentivado já na graduação. Apesar disso, a demanda por médicos generalistas está em crescimento. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar os fatores que levam o clínico recém-formado a realizar uma nova residência. Método: Trata-se de um estudo transversal que analisou as respostas dos concluintes do Programa de Residência Médica em Clínica Médica (PRM-CM) realizado em 2020 no estado de Pernambuco. Os concluintes do PRM-CM, por meio de um questionário disponibilizado de forma on-line pelo Google Forms, responderam a perguntas sobre aspectos sociais, a graduação, a residência médica e intenções para a carreira futura. Resultado: Dos 104 participantes possíveis, houve 81 respostas (77,88%). Desse total final, 66,67% eram do sexo feminino, 69,14% tinham se graduado em universidades públicas, e 50,62% já haviam iniciado o PRM-CM logo após a graduação. Quanto à escolha de especialidade, 51,85% responderam ter decidido no segundo ano de residência, e 80,25% afirmaram ter se submetido ao processo seletivo para a segunda especialidade logo após o PRM-CM. A carreira mais escolhida foi cardiologia (20%). Os fatores mais associados à escolha de especialidade foram, de acordo com as médias na escala de Likert, “trabalho em ambiente ambulatorial”, “acompanhamento de pacientes por longo período” e “mais contato com pacientes”. Conclusão: Até onde se pôde investigar na literatura, este é o primeiro estudo brasileiro a abordar as escolhas de especialidade após o PRM-CM. Foi possível identificar os motivos mais importantes para escolher uma segunda especialidade entre os concluintes desse PRM em Pernambuco, em 2020. Mais estudos são necessários para tecer correlações entre os fatores de escolha com a especialidade escolhida.

Fatores associados à intenção de carreira na atenção primária à saúde entre estudantes de Medicina

PID: S1981-52712021000300209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Miranda Santos Pertile Costa Caldeira Barbosa
Resumo: Introdução: A reorganização da assistência à saúde a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido orientada por uma proposta de expansão e fortalecimento da atenção primária à saúde (APS). Nesse cenário, a escassez de profissionais capacitados é considerado um dos principais desafios para a consolidação da APS. Dentre as possibilidades de carreira após a conclusão da graduação, a maioria dos médicos optam por buscar especialidades focais para atuar em outros níveis de atenção. Objetivo: Assim, este artigo, de natureza quantitativa, se propõe a analisar a prevalência e os fatores associados ao interesse de estudantes de Medicina em seguir carreira na APS. Método: Foi realizado um estudo transversal, com estudantes de Medicina dos dois últimos anos do curso, em quatro escolas médicas do estado de Minas Gerais, no Brasil. Participaram 524 estudantes que responderam a um questionário autoaplicado, elaborado pelos autores, com questões que incluíam os perfis sociodemográfico e econômico do estudante, a interação com a APS ao longo curso, a intenção de carreira e o desejo de cursar Residência em Medicina de Família e Comunidade (RMFC). Resultado: Os resultados evidenciaram que 26,3% dos entrevistados referiram interesse em seguir carreira na APS, percentual mais alto que o registrado em estudos anteriores. Quanto ao fato de a APS ser uma opção de trabalho temporária, 79,3% dos participantes referiram que pretendem atuar nesse campo após o término da graduação. Dez por cento dos estudantes informaram que pretendem cursar RMFC. Entre os fatores associados à intenção de atuar na APS, destaca-se a vivência de uma experiência exitosa na APS ao longo da graduação. Conclusão: Os resultados devem ser considerados por gestores da área da saúde e da educação médica, fomentando estratégias que propiciem experiências exitosas na APS, com maior incentivo à integração ensino-serviço e à inserção de estudantes, ao longo da graduação, em uma rede de APS fortalecida. Iniciativas como ampliação de carga horária na APS durante a graduação, aumento do número de professores especialistas em MFC e qualificação da rede de saúde dos municípios onde essas instituições de ensino superior estão inseridas podem ser potentes no sentido de aumentar o interesse dos formandos de atuar na APS.

Fatores associados à qualidade de vida dos estudantes de medicina no interior do Nordeste brasileiro

PID: S1981-52712021000300222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Santos Segundo Barreto Santos Azevedo Sousa
Resumo: Introdução: A atual política de interiorização da educação médica mundial e a aplicação de métodos ativos, bem como a falta de consenso sobre os fatores associados à qualidade de vida dos estudantes de Medicina, são conhecidos temas de discussão na literatura médica. Objetivo: Tendo em vista a escassez de análise sobre o assunto, este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida entre os estudantes de Medicina de uma universidade do interior do Nordeste brasileiro. Método: Trata-se de um estudo transversal, desenvolvido de março a maio de 2018. Utilizou-se o questionário WHOQOL-bref para avaliar a qualidade de vida, e os dados foram relacionados a características sociodemográficas, dados antropométricos e estilo de vida. Analisaram-se os dados por meio de estatística descritiva, e, em seguida, fez-se a análise bivariada com teste para comparação das médias dos escores, a fim de identificar possíveis variáveis associadas aos domínios investigados. Realizou-se regressão logística binária para identificar possíveis fatores associados à pior qualidade de vida nos domínios investigados. A análise estatística estimou IC 95% e valor de p < 0,05. Resultado: O presente estudo caracterizou a qualidade de vida dos estudantes de Medicina e identificou como principais fatores associados à má qualidade de vida: ser do sexo feminino, cursar anos pré-clínicos, ser fumante, ter peso normal classificado pelo índice de massa corporal e apresentar uma avaliação negativa da própria saúde e da qualidade de vida. Os resultados também evidenciaram que a maioria dos estudantes apresentou uma avaliação negativa nos domínios físico, psicológico e meio ambiente, em contraste com o domínio relações sociais, ao qual a maioria atribuiu uma avaliação positiva. Conclusão: Os achados permitem discutir acerca de medidas voltadas a lidar com fatores que prejudicam a qualidade de vida de alunos de escolas de Medicina em regiões remotas e rurais.

Fatores por trás do burnout crescente em estudantes de medicina. Os critérios são tão importantes?

PID: S1981-52712021000200203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Vale Paiva Medeiros Gomes Bezerra Bachur Castro
Resumo: Introdução: A saúde mental dos estudantes de medicina tem sido uma preocupação para a comunidade científica, especialmente como resultado da epidemia de comorbidades mentais que se tornaram comuns entre os vários grupos sociais da sociedade moderna. Objetivos: Este estudo teve como objetivos avaliar a prevalência de burnout em estudantes do primeiro ao quarto ano de um curso de Medicina e comparar as diferentes classificações de critério diagnóstico da síndrome. Métodos: Um total de 511 estudantes de três universidades brasileiras responderam a dois instrumentos validados para avaliar burnout e qualidade de vida, e a um questionário elaborado pelos autores para avaliar dados sociodemográficos e hábitos. Resultados: Houve prevalência de 31,1% de burnout tridimensional, 37% de burnout bidimensional e 44,8% de burnout unidimensional. Constatou-se um maior nível de exaustão no grupo com burnout bidimensional, em comparação ao grupo unidimensional, e verificou-se um maior nível de cinismo naqueles com burnout tridimensional, em comparação ao bidimensional. As variáveis que apresentaram correlação com a síndrome foram as mesmas nos três critérios analisados. Os domínios psicológico e físico foram os mais afetados na qualidade de vida dos escolares com burnout. A exaustão emocional foi a dimensão que apresentou correlações mais fortes com três dos quatro domínios analisados no instrumento WHOQOL-BREF. Conclusão: Observaram-se prejuízos nas diversas áreas relacionadas à qualidade de vida dos alunos. Questionamos se o uso do Maslach Burnout Inventory, por meio da abordagem tridimensional, realmente é o critério ideal a ser utilizado na triagem do burnout.

Fluxo do esgotamento: interrogando o processo de produção do tempo/cansaço no internato médico

PID: S1981-52712021000100207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Hasse Teixeira
Resumo: Introdução: A síndrome de burnout causa repercussão com impactos individuais, sociais e econômicos. A tríade que representa a síndrome acomete milhões de trabalhadores pelo mundo, incluindo os trabalhadores da área da saúde e, entre eles, os médicos. Pesquisas apontam um incremento das taxas de burnout entre médicos e residentes, mas pouco se fala sobre a síndrome em estudantes de Medicina. Objetivo: Ao observarmos o adoecimento constante de estudantes, identificamos a necessidade de compreender mecanismos que possam ser considerados disparadores. Assim, investigamos a percepção dos estudantes de Medicina que cursam o estágio supervisionado sobre a síndrome de burnout e a autoidentificação dos sintomas. Método: Realizamos pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso utilizando grupo focal como ferramenta metodológica. Participaram desta pesquisa 22 internos divididos em três grupos focais. As falas foram analisadas segundo a análise de conteúdo. Resultados: Dessas análises e de suas inferências, delinearam-se quatro categorias: “(Con)fusão de papéis: o processo de deixar de ser estudante”; “Uma síndrome (in)visível: a banalização do sofrimento”; “Tornar-se médico: forjado no sofrimento”; “(Des)identificação: efeitos de um processo nada fácil”. Conclusão: Os estudantes desconheciam a síndrome e não foram capazes de reconhecer os sintomas dela durante a formação. O achado significativo apontou para a sobrecarga relacionada à falta de tempo e como esta gera um processo de sofrimento nos estudantes. Acredita-se, portanto, que o processo de ensino precisa ser repensado para que os estudantes possam, de fato, aprender e apreender todos os significados que a universidade tem potencialmente a lhes oferecer.

Formação humanística em medicina por meio da dança em hospital: percepções de alunos

PID: S1981-52712021000100211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Lisboa Ciccone Kadekaru Rios
Resumo: Introdução: a humanização está relacionada à empatia, acolhimento, e comunicação efetiva, fazendo parte da formação médica. Pela sua natureza, a humanização requer métodos que mobilizem afetos e estimulem pensamento crítico, justificando o uso das artes como ferramenta de ensino. Vasta literatura mostra os benefícios das artes no ensino médico, entretanto ainda há poucos estudos sobre a dança, objeto deste artigo, em que apresentamos uma pesquisa conduzida por estudantes de medicina, cujo objetivo foi investigar a dança em hospital no ensino de humanização, na perspectiva dos estudantes. Método: desenhou-se uma pesquisa qualitativa do tipo pesquisa-ação, na qual alunos de medicina executaram coreografias para pacientes, acompanhantes e funcionários em três diferentes enfermarias do hospital-escola. A ação consistiu em ciclos contínuos de planejamento das intervenções, realização, observação, reflexão e replanejamento das ações subsequentes, de forma sistematizada e controlada pelas pesquisadoras. A produção de dados se deu por observação direta, narrativas e grupo focal. Os dados foram analisados pelos métodos de análise de conteúdo e temática. Resultados: durante três meses, 17 alunas e 7 alunos entre 18 e 24 anos de idade realizaram a ação, produzindo dados posteriormente classificados em 3 categorias temáticas: 1. Dimensão do afeto: conteúdos de caráter emocional do aluno; 2. Dimensão do cuidado: conteúdos sobre cuidar do paciente; 3. Dimensão da dança: conteúdos sobre dança na formação humanista em medicina. Na triangulação das técnicas, verificou-se que alegria, ansiedade, e percepção da dança como instrumento de criação de vínculo foram expressivas. A vivência da mudança dos lugares socialmente marcados para o estudante e o paciente fez com que o aluno enfrentasse e superasse sentimentos diversos. A dança permitiu o refinamento do olhar e da capacidade de compreender o outro, levando em conta perspectivas convergentes ou divergentes às suas próprias convicções. Por outro lado, os alunos vivenciaram ansiedade e alegria de um encontro consigo mesmo, percebendo a dança como atividade prazerosa e promotora da humanização. Conclusão: A dança no hospital provocou vivências e reflexões que estimularam o autoconhecimento, favoreceram a relação estudante-paciente, trouxeram elementos para entender o uso da dança em medicina, especialmente para o ensino da empatia e do cuidado humanizado.
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