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Análise da Percepção de Acadêmicos sobre o Ensino de Urgência e Emergência em Curso Médico

PID: S1981-52712020000300201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Sorte Silva Santos Pinho Nascimento Reis
Resumo: Introdução: O atendimento em urgência e emergência (UE) envolve situações de risco que exigem intervenção imediata para aumentar as chances de sobrevivência do paciente. O ensino dessa disciplina durante a graduação de Medicina não tem sido efetivo, e os alunos apresentam deficiência no atendimento, tornando-se importante realizar avaliação para conhecer a realidade sobre esse processo formativo. O objetivo deste estudo foi avaliar o conhecimento e a satisfação pessoal dos acadêmicos de Medicina que se encontram no internato quanto à disciplina de Urgência e Emergência, em faculdade privada do norte de Minas Gerais. Método: Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo, com aplicação de 185 questionários que abordaram dados demográficos, conhecimento da política de atenção à UE aplicada ao Samu, conhecimento da epidemiologia dos atendimentos pré-hospitalares do Samu, avaliação e conduta durante o atendimento, e percepção do ensino de UE. A população foi constituída por estudantes de Medicina, do oitavo ao 12º período, divididos em dois grupos em relação ao estágio em UE. Realizou-se análise estatística por meio do teste qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher com significância p < 0,05. Resultados: A população foi predominantemente do sexo feminino. Quanto à opção de trabalho, 123 (66,5%) dos estudantes optaram por consultório médico, 35,1% escolheram os serviços de UE, e 95 (51,4%) citaram a saúde da família. Quanto aos profissionais que compõem a ambulância básica ou avançada, 40,5% e 54,1% acertaram a composição da básica e avançada, respectivamente, sendo estatisticamente significante com p-valor 0,001 e 0,002. Dos participantes do estudo, 15,7% marcaram corretamente todas as causas de atendimento pelo Samu, e 36,2% acertaram a natureza clínica como a maior demanda de atendimento. Não houve diferenças estatísticas quanto à percepção da importância do conhecimento do médico generalista sobre UE. Quanto à percepção dos acadêmicos em relação à própria formação, foi identificada diferença estatística nas questões relacionadas às temáticas triagem - Protocolo de Manchester, monitorização, suporte básico e avançado de vida, e emergências pediátricas. Conclusões: O ensino de UE, na percepção dos alunos, mostra-se efetivo nessa avaliação, mas com lacunas em urgências pediátricas e toxicológicas. Os alunos formam-se inseguros quanto ao atendimento nessa área. Há a necessidade de discutir mais essa temática por causa da relevância dela para a prática profissional.

Análise das Percepções de Internos, Residentes e Preceptores por meio do Método de Avaliação Mini-CEX (Mini-Clinical Evaluation Exercise)

PID: S1981-52712020000300213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Marinho Castro Júnior Lauterbach Nunes Augusto
Resumo: Introdução: O Mini-CEX é um método de avaliação que abrange os seguintes domínios: anamnese, exame físico, aconselhamento, julgamento clínico, organização e profissionalismo. Foi testado e validado para utilização em qualquer cenário de prática. Com sua característica de fornecer feedback após uma avaliação clínica, o Mini-CEX também serve como um método de formação para guiar o desenvolvimento profissional de formandos e formadores, promovendo maior retenção de conhecimento no corpo discente e fornecendo, continuamente, informações para que o estudante perceba o quão distante está dos objetivos almejados. O objetivo deste estudo foi verificar a percepção de internos, residentes e preceptores da clínica médica (CM) sobre instrumento Mini-CEX. Método: Trata-se de um estudo qualitativo realizado pela técnica de grupo focal no período de fevereiro a julho de 2017. Participaram 20 internos, 13 residentes e cinco preceptores de CM. Constituíram-se seis grupos focais, dois com os internos, dois com residentes e dois com docentes, com perguntas semiestruturadas que identificaram as percepções, por meio da metodologia empregada, na qualidade da avaliação e eventuais repercussões para o processo de ensino-aprendizagem. Resultados: No grupo focal dos internos, o momento de feedback da avaliação foi considerado essencial para o processo de aprendizado embora a avaliação a beira-leito tenha se mostrado tensa pela presença do tutor. Os residentes relataram que a avaliação foi válida, pois os levou a revisar alguns pontos da literatura médica, além de estimular o raciocínio clinico diante de uma situação real. Os preceptores validaram a importância do feedback para os avaliados e identificaram a avaliação a beira-leito como momento de melhor análise das individualidades. Conclusão: Por meio das percepções dos grupos em foco, identificamos o Mini-CEX como ferramenta fundamental para o processo de ensino-aprendizagem de todos os envolvidos e a necessidade de estruturação do momento de feedback para um resultado mais eficaz. Durante a avaliação a beira-leito, foi identificado o estímulo ao raciocínio clínico como ponto positivo e o estranhamento, a ansiedade e a tensão como pontos negativos.

Análise do Internato em Medicina da Família e Comunidade de uma Universidade Pública de Fortaleza-CE na Perspectiva do Discente

PID: S1981-52712020000100203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Lima Shibuya Peixoto Lima Magalhães
Resumo: Introdução: A atuação do médico de família e comunidade exige um domínio amplo de conhecimentos, habilidades e atitudes para enfrentar a complexidade dos pacientes, da família e da comunidade, com vistas a agir para além da dimensão curativa. Nesse contexto, o internato consiste em uma experiência fundamental para promover a articulação teórico-prática da formação médica. Objetivou-se analisar o internato em Medicina de Família e Comunidade (MFC) de uma universidade pública de Fortaleza-CE, na perspectiva do discente. Métodos: Realizou-se estudo transversal, descritivo, quanti-qualitativo, em agosto e setembro de 2018 com 30 acadêmicos do curso de Medicina do 12º semestre. A coleta de dados foi conduzida por meio de um questionário on-line que avaliou a percepção do acadêmico sobre a preceptoria, a aprendizagem, as aulas teóricas, a estrutura física das unidades, a satisfação geral com o internato e a relação com outros profissionais. Realizaram-se análise descritiva dos dados quantitativos e a análise de conteúdo do tipo temática. Resultados: A maioria dos acadêmicos era do sexo masculino (65,5%) e estava na faixa etária de 22 a 24 anos (55,1%). A satisfação geral com o internato foi considerada como boa (60%) e as aulas teóricas também (63,3%). O aprendizado foi avaliado como bom quanto à: relação médico-paciente e habilidades de comunicação (46,7%); habilidade de registro em prontuário (33,3%); habilidade para realizar atividades coletivas com usuários e equipe multiprofissional (43%). Um total de 73% considerou que o internato contribuiu para a futura atuação profissional na atenção básica. Os aspectos positivos do internato foram: preceptoria; aprendizado acerca da relação médico-paciente; autonomia do discente na condução dos casos; carga horária para estudos; aproximação com a realidade da comunidade; inserção na rotina da unidade; diversidade na aprendizagem; e formação teórico-prática. Por sua vez, destacaram-se como aspectos negativos: infraestrutura da unidade básica de saúde; aprendizagem acerca de ações coletivas e interdisciplinaridade; realização de atividades essenciais; prática baseada em evidências; e preceptoria. Conclusão: De forma geral, o internato em MFC foi bem avaliado pelos discentes, principalmente quanto à preceptoria, ao aprendizado em habilidades clínicas e à contribuição para sua formação médica em uma futura atuação na atenção primária. São necessárias novas pesquisas avaliativas que envolvam a percepção dos preceptores e dos demais profissionais da equipe de saúde, com inclusão da análise da dimensão formativa.

Análise dos Níveis de Empatia de Professores e Preceptores Médicos de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712020000100224 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Nunes Guimarães Pargeon Bastos Silva Almeida
Resumo: Introdução: O objetivo deste estudo foi avaliar os níveis de empatia, bem como os aspectos sociodemográficos e pessoais relacionados a docentes e preceptores médicos de um curso de Medicina. Métodos: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada por meio de questionários aplicados a docentes e preceptores médicos vinculados ao curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), desde o módulo I até o XII, os quais tinham contato direto com os acadêmicos, assim como com os pacientes. A amostragem utilizada foi por conveniência. A coleta de dados foi realizada entre os meses de agosto e novembro de 2018. Dois questionários foram aplicados, sendo um com dados sociodemográficos e o outro com a Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal (EMRI), que mensura multidimensionalmente a empatia. Resultados: Incluíram-se na pesquisa 101 médicos, entre docentes e preceptores. A média de idade foi de 45,2 (±8,4) anos. Quanto ao sexo, 45,5% da amostra foi composta pelo sexo feminino e 54,4% pelo sexo masculino. A maioria era casada (80,2%) e possuía alguma religião. Identificaram-se maiores escores de empatia no gênero feminino, nas dimensões FS (p = 0,0468), CE (p = 0,0219) e AP (p = 0,0230), bem como na média geral (p = 0,0057). Níveis maiores de empatia também foram identificados entre os que possuíam uma religião, na dimensão AP (p = 0,0074). Os aspectos pessoais que obtiveram maiores escores nas dimensões da escala foram docentes e preceptores médicos que afirmaram que procuram orientar os seus alunos sobre empatia, dimensões FS (p = 0,0341), CE (p = 0,0398), TP (p = 0,0464) e média geral (p = 0,0442); aqueles que afirmaram que são pessoas empáticas, dimensões FS (p = 0,0327), CE (p = 0,0061), TP (p = 0,0008) e média geral (p = 0,0067); aqueles que estão satisfeitos com suas atitudes no exercício da docência, dimensão TP (p = 0,0289). Conclusão: Os dados apontaram que aspectos sociodemográficos e pessoais dos docentes e preceptores médicos exercem influência direta em maiores ou menores níveis de empatia. Tal evidência é relevante, já que a formação de futuros médicos mais empáticos depende da influência desses docentes e preceptores médicos.

Aplicação do PBL Clínico na Atenção Primária em Cursos de Medicina

PID: S1981-52712020000400213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Romão Bestetti Couto
Resumo: Introdução: A aprendizagem baseada em problemas (do inglês problem-based learning - PBL) é um método de aprendizagem colaborativa para pequenos grupos, centrado no estudante, fundamentado na mobilização de conhecimentos prévios e no raciocínio crítico para a solução de problemas. Embora tenha sido utilizado predominantemente em sala de aula, quando aplicado em estágios clínicos, o PBL pode aumentar a motivação intrínseca e a retenção de conhecimento em longo prazo pelos estudantes. Além disso, o PBL clínico pode representar uma opção mais efetiva de aprendizado a partir da prática ante a sobrecarga de alunos nos estágios clínicos no Sistema Único de Saúde. Este estudo teve por objetivo avaliar a percepção dos estudantes sobre um modelo de PBL clínico implementado em estágios de atenção primária à saúde (APS) no pré-internato do curso de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) em 2017. Método: O desfecho primário foi avaliado por meio do instrumento Dundee Ready Educational Environment Measure (DREEM), que contém 50 itens distribuídos em cinco dimensões. O questionário foi aplicado a 374 alunos de Medicina que correspondem a 78% do total de estudantes do pré-internato. Resultados: Para a maioria dos itens avaliados, a percepção dos foi “positiva”, incluindo as dimensões “percepção dos professores”, “percepção dos resultados acadêmicos” e “percepção do ambiente geral”. Para as dimensões “percepção da aprendizagem” e “percepção das relações sociais”, a avaliação foi “mais positiva do que negativa”. O escore total das respostas foi de 124,31, correspondendo a 62,15% do escore máximo, o que indica uma percepção “mais positiva do que negativa” sobre a atividade. A consistência interna dada pelo alfa de Cronbach foi de 0,92. Conclusão: O uso do PBL clínico em APS qualifica o aprendizado a partir da prática, é bem-aceito pelos estudantes de Medicina e oferece uma opção viável à sobrecarga de alunos em estágios clínicos do pré-internato.

Apreensão e Compreensão do Conceito de Necessidades de Saúde para Estudantes de um Currículo Ativo

PID: S1981-52712020000200215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Nonato Kobashikawa Pio Vernasque
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2001 valorizam aspectos biopsicossociais do processo saúde-doença e responsabilização dos estudantes por meio de atuação formativa e ativa nos serviços de saúde. Conduziu-se este estudo em uma faculdade do interior paulista que tem o conceito de necessidades de saúde como norteador teórico. O objetivo deste estudo foi compreender a experiência de estudantes de Medicina e Enfermagem em relação ao conceito e à operacionalização do currículo integrado. Realizou-se aprofundamento teórico-prático sobre a relação de discentes com os demais atores em saúde para identificar razões da divergência do entendimento do referencial teórico entre eles, propiciando subsídios para identificar essas disparidades no contexto do ensino. Método: Entrevistaram-se 33 estudantes dos cursos supracitados. O estudo foi elaborado por meio dos referenciais metodológico da Teoria Fundamentada nos Dados e teórico de necessidades de saúde. As entrevistas semidirigidas foram gravadas, completamente transcritas e codificadas linha a linha, segundo o processo de microanálise. Os códigos foram agrupados em elementos, subsídios para formação das categorias. Resultados: Obtiveram-se cinco categorias emergentes: 1. “Percebendo que há diferenças de abordagem entre os grupos das Unidades Educacional Sistematizada e de Prática Profissional e entre as unidades educacionais, com dificuldades para efetiva articulação teórico-prática”; 2. “Identificando que há discrepância de aprendizagem e vivências dos conceitos de necessidades de saúde entre os estudantes”; 3. “Entendendo que a apreensão das necessidades de saúde é mais efetiva quando se associa a teoria à prática e vice-versa”; 4. “Assimilando que o conceito de necessidades de saúde diz respeito à ampliação do foco da integralidade do cuidado”; e 5. “Reconhecendo o vínculo como essencial nas séries e nos cenários de ensino-aprendizagem para a identificação das necessidades de saúde e um sucesso prático do cuidado”. Essas categorias constituem o modelo teórico: “Segundo a perspectiva discente, a apreensão e a compreensão de necessidades de saúde são dependentes da articulação teórico-prática nos diferentes grupos de estudantes e cenários de ensino-aprendizagem, tendo como elementos essenciais o vínculo e a integralidade do cuidado”. Conclusões: Para a efetiva apreensão de necessidades de saúde dos discentes, devem-se evitar descontinuidade do aprendizado e discrepâncias em como é conduzido, processo que depende de vínculos e do cuidado integral para ser viável.

Aprendendo com o Imprevisível: Saúde Mental dos Universitários e Educação Médica na Pandemia de Covid-19

PID: S1981-52712020000500302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rodrigues Cardoso Peres Marques
Resumo: Introdução: A pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19) promoveu mudanças em todo o mundo, gerando modificações na estrutura organizacional do ensino superior. A educação médica teve que suspender atividades presenciais e estágios práticos, e adotar a metodologia de ensino a distância e avaliações on-line para os discentes de Medicina. Objetivo: Discorrer sobre o impacto da pandemia na saúde mental dos universitários e na educação médica. Método: Trata-se de uma revisão de literatura realizada nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Utilizaram-se, na busca de artigos, os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “saúde mental”, “pandemia”, “educação superior”, “estudantes” e “Covid-19”. Foram considerados estudos com seres humanos e estudos de literatura publicados de 2018 até o momento do levantamento de dados. Resultado: Nas bases de dados, encontraram-se 1.473 artigos que foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão. Desconsiderando a duplicidade em outras bases de dados, obtiveram-se 43 artigos, dos quais 31 foram utilizados nesta revisão de literatura. Tem-se um grande número de estudos experimentais sobre a educação superior que são úteis na disseminação de conhecimento e possibilidade de replicação. Os dados referentes à saúde mental dos estudantes universitários abordam aspectos sobre a presença de transtornos psiquiátricos relacionados à temática, como depressão, ansiedade, e estresse pós-traumático, a partir de testes de triagem diagnóstica, nas variações presencial e on-line. Conclusão: Como os estudantes de Medicina apresentam incertezas sobre o futuro de sua formação em decorrência dessas transformações, são submetidos a uma carga emocional que causa/deflagra danos à saúde mental deles. Existem ainda dúvidas sobre os reflexos desse contexto no período “pós-Covid” e seus impactos na educação médica, assim como sobre a manutenção de medidas adotadas em tempos de crise.

Aprendizagem Baseada em Problemas em um Curso de Medicina: Desafios na sua Implementação

PID: S1981-52712020000400203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rezende Costa Rodrigues Tonhom
Resumo: Introdução: Considerando um currículo integrado e orientado por competência dialógica de acordo com o exposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais, a Unidade Educacional Sistematizada (UES) e a Unidade de Prática Profissional (UPP) compõem o currículo de um curso de Medicina de um município do interior paulista. Utilizam-se a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) na UES e a problematização na UPP como metodologias de ensino, com o objetivo de buscar uma organização que conduza a uma formação coerente com o setor de saúde pública e o cenário de educação nacional. A UES é o foco deste estudo, pois notamos que há divergências entre os docentes sobre o papel do tutor. Com base nisso, a metodologia de ensino vigente na Faculdade de Medicina de Marília (Famema) nos levou aos seguintes questionamentos: “O professor se considera capacitado para atuar no método ABP?” e “De que forma as avaliações contribuem com o processo de ensino-aprendizagem?”. Assim, este trabalho teve por objetivo analisar a compreensão do docente acerca de sua capacitação para atuar na ABP e da pertinência das avaliações no processo ensino-aprendizagem na UES. Método: Trata-se de estudo do tipo exploratório-descritivo com abordagem de natureza qualitativa. A coleta de dados se deu pela realização de entrevista semiestruturada com professores que desenvolvem atividades na UES do primeiro ao quarto ano do curso de Medicina, selecionaram-se os participantes a partir de uma amostra não probabilística de intenção, totalizando 16 professores, sendo quatro de cada um dos quatro primeiros anos do curso.No exame dos dados, adotou-se a análise de conteúdo na modalidade temática que permitiu a definição de dois eixos temáticos: desafios para a formação docente e potencialidades e limites do processo de avaliação instituído. Resultados: A trajetória da ABP no processo de ensino-aprendizagem sob a ótica dos docentes nos mostrou uma variedade de compreensões. Em relação à formação docente, identificaram-se fragilidades no desenvolvimento do processo tutorial. Além disso, constatou-se que as estratégias utilizadas para a capacitação precisam ser revistas quanto à implementação e à inserção dos profissionais nelas. Observou-se que os docentes demonstram dificuldades em realizar uma avaliação dos estudantes integrando as dimensões afetivas, cognitivas e psicomotoras. Conclusão: Assim, independentemente do tempo de implementação do currículo, a educação permanente deve se constituir como espaço potente para a capacitação docente e a gestão do processo.

Associação entre Empatia e Personalidade em Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712020000400211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Claudino Lucena Silva Baroffio Gerbase
Resumo: Introdução: A empatia é um atributo valorizado como competência médica que influencia positivamente a relação médico-paciente e repercute na adesão ao tratamento e na melhora clínica. Estudos prévios indicam que há correlação entre personalidade e empatia em estudantes de Medicina, mas não existem, até o momento, dados referentes na literatura nacional. Este estudo teve como objetivos analisar a capacidade de empatia e os domínios de personalidade e investigar a correlação entre empatia e personalidade em estudantes de Medicina brasileiros. Métodos: Aplicaram-se dois instrumentos em estudantes do primeiro ano do curso de Medicina, nos anos de 2015 e 2017, para avaliar empatia e personalidade por meio das seguintes escalas: Jefferson Scale Empathy - Students version (JSE-S) e NEO-Five Factor Inventory (NEO-FFI). Foi realizada análise descritiva dos dados contendo média, escores mínimo e máximo, correlação e regressão linear de personalidade e empatia. Resultados: Preencheram os instrumentos 164 (96,4%) estudantes, sendo 50,5% do sexo feminino. A média do escore global da JSE-S foi de 117,6 ± 10,9, sendo a média feminina (119,5 ± 10,5) e masculina (115,7 ± 11) com diferença significativa (p < 0,01). No NEO-FFI, a conscienciosidade obteve a maior média global (29,1 ± 3,8), e coube ao neuroticismo a menor média (21,7 ± 4,7). No grupo feminino, a maior média foi encontrada em conscienciosidade (29,4 ± 3,8); e a menor, em abertura para experiência (20,6 ± 3,3). No grupo masculino, conscienciosidade (29,4±3,9) e neuroticismo (21,6±4,2) obtiveram as maiores e menores médias. Constatou-se diferença significativa entre os sexos no escore global da JSE-S, em abertura para experiência e socialização. As correlações encontradas entre empatia e personalidade foram fracas, e nenhuma delas foi estatisticamente significativa. Conclusão: As médias dos domínios de personalidade diferem entre os sexos, e, no presente estudo, em avaliação transversal, não houve correlação forte da personalidade e empatia em estudantes de Medicina. Estudos com abordagem longitudinal são necessários para elucidar modulações na empatia e personalidade, nos diferentes momentos da formação médica.

Atitudes de Estudantes de Medicina diante do Comportamento Suicida e Fatores Associados

PID: S1981-52712020000400208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Nunes Oliveira Galvão
Resumo: Introdução: O objetivo deste estudo foi avaliar a autoconfiança e o conhecimento de estudantes de Medicina para que possam atuar no cuidado de paciente sob risco suicida. Método: Trata-se de estudo transversal quantitativo realizado com amostra de 310 estudantes de Medicina do câmpus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, no Brasil. Para coleta dos dados dos estudantes, aplicou-se o Questionário de Atitudes Frente ao Comportamento Suicida (QuACS) associado a um questionário sociodemográfico. Para análise dos dados, foram utilizados os testes de correlação de Mann-Whitney e Spearman. Resultados: Os estudantes mais próximos do final do curso e aqueles que já tinham experiência prática com o suicídio demonstraram menos sentimentos negativos, maior sensação de capacidade profissional e atitude menos condenatória com relação ao suicídio. Os alunos do início do curso demonstraram mais sentimentos negativos para com o suicídio. Não houve influência estatisticamente relevante de sexo, possuir amigo ou familiar que já tentou suicídio ou experiência prévia de pensamentos suicidas nos resultados obtidos. Conclusão: O estudo reforça a correlação da implementação de experiências práticas e atividades de capacitação dos alunos com redução de sentimentos negativos e aumento de percepção de capacidade profissional para lidar com o comportamento suicida.

Autoeficácia de Estudantes de Medicina em Duas Escolas com Metodologias de Ensino Diferentes (Aprendizado Baseado em Problemas versus Tradicional)

PID: S1981-52712020000200202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Lopes Castro Peixoto Moura
Resumo: Introdução: A autoeficácia acadêmica refere-se à crença do estudante em sua capacidade de organizar e executar ações relacionadas às atividades e exigências acadêmicas. Nesse contexto, a autoeficácia tem recebido grande destaque da literatura tanto pela relevância quanto pelo poder preditivo dos acontecimentos no âmbito escolar. Estudantes com maiores níveis de autoeficácia têm maiores probabilidades de ser bem-sucedidos nas suas intervenções, pois conseguem mais facilmente testar e utilizar as suas competências. O objetivo deste estudo foi avaliar a autoeficácia acadêmica de estudantes do quarto ano de Medicina em duas escolas com metodologia de ensino diferentes: aprendizado baseado em problemas (ABP) versus tradicional. Método: Trata-se de estudo transversal e quantitativo que foi conduzido em duas escolas de Medicina: uma com metodologia ABP e outra com metodologia tradicional. Participaram deste estudo 147 estudantes de Medicina do quarto ano divididos em dois grupos: 73 da escola com metodologia ABP e 74 da escola com metodologia tradicional. A coleta de dados foi realizada pelo preenchimento de questionário autorrespondido, contendo perguntas de avaliação sociodemográfica e aspectos gerais de saúde, além da Escala de Autoeficácia na Formação Superior. Resultados: Os alunos da escola com metodologia ABP apresentaram média geral do somatório do escore maior (p < 0,01) e média do escore maior em cada domínio da escala de autoeficácia quando comparados com a escola de metodologia tradicional. As variáveis sexo feminino, ser mais velho, morar sozinho, não usar medicamento para doença crônica e exercer atividade extracurricular apresentaram influência positiva na média de escore de autoeficácia nos diferentes domínios da escala. Conclusões: Os estudantes de Medicina do quarto ano de ambas as instituições analisadas apresentaram autoeficácia de moderada a forte. Os estudantes da escola do ABP apresentaram escores de autoeficácia maiores em relação aos da escola com metodologia tradicional. Esses resultados indicam que o uso de metodologia ativa de ensino, como a do ABP, pode se relacionar a um maior grau de autoeficácia acadêmica. Mais estudos são necessários para uma melhor compreensão da influência do modelo curricular adotado na autoeficácia acadêmica, em estudantes de Medicina.

Avaliação da Eficácia de um Programa de Formação sobre Violência contra Crianças e Adolescentes

PID: S1981-52712020000400207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Moretti Pessoa
Resumo: Introdução: O atendimento em serviços de saúde é, muitas vezes, a primeira possibilidade para a identificação de casos de violência contra crianças e adolescentes (VCCA). Sendo assim, o objetivo deste artigo foi avaliar a eficácia de um programa de intervenção desenvolvido para habilitar estudantes e profissionais da área da saúde a reconhecer e encaminhar casos de VCCA. Adicionalmente, buscou-se verificar em qual nível de formação (graduação, pós-graduação ou profissionais em exercício) uma intervenção desse porte teria maior efeito. Método: Trata-se de um estudo quase experimental, delineado a partir de uma análise com um grupo controle (GC) não equivalente. A pesquisa incluiu estudantes de Medicina, pós-graduandos da residência em pediatria e profissionais que atuam em instituições de saúde. Participaram, no total, 105 pessoas, sendo 89% de mulheres. Os participantes foram posteriormente subdivididos entre o grupo experimental - GE (n = 60) e grupo controle - GC (n = 45). Um programa de formação, composto por dez sessões (20 horas no total), acerca do tema foi desenvolvido e aplicado a um GE. Para avaliar a efetividade da intervenção, aplicou-se um questionário em períodos previamente determinados (pré-teste e pós-teste). Os dados foram submetidos a análises estatísticas (análises descritivas, teste t e de comparações múltiplas de Tukey), por meio do software R. Resultados: O pós-teste revelou alterações estatisticamente significativas em todas as dimensões avaliadas com o GE, o que comprova que a intervenção trouxe mudanças nas concepções prévias que os participantes tinham a respeito da VCCA. Além disso, quando se compararam as respostas obtidas nos questionários entre três grupos do GE (graduandos, pós-graduandos e profissionais em exercício), ficou constatado que não houve diferenças estatísticas intergrupos, o que sugere que programas desse porte têm efeitos positivos independentemente do nível da formação que está sendo ofertada. Conclusões: Este estudo evidenciou que programas de formação podem qualificar a concepção dos estudantes e profissionais da saúde, bem como auxiliar para que se sintam mais preparados para lidar com demandas relativas à VCCA. Cabe, no entanto, um esforço coletivo para que esses conteúdos sejam incorporados de forma propositiva no processo formativo em todos os níveis, da graduação à formação continuada.

Avaliação da Prevalência da Síndrome de Burnout em Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712020000400223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rodrigues Deus Andrade Rezende Mariano Sé
Resumo: Introdução: A síndrome de burnout (SB) está relacionada ao estresse ocupacional crônico, presente na vida do acadêmico de Medicina. Essa síndrome compreende três dimensões básicas: 1. exaustão emocional; 2. aumento do distanciamento mental do próprio trabalho ou sentimentos de negativismo e cinismo relacionados ao próprio trabalho; e 3. redução da eficácia profissional. Este estudo teve como objetivos identificar a prevalência da SB, os fatores de risco para o desenvolvimento da síndrome e os sintomas associados a ela em estudantes de Medicina de uma faculdade distrital, e estabelecer um perfil de discentes com maior risco de apresentar diagnóstico de SB. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal. Foram aplicados o Maslach Burnout Inventory - Student Survey (MBI-SS), versão específica para estudantes, um questionário de fatores sociodemográficos, um de fatores preditores e outro de possíveis sintomas somáticos associados à SB. Obteve-se o universo amostral por conveniência, e calculou-se sua representatividade diante do total de estudantes. Foi considerado como moderado ou de alto risco o estudante que apresentou uma ou duas dimensões da SB alteradas, respectivamente. Resultados: Do total de estudantes regularmente matriculados do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina, 67,11% responderam aos questionários. Da amostra total, 80,63% estudantes do gênero masculino e 81,06% dos estudantes do gênero feminino foram identificados como de alto ou moderado risco para SB. Os fatores sociodemográficos associados ao risco de desenvolvimento de SB foram: idade, com quem reside, possuir filhos e realizar trabalho remunerado. Já o fator preditor com maior relevância estatística foi o autogerenciamento de tarefas propostas pela faculdade. Conclusão: As prevalências de alto risco e diagnóstico de SB encontradas entre os estudantes de Medicina foram 26,44% e 3,95%, respectivamente. Identificaram-se diferenças entre os perfis de alto risco para os gêneros feminino e masculino.

Avaliação de um Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia

PID: S1981-52712020000200209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Sanchez Rodrigues
Resumo: Introdução: A residência médica em ginecologia e obstetrícia é indiscutivelmente importante para a capacitação dos médicos que optam por essa especialidade dos Ministérios da Saúde e da Educação. Entretanto, as pesquisas que avaliaram esses programas de residência são escassas, especialmente no que tange a aspectos reflexivos qualitativos. Assim, este estudo descritivo e exploratório, com abordagem quantitativa e qualitativa, buscou avaliar o programa atual de residência médica em ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Método: Como metodologia, utilizou-se a análise curricular comparativa entre o programa preconizado pela Comissão Nacional de Residência Médica até 2018 e o programa oferecido pela FCMS da PUC-SP, além de questionários autoaplicáveis a egressos do período de 2007 a 2018. Resultados: Entre os achados mais importantes da análise curricular comparativa, estão divergências sobre a disposição percentual de carga horária anual, evidenciando sobrecarga em horas de plantão, e a distribuição não equilibrada de estágios. A taxa de retorno do questionário foi de 66% (41 dos 62 participantes). A maioria dos respondentes era do gênero feminino (n = 32, 78%), com atividade predominante nas cidades de Sorocaba (n = 21, 43,7%) e São Paulo (n = 10, 21%). Houve preponderância de satisfação parcial do egresso com o programa cursado (n = 34, 82,9%). Também foram observadas respostas que condizem com os achados da análise curricular comparativa, como a insatisfação com o número de procedimentos cirúrgicos ginecológicos realizados (n = 39, 95,1%). Em relação à análise de conteúdo das questões discursivas, categorizadas segundo Bardin, houve valorização das atividades em obstetrícia pelos egressos, e as críticas mais evidentes foram relacionadas à menor quantidade de horas para certas atividades, em especial àquelas dedicadas às práticas cirúrgicas ginecológicas e atividades teóricas. Conclusões: Com base nos achados, foram propostas e acatadas pelos gestores sugestões de mudanças que devem trazer impacto positivo ao programa da residência médica. Esta pesquisa contribui para a avaliação diagnóstica de um tradicional programa de residência médica, propõe melhorias e utiliza metodologia reprodutível, podendo, assim, servir de comparação para outros estudos, de modo que avanços possam ser estabelecidos na formação do especialista.

Avaliação do Perfil dos Professores de Medicina de uma Universidade do Interior de Minas Gerais

PID: S1981-52712020000300214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Leite Vazzi Moura Pereira Caldas Neto Lima
Resumo: Introdução: O ensino médico vem passando por grande reformulação nas últimas décadas, e um dos pontos considerados fundamentais nessa mudança é a atuação docente. Pesquisas indicam que os professores de Medicina usualmente possuem pouca formação didático-pedagógica, dividem-se entre as profissões de médico e professor, colocada em segundo plano, privilegiam a pesquisa em relação ao ensino e são resistentes a mudanças no seu modo de atuação. Segundo a literatura, essas características repercutiriam diretamente no ensino oferecido. Método: A presente pesquisa buscou analisar como características dos professores de Medicina de uma universidade no interior de Minas Gerais repercutem na forma como os alunos avaliam o ensino recebido. Para tanto, levantou-se o perfil dos professores a partir de documentação e entrevista semiestruturada. Posteriormente, os alunos avaliaram os professores participantes por meio de um questionário autoaplicado. Confrontaram-se avaliação e perfil, e utilizaram-se testes estatísticos para a análise da associação entre características e avaliação feita. Participaram 57 professores (83,8% dos elegíveis) e 203 alunos (84,5% dos elegíveis). Resultados: Foi identificado perfil de professores semelhante ao da literatura, com a maioria em dedicação parcial à universidade, renda proporcionada principalmente por outra profissão e preparação didática constituindo parte reduzida da formação. A comparação entre os grupos de características dos professores, com base nas avaliações dos alunos, por sua vez, mostrou resultados que rompem com a bibliografia. Os dados mostraram, com relevância estatística, que no curso professores mais jovens, com menos tempo de graduação, de atuação docente e de experiência em outra profissão, sem mestrado e que possuem como motivação para lecionar prazer e aptidão são mais bem avaliados. Maior tempo de preparação didática, cursos preparatórios, maior dedicação semanal ao ensino e maior identificação com a docência, entre outros aspectos, não se associam à melhor avaliação de forma estatisticamente significativa. Conclusões: A pior avaliação do docente mais experiente, associada a questões como conflitos geracionais e dificuldades de adaptação a novos currículos, mostra a importância de uma preparação docente contínua e reforçada com o tempo. Além disso, o melhor desempenho de professores mais satisfeitos demonstra a importância da valorização da carreira docente. Por fim, constata-se que quantidade de formação não é suficiente sem qualidade nessa formação.

Avaliação do Prontuário Médico de um Hospital Universitário

PID: S1981-52712020000100204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Garritano Junqueira Lorosa Fujimoto Martins
Resumo: Introdução: Este trabalho analisa a qualidade dos prontuários médicos dos pacientes internados no Hospital Universitário Gafrée e Guinle. Métodos: Foram selecionados aleatoriamente 100 prontuários da clínica médica e da clínica cirúrgica de pacientes internados nesse Hospital. A análise dos prontuários consistiu na ausência ou presença, dos seguintes tópicos: ficha de identificação do paciente, laudo médico, boletim de internação e alta hospitalar, resumo de internação, evolução médica, evolução da enfermagem, prescrição médica, boletim operatório, boletim da anestesia, laudo do exame histopatológico. Quando havia estes tópicos, verificou-se ainda se eles estavam adequados ou inadequados. Nos prontuários da clínica médica excluíram-se o boletim operatório e da anestesia, laudo do exame histopatológico e os demais tópicos relacionados à cirurgia. Em cada prontuário foi observado se todos os itens citados estavam presentes, preenchidos corretamente, escritos de forma legível, e se havia abreviaturas, siglas e sinais impróprios. No caso de esses itens estarem presentes nos prontuários avaliou-se a adequação ou inadequação deles. Os resultados das ambas as clínicas foram comparados para a análise de qual serviço apresentou um melhor desempenho. Para avaliar o desempenho do hospital todos os itens foram analisados em relação à presença, ausência, adequação ou inadequação e não aplicabilidade. A análise dos dados foi realizada por meio de tabelas e gráficos e a análise estatística pelo teste não paramétrico Mann-Whitney. Resultados: Durante a pesquisa nem todos os itens foram encontrados e, alguns casos, estavam preenchidos inadequadamente. Além disso, constatou-se a falta de ordenação deles. Do total da amostra analisada, 85,5% estavam legíveis e 32% foram considerados inadequados, sendo 37 prontuários da clínica cirúrgica e 27 da clínica médica. Os resultados dos exames complementares foram encontrados em apenas 55,5% da amostra. Conclusão: A elaboração dos prontuários no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle é deficiente com vários itens incompletos e/ou ausentes.

Barreiras e Facilitadores do Processo Ensino-Aprendizagem de Estudantes de Medicina na Atenção Primária, no Município de São Paulo

PID: S1981-52712020000200213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Silva Rios Vital Júnior Silva
Resumo: Introdução: Apesar de a atenção primária à saúde (APS) ser essencial para a formação médica, as percepções dos profissionais das equipes de saúde da família (eSF) sobre o processo ensino-aprendizagem foram pouco estudadas, em particular em municípios nos quais o modelo de gestão da APS é indireto, como na cidade de São Paulo. O objetivo deste estudo foi analisar as percepções de profissionais das eSF sobre as barreiras e os facilitadores do processo ensino-aprendizagem dos estudantes de medicina na APS, no município de São Paulo. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa. Foram realizadas entrevistas semiestruturada com 12 profissionais das eSF (quatro médicos, quatro enfermeiros e quatro agentes comunitários de saúde), que atuavam em unidades básicas de saúde (UBSs) localizadas na zona leste do município de São Paulo e que recebiam estudantes de Medicina do primeiro ano ao internato. As entrevistas foram gravadas e transcritas, lidas e relidas, sendo identificadas unidades de significado de acordo com os pressupostos da análise de conteúdo. Resultados: Os entrevistados destacaram as seguintes barreiras relacionados ao processo ensino-aprendizagem na APS: 1. excesso de pacientes agendados e escassez de tempo para discussão do caso com os estudantes; 2. inadequada estrutura física do serviço de saúde; 3. falta de preparação dos profissionais; e 4. falta de articulação ensino-serviço-comunidade. Os aspectos reconhecidos como fatores facilitadores do processo ensino-aprendizagem foram: 1. qualificação do serviço de saúde e da equipe; 2. integração com a eSF e com equipe multiprofissional; e 3. preparação dos preceptores médicos. Conclusões: Os resultados têm implicações para os profissionais da APS, as instituições de ensino superior e os gestores da saúde da APS estudados. O aprimoramento das relações e articulações entre as instituições de ensino, os gestores dos serviços de saúde, os profissionais de saúde e a comunidade é condição necessária para efetivar o processo ensino-aprendizagem e garantir o desenvolvimento de competências para a qualidade do cuidado na APS. Assim, o preparo dos profissionais de saúde, a adequação do espaço físico da UBS, a reflexão sobre o agendamento e estratégias para garantir tempo para discussão do caso e espaço para feedback podem contribuir para mitigar as barreiras ao processo ensino-aprendizagem na APS.

Características de um Professor Exemplar: Percepções de Estudantes e Professores

PID: S1981-52712020000300203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Távora Amorim Teixeira Mota Costa Costa
Resumo: Introdução: Na área médica, a forma de ensinar e aprender vem mudando com o tempo. Dessa forma, a investigação dos atributos que tornam um professor exemplar é importante para formular novas estratégias de ensino na educação médica. O presente estudo objetiva avaliar a percepção dos discentes e docentes do curso de Medicina sobre quais qualidades o docente deve ter para ser considerado um modelo. Método: Trata de um estudo quantitativo, transversal, com estudantes e professores do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor). Foi aplicado aos participantes um questionário elaborado pelos autores sobre os atributos mais importantes para ser considerado um bom professor. Cada atributo deveria receber peso de 1 a 5 caso o participante o julgasse menos ou mais importante. Resultados: Participaram do estudo 74 professores e 344 alunos. As maiores médias nos dois grupos foram para a “atitude no ambiente de ensino” e “interação com os alunos e colegas”, embora os professores tenham valorizado mais esses domínios (p = 0,03 e p = 0,006, respectivamente). O domínio “características pessoais” foi menos valorizado pelos alunos (p = 0,02). No domínio “atitude no ambiente de ensino”, facilitar a aprendizagem e ter uma atitude ética com o paciente foram as características mais valorizadas, embora os professores tenham valorizado ainda mais este último (p = 0,001). No domínio “interação com os alunos e colegas”, a capacidade de estimular a participação do aluno foi considerada menos importante pelos alunos (p = 0,001). No domínio “características pessoais”, ter entusiasmo pelo ensino foi bastante valorizado, entretanto os professores tenderam a dar um peso maior que os alunos (p = 0,001). A avaliação do domínio “desenvolvimento profissional” mostrou que o envolvimento com pesquisa foi o menos valorizado pelos participantes. Conclusões: Esses resultados sugerem que, para a identificação de um professor exemplar, os dois grupos valorizaram não apenas as atitudes relacionadas à docência, mas sobretudo as atitudes no ambiente de ensino e na interação com alunos e colegas. Sugerem ainda a necessidade de desenvolver estratégias de valorização da pesquisa científica, inclusive com incentivos para uma maior participação dos docentes e discentes, ressaltando a sua a importância na formação médica.

Carga Horária Total e de Pediatria de Escolas Médicas Brasileiras

PID: S1981-52712020000300218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Campos Grosseman
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os Cursos de Graduação em Medicina recomendam uma carga horária (CH) curricular mínima de 7.200 horas, e a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza que 10% dessa CH seja alocada na pediatria. O objetivo deste estudo foi analisar a CH curricular total e de pediatria de escolas médicas brasileiras. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo. Das 294 escolas médicas existentes no Brasil em outubro de 2017, foram incluídas no estudo as que continham em sua página oficial da internet a matriz/grade curricular ou o projeto político-pedagógico do curso e a CH de pediatria. As variáveis incluíram o CH curricular do curso e de pediatria e o ano de inserção de pediatria no currículo. Os dados foram analisados por estatística descritiva. As variáveis categóricas foram analisadas com frequência relativa e absoluta e as contínuas com média e Desvio-Padrão (DP) e mediana e percentil 25-75 (P25-75). Resultados: Foram incluídas 151 do total de escolas (51,4% do total). A mediana da CH dos cursos foi de 7.975 horas (P25-75 = 7.440-8.550), com média de 4.665,7 horas (DP = 593,8) antes do internato e de 3.388,1 horas (DP = 430,3) no internato. A média da CH total de pediatria foi de 778,2 (181,6), e a mediana da CH antes do internato foi de 220 horas (P25-75 = 160-300) e no internato de 514 (P25-75 = 405-640). A mediana da CH prática de pediatria antes do internato (n = 70) foi de 123 (DP = 90-180). A média da proporção entre CH total de pediatria e do curso foi de 9,7% (DP = 2,2), tendo 68,5% das escolas uma CH acima de 720 horas. A mediana da proporção entre a CH no internato de pediatria e a do curso foi de 16% (P25-75 = 12,5-18,9), com limites entre 6% e 26%. A mediana da proporção entre a CH antes do internato de pediatria e a do curso foi de 4,7% (P25-75 = 3,6-6,5), com limites entre 1% e 13%. Duas escolas iniciam o ensino da pediatria no primeiro ano do curso (1,3%), 19 no segundo (12,6%), 63 no terceiro (41,7%) e 67 no quarto ano (44,4%). Conclusões: As escolas cumprem a CH mínima do currículo estabelecida pelas DCN, tendendo a excedê-la, e nem todas cumprem a CH de 720 horas de pediatria recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Condicionantes Motivacionais Escolha Residência Multiprofissional Atenção Básica

PID: S1981-52712020000300204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Sardá Júnior Dias Ros Oliveira
Resumo: Introdução: A residência multiprofissional (RM) é uma modalidade de pós-graduação que agrega graduados de diversas áreas da saúde. Trata-se de uma modalidade de aprendizado em serviço. O objetivo deste estudo foi investigar os condicionantes motivacionais para a escolha do programa de RM de uma universidade situada no Vale de Itajaí, em Santa Catarina, por seus candidatos. Método: Para a realização desta pesquisa, adotou-se uma abordagem mista, quantitativa e qualitativa, em que se aplicaram questionários aos alunos da graduação do ensino superior e realizaram-se entrevistas com residentes do segundo ano. O número de participantes da pesquisa foi estipulado considerando o número total de alunos em sala de aula e, dentre estes, aqueles que tinham interesse em ingressar na RM. Participaram da amostra 123 alunos, dos quais 81 não tinham interesse em realizar a RM e 42 gostariam de participar do programa. Na análise dos dados oriundos dos questionários, utilizou-se a estatística descritiva (frequência simples e relativa). Os conteúdos da entrevista foram submetidos à análise de conteúdo. Participaram da aplicação de questionários 123 alunos dos últimos períodos dos cursos de Psicologia, Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Enfermagem e Nutrição; além disso, foram entrevistados oito residentes. Resultados: Constatou-se que 62% dos participantes buscam a residência como uma forma de capacitação profissional, dois quais 21% têm interesse em atuar em saúde coletiva/SUS, e outros 19% referem ter interesse em participar da residência em função da atuação multiprofissional. Conclusões: A análise de conteúdo indica que os residentes percebem como desafios a tarefa de atuar no sistema público devido a falta de mão de obra, dos aparelhos instrumentais e saturação de demanda e relações interpessoais com os colegas de outras especialidades. Entre os fatores motivacionais para entrada dos estudantes no programa de RM, destacam-se a experiência profissional, o interesse em saúde coletiva/SUS e o comprometimento social. A presença de profissionais que são referência na saúde coletiva também emergiu como um aspecto motivador importante na escolha dos profissionais por essa área de atuação. Os resultados deste estudo reforçam o importante do papel da RM na formação profissional visando atendimento em saúde coletiva.
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