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Formação médica na atenção primária à saúde: percepção de estudantes

PID: S1981-52712021000300206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Fassina Mendes Pezzato
Resumo: Introdução: A implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais da graduação em Medicina de 2001 e 2014 provocou movimentos de mudanças na formação médica proporcionadas pela integração ensino-serviço na atenção primária à saúde (APS) desde os anos iniciais do curso e colocou em análise uma formação que se propõe ser generalista, crítica e reflexiva. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar as contribuições que a interação ensino-serviço pode oferecer para a produção de um espaço de aprendizagem significativa, tendo como cenário uma unidade de saúde da família. Método: Trata-se de estudo de abordagem qualitativa com realização de rodas de conversas, nas quais participaram estudantes do primeiro, terceiro e quinto períodos do curso de Medicina, a fim de analisar as impressões deles do início, meio e término da disciplina. Foi utilizada a análise de conteúdo para a sistematização e avaliação dos dados obtidos. Resultado: Os ciclos pedagógicos foram considerados como oportunidades de aprendizagem, os portfólios reflexivos não atenderam aos objetivos de avaliação formativa, e a inserção nas práticas possibilitou conhecer as especificidades e a complementaridade das profissões, além da importância do trabalho em equipe. A visita domiciliar (VD) foi valorizada, no entanto carece de objetivos claros a fim de que cumpra seu papel de desenvolver a habilidade comunicacional, o acolhimento das demandas e a responsabilização do cuidado. Conclusão: A inserção precoce de estudantes da graduação em Medicina na atenção primária oportuniza experiências de aprendizagem significativa e potencializa o uso articulado e processual de ferramentas como a VD e o portfólio. Embora as políticas favoreçam a integração ensino-serviço-comunidade, provocar movimentos instituintes nos modelos hegemonicamente consolidados, colocando a APS na centralidade do processo, ainda é um grande desafio a ser enfrentado.

Four Corners: uma estratégia educacional para o ensino de infectologia para estudantes de Medicina

PID: S1981-52712021000300403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Henriques Almeida Gryschek Avelino-Silva
Resumo: Introdução: Uma extensa literatura demonstra os benefícios do ensino ativo na educação médica e a necessidade de atualização das metodologias de ensino. As estratégias de aprendizagem ativa consolidam o conhecimento teórico e estimulam as habilidades conceituais do aluno. No entanto, reformar a prática pedagógica é desafiador. Existem diversas estratégias de aprendizagem ativa que sugerem uma adaptação do formato de entrega do conteúdo, de modo a adequá-las a diversos contextos. Neste artigo, discutimos a experiência da aplicação da técnica Four Corners no ensino de doenças infecciosas em nossa instituição. Relato de experiência: A estratégia Four Corners foi implementada da seguinte maneira: 1. preparação: os estudantes recebem material de estudo para análise prévia; 2. preparação da sala: cada um dos quatro cantos recebe cartelas com os casos clínicos escolhidos; 3. divisão de tarefas: as tarefas são divididas entre os estudantes; 4. atividade: os estudantes leem e discutem cada um dos casos propostos com mínima interferência do moderador; 5. finalização: discussão final com todos os participantes liderados pelo moderador. A duração de toda a tarefa varia de duas horas e meia a três horas. Discussão: O processo educacional emerge da experiência do aprendiz. Muitos professores do ensino superior acreditam que promovem o pensamento crítico por meio do ensino ativo em suas aulas, entretanto a porcentagem dos que aplicam essas técnicas ainda é baixa. Existe uma ampla variedade de técnicas ativas de ensino, e muitas delas se adaptam a diferentes cenários. A técnica Four Corners é uma estratégia de aprendizagem ativa que promove debate e troca de conceitos entre os estudantes. Conclusão: Este relato de experiência descreve uma estratégia de aprendizagem ativa para o ensino de doenças infecciosas para estudantes de Medicina. O aprimoramento da educação médica passa por entender o papel do professor como mediador do processo de aprendizagem. Propor novas estratégias de ensino é desafiador e requer ajustes frequentes. A estratégia Four Corners melhora o envolvimento do aluno com o processo de aprendizagem e é eficiente para compreender um conteúdo teórico extenso em um tempo de discussão relativamente curto.

Graduação antecipada do curso de medicina durante a pandemia de COVID-19: avaliação preliminar

PID: S1981-52712021000200212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Almeida Weihermann Marques Fachin Fraiz Pimentel
Resumo: Introdução: O atual surto do novo coronavírus ou Sars-CoV-2, causador da Covid-19, foi relatado pela primeira vez à Organização Mundial da Saúde, pela China, em 31 de dezembro de 2019, sendo declarada pandemia em 11 de março de 2020. Quanto ao espectro clínico da infecção pelo Sars-CoV-2, ele é amplo, variando de quadro assintomático, doença leve do trato respiratório superior, a pneumonia viral grave com insuficiência respiratória e morte. Com uma chance de apresentação clínica grave próxima a 25%, a infecção pelo Sars-CoV-2 pode levar à sobrecarga dos serviços de saúde e aumentar a demanda tanto por recursos materiais como humanos. Para aumentar a disponibilidade de profissionais da área da saúde envolvidos diretamente no atendimento durante a pandemia, o Ministério da Educação autorizou a antecipação da formatura para estudantes de várias áreas da saúde, incluindo Medicina. Objetivo: O objetivo do presente artigo é realizar uma avaliação preliminar do impacto da antecipação da graduação para os formandos de Medicina durante a pandemia de Covid-19. Método: Trata-se de estudo observacional e transversal realizado por meio da aplicação de questionário com 13 perguntas: em cinco, utilizou-se escala Likert de avaliação; em seis, adotou-se o formato de múltipla escolha; e duas foram descritivas. O questionário foi enviado, via Formulário Google, a alunos de Medicina das universidades de Curitiba, no Paraná, formados no primeiro semestre de 2020, que anteciparam a outorga de grau em razão da pandemia de Covid-19. Resultados: Responderam ao questionário 113 formandos, dos quais 101 relataram que já atuam como médicos. Destes, 63,36% afirmaram que estão trabalhando diretamente no atendimento de casos de Covid-19. Sobre a importância da antecipação da outorga de grau, a maioria dos participantes concorda totalmente ou concorda, e apenas três participantes discordam totalmente. Mais da metade dos entrevistados não se sentem prejudicados com a antecipação da outorga de grau. Contudo, 43,3% acreditam que deixaram de adquirir informações importantes em sua formação. Por fim, quanto ao fato de trabalharem na pandemia, 79,6% consideram importante a atuação de médicos recém-formados no combate à Covid-19. Conclusão: Este estudo mostra que, a princípio, os esforços para a antecipação de formatura foram bem-sucedidos, já que os novos médicos estão contribuindo para aliviar a pressão imposta pela falta de profissionais e promover um melhor cuidado aos pacientes durante a pandemia.

Gênero, sexualidade e educação médica: vivências em uma escola federal que utiliza metodologias ativas de aprendizagem

PID: S1981-52712021000500222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Aquilante Moretti-Pires Sampaio
Resumo: Introdução: A sexualidade se caracteriza como dispositivo de poder, e a medicina tem importante papel como uma das principais instituições de ação. A educação médica tende a ratificar o discurso heteronormativo e diagnosticar os padrões desviantes como patologia. Pauta-se na categorização binária dos indivíduos como implicação de sua sexualidade. O curso de Medicina investigado assume a proposta metodológica da espiral construtivista, que procura garantir o protagonismo dos estudantes, assim como dialoga com seus conhecimentos prévios, apostando no conceito de aprendizagem significativa. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as experiências dos estudantes no desenvolvimento do perfil de competência relacionado a gênero e sexualidade durante o curso de Medicina. Método: Trata-se de pesquisa qualitativa utilizando grupos focais com estudantes do sexto ano do curso. Resultado: O estudo aponta para a percepção dos estudantes sobre a importância das metodologias ativas, bem como sobre a inserção precoce nos campos de prática. No entanto, a temática sobre gênero e sexualidade precisa estar proposta no elenco de disparadores para o uso da espiral construtivista. Conclusão: As metodologias ativas de ensino-aprendizagem podem se configurar como estratégia contra-hegemônica ante o dispositivo da sexualidade na garantia de biopoder, na medida em que haja reorientação desses conteúdos no currículo.

Hermenêutica ontológica aplicada à semiologia médica: por que os discentes de Medicina devem estudar Heidegger

PID: S1981-52712021000200802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Takeuchi
Resumo: Introdução: Devido à complexidade da atual abordagem médica, várias áreas temáticas que não lhe são específicas devem ser de seu entendimento, como a hermenêutica. Durante os últimos séculos, essa linha filosófica participou de diversas mudanças de paradigmas, os quais só puderam ser de fato superados a partir do século XX, principalmente com a obra Ser e tempo, de Martin Heidegger. Desenvolvimento: Foi realizado um ensaio acerca de algumas implicações da obra Ser e tempo para as práticas de ensino-aprendizagem semiológica. Nota-se que o entendimento fenomenológico pode contribuir para ensino-aprendizagem para além dos domínios cognitivos ao abordar: o que é semiologia, o que é a fala, como a antropologia interage com a medicina, o que é “empatia” e de como lidar com a “morte”. Destaca-se o potencial dessa abordagem para o fornecimento de perspectivas propriamente mais humanas, o que, na prática médica, deve ser transmitido nas atividades de ensino-aprendizagem. Conclusão: Apesar de não prover resoluções, tal discussão aponta o campo da hermenêutica fenomenológica como de possível interesse para o desenvolvimento profissional.

Implantação de mentoria on-line em uma faculdade de medicina durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712021000400422 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Serra Bteshe Bedirian Belz Franco Oliveira
Resumo: Introdução: Com a interrupção das aulas presenciais nas escolas médicas ocasionada pela pandemia da doença pelo novo coronavírus, verificou-se que os alunos ingressantes no primeiro ano de Medicina de uma faculdade pública brasileira apresentavam maior vulnerabilidade social e psicológica devido aos vínculos pouco consolidados com colegas e com o ambiente acadêmico. Observou-se que os fatores de estresse relacionados às adaptações ao contexto universitário se intensificaram, tornando essa turma prioritária para o desenvolvimento de intervenções emergenciais de suporte e acolhimento. Este trabalho relata um projeto-piloto de mentoria entre professores e alunos em ambiente virtual, visando à sua posterior institucionalização como atividade regular. Descreve etapas de implantação, desenvolvimento, resultados iniciais e perspectivas. Relato de experiência: Foi desenvolvida uma mentoria on-line entre alunos e professores, em que utilizou a dinâmica de grupos de reflexão como estratégia metodológica. Por meio de redes sociais e reuniões on-line, alunos e professores foram convidados a participar do projeto, que contou com seis docentes, um preceptor e 29 alunos, além da equipe coordenadora. Realizou-se uma capacitação on-line de professores com conteúdos teóricos e simulações, objetivando delimitar o papel deles, os objetivos, o enquadre e as especificidades de uma mentoria remota. A avaliação final da atividade foi feita por professores e alunos. Discussão: As medidas de distanciamento social evidenciaram a necessidade de oferecer oportunidades de aprendizagem e de convívio mediadas por plataformas digitais. Comprovou-se a adesão de alunos e professores à mentoria na modalidade on-line, e observou-se a sua potencialidade para fomentar uma relação aluno-professor baseada na troca de ideias, reflexão e suporte social. Constatou-se também um incremento da motivação para a adesão ao curso. Conclusão: A mentoria on-line proporcionou benefícios aos participantes, corroborando resultados de experiências no modelo tradicional presencial, e instigou a realização de pesquisas que aprofundem a investigação sobre a sua eficácia e relevância para a formação médica.

Implantação de um programa de mentoria remoto para estudantes de Medicina em tempo de pandemia

PID: S1981-52712021000400412 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Mazutti Roncati Martins
Resumo: Introdução: Programas de mentoria são necessários para apoio ao estudante de Medicina e podem ter diversos objetivos, dependendo das instituições que os implementam, embora ainda não sejam uma realidade na maioria das universidades. Durante a pandemia da Covid-19, encontros presenciais foram impedidos, o que dificultou ainda mais a manutenção desses programas, apesar de ser um dos momentos de maior necessidade emocional para os alunos. Ajustaram-se as aulas, e os encontros foram transformados em remotos, e, dessa forma, a mentoria on-line passou a ser uma realidade. Relato de experiência: Apoiado pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico dos Estudantes de Medicina (Napem), foi estruturado um programa de mentoria em pequenos grupos, formados por docentes, discentes mais experientes (comentores) e mentorados (alunos do primeiro ao terceiro ano) com reuniões realizadas de forma remota, o que permitiu a participação dos estudantes, a interação com eles e o acolhimento desse público. As reuniões aconteceram entre junho e dezembro de 2020. O programa contou com a participação de 13 mentores, 94 alunos mentorados e 24 comentores. O programa teve uma sessão de treinamento com mentores e comentores, que foi conduzida pela psicóloga do Napem para alinhamento de expectativas e orientações. As discussões nos grupos focaram dificuldades na vida acadêmica, profissional e pessoal. Discussão: O modelo remoto de mentoria apresenta como pontos fortes a maior flexibilidade para mentores e mentorados, a facilidade de participação de ambos e a manutenção da conexão do grupo, pois os encontros são facilitados pela tecnologia, visto que não houve nenhuma desistência. Como ponto fraco dessa experiência, citamos a falta de análises quantitativas e qualitativas do programa utilizando, por exemplo, entrevistas ou questionários de forma científica para avaliar melhor os resultados. Conclusão: A mentoria remota é útil e deve ser incluída como uma possibilidade de legado permanente para os cursos de Medicina, pois os encontros mostraram-se relevantes para mentores e mentorados, e mantiveram-se com alta adesão durante todo o programa.

Implementação de teleatendimento em saúde mental para estudantes de Medicina durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712021000500401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Liberal Bordiano Lovisi Abelha Dias Carvalho Morais Brasil
Resumo: Introdução: A pandemia provocada pela Covid-19 pode ser considerada um evento estressante grave e desencadear repercussões negativas na saúde mental dos estudantes de Medicina, como sofrimento psíquico e desenvolvimento ou agravamento de transtornos mentais, trazendo prejuízos à vida acadêmica, social e profissional desses alunos. Em consequência da interrupção das aulas e do distanciamento social preconizado pelos órgãos de saúde durante a pandemia, o Setor de Atendimento em Saúde Mental destinado aos alunos de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) necessitou cancelar os atendimentos presenciais do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho no início de março de 2020 e pensar em outras formas de cuidado em saúde mental para esses alunos. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência acerca da implementação do teleatendimento em saúde mental destinado aos estudantes de Medicina da UFRJ durante a pandemia, para a continuidade do cuidado em saúde mental de forma remota, iniciado no final de março de 2020. O atendimento está sendo ofertado por uma equipe de cinco psiquiatras, uma psicóloga e uma assistente social, todos funcionários da universidade. Discussão: O teleatendimento tem servido como um espaço importante de escuta e acolhimento diante das demandas psicossociais desses alunos e tem como desafio ultrapassar algumas barreiras que dificultam o acesso e a disponibilidade de serviços de saúde mental no campus universitário, incluindo a preservação da relação médico-paciente, a garantia da confidencialidade e qualidade, e a oferta de um espaço de cuidado em saúde mental quando a presença física não é possível. Conclusão: Apesar das dificuldades inerentes ao rápido processo de implementação desse serviço, percebe-se o potencial da tecnologia em auxiliar a população nesse momento crítico, em especial na atenção à saúde mental de grupos específicos como os estudantes de Medicina. O teleatendimento representa um potencial de aprendizado e mudança nas formas de como o acesso ao cuidado é ofertado, com a perspectiva de trazer benefícios à saúde mental dos estudantes, mesmo após o período atual da pandemia, com a meta de expansão desses atendimentos para outros cursos da UFRJ.

Implementação de um programa de mentoring para estudantes de graduação em saúde: a experiência da FMRP-USP

PID: S1981-52712021000400413 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Barros Ferraz Panúncio-Pinto
Resumo: Introdução: Discussões acerca da importância de proporcionar uma formação integral a estudantes do ensino superior têm sido ampliadas. Para além da aquisição de competências técnicas, ressalta-se a importância do desenvolvimento relacional, de atitudes e valores sustentados em princípios éticos. No campo da formação em saúde, cuidar dos futuros cuidadores pode ser uma forma de atingir tais objetivos. Programas de mentoria configuram uma relação de ajuda em que uma pessoa mais experiente na área de formação acolhe, orienta e auxilia um grupo de ingressantes na mesma área, contribuindo para o desenvolvimento acadêmico, pessoal e social. Relato de experiência: Este trabalho relata a implementação, o desenvolvimento e a manutenção de um programa de mentoring para cursos da área da saúde em uma instituição pública de ensino superior, sob coordenação do Centro de Apoio Educacional e Psicológico. Foi iniciado por meio de um projeto-piloto com o curso de Medicina e oferecido posteriormente aos demais cursos da unidade de ensino. Caracteriza-se como atividade extracurricular, de caráter voluntário, oferecida no primeiro semestre aos estudantes ingressantes. Os encontros são conduzidos por mentores, auxiliados por estudantes veteranos, os peers. Discussão: São destacados fatores que contribuíram para maior ou menor sensibilização e compreensão dos objetivos do programa, adesão dos participantes e manutenção dos grupos. O programa recebeu ajustes e modificações alinhados às próprias transformações ocorridas no centro responsável por sua coordenação, com o investimento em atividades coletivas de promoção de bem-estar e qualidade de vida. Conclusão: Programas de mentoria são intervenções importantes para acolhimento e suporte a estudantes durante a formação universitária. Podem apresentar desafios em sua implementação e manutenção, necessitando de coordenação e acompanhamentos constantes, em diálogo com todos os envolvidos em sua realização.

Impulsionando a comunicação não verbal na educação médica

PID: S1981-52712021000200216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Valadares Catani Lacombe Mendonça Silva Paro
Resumo: Introdução: A comunicação não verbal corresponde a importante parte da entrevista médica. No entanto, as habilidades não verbais ainda são subestimadas na educação, e os instrumentos para ensino e avaliação nas escolas de saúde são escassos. Objetivo: Nosso objetivo foi traduzir e adaptar culturalmente a Relational Communication Scale for Observational measurement of doctor-patient interactions (RCS-O) para o português do Brasil. Método: Traduzimos a RCS-O em sete etapas: tradução inicial, reconciliação, retrotradução, revisão pelo autor, revisão independente, consenso pela técnica Delphi, revisão por um coordenador de linguagem e pré-teste. Utilizamos gravações de quatro consultas médicas realizadas por estudantes de Medicina e residentes para pré-testar o instrumento. Durante essa fase, três observadores independentes avaliaram o desempenho de estudantes de Medicina e residentes em cenários reais de assistência médica por meio do uso das gravações. Resultados: A maioria das dificuldades de tradução e adaptação cultural foi relacionada ao significado polissêmico de alguns itens. Palavras e expressões como “stimulating”, “warmth”, “desire”, “relaxed”, “conversation to a deeper level”, “deeper relationship”, “casual”, and “intensely” precisaram ser adaptadas para remover a conotação sexual que poderia surgir da intimidade presente na relação médico-paciente. Conclusão: A versão brasileira da RCS-O é cultural, conceitual, semântica e operacionalmente válida. Representa um avanço importante para o ensino e a avaliação da comunicação não verbal na educação médica. Esperamos que este estudo possa incentivar educadores de saúde a investir no ensino e na avaliação dessas habilidades nas escolas médicas.

Inclusão do cuidado com a saúde das pessoas com deficiência nos currículos de medicina do Brasil

PID: S1981-52712021000300214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Freitas Júnior Freitas Carvalho Maranhão Lisboa Azevedo
Resumo: Introdução: No Brasil, estima-se que haja 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência. As disparidades de saúde enfrentadas pelas pessoas com deficiência (PCD) decorrem, entre outros fatores, do acesso inadequado aos cuidados de saúde e da formação deficiente dos profissionais para lidar com essas situações. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar a presença de aspectos relacionados com a atenção à saúde das PCD nos currículos dos cursos de Medicina do Brasil. Método: Foi realizada análise documental dos projetos pedagógicos dos cursos, dos currículos, das ementas de componentes curriculares e dos conteúdos programáticos, incluindo pesquisas em sites de 328 cursos de Medicina (42% públicos e 58% privados) autorizados pelo Ministério da Educação. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina foram adotadas como referencial teórico. A classificação considerada foi: classe I - atendimento mínimo do projeto pedagógico às recomendações sobre o cuidado para PCD, pela estrita transcrição do texto das DCN, e classe II - inclusão nas ementas e nos conteúdos programáticos dos componentes curriculares de atividades voltadas ao desenvolvimento de competências clínicas especificamente relacionadas ao cuidado destinado à saúde das PCD, incluindo comunicação, exame clínico e aspectos éticos. Resultado: Documentos de 171 cursos estavam disponíveis para análise adequada. Desse total, em 89 cursos (52%) foi identificada a inclusão de aspectos relacionados ao cuidado com PCD, sendo mais prevalente nos cursos públicos (n = 56; 62,9%). Em 50 (29,2%) cursos, observou-se a inclusão do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os conteúdos curriculares identificados foram predominantemente focados na classe I (n = 80; 89,9%), com absoluta falta de descrição das estratégias processuais para promover o desenvolvimento de competências clínicas relacionadas ao cuidado para PCD. Conclusão: No contexto brasileiro, os dados apontam para uma situação dramática no que se refere à invisibilidade das questões relativas às PCD na formação médica e para a necessidade de desenvolvimento e implementação de estratégias educacionais especificamente voltadas para o cuidado com as PCD nos currículos médicos. O estudo reforça o papel essencial do cuidado competente destinado à saúde das PCD como estratégia que visa à mitigação das iniquidades de saúde enfrentadas por essas pessoas.

Influência da religiosidade sobre a saúde mental dos acadêmicos de medicina

PID: S1981-52712021000200210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Leite Dornelas Secchin
Resumo: Introdução: A saúde mental foi incluída como um dos dez principais indicadores de saúde, e estudos demonstraram sua relação com religiosidade e espiritualidade (R/E). Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar se o grau de R/E dos acadêmicos de Medicina influencia em transtornos de ansiedade e depressão no decorrer da graduação. Método: Este trabalho foi realizado com uma amostra não probabilística, por conveniência, constituída de 298 acadêmicos. Utilizou-se, na forma de questionários, o Índice de Religiosidade de Duke em português brasileiro (P-DUREL), e, para mapeamento de depressão, ansiedade e estresse, aplicou-se a DASS-21. Resultado: Foi demonstrado que as diferentes dimensões da religiosidade não possuem associação com os transtornos emocionais depressão, ansiedade e estresse dos estudantes. Conclusões: É possível propor recomendações para pesquisas futuras, de modo que os resultados possam ser utilizados em estudos de metanálise. Estudos que não apresentaram relação significativa entre as variáveis não podem ser negligenciados para que sejam investigadas as dimensões positivas e negativas da associação entre R/E e saúde mental.

Inserção da acupuntura no ensino médico: revisão sistemática das experiências brasileiras

PID: S1981-52712021000100301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Correia Cardoso Taveira Duarte Souza
Resumo: Introdução: A acupuntura objetiva o equilíbrio energético por meio de estímulos na pele com a inserção de agulhas em pontos específicos. Ela faz parte do conjunto de conhecimentos teórico práticos da medicina tradicional chinesa. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde vem apoiando ações relacionadas ao ensino, à pesquisa e à troca de informações em todo o mundo. Este estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: “Quais são as evidências sobre a inserção da acupuntura no ensino médico no Brasil?”. Objetivo: Este estudo teve como objetivo revisar a literatura no que concerne à inserção da acupuntura nas escolas médias do Brasil. Método: Trata-se de uma revisão sistemática, realizada em fevereiro de 2020, com a busca da combinação das expressões e dos termos “medicinas alternativas e complementares”, “acupuntura”, “acupuntura médica”, “ensino médico” e “Brasil”, com as adaptações terminológicas para as línguas inglesa e espanhola, e de acordo com as bases de dados: PubMed/Medline, Medline/BVS, Lilacs, HomeoIndex, Scopus e SciELO. Os manuscritos incluídos foram avaliados na íntegra por dois pesquisadores com a finalidade de identificar núcleos temáticos de discussão, a saber: “Acupuntura no Brasil: desafios e perspectivas”; “Acupuntura na graduação médica: experiências, percepções e desafios”; “Especialização/residência em acupuntura médica”; “Divulgação científica: importância na educação médica”. Resultados: Os 16 artigos selecionados foram classificados segundo objetivos, método, resultados e conclusões, e discutidos com base nos núcleos temáticos identificados. Conclusão: Os dados do estudo mostram que a acupuntura vem crescendo no Brasil, com maior divulgação e ensino lato sensu, com resumida participação durante a graduação. Espera-se que as políticas públicas voltadas para o Sistema Único de Saúde possam incentivar maiores investimentos no ensino durante a graduação.

Integração semiologia e radiologia: nova tendência no processo de ensino e aprendizagem

PID: S1981-52712021000100205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Morais Tedeschi Fontes Santos Saad
Resumo: Introdução: O desenvolvimento do raciocínio clínico para diagnosticar doenças e solicitar exames complementares, como os radiológicos, baseia-se na história e no exame físico, desenvolvidos durante o curso de Semiologia. Objetivo: Nosso objetivo foi avaliar os resultados da integração inovadora de duas disciplinas no currículo médico em nossa instituição: Semiologia Médica e Radiologia Clínica. Métodos: A amostra foi composta por 184 estudantes de Medicina do quinto semestre que participaram das duas disciplinas simultaneamente. Realizaram-se sessões extraclasse de semiologia e radiologia, baseadas em tópicos teóricos e práticos, integrando imagens radiológicas com sinais semiológicos. Avaliaram-se os resultados por meio da aplicação de um questionário semiestruturado aos participantes, no qual todos os 18 itens foram classificados em uma escala de 0 (pior) a 10 (melhor). A hipótese de normalidade na distribuição dos escores foi verificada pelos testes de Kolmorov-Smirnov e Shapiro-Wilk. As 18 distribuições de pontuação foram resumidas por estatística descritiva e comparadas pelo teste de Friedman, com teste post hoc em comparações pareadas ajustadas por Bonferroni. As correlações entre as pontuações foram determinadas pelos coeficientes de correlação de classificação de Spearman. Resultados: O escore médio geral para as sessões de semiologia e radiologia foi alto (8,55). Os estudantes ficaram satisfeitos com a seleção de casos clínicos (8,46) e descobriram que as sessões de semiologia-radiologia contribuíram para o desenvolvimento de seu raciocínio clínico (8,58). Conclusão: As escolas médicas enfrentam novos desafios na educação médica. O conceito inovador da modalidade de ensino integrado de radiologia-semiologia afeta a capacidade de autopercepção dos alunos para interpretar imagens radiológicas e pode ser uma tendência de estratégia educacional.

Internato na pandemia Covid-19: a experiência de uma escola médica

PID: S1981-52712021000300404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Caramori Palhares Neto Smaira Silva Costa Lima
Resumo: Introdução: A pandemia da Covid-19 provocou milhares de mortes e levou a incontáveis mudanças na forma de organização de serviços de saúde e nas escolas de Medicina mundo afora. Relato de experiência: Este artigo relata a experiência da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), cujas aulas foram suspensas em função da pandemia. Discussão: Descrevem-se as motivações para a suspensão e os procedimentos para a retomada das aulas do internato, depois de 15 semanas da interrupção. Conclusão: Ressalta-se a importância das decisões coletivas, da comunicação empática, do acolhimento e cuidado com a saúde mental e da parceria com o Hospital das Clínicas na realização de rastreamento para a presença do vírus entre os estudantes. Por fim, destaca-se o aprendizado para o professor ao se defrontar, por um lado, com a impotência diante da morte e do desconhecido, e, por outro, com a potência do cuidado que pode ser oferecido em situação tão singular quanto uma pandemia.

Letramento funcional em saúde: experiência dos estudantes e percepção dos usuários da atenção primária

PID: S1981-52712021000500210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Lustosa Lima Damasceno Maués Teixeira
Resumo: Introdução: A participação social na prática de ações promotoras da saúde é uma das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir disso, surge o letramento funcional em saúde (LFS) que se compreende como a capacidade do indivíduo de entender, interpretar e aplicar as informações escritas ou faladas sobre saúde. Nesse contexto, a extensão universitária torna-se uma estratégia que transmite informações sobre prevenção em saúde e permite o seu empoderamento pelos usuários. Objetivo: Este estudo teve como objetivo relatar a experiência de um projeto de extensão que possibilita a interação de acadêmicos e usuários da atenção primária, a fim de estimular o LFS e avaliar a percepção dos usuários sobre as ações desenvolvidas pelos discentes. Método: As intervenções do projeto priorizavam temas e doenças prevalentes na população local e/ou que estão no calendário nacional de conscientização do Ministério da Saúde. No final das intervenções, realizaram-se dinâmicas que simularam situações reais, e alguns usuários foram convidados a participar delas e, partir disso, estimular o LFS. Ademais, a avaliação da percepção dos usuários sobre a participação dos discentes foi realizada por meio de uma entrevista, na qual se utilizou uma pergunta norteadora, e, em seguida, aplicou-se o método de análise do conteúdo de Bardin. Resultado: No decorrer da execução do projeto, foi perceptível que as intervenções tiveram rendimento satisfatório em relação aos conteúdos trabalhados, pois ocorreram inúmeros questionamentos e relatos dos usuários. Constatou-se que as práticas educativas foram muito construtivas no contexto da estimulação do LFS, pois proporcionaram a participação ativa dos indivíduos. Além disso, os relatos positivos dos usuários corroborou a percepção dos alunos quanto às ações. Justificativas como a carência de ações em educação em saúde, a falta de informação sobre o processo saúde-doença, a importância da prevenção e a troca de conhecimento foram abordadas pelos usuários. Conclusão: Por meio dos relatos dos usuários e pela experiência dos autores, conclui-se que as ações em educação em saúde desenvolvidas sempre buscando tornar os usuários protagonistas da própria saúde possibilitam a troca de saberes entre acadêmicos e comunidade, promovendo a multiplicação de conhecimento acerca dos temas abordados no projeto.

Mapa da Empatia em Saúde como instrumento de reflexão em cenário de ensino não assistencial

PID: S1981-52712021000500203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Sousa Moura Peixoto Aredes Said
Resumo: Introdução: O desenvolvimento da empatia durante a graduação tem a finalidade de formar egressos com mais preparo na construção de uma boa relação com seu paciente. O Mapa da Empatia em Saúde (MES) é uma ferramenta adaptada com o propósito de desenvolver, por meio da autorreflexão, a empatia dos estudantes e futuros médicos. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o efeito do uso do MES na empatia autorrelatada em estudantes de Medicina no cenário de grupo tutorial (GT) e analisar as características das reflexões realizadas. Método: Trata-se de estudo quase experimental, com abordagem de métodos mistos, na modalidade plano explicativo, realizado com 59 estudantes do terceiro ano da Unifenas de Belo Horizonte. Quarenta e um estudantes utilizaram o MES no GT, e 18 fizeram o GT de forma habitual. No início do estudo, os participantes responderam a um questionário sociodemográfico e à Escala de Empatia de Jefferson (JSPE-Br), a qual foi reaplicada ao final. Realizaram-se análises estatísticas em que se compararam os escores da JSPE-Br entre os grupos e as fases do estudo, e fez-se ainda a análise de conteúdo do MES. Resultado: O escore global de empatia se mostrou elevado em todas as fases e não diferiu entre os grupos. A análise de conteúdo revelou que o MES estimulou os estudantes a refletir sobre o quadro dos pacientes, com base nos pilares da empatia, a partir da leitura de suas narrativas. As reflexões variaram de aspectos biomédicos a perspectivas socioafetivas complexas. Conclusão: O MES estimulou a reflexão empática dos estudantes em cenário não assistencial e foi capaz de identificar a abrangência das reflexões, o que possibilitou as diferentes perspectivas a serem discutidas aqui.

Maternidade, paternidade e vida acadêmica: impactos e percepções de mães e pais estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000500219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Brito Avena Portilho Pereira Quintanilha
Resumo: Introdução: Aspectos pessoais, como a maternidade e a paternidade podem representar grandes desafios acadêmicos e profissionais, uma vez que requerem tempo, envolvimento afetivo, atenção e cuidado. Principalmente no curso de Medicina, caracterizado pela extensa rotina de estudos e carga horária, essa conjuntura pode ser ainda mais impactante. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o impacto da maternidade/paternidade no rendimento acadêmico de estudantes de Medicina, e analisar as principais percepções, motivações e desafios deles durante a formação médica. Método: Trata-se de um estudo transversal, quanti-qualitativo de abordagem descritiva e analítica que avaliou o perfil e as percepções de 85 mães/pais estudantes de Medicina em todo o país. Como instrumento de coleta, foi empregado um formulário virtual, semiestruturado, contendo questões sociodemográficas de única escolha e de percepções utilizando a escala Likert. A fim de avaliar o impacto da maternidade/paternidade no rendimento acadêmico, parte dos respondentes de uma das instituições avaliadas teve seus rendimentos acadêmicos obtidos para a comparação com amostras aleatórias e não identificadas de estudantes sem filhos da mesma instituição. Resultado: Os estudantes possuem clareza e não se arrependem de suas escolhas pessoais (93%), têm orgulho de ser mãe/pai universitários (93%) e ressaltam a importância e essencialidade da rede de apoio (88%). Ao serem questionados quanto ao rendimento acadêmico, as mães e os pais estudantes de Medicina expressaram limitação na compatibilidade dos afazeres e responsabilidades pessoais e profissionais (42%) e relataram que as obrigações parentais comprometem o rendimento no curso de Medicina (53%). Neste âmbito, porém, nossos dados apontam para um rendimento acadêmico de mães e pais similar aos de estudantes sem filhos. Conclusão: Os estudantes de Medicina com filhos, apesar de relatarem limitação na capacidade de associar os afazeres e as responsabilidades pessoais e acadêmicas, não se arrependem das suas escolhas e têm orgulho de exercer a dupla função. Além disso, eles apresentam rendimento acadêmico semelhante ao de estudantes sem filhos, apesar de acreditarem que as obrigações da maternidade/paternidade comprometem o seu rendimento acadêmico. Destacam-se a essencialidade da rede de apoio para realização das atividades acadêmicas e a uniformidade dessas percepções entre variáveis como sexo, estado civil e ciclo acadêmico.

Matriz de competência relacionada à Covid-19: contribuições de estudantes e residentes

PID: S1981-52712021000200215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Pita Melo Brasilino Diniz
Resumo: Introdução: A educação baseada em competências vem sendo discutida sob a nova perspectiva da pandemia da Covid-19. A necessidade do distanciamento social trouxe repercussão nas atividades estudantis, e as instituições de ensino precisaram refletir e redesenhar o processo de ensino-aprendizagem. Houve a necessidade de inserção de conteúdos relacionados à Covid-19 nos programas de capacitação médica e a adaptação das ferramentas pedagógicas. Portanto, é necessário que a formação seja mediada por uma construção coletiva da matriz de competências com participação dos sujeitos envolvidos no processo. Objetivo: Este projeto visa apresentar a reconstrução da matriz de competências em cardiologia observando a colaboração do estudante e residente. Método: Trata-se de um estudo exploratório envolvendo 13 graduandos do curso de Medicina e oito residentes médicos do programa de cardiologia da instituição, os quais compuseram o “Painel de estudantes e residentes”. Obteve-se o consenso entre os painelistas por meio da metodologia Delphi. A primeira versão da matriz foi elaborada pela equipe de pesquisa e enviada, com o TCLE, contendo 16 itens voltados para conteúdos sobre a Covid-19 a serem alcançados no internato e na residência em cardiologia. Os participantes atribuíram o grau de concordância a cada item proposto, sendo os dados apresentados de forma descritiva e com proporção de concordância. Resultados: O painel final foi formado por 19 integrantes. Dentre os 21 convidados, dois foram excluídos por não responderem ao questionário. A versão inicial da matriz obteve consenso na primeira rodada, sendo a menor taxa de concordância de 71% na matriz do internato e 89,5% na matriz da residência. Ambas as matrizes apresentaram índices elevados de concordância. Não houve discordâncias nem sugestões de novos itens para a matriz. Conclusão: O engajamento de estudantes e residentes no processo pedagógico pode contribuir para melhor compreensão sobre as competências para sua formação e promover mudanças sustentáveis no currículo.

Matriz de competências para o ensino da homeopatia na graduação médica

PID: S1981-52712021000100208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Freitas Mello Barbosa
Resumo: Introdução: Currículos médicos de graduação são extremamente carregados em seu conteúdo, tornando-se primordial a necessidade de otimizar competências essenciais. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina preconizam uma valorização do tratamento do doente que possui muitas interfaces com a homeopatia. Apesar de ser uma especialidade médica no Brasil reconhecida desde 1980, a homeopatia ainda é pouco presente na graduação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo desenvolver uma matriz de competências essenciais composta de conhecimentos e habilidades desejáveis para o ensino da homeopatia na graduação médica. Métodos: Trata-se de um estudo quanti-qualitativo realizado por meio da técnica Delphi normativa, em duas rodadas, com os docentes especialistas em homeopatia do país. Na primeira rodada, aplicou-se um questionário anônimo on-line para identificar as competências (conhecimentos e habilidades) necessárias em homeopatia para os discentes de graduação em Medicina. Após a análise de conteúdo, os temas foram agrupados nessas duas categorias que retornaram para apuração na segunda rodada, em que os especialistas assinalaram o grau de concordância (escala de Likert de quatro pontos: de não relevante a muito relevante). Para a definição de consenso, adotaram-se dois critérios: índice de De Loe e uma nota de relevância adotada pelos autores com vistas a discriminar mais os graus de consenso. Resultados: Dos 14 temas/subtemas relacionados como competências/conhecimentos, consideraram-se 11 como de alto consenso, dos quais cinco foram avaliados como primordiais, pois obtiveram nota de relevância acima de 9,0 (três relacionados ao grande tema clínica homeopática; um, à teoria e técnica homeopáticas; e outro, à pesquisa homeopática). Em relação às competências/habilidades, oito das 11 foram consideradas de alto consenso, e somente duas alcançaram nota acima de 9,0, ambas relacionadas à clínica homeopática. Conclusão: O ensino da homeopatia pode contribuir para a mudança paradigmática da medicina no sentido de valorizar o doente e promover a saúde, permitindo uma atuação médica mais humanizada e centrada no doente, o que justificaria a adoção de seu ensino, inclusive obrigatório, nas faculdades de Medicina. A elaboração de uma matriz de competências do que deve ser ensinado de homeopatia aos discentes da graduação médica vem ao encontro das DCN e instrumentaliza a reflexão na elaboração de uma futura ementa.
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