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Prontuário Eletrônico do Paciente na educação médica: percepções de docentes e preceptores

PID: S1981-52712021000500215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rangel Struchiner Salles
Resumo: Introdução: A implantação do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) em unidades hospitalares de ensino tem proporcionado a integração do uso de tecnologia de informação em saúde (TIS) na educação médica e na prática clínica. Objetivo: Este estudo analisou a percepção de professores e preceptores-médicos, de uma universidade pública, sobre a integração do uso do PEP nas atividades práticas curriculares. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com seis professores e quatro preceptores de um curso de Medicina. O estudo adotou como categorias de análise os domínios de competências e os resultados de aprendizagem com o uso do PEP, identificados e aprimorados por um estudo multicêntrico inglês: saúde digital, acesso e geração de dados, comunicação, trabalho multiprofissional e acompanhamento e monitoramento. Adotou-se ainda a categoria “questões pedagógicas” para estimular a reflexão dos sujeitos da pesquisa sobre suas práticas pedagógicas com o PEP. Para análise dos dados, utilizou-se análise temática de conteúdo. Resultado: O estudo apontou que os professores e preceptores identificaram a necessidade de orientação formal para que os discentes utilizem TIS no seu desenvolvimento educacional e profissional, na preservação do sigilo e da confidencialidade das informações, e no atendimento ao paciente. Para os sujeitos da pesquisa, o uso de sistemas de suporte à decisão associados ao PEP contribui para o processo de ensino-aprendizagem, além de possibilitar maior visibilidade das informações dos demais profissionais de saúde e o acompanhamento da história clínica dos pacientes pelos discentes. O PEP é uma ferramenta assistencial que tem potencial para promover o uso de metodologias ativas, pois contextualiza o ensino, permite autonomia e autoria aos discentes e os instiga na busca por conhecimento. Conclusão: A integração curricular de TIS tem sido apontada como um caminho para o desenvolvimento de competências e habilidades clínicas dos discentes, quando estiverem utilizando o PEP nas unidades de prática clínica.

Práticas integrativas e complementares em saúde: interesse da comunidade acadêmica e os desafios do ensino médico

PID: S1981-52712021000500225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Gurgel Jessé Silva Alencar Jordán Daniel
Resumo: Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) abrangem recursos terapêuticos de sistemas médicos complexos de diversas racionalidades médicas. Esse campo de práticas vem ganhando maior visibilidade nos últimos tempos com o aumento da procura por cuidados em saúde que priorizem a abordagem integral do ser humano, estimulando os próprios profissionais de saúde a buscar uma melhor formação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o interesse, o grau de conhecimento e a atitude de discentes e docentes do curso de Medicina pelas PICS e os desafios para seu ensino efetivo. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e com abordagem quantitativa, realizado com 214 indivíduos, sendo 21 docentes e 193 discentes do primeiro ao décimo segundo período do curso de Medicina de uma instituição de ensino de saúde de Recife, em Pernambuco. Utilizou-se um questionário em formato on-line que avaliou os sujeitos pesquisados quanto às fontes de aprendizado e ao nível de interesse sobre o tema. Adotou-se também a versão em português do instrumento Integrative Medicine Attitude Questionnaire (IMAQ). Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva (frequência e porcentagem), com o auxílio dos softwares R versão 3.4.3. e LibreOffice. Resultado: Dentre os participantes do estudo, 57,14% dos docentes e 35,42% dos discentes afirmaram conhecer a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), e 85,71% dos docentes e 91,7% dos discentes consideraram as PICS fundamentais para o SUS. A maioria considerou o ensino das PICS importante para a graduação (90,48% dos docentes e 89,58% dos discentes). As práticas mais conhecidas foram a ioga, a fitoterapia e a MTC/acupuntura, e as que despertaram maior interesse para aprendizado foram a ioga e a MTC/acupuntura. Conclusão: Um número elevado de discentes e docentes nunca teve contato com as PICS. No entanto, a maioria tem disposição em recomendar para pacientes e familiares, bem como vontade em aprender sobre o tema. Dessa forma, recomenda-se que mais trabalhos sejam realizados sobre a temática e que isso possa corroborar a sua inclusão na base curricular dos cursos de saúde.

Qualidade do sono dos estudantes de medicina de uma faculdade do sul de Minas Gerais

PID: S1981-52712021000500218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Medeiros Roma Matos
Resumo: Introdução: O sono é um estado fisiológico que se dá de forma cíclica em grande quantidade de seres vivos do reino animal, tendo sido analisados comportamentos de repouso e atividade, que compõem um ciclo vigília-sono. Na universidade, os acadêmicos de Medicina se deparam com falta de tempo e com exaustão, visto que o curso possui carga horária integral, fato que faz com que os graduandos deixem as atividades básicas cada vez mais para o final do dia, o que os leva a desenvolver distúrbios do sono. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a qualidade de sono e a incidência de distúrbio de sono em estudantes de Medicina. Método: A pesquisa foi realizada individualmente com os estudantes de Medicina de uma faculdade do sul de Minas Gerais, via plataforma Google Forms, em que eles responderam a dois questionários autoaplicáveis. O primeiro englobava perguntas sobre gênero e ano de graduação, e o segundo, denominado Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, avaliou a qualidade de sono. Foram utilizados os programas Bioestat 5 e Excel 365 para a análise estatística. Resultado: A análise do estudo demonstrou distúrbio de sono em 20,5% dos estudantes e qualidade subjetiva de sono ruim ou muito ruim em 40,2% dos discentes. Conclusão: Por meio da presente pesquisa, observou-se que a qualidade de sono dos estudantes de Medicina é inferior à da população geral, estando diretamente relacionada à progressão do curso. Foi concluído que os estudantes deste estudo têm, além disso, em média, menos horas de sono que o restante dos brasileiros.

Qualidade do sono e sonolência diurna em estudantes universitários: prevalência e associação com determinantes sociais

PID: S1981-52712021000200225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Araújo Lopes Azevedo Dantas Souza
Resumo: Introdução: As alterações no ciclo sono/vigília (CSV) dos jovens universitários podem acarretar consequências na saúde física, psíquica e social. Além disso, alguns comportamentos adotados nessa fase podem estar associados a comprometimento do CSV. Objetivo: Portanto, este estudo tem por objetivo identificar quais fatores dos determinantes sociais da saúde (DSS) estão associados à má qualidade do sono e à sonolência diurna excessiva (SDE) de universitários. Método: Trata-se de um estudo transversal que incluiu 298 universitários, com idade entre 18 e 35 anos, 73,2% dos estudantes do sexo feminino do interior do Rio Grande do Norte, Brasil. Os dados foram coletados a partir dos seguintes questionários: A Saúde e o Sono, Questionário de Cronotipo de Munique, Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh e Escala de Sonolência de Epworth. Para avaliar a associação dos DSS com a má qualidade de sono e a SDE, realizou-se a regressão de Poisson com variância robusta. Resultado: A prevalência da má qualidade do sono e de SDE nos universitários foi de 79,2% e 51,3%, respectivamente. Entre os determinantes intermediários da saúde, observou-se maior razão de prevalência de má qualidade de sono nos estudantes que apresentaram problema de saúde no último mês (18,4%), fumavam (23,5%) e faziam uso de bebidas estimulantes próximo ao horário de dormir (25,8%), e naqueles que usavam eletrônicos antes do horário de dormir durante a semana (18,4%), quando comparados aos que não adotam esses comportamentos. Com relação à SDE, os estudantes que justificaram o horário de dormir na semana e de acordar no fim de semana por causa da demanda acadêmica apresentaram 27% e 34%, respectivamente, de menor prevalência de SDE do que o grupo que não adota esses comportamentos. Conclusão: As altas prevalências de má qualidade do sono e de SDE observadas nos universitários foram decorrentes de fatores biológicos e, em sua maioria, de fatores comportamentais.

Raciocínio clínico: percepções e práticas de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000100218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Landim Moreno-Neto Soares
Resumo: Introdução: Em tempos de ameaças constantes ao financiamento destinado à manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS), faz-se necessário debruçar o olhar sobre a prática médica, sobretudo no que tange ao alto custo que o emprego desnecessário de exames complementares ocasiona à saúde pública. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as percepções sobre o raciocínio clínico (RC) e as respectivas práticas entre estudantes de Medicina (EM) de uma universidade pública do Nordeste brasileiro. Métodos: Trata-se de pesquisa qualitativa realizada com 12 EM. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas com gravação de áudio. A análise de dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo, modalidade análise temática. Resultados: A maioria dos EM compreendeu o RC como sinônimo de raciocínio diagnóstico, pois os discentes o praticavam como uma junção da utilização de dados da anamnese, do exame físico e de exames complementares, e realizavam raciocínio terapêutico como base em aspectos como diagnóstico do paciente, sintomatologia, comorbidades, alergia e adesão terapêutica. Além disso, os EM demonstraram conhecimento teórico-conceitual superficial sobre o tema. Conclusão: As percepções e práticas dos EM sobre o RC revelaram aspectos relevantes do contexto prático do internado na referida universidade, os quais podem subsidiar novas discussões e oportunizar a realização de outras pesquisas sobre o tema.

Realidade ou simulação? Análise do desempenho de estudantes de Medicina em avaliações práticas distintas

PID: S1981-52712021000100206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Cassiano Passeri Lutaif
Resumo: Introdução: Avaliar habilidades clínicas é um desafio no curso médico. A heterogeneidade na escolha dos pacientes somada à falta de critérios objetivos resultou em mudança metodológica para utilização do Objective Structured Clinical Examination (OSCE). Objetivo: O objetivo deste estudo foi identificar se o OSCE resulta em distribuição de frequência de notas de desempenho de padrão gaussiano em comparação ao modelo tradicional. Método: Analisaram-se as notas de 239 estudantes da disciplina de Semiologia e Propedêutica de um curso de Medicina entre 2016 (modelo tradicional) e 2017 (OSCE) pelos testesKolmogorov-Smirnovbidimensional e t de Student para verificar a correlação delas com o coeficiente de rendimento (CR). Resultados: As notas da prova no modelo tradicional (p < 0,0001; KS = 0,1881) estão mais distantes da normalidade do que as da prova do modelo OSCE (p = 0,0010; KS = 0,1134) e são mais correlatas com o CR (p < 0,0001; r = 0,45) do que no modelo OSCE (p = 0,31; r = 0,06). Conclusão: O OSCE pode proporcionar informações mais fidedignas sobre o desempenho do estudante em estágios práticos do curso médico.

Receptividade à participação de estudantes em consultas ginecológicas: motivos das pacientes e suas avaliações da comunicação interpessoal dos aprendizes

PID: S1981-52712021000100213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Sobral Wanderley
Resumo: Objetivo: Este estudo teve como objetivo apurar a expectativa de que o juízo sobre a comunicação interpessoal de estudantes de Medicina em consultas prévias teria impacto nos motivos das pacientes para consentir ou dissentir sua presença e, portanto, na receptividade final quanto à participação de aprendizes numa consulta ginecológica. Métodos: Dados de questionário foram compilados por entrevista com 469 pacientes ambulatoriais do Hospital Universitário de Brasília. Construíram-se escalas para medir a avaliação das pacientes sobre a comunicação interpessoal de estudantes, bem como seus motivos para permitir ou não a presença de aprendizes. Utilizaram-se testes t para estabelecer as diferenças entre pacientes com e sem experiência prévia de envolvimento de estudante nos escores das escalas de motivos, realizaram-se análises de contingência para avaliar a associação entre esses grupos de mulheres e adotou-se um índice de sua receptividade à participação de estudantes na consulta. Ademais, foram realizadas análises de correlação para verificar as inter-relações entre as escalas e os níveis de associação dessas medidas com o índice de receptividade como desfecho. Resultados: As pacientes experientes quando comparadas às inexperientes exibiram receptividade significativamente mais ampla à participação de estudantes (qui-quadrado = 20,49, df = 3, p < 0,001; V de Cramer = 209, p < 0,001). Essa maior receptividade correlacionou-se positivamente (rho = 0,314, p < 0,001) com a motivação das pacientes para consentimento e negativamente (rho = -454, p < 0,001) com sua motivação para dissentimento da presença de estudantes numa consulta futura. A motivação para consentir foi significativamente maior entre as pacientes experientes (M = 4,58, DP = 0,55, n = 408) em comparação com as inexperientes (M = 4,31, DP = 0,68, n = 61), e o oposto ocorreu na motivação para dissentir (M = 2,35, DP = 0,94 versus M = 2,70, DP = 1,02). Essas diferenças denotaram efeito de tamanho pequeno da experiência com estudante na consulta. Significantemente, a avaliação das pacientes experientes sobre a comunicação interpessoal estudantil em consultas prévias correlacionou-se positivamente (rho = 0,236, p < 0,001, n = 408) com sua motivação para consentimento, ao passo que se correlacionou negativamente (rho = -208, p < 0,001) com sua motivação para dissentimento da presença de estudante. Conclusão: Os achados têm implicações para o papel das pacientes na educação ginecológica de estudantes de Medicina e para a qualificação dos aprendizes na entrevista clínica e, portanto, para o benefício da saúde da mulher.

Redes de pesca e a criação de vídeo: em tela a educação na nefropatia diabética

PID: S1981-52712021000500402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Farias Cáceres Kohl Mossmann Dallazen Pontalti
Resumo: Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes e hipertensão, são responsáveis por dois terços das mortes no mundo, sendo a nefropatia diabética (ND) a principal causa de doença renal crônica. O letramento em saúde (LS) constitui um dos determinantes sociais da saúde. Para orientação e ampliação de conhecimento dos pacientes e das equipes envolvidas no cuidado de pessoas com DCNT, e para uma melhor abordagem das complicações crônicas do diabetes e da hipertensão, foi proposta a elaboração de objetos de aprendizagem (OA). Relato de experiência: O presente trabalho envolveu a construção de um vídeo educacional por um grupo de cinco alunos durante as atividades acadêmicas do curso de Medicina em 2019. Esses alunos propuseram uma questão norteadora em relação à ND a partir de um material teórico. A questão escolhida foi: “Qual é o nível de entendimento dos pacientes com nefropatia diabética em relação à própria doença?”. Elaboraram um questionário sobre diabetes e hipertensão e suas complicações, o qual foi respondido por pacientes com diabetes atendidos no ambulatório especializado, buscando atender à problemática proposta. Extraíram uma síntese, a partir da análise das respostas, das possíveis lacunas em relação ao entendimento sobre as doenças. A partir disso, produziram um roteiro e atribuíram uma explicação médica a tais lacunas. O vídeo foi construído com base em uma analogia com redes de pesca e composto por narrativas, textos, áudios e imagens. Ao final, apresentaram o vídeo aos docentes e discentes em sala de aula. Discussão: Para que se possa caracterizar o vídeo como um OA, ele precisa se configurar como componente educacional, autossuficiente, passível de reusabilidade e com possibilidade de combinação com outros OA, formando novos objetos educacionais. Conclusão: O material educativo construído pode ser caracterizado como um OA. Tal material pontua aspectos da evolução da ND, bem como traz orientações médicas preconizadas para a doença, podendo ser usado em discussões em grupo ou em ações isoladas, visto que apresenta informações sucintas e embasadas em literatura. Está em curso o processo de validação do vídeo para uso nos serviços de saúde.

Reflexões sobre a quarentena: uma estratégia de acolhimento de discentes em um grupo de mentoring

PID: S1981-52712021000400418 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Rocha Falcão Lima Carvalho Higino Diniz
Resumo: Introdução: Notícias sobre a pandemia de Covid-19 chegam constantemente via meios de comunicação, e, rapidamente, há elevada sobrecarga de informações e inseguranças cotidianas. Para os estudantes de Medicina, essas mudanças podem ter efeito ainda mais significativo, pois já apresentam certo grau de adoecimento e queda da qualidade de vida pelo estresse acadêmico. Nessas situações, estratégias de reflexão, fala e escuta ativa podem ser úteis para a saúde mental. Relato de experiência: Este relato apresenta, de forma descritiva, a análise reflexiva da percepção discente sobre facilidades e adversidades vivenciadas durante o distanciamento social proporcionado pela pandemia de Covid-19, bem como avalia de que modo a participação na mentoria interferiu nesse processo. Os estudantes responderam a um questionário de seis perguntas abertas sobre as experiências e a saúde mental deles. Esse questionário teve como objetivos refletir sobre o momento e compreendê-lo para melhorar a condução dos encontros do mentoring e minimizar um eventual impacto negativo na saúde mental dos discentes. Após a anuência dos participantes, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, as respostas foram analisadas em anonimato e coletivamente pelos próprios estudantes, de forma categorial temática, encontrando os núcleos de sentido a partir da leitura do corpus textual para identificação das unidades de análises. Discussão: Houve 12 respondentes, o que representa uma taxa de resposta de 92,3% dos estudantes aos quais foi enviado o questionário, no qual apontaram o impacto da pandemia na saúde mental, fizeram uma reflexão interior, indicaram os mecanismos adaptativos e apresentaram os aspectos da mentoria que a tornaram um ambiente seguro e de suporte. Conclusão: A análise revelou que muitos discentes estão enfrentando dificuldades de adaptação, sobretudo quanto à saúde mental, como instabilidade emocional, revolta e frustração. Todavia, relataram-se positividade, desenvolvimento de hobbies e aumento do autoconhecimento e da comunicação com familiares. Apesar das limitações dos encontros remotos, não houve prejuízos de aproveitamento do programa e alcance de seus objetivos.

Registro Clínico Baseado em Problemas como instrumento para desenvolver competências em programa de residência médica

PID: S1981-52712021000200202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Sales Barros Filho Oliveira
Resumo: Introdução: As competências relevantes ao ensino médico atual são divididas em sete dimensões: cognitiva, técnica, contextual, integrativa, afetiva, relacional e hábitos da mente. No presente estudo, um instrumento de aprendizagem nomeado Registro Clínico Baseado em Problemas (RBP), composto por uma lista de problemas on-line dos pacientes com suas respectivas investigações e intervenções, foi desenvolvido e aplicado em um programa de residência médica em clínica médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar a percepção dos médicos residentes e preceptores sobre a utilização do RBP no processo ensino-aprendizagem e no desenvolvimento de competências em suas várias dimensões. Método: Participaram do estudo 21 residentes e oito preceptores de uma enfermaria de clínica médica, distribuídos em três grupos focais, em que dialogaram sobre a utilização do RBP no serviço. Para a interpretação da fala dos participantes, utilizou-se a análise de conteúdo de Bardin. Resultados: Na percepção dos residentes, o RBP influenciou na organização do conhecimento e na motivação dentro da dimensão cognitiva. A dimensão integrativa foi a mais citada pelos participantes, visto que o RBP levou à reflexão e à estruturação do raciocínio por problemas, atuando positivamente na organização do conhecimento e na definição dos problemas mais relevantes. Na dimensão contextual, não houve consenso entre os residentes sobre o impacto na solicitação racional de exames, e os preceptores relacionaram a falta de impacto do RBP à falta de feedback. Na dimensão relacional, preceptores e residentes relataram que o RBP trabalhou a síntese e organização do pensamento. No discurso dos residentes, o RBP influenciou os hábitos da mente relacionados à capacidade do médico de autoavaliação e reflexão sobre sua prática. Conclusão: O RBP atuou como instrumento de aprendizagem, principalmente por estar associado a fatores psicopedagógicos relacionados à facilitação da aprendizagem. As dimensões de competências cognitiva, integrativa, contextual, relacional e hábitos da mente foram desenvolvidas pelo RBP. A visão dos residentes e preceptores sobre a relevância do RBP para a aprendizagem de competências foi divergente. As dimensões cognitiva, integrativa e hábitos da mente tiveram maior diferença entre os participantes. Para que o RBP gere um aprendizado mais eficaz, os preceptores precisam interagir mais com o instrumento e realizar regularmente o feedback com os residentes.

Representações sociais da aprendizagem autodirigida entre médicos da atenção primária à saúde

PID: S1981-52712021000300221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Reis Rocha Savassi Sampaio Caldeira
Resumo: Introdução: Em um cenário de grande disponibilidade de informações, a produção de conhecimento científico em medicina tem sido cada dia mais acelerada. A forma como o profissional médico percebe e dirige sua aquisição de conhecimento ainda carece de estudos nacionais, particularmente em tempos de internet de fácil acesso. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as representações sociais de médicos atuantes em equipes da atenção primária à saúde (APS) sobre aprendizagem autodirigida. Método: Trata-se de um estudo quali-quantitativo fundamentado na Teoria das Representações Sociais de Moscovici com abordagem estrutural da Teoria do Núcleo Central de Abric, realizado em três municípios de Minas Gerais, no Brasil. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas sobre o tema que foram gravadas e transcritas. As palavras evocadas livremente que surgiram do indutor “autoaprendizagem médica” foram analisadas com auxílio do software EVOC® por meio do quadro das quatro casas; e o software CHIC® analisou a similaridade. Para as falas dos participantes, realizou-se a análise de conteúdo. Resultado: Efetuaram-se 50 entrevistas, e as palavras evocadas livremente, que possivelmente compõem o núcleo central das representações, foram “conhecimento”, “dedicação”, “estudo”, “leitura”, “necessidade”, tendo como contraste “pesquisa” e “livro”. Conclusão: Os resultados demonstraram que as características do aprendiz e a prática como lócus de aprendizagem em contraposição à teoria, o qual está associado à barreira do tempo, definem o conteúdo central da representação social dos médicos participantes. Nesse contexto estudado, a APS reforça sua importância como cenário da autoaprendizagem médica.

Salas de Conversa: atividade integrativa de mentoria no contexto da Covid-19

PID: S1981-52712021000400417 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Melo Xavier Sena Torres Pinto Junior Sousa
Resumo: Introdução: O Programa de Mentoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) busca promover o desenvolvimento pessoal e profissional do aluno durante seu período acadêmico. Por meio do método da escuta e do diálogo entre mentores e mentorados, a atividade de mentoria propicia o desenvolvimento da empatia e de outras habilidades emocionais importantes para uma prática médica humanizada e o bom convívio profissional. Busca também trazer para reflexão temas relativos à ética médica, à inserção do médico na comunidade, entre outros. Dentro dessa proposta, no contexto da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o programa passou a desenvolver, além dos encontros on-line regulares, uma atividade integrativa intitulada “Salas de Conversa”. Relato de experiência: Entre junho e dezembro de 2020, realizaram-se, mensalmente, seis salas de conversa com temas diversos. Os encontros ocorreram em salas virtuais e contaram com a participação de todos os grupos de mentoria e mentores cadastrados no programa, além de convidados que estiveram à frente das discussões. Discussão: O retorno positivo de discentes e docentes mostrou o potencial dessa modalidade de interação de complementar os encontros já desenvolvidos no Programa de Mentoria. A interação virtual apresentou entraves por limitações tecnológicas, todos contornados em tempo hábil, sem prejuízo dessa nova forma de experiência. Conclusão: As Salas de Conversa mostraram-se eficazes na superação das dificuldades de interação impostas pelo distanciamento físico da pandemia de Covid-19. Essa atividade abordou temáticas atuais e pertinentes não apenas à vida do estudante de Medicina, mas também à vida em sociedade, de modo a contribuir tanto para a formação médica quanto para a formação pessoal dos alunos e professores.

Saúde mental de acadêmicos de medicina: estudo longitudinal

PID: S1981-52712021000300231 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Barbosa-Medeiros Caldeira
Resumo: Introdução: Poucos estudos avaliam de forma longitudinal a saúde mental e qualidade de vida de estudantes de medicina. Objetivo: Este estudo teve o objetivo de comparar os escores dos sintomas de transtornos psiquiátricos em acadêmicos de medicina ao longo de três anos da graduação, discutindo o contexto da saúde mental dos estudantes longitudinalmente durante o processo de formação. Método: Trata-se de um estudo longitudinal iniciado em 2015, com estudantes que estavam frequentando o 1º e o 7º períodos de graduação de três escolas médicas do norte de Minas Gerais. As mesmas turmas também foram abordadas nos anos seguintes, quando estavam no 3º e 9º, e no 5º e 11º períodos. Foram avaliados os sintomas depressivos, nível de sonolência diurna, nível de saúde geral, dimensões da Síndrome de Burnout, e qualidade de vida. Utilizou-se o teste não-paramétrico de Kruskal Wallis para comparar os três anos da graduação. Resultados: Dos 248 acadêmicos matriculados nos períodos selecionados, participaram 162 em 2015, 209 em 2016 e 221 em 2017. Para as turmas iniciantes, os escores do Questionário de Saúde Geral, que indica a presença de Transtornos Mentais Comuns, aumentaram entre 2015 e 2017. No mesmo período, houve aumento dos escores da dimensão descrença e redução significativa nos escores da dimensão eficácia profissional, do Maslach Burnout Inventory, denotando piora na saúde mental para esse grupo. Entre as turmas avaliadas a partir do meio do curso, observa-se aumento significativo nos escores do Questionário de Saúde Geral e na dimensão exaustão emocional do Maslach Burnout Inventory. A sonolência diurna excessiva apresentou oscilações durante os períodos. Conclusões: Os resultados refletem um agravamento na saúde mental destes estudantes ao longo do curso, especialmente entre o ano de 2015 e 2017, em relação a Transtornos Mentais Comuns e esgotamento profissional. Este resultado chama a atenção para a necessidade de se adotar estratégias que levem o estudante a lidar com os fatores estressantes inerentes ao curso, como o incentivo ao esporte, suporte psicológico, e a reorganização da estrutura curricular do curso, com períodos livres destinados a lazer.

Saúde mental em concursos de residência médica: implicações das Diretrizes Nacionais Curriculares de 2014

PID: S1981-52712021000300208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Melara Gomedi Figueiredo
Resumo: Introdução: Devido à importância da saúde mental (SM) na prática médica, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina (DCN) de 2014 estabeleceram a valorização desse tema. Embora as provas de residência médica (RM) devam ser influenciadas por essa diretriz, desconhecia-se se elas estavam de acordo com as mudanças. Objetivo: Este trabalho teve como objetivo avaliar se as diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde têm sido seguidas, buscando a devida valorização do tema SM. Método: Realizou-se uma pesquisa documental, sobre como a SM vem sendo abordada nos concursos de RM, na modalidade acesso direto, antes e depois da publicação das DCN. Para isso, selecionaram-se, por conveniência, nove instituições do Sul e Sudeste do Brasil, delimitando-se um período de dez anos para análise. Dois investigadores realizaram a seleção e análise das provas e das questões. Decisões em casos de discordância foram feitas a partir da avaliação de um terceiro investigador (juiz). Após esse processo, categorizaram-se as questões em subtemas, e tabularam-se os dados em uma planilha, analisada descritivamente com distribuições percentuais para variáveis qualitativas e medidas de tendência central. Resultado: Os conteúdos de SM corresponderam a 3,8% das provas. Não foi constatado crescimento na porcentagem de questões consequente à publicação das DCN. Verificou-se o predomínio das questões com essa temática nas áreas de clínica médica e de saúde coletiva (n = 129/n = 109), contrapondo-se à cirurgia geral (n = 0). Houve uma superioridade do subtema “psicofarmacologia” (n = 102). Conclusão: Como visto, no que tange à SM, as DCN não alcançaram ainda os concursos de RM. O enfoque da SM dado às questões das instituições analisadas permanece com uma visão biologicista.

Serviços de apoio à saúde mental do estudante de Medicina: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712021000200302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Morais Silva Versiani Silva Moura
Resumo: Introdução: Considerando a alta prevalência de problemas de saúde mental entre estudantes de Medicina, as instituições que formam profissionais médicos têm o compromisso ético de se preocupar com a promoção da saúde mental de seu corpo discente, oferecendo serviços de apoio e desenvolvendo estratégias de prevenção. Objetivo: Esta revisão tem como objetivo identificar publicações científicas sobre serviços de assistência oferecidos aos estudantes de Medicina nas instituições de ensino superior do Brasil, bem como informações sobre os profissionais que os compõem, o público-alvo atendido e os tipos de intervenção mais utilizados. Método: Trata-se de revisão sistemática de literatura, orientada pelas diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA). Foi realizada busca por estudos nas bases de dados SciELO, PubMed/Medline, Lilacs, ERIC, The Cochrane Library e Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, sem delimitação de tempo, publicados até agosto de 2020. Em seguida, duas revisoras, de forma independente, selecionaram os estudos e extraíram os dados pertinentes para a construção desta revisão. Resultado: Foram incluídos 16 estudos. Os serviços de apoio identificados atuam por meio de estratégias diversas com o objetivo comum de promoção da saúde mental do estudante. As intervenções mais encontradas nesses serviços são atendimento psicoterápico breve, atendimento psiquiátrico, orientação psicopedagógica e programas de mentoring. A maioria dos serviços foi implementada para atender estudantes de Medicina, e alguns ampliaram seu alcance a discentes de outros cursos de graduação. Em relação aos profissionais que compõem esses serviços, encontramos equipes multiprofissionais que variam em número e categorias profissionais envolvidas. Conclusão: Os serviços de apoio destinados ao estudante de Medicina no Brasil apresentam diferenças tanto quanto à forma de atuação dentro das instituições como quanto aos profissionais envolvidos. Verificou-se que as publicações sobre esses serviços são escassas quando comparadas ao número de instituições que oferecem o curso de graduação em Medicina no Brasil. A fim de ampliar e consolidar ações voltadas para a promoção da saúde mental do estudante de Medicina dentro das instituições de ensino superior brasileiras, mais pesquisas sobre essa temática são necessárias.

Significados de mentoria na formação em saúde no Brasil: uma revisão integrativa

PID: S1981-52712021000400301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Costa Batista Soares Batista
Resumo: Introdução: A mentoria, na formação em saúde, implica relações interpessoais entre mentor(a) e mentorado(a), nas quais o(a) parceiro(a) mais experiente acolhe, oferece suporte, desafia e favorece uma visão mais ampliada da própria jornada do(a) estudante. Objetivos: Este estudo teve como objetivos realizar uma revisão integrativa de artigos brasileiros sobre mentoria em saúde e analisar e apreender os significados dessa atividade presentes nessas publicações. Método: A questão foi elaborada entre outubro de 2020 e janeiro de 2021, e delinearam-se as estratégias de busca e os critérios de inclusão e exclusão. O processo ocorreu via Portal de Periódicos Capes, contemplando as bases de dados Lilacs, Medline, SciELO e Scopus. Para as bases de vocabulário controlado, foram utilizados os descritores (inglês/português): mentoring, combinado isoladamente com education, mentors e faculty. Para a base de palavras-chave, utilizaram-se as mesmas combinações, substituindo-se education por health education. Resultados: A busca revelou 878 artigos, dos quais se selecionaram 12 como corpus da revisão. Os autores são docentes e discentes inseridos nas experiências. O periódico Revista Brasileira de Educação Médica é o principal veículo dos manuscritos selecionados. Evidenciam registros descritivo-analíticos de percursos históricos das experiências e as percepções e vivências no cotidiano delas. Há centralidade na abordagem qualitativa de pesquisa. Os significados de mentoria perpassam aspectos relacionados a docentes e estudantes no processo formativo da graduação, envolvendo cuidado, encontros, diálogos e vínculo. A análise das atividades de mentoria permite configurar questões relativas às interações mentor(a)-mentorandos(as) em contextos acadêmicos da área de saúde, com grande ênfase na educação médica. Conclusão: O desenvolvimento desta revisão integrativa permite sinalizar a mentoria como uma possibilidade de criação de um novo habitus na paisagem acadêmica. Na constituição desse habitus, os estudos enfatizam as relações de cuidado e humanização, resgatando a relação mestre(a) e discípulo(a) comprometida com a promoção e o desenvolvimento integral dos(as) estudantes.

Simulador para o treinamento da técnica do reflexo vermelho em recém-nascidos

PID: S1981-52712021000100210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Dias Kadosaki Souza David Caldas Chaves
Resumo: Introdução: O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) consiste em visualizar o reflexo que a luz causa na retina ao passar pela pupila. Dessa forma, o TRV tria patologias que levam à cegueira e pode reduzir o impacto social e econômico das famílias e do governo. O ensino por meio de simuladores permite que estudantes e profissionais de saúde adquiram e melhorem as habilidades clínicas. Objetivos: Este estudo teve como objetivos desenvolver um manequim de baixo custo, impresso em 3D e baseado na plataforma Arduino, para o treinamento do TRV em recém-nascidos e avaliar a eficácia educacional desse exame. Métodos: Um manequim do TRV foi apresentado a sete juízes especialistas - seis pediatras e um oftalmologista - que avaliaram a aplicabilidade do teste na aprendizagem médica. Para isso, utilizaram a escala Likert de 14 itens de 5 pontos. Posteriormente, 40 participantes participaram de um curso: 33 estudantes de Medicina, cinco residentes em pediatria, uma enfermeira e um médico generalista. Dividiram-se aleatoriamente os participantes em dois grupos: controle (GC) e experimental (GE). Cada grupo foi composto por 20 participantes. Submeteu-se o GC ao ensino convencional em pacientes reais. O GE passou por quatro etapas: 1. fundamentação teórica, 2. manipulação do simulador, 3. prática clínica simulada e 4. avaliação nos pacientes reais. No GC, adotaram-se os seguintes passos: 1. fundamentação teórica, 2. treinamento direto em pacientes reais e 3. avaliação em pacientes reais. Após a intervenção de cada grupo, os dois grupos foram avaliados quanto à aprendizagem em 40 recém-nascidos da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém, no Pará. Resultados: Na avaliação dos juízes em relação aos itens positivos para o simulador (design, similaridade, interesse, relevância, conteúdo, memorização, didática, reminiscência anterior, compreensão e aplicação), 49,2% afirmaram que concordavam fortemente e 44,4% mencionaram apenas que concordavam. Nas questões negativas (dificuldade de entendimento, sobrecarga de informação, abstração, dificuldade de manuseio e clareza de operação), 40,0% discordaram fortemente e 57,1% discordaram. Os juízes concordaram em 94,9% a favor do uso do simulador na educação médica. Porém, comparando os dois grupos de estudantes, em relação ao tempo de exame, os resultados não mostraram diferença estatisticamente significante (p = 0,29). Conclusão: O manequim mostrou aplicabilidade na aprendizagem do TRV, com a vantagem de realizar o exame sem que o paciente real fosse incomodado.

Simulação de polimedicação e percepções sobre farmacoterapia em estudantes de universidade no Ceará: estudo-piloto

PID: S1981-52712021000300217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Bezerra Pereira Sarubbi Viana Júnior Quidute
Resumo: Introdução: Com a prevalência de pacientes polimedicados, é essencial que estes sejam manejados com aliança terapêutica efetiva e tratamentos factíveis e seguros. A empatia com o paciente é indispensável, e a falta de experiência dos prescritores pode impedir esse vínculo. Objetivo: O presente estudo simula um regime polimedicamentoso com acadêmicos de Medicina, para promover reflexões sobre as dificuldades vivenciadas pelos pacientes. Método: É estudo prospectivo em grupo único e não cego. Participaram estudantes de Medicina dos semestres 5 a 7, internos e residentes da nossa instituição, que seguiram regime placebo por sete dias. Antes e depois do período, os voluntários responderam a questionários de percepções sobre aderência medicamentosa e concordância terapêutica. Resultado: Participaram 28 voluntários, dos quais 27 (96,4%) esqueceram-se de utilizar pelo menos uma medicação durante o período. Dos graduandos, 28,57% referiram interrupção do uso de pelo menos uma. Do grupo de internos e residentes, essa porcentagem foi de 71,43%. Houve mais perdas de dose do que o previsto pelos participantes. Seguindo posologias realistas, levotiroxina sódica, inibidor de enzima conversora da angiotensina e metformina foram os fármacos referidos como de maior dificuldade. Do total de participantes, 96% afirmaram com veemência que o tratamento acordado entre médico e paciente deve se correlacionar com a boa aderência terapêutica. Conclusão: A compreensão sobre os fatores que influenciam na aderência e em seus manejos é indispensável na capacitação do médico, bem como o bom vínculo entre médico e paciente. O ensino dessas habilidades é necessário. São necessários estudos adicionais, a fim de alcançar mais graduandos e ressaltar a relevância de simulações no ensino médico.

Simulação na educação médica: processo de construção de pacientes padronizados para comunicação de más notícias

PID: S1981-52712021000500214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Quint Pereira Isquierdo Miranda Guirro
Resumo: Introdução: Comunicação de más notícias refere-se às informações médicas que rompem de maneira adversa e negativa as expectativas de um paciente. Trata-se de um momento delicado da relação médico-paciente. O role playing com pacientes padronizados (PP) é uma alternativa para o ensino da comunicação, porém é desafiador construir roteiros e cenários semelhantes com a realidade, especialmente quando não se dispõe de atores profissionais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever a construção de PP a partir da experiência dos estudantes para o treinamento da comunicação com outros discentes de Medicina. Método: Estudantes de Medicina participaram voluntariamente da formação teatral e se dedicaram à construção de PP, com supervisão de docentes médicos e de atrizes, para oficinas de comunicação de más notícias. Para a construção dos PP, criaram-se diagnósticos médicos desfavoráveis, e estabeleceram-se os seguintes tópicos: perfil emocional, historicidade, instruções, progressões e possíveis desfechos, objetivos primário e secundário, e elementos facilitadores das cenas. Ensaiou-se exaustivamente para que os PP apresentassem a mesma reação em diferentes atitudes nas simulações. A participação nas oficinas foi aberta aos estudantes de Medicina interessados. Aferiu-se a qualidade das cenas pela sensação de realidade proporcionada aos participantes das oficinas. Resultado: Dez estudantes com idades entre 19 e 26 anos, de diferentes semestres, participaram do treinamento, do desenvolvimento de PP e das oficinas de simulação. Desenvolveram-se quatro cenas: Mariana recebeu diagnóstico de HIV e revelou violência sexual (60 cenas), Caroline e Marcelo receberam diagnóstico de câncer e necessidade de cirurgia (53 cenas), Thaís recebeu diagnóstico de insensibilidade androgênica e presença de gônadas masculinas (31 cenas), e Roger ou Rosana recebeu diagnóstico de retinose pigmentar e cegueira progressiva (22 cenas). Todos os PP proporcionaram sensação de realidade aos diferentes participantes das oficinas. Conclusão: Foi possível construir PP com estudantes de Medicina, apoiados por docentes, com a finalidade de participação em oficinas de comunicação de más notícias para outros discentes de Medicina que apontaram, em sua maioria, sensação de realidade com as cenas. Os estudantes atores se engajaram no processo e desenvolveram habilidades de comunicação e de empatia, características necessárias para a prática médica.

Sintomas de ansiedade e depressão entre estudantes de medicina: estudo de prevalência e fatores associados

PID: S1981-52712021000100215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Sacramento Anjos Barbosa Tavares Dias
Resumo: Introdução: Os transtornos mentais comuns (TMC) implicam sofrimento psíquico e interferem nas atividades diárias, nos relacionamentos interpessoais e na qualidade de vida. Estima-se que os TMC atinjam de 9% a 12% da população mundial e de 12% a 15% da brasileira em todas as faixas etárias. Dentre os diferentes grupos sociais, os estudantes universitários possuem maior vulnerabilidade para desenvolver transtornos de ansiedade e depressão. Objetivo: Diante disso, este estudo se propôs a estimar a prevalência e os fatores associados a sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de Medicina de uma capital do Nordeste brasileiro. Métodos: Trata-se de um estudo de prevalência, com uma amostra probabilística dos 1.339 alunos que frequentavam regularmente os 12 semestres do curso de Medicina em janeiro de 2018. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionário socioeconômico, comportamental e demográfico e dos Inventários de Ansiedade e de Depressão de Beck. Utilizou-se o teste de qui-quadrado para verificação de diferenças entre sintomas de ansiedade e depressão e variáveis socioeconômicas e comportamentais e as prevalências (total e por nível de gravidade) e a razão de prevalência (RP) bruta e ajustada como medida de associação. A análise de tendência linear foi empregada para verificar a existência de relação entre sintomas de ansiedade e depressão e semestres do curso. As variáveis que apresentaram RP bruta com p < 0,20 foram incorporadas na análise multivaridada, no modelo de regressão de Poisson robusto, para determinação da RP ajustada. Resultados: Quanto à prevalência de sintomas, constatou-se o seguinte: 30,8% para ansiedade e 36,0% para depressão. A RP bruta e ajustada para sintomas de ansiedade teve associação estatisticamente significante para sexo, idade e orientação sexual. A RP bruta e ajustada para sintomas de depressão teve associação estatisticamente significante para sexo, raça/cor da pele e orientação sexual. As análises de correlação entre os semestres do curso e a presença de sintomas de ansiedade e depressão indicaram fraco coeficiente de determinação, caráter descendente e sem significância estatística. Conclusões: Por se tratar de um estudo de prevalência, esta investigação não possibilita conclusões sobre causalidade. Estudos de acompanhamento adicionais são necessários para elucidar o curso da ansiedade e depressão ao longo dos semestres letivos.
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