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Mentoria de acolhimento para alunos ingressantes no curso de Medicina

PID: S1981-52712021000400203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rios Santos Fernandes Pacheco Fernandes Vital Junior
Resumo: Introdução: As mudanças de vida do estudante quando ingressa na Faculdade de Medicina tornam os primeiros anos os mais vulneráveis para desenvolver estresse psicológico e suas consequências. Em 2020, essa condição se agravou devido à pandemia de Sars-CoV-2. Para dar suporte aos alunos, várias escolas médicas desenvolvem programas de mentoria, entretanto a adesão deles costuma ser baixa. Objetivo: Este estudo teve como objetivos criar um modelo de mentoria - denominada “Mentoria de Acolhimento” - como suporte psicossocial e pedagógico aos alunos ingressantes, e estudar seu processo de implementação e os resultados para maior adesão e efetividade. Método: Com um desenho metodológico do campo da ciência da implementação, utilizaram-se técnicas e instrumentos de pesquisas qualitativas e quantitativas para compor um estudo de métodos mistos. Obtiveram-se os dados qualitativos em reuniões com os mentores e os dados quantitativos em questionários eletrônicos anônimos para os alunos. Os encontros dos grupos de mentoria foram previstos na grade curricular obrigatória, em horários predeterminados nos quatro meses do primeiro semestre da graduação. Analisaram-se os dados qualitativos por meio da técnica de análise temática, e os dados quantitativos foram examinados de modo descritivo. Resultado: Participaram da Mentoria de Acolhimento 147 alunos (77% dos ingressantes). Identificaram-se os seguintes facilitadores de implementação: inclusão automática de todos os alunos nos grupos, inserção na grade, qualidade do mentor e disposição dos discentes para a mentoria. Observaram-se as seguintes barreiras: falhas na comunicação com os alunos, não realização de encontros por mentores, atividades extracurriculares no horário previsto para a mentoria e o modo presencial remoto. A experiência foi avaliada como positiva por alunos e mentores, verificando-se ganhos de desempenho acadêmico, em conhecer o cotidiano escolar e lidar com aspectos emocionais e relacionais da vida de estudante. Conclusão: A Mentoria de Acolhimento ajudou a integração do aluno ingressante na faculdade. Mostrou-se adequada em termos de modelo e resultados, mas requer aprofundamento dos estudos de impacto na formação médica.

Mentoria durante pandemia: um ambiente de acolhimento, pertencimento e humanização para primeiranistas

PID: S1981-52712021000400411 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Silva Palhares Neto Alencar Romanholi Lima Caramori
Resumo: Introdução: O Programa de Mentoria da FMB foi construído coletivamente durante os anos 2018-2019, com assessoria externa e amplo apoio institucional. O sofrimento psíquico dos alunos de graduação nas áreas da saúde, já descrito na literatura, intensificou-se com a pandemia da Covid-19, fortalecendo a necessidade do programa para os primeiranistas dos cursos de Enfermagem e Medicina. Relato de experiência: Foram realizadas oficinas para formação do grupo gestor do programa e do grupo de mentores. Em agosto de 2020, após divulgação entre representantes e conselhos, a Oficina de Sensibilização com os primeiranistas teve grande adesão. A construção de um ambiente virtual caloroso, leve e lúdico foi prioridade do grupo, assim os mentores foram apresentados aos alunos, e estes receberam o convite para ingresso ao programa. Os alunos declararam suas preferências por seus mentores em questionário que ficou aberto por duas semanas. Formaram-se grupos foram que se encontraram ao menos mensalmente, para que pudessem construir ambientes de acolhimento e afetividade, e discutir temas de interesse e escolha dos alunos. O grupo gestor se reúne com mentores bimestralmente, de modo a priorizar espaços de trocas e compartilhamento das vivências, dos desafios e das superações, e construir um ambiente colaborativo de aprendizado mútuo. Na Enfermagem, a adesão dos alunos foi de 100%, e na Medicina, de 85%. As avaliações dos alunos sobre o programa foram muito positivas. Discussão: O programa propiciou ambiente de diálogo sobre a saúde física e mental, gestão do tempo e atividades acadêmicas, como iniciação científica e extensão universitária. Mentores, mentorados, grupo gestor e instituição vivenciaram momentos de construção de vínculo afetivo e ambiente colaborativo. Conclusão: O programa conseguiu ter visibilidade entre alunos, professores e profissionais, e está conseguindo se firmar como estratégia para resgatar a afetividade e humanizar as relações na instituição, num momento de tantas inseguranças, sofrimentos e desafios.

Mentoria entre pares na escola médica: uma estratégia colaborativa durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712021000400416 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Martins Bosak Oliveski Hoff Salvador Massena
Resumo: Introdução: Devido ao distanciamento social necessário em um contexto de pandemia, a educação médica passou por rápidas e profundas transformações, como a suspensão das atividades presenciais e a virtualização do ensino, exigindo imensa capacidade de adaptação dos novos ingressantes no curso de Medicina. Nesse cenário, foi implementado o projeto de extensão Aluno Mentor em Tempos de Pandemia, visando a uma melhor integração acadêmica e social dos calouros. Relato de experiência: No projeto, um aluno veterano com maior experiência (aluno mentor) acolheu um aluno calouro (aluno mentorado), apoiando, orientando e guiando nas situações e dificuldades que surgiram ao longo do semestre. Além das reuniões de mentoria entre os alunos, foram realizados encontros de formação e supervisão com os alunos mentores. Discussão: A mentoria pode colaborar de maneira substancial no processo de acolhimento, acompanhamento e estabelecimento de vínculos dos estudantes na fase inicial da sua vida universitária, promovendo o seu desenvolvimento acadêmico e pessoal. Ao mesmo tempo que a mentoria entre iguais apoia o calouro, ela é uma oportunidade para potencializar a formação pessoal, acadêmica e profissional do aluno mentor, possibilitando o desenvolvimento de habilidades sociais, de comunicação, orientação, organização e liderança dos alunos veteranos. Conclusão: A implementação do projeto de mentoria entre pares constitui uma potente estratégia de apoio aos estudantes de Medicina, de modo a facilitar a integração deles ao curso.

Mentoria entre pares: percepções de suporte social e ambiente educacional de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000400201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Acherman Ribeiro Lima Cavalcanti Miranda Oliveira
Resumo: Introdução: Programas de mentoria entre pares são apontados como suporte efetivo na transição dos estudantes para o ensino superior, colaborando com sua saúde mental e seu desempenho acadêmico. Objetivos: Este estudo teve como objetivos mensurar e comparar a percepção de suporte social e avaliação do ambiente educacional entre estudantes membros e não membros do Grupo de Estudos em Didática Aplicada ao Aprendizado da Medicina (Gedaam), no curso de graduação em Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Método: Trata-se de estudo transversal que utilizou dados do cruzamento entre os bancos da pesquisa QualiMed e dos registros do Gedaam. Dos 1.470 estudantes que participaram do inquérito QualiMed, 347 eram vinculados ao Gedaam. A percepção do suporte social foi mensurada pela Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS); e a avaliação do ambiente educacional, pelo Dundee Ready Education Environment Measure (DREEM). Realizaram-se análises descritivas e comparativas univariadas por meio do qui-quadrado de Pearson e do teste t de Student, considerando um valor-p < 0,05 para verificação da significância estatística. Os dados foram analisados no software Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 19.0. Resultado: Verificou-se diferença estatisticamente significativa entre membros e não membros nas variáveis ciclo do curso, sexo, orientação sexual, recebimento de bolsas de auxílio e prática de atividade física regular. Os participantes do Gedaam apresentaram pior percepção quando comparados a não membros em todos os domínios da ESSS, exceto para a satisfação com atividades sociais (valor-p < 0,05). O ambiente educacional foi avaliado pelos dois grupos como tendo “muitos problemas” (escore = 95,51 para membros Gedaam e 100,05 para não membros), com diferença estatisticamente significativa. Conclusão: Observou-se um perfil mais crítico em relação à percepção de suporte social e ao ambiente acadêmico entre os estudantes. Sugere-se que a mentoria entre pares auxilie positivamente o percurso acadêmico e pessoal dos estudantes de Medicina.

Mentoria no curso de Medicina: desafios da metodologia ativa de aprendizagem durante a pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712021000400404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: d’Avila Medina Fasanella Aguiar Borges Esposito
Resumo: Introdução: A atividade de mentoria pode ser vista como um relacionamento especial entre mentor e mentorado que pode contribuir para a transição entre o ensino médio e a universidade. No ano de 2020, com a pandemia de Covid-19, houve a necessidade de migração súbita das atividades presenciais acadêmicas para o ensino utilizando as plataformas digitais, o que desencadeou mudanças na estratégia pedagógica das escolas médicas e, consequentemente, impactou as atividades de mentoria. Relato de experiência: Por meio de análise do discurso dos mentores do primeiro ano do curso de Medicina de uma universidade particular, ao longo do ano de 2020, discutimos os registros que ocorreram em tempo real após cada encontro semanal em sala virtual exclusiva, na qual os mentores podiam compartilhar livremente suas impressões, considerações e depoimentos sobre o desenvolvimento de cada sessão de mentoria. Discussão: A mentoria não trata apenas do desempenho acadêmico, mas também proporciona uma visão mais ampla das questões relacionadas ao estudante e ao seu contexto, favorecendo o desenvolvimento do docente, do discente e da instituição. A mudança para as plataformas digitais não se mostrou um problema, com rápida adaptação dos envolvidos. A percepção de pertencimento e a participação do grupo foram fatores importantes no desenvolvimento da mentoria, e o acolhimento saudável dos estudantes e mentores demonstrou um fortalecimento no senso de auto humanidade. Conclusão: Estudantes e mentores cultivaram um espaço para discussão de suas rotinas no desenvolvimento do ensino e aprendizagem. Diante do cenário epidemiológico atípico, houve a percepção de que os estudantes enfrentaram problemas semelhantes e buscaram, em conjunto, sugestões para soluções. Os mentores concluíram que uma programação comum, formal, para as sessões de mentoria não deveria ser aplicada rotineiramente.

Mentoria virtual durante a pandemia de Covid-19: percepções de mentorandos e mentores

PID: S1981-52712021000400408 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Soares Junqueira Young Feliciano Mendonça Gois
Resumo: Introdução: A pandemia de Covid-19 impôs à educação médica novas modalidades de ensino a distância. Com isso, os programas de mentoria, prática do processo de formação em Medicina, precisaram se adequar à nova situação com a implementação da mentoria virtual destinada aos alunos. Relato de experiência: O grupo de mentoria reforçou a importância desse processo para a formação profissional, principalmente diante dos anseios e das inseguranças causados pela pandemia. A mudança para os encontros virtuais foi bem recebida pelos mentores e mentorandos. Por fim, o processo de mentoria virtual permitiu a discussão de temas mais leves, conversas com menos timidez sobre assuntos difíceis e reforçando a identidade do grupo. Discussão: Os programas de mentoria precisam investir em melhores treinamentos para os mentores, como forma de promover a qualidade do processo grupal, sem contar com os benefícios que isso traria ao mentor que passou a atuar de modo remoto com seus mentorandos. A pandemia acirrou as divergências entre gerações e os domínios das ferramentas virtuais por parte dos grupos de mentores e mentorandos. Os mentores e docentes do processo de formação médica precisam atentar para o sofrimento mental e as fragilidades dos alunos, na tentativa de minimizar esses problemas por meio da mentoria, das narrativas e do compartilhamento de experiências que permitem a suspensão do automatismo cotidiano. Conclusão: Não se observou nenhum tipo de prejuízo acerca da mentoria virtual, e não existe empecilho para que ela continue na modalidade remota, após a pandemia de Covid-19.

Mentoria virtual para estudantes de medicina em tempos de covid-19

PID: S1981-52712021000300405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rios Medeiros Junior Fernandes Zombini Pacheco Mascarenhas Azuma Vital Junior
Resumo: Introdução: Durante a pandemia de Sars-CoV-2, as escolas adotaram distanciamento social e atividades a distância que, segundo estudos recentes, sugerem o aumento de depressão, ansiedade e distúrbios de comportamento entre estudantes universitários. A formação médica que é marcada por forte estresse psicológico contou com esse agravante, reforçando a necessidade de ações de cuidado destinadas aos alunos, como os programas de mentoria. A mentoria de alunos oferece suporte empático e desenvolvimental que estimula autocuidado, bem-estar e resiliência. Relato de experiência: Um grupo de professores-mentores de uma escola médica adaptou atividades de mentoria para um modelo remoto dirigido aos alunos veteranos que já participavam da mentoria e separadamente aos estudantes recém-ingressos no curso médico. No formato remoto, manteve-se a proposta de mentoria como “lugar de conversa”, mas em plataforma digital. O acompanhamento técnico da proposta se deu por meio de encontros remotos do grupo de mentores e de consulta aos alunos por meio de questionário autoaplicado on-line. Os dados obtidos foram submetidos à análise de conteúdo. Discussão: De março a dezembro de 2020, realizaram-se 109 encontros de mentoria virtual. Os alunos consideraram satisfatórios os encontros remotos em termos de qualidade das discussões, atuação do mentor e ambiente emocional. A desenvoltura interativa variou entre grupos, mas foi facilitada nos grupos de veteranos. Entre os alunos ingressantes, o tema recorrente esteve atrelado ao sentimento de medo: de ter mau desempenho nas provas, de perder o semestre e de não aprender. Entre os veteranos, destacaram-se as dificuldades de adaptação ao ensino a distância e de organização diante do excesso de atividades, e a diminuição das atividades práticas. Todos os grupos relataram medo da pandemia, da morte e de a situação financeira dos pais piorar, além de tristeza em razão de perda de parentes pela Covid-19. Chamou a atenção dos mentores o fato de os alunos, mesmo em um espaço acolhedor, manterem fechadas as câmeras. Conclusão: Para os mentores e discentes, a mentoria virtual funcionou como importante suporte ao aluno. Veteranos e calouros relataram que se sentiam cuidados, fortalecidos e gratos, sugerindo que os encontros permitiram uma boa interação das pessoas e a produção de efeitos benéficos perceptíveis. Um limite deste estudo foi o tempo de experiência. Assim sendo, recomenda-se manter tal investigação.

Mentoria é uma arte, não um ofício

PID: S1981-52712021000400401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Teixeira
Resumo: Introdução: Programas de mentoria têm se mostrado estratégias para o aprimoramento da formação dos futuros médicos, com alcance em aspectos pouco contemplados nos currículos formais. Este relato discute a experiência docente do exercício da mentoria para uma turma de graduação em Medicina, durante o período de seis anos (de 2014 a 2020). Relato de experiência: As ações da mentoria foram planejadas semestralmente, em reuniões entre mentor e mentorados. As temáticas elegíveis foram escolhidas por meio de tempestade de ideias para convergir nas principais demandas coletivas. Abordaram-se os seguintes assuntos: visão do paciente ante a interação com estudantes das profissões da saúde, futuro dos médicos recém-formados, matriz de competências essenciais para a formação do médico, entre outros. Utilizaram-se mais frequentemente as seguintes ferramentas: rodas de conversa, atividades baseadas em metodologias ativas em pequenos e grandes grupos, encontros informais com a turma, encontros individuais, e espaços formais e informais de tecnologia da informação. As ações foram realizadas, ao longo dos seis anos, pelo mesmo docente, o que permitiu a construção e consolidação do vínculo entre mentor e mentorados. Discussão: Assim, a mentoria se configurou como uma potente estratégia, conduzida com flexibilidade para permear as necessidades dos educandos, direcionando-as para o desenvolvimento individual e coletivo de profissionalismo. Entre os ganhos paralelos, destaca-se o estímulo ao desenvolvimento docente, condição que exigiu receptividade à interação e reconhecimento dos saberes dos aprendizes. Conclusão: Por meio desta experiência, foi possível compreender que a essência da mentoria está relacionada ao vínculo e ao preparo de seres humanos para lidar com seres humanos, independentemente do papel social que estejam ocupando.

Mentoria: vantagens e desafios da educação on-line durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712021000400414 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Alcântara Murta Souza Molinari-Gomes
Resumo: Introdução: A mentoria é uma importante estratégia de ensino em cursos de graduação e no treinamento profissional, especialmente no momento em que o mundo vivencia a pandemia da Covid-19. Essa estratégia possibilita aprendizado dinâmico e coletivo, ao mesmo tempo que minimiza os impactos sociais e emocionais gerados pela pandemia, sem comprometer o isolamento físico. Relato de experiência: A experiência dos alunos da UFMG com a mentoria nos formatos presencial (realizada em 2019) e virtual (durante a pandemia de 2020) demonstrou que, apesar de a modalidade virtual ter aspectos negativos, as vantagens são superiores. O aspecto mais vantajoso elencado por todos os mentorandos foi a possibilidade de discutir temas que iam além do aprendizado da medicina, como uma forma de preparação prática para a vida profissional. Discussão: A mentoria é uma estratégia singular de grande importância na educação médica. O formato misto, composto por reuniões virtuais e presenciais, foi considerado o melhor modelo para sua aplicação. Conclusão: Acreditamos que o presente relato estimulará outras instituições a adotar disciplinas no formato de mentoria, além da utilização do recurso remoto como estratégia de ensino.

Metodologias ativas de aprendizagem: práticas no ensino da Saúde Coletiva para alunos de Medicina

PID: S1981-52712021000300402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Assunção
Resumo: Introdução: Combinados à cultura geracional dos alunos a conclamar novos desafios para as escolas médicas, estão as reformas do modelo assistencial e os novos padrões de adoecimento. Essas transformações justificaram movimentos nos anos 1990 para reorganizar o ensino médico. Paralelamente, inovações no campo educacional foram alimentadas, entre outros referenciais, na teoria sociocultural. A interseção educação, pedagogia e psicologia alimentou o reconhecimento de três dimensões do processo de aprendizagem humana: plano interpsíquico, ou seja, compartilhamento entre indivíduos; mediações de objetos e imagens, ou seja, a semiótica; e o plano intrapsíquico que é relativo à internalização do conhecimento construído. Os avanços teóricos e as tecnologias instrucionais impulsionaram a aplicação de metodologias ativas de aprendizagem, que têm sido contrastadas ao modelo tradicional da aula expositiva nas escolas médicas. Relato de experiência: Este relato apresenta experiências docentes no desenvolvimento e na aplicação de metodologias ativas de aprendizagem no ensino da Saúde Coletiva para alunos de Medicina. Discussão: Baseando-se na experiência de adequação do modelo pedagógico da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, três métodos foram discutidos: elaboração de projetos, sala de aula invertida e instrução por colegas, bem como os seus fundamentos pedagógicos. Examinaram-se a coerência entre valores da atual geração de alunos, as mudanças de paradigma na prestação dos serviços de saúde e as práticas de inovações pedagógicas combinadas ao emprego das tecnologias da informação e comunicação (TIC) nos projetos de ensino. A sala de aula invertida e a instrução por colegas apoiadas pelas TIC conferiram um novo formato à sala de aula, de maneira a tornar a aprendizagem mais significativa. Hesitações recorrentes por parte dos alunos foram interpretadas como tensões entre a passividade em que se encontram no modelo tradicional e a chamada para maior implicação quando são utilizadas as metodologias ativas de aprendizagem. Foi requerido trabalho docente intenso para fazer a transposição didática. Deficiências das habilidades comunicacionais do professor devem ser superadas. Conclusão: O uso de metodologias ativas de aprendizagem, além de coerente com a cultura dessa geração de alunos, contribui, de maneira significativa, para o desenvolvimento de competências centrais na formação do aluno de Medicina. Para o futuro próximo, serão imprescindíveis avaliação sistemática da proposta e mais recursos tecnológicos.

Modelo de oficinas de qualificação em Aprendizagem Baseada em Equipes com docentes de Medicina

PID: S1981-52712021000200221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Albuquerque Botelho Caldato
Resumo: Introdução: A Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) tem se mostrado, em todo o mundo, uma ferramenta pedagógica promissora nas mais diversas realidades, ao estimular o autoaprendizado do aluno e potencializar a habilidade de trabalhar em equipe. Todavia, são escassos os estudos que envolvam a qualificação de docentes para a prática dessas atividades. Objetivo: Dessa forma, o presente estudo objetivou relatar um modelo de oficina de qualificação docente em ABE e a avaliação feita pelos participantes acerca da metodologia empregada, com docentes do curso de Medicina de uma instituição privada de ensino superior de Belém, no Pará. Método: Trata-se de uma pesquisa-ação intervencionista realizada por meio de questionários elaborados pelos próprios dos autores para avaliar a satisfação, as críticas e as recomendações dos docentes acerca das oficinas propostas. Resultados: Percebeu-se que 81,2% dos participantes atribuíram “satisfação máxima” às oficinas e os demais as classificaram como “satisfatórias”. Dessa forma, houve aprovação da técnica empregada por todos os docentes. Quando indagados sobre os pontos negativos nas oficinas, os mais citados foram: horários e dias escolhidos (18,7%); pouco tempo para estudo individual (15,6%); deslocamento, carga horária extensa e falhas no convite para inscrição nas oficinas (12,5%). Quando questionados sobre os pontos positivos, os mais citados foram: utilizar a própria ABE para ensinar ABE (93,7%); qualidade dos artigos escolhidos para estudo prévio (87,5%); e alta aplicabilidade prática (81,2%). Por fim, 93,7% dos participantes referiram se sentir confiantes para conduzir atividades de ABE em suas práticas diárias. Conclusão: Os participantes demonstraram boa aceitação e satisfação com relação à metodologia empregada nas oficinas, permitindo assim que possam aplicar essa estratégia de ensino com maior segurança e assertividade em suas rotinas diárias. Espera-se que este trabalho possa contribuir para a aprendizagem sobre essa estratégia educacional e descomplicar e tornar acessível a sua aplicação, para assim estimular docentes e instituições não familiarizados com a ABE a introduzir essa valiosa ferramenta em suas matrizes pedagógicas.

Motivação acadêmica de estudantes de Medicina: uma análise na perspectiva da Teoria da Autodeterminação

PID: S1981-52712021000200219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Cadête Filho Peixoto Moura
Resumo: Introdução: Os princípios da Teoria da Autodeterminação são pertinentes para a educação profissional, na medida em que a diferenciação e expressão dos tipos primários de motivação têm implicações para os múltiplos desfechos da aprendizagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar a motivação acadêmica em estudantes do quarto ano de Medicina em duas instituições de ensino e discutir os resultados na perspectiva da Teoria da Autodeterminação. Método: Trata-se de estudo transversal e quantitativo conduzido por questionário autorrespondido contendo 18 questões sociodemográficas e a Escala de Motivação Acadêmica (EMA). A amostra foi constituída por 147 estudantes do quarto ano de Medicina de escolas com metodologias de ensino distintas: 73 estudantes da instituição A (aprendizagem baseada em problemas - ABP) e 74 estudantes da instituição B (tradicional). Conduziu-se uma análise univariada em que se utilizaram os testes t de Student, a Análise de Variância (ANOVA), o teste qui-quadrado e a correlação de Pearson. Posteriormente, fez-se uma análise de regressão linear múltipla. Resultados: Observou-se um perfil moderado de motivação intrínseca (MI) e extrínseca (ME) na amostra de estudantes, com médias de MI superiores às da ME. Níveis elevados de MI foram observados nos domínios de motivação para realização e para o saber, sendo o prazer de ampliar conhecimentos e o aumento da competência profissional os fatores que mais impactaram positivamente a motivação. Na MI, o fator com menor pontuação foi a universidade como local de prazer. A ME foi relacionada ao desejo de ter uma boa vida no futuro, incluindo remuneração. Observou-se que as variáveis sexo feminino, idade menor que 23 anos, morar sozinho, ter feito o curso todo na mesma instituição e a escola com metodologia ABP influenciaram de forma positiva na motivação. Conclusão: Os estudantes demonstraram níveis de MI superiores à da ME, com menor pontuação atribuída à universidade como local de prazer. Esse fato apresenta uma oportunidade para estudos futuros, que poderão verificar os fatores do ambiente escolar que se relacionam à motivação em aprender dos estudantes. A ME foi associada às expectativas futuras de vida. Conhecer as variáveis que caracterizam a autorregulação da aprendizagem é fundamental para embasar estratégias de ensino que contribuam para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Negociações (im)possíveis: a preceptoria e os desafios na relação entre ensino e serviço

PID: S1981-52712021000500220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Borges Hasse Silva Machado Teixeira
Resumo: Introdução: O curso de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) foi criado em 1954. Em 2011, ocorreu a inclusão dos estágios supervisionados em medicina geral e comunitária I e II no internato, que inseriu os estudantes na rede de serviços da atenção básica do município, processo marcado por conflitos e limitações. Visando solucionar os impasses criados, a UFTM contratou, por meio de concurso público, preceptores de medicina de família e comunidade para atuar na rede municipal. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o arranjo institucional proposto para otimizar a relação ensino-serviço nos estágios supervisionados da área de medicina de família e comunidade, a partir da percepção de docentes e preceptores do Departamento de Saúde Coletiva que atuam na atenção primária. Método: Trata-se de estudo de caso apoiado em pesquisa documental e entrevistas realizadas com três docentes e três preceptores do curso de Medicina de uma instituição pública. Resultado: A análise temática revelou três núcleos que foram agrupados nas categorias “contexto difícil”, “desencontro de expectativas” e “fios soltos”. O “contexto difícil” exigia a negociação e o deslocamento de poder entre as instituições e seus agentes. A (con)fusão entre os papéis de docente e preceptor produziu “desencontro de expectativas”. Em “fios soltos”, a lacuna entre a universidade e a rede municipal parece intransponível e reiterada a partir do concurso. Conclusão: A realização do concurso e a contratação de preceptores não foram suficientes para superar os desafios da articulação entre a universidade e a rede municipal de saúde. A pesquisa demonstra que não existe caminho simples para a integração ensino-serviço e que a interdependência dos atores aponta para o desafio e a necessidade da construção de agendas e espaços de decisão coletivos.

Nomofobia entre discentes de medicina e sua associação com depressão, ansiedade, estresse e rendimento acadêmico

PID: S1981-52712021000300218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Kubrusly Silva Vasconcelos Leite Santos Rocha
Resumo: Introdução: À medida que o mundo se torna cada vez mais interconectado, a adoção de tecnologia continua sendo um dos fatores definidores do progresso humano. A nomofobia representa uma condição mental causada pelo medo de ficar sem celular. Tal condição está diretamente associada à depressão, à ansiedade e ao estresse. Ainda, a nomofobia pode levar a danos cerebrais estruturais. Objetivo: O presente estudo visa conhecer o efeito da nomofobia nos estudantes de Medicina de uma faculdade privada e sua associação com depressão, ansiedade, estresse e rendimento acadêmico. Método: Trata-se de um estudo observacional de corte transversal, do qual participaram estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário Christus. O distúrbio foi mensurado por meio do Questionário sobre Nomofobia (NMP-Q). Esse instrumento tem 20 questões, todas baseadas na escala do tipo Likert de 7 pontos, a qual foi validada para o português brasileiro. A depressão, a ansiedade e o estresse foram mensurados pelo instrumento DASS-21, uma versão simplificada da DASS. Validou-se também o questionário DASS-21 para o português brasileiro. O rendimento acadêmico foi mensurado por meio do IRA, fruto de uma complexa operação matemática que resulta em uma nota média do aluno no semestre e funciona como um índice de referência para o acompanhamento pedagógico na faculdade estudada. Além disso, estudaram-se os hábitos de uso do dispositivo. Apresentaram-se os resultados descritivos, e realizaram-se análises bivariadas de associação e correlação. Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultado: Obteve-se uma amostra de 292 estudantes. Praticamente todos os alunos (99,7%) apresentaram algum grau de nomofobia, e 64,5% demonstraram nível moderado ou grave de nomofobia. Mais de 50% dos estudantes apresentaram graus superiores ao nível leve de estresse, e 19,5% e 11,2% dos estudantes manifestaram ansiedade e depressão graves ou muito graves, respectivamente. Quando se analisou a correlação dos escores no NMP-Q com os escores da DASS-21, observou-se que aumentos nessa pontuação levam à elevação do escore geral da DASS (p < 0,001) e que piores resultados na DASS-21 estão associados ao pior IRA. Conclusão: Nosso estudo sugere que a nomofobia pode provavelmente aumentar a ansiedade, o estresse e a depressão, e, como consequência, levar uma baixa do rendimento acadêmico.

Nível de conhecimento sobre suporte básico de vida entre formandos da área de saúde

PID: S1981-52712021000200214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Pelek Ferreira Silva-Junior Müller
Resumo: Introdução: O Suporte Básico de Vida (SBV) refere-se aos procedimentos que devem ser realizados em situações de parada cardiorrespiratória ou obstrução de via aérea, e, por isso, os acadêmicos e profissionais de saúde devem estar altamente capacitados para realização. Objetivo: Determinar o nível de conhecimento sobre SBV e os fatores associados entre formandos dos cursos da área de saúde de uma universidade pública. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com formandos de Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Medicina e Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. A coleta de dados foi realizada em 2019, no último mês de integralização curricular, por um pesquisador treinado com uso de questionário autoaplicado contendo dados sociodemográficas, formação profissional, autoconhecimento percebido e um instrumento validado de SBV. Houve associação entre o desfecho “conhecimento dos formandos” dicotomizado em alto (≥ 70% de acerto) ou baixo nível (< 70% de acerto) e as variáveis independentes (sociodemográficas, formação profissional e autoconhecimento percebido) e realização de regressão logística binária e multinomial (p < 0,05). Resultados: Participaram do estudo 191 formandos, sendo 85,6% do universo eleito. Um total de 30 participantes (15,7%) apresentaram alto nível de conhecimento em SBV, sendo formandos do curso de Enfermagem (n = 12) e Medicina (n = 18). Enquanto 35,3% dos formandos de Enfermagem e 46,2% de Medicina apresentaram alto nível de conhecimento sobre SBV, não houve nenhum formando de Educação Física (0,0%), Farmácia (0,0%) e Odontologia (0,0%). Na análise bruta, o baixo nível de conhecimento foi associado com menor idade (OR = 2,75; IC95%: 1,22-6,21), não se sentir seguro para realizar o SBV (OR = 3,12; IC95%: 1,38-7,01) e não ter disciplina na graduação (OR = 18,35; IC95%: 2,44-138,1). Na análise ajustada, manteve-se não ter disciplina na graduação (OR = 13,41; IC95%: 1,74-103,12). Conclusão: A maioria dos formandos apresentou baixo nível de conhecimento sobre SBV, e apenas formandos em Medicina e Enfermagem demonstraram alto nível de conhecimento. Após ajuste, não ter realizado disciplina sobre a temática foi associado ao menor conhecimento sobre SBV.

O Programa de Mentoring da PUC Minas: relato de experiência

PID: S1981-52712021000400409 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Silveira Guimarães Nunes Generoso
Resumo: Introdução: O artigo visa relatar a experiência do Programa de Mentoring do curso de Medicina da PUC Minas em Betim, em Minas Gerais, destacando algumas concepções, desafios e potencialidades do percurso de quase uma década. O ato educativo é um estímulo à emancipação do ser humano e às suas potencialidades, e os programas de mentoring representam um potente catalisador desse processo. Relato de experiência: O Programa de Mentoring da PUC Minas é uma atividade obrigatória, que oferece ao discente um espaço de acolhimento, reflexão e cuidado por meio da referência de um professor mentor. Com horas de dedicação, o mentor acompanha uma turma ao longo do curso, estabelecendo encontros regulares com a turma inteira - no início e final do semestre - e frequentes com grupos menores no decorrer do semestre. Encontros individuais acontecem conforme a demanda do acadêmico. Nos encontros, discutem-se temas referentes ao cotidiano das instituições de saúde e aos desafios enfrentados por elas, de modo a promover o desenvolvimento da identidade médica. Ao mentor cabe atentar aos impasses que se colocam no processo de formação, especialmente sobre a saúde mental dos alunos. Discussão: No percurso do Programa de Mentoring da PUC Minas, percebem-se sua consolidação na instituição, seu papel na formação dos alunos e o aprendizado dos mentores. Observa-se que não basta apenas formalizar um programa, mas também é necessário disseminar uma cultura de cuidado coerente com os princípios do projeto pedagógico do curso, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e as necessidades do campo da saúde coletiva. Encontra-se aí o desafio de sustentar no perfil do egresso um profissional capacitado tecnicamente e em condições de cuidar de si e daquele que acolhe. Conclusão: Com a implementação do Programa de Mentoring, percebe-se a criação, na instituição, da cultura de mentoring, refletido nas relações entre alunos e professores, possibilitando uma formação que contemple, além dos aspectos técnicos, a essência do cuidado.

O aprender a aprender na Educação Médica: reflexões a partir de aportes da Teoria Histórico-Cultural

PID: S1981-52712021000300803 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Machado Schroeder
Resumo: Introdução: O termo aprender a aprender, inicialmente desenvolvido como contraponto à Escola Tradicional, visando uma maior emancipação dos estudantes em relação à construção do conhecimento em sala de aula, assim como um incentivo à democracia e autonomia civil destes, passou a ser utilizado, de forma recorrente, como slogan neoliberal nas escolas médicas. Incorporado pelo mercado como sinônimo do termo norte-americano “do it yourself” (faça você mesmo), o conceito de aprender a aprender tornou-se significado de um construtivismo naturalista, partindo do princípio de que os estudantes constroem seus próprios conceitos, habilidades e valores de forma adequada e satisfatória. Desenvolvimento: Na Educação Médica, em especial, o termo aprender a aprender figura como proposta pedagógico-metodológica de forma recorrente. Convém salientar que a presença do termo, por si só, não deve ser concebida como danosa à Educação Médica, mas, sim, o contexto pedagógico em que se encontra inserido. Há, portanto, um esvaziamento do papel docente, enquanto regulador, da relação estabelecida entre o estudante e o mundo. Apresentamos três premissas teóricas, a partir da perspectiva histórico-cultural, para refletir e problematizar a natureza e os significados associados ao slogan “aprender a aprender”, com foco sobre a aprendizagem e o desenvolvimento do estudante, destacando a importância do médico-docente neste processo. Conclusão: Tanto a atividade de ensino como a de estudo necessitam se transformar em atividades conscientes por parte dos seus protagonistas, atentando-se à unidade criação de significado/aprendizagem conduzindo ao desenvolvimento, como princípio dialético central e como condição indispensável para o que compreendemos como desenvolvimento humano. Somente na atividade torna-se visível a universalidade do sujeito humano e a constituição da personalidade (médica). Deste modo, asseveramos que os médicos-docentes são fundamentais para que os estudantes de Medicina possam ser orientados a atuar nos termos da superação e mudança.

O ensino da prática médica no internato em tempo de pandemia: aprendizados e impactos emocionais

PID: S1981-52712021000500211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Andrade Coelho Bachur Bezerra Almeida Branco
Resumo: Introdução: Diante da pandemia ocasionada pelo vírus Sars-CoV-2, diversos profissionais da saúde depararam-se com novos desafios. Estudantes internos de Medicina também se encontram imersos nesse cenário e foram afetados no desempenho de seus papéis. Consiste este trabalho na observação dos aspectos físicos e psíquicos dos estudantes de Medicina que estão no período do internato nessa conjuntura. Objetivo: Desse modo, objetivou-se identificar os aprendizados e os impactos emocionais que os internos estão vivenciando no início de suas inserções no Sistema Único de Saúde diante da pandemia. Método: Para tanto, realizou-se uma análise qualitativa das narrativas de 37 internos de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (23 do sexo masculino e 14 do sexo feminino), com média de idade de 25,5 anos, que responderam a um questionário eletrônico que lhes fora enviado como estratégia para auxiliar a coordenação do curso a organizar o internato no contexto pandêmico. Resultado: A relação dos internos com preceptores de Medicina foi destacada como causadora de sofrimento psíquico e carente de aprendizado antes e durante a pandemia. Observou-se a presença constante de sentimentos ambivalentes. Muitos dos internos de Medicina desejavam ajudar reconhecendo a importância de sua contribuição neste momento complexo da saúde no país. Todavia, alguns se sentiam inseguros com a situação crítica decorrente da pandemia, com receios acerca da segurança pessoal e familiar dos internos. Uma das razões pontuada foi a escassez de equipamentos de proteção individual (EPI). Conclusão: Vários internos ressaltaram o interesse em continuar o internato, e, por isso, é fundamental que os EPI estejam disponíveis para uso dos alunos. Diante do contexto de pandemia ou não, é imprescindível que o relacionamento entre preceptores e internos seja mais pedagógico e proporcione aprendizado aos estudantes. A apresentação desta experiência pode servir como recurso para a compreensão de cenários semelhantes, auxiliando a iluminar as relações do internato de Medicina que precisam passar por melhorias contínuas, quer em tempos de pandemia ou não, para favorecer a busca contínua por uma formação acadêmica de qualidade.

O ensino do exame de fundo de olho: vivências e percepções de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000200223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Oliveira Domingues Almeida Sobrinho Argentino Silva Ferreira Júnior
Resumo: Introdução: O ensino médico vem passando por transformações nas últimas décadas. Objetivos educacionais tendem a se alterar com os avanços tecnológicos recentes, em especial na área de tecnologias de informação. Objetivo: Esta pesquisa aborda o exame do fundo de olho explorando e analisando as dificuldades dos estudantes de Medicina na execução desse componente do exame clínico e busca propor diretrizes para seu ensino na graduação médica. Métodos: Trata-se de uma pesquisa qualitativa com técnicas de observação direta e entrevistas com análise de conteúdo em uma população de estudantes do internato da Universidade do Estado do Pará (Uepa), na cidade de Marabá. Na avaliação de conteúdo utilizaram-se recursos do programa livre de análise de texto Iramuteq. Resultados: Dos 21 estudantes voluntários participantes da pesquisa, apenas dois relataram experiência anterior com oftalmoscópio direto (9,52%) e um aluno havia participado de campanha com uso de dispositivo portátil para registro da imagem do fundo de olho (4,8%). As atividades da pesquisa incluiram discussão de casos clínicos, realização de oftalmoscopias diretas em pacientes voluntários e análise de retinografias. Na análise dos textos correspondentes às entrevistas foram categorizadas quatro classes geradas pelo programa Iramuteq, realçando-se o valor da integração de teoria e prática no depoimento dos alunos. Conclusão: Programas de treinamento com integração de teoria e prática e valendo-se de princípios de aprendizagem significativa podem contribuir para prover competência ao estudante de Medicina para o exame de fundo de olho, adequando-se ao surgimento de novas tecnologias.

O impacto da mentoria no desenvolvimento pessoal e profissional de diferentes turmas

PID: S1981-52712021000400420 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Vargens Wollmann Yamada Herzog Pinto Zelmanowicz
Resumo: Introdução: O programa de mentoria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) teve início em 2016, sendo ofertado de maneira eletiva. Seus objetivos são: orientação para o futuro profissional, apoio institucional formal, suporte emocional e compartilhamento de experiências durante a formação médica. Relato de experiência: Os encontros foram conduzidos de modo não diretivo com temáticas predefinidas - escolhidas pelo mentor e pelos alunos. Os assuntos abordam tanto o desenvolvimento profissional do estudante quanto o pessoal, assim como a saúde mental dele. Vivência profissional, currículos formais e informais, sobrecarga e rendimento acadêmico foram alguns dos tópicos principais. Por meio dos relatos, foi possível perceber que os grupos reduzidos permitiram àqueles alunos que não se sentiam confortáveis para desenvolver algum assunto no currículo formal pudessem abrir-se e discutir temas relacionados ao curso. Discussão: Notou-se uma mudança na postura de alguns alunos diante do curso e de momentos de lazer, valorizando tempo com a família, exercício físico e hobbies. Os encontros permitiram elucidar dúvidas sobre residência e carreira médica, assim como ajudaram os alunos a se reconectar com o curso. Conclusão: O programa de mentoria da UFCSPA mostrou-se efetivo ao oportunizar reflexão sobre as vivências pessoais e o projeto profissional, e estimular a autonomia do pensamento crítico.
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