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Software educacional: simulador de ventilação mecânica e seus efeitos hemodinâmicos

PID: S1981-52712021000500223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Campos Junior Moraes
Resumo: Introdução: O manejo adequado da ventilação mecânica (VM) é considerado de alta complexidade, e o uso de um simulador permite a aquisição de habilidades em ambiente seguro. Objetivo: O presente trabalho desenvolveu um software que simula o manejo da VM e sua interação cardiopulmonar. Método: Na elaboração do software, utilizou-se a Web Hipertext Markup Language (HTML) versão 5. Um engenheiro de software avaliou a qualidade técnica do simulador, e o conteúdo foi avaliado por especialistas da área, com o uso de instrumento de percepção com escala de Likert de concordância de cinco pontos. Resultado: O simulador desenvolvido disponibilizou referências teóricas, escolha de situações clínicas, alteração de parâmetros de ventilação, monitorização de mecânica ventilatória e hemodinâmica, gasometria arterial e animações. A qualidade foi aprovada pelo engenheiro de software. Na avaliação do conteúdo por especialistas, a média geral dos pontos de Likert (L) e concordância (Co) para as assertivas foram: para “disponível para aluno on-line” (L = 4,29 e Co = 85,7%), para “disponível para aluno extraclasse” (L = 4,856 e Co = 100%), para “estimular o raciocínio” (L = 5 e Co = 100%), para “excesso de conteúdo” (L = 3,14 e Co = 28,6%) e para “fácil de usar” (L = 3,43 e Co = 71,4%). O índice de validade do conteúdo médio foi igual a 0,86. Corrigiram-se os erros encontrados pelos especialistas. A concordância para disponibilidade do simulador para aluno exigiu melhora da ajuda nos parâmetros de ventilação, nas condutas não VM, dois níveis de dificuldade e diminuição da poluição visual. Conclusão: Os especialistas consideraram esse simulador como uma ferramenta facilitadora para o ensino da interação cardiopulmonar na VM.

Telemedicina nas instituições de longa permanência para idosos como social accountability no contexto da Covid-19

PID: S1981-52712021000100401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Bertasso Guerra Pereira Nakazato Delatore Anbar Neto Spadacio
Resumo: Introdução: A Organização Mundial da Saúde definiu a obrigatoriedade do direcionamento das atividades de educação, pesquisa e serviços para atender às preocupações prioritárias de saúde como responsabilidade social das escolas médicas. Considerando a emergência em saúde pública em decorrência da Covid-19, decidiu-se utilizar a telemedicina e implementar o ensino remoto para continuar a programação curricular e prestar apoio à gestão municipal a partir do pressuposto da social accountability. Relato de experiência: A dois meses do fim da graduação, discentes de Medicina acompanharam as 43 instituições de longa permanência para idosos (Ilpis) - públicas e privadas - do município de São José do Rio Preto com o intuito de monitorar residentes e funcionários em relação à Covid-19. Por meio de ligações diárias para as Ilpis, eles solicitaram ao representante de cada unidade, geralmente enfermeiro responsável, ou ao proprietário do estabelecimento informações sobre os principais sintomas da Covid-19 detectados nos moradores e funcionários das instituições. Cotidianamente, essas informações eram registradas numa plataforma on-line, na planilha de organização do trabalho, e depois relatadas para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e discutidas com o professor responsável pela mentoria. Um plano de contingência para a Covid-19 foi elaborado pela equipe, autorizado pela SMS e repassado às Ilpis, para orientá-las durante a pandemia. Discussão: A Covid-19 apontou as fragilidades, as limitações e a capacidade de adaptação do sistema educacional de saúde, o que possibilitou o aprimoramento da formação dos novos médicos. Durante o monitoramento, os discentes encontraram diversos desafios: dificuldade no contato telefônico com algumas Ilpis, informações omitidas ou fornecidas de forma equivocada pelos funcionários e atrasos na comunicação de casos suspeitos. Contudo, o contato diário permitiu reconhecer as Ilpis que se apresentavam mais adequadas e as que necessitavam de investigação e orientação, criando vínculo com as Ilpis. Conclusão: Durante a pandemia, foi possível realizar ações na lógica da social accountability, evidenciando que o teleatendimento é uma ferramenta que, ao mesmo tempo que mantém os internos nos cenários de práticas, presta assistência à comunidade e à gestão municipal durante a pandemia.

Telessaúde como ferramenta na formação médica durante a pandemia da COVID-19: relato de experiência

PID: S1981-52712021000300406 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Massucato Ribeiro Pessalacia Neves Stolte-Rodrigues
Resumo: Introdução: A pandemia da Covid-19 interrompeu e desafiou a estrutura tradicional da educação médica, fundamentada no ensino presencial, e, como medida de apoio aos esforços dos órgãos governamentais para a redução dos riscos de disseminação da doença, tornaram-se necessários o distanciamento do atendimento médico/paciente e o aumento da oferta de serviços de telessaúde pelos sistemas de saúde. No Brasil, o modelo de telessaúde busca melhorar a qualidade do atendimento da atenção primária à saúde (APS), integrando ensino e serviço por meio de atividades de teleducação e teleassistência, tais como a teleconsultoria, a Segunda Opinião Formativa (SOF), a teleducação e o telediagnóstico. Assim, este artigo relata a experiência de estudantes de Medicina em ações de telessaúde durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, buscando esclarecer as contribuições e limitações dessa experiência no processo ensino-aprendizado no contexto da formação médica. Relato de experiência: A participação no projeto permitiu a vivência de diversas atividades de telessaúde sob a supervisão e orientação de docentes da área de saúde, além da produção de materiais informativos e educativos. As atividades propostas permitiram o aprimoramento do raciocínio clínico por meio da medicina baseada em evidências (MBE), principalmente no auxílio a teleconsultorias e perguntas frequentes. Discussão: O uso de tecnologias tornou-se indispensável durante a pandemia, e, dentro desse cenário, um projeto de telessaúde mostrou-se como uma estratégia importante e eficaz para educação permanente entre profissionais e educação em saúde para a comunidade, evitando aglomerações e prevenindo a disseminação do vírus. Além disso, as ações de forma remota, como teleconsultorias, resoluções de perguntas frequentes e teleducação, mostraram ser uma estratégia importante de acesso à saúde não somente em tempos de pandemia. Conclusão: Nossa experiência possibilitou fomentar o senso crítico e disseminar conteúdo de forma segura, técnica e baseada em evidências. O exercício do raciocínio clínico nos levou a uma experiência de grande valia e a crer que a inclusão da prática de telessaúde pode trazer ganhos importantes à grade curricular dos cursos de Medicina.

Tradução e adaptação transcultural do instrumento de avaliação do profissionalismo P-MEX para uso em médicos residentes

PID: S1981-52712021000100220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Holdefer Sena Naghettini Pereira
Resumo: Introdução: Profissionalismo médico refere-se a vários atributos, valores, comportamentos, responsabilidades e compromissos dos médicos com os pacientes e com a sociedade. O profissionalismo é traduzido, hoje, como uma nova competência agregada ao conjunto de habilidades médicas, devendo ser demonstrada, ensinada e avaliada durante a formação desses profissionais. O Professionalism Mini-Evaluation Exercise (P-MEX) é um instrumento de avaliação do profissionalismo médico criado no Canadá, em 2006, e já validado para uso em alguns países, mostrando evidências de validade, confiabilidade e reprodutibilidade dos resultados nesses lugares. Objetivo: O objetivo deste estudo foi desenvolver uma versão do instrumento em língua portuguesa e adaptada transculturalmente para uso no Brasil. Método: A tradução e a adaptação transcultural foram realizadas seguindo as diretrizes da International Test Commission (ITC) - segunda versão 2017. Adotaram-se as seguintes etapas: tradução para o português por dois médicos brasileiros fluentes na língua inglesa, revisão da tradução por um comitê revisor, retrotradução por dois professores de inglês procedentes de países de língua inglesa, revisão da retrotradução por um comitê revisor, aprovação da retrotradução pelo autor original do questionário e, por último, aplicação da versão consenso final do instrumento ao público-alvo da pesquisa para avaliar a clareza, compreensão e aceitabilidade. Resultados: A versão final em português foi considerada adequada e utilizada como definitiva, constituindo a versão final em português do P-MEX. Todo o processo realizado seguindo guias internacionais classicamente utilizados, inclusive a aprovação final do autor do instrumento original, reitera que a nova versão adaptada do questionário tem validade de conteúdo correspondente ao original. Conclusão: Diante da lacuna de instrumentos para medir o profissionalismo médico no Brasil, realizaram-se a tradução e a adaptação transcultural do P-MEX para uso no país, podendo ser utilizado para estimular uma prática profissional mais adequada para os pacientes e a sociedade.

Tradução, adaptação transcultural e validação da Escala de Exposição às Humanidades em estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000500221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Vieira Carvalho Toledo Júnior Moura
Resumo: Introdução: As humanidades estão associadas à melhora de qualidades pessoais dos estudantes de Medicina. Não existem, até o momento, instrumentos de investigação que quantifiquem a exposição dos estudantes de Medicina às humanidades, e a disponibilidade de questionário com essas características, em português do Brasil, permite planejar e implementar estratégias e políticas educacionais que abordem esse tema. Objetivo: Este estudo teve como objetivos realizar a tradução e adaptação transcultural do Humanities Score (Life Experiences + Attitudes), determinar sua validade e confiabilidade, e identificar o perfil de exposição às humanidades da população estudada. Método: A versão original do questionário, em inglês, foi traduzida conforme preconizado na literatura, com adição ao instrumento de algumas atividades no campo das humanidades, por sugestão dos autores do instrumento original. O instrumento traduzido foi submetido ao pré-teste, com 31 estudantes de Medicina, para a validação semântica, e, a seguir, a versão final foi aplicada a 258 discentes. A análise fatorial exploratória foi aplicada para avaliar o instrumento, e utilizou-se o alfa de Cronbach para avaliar a consistência interna. Resultados: O questionário final foi aplicado aos alunos para verificação do seu perfil de exposição às humanidades. Realizou-se análise estatística, e a versão final do instrumento denominado Escala de Exposição às Humanidades (EEH) constituiu-se de 17 itens com respostas do tipo Likert com cinco opções, cujo coeficiente alfa de Cronbach foi 0,689. A média de escore de exposição dos estudantes foi de 1,72 ± 0,37, sendo influenciada por período em curso, realização de atividades sociais voluntárias, participação em grupos religiosos, prática de meditação e participação em atividades políticas. Observou-se ainda que as variáveis sexo feminino, exercício de atividades relacionadas com humanidades antes do curso e participar de cultos religiosos influenciaram positivamente na opinião sobre a importância atribuída às humanidades no currículo médico. Conclusão: A EEH demonstrou estrutura e conteúdo confiáveis, permitindo correlacionar o comportamento dos alunos quanto à exposição às humanidades e a importância que atribuem à sua presença no currículo. Trata-se do primeiro instrumento que busca mensurar o índice de exposição às humanidades no Brasil, sendo necessários, entretanto, estudos adicionais para aprimorar a validação do instrumento.

Treinamento de intubação orotraqueal na pandemia por coronavírus: aplicação da Prática Deliberada em Ciclos Rápidos

PID: S1981-52712021000300203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: André Oliveira Gouvêa Fernandes Jerônimo Campos
Resumo: Introdução: A pandemia por coronavírus revelou a necessidade de intubação orotraqueal de forma segura não apenas para o paciente, mas igualmente para os profissionais envolvidos no procedimento. Para isso, treinamentos e revisões de técnicas se tornam necessários. Objetivo: Este artigo tem por objetivos propor a aplicação da estratégia de Prática Deliberada em Ciclos Rápidos (PDCR) para treinamento de anestesiologistas na intubação orotraqueal em pessoas confirmadas ou suspeitas com Covid-19 e apresentar um guia para aplicação dessa estratégia nessa conjuntura. Método: Trata-se de estudo metodológico que apresenta aspectos teóricos e operacionais para a aplicação da PDCR e um guia de aplicação construído a partir da busca de evidências publicadas em periódicos e recomendações oficiais divulgadas pelos órgãos vinculados à área da saúde brasileira e internacional. Resultado: Os principais aspectos teóricos relatados são concernentes aos três princípios que baseiam a PDCR: maximização do tempo em prática deliberada, feedback direcionado e segurança psicológica explícita. Quanto aos aspectos operacionais, destaca-se que o treinamento deve ser realizado com o máximo de seis pessoas. Deve-se interromper o erro, fornecer um feedback prescritivo e pedir que a tarefa seja realizada novamente até atingir a maestria. Quanto às especificidades técnicas do procedimento, apresenta-se um guia de aplicação da PDCR com a sequência para o adequado manuseio de vias aéreas de pacientes hipoxêmicos suspeitos e positivos para Covid-19. Conclusão: A estratégia instrucional estudada mostra ser propícia a treinar com maestria os profissionais que realizarão o procedimento de intubação orotraqueal no enfrentamento das formas graves da Covid-19, visando minimizar o risco de contaminação.

Um programa de mentoria para estudantes de Medicina de uma universidade do Centro-Oeste brasileiro

PID: S1981-52712021000400405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Brondani Santos Oliveira Anunciação Garcia-Zapata Pereira
Resumo: Introdução: Neste artigo, fazemos um relato de experiência da implantação e do funcionamento de um programa de mentoria aplicado a estudantes de graduação do curso de Medicina de uma universidade do Centro-Oeste brasileiro. É consenso que a pressão dos cursos de Medicina provoca sobrecarga emocional e afeta negativamente os estudantes, e é preciso que medidas de apoio sejam implementadas. Relato de experiência: O programa de mentoria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás teve um processo de construção lógico. Foi criado no início de 2015, pelo reconhecimento da necessidade da instituição em apoiar os acadêmicos durante sua graduação, fato evidenciado a partir do atendimento psicológico ao aluno e de uma pesquisa in loco. Os seguintes aspectos-chave caracterizam o programa: é oferecido como uma disciplina eletiva, pode ser feito até cinco vezes e,além de um encontro mensal com o mentor, o estudante escolhe as oficinas de que deseja participar, diversificando assim sua formação. Após 12 semestres de funcionamento, sintetizamos neste artigo uma parte de nossos resultados e algumas reflexões sobre o que queremos para o futuro do programa. Discussão: A implementação da mentoria e suas adequações foram resultados de pesquisa, capacitação, discussões dos docentes e avaliação periódica pelos mentorados. As mudanças procuraram atender às expectativas e sugestões dos estudantes, objetivando atrair a atenção e satisfazer aos anseios dos discentes. Ao longo dos 12 semestres de funcionamento do programa, o interesse dos alunos pela matrícula na disciplina cresceu, com forte avaliação positiva, especialmente pela livre escolha e diversidade de oficinas, e pelo envolvimento do tutor. Conclusão: As instituições de ensino devem estimular a criação de programas de mentoria. O programa relatado neste artigo tem tido boa aceitação por parte dos alunos e nos aponta bons resultados.

Usando a metacognição para analisar um caso de erro diagnóstico em simulação de alta fidelidade

PID: S1981-52712021000200217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Peixoto Brandão Pereira Junior Campos Souto
Resumo: Introdução: As equipes médicas atuam constantemente diante de pacientes em estado crítico e ambientes complexos. Nesses ambientes, entende-se que processos cognitivos, metacognitivos e afetivos coexistem, de modo a propiciar ou impedir um desempenho adequado1),(2. Nesta pesquisa, analisa-se um caso de erro diagnóstico sob a perspectiva metacognitiva. Objetivos: Este estudo teve como objetivos descrever os processos de pensamento que levaram ao erro e investigar possíveis contribuições dos processos metacognitivos para o ensino médico. Métodos: Fez-se uma entrevista em grupo3 com a equipe vencedora de uma olimpíada de simulação de atendimento a pacientes críticos realizada em um congresso nacional de educação médica. Adotou-se a análise de conteúdo4, codificada por Atlas-ti©, segundo Efklides5, seguida da extração das categorias empíricas no editor de mapas mentais SimpleMind©. O estudo foi registrado com CAAE nº 96007018.5.0000.5286 e aprovado (Parecer nº 2.938.945) pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Estudos e Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Resultados: A equipe, antes da olimpíada, previu cenários possíveis. Durante a competição, o cenário simulado apresentado era semelhante a um dos esperados. Observou-se então que a equipe, sem se dar conta, enviesou todo o seu raciocínio visando confirmar o diagnóstico previsto a priori. São descritos os vários mecanismos metacognitivos envolvidos nesse processo. A equipe possuía conhecimento suficiente para estabelecer o diagnóstico correto, mas não o fez por distorção dos processos de pensamento. Esse caso ilustra o fato de que, para praticar medicina, conhecimento não é suficiente; aprender a pensar também é necessário. Ademais, estabelece-se uma proposta de quadro teórico, em que a simulação se apresenta como metodologia problematizadora, fornecendo um contexto no qual a metacognição e o Arco de Maguerez6 integram-se harmonicamente com a Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel7),(8 para o desenvolvimento da competência profissional6. Conclusão: A metacognição permite elucidar eventos como os aqui descritos, sugerindo também que seu ensino e sua prática poderiam contribuir para a redução do erro médico.

Uso de psicotrópicos por acadêmicos da área da saúde: uma análise comparativa e qualitativa

PID: S1981-52712021000300227 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Tovani Santi Trindade
Resumo: Introdução: O consumo inadequado de psicotrópicos é bastante prevalente entre universitários da área da saúde. Essa situação reflete uma inversão de valores, em que os futuros profissionais orientadores sobre o consumo de drogas fazem seu uso indevido. Objetivo: Esta pesquisa visa realizar um estudo epidemiológico descritivo do perfil de consumo de drogas por acadêmicos da área da saúde, bem como analisar o significado subjetivo do uso de drogas para os universitários. Método: Trata-se de um estudo transversal, cuja amostra quantitativa foi de 745 estudantes, de 15 a 70 anos, dos cursos de Psicologia, Medicina, Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia. Empregou-se, para a coleta de dados, o questionário adaptado do I levantamento nacional sobre o uso de álcool, tabaco e outras drogas entre universitários das 27 capitais brasileiras. No que diz respeito ao trabalho qualitativo, foi realizado um grupo focal cujos participantes foram dez estudantes, sendo três de Psicologia, três de Fisioterapia, um de Medicina e um de Enfermagem. Resultado: Os resultados da pesquisa apontam que as substâncias psicotrópicas mais utilizadas pelos participantes foram: álcool, tabaco e maconha, além de tranquilizantes e ansiolíticos. Ademais, em comparação com outros cursos, Psicologia liderou o usou drogas em geral, seguido de Nutrição e Medicina. Além disso, percebeu-se o uso de drogas como meio de fuga em relação ao sofrimento psíquico, bem como forma de maximização do prazer. Para os universitários, o uso de psicotrópicos é tido como amálgama das relações interpessoais, sendo influenciado também pelo desejo de melhora no desempenho acadêmico. Conclusão: Os dados da pesquisa revelaram um alto consumo de psicotrópicos entre universitários da saúde, condição atrelada a sofrimento psíquico e que revela uma demanda por aporte e auxílio em termos de dependência a substâncias. É importante que novas pesquisas a respeito do tema sejam realizadas, para que efetivas políticas públicas possam ser implementadas.

Validação de conteúdo para um instrumento para avaliação de estudantes de Medicina em sessões tutoriais

PID: S1981-52712021000300200 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Madeiro Júnior Silva Sales Souza
Resumo: Introdução: O perfil do médico esperado no Brasil compreende um profissional com visão holística do ser humano. Para alcançar esse perfil, as metodologias ativas de ensino, como a aprendizagem baseada em problemas (ABP), vêm ganhando espaço. Para que a ABP atinja todos os seus objetivos na formação do profissional, uma boa avaliação é indispensável. A disponibilidade de instrumentos de avaliação validados representa um avanço na tentativa de mensurar e direcionar o aprendizado. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e validar o conteúdo para um instrumento de avaliação de estudantes em sessões tutoriais para uso em cursos de Medicina que utilizem a metodologia ABP. Método: Para a construção da versão preliminar do conteúdo destinado ao instrumento, foi realizada uma revisão sistemática rápida nas bases de dados PubMed, Ebsco e BVS. Com a revisão, desenvolveu-se a versão preliminar, que contou com 24 itens agrupados em três domínios (utilização de recursos de aprendizagem, compreensão e raciocínio - D1, profissionalismo e trabalho em equipe - D2 e resolução de problemas e efetividade no grupo - D3), cada um com oito itens. Essa versão foi encaminhada a um painel de especialistas composto por tutores com pelo menos cinco anos de experiência em ABP da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), por meio da metodologia Delphi. Resultados: Dos 32 membros inicialmente previstos no painel, 17 foram incluídos na análise dos dados, por terem respondido ao questionário completamente. Na primeira rodada, alcançou-se um valor de concordância parcial ou total superior a 70%, valor inicialmente previsto para todos os 24 itens do instrumento, o que dispensou a necessidade de uma segunda rodada. Para diminuir o número final de itens, optou-se por manter apenas os itens com pelo menos 70% de concordância total, tendo a versão final do instrumento quatro itens no D1, cinco no D2 e quatro no D3. Conclusões: O instrumento foi validado com um total de 13 itens. O conteúdo para o instrumento apresentou componentes com várias semelhanças em relação aos encontrados nos instrumentos publicados na literatura e já validados, que, por sua vez, estão de acordo com os objetivos de aprendizagem propostos pela ABP.

Vinte anos de experiência de mentoria na Faculdade de Medicina da UFMG: desafios enfrentados e soluções propostas

PID: S1981-52712021000400410 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Fidelis Ribeiro Rocha
Resumo: Introdução: A mentoria na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais se iniciou em 2001, em resposta a dificuldades emocionais dos estudantes, mas foi precedida por um projeto experimental, fundamentado no modelo de ajuda, em 1983. Relato de experiência e discussão: Desde o seu início, muitos foram os desafios enfrentados, desde sua valorização e o entendimento de sua finalidade até a dificuldade de participação e manutenção dos mentores, bem como a ocorrência de uma mudança curricular nesse período. Para responder a esses desafios, algumas soluções foram propostas, como a educação continuada e a supervisão para os mentores, a criação da comentoria e da monitoria com o mentor júnior, e a busca de mentores voluntários. Novos desafios surgem a cada dia, mas a mentoria completou 20 anos de funcionamento no formato de disciplina obrigatória. Convive atualmente com dificuldades que a fragilizam e ameaçam, principalmente o fato de, embora institucional, ser dependente do esforço pessoal de um grupo de profissionais que nela acreditam. Conclusão: A difusão do conceito de mentoring e de sua importância na formação médica, a valorização de professores que se interessam pela atividade de mentoria, com reconhecimento de seu trabalho pela instituição, e a formação continuada de mentores foram e continuam sendo medidas necessárias para o fortalecimento da mentoria.

Vivências de uma coordenadora de mentoria em 20 anos de experiência

PID: S1981-52712021000400802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Cruz
Resumo: Introdução: A autora, após 52 anos de atividade docente em Psicologia Médica e Psiquiatria, descreve suas vivências desde o início do Programa de Tutoria/Mentoria por ela implantado em 2000. Desenvolvimento: Cita o “Curso de iniciação para tutores/mentores” e o desenrolar do processo de mentoria, os objetivos, as dificuldades enfrentadas e as razões pelas quais os mentores ainda se debruçam sobre os alunos, na incrível jornada da formação médica. Conclusão: Ficou bem evidente, por relatos de tutores e alunos, que essa é uma forma importante de tornar o relacionamento professor-aluno mais amistoso, produtivo e saneador.

Voluntariado entre estudantes de medicina durante a pandemia de COVID-19: o que devemos considerar?

PID: S1981-52712021000300211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Cassiano Neves Veiga-Junior Brito Passeri Bicudo
Resumo: Introdução: Durante a pandemia da Covid-19, as universidades suspenderam as atividades presenciais e o ensino médico adaptou-se do formato tradicional para os cenários virtuais. Assim, as atividades de voluntariado podem melhorar a aprendizagem em situações críticas e são uma forma de obter competências e habilidades clínicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo identificar a frequência do voluntariado nos estudantes durante a pandemia da Covid-19 e seus fatores associados. Método: Realizou-se um estudo transversal com estudantes de Medicina dos três anos finais de uma faculdade no Brasil. Trezentos e cinquenta alunos foram convidados via e-mail para uma pesquisa eletrônica anônima e autoaplicável, em meio à pandemia. O resultado primário foi a frequência das atividades voluntárias. Variáveis sociodemográficas e características da atividade dos estudantes foram as variáveis dependentes para análise multivariada dos fatores associados ao voluntariado. Resultado: Incluíram-se 125 alunos (taxa de resposta de 35,8%) na análise (sem dados ausentes). A frequência de voluntariado foi de 52%, a maioria dos participantes era do sexo feminino (63,2%), e todos tinham acesso a atividades on-line. A telemedicina foi a atividade mais frequente (56/65). Em análise multivariada, constatou-se que os seguintes fatores foram menos motivadores para o voluntariado: renda familiar entre 5,1 e dez salários mínimos (OR = 2,32 [0,94-6,42]), capacidade e confiança em atuar numa situação de pandemia (OR = 4,91 [1,49-16,2]), os alunos que consideraram importante uso do e-learning antes da pandemia (OR = 16,46 [1,35-200,32]) e exposição por mais de 120 minutos a plataformas de mídia social. Conclusão: Cerca de metade dos estudantes de Medicina foram voluntários durante a pandemia da Covid-10. A presença de autoconfiança com aconselhamento prévio em uma situação de pandemia motivou o aluno a se voluntariar.

“De todos os lados, eu me sentia culpada”: o sofrimento mental de estudantes de medicina

PID: S1981-52712021000300220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2021
Autores: Lourenço Bertoldo Santos Stefanello
Resumo: Introdução: O curso de Medicina é conhecido pela alta prevalência de estudantes diagnosticados com algum tipo de transtorno mental. O ingresso e a formação no curso são marcados por inúmeras modificações no estilo de vida que podem influenciar a saúde mental do indivíduo. Objetivo: Este estudo teve como objetivos compreender como se sentem os alunos de Medicina que relatam fazer acompanhamento psiquiátrico por transtorno mental e também identificar aspectos que influenciam o problema mental deles. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa desenvolvida por meio de entrevistas semiestruturadas, guiadas por um roteiro de perguntas abertas que abordaram temáticas preestabelecidas de acordo com o objetivo da pesquisa. A seleção dos sujeitos se deu por meio da técnica bola de neve, em que o primeiro participante foi convidado a indicar outro aluno e assim sucessivamente, formando uma cadeia de referência. Os critérios de inclusão foram os seguintes: ser estudante de Medicina, estar em acompanhamento psiquiátrico e concordar em participar espontaneamente da pesquisa. As entrevistas foram audiogravadas, transcritas na íntegra e convertidas em narrativas para posterior categorização e análise do conteúdo. Resultado: Analisaram-se sete entrevistas, nas quais as experiências relatadas apontaram para sofrimentos mentais potencializados ao longo do curso. O recebimento do diagnóstico de transtorno mental e a realização de acompanhamento psiquiátrico e psicológico foram descritos como momentos de alívio e de maior compreensão individual. Contudo, o preconceito dos próprios estudantes quanto aos problemas mentais e a constatação desse estigma em seu entorno foram percebidos como causa para se postergar a busca por ajuda. Conclusão: Percebeu-se, por meio das experiências dos alunos de Medicina diante do sofrimento mental, o quanto o estigma é presente mesmo em um curso em que se esperam maior conhecimento e abertura sobre o tema, sendo esse um desafio a ser superado.

A Arte como Estratégia de Coping em Tempos de Pandemia

PID: S1981-52712020000500402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Medeiros Barreto Sampaio Alves Albino Fernandes
Resumo: Introdução: O momento da pandemia por Covid-19 tem um impacto direto na formação dos estudantes de Medicina, tanto pela modificação repentina na metodologia presencial para remota quanto pelo estresse e pela ansiedade gerados. A saúde mental dos estudantes necessita de estratégias de coping para que eles possam lidar com situações de extrema ansiedade. Relato de experiência: O grupo Estudo de Literatura e Arte na Medicina (Elam) criou, durante o período da pandemia, momentos de discussão de literatura por meio de produção textual e discussões em mídia social, e principalmente por meio de atividades artísticas com pintura em aquarela e artes plásticas, para lidar com os conflitos apresentados pelos alunos na quarentena. Foram 24 telas de aquarela, vídeos, telas de colagem em artes plásticas e textos de crônicas e poesias. Os temas abordados nos textos foram principalmente: amor (N = 2), envelhecer (N = 2), pecado e religiosidade (N = 4), ciclo da vida (N = 6), câncer, caos, sabedoria, mortalidade (N = 3), tempo, olhar e ver (N = 2) e regionalismo (N = 2). Discussão: O enfrentamento da Covid-19 impõe o isolamento social, o distanciamento físico e a restrição à mobilidade das pessoas como medidas fundamentais para evitar a rápida disseminação do vírus. Quando o jovem não dispõe de mecanismos para lidar com a situação estressante propiciada pela situação, pode haver o desencadeamento de uma série de psicopatologias, como depressão, ansiedade e distúrbios do humor. É uma tendência mais ampla na educação médica: cada vez mais, as escolas de Medicina estão investindo em currículo e programação em torno das artes, e, no momento atual, essa estratégia de coping se torna importante no enfrentamento da pandemia pelo estudante de Medicina. Conclusão: Atravessar esse momento de pandemia pela Covid-19 exigiu uma estratégia de coping para ajudar os alunos a vivenciar e extravasar seus medos, sendo a arte a melhor forma de expressão, o que foi atingido pelo grupo Elam.

A Eficácia do Body Painting no Ensino-Aprendizagem da Anatomia: um Estudo Randomizado

PID: S1981-52712020000200203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Oliveira Costa Ponte Carvalho Sousa Júnior Melo
Resumo Introdução: Existem diferentes metodologias no ensino-aprendizagem da anatomia na graduação médica, como o uso de simuladores, exames de imagens, Body Painting, entre outros. O Body Painting é uma forma de arte corporal em que a pele humana é pintada, sendo projetados na superfície corporal músculos, veias, ossos, nervos e órgãos internos. Buscando adaptações à crescente falta de peças cadavéricas e atender às novas exigências curriculares das escolas médicas, esta pesquisa objetivou avaliar a aquisição do conhecimento anatômico da caixa torácica (costelas, cartilagens, músculos intercostais, esterno e linhas torácicas), da laringe, da traqueia, do nariz e dos seios paranasais com o uso do Body Painting em comparação ao uso de peças cadavéricas, além de conhecer e analisar a percepção e o significado sobre o método Body Painting no ensino-aprendizagem da anatomia para os graduandos em Medicina. Método: Para isso, realizou-se uma pesquisa qualitativo-quantitativa. Com relação à parte quantitativa, este foi um estudo controlado randomizado antes e depois das intervenções. Estudantes do final do primeiro ano da graduação médica foram aleatoriamente alocados em dois grupos: 22 no grupo do Body Painting e 24 no grupo com cadáver. Em ambos os grupos, realizaram-se um pré-teste e um pós-teste. Aplicou-se o teste de normalidade da amostra e utilizou-se o teste não paramétrico da soma de postos de Wilcoxon para comparação dos escores dos postos obtidos por cada grupo no pré e pós-teste. Além disso, realizou-se uma abordagem qualitativa com a aplicação da escala Likert e o uso de um grupo focal para analisar as percepções discentes sobre esse método. Resultados: Quando se compararam os escores medianos dos postos das notas do pré-teste no grupo Body Painting com os obtidos no grupo cadáver, não houve diferença estatística. Isso demonstrou que os grupos eram homogêneos em relação ao nível do conhecimento prévio. Já o somatório dos postos das notas do pós-teste no grupo Body Painting foi superior ao do grupo cadáver, havendo diferença estatística quando se comparou a mediana dos escores dos postos entre esses grupos. Conclusões: Neste estudo, verificou-se que a aquisição de conhecimentos anatômicos da caixa torácica (costelas, cartilagens, músculos intercostais, esterno e linhas torácicas), da laringe, da traqueia, do nariz e dos seios paranasais com o uso do Body Painting foi ligeiramente superior à adoção de peças cadavéricas. A nudez parcial pode ser vista, inicialmente, como um empecilho ao método, mas isso pode ser superado após a vivência e o engajamento dos alunos nas sessões de pintura corporal. O Body Painting, segundo a percepção discente, facilita o processo de ensino-aprendizagem ao aproximar a teoria da prática e ao permitir associações, propiciando assim uma aprendizagem significativa.

A Empatia em Acadêmicos de Medicina em Relação ao Paciente Pediátrico: Estudo Transversal Unicêntrico, 2019

PID: S1981-52712020000300207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Araújo Toledo Júnior
Resumo: Introdução: A empatia envolve a capacidade de identificar e perceber os sentimentos e as experiências pessoais do paciente, assim como a capacidade de ver o mundo da perspectiva de outra pessoa. Em pediatria, existe o desafio de buscar o bom relacionamento com o paciente pediátrico e seus acompanhantes, os quais são peças fundamentais no atendimento e no resultado do tratamento. O objetivo desse estudo foi avaliar o nível de empatia dos estudantes de Medicina em relação ao paciente pediátrico. Método: Trata-se de estudo transversal, com amostra de conveniência, realizado com estudantes do quarto e sexto anos do curso de Medicina da Universidade José do Rosário Vellano, Campus Alfenas. Os níveis de empatia foram avaliados por meio da Escala de Empatia de Jefferson. Questionário sociodemográfico coletou dados sobre as possíveis variáveis independentes, como sexo, idade, estado civil, doença crônica pessoal ou familiar, distúrbio mental, especialidade pretendida, entre outros. Utilizaram-se o teste de t de Student, o teste exato de Fischer bicaudal e a regressão linear. O nível de significância foi de 0,05. Resultados: No período de fevereiro a abril de 2019, dos 196 estudantes elegíveis para o estudo, 159 concordaram em participar. Desses, 10 (6,2%) foram excluídos por preenchimento incompleto do questionário. A amostra final foi de 149 (76,0%) estudantes, sendo 74 (49,7%) do quarto ano e 75 (50,3%) do sexto ano do curso de Medicina. Não houve diferença entre o escore global de empatia entre o quarto e o sexto ano. O escore global de empatia foi maior no sexo feminino (pajustado = 0,011), assim como o escore do domínio “cuidado compassivo” (pajustado = 0,013). Os voluntários com relato de doença crônica familiar e os que tinham dificuldade de realizar exame físico pediátrico apresentaram escore significativamente mais elevado no domínio “cuidado compassivo” (pajustado = 0,038 e pajustado = 0,037, respectivamente). Conclusões: Os níveis de empatia (escore global e diferentes domínios) observados neste estudo foram elevados, com exceção do domínio “capacidade de se colocar no lugar do outro”. Não se observou relação entre escore global de empatia e seus diferentes domínios e o ano do curso médico.

A População Transgênero sob o Olhar da Bioética: Um Panorama dos Currículos de Graduação e dos Cursos de Bioética das Escolas Médicas do Estado de São Paulo

PID: S1981-52712020000300217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Barbosa Silva Seródio
Resumo: Introdução: Pessoas transgênero constituem um grupo sujeito a situações de discriminação e adoecimento por causa da marginalização social e da falta de acesso a direitos básicos, em especial a saúde. Sofrem com a inadequação do atendimento voltado a demandas básicas de saúde, com a alta incidência de doenças e com o não atendimento de demandas específicas. A vulnerabilidade dessas pessoas atinge um nível preocupante em razão das atitudes desrespeitosas que as levam a não buscar ajuda. Como uma educação médica voltada às necessidades das populações marginalizadas constitui a base para a melhoria do acesso e para uma assistência adequada, é essencial que as escolas médicas definam conteúdos e estratégias pedagógicas destinados a grupos vulnerados. Com base nisso, este estudo se propôs a investigar e discutir como (e se) a temática da assistência à população trans está inserida no currículo de graduação das escolas médicas do estado de São Paulo. Método: Trata-se de um estudo exploratório, de natureza descritiva-analítico, realizado com base em dados coletados de escolas médicas paulistas. O estudo foi conduzido em duas etapas: 1. fez-se uma análise documental sobre a inserção da temática trans nos currículos de graduação e 2. adotou-se um questionário destinado aos professores dos cursos de Bioética com o objetivo de avaliar como e se o tema é abordado como conteúdo programático. Os dados obtidos na primeira etapa foram analisados quantitativamente e são apresentados por meio das frequências relativas das características avaliadas. Na segunda fase, examinaram-se os dados por meio do método estatístico descritivo (perguntas fechadas) e da análise de conteúdo (perguntas abertas). Resultados: Identificamos menções à temática trans nos currículos formais de apenas duas das 32 escolas médicas pesquisadas, com um total de cinco citações referentes ao tema. Na análise dos questionários aplicados aos docentes da área de bioética, encontramos relatos de discussões sobre esse tema em 5/12 (42%) das escolas. Apesar de todos os participantes afirmarem que a temática é importante, somente 7/12 (58%) se consideram preparados para abordá-la. Conclusões: Postula-se que a evidente falta de conteúdo formativo voltado à temática trans nas escolas médicas pode dificultar a busca por um atendimento mais digno dentro da rede de atenção à saúde e o combate à transfobia. A partir de subsídios encontrados no referencial teórico da bioética de proteção, acreditamos que os currículos médicos e os cursos de Bioética deveriam criar espaços para abordar essa temática, empregando diferentes práticas pedagógicas efetivamente transformadoras e respeitando a diversidade de gênero em todos os ambientes.

Antibiótico e Arte: uma Proposta Inovadora em Educação Médica

PID: S1981-52712020000100212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Távora Amorim Araújo Baracho Libório
Resumo: Introdução: Com o intuito de estimular o exercício do pensamento crítico e da criatividade e considerando a complexidade vinculada ao aprendizado de antibióticos, criou-se o Teste de Sensibilidade artística aos Antimicrobianos (TSaA). Trata-se de uma atividade inovadora no ensino de antimicrobianos que avalia conhecimento e raciocínio clínico por meio de apresentações envolvendo a arte. Desde o segundo semestre de 2014, o TSaA mostrou-se uma prática integrativa no ensino de antimicrobianos para estudantes de Medicina do quinto semestre da Universidade de Fortaleza (Unifor). O objetivo deste estudo foi analisar o TSaA como metodologia de ensino/aprendizagem sobre antimicrobianos e a satisfação dos alunos com essa atividade. M étodos: Os alunos do quinto semestre do curso de Medicina foram divididos em oito grupos de 12 alunos. Os alunos receberam o desafio de utilizar a arte como ferramenta de comunicação para mostrar os seus conhecimentos sobre antimicrobianos. Cada grupo ficou responsável por apresentar conteúdos relacionados a uma classe de antimicrobiano previamente sorteada. A apresentação da atividade foi avaliada por dois docentes simultaneamente que utilizaram um instrumento específico para esse fim. Ao término do TSaA, os alunos foram convidados a responder a um questionário que abordava questões sobre a sua percepção acerca da atividade, os benefícios no contexto da aprendizagem e as dificuldades identificadas. As perguntas eram tanto objetivas quanto abertas. Resultados: Participaram do estudo 92 estudantes. A metodologia adotada para a atividade foi considerada adequada para 82% dos participantes. As formas de apresentação mais utilizadas foram encenação e música. A maioria dos participantes percebeu o TSaA como uma estratégia valiosa de facilitação de aprendizagem sobre antimicrobianos. A associação do estudo do antibiótico com a arte foi considerada uma forma divertida de aprendizagem do tema, que os levou a trabalhar de forma integrada. Na opinião dos alunos, houve realmente uma maior fixação de conteúdo com essa atividade. Conclusão: O TSaA facilitou a aprendizagem sobre antimicrobianos e estimulou a criatividade e o raciocínio crítico/lógico nos estudantes de Medicina do quinto semestre.

Análise Crítica das DCN à Luz das Diversidades: Educação Médica e Pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712020000500801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Raimondi Tourinho Souza Pereira Oliveira Rosa
Resumo: Introdução: Os movimentos sociais, organizados em torno da reforma sanitária, contribuíram para a institucionalização do processo de formação em saúde no país que deve estar em consonância com as reais necessidades de saúde da população e, dessa forma, promover a inclusão e equidade na perspectiva da social accountability. Isso se torna ainda mais importante no contexto da pandemia da Covid-19, já que se vivencia uma nova prioridade de saúde. Entretanto, o que se tem observado ao longo da pandemia da Covid-19 é um despreparo profissional para um cuidado integral em saúde que considere as pessoas e comunidades historicamente invisibilizadas. Objetivo: Analisar criticamente as questões das diversidades em relação às Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Medicina (DCN). Desenvolvimento: Por meio de três blocos temáticos - “Análise comparativa das DCN de 2001 e 2014 na perspectiva da diversidade”,“Como podemos problematizar as questões da diversidade a partir das DCN de 2014?” “As DCN de 2014 e o que precisamos tornar mais evidente na busca pela diversidade no ensino médico” -, aprofundou-se o debate crítico e reflexivo sobre a educação médica a partir da perspectiva de diversidade. Constatou-se a necessidade de uma articulação formativa e assistencial com as demais políticas públicas em saúde, principalmente aquelas relacionadas a populações marginalizadas. Conclusão: A pandemia da Covid-19 mostra-se como uma oportunidade de a mídia e a sociedade como um todo olharem para as desigualdades sociais em saúde, considerarem a relevância do SUS e enfatizarem os múltiplos apontamentos contemporâneos que evidenciam que os projetos pedagógicos e os componentes curriculares dos cursos de Medicina precisam ser atualizados e se comprometer com a construção de uma proposta de ensino e cuidado em saúde que valorize a diversidade e diminuição das iniquidades em saúde.
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